José Horta Manzano
Sabe o distinto leitor de onde vem o costume de guarnecer a mesa das festas de fim de ano com nozes, castanhas, avelãs, figos secos e damascos? É costume europeu, sabemos disso. Mas por que precisamente esses alimentos? E por que justamente nesta época do ano?
Para quem vive em terras tropicais, a resposta não é evidente. Para os habitantes das zonas temperadas do Norte, salta aos olhos: são produtos da estação.
Hoje em dia, encontram-se por toda parte frutas fora de época, trazidas de avião do outro lado do globo. Pessoalmente, recuso-me a comprar. Não me parece ajuizado poluir a atmosfera com toneladas de querosene só para ter morangos em dezembro, quando o natural é comê-los em maio. A julgar pela enorme oferta que se vê por aí de produtos ‘exóticos’ e fora de época, imagino que nem todos pensem como eu.
Pois bem, nozes, castanhas, avelãs, figos secos, damascos e outras especialidades consumidas entre Natal e ano-novo cruzam oceanos antes de chegar às mesas brasileiras. Os preços são exorbitantes. Em épocas de carestia, como a atual, o consumo desses produtos arranha o meio ambiente e fere o bom senso.
Brasileiros há que chegam a privar-se de artigos necessários só para ter à mesa esses alimentos que, robustos e encorpados, nem de longe combinam com os calores de nosso Natal tropical. Sob risco de parecer iconoclasta, acho isso uma grande bobagem.
O Brasil é o maior produtor de frutas do planeta. Dezembro e janeiro marcam o apogeu da colheita. Por que não aproveitar? É mais leve, sai bem mais barato e dá mais cor e vida à mesa.
Para não romper totalmente com a tradição ‒ e se não estiver de regime ‒, prepare uma boa rabanada e salpique com açúcar e canela. Faça com pão dormido, de preferência. As receitas estão na internet, é fácil achar. Bom apetite.










O Cambridge Dictionary ensina que a expressão “kiss of death” (=beijo da morte) é usada quando se tem certeza de que um fato vai impedir outro de se realizar. E dá como exemplo: “Chuva é o ‘kiss of death’ de um churrasco”.




Estimado Maduro:
De uns dez dias pra cá, parece que os ventos mudaram de quadrante pelas bandas da América do Sul. Fazia já tanto tempo que a coisa andava degringolando, que a gente já estava ficando desesperançado. Agora parece que uma luzinha apareceu lá no fim do túnel. É tênue, mas alumia.





















A autodeclaração, que costumava fazer fé, já não vale. Numa negação de um dos princípios basilares de nosso Direito – aquele que determina que todo cidadão é inocente até que se prove o contrário –, o TJ decidiu que todo autodeclarante é suspeito de estar mentindo até que se prove que não está. Nenhuma autodeclaração será referendada antes de passar por verificação, fiscalização e aprovação por um comitê de peritos. Além de ofensiva, a norma é perigosa.
A norma recém-editada toca em assunto pra lá de delicado. Quando li a palavra fenótipo, quase caí da cadeira. Na Europa, que assistiu ao holocausto dos judeus durante a Segunda Guerra, essa palavra está restrita à flora e à fauna. Jamais alguém ousaria usá-la para exprimir características de cidadãos.

















