Acôrdo ortographico

Eduardo Affonso (*)

Uma comissão discute hoje na Câmara a revogação do Acordo Ortográfico de 1990 (esse que matou o trema, tirou o acento de ideia, fez as pazes com o K, o W e o Y, e nos tornou analfabetos em hífen).

Tudo bem que o acordo foi mal feito e que os portugueses se recusaram a adotá-lo (adoptá-lo) de fato (de facto). Em vez de unificar o idioma, o tiro ficou pior que o soneto e a emenda saiu pela culatra.

Mas se é para revogar por questões etimológicas ou por respeito a certas tradições, então revoga direito.

Podemos começar revogando a mudança feita em 1973, que aboliu unânimemente os acentos grave e circunflexo em palavras formadas pelo sufixo -mente e pelos sufixos iniciados por z. Voltemos a escrever sòzinhos, sem corretor ortográfico por perto, como fazemos ùltimamente.

Depois a de 1971, quando caiu o acento diferencial. Bora escrever que êste govêrno não tem pilôto (até porque – apertem os cintos! – não tem mesmo).

Em seguida, cancelamos a de 1945 e voltamos a escrever que êles teem sciencia de que a raínha ennegreceu o côco da Güiana. Ok, ninguém nunca jamais escreveu isso, mas era assim que se escreveria até aquele anno.

Recuemos a 1943, quando respirávamos a athmosphera, caprichávamos na caligraphia, usávamos o telegrapho, desenhávamos polygonos, nos falávamos ao telephone (que então só falava, não tirava photoghraphia), e comíamos vegetaes. Nosso idioma era o portuguez e assim é que devíamos escrevel-o, fosse no Alentejo, fosse no Piauhy.

Anulemos também a de 1911, que levou Fernando Pessoa a declarar que sua pátria era a língua portuguesa (ops, portugueza), e que não se incommodaria se tomassem Portugal, mas sentia odio (sem acento) da pagina (também sem acento) mal escripta, não de quem não soubesse syntaxe ou escrevesse em orthographia simplificada.

Foi nessa epocha que o escriptor Teixeira de Pascoaes choramingou:

“Na palavra lagryma, (…) a forma da y é lacrymal; estabelece (…) a harmonia entre a sua expressão graphica ou plastica e a sua expressão psychologica; substituindo-lhe o y pelo i é offender as regras da Esthetica. Na palavra abysmo, é a forma do y que lhe dá profundidade, escuridão, mysterio… Escrevel-a com i latino é fechar a boca do abysmo, é transformal-o numa superficie banal.”

E bora anular também a reforma de 1907, quando tiveram fim a deshonra e a inharmonia, bem como as palavras começadas por Ç. Foi também quando o idioma ficou orpham do K, do W e do Y (excepto no vocabulário de origem indígena, que manteve suas characterísticas originaes). Foi n’aquelle anno que o Brazil virou Brasil.

As reformas têm sido desde sempre um desacordo só. A de 1911 foi adoptada só por Portugal. Houve um acôrdo em 1931, que não deu em nada. Este facto levou à convenção ortographica de 1943, que tampouco deu em alguma coisa – tanto que foi feita outra em 1945, com o mesmo triste fim.

Se é para unificar, melhor rebobinar a 1500, quando a língua chegou aqui, e encontrou homeës pardos todos nuus sem nenhuűa cousa que cobrisse suas vergonhas. traziam arcos nas maãos e suas see tas. vijnham todos Rijos pera o batel e nicolaao co elho lhes fez sinal que posessem os arcos, e eles os poseram. aly nom pode deles auer fala nem antë dimento que aproueitasse polo mar quebrar na costa. soomente deu;hes huum barete vermelho e huűa carapuça de linho que leuaua na cabeça e huűsombreiro preto. E huűdeles lhe deu huűsombreiro de penas daues compridas com huűa copezinha pequena de penas vermelhas e pardas coma de papagayo e outro lhe deu huűramal grande de comtinhas brancas meudas que querem pareçer daljaueira asquaes peças creo que o capitam manda a vossa alteza e com isto se volues aas naaos por seer tarde e nom poder deles auer mais fala por aazo do mar.

De lá pra cá, somos dois fados desencontrados, dois amantes desunidos. Eles lá, agarrados ao latim e ao grego; nós aqui, aos abraços e beijos com o tupi, o guarani, o quimbundo, o quicongo e o umbundo (sem contar os adultérios posteriores, com o francês e o inglês).

Vai dar certo trabalho aprender a falar como Camões, Cabral e Caminha. Mas não tendo hífen, é lucro.

(*) Eduardo Affonso é arquiteto, colunista do jornal O Globo e blogueiro.

O pirata maluquinho

José Horta Manzano

Acabo de ler a notícia. Um dos cidadãos detidos sob suspeita de terem pirateado numerosos celulares, entre os quais o de doutor Moro, confessou o crime. Réu confesso, minha gente! Cenário ao qual a Justiça brasileira não está mais acostumada. Réu confesso! Como é que pode?

Imediatamente, seu advogado(*) asseverou que o cliente tem problemas psiquiátricos. Ato contínuo, correu às dependências da Polícia Federal com cobertor e remédios próprios para controlar a saúde de doentes mentais.

crédito: Ziraldo Alves Pinto

Faz sentido. No Brasil deste século 21, só quem não bate bem da bola confessa crime. Condenados em primeira instância negam ter delinquido. Condenados em segunda instância fincam pé no brado de inocência. Até um conhecido condenado em terceira instância continua a considerar-se ‘a alma mais pura dessepaiz’.

Réu que confessa antes mesmo de ser julgado só pode ser débil mental. Onde é que já se viu?

(*) É de se perguntar como é possível que um indivíduo – ao que se saiba, virgem de antecedentes criminais – disponha de advogado criminalista assim, imediatamente, ao alcance da mão. Quem encontrou? Quem contratou? Quem paga?

Só mais uma pergunta. Não pode ofender.
Por que, diabos, um individuo ‘com problemas psiquiátricos’ se poria a piratear telefone de altas autoridades da República? Piratagem informática não é jogo da velha. Exige formação pontuda e rigorosa.

Quem desvendar o mistério ganha a eterna gratidão de doutor Moro. Cartas para o Ministério da Justiça, Brasília.

Incidente diplomático

Eduardo Affonso (*)

– Sr. Modesto Araújo, quero te apresentar aqui o novo chapeiro.

– Mas, seu Jaílson, esse não é o…

– Ele mesmo, o Ednardo. Meu filho.

– Ele tem experiência com chapa, fritura, essas coisas?

– Ele é diplomata. Fez Instituto Rio Branco. Foi embaixador na China. E já comeu pastel frito, não comeu, Ednardo?

(Ednardo concorda com a cabeça)

– Pois é, já comeu. E comeu na China, onde fritam muito pastel. É o chapeiro ideal para a JB Lanches.

– É que pastel não é feito na chapa…

– Modesto Araújo, você não está entendendo. Ele é meu filho. Portanto, está mais que qualificado para o posto de chapeiro.

– É que o fato de ele ser um diplomata… será que não vai atrasar um pouco o serviço? Ele pode querer negociar o hambúrguer bem passado por um ao ponto, não chegar nunca a um acordo com o cliente se o ketchup tem precedência sobre o alface, e aí a fila não anda…

– Com meu filho de chapeiro aqui, quando o presidente da França vier comer uma esfirra, vai falar direto com ele, sem nem fazer o pedido no caixa. Se for um xeique saudita, ele frita a coxinha de acordo com os preceitos do Alcorão. De protocolo ele entende. E de cerimonial. Ele sabe que o canudo fica à direita do copo de refrigerante e os sachês de mostarda vêm hierarquicamente embaixo dos de maionese.

– O senhor é que manda, seu Jaílson. Eu sou só o gerente desta franquia da JB Lanches. Se o senhor diz que o seu filho embaixador vai ser um bom chapeiro…

– Ele fala “quibe” e “esfirra” em vários idiomas Sr. Modesto Araújo. Fala aí “quibe” e “esfirra” em árabe, Ednardo, pro Modesto ver que você é a pessoa mais capacitada para o cargo.

(Ednardo tosse, coça a cabeça e começa a balbuciar alguma coisa.)

– Viu como ele fala? Vai lá, meu filho, que a chapa é tua. E se o pessoal do RH criar algum problema, é você quem vai pra chapa, Modesto, e ele fica de gerente.

(Modesto Araújo abaixa a cabeça, resignado. Gritos atrás do balcão. Era o pessoal do RH com o Bepantol na mão tentando – tarde demais – explicar pro embaixador Ednardo que a chapa é quente).

(*) Eduardo Affonso é arquiteto e colunista do jornal O Globo.

O nome

José Horta Manzano

Pobre, analfabeto, sem profissão e sem perspectiva de melhorar de vida, o italiano Giovanni Segnorio decidiu emigrar. Tinha de sair daquele fim de mundo. Corria o ano de 1894. No vilarejo, corriam histórias de conterrâneos que haviam partido para um país novo chamado Brasil – Brasile, como eles diziam – e que haviam feito fortuna em pouco tempo. Diziam até que minúsculas pepitas de ouro rolavam pela rua. Mas a simplicidade de Giovanni não chegava ao ponto de acreditar. Só podia ser balela.

Vendeu a cabra, as galinhas e o casebre que possuía, juntou mulher e filhos pequenos e partiu para a grande aventura. Balançou durante um mês no porão de um vapor, que é como chamavam os navios à época. Ao desembarcar no Brasil, a primeira obrigação foi entrar na fila para declarar a identidade ao oficial de imigração, que inscrevia tudo, com letra caprichada, num livro enorme de capa preta. Foi aí que a história da família se complicou.

Quanto ao nome, que era Giovanni, não houve grande problema. O oficial, pouco versado em línguas estrangeiras, se distraiu e nosso herói se tornou Giovani, com um ene só. Não era tão grave. Já com o sobrenome, a coisa complicou. Ao ouvir Segnorio – que se pronuncia Senhorío, com acento tônico no í – o funcionário escreveu à moda sua, com nh no lugar de gn. Por azar, esqueceu do r. Transcrito, o sobrenome virou Senhoio, estropiado e distante do original. Analfabeto, Giovanni não se deu conta do aleijão, assinou com um xis, deixou as impressões digitais, e seguiu em frente.

Giovani Senhoio trabalhou duro para educar os filhos que, em poucos anos, já estavam perfeitamente integrados na nova terra. O tempo passou, as gerações se sucederam. Mas persistiu aquela chateação de se chamar Senhoio, nome que, lá pelos anos 1940, por excesso de zelo sabe-se lá de quem, passou a ser grafado Senhôio, assim mesmo, com acento. Soava exatamente «sem ôio» – sobrenome mais apropriado para uma família de zarolhos.

João Senhôio, membro da quarta geração, não gostou nunca do nome que lhe tinha cabido. Sentia-se envergonhado, primeiro na escola, depois na vida adulta, a cada vez que tinha de declarar identidade. Um dia, decidiu tentar alguma coisa. Comentou entre os amigos, que lhe recomendaram consultar um advogado pra ver se havia algo a fazer.

João não gostou da ideia. Não botava muita fé em advogado. Era daquele tipo que dispensava intermediação de santo. Preferia falar com Deus. Um dia, foi ao fórum da cidade procurar a informação direto na fonte. Sentado diante de uma mesinha de madeira repleta de carimbos, um atendente lhe disse que mudança de nome só podia ser determinada por via judicial. Em outras palavras, quem decidia era o juiz. João quis falar com um juiz. O atendente respondeu que era impossível, que juiz não atende assim, de supetão, sem hora marcada.

Insistente, João não se deu por vencido. Disse que dali não arredava pé sem antes ver um juiz. Cansado, o atendente fez uma busca interna e descobriu um magistrado livre naquele momento. Perguntou-lhe se podia receber um visitante que tinha uma dúvida simples, seria questão de minutos. Solícito, o juiz mandou subir. E lá foi João.

Diante do magistrado, um pouco impressionado com os móveis escuros e as pilhas de processos sobre a escrivaninha, João não tinha coragem de encarar o juiz. Este, para deixá-lo à vontade, disse, amistoso:

– Sente-se, meu jovem. Fique à vontade.

– Obrigado, doutor. Fico de pé mesmo – respondeu, olhando fixo o bico do sapato.

– Conte então qual é o problema que o preocupa.

– É meu nome, doutor. Tenho muita vergonha e queria mudar.

– Olhe, meu jovem, mudança de nome é coisa séria. Não se pode conceder a torto e a direito, senão como é que havia de ser? Imagine se todo o mundo se dispusesse a mudar de identidade. Não se encontrava mais ninguém. Seria um pandemônio.

– Entendo, doutor. Mas meu caso é sério. Não aguento mais me chamar assim

– Qual é seu nome?

– É João Senhôio, doutor.

– Ah, entendo! Tem razão. Em casos como o seu, em que o nome prejudica a pessoa, a Justiça costuma ser benevolente e atender à solicitação. E já pensou como gostaria de se chamar?

– Já sim, doutor.

– E qual é o nome?

– É Pedro Senhôio.

Mordillo, um poeta

José Horta Manzano

No fim de semana passado, às vésperas de completar 87 anos, faleceu o desenhista argentino Guillermo Mordillo Menéndez (1932-2019). Trabalhador incansável, deixou muito jovem o país natal, passou pelo Peru e pelos EUA, e fixou-se por longo tempo em Paris.

Ao chegar à França, como não falava uma palavra da língua, criou um personagem mudo e sem nome, que aparece solitário ou em grupo. Os desenhos do artista dispensam diálogo para serem entendidos.

Mordillo colaborou com publicações de prestígio, como as francesas Paris Match, Marie Claire, Lui e a alemã Stern. Passou as últimas décadas na ilha de Maiorca (Espanha), onde faleceu.

O universo do artista é fantástico, surreal, onírico, absurdo. O traço arredondado dos personagens instala clima de delicadeza e ternura. Sua paixão pelo futebol ressurge com frequência. Os personagens, sistematicamente brancos, ressaltam sempre, mesmo em meio a profusão de cores.

Aqui vai um tributo a esse poeta que trazia emoção na ponta do lápis.

Outras máximas ― 48

José Horta Manzano

Justiça autoriza transferência do detento Eduardo Cunha de Curitiba a uma prisão carioca.

Furem fur cognoscit, et lupum lupus.
Ladrão reconhece ladrão e lobo reconhece lobo.
Máxima latina

Missionário no exterior

José Horta Manzano

Sem intenção de afrontar a notória abertura de espírito do culto ministro Ernesto Araújo, pergunto-me em que medida o passaporte diplomático que ele concedeu ao casal Edir Macedo Bezerra pode ajudar o eclesiástico a “desempenhar de maneira mais eficiente suas atividades em prol das comunidades brasileiras no exterior”.

Que tem o passaporte a ver com atividades episcopais do titular? Um doce pra quem puder informar. Cartas para a redação, por favor.

Nota da redação postada em 17 abr 2019
Um juiz federal do Rio de Janeiro confortou este blogueiro no entendimento de que não tem cabimento conceder passaporte diplomático a um eclesiástico sob pretexto de que costuma partir para viagens missionárias. Em sábio juridiquês, o magistrado deu despacho cassando o documento.

Aguardemos o próximo capítulo. Num país extremamente judiciarizado como o nosso, nunca se sabe. Batalhas judiciais são intermináveis, principalmente para quem tem (muito) dinheiro. É voz corrente que donos de igrejas neopentecostais vivem em abastança.

Mais chique

José Horta Manzano

Em queda nas pesquisas, doutor Bolsonaro tomou a decisão de seguir os passos do ilustre predecessor. Não pretende chegar ao ponto de “jogar dominó em Curitiba”, mas já começou por imitar o look de Lula da Silva. Pendurou no pescoço um ‘fake’ da gravata preferida do demiurgo.

Pesquisa mundial

José Horta Manzano

A história é antiga, mas vale recordar. Faz dois anos, a ONU decidiu fazer uma pesquisa mundial. A pergunta era:

O resultado foi desastroso, um fracasso total.

Os europeus não entenderam o que era escassez.

Os africanos não sabiam o que eram alimentos.

Os argentinos não conheciam o significado de por favor.

Os americanos perguntaram o significado exato de o resto do mundo.

Os cubanos estranharam e pediram maiores explicações sobre o que vem a ser opinião.

E o Congresso brasileiro ainda está debatendo sobre o sentido exato de honestamente.

Histórias da fronteira

José Horta Manzano

Era uma cidadezinha pequena, bem na fronteira com a Argentina. É domingo, e a Igreja fica cheia para a missa das 10h. Argentinos, brasileiros, até o prefeito. Começa o sermão:

‒ Irmãos, estamos hoje aqui reunidos para falar dos Fariseus, aquele povo desgraçado como esses argentinos que estão aqui.

‒ Ohhh! Um coro de indignação varreu a igreja. Os argentinos saíram xingando o padre. Houve briga na porta. O prefeito quase teve um ataque de apoplexia. Terminada a confusão, ele foi falar com o padre na sacristia.

‒ Padre, pega leve, os argentinos vêm para este lado, gastam nas lojas e nos restaurantes, trazem divisas para a cidade. Não faça mais isso.

Durante a semana a conversa na cidadezinha foi recorrente: o padre e o sermão do domingo. Aquele zum-zum-zum todo foi deixando as pessoas curiosas, todos querendo saber o que mais tinha acontecido.

Finalmente, vem o domingo. O prefeito vai até a sacristia para uma conversinha com o padre.

‒ Padre, o senhor lembra do que conversamos antes, não? Por favor, não arrume nenhuma encrenca hoje, certo?

Começa o sermão.

‒ Irmãos, estamos aqui reunidos hoje para falar de uma pessoa da Bíblia: Maria Madalena. Aquela mulher, a prostituta que tentou Jesus, como essas argentinas que estão aqui.

Roda de chimarrão e contação de causos
by José Augusto Costa Araújo (1947-), artista português

Não deu outra: pancadaria na igreja. Quebraram velas nos corredores, saíram tapas, socos e houve até atendimento no pronto-socorro da cidade. O prefeito novamente foi ao encontro do padre:

‒ Padre, o senhor não me disse que iria pegar leve? Padre, se o senhor não amansar, vou escrever uma carta à diocese e pedir a sua suspensão imediata.

Durante a semana, o tumulto foi maior ainda. As conversas eram frenéticas. Ninguém perderia a missa do domingo seguinte, nem por decreto.

Na manhã do domingo, o prefeito espalha soldados pela igreja e entra na sacristia .

‒ Padre, pega leve desta vez, senão te levo em cana!

A igreja estava abarrotada. Quase não se conseguia respirar de tanta gente. E o padre dá início ao sermão.

‒ Irmãos, estamos aqui reunidos hoje para falar do momento mais importante da vida de Cristo: a Santa Ceia.

O prefeito respirou aliviado. E o padre continua o sermão:

‒ Jesus disse naquele momento aos apóstolos: “Esta noite, um de vós Me trairá.” Então João perguntou: “Mestre, sou eu?” E Jesus respondeu: “Não, João, não és tu”. E Pedro perguntou: “Mestre, sou eu?” E Cristo respondeu: “Não, Pedro, não és tu.” Então Judas perguntou: “Mestre, acaso soy yo?”