Na feira

Feira de Gand (hoje na Bélgica) na Idade Média
by Félix De Vigne (1806-1862)

José Horta Manzano

O Estadão manchetou ontem:


“Na era do delivery, feiras livres resistem e cidade chega a 953 unidades”.


Pra ser sincero, nunca tinha pensado nisso, mas faz sentido. Encomendar um pé de alface e um quilo de tomates por celular pode ser cômodo, mas nunca se sabe o que vão trazer. Será que vão escolher bem a encomenda? Vão mandar tomates maduros ou “verdulengos”? E a alface, estará viçosa?

Imagine então fazer a compra inteira por telefone. É certeza que metade da encomenda vai chegar fora do esperado. É uma comodidade que pode decepcionar. Acho que as feiras livres hão de resistir por muito tempo.

Minha mãe dizia que, quando ela era criança, não havia feiras em São Paulo. Frutas e legumes se compravam na quitanda ou, melhor ainda, no mercado central. Só que o mercado ficava na “cidade”, como se dizia e, para ir, tinha de tomar o bonde. “Cidade” hoje se diz centro da cidade.

A primeira regulamentação de feiras livres no Brasil foi assinada em 1914 por Washington Luís, então prefeito da capital paulista e futuro presidente da República. Foi a partir daí que a moda se espalhou pelo Brasil.

Feiras, sempre houve. Desde a Antiguidade, os homens estabeleceram pontos de venda e compra de mercadorias diversas. Produtos da terra, tecidos e animais sempre povoaram essas feiras. Na Europa, em burgos, vilas e cidadezinhas, é comum haver feira um só dia por semana, muitas vezes (mas não sempre) aos sábados.

Ao ler a manchete do Estadão, mencionada na entrada deste artigo, fiquei surpreso com o fato de contarem feiras livres por “unidade”. Este blogueiro é do tempo em que não era assim. Contados por unidades eram os ovos, os caminhões no pátio do concessionário, os pastéis no cestinho do pasteleiro. A manchete merecia ser reescrita.

“Na era do delivery, feiras livres resistem e são 953 na cidade”.

Pessoa em situação de mendigo

Antonio Prata (*)

Tenho ódio sempre que ouço essa aberração do politicamente correto: “Pessoa em situação de rua”. Primeiro porque não existe, em nosso idioma, ninguém “em situação” de nada. Nunca estive ou conheci alguém “em situação de gripe”. Lá pelo meio-dia não estou “em situação de fome” e depois da meia-noite nunca me descreveria “em situação de sono”. Não sei de onde importaram essa frase horrível, só sei que ela não foi bem adaptada à nossa “situação de língua”.

Não é a “situação de aberração”, porém, que me revolta mais ao falarmos “pessoa em situação de rua”. É a mentira que a frase, em sua deliberada assepsia semântica, tenta passar. É como se o sujeito que tá dormindo na calçada, em cima de uma caixa de papelão aberta, coberto com aquela manta de proteger móvel em mudança, com uma garrafa (vazia) de cachaça ao lado, sem tomar banho há semanas, sem laços sociais, familiares, talvez viciado em crack, enfim, é como se essa pessoa ferrada estivesse numa “situação” momentânea que logo, logo, vai ser resolvida. Tipo: o cara perdeu o último ônibus pro seu bairro, ficou em “situação de rua”, mas amanhã pegará o busão e estará “em situação de casa”.

Mendigo é o nome dessa pessoa. Mendigo não é alguém que simplesmente não tem casa. Não tá em “situação de rua” e nem é “sem teto”. É sem tudo. É o fundo do fundo do alçapão no fundo do alçapão do poço. Qualquer corrupção linguística para maquiar sua condição serve só para amenizar nossa culpa. É calhorda. É covarde. Em vez de tentar salvar a pessoa da degradação total, fingimos que ela não está assim tão mal. “Só uma situação”.

Fingir é uma grande habilidade nossa, brasileira. Difícil viver e ser são neste país sem fingir barbaramente um monte de coisa. Finge que o cara tá “em situação de rua”. Finge que não vê os miseráveis nos faróis de trânsito. Finge que não vê o mar de favelas sob o Rodoanel. Finge que não teve tentativa de golpe. Finge que é normal o “orçamento secreto”. Finge que a CBF tem algum interesse na melhoria do futebol brasileiro. Pensando bem, não é só um fenômeno brasileiro. O mundo finge que não tá acabando.

Tudo isso pra chegar na grande mágica, no grande fingimento, não só semântico, mas concreto, urbano, proposto pelo vice da prefeitura: trocar mendigos por carros embaixo do Minhocão. Tirar “pessoas em situação de rua” e colocar “carros em situação de estacionamento”.

Se a gambiarra semântica da esquerda parece bizarra, por “amaciar” a existência dos mendigos, o que a direita propõe agora em São Paulo vai muito além. É a metonímia feita ação. É a falta de vergonha: “vamos sumir com esses pobres!”. Vai ter matéria mostrando como a área do Minhocão ficou mais bonita. Mais segura. Vai gerar renda. Não tenho a menor dúvida. Varrer a miséria pra longe sempre melhora o perto. Eu, se morasse ali, não seria hipócrita. Adoraria a medida. A questão é que esses pobres existem. Continuarão na rua, em outra rua. Na frente da casa de outra pessoa. E continuarão sem casa, sem trabalho, sem banho, sem porra nenhuma, “em situação de mendigo”, em algum lugar.

(*) Antonio Prata é escritor e cronista.

Bandeiras para comer

 

José Horta Manzano

Japão

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Japão: arroz e atum

Japão: arroz e atum

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Líbano

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Líbano: pão libanês, fatush e cheiro verde

Líbano: pão libanês, fatush e cheiro verde

 

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Itália

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Itália: manjericão, spaghetti e tomate

Itália: manjericão, spaghetti e tomate

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Indonésia

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Indonésia: pimenta malagueta e arroz

Indonésia: pimenta malagueta e arroz

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Índia

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Índia: curries, arroz e pão indiano

Índia: curries, arroz e pão indiano

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Grécia

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Grécia: azeitonas de Calamata e queijo feta

Grécia: azeitonas de Calamata e queijo feta

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França

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França: queijo Roquefort, queijo Brie e uvas

França: queijo Roquefort, queijo Brie e uvas

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Estados Unidos

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EUA: hot dog e mostarda

EUA: hot dog e mostarda

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Espanha

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Espanha: paella e chorizo

Espanha: paella e chorizo

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China

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China: pitaia (fruta do dragão) e carambola

China: pitaia (fruta do dragão) e carambola

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Austrália

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Austrália: torta de carne enfeitada

Austrália: torta de carne enfeitada

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Vietnã

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Vietnã: rambutan, litchi e carambola

Vietnã: rambutan, litchi e carambola

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Reino Unido

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Reino Unido: scone, queijo cremoso e geleias

Reino Unido: scone, queijo cremoso e geleias

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Turquia

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Turquia: turkish delight (= locum)

Turquia: turkish delight (= locum)

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Suíça

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Suíça: carne defumada e queijo Emmenthal

Suíça: carne defumada e queijo Emmenthal

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Coreia do Sul

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Coreia do Sul: gimbap e molhos

Coreia do Sul: gimbap e molhos

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Brasil

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Brasil: folha de bananeira, limão galego, abacaxi e maracujá

Brasil: folha de bananeira, limão galego, abacaxi e maracujá

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Fotos Fronterasblog.com