Variantes do capitalismo

Esta listinha já circula há pelo menos 15 anos. Antigamente, se dizia «de mão em mão». Agora, convém dizer «de tela em tela». Assim mesmo, o texto guarda intacta sua relação com a realidade. Especialmente no Brasil.

vache-5CAPITALISMO IDEAL
Você tem duas vacas. Vende uma e compra um touro. Eles se multiplicam e a economia cresce. Você vende o rebanho e, bem de vida e com o futuro garantido, se aposenta.

CAPITALISMO AMERICANO
Você tem duas vacas. Vende uma e força a outra a produzir leite de quatro vacas. Fica surpreso quando ela morre.

CAPITALISMO FRANCÊS
Você tem duas vacas. Entra em greve porque quer ter três.

CAPITALISMO CANADENSE
Você tem duas vacas. Usa o modelo do capitalismo americano. As vacas morrem. Você acusa o protecionismo brasileiro e adota medidas protecionistas para ter as três vacas do capitalismo francês.

vache-3CAPITALISMO JAPONÊS
Você tem duas vacas, né? Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite. Depois cria desenhos de vacas chamados Vaquimon e os vende para o mundo inteiro.

CAPITALISMO BRITÂNICO
Você tem duas vacas. As duas são loucas.

CAPITALISMO HOLANDÊS
Você tem duas vacas. Elas vivem juntas, não gostam de touros e tudo bem.

CAPITALISMO ALEMÃO
Você tem duas vacas. Elas produzem leite pontual e regularmente, segundo padrões de quantidade previamente estabelecido. O horário da ordenha é fruto de estudo científico. Toda a execução segue ritual preciso e lucrativo. Mas o que você queria mesmo era criar porcos.

CAPITALISMO RUSSO
Você tem duas vacas. Conta-as e vê que tem cinco. Conta de novo e vê que tem 42. Conta de novo e constata que são apenas 12. Você para de contar e abre outra garrafa de vodca.

CAPITALISMO SUÍÇO
Você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua. Você cobra para guardar a vaca dos outros.

CAPITALISMO ESPANHOL
Você tem muito orgulho de ter duas vacas.

CAPITALISMO PORTUGUÊS
Você tem duas vacas. E reclama porque seu rebanho não cresce.

vache-4CAPITALISMO CHINÊS
Você tem duas vacas e 300 pessoas tirando leite delas. Você se gaba muito de ter pleno emprego e uma alta produtividade. E manda prender o ativista que divulgou os números.

CAPITALISMO HINDU
Você tem duas vacas. Ai de quem tocar nelas.

CAPITALISMO ARGENTINO
Você tem duas vacas. Você se esforça para ensinar as vacas a mugir em inglês. As vacas morrem. Você oferece a carne delas para o churrasco de fim de ano do FMI.

CAPITALISMO BRASILEIRO
Você tem duas vacas. Uma delas é levada por um ladrão. O governo cria a CCPV – Contribuição Compulsória pela Posse de Vaca. Um fiscal vem e o autua porque, embora você tenha recolhido corretamente a CCPV, devia ter calculado o valor pelo número de vacas presumidas e não pelo de vacas reais. A Receita Federal, por meio de dados também presumidos do seu consumo de leite, queijo, sapatos de couro e botões, presume que você tenha 200 vacas e, para se livrar da encrenca, você dá a vaca restante ao fiscal para ele deixar por isso mesmo.

Nomes delicados ‒ 1

José Horta Manzano

Cada língua tem gênio próprio. Os mesmos sons e as mesmas palavras que, aqui, soam bem podem não ser percebidos com a mesma benevolência por ouvidos estrangeiros. E vice-versa.

Uma de minhas irmãs casou-se com um catalão. Quando engravidou, começaram as conversas para escolher o nome do nascituro. O marido disse que, se viesse um menino, gostaria que se chamasse Pau. Assustada, minha irmã recusou-se obstinadamente. «‒ Filho meu chamado Pau? Nem em pesadelo!» A discórdia desapareceu quando a ecografia atestou que era uma menina. Explicação: Pau, que soa tão estranho a nossos ouvidos, é nada mais que a forma catalã de nosso corriqueiro Paulo.

Algumas cidades, vilas e vilarejos ao redor do mundo levam nome que, para nós, pode parecer surpreendente. Aqui estão três exemplos:

Bastardo
Pequeno distrito do município italiano de Giano dell’Umbria (província de Perúgia) leva esse nome incômodo. Abriga mais de 2000 habitantes. As estatísticas não informam se são todos bastardenses.

O nome do distrito, assaz original, deriva de antigo albergue chamado Osteria del Bastardo, hoje desaparecido. Faz um século que os habitantes querem mudar o nome do lugar mas, conversa vai, conversa vem, nunca chegaram a um acordo. Por enquanto, vai ficando assim mesmo.

Vista aérea da pequenina localidade de Vagina, Rússia
Crédito: Google maps

Vagina
Nada menos que três povoados russos carregam esse estranho nome. Um fica na província de Krasnoyarsk, outro está na região de Kurgan e o terceiro situa-se no distrito de Aromashevsky, região de Tyumen. Pelas informações que tenho, o significado da palavra é o mesmo que em nossa língua. Há mistérios insondáveis.

Kagar
No Estado de Brandemburgo (Land Brandenburg), na Alemanha, está a cidade de Rheinsberg. Um de seus pequenos distritos leva o charmoso nome de Kagar. Situada a apenas 50km de Berlim, a região é muito procurada em período de férias. A principal atração turística do distrito é um pequeno lago chamado justamente Kagarsee (See é a palavra alemã para lago).

Vista do idílico Kagarsee

Por coincidência, a pequena distância do lago, está o canal de Repente, recanto de aspecto paradisíaco, um convite para passeios. Recomenda-se a quem passar pela região, especialmente entre maio e setembro, fazer uma excursão a pé de Repente a Kagarsee. É um charme só.

Nota
Este artigo foi amplamente inspirado num excelente blogue espanhol, o Fronteras Blog. Aqui fica meu agradecimento.

Touradas em Madri

José Horta Manzano

2016-1213-02-estadao

Chamada do Estadão, 13 nov° 2016

Ok, ok, ninguém é santo. Quem é que nunca cabulou quando estava na escola? Quem é que nunca deu uma desculpa esfarrapada ao voltar tarde pra casa? Ou no dia em que faltou no serviço?

Agora, inventar um pretexto é uma coisa. Publicá-lo na rede ‒ com foto e tudo ‒ já é burrice da grossa. Ah, essa vaidade…

Falando nisso, que é que vai acontecer com o doutor que assinou o atestado? Fica por isso mesmo?

Interligne 18c

Este post foi preparado já faz algum tempo, logo que saiu a divertida notícia. Acabou esquecido num escaninho e nunca foi publicado. Reencontrei hoje. Dado que continua me parecendo hilário, ‘compartilho’ ‒ como se costuma dizer neste mundo moderno.