Tuíte – 14

José Horta Manzano

Ontem, a PF lançou operação de busca e apreensão contra os governadores do RJ e de SP. Doutor Bolsonaro apresentou seus cumprimentos à PF.

Hoje, a mesma PF lançou operação de busca e apreensão contra cinco apoiadores do presidente. Até o momento, não se tem notícia dos cumprimentos de doutor Bolsonaro.

Será que a PF só é boa quando age no meu interesse? Vai pegar mal.

Tuíte – 13

José Horta Manzano

Volta e meia se vê algum analista repetir que, lá fora, o Brasil de Bolsonaro virou piada. Dá impressão de que basta mencionar o nome de nosso país para fazer estourarem gargalhadas em Londres, Paris e Berlim. Não é bem assim. Aliás, não é nada disso.

‘Lá fora’, não se costuma brincar com coisa séria. O Brasil – como os EUA, a China, a Rússia – é grande demais pra ser alvo de riso. Ninguém acha engraçado o drama que se desenrola sob a batuta do maestro Bolsonaro. O Brasil não virou piada, virou objeto de perplexidade. Se nós, que temos familiaridade com o assunto, não entendemos o que acontece, imagine o que se passa na cabeça de um estrangeiro. O espanto é maior do que a vontade de rir.

Tuíte – 12

José Horta Manzano

Depois do vexame de ter de se ajoelhar diante da China para conseguir ventiladores e máscaras – simples máscaras de papel! –, o que é que está fazendo o governo de doutor Bolsonaro? Deu subsídios para incentivar produção nacional?

Soberania, doutor, não é retirar diplomatas da Venezuela. Soberania é não depender do exterior na hora de proteger a saúde da população que o elegeu.

Tuíte – 10

José Horta Manzano

A gripezinha que o capitão trouxe na bagagem de volta dos EUA já fez estragos no mundo. A contagem de mortos, atualizada em 25 abril, é a seguinte:

Bélgica:      6.700
Reino Unido: 20.000
França:      23.000
Espanha:     23.000
Itália:      26.000
EUA:         53.000

O total de casos confirmados no mundo beira os 3 milhões, sem contar ampla subnotificação. Repararam que o doutor parou de falar em gripezinha e em cloroquina? Falando nisso, onde está o resultado do teste, que o capitão ficou de mostrar e não mostrou?

Tuíte – 9

José Horta Manzano

Sergio Moro acaba de dar demissão ao vivo. Durante os 16 meses em que esteve à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública, engoliu cobras, lagartos, sapos e pernilongos. Foi humilhado dezenas de vezes pelo capitão. Dizia-se à boca pequena que ele estava apequenado, que se agarrava ao emprego.

De repente, caiu a gota d’água, aquela que fez transbordar o pote até aqui de mágoa. Entornou tudo, até a última gota. O ex-magistrado disse, com todas as letras, que saía porque doutor Bolsonaro não havia cumprido a palavra dada.

Pegou mal pra caramba, talquei? Que o doutor fosse homem em quem não se deve confiar, todos já sabiam. Mas ele nunca havia sido malhado dessa maneira, em praça pública, em rede nacional, por personagem tão admirado pela população.

Agora todos ficaram sabendo por que o doutor quis trocar o chefe da PF: a fim de proteger a si e aos filhos de perigosa proximidade com a Justiça, prefere dar o cargo a um amigo.

Mas a hora do acerto de contas vai chegar um dia. E esse dia pode estar mais próximo do que imagina o capitão. Quem tem rabo preso, não adianta fugir – tudo acaba aparecendo.

Tuíte – 8

José Horta Manzano

Um estudo publicado hoje pelos epidemiologistas da respeitada Escola de Estudos Superiores de Saúde Pública, da França, revela que o rigoroso confinamento que a população está obrigada a cumprir salvou o país de uma hecatombe.

As regras extremamente rígidas da quarentena à la française evitaram 60 mil mortes a mais nos hospitais. Se essa multidão tivesse de ser acolhida, as UTIs do país não teriam conseguido acompanhar, os hospitais teriam entrado em colapso e o sistema de saúde pública teria desmoronado.

Hoje, diante do achatamento da curva de novos casos, o desconfinamento já está em curso; será progressivo, devendo se estender até o mês de junho.

Tuíte – 7

José Horta Manzano

No fundo, no fundo, governantes não estão ligando a mínima para a saúde do povo. O que querem é evitar todo escândalo que os possa impedir de permanecer no poder. Para atingir o objetivo, caminham sempre na corda bamba: pra escapar de um escândalo, não é aceitável provocar outro.

Se dirigentes do mundo inteiro – com exceção de 3 ou 4 renitentes – estão submetendo a população a algum tipo de confinamento, não é tanto que estejam atristados com a perspectiva de perder certo número de conterrâneos. O que apavora é o colapso do sistema hospitalar.

O confinamento, que seja mais rigoroso ou menos, está aí justamente pra evitar esse afluxo excessivo. No dia em que cidadãos doentes baterem à porta de hospitais lotados, sobrecarregados e incapazes de atendê-los, estará instalado escândalo tonitruante.

Governadores e prefeitos ajuizados entenderam o perigo e fizeram como estão fazendo praticamente todos os países: aderiram às diretivas da OMS e editaram regras de distanciação social e de confinamento.

Ao insistir na negação da realidade e do bom senso, doutor Bolsonaro dá mais uma prova de seu déficit de inteligência. Se sua doutrina desvairada fosse seguida, o circuito brasileiro de saúde pública sofreria rápido aumento de pacientes e o colapso seria líquido e certo. O escândalo seria instantâneo. No fundo, ele está sendo salvo pela diligência de governadores e prefeitos ajuizados.

Tuíte – 6

José Horta Manzano

Artigo da Folha de São Paulo, 17 abril 2020

Doutor Bolsonaro continua a dar provas de persistente déficit de inteligência. Não falha um dia. Acaba de acusar o presidente da Câmara de conspiração. Culpa doutor Maia de desempenhar mal suas funções e também de tramar a deposição do presidente da República. Bolsonaro esquece que é justamente o presidente da Câmara que tem a prerrogativa de decidir se dá ou não sequência a um processo de impeachment. O mandato de Maia vai até janeiro de 2021, e numerosos pedidos de impeachment já se empilham na caixa de entrada.

Tuíte – 5

José Horta Manzano

Faz um ano, Sergio Moro e Paulo Guedes surgiam como superministros intocáveis. “Se sair o Moro, o governo acaba”, “Se faltar o Guedes, o governo desanda” – era o que se ouvia. O tempo levou as ilusões de cambulhada. Um desconhecido Mandetta, que havia arrancado na moita, cresceu, correu rápido e ultrapassou os dois “super”. Tanto brilhou que ofuscou o chefe e recebeu bilhete azul; mas saiu pela grande porta, conhecido e admirado. Já os superministros, ai, ai, ai. De tanto dizer amém, se rebaixaram e perderam sustança. Não fazem mais jus ao epíteto de “super”.

Tuíte – 3

José Horta Manzano

A Constituição Brasileira reza, no Artigo 84, Inciso I: “Compete privativamente ao Presidente da República nomear e exonerar os Ministros de Estado”. A novela do vai-não-vai e do fica-não-fica, estrelada pelo presidente e pelo ministro da Saúde Pública, segue enredo absurdo. Ministro é escolha pessoal do presidente. Assim como pôde nomear, deve poder demitir a qualquer momento. Ao não demitir Mandetta, doutor Bolsonaro mostra ser presidente fraco, hesitante, pusilânime, dependente da aprovação de terceiros. Um homem assim pode até ser bom executante, mas não serve pra chefiar o Executivo.

Tuíte – 2

José Horta Manzano

Ruy Castro, escritor e jornalista, é da mesma opinião que este blogueiro quanto à relação entre doutor Bolsonaro e a covid-19. Em três ocasiões (25/3, 31/3 e 13/4) escrevi artigos sugerindo que o presidente teria sido contagiado na viagem que fez à granja de Trump. Voltou, tossiu, sentiu falta de ar, tomou cloroquina, os sintomas passaram. E o moço atribui a cura milagrosa ao remédio. O artigo de Ruy Castro está aqui (para assinantes da Folha). O último dos que escrevi está aqui (é boca-livre, não precisa ser assinante).

Tuíte – 1

José Horta Manzano

Semana que vem, começa o Ramadã, o mês sagrado dos maometanos. Depois disso, logo chegará o tempo das peregrinações, quando milhares viajarão até Meca, o que significa uma multidão de fiéis. A covid-19 vai nadar de braçada. Autoridades religiosas ficaram na dúvida entre deixar viajar ou mandar assistir por vídeo. No Irã, o aiatolá Khomeini, guia supremo e manda-chuva do país xiita, ordenou que todos fiquem em casa. Nada de viajar. Até ele entendeu que coronavírus não é gripezinha.