Pari sono

José Horta Manzano

Li o artigo que doutor Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores designado, escreveu para o jornal curitibano Gazeta do Povo. Sabe aqueles escritos que deixam uma sensação de desconforto no final? Pois esse é um deles. Uma tijolada.

O doutor atira para todos os lados. Derruba o PT. Mostra desprezo pela ONU ‒ (ele é diplomata!). Cospe em cima dos grandes jornais do mundo. E culmina com nota trágica: desdenha do povo brasileiro ao apresentar-se como uma espécie de Grande Conselheiro, detentor privilegiado da Verdade.

De fato, doutor Araújo bate na tecla surrada que põe no PT a etiqueta de partido marxista. Tenta provar que o marxismo que faleceu um século atrás continua vivo sob forma de captor do intelecto dos viventes. Teria deixado de se interessar pelos meios de produção para apoderar-se da mente dos desavisados.

A mim, não convenceu. Continuo a enxergar no PT tendências bem mais próximas do fascismo que do marxismo. Longe de se preocupar com a confiscação do capital privado, o lulopetismo busca aliar-se aos grandes capitalistas para melhor usufruir as delícias que esse compadrio oferece. A ideologia do Partido dos Trabalhadores centraliza o poder em um só homem. Na base, ficam as corporações dependentes do Estado, do qual recebem as benesses e ao qual se dobram em reverente e incondicional obediência. Essas corporações ‒ ou sindicatos, ou comunidades de base, como queiram ‒ são a ramificação do Estado tentacular e oniatuante. O objetivo é recolher a seiva secretada pela cúpula e com ela irrigar, por capilaridade, todos os segmentos da sociedade. Com isso, garante-se o domínio das massas e impõe-se o pensamento único.

Palácio do Itamaraty, Brasília

A fixação do doutor em combater o marxismo está com prazo de validade vencido. A doutrina comunista se esboroou com a queda da União Soviética. Regimes autoritários, que ele toma equivocadamente por marxistas, pertencem a uma cepa inextinguível. Desde que o homem se organizou em sociedades, já no tempo das cavernas, sempre houve quem tentasse tomar a si o poder absoluto. Ao longo da história, muitos conseguiram.

O discurso de doutor Araújo exala, isso sim, forte arrogância. Desinibidamente, o leitor é acusado de ser ignorante por não se dar conta de que o marxismo sobrevive sob disfarce. O maltratado leitor é ainda tratado de ingênuo por acreditar nos «marxistas culturais» de hoje ‒ seja lá o que queira dizer essa expressão.

Para fechar o artigo, o doutor faz inquietante alusão ao «alarmismo climático». Promete desenvolver o pensamento em outra oportunidade, mas a simples expressão escolhida já deixa entender que vem aí discurso negacionista, de quem não vê urgência em cuidar de assuntos ligados à ecologia.

Ao fim e ao cabo, o artigo de doutor Araújo prenuncia que nossa diplomacia será tocada ao ritmo de rolo compressor. Embora os objetivos sejam diferentes, o método é igual ao seguido pelos petistas. Pari sono ‒ são iguais.

Menos médicos

José Horta Manzano

Nesse Programa Mais Médicos, desde que começaram a ser importados profissionais cubanos, dois pontos me incomodaram. Por um lado, o fato de os médicos vindos de Cuba receberem apenas 25% do salário que o governo brasileiro lhes destina, indo o resto para engordar o Estado de Cuba. Por outro, o fato de esses profissionais estarem dispensados de fazer reconhecer seu diploma pelas autoridades brasileiras.

Naqueles tempos pesados em que a confusa doutora Rousseff dava as cartas, esse arreglo bizarro firmado entre Brasília e Havana passou batido. Como se sabe, no entanto, o que nasce torto acaba dando problema mais tarde. E o mais tarde chegou. Varrido o PT do poder e findo o governo transitório de doutor Temer, começa o longo e difícil trabalho de correção do foco da política externa brasileira.

Desde que Lula da Silva assumiu a presidência pela primeira vez, 16 anos se passaram. É muito tempo de descaminho. A reaprumação da conduta dos negócios vai levar tempo e exigir tato e tenacidade. Não convém torcer com violência o timão, que é para o barco não soçobrar. Suave, mas firmemente ‒ eis como o capitão deve agir.

Numa dessas falas que doutor Bolsonaro devia guardar para o círculo íntimo em vez de publicar nas redes, ele se mostrou inconformado com duas distorções do Mais Médicos ‒ as mesmas que incomodam a mim e a muita gente. Dispensar os médicos cubanos de se submeter ao Revalida foi perigosa anomalia. Confiscar ¾ do salário deles os fez cair na servidão.

Porto de Mariel, Cuba

O presidente eleito deveria ter agido com mais cautela. Mas tato, francamente, não é traço marcante de sua personalidade. Disse o que disse e deixou que a fala se espalhasse. A reação veio a cavalo. Sentindo que estava na iminência de passar pelo vexame de ver seus médicos expulsos do Brasil, o regime de Havana tomou a dianteira e convocou-os de volta à base.

O resultado, para o Brasil, não é bom. Em primeiro lugar, doutor Bolsonaro devia ter-se dado conta de que nem todos os brasileiros têm a chance que ele teve de ser atendidos como ele foi, com pompa e circunstância, num dos maiores hospitais do país. A saúde de muitos brasileiros depende da presença de um médico estrangeiro nas brenhas esquecidas de nosso território. Além disso, há um nó pecuniário. Cuba deve muito dinheiro ao Brasil. Considerando só o porto de Mariel, construído com empréstimo do BNDES, a dívida está ainda na casa dos 600 milhões de dólares (2,3 bilhões de reais).

A debandada de oito mil médicos periga entravar a cobrança da dívida cubana. São dois fatores conjugados que doutor Bolsonaro devia ter levado em conta antes de praguejar. Do jeito que vai, forte contingente da população vai sofrer com a falta de médico. Por seu lado, o BNDES vai ficar chupando o dedo à espera de pagamentos de Havana.

Com essa afoiteza, o presidente eleito se iguala a seus predecessores, Lula da Silva e doutora Rousseff. A dupla petista usou nosso dinheiro pra confortar a ditadura dos bondosos irmãos Castro. Doutor Bolsonaro está desperdiçando nosso dinheiro pra acalentar a própria vaidade. Para um presidente que acaba de chegar, foi mal.

No fundo do poço

José Roberto Guzzo (*)

Em seu desabamento progressivo, Lula, com a ajuda empolgada do PT, quis representar o papel de mártir. Péssima ideia. Brasileiro, no fundo, não gosta de gente que está na cadeia. Não acha que as penitenciárias estejam cheias de injustiçados. Acha o contrário: que há muita gente culpada do lado de fora.

Para a maioria do eleitorado, Lula não é vítima, nem preso político. É só um político ladrão que foi condenado ‒ como deveriam ser nove entre dez dos que continuam soltos. Não é um julgamento sereno, mas é assim que a massa pensa e continuará pensando, e vai apenas perder seu tempo quem quiser convencê-la do contrário.

Revela muito da decomposição política de Lula e do PT o fato de terem achado que uma cela de cadeia é um lugar capaz de despertar admiração no povo ou de servir como centro de comando de uma campanha eleitoral.

(*) José Roberto Guzzo é jornalista e colunista.
O texto foi extraído de artigo publicado na revista Veja.

Aprendendo a ser presidente

José Horta Manzano

Em 2003, assim que foi empossado, o novíssimo presidente Lula da Silva fez aparições públicas em eventos variados. Como recém-chegado, foi paparicado à bessa, o que é muito natural. Fotógrafos logo imortalizaram o distintivo que ele insistia em fincar na lapela: um pin com a estrela vermelha do PT, seu partido.

Jornalistas publicaram textos escandalizados com o gesto do novo mandatário. Afinal, ele tinha sido eleito para presidir a República, não para chefiar um partido. Portada ostensivamente, aquela insígnia era sinal hostil lançado aos que não fossem simpatizantes de seu partido. Cargo de presidente exige que o titular se coloque acima de querelas politiqueiras.

Lula da Silva não costumava ler jornais. Mas seus prestimosos assessores se deram conta do reclamo, informaram o chefe, e o pin vermelho cedeu lugar a um mais decente, com as cores da bandeira.

Essa historinha ‒ que é bem real ‒ serve pra ilustrar os tropeços de todo principiante. Todo debutante dá seus foras, seja qual for a profissão ou o cargo, é compreensível. Importantíssimo, no entanto, é que aprenda de seus escorregões e se encaixe na liturgia que a posição exige.

Doutor Bolsonaro deu outro dia um bruta fora. Ressentido com o tratamento que lhe dispensou um jornal de São Paulo durante a campanha, tratamento que ele julga ter sido persecutório e injusto, prometeu fazer desabar raios e relâmpagos sobre o veículo. Errou feio.

Se sentimentos de rancor de vingança já caem mal em mortais comuns, que dirá em figurões da República. Uma bordoada. E pensar que a solução é tão evidente: para casos como esse, a lei prevê caminhos mais civilizados. Se o doutor se sentiu caluniado, que demande reparação por via judicial. Assim, sai tudo nos conformes. Agora, prometer benesses aos amigos e castigo aos adversários ‒ tudo isso com nosso dinheiro ‒ é expediente que não combina com democracia.

Por esta vez, passa, doutor. Da próxima, pense duas vezes antes de abrir a boca. A acumulação de pequenos incidentes como esse pode embaçar sua imagem antes do fim do período de graça.

Como está sendo visto o Brasil de longe

José Horta Manzano

«É má notícia para a democracia [brasileira], corroída por exagerada corrupção, que o único que podia combatê-la, o ex-presidente Lula, está na cadeia.»

A frase acima que, de tão absurda, a gente tem de ler duas vezes, saiu da pluma de um jornalista e escritor mexicano. É o arquétipo da visão que se tem do Brasil no exterior. É impressionante a agitação que tem tomado conta da mídia internacional nesta época de eleições brasileiras. Conforme se vai aproximando o dia do segundo turno, então, a agitação vai se transformando em frenesi.

O diário espanhol El Pais traz, na edição online de hoje, longo artigo intitulado «Intelectuales de América y Europa alertan contra Bolsonaro». Vinte e três personalidades dão depoimento. Entre outras nacionalidades, há gente do Brasil, da França, da Argentina, da Espanha, da Colômbia, dos EUA, do Chile. Algumas declarações são comoventes de ingenuidade. Outras são fruto evidente de desinformação. Há também aquelas de deixar de cabelo em pé de tanto cinismo: atribuem, a doutor Bolsonaro, terríveis intenções que constam do programa oficial do Partido dos Trabalhadores.

Nosso decepcionante Chico Buarque também mete lá o bedelho, assim como o argentino Esquivel, o americano Chomsky e o francês Bernard Henri Lévy ‒ figurinhas carimbadas. Exclamações como retrocesso!, soberba!, extrema direita!, golpe!, terrorismo fascista! aparecem a cada duas linhas. São relembrados até os cem mil votos que recebeu o rinoceronte Cacareco na eleição para a vereança paulistana em 1959. Pra você ver o grau de apelação.

O grito
by Edward Munch, pintor norueguês

Todas as análises são equivocadas. Entre os entrevistados, há os que atribuem a derrota do PT à «onda conservadora» que varre o planeta. Há os que veem na atual política brasileira um complô das elites que, ao tirar de cena Lula da Silva, estão alinhavando o golpe iniciado com a deposição de doutora Rousseff. Há quem chegue mais perto da realidade, ao evocar a insegurança que impera no território nacional. Ninguém, no entanto, se atreve a encarar a realidade e a atribuir a vitória de doutor Bolsonaro à verdadeira razão, que é a resposta do povo à roubalheira que comeu solta no período lulopetista.

Não tivesse havido roubalheira, o PT estaria instalado no topo do poder por vinte, trinta, cinquenta anos. Teriam continuado a moldar o país segundo a cartilha do partido. Teriam transformado o Brasil numa Venezuela light, com regime autoritário mas sem débâcle econômica. Ou, na pior das hipóteses, com “débâcle light”. Ao agir como fominhas, bobearam e perderam tudo. Observadores estrangeiros não conseguem entender, mas nós, que somos os maiores interessados, entendemos muito bem. Ânimo, minha gente, que falta pouco!

Neonazismo & neofascismo

José Horta Manzano

Pergunta:
Como avalia o crescimento de Jair Bolsonaro, um candidato da extrema direita, no Brasil?

Resposta:
A crise estourou em 2008 e o que vemos agora são seus efeitos. O Brexit tem que ver com esta situação, como Trump e o fenômeno de Bolsonaro. Só que lá é neonazismo e aqui é neofascismo.

A pergunta foi formulada pelo entrevistador do jornal espanhol El País. E a resposta, com aspecto e gosto de salada mista, foi dada por doutor Fernando Haddad, em longa entrevista concedida ao jornal. Saiu na edição deste domingo, 14 de outubro.

Não acredito que doutor Haddad, professor universitário e dono de boa formação humanística, ignore o real significado dos termos neonazismo e neofascismo. Fosse um Lula qualquer a invocar em vão esses conceitos tenebrosos, a gente poria na conta da ignorância. Mas doutor Haddad, não. Se pronuncia inverdades, é por refinada má-fé. Mostra seu lado finório.

É obrigatório constatar que o candidato assimilou perfeitamente o irritante costume petista de atirar poeira nos olhos do interlocutor a fim de baralhar a mensagem. A resposta que ele deu ao jornalista é acabado exemplo dessa tática. Como numa salada russa, o doutor misturou conceitos díspares.

Chamar Donald Trump de neonazista é ir longe demais. O homem é atabalhoado, elefante em loja de porcelana, autoritário, voluntarista, ignorantão, mas, de nazista, não tem grande coisa. Não se sabe de nenhuma manobra sua que empurrasse seu país na direção de uma Alemanha dos anos 1930.

Fascio littorio ‒ símbolo do fascismo

Dizer que o Brexit é fruto de ressurgência do nazismo é outro rematado exagero. O voto dos britânicos é fruto de um balaio de motivos ‒ saudades dos tempos gloriosos do Império Britânico, receio de perder o emprego para um polonês mal remunerado, sentimento difuso de que Bruxelas está legislando contra os interesses nacionais. O conjunto de razões não poderá, nem de longe, ser etiquetado de nazismo.

Quanto ao Brasil, sabemos todos qual é a razão pela qual doutor Bolsonaro está a um passo de ser eleito por aclamação. É antipetismo puro, a não confundir com neofascismo. De fato, a maior parte dos votos que serão dados ao capitão, no espremer do suco, não lhe pertencem. Poucos serão os eleitores que compactuam com hipotético viés fascista do candidato. Vota-se simplesmente contra o Partido dos Trabalhadores.

Não contente em atazanar a vida dos que aqui vivem, o PT exporta perversidade. Contribui, assim, para degradar a imagem do Brasil lá fora e ainda alimenta o desolador cenário de desinformação que domina a mídia internacional. É revoltante.

O suicídio de um partido

Pedro Luiz Rodrigues (*)

Caso fatos notáveis não venham a ocorrer, o Partido dos Trabalhadores deverá sofrer amarga derrota no segundo turno das eleições presidenciais, no próximo dia 28 de outubro.

Era apenas uma questão de tempo para que o partido começasse a se esboroar. Dado que desde sua criação (1980) viveu de contradições, de meias-verdades e de falsas aparências, nunca transitou com desenvoltura no ambiente da democracia. Como em obras que desabam, sobrou areia, faltou cimento.

A partir de quando o PT deixou de ser oposição e se tornou governo, suas bandeiras originais – que por vinte anos haviam seduzido massas de jovens idealistas – foram sendo jogadas na lata do lixo.

Honestidade, decência, transparência, todas deixaram de ser qualidades admiradas e praticadas por seus dirigentes. Os jovens idealistas ‒ não mais tão jovens assim ‒ perceberam (pelo menos alguns deles) que não haviam sido usados apenas como massa de manobra.

Fazer o quê? Quem nasceu pra tubarão não pode pretender ser golfinho. O PT diz que é democrata, mas não pode ser, porque seu objetivo final é a implantar uma ditadura, a do proletariado. Lula já jurou que o partido não é marxista, mas os intelectuais da agremiação continuam a produzir artigos recomendando seguir a pauta marxista-gramsciana, que rejeita a alternância democrática.

O povo não é burro, e aqueles que não esperam prebendas ou favores do petismo têm razões para morrer de rir com a notícia de que o PT, juntamente com seus aliados (PCdoB, PSOL e outros), estariam para formar uma “frente democrática” para contrapor-se à candidatura de Jair Bolsonaro.

Falsear, mudar de cara, é o que a dobradinha PT-PCdo B está fazendo agora, mais uma vez. Um de seus anúncios de campanha do primeiro turno era do tipo tradicional, muito vermelho, com os dois candidatos secundados pela imagem de Luiz Inácio Lula da Silva. Na versão para o segundo turno, o vermelho deu lugar ao verde, ao amarelo e ao azul, e Lula ‒ ao melhor estilo soviético ‒ foi simplesmente removido da fotografia.

Pedro Luiz Rodrigues

Para o PT, a derrota que se avizinha será estrondosa e definitiva; vai ser a pá de cal no túmulo de um partido que vem se suicidando aos poucos, desde 2005, quando o mensalão revelou à sociedade que o PT falseara suas credenciais morais para chegar ao poder e lá se manter.

Esse falseamento moral foi necessário para a participação do PT num regime democrático, onde as regras do jogo pressupõem aceitação da diversidade ideológica, alternância no poder e máxima lisura na defesa dos interesses do Estado.

O PT não aceita a democracia, nem a diversidade ideológica, nem a alternância no poder. Quanto ao Estado, cuidaram de aparelhá-lo partidariamente – inclusive o Itamaraty, instituição à qual pertenço – privilegiando a lealdade ou a subserviência ao partido em detrimento da qualidade e dos méritos profissionais.

Se saíram do poder no impeachment de Dilma (“o golpe, o golpe, o golpe”, do refrão partidário), serão definitivamente escorraçados agora, no final de outubro, pelo voto popular.

O PT não teve forças para corromper as instituições brasileiras, muito mais fortes do que as da Venezuela ‒ país próspero que os aliados do PT conseguiram levar à ruína.

(*) Pedro Luiz Rodrigues é embaixador e jornalista. Este artigo foi publicado originalmente no Diário do Poder.

PT paz e amor?

José Horta Manzano

Numa tática inútil, o Partido dos Trabalhadores tem-se aplicado, entre os dois turnos, a eliminar de sua propaganda eleitoral e de seu portal internet toda referência extremista. Posições de marcado viés ideológico, como o apoio ao regime bolivariano de Maduro, desapareceram. A figura de Lula da Silva foi ocultada. O vermelho foi removido. O candidato à Presidência e sua vice (filiada ao Partido Comunista!) se apresentaram, contritos, em Aparecida neste feriado religioso. Até comungaram. Uma graça.

by Elvis Braga Ferreira, desenhista amazonense

Essa estratégia, além de não atingir o objetivo de arrecadar mais votos no segundo turno, escancara a desorientação de um agrupamento em via de decomposição. De fato, quando um partido se põe a renegar pontos essenciais de sua doutrina, é sinal de que os alicerces apodreceram. Prédio a esse ponto deteriorado requer demolição urgente, antes que desabe na cabeça dos moradores.

Essa manobra de ocultação de princípios, além de não agregar nenhum voto, é tática suicida. Senão, vejamos. Por um lado, os antipetistas não vão passar a votar nos candidatos do partido só porque os louvores ao regime bolivariano desapareceram do programa. Por outro, os petistas não vão deixar de apoiar o partido só por causa desse detalhe. Portanto, o jogo é de soma zero. Noves fora, sobra o desespero explícito de um agrupamento em perdição.

Cantar de galo?

José Horta Manzano

Orgulho, em si, não é sentimento totalmente negativo. Ter orgulho dos filhos, da pátria ou de ter tirado nota dez é sentimento natural, humano, legítimo e compreensível. O problema começa quando o orgulho gera arrogância ‒ o que acontece com frequência. Aí começa a encrenca.

Quando o PT subiu ao topo da glória e se tornou o maior partido do Brasil, afiliados e eleitos se orgulharam. Era natural, afinal de contas. No entanto, a ingenuidade imprudente de quem nunca tinha comido melado fez que o orgulho descambasse para a arrogância, o comportamento daqueles que imaginam ser definitivamente melhores que os demais e estarem parafusados ao pedestal da glória. Erro tremendo.

Como já disse o poeta, as coisas só são eternas enquanto duram. Nada como um dia atrás do outro, que o passar do tempo é implacável. Aos anos abençoados, seguiram-se anos adversos. Podres apareceram, processos se multiplicaram, dirigentes foram enjaulados, a glória minguou.

Aquele que foi, um dia, o partido mais importante do Brasil deu ensejo ao aparecimento de um partido maior que ele: o antipetismo ‒ maior partido brasileiro da atualidade. Só tem um detalhe: esse antipetismo não é partido organizado, registrado em cartório, com sede oficial e placa na porta. Congrega uma enormidade de gente em busca de um líder.

Nenhum político carismático teve o tino necessário pra agarrar a oportunidade de encarnar esse sentimento. Mesmo iniciada a campanha oficial para estas eleições, nenhum dos candidatos se deu conta do momentum. Num curioso movimento espontâneo, o povo, aos poucos, designou o paladino do antipetismo na pessoa de doutor Bolsonaro. Nem o interessado tinha percebido que sua chance maior estava lá. Acabou assumindo o papel, assim, meio empurrado.

Nada é garantido, é verdade, mas convenhamos: com esse cacife, seria espantoso que o doutor não fosse eleito. Mas, agora, tem outra coisa. Se eu pudesse dar a ele um conselho, diria que tome extremo cuidado pra não deixar que o orgulho de ter vencido descambe para o pecado de arrogância. O doutor tem de guardar em mente que os votos com que terá sido eleito, no duro, não são seus. Foram-lhe emprestados pra afastar o perigo petista. Se o doutor quiser afugentar o espectro de um impeachment, melhor fará se mantiver a crista baixinha. Que trabalhe sem arrotar importância.

Abaixo-assinado

José Horta Manzano

Ai, dona Cármen! A senhora de novo! Não tem jeito. Quando a gente pensa que essa gente está criando juízo e que as coisas estão entrando nos eixos, eis que ‒ catapimba! ‒ lá vem bomba outra vez.

Doutora Cármen Lúcia é personagem importante da República. Está entre os raros que já presidiram dois poderes: o Judiciário e o Executivo. Seus atos e gestos são acompanhados com lupa; qualquer entortada acaba respingando no andamento da nação. Gente assim deveria ser muito cautelosa. Doutora Cármen, no entanto, tem-se distraído.

Faz uma semana, desapontada com o resultado de um voto colegiado do STF, fez questão de declarar alto e bom som não ter nada com isso, muito pelo contrário, já que tinha votado contra. Declaração impertinente e inoportuna. Não cabe a um componente de tribunal colegiado expor sua discórdia em praça pública. É atitude que quebra a colegialidade e desmerece o discordante.

Poucos dias se passaram, e eis que a presidente do Tribunal Maior reincide. Desta vez, fez pior. Com o sorriso de sempre, deu acolhida a uma comitiva que lhe trazia um abaixo-assinado com milhares de assinaturas pedindo a liberdade de Lula da Silva.

Não se deve repreender ninguém por um gesto de cordialidade. No entanto, não fica bem a mais alta autoridade do Judiciário receber pessoalmente abaixo-assinado. Fica ainda menos bem quando se sabe que o documento exige a soltura ‒ ao arrepio da lei ‒ de condenado que cumpre pena. Fica pior ainda quando se sabe que o documento acusa o Judiciário de condenar à masmorra presos políticos.

Deve haver, entre os milhares de funcionários do STF ‒ todos pagos por nós, não nos esqueçamos ‒ algum que pudesse ser encarregado de acolher a comitiva, tomar posse do documento, agradecer e prometer encaminhá-lo a quem de direito. Ou não? Seria atitude civilizada e digna, mas também inócua e incapaz de comprometer personalidades.

Que a presidente do tribunal, em pessoa, receba comitivas é insensato. Faz mal ao país.

Os sem-rede e os sem-ética

José Horta Manzano

Empedernido, nunca aderi à onda das redes sociais. Não tenho perfil em nenhum dos operadores. Faço parte dos dinossauros que ainda se comunicam por email, um atraso só! Assim mesmo, por bem ou por mal, tenho conseguido manter-me à tona no oceano de informação que nos balouça.

Sou adepto da atitude positiva que me ensinaram muito tempo atrás: quem procura, acha. Em que pese a meu estatuto de sem-rede, costumo encontrar o que me interessa. Estes dias, dei de cara com uma dessas petições que circulam às dúzias. Ela me chamou a atenção em particular: pede que seja barrada a ascensão de doutor Dias Toffoli à presidência do STF.

Como se sabe, a presidência de nossa Corte Maior é rotativa. Em sistema de rodízio, novo ministro acede ao trono a cada dois anos. Cabe a doutor Toffoli assumir as rédeas a partir de setembro. A posição confere grande poder ao titular.

Não sem razão, muitos se mostram inquietos com isso. De fato, no currículo do doutor sobressai forte ligação com o PT, partido para o qual ele advogou. Para vitaminar ainda mais o CV, o homem exerceu cargo subordinado a José Dirceu quando este era ministro da Casa Civil, no governo do Lula.

Toffoli tem mostrado não ter compromisso com a isenção que se espera de um juiz. Apesar do histórico profissional, não se sentiu impedido quando lhe coube apreciar processos envolvendo o antigo chefe ou o partido para o qual trabalhou. E tem ido mais longe no afrontamento da ética. Via de regra, dá voto favorável a figuras próximas ao partido. Ainda outro dia, mandou soltar seu antigo chefe ‒ condenado em segunda instância a trinta anos de galera!

Quem é culpado por essa situação bizarra que permite ao réu ser julgado por amigo fraterno? Não se pode apontar uma pessoa em particular. Leis maiores e menores foram costuradas na era que antecedeu o lulopetismo. Em 1988, não passava pela cabeça de nenhum constituinte que juiz comprometido com a causa ousasse declarar-se competente pra julgá-la. No entanto, uma era de degradação dos costumes se abateu por longos treze anos. Princípios de ética elementar se foram apagando. O que vemos hoje é o resultado, que, curiosamente, não parece causar grande incômodo ao respeitável público.

Tivesse o legislador, trinta anos atrás, imaginado que a degradação pudesse chegar a tal ponto, teria tomado providências. No caso do juiz, a decisão sobre competência (ou não) para atuar não seria deixada em mãos do interessado. Mas o que temos é isso aí, uma legislação demasiado condescendente, da qual se aproveitam os malandros que infestam as altas esferas. A solução do problema começa obrigatoriamente pela feitura de nova Constituição.

Posfácio
Aprecio a garra e a esperança dos iniciadores da petição que visa a prevenir os estragos que doutor Toffoli pudesse provocar. Receio, (que lástima!), que seja tão inútil quanto esmurrar ponta de faca. Aquele que afronta a ética com tamanho descaramento não há de comover-se com alguns milhares de assinaturas. O homem sabe que é intocável. Até no Judiciário, penúltimo baluarte da dignidade da nação, a coisa está abaixo da decência! Eu disse penúltimo.

O STF de novo

José Horta Manzano

Diga-se o que se quiser dizer, não há como abafar a verdade: o STF desviou da órbita. Feito sputnik desgovernado, já não cumpre a missão para a qual foi concebido e, ainda por cima, ameaça espatifar em cima de nossa cabeça.

Nosso castigado país vive um clima de salve-nos Deus misericordioso. Lula da Silva rosnando de um lado, Jair Bolsonaro grunhindo de outro, candidatos à Presidência fazendo cara de vestais, o Congresso letárgico, a Presidência paralisada, o exército à espreita. E o STF, que deveria ser a sedes sapientiæ ‒ a morada da sabedoria, desajuizado.

É uma atrás da outra. Nem o torpor que trava o país durante a Copa fecha a fábrica de insanidades em que a Corte Maior se transformou. A mais recente proeza foi obra de doutor Toffoli. Mandou arrancar a tornozeleira de doutor José Dirceu, notório ‘guerreiro do povo brasileiro’.

Longe de ser superficial, a crise do STF é mal de raiz. Imunes a todo ataque, Suas Excelências pintam e bordam. Sabedores de que nenhum mal lhes acontecerá e de que ninguém os tira do emprego, se esparramam, se assoberbam, torcem a verdade e manipulam a lei para que se adapte ao desideratum de cada um.

O caso da tornozeleira do guerreiro do povo é edificante. Antes de ser nomeado para o STF, doutor Toffoli, que era advogado do PT, trabalhou justamente como subordinado de doutor José Dirceu, quando este era Ministro-chefe da Casa Civil. O bom senso exige que, com essa passagem no currículo, o magistrado seja considerado impedido de atuar em processos em que o antigo chefe estiver envolvido.

Pois Sua Excelência, atropelando o bom senso, dá uma banana para o povo que paga seu salário e continua votando numa boa, como se a conversa não fosse com ele. Os brasileiros de bons princípios se veem impotentes e sentem muita raiva. Ninguém gosta de ser vítima de zombaria nem de ver sua dignidade usurpada. O pior é que doutor Toffoli não está sozinho: há colegas dele que debocham do povo com o mesmo despudor.

Essa safadeza atrevida, vinda justo daqueles que deveriam garantir a decência nacional, pode acabar mal, muito mal. Ri melhor quem ri por último, é verdade. Mas não é impossível que, ao final, choremos todos.

A queda de Parente e o Brasil

José Fucs (*)

A saída de Pedro Parente da Petrobrás é sinal do quanto o capitalismo é mal compreendido no Brasil, do populismo que impera na arena política e da enorme resistência da sociedade em repor o país nos eixos. Mais que tudo, no momento, a saída amplifica as dúvidas e as preocupações sobre nosso futuro, com as escolhas que faremos nas eleições de outubro.

Parente caiu não por seus eventuais erros, mas por seus acertos. Executivo tarimbado, ele reergueu a Petrobrás dos saques feitos pelo PT e por seus aliados. Procurou administrá-la como empresa privada, de olho nos resultados, sem ceder a pressões políticas e sem fazer demagogia com o preço dos combustíveis.

A blindagem que promoveu contra a pilhagem dos políticos e o uso da Petrobrás como ferramenta de política econômica provocou a ira das esquerdas e da direita pitbull, que realizaram verdadeiro massacre contra ele nos últimos dias nas redes sociais. Pior para o Brasil.

(*) José Fucs é jornalista.

Dá um desânimo

José Horta Manzano

Doutora Marina Silva penitenciou-se por ter recomendado a seu eleitorado votar em Aécio Neves no segundo turno das últimas eleições presidenciais. Convenhamos, é o mínimo que poderia fazer. Disse ainda que, fosse hoje, «com certeza não o apoiaria». Ainda bem.

Declarou ainda que a eleição de 2014 foi fraudada pelo uso de fundos oriundos do esquema de corrupção instalado na Petrobrás. A doutora levou quatro anos pra descobrir o que já estamos carecas de saber. É que Madame, tal qual um cometa, só reaparece em datas fixas. A cada quatro anos, ressuscita, profere platitudes e depois se eclipsa até a eleição seguinte.

Deixando de lado os truísmos da eterna candidata, é forçoso constatar que a eleição de 2014 foi realmente fraudada. Marina Silva foi massacrada pela propaganda enganosa e desleal espetada pelos marqueteiros Santana & esposa. Doutor Aécio era uma fraude personificada ‒ embora a maioria dos eleitores ignorasse. E doutora Dilma era tão ruim que não aguentou o tranco e acabou defenestrada com apoio de parlamentares da própria base.

Lula da Silva está na cadeia, condenado. Por mais que seus defensores esperneiem, por mais que o marketing tosco do Partido dos Trabalhadores organize acampamentos e queima de pneus, por mais que ministros do STF tentem livrá-lo, os crimes foram desmascarados e o ex-presidente foi por isso condenado. Ainda que escape ao cárcere, sua biografia está, para todo o sempre, marcada com o carimbo da infâmia.

Aécio, Serra, Alckmin estão enrolados com a Justiça. Um em maior grau, outro em menor, mas nenhum escapa. No PT, não sobrou um, meu irmão. Nos partidos tradicionais ‒ se é que se os pode chamar assim ‒, tampouco sobraram candidatos viáveis.

Nossa escolha será entre o câncer e a aids. Poderemos eleger um magistrado colérico, destemperado, abespinhadiço e imprevisível de quem não se conhecem as ideias. Poderemos ainda dar o voto a um deputado profissional que, apesar do permanente sorriso, traz na canastra um punhado de ideias arrevezadas, chucras, no limite da decência. E vamos parando por aí, que o resto é o resto.

Que falta faz um candidado honesto, equilibrado e bem-intencionado. Dá um desânimo, não dá?

Cada uma!

José Horta Manzano

Visitantes no cárcere
Uma caravana de políticos, incluindo senadores da República, solicitou ‒ e obteve! ‒ autorização especial para visita ‘de inspeção’ à cela onde está recolhido o cidadão Lula da Silva. Desejavam conferir se o cômodo estava nos conformes e se o encarcerado estava sendo bem tratado.

Da solicitação, destaco a arrogante petulância. Imperdoável, principalmente por serem senadores da República. Haja cara de pau!

Da autorização, depreende-se que o sistema carcerário ainda não se livrou da praga do «jeitinho». As normas de visitação não preveem caravanas, ainda mais quando não são compostas de parentes ou amigos íntimos do preso. Não há razão pra flexibilizar regras. A “visita de inspeção” é insultante para as autoridades que cuidam da execução das penas.

Um ponto positivo: nenhum dos visitantes denunciou a má qualidade das condições carcerárias. Conclui-se que devem ser pra lá de boas. Se assim não fosse, imaginem a gritaria.

Aécio candidato
É verdade que um escândalo a mais ou a menos pouca diferença faz nesta terra castigada. Assim mesmo, alguns deles conseguem chocar mais.

by Renato Luiz Campos Aroeira, desenhista carioca

Semana passada, doutor Aécio, aquele que ludibriou metade do eleitorado nas últimas eleições, passou à condição de réu em processo criminal. E nesta semana, o que é que se lê? Que o ora acusado «ainda vai resolver se se candidata à presidência da República».

Como é que é? Com acusação confirmada pelo egrégio STF, ainda pensa em se candidatar? Pouca vergonha! Devia mais é ser expulso do partido.

Perguntar não ofende: quem é mais descarado, o candidato ou quem votar nele?

Lula roubado
O veículo de Lula, confiado a um de seus oito assessores, foi assaltado. Furtaram pertences do encarcerado, objetos que a gente se pergunta o que é que estariam fazendo lá. Um frigobar, um telefone celular, peças de roupa, passaporte. Tudo declarado como pertencente a Lula da Silva. Agora vêm as inevitáveis perguntas.

O que fazia um frigobar (repleto?) no carro do Lula? A intenção era subornar um carcereiro e introduzir o objeto na cela? Fora isso, que raios fazia essa geladeira num automóvel?

Telefone celular? Do Lula? Era destinado ao preso? E eu que, ingênuo, acreditava que presos fossem proibidos de guardar celular.

E o passaporte então? Preso não costuma passar fronteira, portanto não precisa de passaporte. Pra quê o documento estava lá?

No dia seguinte ao do furto, doutora Gleisi Hoffmann, presidente do PT, botou a boca no trombone para denunciar o provável envolvimento da “zelite” no assalto. Exigiu que tudo fosse investigado a fundo. Um dia mais tarde, dando-se conta de que indagações surgiriam e que o feitiço perigava virar-se contra o feiticeiro, esqueceu o assunto. E não falou mais nisso, que a emenda podia ficar pior que o soneto.

Quem jogará a final?

José Horta Manzano

A abundância de partidos que abarrota a cena política nacional há anos é de mentirinha, uma ilusão. Nenhuma das siglas menores chega a cutucar as três grandes.

No frigir dos ovos, é forçoso constatar que, neste último quarto de século, a presidência da República ‒ o cargo maior ‒ tem sido rateada entre duas siglas: PSDB e PT. É o que alguns chamam impropriamente de «direita x esquerda». Não é assim que eu rotularia, mas essa é história pra outro capítulo.

Pelo ranger da carroça, as eleições de 2018 vão soar o fim desse monopólio. Lula da Silva, eterno candidato do Partido dos Trabalhadores, está atrás das grades e, se nada de extraordinário acontecer, lá deverá continuar por bom tempo. Segundo as pesquisas eleitorais, nenhum candidato logrará herdar os votos do demiurgo. Nem nomes de siglas nanicas nem mesmo os do próprio PT. A sobrevivência do partido está ameaçada.

by João Bosco de Azevedo (1961-), desenhista paraense

No polo oposto, o ex-governador de São Paulo, candidato do PSDB, não conseguiu decolar até agora. A propaganda eleitoral certamente vai granjear-lhe votos, mas não há garantia de que ultrapasse os concorrentes.

Já doutor Bolsonaro parece ter lugar garantido na final do campeonato. A pergunta à qual ninguém pode responder neste momento é: quem será o adversário?

Uma coisa é certa. Pela primeira vez desde o triste fim de doutor Collor, o resultado da corrida é nebuloso. O vencedor permanece incógnito, o que não é um mal em si. Pelo menos, teremos subidas de adrenalina.

Candidatos de ficha pra lá de limpa hão de atrair a simpatia do eleitor. Cansados de assistir aos crimes, à corrupção, à roubalheira, à desfaçatez, à impunidade que reina no andar de cima, os brasileiros darão o voto àquele (ou àquela) que apresentar maior garantia de integridade. É certeza. Nosso Guia, ainda que estivesse livre e solto, não venceria.