Falam de nós – 13

0-Falam de nósJosé Horta Manzano

Tempos difíceis
Romandie, portal suíço de informação, repercute entrevista que Christine Lagarde, diretora-geral do FMI, concedeu a O Globo. O artigo é encabeçado por frase de impacto: «Le Brésil traverse des temps difficiles» – o Brasil passa por tempos difíceis.

Lula no interrogatório
Tahiti-Infos, portal de informação da Polinésia Francesa, traz a informação de que o STF deu seu aval para que Lula seja interrogado sobre eventual envolvimento no escândalo da Petrobrás. Vamos, afinal, saber se ele sabia. Quem sabe.

A festa acabou
Libération, diário francês de orientação socialista, faz análise da sinuca em que Dilma Rousseff se meteu. «Elle détourne ses yeux fardés, embarrassée, presque honteuse» – ela desvia os olhos maquiados, constrangida, quase envergonhada. A expressão «escroquerie électorale» – estelionato eleitoral – é utilizada para explicar dramas pessoais de gente que se deixou iludir. A análise, bastante aprofundada, leva o título «Au Brésil, la fête est terminée» – no Brasil, a festa acabou.

Senegales 1Compatriota herói
Dakar Actu, portal de atualidades de Dacar (Senegal) conta a façanha de Moussa Sène, senelagês que vive no Rio Grande do Sul. O moço, enfermeiro de formação, socorreu uma senhora que havia desfalecido num vagão de trem na região metropolitana de Porto Alegre. Para completar a reportagem, informam que, na sequência de seu gesto espontâneo e firme, o rapaz recebeu, pela primeira vez, proposta de trabalho como enfermeiro.

Espelho meu
O portal Premium Beauty News publica em francês e em inglês. É fonte de informação da indústria mundial de cosméticos. Dá surpreendente previsão: dentro de quatro anos, o Brasil terá atingido a primeira posição no mercado mundial de cosméticos para homens. Crise? Inflação? Violência? Pouco importa, nada disso conta. Esse nicho de mercado espera crescer 7,1% por ano daqui até 2019.

E se for à falência?
La Stampa, tradicional diário de Turim (Itália), ousa fazer a pergunta: «Cosa capita al fondo se il Brasile fallisce?» – que aconteceria ao fundo se o Brasil fosse à falência? Mostra a preocupação daqueles que participam de fundos de investimento que incluem ações, obrigações e valores brasileiros.

Edificio ItaliaItália em chamas
O site da RAI, rede pública de rádio e televisão italiana, dá, em poucas linhas, notícia do incêndio que destruiu parcialmente o restaurante panorâmico Terraço Itália, no último andar do Edifício Itália, em São Paulo.

Direito de defesa
A Gazzetta di Modena, editada na cidade onde está encarcerado aquele signor Pizzolato do mensalão, levanta a hipótese de um imbróglio jurídico. Lembra que o fugitivo ítalo-brasileiro, que está a dias de ser extraditado para comprir pena na Papuda, ainda deve contas à justiça italiana. De fato, ao entrar no país com papéis falsos, o cidadão incorreu em crime de falsidade ideológica. O julgamento está previsto para 14 de dezembro. Se o acusado for extraditado antes, terá de ser julgado à revelia sem poder defender-se pessoalmente, o que contraria o ordenamento jurídico italiano. Que fazer?

Favorito do verão
La Nación, diário argentino, dá conta da alegria dos turistas argentinos que planejam passar as próximas férias de verão no Brasil. Com as seguidas desvalorizações que atigiram a moeda brasileira, o custo de vida ficou mais em conta para quem chega com dinheiro estrangeiro. Nossos hermanos estão «con saudade de aguas tibias y caipiriña». É o jornal que o diz.

Estrada 1Quem não tem trem vai de carro
O portal Cinco Días, braço de conglomerado espanhol que inclui o diário El País, confessa que, enquanto o Brasil se esfria, a multinacional Abertis não deixa suas máquinas esfriarem. A empresa, conhecida como Arteris no Brasil, é concessionária de importantes trechos rodoviários. Pretende investir 1,9 bilhão de euros em nosso País nos próximos cinco anos. Já que não temos mais estradas de ferro, que, pelo menos, as estradas de rodagem sejam bem tratadas.

Cidadãos conscientes
O portal sueco Nyteknik dá conta de um debate que agita a sociedade daquele país. Os aviões Gripen encomendados pela FAB não são produto integral da indústria sueca. Boa parte de seus componentes são importados. Armas e sensores, por exemplo, são fabricados em Israel e na África do Sul. No pacote de compra assinado entre Suécia e Brasil, o Estado sueco se compromete a financiar os aviões. Em miúdos, a Suécia compra os componentes, fabrica as aeronaves, e o Brasil paga em suaves prestações a perder de vista. Os «skattebetalare» – literalmente ‘pagadores de impostos’, ou seja, os contribuintes do fisco sueco se perguntam se cabe realmente a eles adiantar fundos para o Brasil comprar armas israelenses.

Especial Finados
A edição alemã da Latina Press informa ser o Brasil o primeiro país da América Latina a ter seus cemitérios varridos pelo Google Street View. Aqueles que têm horror a visitar cemitério no dia de Finados podem agora fazê-lo virtualmente.

Encontro de marinheiros
O portal Harburg Aktuell, de Hamburgo (Alemanha) informa que a cidade recebeu visita de cortesia de tripulantes do navio-escola NE Brasil, da marinha nacional. A embaixada do Brasil em Berlim valeu-se da ocasião para organizar, a bordo da nave, recepção a representantes da Marinha alemã.

Lula caido 2O balão e a ira
O sério The Wall Street Journal conta, tim-tim por tim-tim, as façanhas do boneco que representa o Lula com camisa de presidiário. Explica tudinho, inclusive o significado do 171 inscrito sobre o peito do personagem. O título do artigo é «In Brazil, Balloon of Former President da Silva Provokes Ire» – no Brasil, boneco inflável do antigo presidente da Silva suscita ira.

No llores por mi

José Horta Manzano

Não é de hoje que a história dos dois vizinhos ibéricos, Portugal e Espanha, se entrelaça. Condenados a uma proximidade física incontornável, os dois países já viveram momentos de tensão, de briga, de reconciliação. Houve até um longo período de unificação, que os espanhóis conhecem como «união fraterna» ou «união dinástica», enquanto os portugueses o chamam «domínio espanhol» quando não «abominável dominação castelhana».

Críquete

Críquete

Na época das grandes navegações, a partir de 1450, a concorrência entre os dois reinos se acirrou. No entanto, o sentimento de nacionalidade, tal como o conhecemos hoje, ainda não estava ancorado nos espíritos. Decisões pessoais e procedimentos individuais que atualmente poderiam se assemelhar a uma traição à pátria eram encarados com naturalidade.

Sem o menor sentimento de culpa, navegadores espanhóis punham-se ao serviço do rei de Portugal, assim como portugueses serviam à Casa Real espanhola. O ultraconhecido Fernão de Magalhães, o primeiro a comandar uma expedição que deu ― reconhecidamente ― uma volta completa ao planeta, era português. Mas navegou a serviço da coroa espanhola.

Quase um século depois de Magalhães, um outro português, nascido em Évora em 1565, também se pôs a explorar novas terras a serviço do rei da Espanha. Chamava-se Pedro Fernandes de Queirós, nome que às vezes aparece castelhanizado em Fernández de Quirós.

Naquela época já se intuía que devesse existir um grande continente austral. As nações mais bem equipadas para fazê-lo lançavam periodicamente expedições em busca de novas descobertas.

Alguns historiógrafos já tentaram demonstrar que Fernandes de Queirós foi o primeiro europeu a avistar as costas australianas, décadas antes de Tasman e de Cook. Os documentos que nos chegaram, no entanto, não trazem a prova incontestável de tal primazia.

Muitos acreditam também que o navegante português tenha sido o primeiro europeu a chegar à ilha de Tahiti, em 1606. Se a grande ilha onde desembarcou a expedição era realmente Tahiti, é difícil afirmar. Nenhuma prova sobreviveu. A descoberta oficial da ilha é atribuída a uma expedição britânica que lá acostou 150 anos mais tarde.

Tahiti

Tahiti

Depois de seu achamento, a ilha foi objeto de disputa entre ingleses e franceses, uma história longa e acidentada. Em 1877, o último rei autóctone abdicou do trono em favor da França. Desde então, Tahiti perdeu sua soberania e tornou-se colônia francesa.

O termo colônia, em desuso há mais de 50 anos, é hoje politicamente inaceitável, quase ofensivo. As antigas dependências francesas hoje são conhecidas como departamentos ou territórios ultramarinos.

Tahiti faz parte da Polinésia Francesa, coletividade subordinada a Paris. A língua oficial da ilha é o francês, mas o falar originário guardou sua vivacidade. A maioria da população é bilíngue. Na política, persiste uma forte corrente a favor da independência do território.

Les Nouvelles de Tahiti 24 junho 2013

Les Nouvelles de Tahiti
24 junho 2013

Tahiti não é terra de futebol. Fica até difícil entender por que a fraca seleção local foi chamada a participar de um torneio como a Copa das Confederações. Por mais que os jogadores sejam simpáticos, há uma discrepância gritante ― em matéria de excelência futebolística ― entre o nível tahitiano e o das demais equipes.

De qualquer maneira, a leitura dos jornais locais desta segunda-feira deixa claro que os resultados da Copa não fazem parte das preocupações principais do povo de lá. Nenhum dos dois principais quotidianos faz, na primeira página, menção alguma ao evento que nós outros julgamos planetário. Para você ver…

La Dépêche de Tahiti 24 junho 2013

La Dépêche de Tahiti
24 junho 2013

As derrotas acachapantes sofridas pela sorridente seleção polinésia abalaram mais os brasileiros que os tahitianos. É mais ou menos como se a seleção brasileira de críquete ou de beisebol fosse esmagada por adversários mais fortes. Poucas lágrimas correriam.