Recepção calorosa

José Horta Manzano

Ah, como é agradável ser bem recebido quando a gente faz uma viagem tão longa! Muita gente fina já teve de entrar pela porta dos fundos algum dia em algum lugar. Acontece, que é o preço da fama.

Quanto a Bolsonaro, ele que se prepare. Onde houver brasileiros não-lobotomizados, pode ir se preparando: vai continuar a utilizar a entrada dos funcionários. Até o fim da vida.

Araçatuba

José Horta Manzano

Que horror isso que aconteceu em Araçatuba! No mundo todo, ataques e carnificinas pipocam aqui e ali, a todo momento. Mas, na quase totalidade dos casos, os autores reivindicam uma causa – uma causa qualquer que, no dizer deles, é sempre nobre. Em geral são motivos ligados a ideologias político-religiosas. É, por exemplo, o que está por trás de ataques dos talibãs e dos integrantes do dito “estado islâmico”.

Nossas chacinas, como essa de Araçatuba, não têm nobreza nenhuma. É bandidagem pura, o mal pelo mal, o mero interesse pecuniário de quem planejou. Nunca deixará de me surpreender que, num mundo em que todas as comunicações passam pela internet e o cidadão honesto se sente espreitado, vigiado e controlado o tempo todo, operações como essa possam se organizar sem despertar suspeitas.

A polícia sabe (ou deveria saber) quem são os bandidos. São sempre os mesmos, todos integrantes de facções ultramanjadas. Como é que esse pessoal não tem internet e telefone grampeados? Eu não sei. Se alguém souber, mande carta para a redação por favor.

Naturalmente, a violência foi tão grande que a imprensa do mundo todo deu a notícia. Reproduzo abaixo um sortilégio de comentários colhidos no quotidiano parisiense Le Figaro, o preferido dos leitores direitistas.

Sanzot-Pignon
Voilà ce qui nous attend si la France commet l’erreur de prolonger l’expérience Macron.
Taí o que nos espera se a França cometer o erro de reeleger Macron.

Jhamen
Incroyable ce pays plonge dans la violence à l’état pur…
É incrível esse país mergulha na violência pura…

Anonyme
On est loin des promesses de Bolsozéro.
Estamos longe das promessas de Bolsozero. (Bolsozero é ótima – ndr)

38gilles
Bon, une chance que chez nous, plus d’espèces dans les banques. Tout dans les distributeurs et les fourgons blindés.
Ainda bem que, na França, agência bancária não guarda mais dinheiro. Tudo está nos caixas eletrônicos e nos furgões blindados.

Canard-déchaîné
Encore plus forts que les escadrons de la mort.
Ainda mais eficientes que os esquadrões da morte.

Jo Bard
Je demandais à une connaissance brésilienne pourquoi elle avait voté Bolsonaro. Elle m’a répondu qu’elle n’en pouvait plus de devoir vivre dans une insécurité permanente. Et bien voilà!
Eu perguntei a uma conhecida brasileira por que razão ela tinha votado no Bolsonaro. Ela me respondeu que não dava mais pra viver continuamente na insegurança. Pois veja só!

NiBlancNiNoir
Bientôt en Europe. Question de temps.
Logo [a moda] chega à Europa. Questão de tempo.

Antoine 77000
Des talibans au Brésil? Le Mal n’a pas de visage et n’épargne personne, n’épargne aucun pays!
Os talibãs no Brasil? O Mal não tem rosto e não poupa ninguém, não poupa nenhum país!

payepaye
Pour ces champions de braquages, que risquent-ils? D’être arrêtés, emprisonnés, puis libérés après quelques années de prison pour alors récidiver.
Para esses mestres do assalto, qual é o risco? Ser apanhado, encarcerado, em seguida liberado depois de alguns anos de cadeia para então reincidir.

lacerisesurlegateau!
Allo Bolsonaro?
Alô, Bolsonaro?

mrpignon
Visiblement, même avec Bolsonaro, c’est toujours la fiesta chez les voyous brésiliens…
Dá pra ver que, mesmo com Bolsonaro, a “fiesta” corre solta pro lado dos bandidos brasileiros…

dijonnais
C’est comme ça en Bolsonaronie…
É assim na Bolsonarônia… (Bolsonarônia também é ótima – ndr)

Hotline
Régime d’extrême droite au Brésil. Voilà le résultat.
Regime de extrema-direita no Brasil. Eis o resultado.

Muir
Il est beau le Brésil de Bolsonaro. A part placer ses fils dans l’administration et détruire l’Amazonie, ce type n’a rien fait.
Ah, que beleza o Brasil de Bolsonaro. Além de dar cargos públicos aos filhos e destruir a Amazônia, esse sujeito não fez nada.

Resta um consolo. Como o distinto leitor pode ver, o leitor da imprensa francesa ainda consegue separar o joio do trigo: Bolsonaro é uma coisa, o povo brasileiro é outra. Apesar da artilharia pesada que o eleitor da direita francesa dirige contra o capitão, não senti nenhuma degradação de nossa imagem. Espero que não sejam meus olhos que se recusam a enxergar a realidade.

Acredito (e torço para) que os horrores promovidos pelo estropício que está na Presidência continuem nos poupando. Pelo menos aos olhos dos estrangeiros – já é alguma coisa.

Humilhação internacional

The Guardian, Londres

José Horta Manzano

Esta é do jornal britânico The Guardian, em artigo que descreve o fumarento e carnavalesco desfile de ontem, que misturava veículos de guerra e carros de passeio, como se vê na foto.

Os carros particulares parecem exasperados tipo “Ô, sai da frente, seu Tartaruga, que eu quero passar!”. Ou não?

A expressão “banana republic” dispensa tradução.

Mal-afamado

José Horta Manzano

Por acaso, caí num canal YouTube indiano (em inglês) que analisa diariamente os acontecimentos do planeta. Cada notícia é descrita em vídeos curtos de 2 a 4 minutos. Imagino que o canal seja popular na Índia, tendo em vista que caminha para um milhão de assinantes.

Naturalmente, tanto a crise de soluços que acometeu o capitão quanto a internação foram objeto de um filminho. Benfeito e legendado, ele explica a atualidade brasileira a um público exótico, que eu imaginava distante e pouco interessado.

Acho que vou ter de rever meus conceitos sobre o interesse que o Brasil desperta do outro lado do mundo. Em 24 horas, o filme já foi visionado por quase 17 mil pessoas e suscitou 90 comentários. Fico imaginando se, Deus o livre, Narendra Modi (o primeiro-ministro indiano) tivesse uma crise de soluços e fosse hospitalizado, qual seria a repercussão no Brasil. Me pergunto se um vídeo em português sobre o caso teria alguma audiência.

Mas o que mais me surpreendeu foram os comentários. Você pensava que, naquelas lonjuras, ninguém estivesse a par do que acontece nesta Pindorama? Engano seu. Nosso capitão não somente é conhecido, como é bem pouco apreciado.

Surpreenda-se e divirta-se com este apanhado de comentários sobre os infortúnios de Bolsonaro.

Hrshv Harey
Ele foi alcançado pelos próprios pecados.

Krapto
Pra que hospitalizá-lo? Ele não é homem forte o suficiente pra superar uns “soluçozinhos”, como ele mesmo diria?

Wam Teng
Ele tinha de evitar essa comida apimentada, brother. Veja como está mexendo com o intestino dele, brother.

Sandeep Singh
Ele era anti-Índia, até que precisou de nossa vacina.

The Reckon
Mais um líder desastroso.

Axioo
Isso é o que acontece quando você é da extrema-direita e destrói a floresta amazônica em vez de protegê-la para o bem do planeta.

Lurking Arachnid
Satan vai levá-lo.

Sahil Balani
Impeachment nele!

Vivek Tamma
Esses soluços vêm da corrupção, acredito.
(Este comentarista está atualizado! Deve estar acompanhando a CPI.)

Gozo The Clown
Soluços fake! Ele está é apavorado!

Raymundo Rebueno
O carma se exprime em diferentes maneiras.

Vikram M
Dez dias de soluços? É certeza que ele está virando jacaré.

Garoto-propaganda da fábrica de mentiras

José Horta Manzano

Num momento em que a imprensa livre é intimidada, insultada e agredida pelo presidente, dia sim, outro também, é um alívio saber que ainda há gente disposta a botar a boca no trombone e expor ao mundo o que ocorre no Brasil.

Em todo o planeta, a voz mais forte na defesa da liberdade de imprensa falada e escrita é Repórteres sem Fronteiras, ONG fundada em 1985 e baseada em Paris. É uma sociedade sem fins lucrativos composta de 120 colaboradores, com filiais em uma dezena de países, entre os quais o Brasil.

Sua ação é menos espetaculosa que a da Greenpeace, porém mais eficaz a longo prazo. Ações teatrais podem garantir o espetáculo na hora, mas nem sempre geram efeito duradouro. Mais vale ir pianinho (como dizem os gaúchos), pois mingau se come pelas bordas (como dizem os mineiros).

No ano passado, quando as más intenções do clã presidencial brasileiro ficaram claras, a Repórteres sem Fronteiras (RSF para os íntimos) cunhou nova expressão: o Sistema Bolsonaro. A denominação engloba o presidente, seus filhos e todos os que integram a máquina de distorcer a verdade e de fabricar mentiras, instalada no Planalto. A expressão é um achado.

No exterior, já faz algum tempo que Bolsonaro está classificado no mesmo balaio que Lukachenko (Belarus) e Maduro (Venezuela), um clube de dirigentes autoritários, mais interessados em favorecer a si e à própria família do que em melhorar a vida dos governados.

Para denunciar os maus-tratos que o presidente tem infligido aos brasileiros, a RSF lançou nova campanha de informação. A intenção é chamar a atenção para as mentiras espalhadas pelo Sistema Bolsonaro. A imagem-símbolo é uma montagem em que o doutor aparece atrás de um cartaz com os dizeres «A verdade nua», além do número de mortos e de casos positivos da covid.

Ignorantes como são, não acredito que os integrantes do Sistema Bolsonaro tomem conhecimento da campanha. Mas o mundo vai ficar sabendo. E, às vezes, por via indireta, o bumerangue acaba voltando.

Para ver o texto da campanha, clique na língua correspondente:

Em português

Em francês

Em inglês

Em espanhol

A lagoa e o jacaré

José Horta Manzano

Com o estilo mordaz que caracteriza o espírito francês, Le Nouvel Observateur (l’Obs), órgão importante da imprensa, sintetizou o fim da Operação Lava a Jato.

Brésil: Bolsonaro enterre l’opération anticorruption à laquelle il doit son électionBrasil: Bolsonaro enterra a operação anticorrupção à qual ele deve a própria eleição.

Em matéria de logro eleitoral, é raro ver uma trapaça feita tão às claras. Mas deixe estar, jacaré, que a lagoa há de secar. Quem pelo engodo venceu, pelo engodo será vencido. Memento Lula – Lembrem-se do Lula!

Finura em francês

José Horta Manzano

Dizem que o francês é a língua do amor. Talvez seja, não posso garantir. Mas uma coisa é certa:

  • palavrão, em qualquer língua que seja, cai mal;
  • quando é usado para ofender a mãe de alguém, fere a decência;
  • quando é proferido com a veemência dos insanos, é hora de dar um passo atrás;
  • quando o ofensor é o presidente da República, é bom ir chamando a viatura;
  • quando um bando de boçais faz claque e acha graça, pode chamar o camburão.

 

Le Figaro, França

O Figaro, jornal francês de referência, tentou, bem ou mal, traduzir as palavras edificantes que o presidente da República do Brasil pronunciou outro dia perante seleta plateia – todos gente fina. A tradução ficou meio assim assim, porque traduzir palavrão não é fácil.

«Quand je vois la presse m’attaquer, disant que j’ai acheté 2,5 millions de boîtes de lait concentré. Allez vous faire foutre chez votre putain de mère. Cette putain de presse. Ces boîtes sont pour vous, la presse, pour vous les mettre au cul».

Vindo de doutor Bolsonaro, já nenhuma vilania nos surpreende. Mas fico imaginando os olhos arregalados dos franceses, que estão habituados a outro nível de comunicação pública, ao lerem a frase. Se ela tivesse sido pronunciada por um cafajeste qualquer, seria impressa com tarja preta, censurada para não ferir espíritos sensíveis. Dado que veio do presidente do Brasil, por dever de ofício, o jornal se viu na obrigação de publicar na íntegra.

E assim vai a vida. A cada dia que passa, lá vem o Brasil descendo a ladeira.

Martinica

José Horta Manzano

De criança, eu achava que Martinica era um lugar imaginário onde as mulheres se vestiam com casca de banana nanica. Essa curiosa crença vinha de uma marchinha de Carnaval de João de Barro e Alberto Ribeiro lançada em 1949. A letra, simplesinha e fácil de memorizar, dizia:

Chiquita Bacana lá da Martinica
Se veste com uma casca de banana nanica
Não usa vestido, não usa calção
Inverno pra ela é pleno verão
Existencialista com toda a razão
Só faz o que manda o seu coração.

(Desconfio que a Martinica só entrou na dança pra fazer rima com a Chiquita e com sua banana nanica.) Está aqui a versão original, na voz de Emilinha Borba.

Foi só muito mais tarde que vim a saber que a Martinica é uma migalhinha de território, uma relíquia do imenso império colonial francês. É uma ilha pequenina, com cerca de 400 mil habitantes acomodados numa área equivalente à do município de Joinville (SC). Situa-se nas Pequenas Antilhas, Mar do Caribe (ou Caraíbas, se preferirem). A principal fonte de renda do território é o turismo; os visitantes mais numerosos são franceses que escapam das brumas europeias para se aquecer sob o sol tropical.

Josephine Baker e a Revue Nègre
Paris, 1927

A letra da marchinha, embora curta, evoca duas imagens. Em primeiro lugar, vem à mente a artista americana Josephine Baker (1906-1975), que chegou à França jovem, ainda nos anos 1920, fugindo do racismo e da discriminação que a sociedade de seu país reservava aos não-brancos. Ela fez imenso sucesso em teatro de revista. Desinibida, vestia-se como uma Carmen Miranda com menos roupa. Com muito menos roupa, por sinal. Veja a ilustração.

Em segundo lugar, a letra da Chiquita Bacana faz alusão ao existencialismo, doutrina muito em voga quando a musiquinha foi lançada, num pós-guerra em que uma juventude cansada de sangue queria mais é aproveitar da vida. Era uma época em que os livros do guru Jean-Paul Sartre apareciam entre os mais vendidos.

Mas nem só de casca de banana vive a Martinica. Antenados ao que ocorre no mundo, os martinicanos ficaram sabendo da vergonhosa apalpadela de que foi vítima a deputada paulista Isa Penna por parte de um eleito cafajeste. Não é o primeiro cafajeste que o povo elege, temos outros exemplos. Mas esse aí estourou o teto da decência. Ao tentar seguir o cordão da baixaria puxado pelo Planalto, estrepou-se.

O jornal digital Carib Creole News, que se proclama o n° 1 da informação na Martinica e vizinhança, convoca seus leitores a assinarem uma petição que reclama castigo exemplar para o agressor da deputada. A petição exige nada menos que a destituição do deputado ofensor.

É impressionante como as notícias voam hoje em dia. Quem diria que uma jovem brasileira, vítima de agressão de caráter sexual, receberia apoio dos martinicanos! Sem dúvida, a globalização tem seu lado bom.

A face sinistra do doutor

José Horta Manzano

Já faz algum tempo que o mundo conhece a personalidade execrável de doutor Bolsonaro – o Trump dos trópicos, como é chamado na Europa. Assim mesmo, sua incompreensível antipatia pelo povo que o elegeu atingiu um pico terça-feira passada. Foi quando demonstrou, ao vivo e em cores, dar importância maior à cruzada que move contra o governador de SP do que à saúde dos duzentos milhões que, em tese, ele devia estar liderando.

A cena de horror não passou despercebida no exterior. Aqui está um trecho do que o portal estatal francês de telecomunicações publicou.

«Alors que le monde entier hier s’enthousiasmait, à tort et à travers, des bons résultats affichés par le vaccin Pfizer contre le Covid-19, alors que les éditoriaux se multipliaient sur “la lumière au bout du tunnel”, “2021 année du vaccin”, etc (on rappellera quand même qu’un vaccin qui doit être conservé à -70° C exclut de facto une bonne moitié de l’humanité qui vit dans des régions reculées et mal équipées d’Asie et d’Afrique), alors donc que le mot vaccin cristallisait tous les espoirs ce mardi, au Brésil, le président Jair Bolsonaro se réjouissait, publiquement, de l’arrêt dans son pays des tests cliniques d’un vaccin de fabrication chinoise.»

«Ontem, enquanto uma onda de entusiasmo varria o mundo inteiro, a torto e a direito, na esteira dos bons resultados da vacina Pfizer contra a covid-19; enquanto os editoriais saudavam “a luz no fim do túnel”, “2021 ano da vacina”, etc. (sem esquecer, assim mesmo, que uma vacina que exige ser armazenada à temperatura de -70°C exclui, na prática, a metade da humanidade que vive em regiões remotas e carentes da Ásia e da África); enquanto o termo vacina cristalizava todas as esperanças nesta terça-feira, pois bem, no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro se alegrava publicamente da paralisação em seu país dos testes clínicos de uma vacina de fabricação chinesa.»

Bolsonaro passará – e quanto antes, melhor. Mas, antes disso, ele está tratando de hipotecar o futuro do Brasil. Depois que esse estropício tiver ido embora, vai levar anos pra recuperarmos nossa imagem de país amistoso e bem-intencionado. A desconfiança costuma demorar pra se dissipar.

Katastrophale Corona-Politik

José Horta Manzano

Nossa percepção do som de línguas estrangeiras não é uniforme. Cada uma delas nos deixa uma impressão diferente. Em assunto técnico, por exemplo, o inglês é insuperável. Já uma história de amor, se contada em francês, fica mais picante. Se ela terminar em festa de casamento, com família e amigos em torno de uma longa mesa ao ar livre, será descrita em italiano. Se, no entanto, houver traição e vingança, convém passar para o espanhol. Acontecimentos fortes, impactantes, trovejantes, serão descritos com perfeição em alemão.

Bolsonaro: A catastrórica política do coronavírus
Der Standard, Áustria

Convenhamos que «Jair Bolsonaros katastrophale Corona-Politik» soa como bordoada e dispensa tradução. É o título de artigo publicado pelo diário austríaco Der Standard. Conta de onde vem a fixação bolsonárica pela cloroquina. Aqui estão os primeiros parágrafos.

O presidente brasileiro e seu grande modelo, Donald Trump, são responsáveis por dezenas de milhares de mortes por anunciarem uma droga ineficaz.

Em 7 de março, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro visitou seu homólogo americano, Donald Trump, em Mar-a-Lago. Ele havia cancelado viagens planejadas para a Itália, Polônia e Hungria a conselho de seu ministro da Saúde, mas o populista de direita não queria deixar escapar a importância midiática de ser visto ao lado de seu grande modelo.

Trump deu-lhe uma caixa do medicamento antimalárico hidroxicloroquina, como o próprio Bolsonaro relatou com orgulho. “A partir daí”, lembra o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, demitido em abril, “ele não levou mais a sério as recomendações dos cientistas”.

Ao retornar dos Estados Unidos, 22 integrantes da delegação brasileira deram positivo.

Clique aqui quem quiser ler o artigo na íntegra (em alemão).

Visto da China

José Horta Manzano

O inacreditável papelão cometido por doutor Bolsonaro ao declarar, alto e bom som, que não permitiria a compra da “vacina chinesa do Dória”(*) continua levantando ondas muito fortes.

Leio hoje um artigo postado na edição em linha (BR=online) do portal chinês Global Times. O título já dá uma indicação do estado de espírito: Brazil politicizes vaccines, may hurt ties with Beijing – Brazil politiza vacinas, o que pode prejudicar laços com Pequim”.

Entrevistado pelo jornal, o diretor do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Xangai declarou que o principal motivo que leva Bolsonaro a opor-se à vacina desenvolvida na China é o desejo de esmagar um concorrente potencial. Acrescentou que a recusa de Bolsonaro de aceitar a vacina serve também para alimentar sua malta de devotos.

Chamada Global Times, Pequim

Essa leitura não bate exatamente com a que fazemos nós no Brasil, vejam como são as coisas. A gente põe esse ruído todo na conta da falta de educação do presidente e de sua compulsão de abastecer a turba fanatizada. Não nos passa pela ideia que ele tenha, lá no fundo do bestunto, intenção de eliminar a concorrência chinesa. Primeiro, porque ele não nos parece capaz de um raciocínio tão complexo; segundo, porque não vemos de que modo uma grande indústria farmacêutica estrangeira poderia concorrer com o Brasil – afinal, tirando pérolas como Butantã e Fiocruz, todos os laboratórios que consideramos ‘nossos’ são estrangeiros.

Veja o perigo que umas palavras irrefletidas podem representar. Na sequência das desastradas palavras presidenciais, a China já está imaginando que o governo brasileiro teme a concorrência do gigante asiático e, pior ainda, que estamos tentando prejudicar o desenvolvimento do perigoso rival. Quanto mal-entendido! A cabecinha de doutor Bolsonaro é que não é suficientemente desenvolvida pra elaborar raciocínio arrematado como esse.

Mário Quintana disse: “A gente pensa uma coisa, escreve outra, o leitor entende outra, e a coisa propriamente dita desconfia que não foi dita”.

Parafraseando o poeta, podemos imaginar que: “O doutor pensa uma imbecilidade, escreve outra, os chineses entendem outra, e a imbecilidade propriamente dita desconfia que não foi dita”.

(*) Essas são as palavras elegantes de que o doutor se serve para se referir à vacina anticovid, desenvolvida pelo respeitado laboratório chinês Sinovac em colaboração com o Instituto Butantã de São Paulo.

Le caleçon du sénateur

José Horta Manzano

Certas notícias se alastram feito rastilho e fazem as delícias da imprensa internacional. Em geral, vêm de países exóticos como os da África e da Ásia Central, mas não só. O Brasil, desde que entramos no século XXI, anda abrindo muito o flanco e deixando escapar muita notícia assim. Será que estamos nos tornando um povo folclórico, daqueles dos quais não se pode esperar nada de sério?

A história do dinheiro na cueca do senador – um senador da República! – provoca sorrisos e abanos de cabeça ao redor do mundo. Cada jornalista explica com as palavras de sua língua.

Le Figaro

Le Figaro, jornal francês, até que foi bastante comedido. Disse: «Brésil: des liasses de billets retrouvés dans le caleçon d’un sénateur – Brasil: maços de notas encontrados na cueca de um senador». Mandou um genérico «dans le caleçon – na cueca», deixando a cada um a liberdade de imaginar o conjunto: o dinheiro, a cueca e o senador. Publicou a foto do indigitado, um bigodudo de tez morena, protótipo do medalhão latino-americano.

DW in English

Em sua edição em língua inglesa, a plataforma Deutsche Welle traz a mesma notícia com palavras mais cruas: «Brazil senator caught hiding money ‘between buttocks’ – Senador brasileiro apanhado escondendo dinheiro ‘entre as nádegas’». Escreveu assim mesmo, botando as nádegas entre parênteses, talvez numa pudibunda tentativa de encobri-las.

Der Spiegel

Der Spiegel, a grande mídia alemã, além de dar a notícia com palavras inequívocas, vai mais longe e ilustra a reportagem com uma foto de Jair Bolsonaro. Para quem não houvesse entendido, fica sugerida a ligação entre o dinheiro e o presidente. Saiu assim: «Mutmaßlich veruntreutes Geld “zwischen den Pobacken” gefunden – Dinheiro suspeito desviado encontrado ‘entre as nádegas’».

Em qualquer mídia, em qualquer língua, em qualquer país, a mensagem é uma só: quem acreditou na lorota da «decolagem» do Brasil, em voga poucos anos atrás, se iludiu. Desde que estourou o Mensalão, faz 15 anos, nada mudou. Se mudou, foi pra pior.

Arroz com feijão

José Horta Manzano

A grande erosão dos fonemas da língua francesa deu origem a multidão de palavras homófonas – aquelas que, embora tenham sentido diferente, soam do mesmo jeitinho. Imagino que os estagiários dos jornais do país passem por um aprendizado de trocadilhos. Os mais aplicados serão escolhidos. É impressionante como conseguem inventar jogos de palavras, especialmente na hora de dar título.

Libération é importante jornal francês, ancorado do lado esquerdo do tabuleiro político. Neste 25 de setembro, publicou artigo assinado pela correspondente no Brasil. Como costumam fazer, aproveitaram para transformar o título num quebra-cabeça divertido.

Em vez de:
Au Brésil, on ne rit plus, c’est la fin des haricots

No Brasil, não se ri mais, é o fim do feijão

Escreveram:
Au Brésil, on ne riz plus, c’est la faim des haricots
que soa exatamente igual, mas que é intraduzível. Ao pé da letra, fica:
No Brasil, não se arroz mais, é a fome do feijão.

Trocadilho traduzido perde a graça. É que a gente tem de escrever um parágrafo inteiro pra explicar, o que deixa escapar o momentum.

O artigo explica aos leitores franceses que o arroz com feijão é o prato nacional, traço de união entre classes, consumido que é pelo empresário e pelo operário.

Fala do espanto do gringo quando descobre um povo que come a mesma coisa todos os dias – gringo este que, se ficar muito tempo, acaba sucumbindo a esse hábito alimentar.

Conta, em seguida, o atual drama nacional: a subida vertiginosa do preço do arroz, causada por um conjunto de fatores, entre os quais, o modo Bolsonaro de governar.

Fica-se sabendo que, em consequência da perda de valor do real, os produtores de arroz estão preferindo exportar, o que acaba deixando o mercado interno desabastecido. Como resultado, o Brasil está importando arroz, o que parece absurdo. De fato, exportar arroz barato para importar arroz caro parece contrassenso.

Muitos brasileiros estão tendo de modificar seu estilo de alimentação, trocando o arroz com feijão por produto mais em conta.

A articulista arremata cogitando: «E se, em vez de substituir o arroz com feijão, os brasileiros substituíssem o presidente? Sairia de graça». Faz sentido.

Tutti buona gente

José Horta Manzano

Dá muito gosto ver que, no exterior, nossos figurões continuam na ribalta, no centro das atenções. Vejam esta que nos vem da China.

China Global Television Network (CGTN) é um dos braços do poderosíssimo conglomerado estatal chinês de informação. Sua versão online em língua inglesa traz uma notícia de Angola.

Revela que a Igreja Universal do Reino de Deus, propriedade do bilionário ‘bispo’ Macedo, está enfrentando sérios problemas com a justiça. Em Angola, um dos 130 países onde está implantada, a empresa está sendo processada pela prática de numerosos crimes, como: associação criminosa, fraude fiscal, exportação ilícita de capitais, abuso de confiança & conexos. Vejam só.

Sexta-feira passada, o procurador-geral do país decretou o confisco de sete templos da empresa, situados em território angolano.

En passant
Doutor Macedo não é aquele amigão de doutor Bolsonaro? Não é aquele que (re)batizou o presidente e teve a honra de aparecer a seu lado no desfile do 7 de setembro? Pois então, diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és. Estão ambos sintonizados na mesma frequência. Baixa frequência, naturalmente.

Ignorante e encastelado

José Horta Manzano

Ignorante e encastelado, nosso presidente vive em universo minguado. Sua visão não alcança além da ponta do nariz. Os cortesãos, também adeptos do ensimesmamento, não ajudam. Até os (poucos) cujo currículo mostra alguma abertura no passado acabam por curvar-se em oportuno mimetismo: arrogantes e agressivos, imitam o chefe.

O grande desejo de doutor Bolsonaro é que a duração do mandato seja a mais longa possível. Permanecer no trono lhe dá certa proteção contra a prisão. Ele tem atacado muita gente e feito muitos inimigos. Sabe que vingança é prato que se come frio. Sabe que um dia, fatalmente, perderá a imunidade – e teme esse dia. Lembra-se do que aconteceu com Lula da Silva, que, apesar da monumental popularidade com que deixou o governo, teve de purgar ano e meio de cadeia.

Doutor Bolsonaro tem razão de temer. A insistir em dirigir os negócios do Estado brasileiro com tal cegueira, o acúmulo de inimigos ressentidos o levará à Papuda após o fim do mandato.

Primeiro fator
Ele não sabe (e ninguém lhe diz) que o planeta está em rápida mutação; a sensibilidade ecológica, incipiente no Brasil, está crescendo muito depressa mundo afora.

Segundo fator
Ele não percebe (e ninguém lhe conta) a repercussão global causada por sua tresloucada política de destruição da Amazônia, que não combina com a sensibilidade ecológica do século 21. No exterior, é assunto que rende. Não se passa um dia sem que a mídia mundial volte ao assunto. Jornais, rádios e tevês apontam sem parar o bizarro dirigente que promove o aniquilamento da maior floresta equatorial do mundo.

Conclusão
Ele não enxerga (e ninguém lhe revela) que os importadores de produtos brasileiros estão sofrendo pressões cada dia mais fortes para deixar de comprar do Brasil e passar a importar de outras fontes.

Ao viver na ingenuidade dos ignorantes, doutor Bolsonaro está brincando com fogo. A força das ruas e a bateção de panelas não são nada se comparadas com a potência silenciosa dos grandes exportadores brasileiros. Na hora em que os negócios deles começarem a diminuir, o tom vai mudar. Empresário nenhum aprecia que alguém lhe atravanque o caminho. O que Bolsonaro não consegue ver vai custar caro a todos – a ele e a nós também.

A seguir, um sortilégio de artigos que se recortam todos os dias na imprensa mundial. Recortei comentários indignados até na mídia de Bangkok, na longínqua Tailândia.

Jornal Ouest France, França

Bangkok Post, Tailândia

Agenzia Nova, Itália

Die Zeit, Alemanha

El Observador, Uruguai

Paris Match, França

Boicote à vista

José Horta Manzano

Se sobrar aos adormecidos miolos de Jair Bolsonaro um trisquinho de capacidade de enxergar além da ponta do nariz, é bom que esses miolos acordem rapidinho e que o doutor aguce a visão.

Assim que assumiu o mandato, ele instaurou uma política de pouco caso para com a proteção ambiental. A política é cretina. Por um lado, vem causando estrago na economia brasileira de exportação; por outro, não acrescenta um voto sequer a seu punhado de adoradores.

O compromisso, assumido recentemente pelo governo brasileiro, de “reduzir o desmatamento” vem sendo noticiado na Europa assim mesmo, entre aspas, indicação de que é de mentirinha, declaração oca pra enganar trouxa.

Artigo publicado na edição online da revista semanal francesa L’Express faz denúncia preocupante. As antenas de nosso doutor presidente – se ele as tiver – devem estar de pé, espichadas. A revista francesa cita um estudo publicado no último número da americana Science. Segundo o trabalho, 20% das exportações brasileiras de soja e de carne bovina destinadas à União Europeia provêm de zonas desmatadas ilegalmente.

Nos tempos atuais, essa informação é venenosa. Por mais contorções que faça o governo brasileiro para sustentar a afirmação de que está “reduzindo o desmatamento”, um estudo desses põe tudo por terra.

O governo brasileiro se compromete a “reduzir o desmatamento” na Amazônia.

Fechados em seu palácio, a disparar tuítes da manhã à noite, Bolsonaro & companhia sequer assomam à janela pra ver a vida passar. Ignorantes, não se dão conta de que, nos países civilizados, considerações ecológicas assumem protagonismo cada dia maior. Países civilizados são – vejam que coincidência! – os grandes clientes do Brasil.

Aqui e ali já pipocam boicotes a produtos brasileiros. Por enquanto, o grande volume exportado pelo Brasil não permite substituição imediata. Mas pode deixar. Os concorrentes – Estados Unidos, Argentina, Austrália, Canadá & outros – já estão salivando. E se organizando.

A perseverar nessa tresloucada política, doutor Bolsonaro não chega ao fim do mandato. Será apeado do poder por uma conspiração instigada, fomentada e financiada pelos grandes exportadores brasileiros que, descontentes, querem mais é vê-lo pelas costas.

Como se sabe, lá como cá, quem move o mundo é o dinheiro. Nessa lógica, é fácil entender: quem tem pouco, manda pouco; quem tem mais, manda mais. Os grandes conglomerados exportadores têm dinheiro às pencas. Logo…

Já ouviu falar no Azerbaidjão?

José Horta Manzano

Sem contestar a cultura universal de meus distintos leitores, há que admitir a dificuldade de situar num mapa-múndi o pequenino Azerbaidjão. Vai a dica: fica no Oriente Médio, banhado pelo Mar Cáspio, espremido entre Turquia, Irã, Rússia, Armênia e Geórgia. Para nossos padrões, sua área é reduzida, não chegando à do estado de Santa Catarina. Abriga 10 milhões de habitantes.

Baku (Azerbaidjão), à beira do Mar Cáspio, e suas torres que lembram imensos pinguins

A capital e maior cidade é Baku, com 2 milhões de moradores, à beira do imenso Cáspio, um lago interior que se costuma considerar um mar fechado, sem comunicação com nenhum oceano. Não é um laguinho, não. A superfície é mais extensa que a de Mato Grosso do Sul e a profundidade pode ultrapassar 1.000 metros.

Desde a Antiguidade, o Azerbaidjão sempre fez parte de algum império que não era o seu. Ao longo dos séculos, o território pertenceu à Pérsia, ao Império Otomano, à Rússia. O país só alcançou a independência recentemente, em 1991, com o esfarelamento da União Soviética.

O grande patrimônio do Azerbaidjão é o petróleo, extraído do Cáspio, um pré-sal à moda local. Essa abundância é faca de dois gumes. Dependendo de como for cuidada, a fartura de petróleo tanto pode representar a riqueza de um país quanto pode provocar sua ruína. Exemplo eloquente de patrimônio desperdiçado é a Venezuela, país que já foi promissor e hoje se dissolve.

Os dirigentes azerbaidjanos têm sido mais prudentes. Estão conscientes de que o petróleo, um dia, vai se esgotar. Se nada for feito agora, o país periga mergulhar na miséria e retroceder ao tempo das caravanas de camelo e das lutas tribais. Pra evitar isso, têm procurado diversificar os alicerces, evitando que a economia continue baseada num produto único. Investimentos são feitos em infraestrutura, cultura, pesquisa, turismo – aquele conjunto de fatores que formam o soft power, o poder que dispensa armas.

A situação do coronavírus no Brasil vista pela mídia estatal azerbaidjana, em versão francesa.

Nesse contexto, o conglomerado nacional de mídia pública procura alcançar audiência longe das fronteiras. Emite no idioma local (azeri, da família turca) e outras 7 línguas: inglês, francês, alemão, espanhol, russo, chinês e árabe. Para um pequeno país periférico, é uma façanha. Para efeito de comparação, considere-se que nossa esquálida EBC, o conglomerado brasileiro de mídia pública, é monoglota. Com muito orgulho! E não será com o governo atual, hostil à cultura e ignorante de que há um mundo além-fronteiras, que a situação vai mudar.

Você dificilmente terá informação sobre a extensão do coronavírus no Azerbaidjão. O auditório internacional da mídia azerbaidjana, no entanto, está a par do que acontece no Brasil. Isso mostra que, em matéria de presença internacional, ainda temos muito a aprender. E não só com os grandes.

Mendes e o genocídio

José Horta Manzano

Que fique bem claro: não tenho especial simpatia por doutor Gilmar Mendes, juiz da Corte Suprema do Brasil. Aliás, me pergunto se muita gente tem especial simpatia por esse senhor. Isso posto, vamos aos fatos.

O magistrado declarou: “É preciso dizer isso de maneira muito clara: o Exército está se associando a esse genocídio; não é razoável”. A frase levantou uma poeirada, só que a reação indignada não veio do ofendido, mas da vítima colateral. Explico.

Todos os jornais e sites brasileiros que consultei anotaram que “Gilmar Mendes associa o Exército a genocídio”. Há aí um erro de interpretação. Não foi isso que o ministro disse.

Relendo a frase e refletindo com vagar, qualquer um há de convir que o significado não é o que os militares parecem ter entendido. Na verdade, Gilmar alertou o Exército contra o perigo de se associarem a um genocídio. Não está explícito que genocídio é esse, mas é permitido supor que se trate da epidemia de covid-19.

SWI – Portal suíço de mídia pública
Exército brasileiro cúmplice de genocídio

Portanto, o genocidário não é bem o Exército, mas uma entidade não mencionada na frase. É de crer que o sujeito oculto seja o Executivo. Assim, é o Executivo que está sendo acusado de genocídio, não o Exército. Os militares estão apenas sendo alertados para não meterem a mão em cumbuca.

O portal da mídia pública suíça entendeu perfeitamente. O título da notícia menciona «Exército cúmplice de genocídio». Mais adiante, explicitam: «Segundo juiz do Supremo brasileiro, o exército é cúmplice do genocídio provocado pela política adotada pelo governo de Jair Bolsonaro».

É curioso que a mídia estrangeira entenda as nuances da fala brasileira melhor que a mídia nacional.

Observação
A majestade do cargo e a dignidade do titular não permitem a ministro do STF dar opinião sobre o desempenho de outro dos poderes da República. Aí, sim, concordo que doutor Gilmar Mendes escorregou feio. Mas a crítica que ele fez equivale a: «Cuidado, militares, não se associem ao genocídio que o Executivo está cometendo!» Nas altas esferas da República, parece que ninguém entendeu.