Está fazendo uma semana que Bolsonaro jr passou à frente de Luiz Inácio no primeiro turno. Com o Brasil já um pouco refeito do grande espanto, que fez cair o queixo da turma do Lula e que ofereceu um salto de 12 cm aos correligionários do Júnior, grande parte dos brasileiros vem se indagando qual seria a razão de um resultado que nem todos esperavam.
Já se aventaram muitas hipóteses. A idade de Lula, o rosto fofinho e quase imberbe do Júnior (que contrasta com a agressividade de jagunço de seu pai e seus irmãos), o crescimento dos adeptos de denominações neopentecostais, a eficiência da campanha que corre pelas redes.
Certamente todos esses fatores contribuíram, uns mais, outros menos, para que o Júnior possa ter chegado em primeiro. Ainda falta o exame final do 25 de outubro, mas o fato de ter virado na frente já dá ao bolsonarinho uma vantagem indiscutível. Luiz Inácio e sua turma vão precisar engolir alguns frascos de Biotônico em dose dupla diária. Pra garantir, é melhor acrescentar à receita uma colher de óleo de fígado de bacalhau depois do almoço.
Me ocorre um fator a juntar às hipóteses já aventadas. Brasileirinhos de 16 aninhos já têm o direito de votar. Numa idade em que o jovem ainda não sabe direito o que quer fazer na vida, já é chamado a escolher quem o vai representar no Congresso e quem vai governar o país. Para quem tem dezesseis, essas atribuições me parecem temporãs, mas assim decidiu o legislador.
Pois bem, os que completaram 16 este ano tinham 12 ou 13 quando Bolsonaro desgraçou o país durante a pandemia. Não têm como se lembrar. Ainda tomavam mamadeira quando o Lula estava deixando seu governo, com 80% de popularidade. Na verdade, só conheceram um Luiz Inácio ancião e um Bolsonaro preso.
Essa turma que faz 16 agora é um caso extremo, é verdade. Mas consideremos que só os que têm hoje pra mais de 40 conheceram nosso último presidente equilibrado. De fato, FHC desceu a rampa em janeiro de 2003, lá se vão 24 anos.
Compreende-se que aqueles que só conheceram Lula e Dilma considerem que o Júnior seja um candidato aceitável. Quem nunca comeu melado não sabe que gosto tem.
Minhas considerações estão entre os motivos que levaram metade do Brasil a votar no Bolsonarinho. Mas são inúteis neste momento. Não há o que se possa fazer para alterar o quadro.
Vamos em frente que, daqui a duas semanas, já deixaremos de botar o verbo no condicional e passaremos para o indicativo, na esperança de que os tempos sejam menos calamitosos que os de Bolsonaro pai.



















