Um pouco d’arte ― 143

Sobrado com muxarabiê – Rua da Imperatriz (hoje XV de Novembro)
Na São Paulo do século 19, imaginada pelo artista paulista José Wasth Rodrigues (1891-1957)

 

O muxarabiê mencionado na imagem é palavra de origem árabe, que entrou em nossa língua através do francês. Designa um tipo de treliça que fechava algumas sacadas de antigamente. Por um lado, protegia contra o sol; por outro, permitia ver sem ser visto. Desaparecido o objeto, a palavra também se aposentou.

Trompe-l’œil ‒ 7

José Horta Manzano

O japonês Akiyoshi Kitaoka (1961-) é professor de Psicologia no College of Letters da Universidade Ritsumeikan, em Kyoto (Japão). Há décadas vem-se especializando no estudo da percepção visual e de ilusões de óptica. Seus trabalhos demonstram que é possível «trapacear» com a visão humana, em especial a visão periférica.

Como se sabe, nossa visão bruta está longe de ser perfeita. As imagens que captamos precisam ser processadas pelo cérebro para fazerem sentido. Ao manipular as informações de que o cérebro necessita para interpretar o quadro, os desenhos do cientista conseguem dar um «nó nos miolos». Acabamos enxergando movimento em imagens estáticas.

As manchas vermelhas parecem girar em sentido horário, mas estão paradas.
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Quando se fixa o olhar numa das rodas, a outra parece girar. Estão ambas paradas.
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Passeando os olhos pelo desenho, tem-se a impressão de que os corações se movem. É só impressão.
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Passeando os olhos pela imagem, tem-se a impressão de que o ressalto central incha. É impressão.
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Passeando os olhos pela imagem, tem-se a impressão de que as rodas que estão fora do foco visual giram. É impressão.
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Quando se fixa o olhar numa das rodas, a outra parece girar. É ilusão de óptica.
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Nota
Trompe-l’œil (literalmente ‘engana o olho’) é a expressão francesa para ilusão de óptica.

Land art

José Horta Manzano

Monsieur Guillaume Legros, cidadão francês, é enfermeiro de formação. Desde a adolescência, sentiu-se atraído pela arte de rua. Nos arredores da cidade de Belfort, sua região natal, começou marcando território com pichações.

Com o tempo, sua arte evoluiu. Hoje executa, sob encomenda, pinturas gigantescas que fazem parte do movimento land art. Os retratos, feitos com tinta biodegradável, são visíveis durante alguns dias. Em seguida, desaparecem. O que é bom dura pouco. Não é tanto a chuva que lava a tinta; é o crescimento da relva que faz desaparecer a pintura.

Monsieur Legros adotou o nome artístico de Saype, uma contração de Say peace ‒ Diga: paz.

Seguem algumas amostras do trabalho de Saype. Um dos trabalhos mais recentes (quarta imagem aqui abaixo) é uma pintura de 5000m2 feita num parque de Genebra. Simboliza os migrantes que buscam refúgio em território europeu, grande parte dos quais não logra chegar com vida ao destino. Um vídeo de três minutos mostra imagens aéreas do trabalho espetacular.

 

Land art – by Guillaume ‘Saype’ Legros, artista francês
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Land art – by Guillaume ‘Saype’ Legros, artista francês
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Land art – by Guillaume ‘Saype’ Legros, artista francês
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Land art – by Guillaume ‘Saype’ Legros, artista francês
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Publicado originalmente em 19 set° 2018.