Lewandowski

José Horta Manzano

Eu estava muito animado pra ver toda a equipe atuando, especialmente o Lewandowski, sempre excelente e certeiro em sua função.

No começo dos embates, o conjunto até que desempenhava bem. Parecia que o resultado da peleja ia ser satisfatório.

No entanto, à medida que o tempo foi passando, o trabalho de cada um se arrastou, diminuiu de intensidade. Lewandowski, pouco a pouco, murchou e decepcionou. No final, não deu outra: sua turma perdeu por 2 x 1.

Para que fique bem claro: falo aqui de Robert Lewandowski, futebolista de origem polonesa, que atua no Bayern Munique. Referi-me ao encontro entre Bayern e Real Madrid ocorrido ontem.

Não é, portanto, o Lewandowski nosso, mas o deles. O nosso não decepciona nunca, não falha nunca. Sua atuação é totalmente previsível.

Superstição ganha Copa?

José Horta Manzano

A cada nova edição da Copa do Mundo de futebol, surgem palpites de futurólogos, videntes, cartomantes & assemelhados. Uns preveem que nossa seleção levará a taça, outros predizem que não, que os bravos soldados cairão no campo de glória.

De qualquer modo, não tem muita importância porque, passado pouco tempo, ninguém mais se lembra das previsões. Assim sendo, vamos botar lenha na fogueira. Aqui vai uma superstição artesanal.

Crédito: Kopelnitsky, EUA

Constatei que há uma correspondência entre as taças conquistadas e o mandato do presidente da República à época. Vejam só:

1958
O presidente era Juscelino, que cumpriu mandato integral.

1962
O presidente era Goulart, que cumpriu mandato tampão.

1970
O presidente era Médici, que cumpriu mandato integral.

1994
O presidente era Itamar, que cumpriu mandato tampão.

2002
O presidente era FHC, que cumpriu mandato integral.

Observe que o Brasil ganha a Copa uma vez com presidente de mandato integral e uma vez com presidente tampão. E assim por diante, alternadamente.

Se a teoria se confirmar, a proóxima Copa virá com presidente de mandato tampão. Temer está nessa situação. Portanto, há forte probabilidade de a taça vir pra cá este ano!

Noventa milhões em ação!

Quem foi que xingou?

José Horta Manzano

Chamada Estadão, 9 abr 2018

Entendo que a exigência do nobre advogado contribua para o objetivo maior, que é manter o Lula diariamente no noticiário.

Assim mesmo, se ele tiver intenção de investigar a autoria de cada ofensa dirigida a seu cliente, vai ter muito trabalho.

Receita para enriquecer rápido

José Horta Manzano

Guardo um livro de receitas escrito por minha avó. Sim, eu disse escrito por ela. Escrito à mão. Na verdade, copiado. É que antigamente não havia internet nem televisão. A dona de casa prendada anotava cuidadosamente num caderno as receitas que colhia aqui e ali. Ter a receita de determinado prato já era, em si, uma preciosidade. Sem receita, como preparar um cobu mineiro um toucinho do céu ou um alfenim ‒ aquela bala de coco que derrete na boca?

As melhores receitas eram agraciadas com um qualificativo: «Esta é ‘explendida’», assim, com xis, como se escrevia quando a língua ainda não estava engessada pelo emaranhado de normas atuais. Vou dar hoje ao distinto leitor uma receita «explendida» para enriquecer rapidamente. Não dá muito trabalho. Seguida à risca, é sem risco. Vale arriscar!

Receita «explendida» para enriquecer rápido e sem risco
(em 17 etapas)

1) Você pode fazer sozinho, mas é mais seguro arrebanhar um grupo de companheiros. No final da receita, você vai entender por quê.

2) Reunido o bando, escolha um alvo e um modo de proceder. Pode ser um assalto a banco, embora não seja a melhor opção. Pode ser um estelionato de alto coturno. Infrações enquadradas no Artigo 312 do Código Penal são bem-vindas: concussão e peculato em especial.

3) Há mil soluções. Discuta com o grupo de companheiros pra definir qual delas é a mais adequada. Enfim, sinta-se livre de escolher o alvo, mas cuide que seja frutuoso. Anote isso: o ato tem de render no mínimo 10 milhões. Se o golpe for de 50 milhões, melhor ainda. Golpezinho pequeno é coisa de pé-rapado, só gera problema.

4) Planejem bem, que uma boa preparação é a alma de todo golpe de mestre. Fixado o alvo, defina o papel de cada membro do grupo. É essencial que todos sigam rigorosamente as ordens de Seu Mestre.

5) Dê o golpe. Procure agir no tempo mais curto possível. Práticas que se eternizam não são boa opção. Não ultrapasse 6 meses. Quando o produto do golpe estiver em suas mãos, não guarde em malas nem em apartamentos. O melhor é despachar logo pra um banco em Singapura ou em Hong Kong. Nem em pesadelo mande para a Suíça: embora alguns incautos não saibam, já faz anos que o segredo bancário foi lá abolido.

6) Apesar de todo o empenho e de todos os cuidados, o risco existe de algum membro do grupo ser apanhado e, uma vez encarcerado, pôr-se a delatar. Não é desejável, mas é possível.

7) Denunciados, todos os membros do bando vão ter de passar um (breve) período atrás das grades. Você também. Mas não se preocupe, que ninguém vai mandá-lo pra prisão de pobre. Quanto mais volumoso for o produto do crime, mais luxuosa será sua cela.

8) É agora que o montante obtido se revela importante. Quanto mais elevado for, mais e melhores advogados você poderá contratar. Não economize. Se puder, chame até antigos ministros do STF ‒ isso dá um plus a sua defesa.

10) Você será acusado de estelionato. Dado que o crime terá sido cometido em bando, você receberá também acusação por formação de quadrilha. Isso é muito bom. Quanto mais pesada for a acusação, mais respeito suscitará.

11) A partir daí, é simples. A fortuna que você tiver guardado em Singapura será amplamente suficiente pra bancar os honorários do batalhão de advogados. Na hora de pagar, basta transferir de uma conta para outra ‒ todos eles têm conta naquele país.

12) Agora descanse. Seus defensores impetrarão habeas corpus para você e para todos os seus amigos. Você não passará nem dois dias na cadeia. Talvez lhe imponham o uso de tornozeleira. Não esquente a cabeça, que ela é discreta e passa despercebida.

13) Em casa, tranquilo, você aguardará que seu caso seja julgado. De qualquer maneira, se você se comportar bem, não terá de portar a tornozeleira por mais que uns dois meses. Depois disso, estará livre de ir e vir. Enquanto isso, seu caso vai passeando pelas instâncias: a primeira, a segunda, a terceira, a quarta. Isso vai levar no mínimo dez anos. Pode chegar a vinte. E você tranquilo, já imaginou? Rico, tranquilo e livre!

14) Pode usufruir o produto do golpe, que ninguém vai reparar. Gaste à vontade, mas procure não dar sinais explícitos de riqueza. É mais prudente comer caviar em Paris do que pizza no Rio.

15) Resta um último risco. Há uma probabilidade em um milhão de seu caso chegar ao STF antes da prescrição. O Supremo pode até negar provimento ao seu caso. É raro que aconteça, mas não é impossível. Sua prisão pode até, nesse caso, ser decretada. Se tal infelicidade viesse a acontecer, não se apoquente. Dirija-se a um sindicato qualquer. Um que tenha prédio grande, de preferência. Tranque-se lá dentro e resista.

16) Chame os amigos de seus amigos. Seja generoso na distribuição de churrasco e cerveja. Muita gente virá. Ensine-lhes palavras de ordem. Distribua megafones. Pague um extra para quem ficar no horário noturno ‒ afinal, isso não é problema, você já é rico e seu dinheiro está guardado em lugar seguro.

17) Mande rezar uma missa, que pega bem pra caramba. Nenhuma polícia tem a ousadia de invadir lugar de culto pra prender alguém. Se o pior acontecer e você acabar de novo preso, não se aborreça. Será por pouquíssimo tempo. Seu batalhão de defensores vai tirá-lo de lá rapidinho.

A partir daí, descanse. Você está livre. Nunca mais alguém vai importuná-lo. Relaxe e goze.

Baixa popularidade

José Horta Manzano

Estadão digital – primeira página
4 abril 2018

O demiurgo anda bem caído, com a popularidade na sola do sapato, é verdade. Assim mesmo, não é de bom-tom escrever o nome dele com minúscula. É “politicamente incorreto”, como se deve dizer hoje em dia.