Só quem tem gato sabe o que é

by Pedro Grehs Leite (1983-), desenhista gaúcho

by Pedro Grehs Leite (1983-), desenhista gaúcho

by Pedro Grehs Leite (1983-), desenhista gaúcho

by Pedro Grehs Leite (1983-), desenhista gaúcho

by Pedro Grehs Leite (1983-), desenhista gaúcho

by Pedro Grehs Leite (1983-), desenhista gaúcho

by Pedro Grehs Leite (1983-), desenhista gaúcho

by Pedro Grehs Leite (1983-), desenhista gaúcho

by Pedro Grehs Leite (1983-), desenhista gaúcho

by Pedro Grehs Leite (1983-), desenhista gaúcho

by Pedro Grehs Leite (1983-), desenhista gaúcho

by Pedro Grehs Leite (1983-), desenhista gaúcho

Monte você mesmo

José Horta Manzano

Pra continuar no assunto de ontem, vou falar um pouco sobre a Ikea. Como já contei tempos atrás, trata-se de uma multinacional de origem sueca especializada em objetos de uso doméstico e em móveis do tipo «monte você mesmo» ‒ verdadeiro quebra-cabeça para não iniciados. Com mais de 400 lojas implantadas em 50 países, a firma fatura 40 bilhões de dólares a cada ano.

Foi em 1943 que um jovem sueco teve a ideia de abrir uma primeira lojinha no vilarejo natal. De la pra cá, o negócio se expandiu impressionantemente. O fundador, que completa 92 anos em 2018, passou boa parte da vida na Suíça. Faz alguns anos, voltou ao país natal. Com fortuna pessoal de 47 bilhões de dólares, aparece em boa posição na lista da Forbes. Tem fama de sovina, daqueles que viajam de segunda classe e andam em carro velho. Mas ninguém sabe direito ‒ pode não passar de intriga da oposição.

As lojas do grupo são imensas, com superfície de pelo menos dez mil metros quadrados distribuídos por dois ou três andares. Todas elas contam com restaurante e mercadinho com especialidades suecas. A movimentação dos visitantes é organizada de tal maneira que o cliente é obrigado a passar por praticamente todos os departamentos até encontrar a saída. Não há como voltar e sair pela porta pela qual entrou. Pode ser um tanto irritante, mas é tremendamente eficaz para os negócios.

A verticalização é significativa, no sentido de que muitos artigos são produzidos por indústrias que pertencem ao grupo. A qualidade não é sempre primorosa, mas os preços accessíveis atraem multidões. Ikea está implantada em todos os países da Europa, no Oriente Médio, no Extremo Oriente e até na América do Norte. Surpreendentemente, ainda não se estabeleceram na América do Sul. Um dia qualquer, aparecem.

Têm o costume interessante de pôr nome sueco em todos os produtos. A língua sueca é pouco conhecida. Algumas vogais levam acentos estranhos, como o a com uma bolinha em cima (å). Aparecem também ä e ö. Certos nomes são impronunciáveis. Por outro lado, alguns deles soam cômicos. Dou-lhes aqui abaixo um apanhado. (Pode clicar pra ver melhor.)

 

Critério de apuração

Geraldo Passofundo (*)

Considerando que a maioria dos políticos brasileiros são corruptos e/ou incompetentes, o Supremo Tribunal Eleitoral bem que poderia adotar, nas próximas eleições, o seguinte critério:

Candidato mais votado: 30 anos de cadeia
Segundo mais votado: 20 anos de cadeia
Candidato menos votado: eleito com distinção. Empossá-lo.

(*) Geraldo ‘Passofundo’ Fernandes é escritor, consultor empresarial, humorista e cartunista.

Nomes delicados ‒ 2

José Horta Manzano

O Acordo(1) Ortográfico de 1943 estipulou que nomes geográficos cuja grafia já estivesse consagrada pela tradição podiam conservar a escrita antiga, ainda que contrariasse a norma. A concessão tinha endereço certo: visava a conservar a grafia de Bahia ‒ que, por sinal, é o único exemplo dado.

Outras localidades brasileiras entraram pela brecha. Entre elas, os municípios de Paraty, que se costuma escrever à antiga até hoje. Outro que se encaixou na exceção autorizada foi o município mineiro de Piũi, que aceitou perder o ípsilon final mas recusou o til em cima do u. Em vez do antigo Piumhy, grafa-se hoje Piumhi.

Ao topar com essa palavra, um estrangeiro não familiarizado com nossa escrita há de tropeçar na pronúncia. Aliás, até nós hesitamos. Imagino que, para não-iniciados, deva ser complicado decifrar Itaquaquecetuba, Pindamonhangaba e outras palavras cheias de letras. Cada língua tem seu espírito.

Na série de lugares com nome surpreendente a nossos ouvidos, aqui estão mais alguns exemplos curiosos.

ZORRA
Na província de Ontário (Canadá), encontra-se a pequena localidade de Zorra. O lugarejo, situado numa região eminentemente rural, oferece numerosas casas que se alugam para temporada. Diferentemente do que o nome sugere, Zorra e seus arredores tranquilos convidam ao sossego e ao descanso.

Imagem Google – clique para ampliar

PUTA
O Azerbaidjão, república que fez parte da antiga União Soviética, é um pequeno país à beira do Mar Cáspio. Encerra grandes reservas de petróleo. Nos arredores de Baku, a capital, está uma vilazinha chamada Puta. A região é extremamente árida e desprovida de cobertura vegetal.

Quando algum indivíduo originário do lugarejo se expatria, prefere ser considerado «filho do Azerbaidjão», evitando toda menção ao nome da vila onde nasceu.

CONDOM
Na bela Gasconha, região de vales e colinas do sul da França, está a cidadezinha de Condom, com sua majestosa igreja e suas ruelas medievais. Acontece que condom, em inglês e em outras línguas germânicas, é o nome que se dá ao preservativo.

Em folhetos destinados a turistas britânicos, vem sempre anotado que o nome do lugar não tem conotação erótica. Vem de Condatómagos, denominação dada há dois milênios pelos romanos. Com o tempo, evoluiu para Condatóm e acabou virando Condom. Uma atração turística do lugar é o Museu do Preservativo, criado há quase quinze anos.

UYUMBICHO
Nas cercanias de Quito, no Equador, está a aprazível cidadezinha de Uyumbicho, situada num vale verdejante e cercada de colinas suaves. Fica aqui nossa sugestão para que instalem um jardim zoológico. Levará, naturalmente, o nome da cidade: Jardim Zoológico Uyumbicho. Atrairá turistas e divisas. Garantido.

(1)«Acordo» não é nome adequado, dado que acordo não foi. Na verdade, a reforma de 1943 não foi adotada em Portugal nem nos demais países onde o português é língua oficial. Entrou em vigor apenas no Brasil. Portanto, não se deveria falar em acordo mas em reforma ou norma.

Nota
Este artigo foi amplamente inspirado num excelente blogue espanhol, o Fronteras Blog. Aqui fica meu agradecimento.

Fake news

José Horta Manzano

Assim como o Lula não inventou o suborno, tampouco Donald Trump é o criador da «fake news», a notícia falsa. O mérito de ambos ‒ se é que se pode chamar de mérito ‒ é ter elevado essas práticas duvidosas ao nível de política de Estado.

O Lula até que conseguiu se sustentar sobre o tablado durante muito tempo. A técnica durou tantos anos que, como era inevitável, ele e a companheirada se acostumaram a seguir pela via paralela e a dobrar pela direita. Agir na base do toma lá dá cá tornou-se uma segunda natureza, entrou para o quotidiano. O exagero levou à perdição.

Suborno, cooptação, prevaricação, corrupção e outros males desse jaez já eram conhecidos antes de os gregos antigos implantarem a democracia. E nunca saíram de cena. Usados com moderação, são como o vinho: não fazem mal à saúde e, de quebra, podem até ajudar a destravar negócios enrolados. Em excesso, no entanto, destroem criadores e criaturas.

«Fake news» ‒ que antigamente a gente dizia boato ‒ é outra prática antiga. Seus parentes são o rumor, a calúnia, a injúria, a falsa denúncia. Todos eles já existiam antes que a bíblia fosse escrita. Tanto quanto a corrupção, a boataria é praticamente inócua desde que se mantenha dentro de certos limites. Ao tornar-se prática difundida, universal e diária, enguiça a máquina. Ninguém consegue sobreviver em chão de areia movediça.

Internet e redes sociais têm usado e abusado de verdades mascaradas. Exatamente como no caso dos poderosos brasileiros, a falta de freios está se tornando procedimento normal. Cada um distorce a verdade como lhe parece mais conveniente. O mais recente escândalo está centrado no futebolista luso Cristiano Ronaldo, cuja fama de excelência subiu mais um pouco quando seu clube conquistou a Copa da Liga dos Campeões da Uefa dias atrás.

A firma de equipamentos esportivos Nike, que aparece entre os principais patrocinadores do rapaz, bolou rapidamente uma campanha publicitária. Encontrou uma foto em que o jogador aparece ainda jovem e tratou de difundi-la. Antes disso, tomou o cuidado de dar-lhe uma “photoshopada” e de acrescentar o característico logotipo e uma legenda: «This boy knew» ‒ este menino sabia. Deu-se mal.

Um observador atento tratou logo de espalhar pelas redes a foto original. No retrato verdadeiro, o futebolista não veste agasalho Nike, mas da maior concorrente, a firma Adidas. Pegou mal pra caramba.

Como os corruptos inveterados, os difusores de «fake news» estão ultrapassando os limites da razoabilidade. O mundo vai mal. Já não se pode mais nem acreditar em boato.