Mordillo, um poeta

José Horta Manzano

No fim de semana passado, às vésperas de completar 87 anos, faleceu o desenhista argentino Guillermo Mordillo Menéndez (1932-2019). Trabalhador incansável, deixou muito jovem o país natal, passou pelo Peru e pelos EUA, e fixou-se por longo tempo em Paris.

Ao chegar à França, como não falava uma palavra da língua, criou um personagem mudo e sem nome, que aparece solitário ou em grupo. Os desenhos do artista dispensam diálogo para serem entendidos.

Mordillo colaborou com publicações de prestígio, como as francesas Paris Match, Marie Claire, Lui e a alemã Stern. Passou as últimas décadas na ilha de Maiorca (Espanha), onde faleceu.

O universo do artista é fantástico, surreal, onírico, absurdo. O traço arredondado dos personagens instala clima de delicadeza e ternura. Sua paixão pelo futebol ressurge com frequência. Os personagens, sistematicamente brancos, ressaltam sempre, mesmo em meio a profusão de cores.

Aqui vai um tributo a esse poeta que trazia emoção na ponta do lápis.

Trompe-l’œil ‒ 6

José Horta Manzano

O japonês Akiyoshi Kitaoka (1961-) é professor de Psicologia no College of Letters da Universidade Ritsumeikan, em Kyoto (Japão). Há décadas vem-se especializando no estudo da percepção visual e de ilusões de óptica. Seus trabalhos demonstram que é possível «trapacear» com a visão humana, em especial a visão periférica.

Como se sabe, nossa visão bruta está longe de ser perfeita. As imagens que captamos precisam ser processadas pelo cérebro para fazerem sentido. Ao manipular as informações de que o cérebro necessita para interpretar o quadro, os desenhos do cientista conseguem dar um «nó nos miolos». Acabamos enxergando movimento em imagens estáticas.

Quando se passeiam os olhos pela imagem, as pétalas parecem girar embora estejam perfeitamente estáticas.
Clique para ver melhor

Ao passear os olhos pela imagem, tem-se a impressão de que os corações pulsam.
Clique para ver melhor

O quadrado no centro da folha impressa parece ter relevo e estar destacado do fundo. É ilusão.
Clique para ver melhor

Esta é excelente, basta ampliar a imagem. As rodas parecem girar. Impressionante.
Clique para ver melhor

 

Nota
Trompe-l’œil (literalmente ‘engana o olho’) é a expressão francesa para ilusão de óptica.

Trompe-l’œil ‒ 5

José Horta Manzano

O japonês Akiyoshi Kitaoka (1961-) é professor de Psicologia no College of Letters da Universidade Ritsumeikan, em Kyoto (Japão). Há décadas vem-se especializando no estudo da percepção visual e de ilusões de óptica. Seus trabalhos demonstram que é possível «trapacear» com a visão humana, em especial a visão periférica.

Como se sabe, nossa visão bruta está longe de ser perfeita. As imagens que captamos precisam ser processadas pelo cérebro para fazerem sentido. Ao manipular as informações de que o cérebro necessita para interpretar o quadro, os desenhos do cientista conseguem dar um «nó nos miolos». Acabamos enxergando movimento em imagens estáticas.

O círculo externo parece girar no sentido horário, enquanto o interno gira no outro sentido.
clique para ver melhor

A superfície dá a impressão de ser ondulada
clique para ver melhor

Um quadrado parece destacar-se do centro, embora todas as linhas sejam retas. Os ângulos também são todos retos.
clique para ver melhor

À medida que o observador move os olhos, o círculo de pétalas parece girar em sentido horário
clique para ver melhor

Embora estejam rigorosamente paradas, todas as peças parecem mover-se.
clique para ver melhor

Nota
Trompe-l’œil (literalmente ‘engana-olho’) é a expressão francesa para ilusão de óptica.

Land art

José Horta Manzano

Monsieur Guillaume Legros, cidadão francês, é enfermeiro de formação. Desde a adolescência, sentiu-se atraído pela arte de rua. Nos arredores da cidade de Belfort, sua região natal, começou marcando território com pichações.

Com o tempo, sua arte evoluiu. Hoje executa, sob encomenda, pinturas gigantescas que fazem parte do movimento land art. Os retratos, feitos com tinta biodegradável, são visíveis durante alguns dias. Em seguida, desaparecem. O que é bom dura pouco.

Monsieur Legros adotou o nome artístico de Saype, uma contração de Say peace ‒ Diga: paz.

Seguem algumas amostras do trabalho de Saype. O retrato mais recente (quarta imagem aqui abaixo) foi pintado num parque de Genebra. Simboliza os migrantes que buscam refúgio em território europeu, grande parte dos quais não logra chegar com vida ao destino. Um vídeo de dois minutos mostra imagens aéreas da pintura.

 

Land art – by Guillaume ‘Saype’ Legros, artista francês
clique para ampliar

 

Land art – by Guillaume ‘Saype’ Legros, artista francês
clique para ampliar

 

Land art – by Guillaume ‘Saype’ Legros, artista francês
clique para ampliar

 

Land art – by Guillaume ‘Saype’ Legros, artista francês
clique para ampliar