Devastação: projeto de governo

Bernardo Mello Franco (*)

A Amazônia registrou o maior índice de desmatamento em dez anos. De janeiro a dezembro, a floresta perdeu 10.362 km² de mata nativa. Isso equivale a metade do território de Sergipe.

Os números foram divulgados na segunda-feira pelo Imazon. No mesmo dia, Jair Bolsonaro comemorou a redução de 80% nas multas aplicadas pelo Ibama. “Paramos de ter grandes problemas com a questão ambiental”, festejou.

O presidente transformou a devastação em política de governo. Trata a fiscalização como problema e a derrubada de árvores como solução. Sua cumplicidade com o crime ambiental é explícita. Grileiros, madeireiros e garimpeiros ilegais sabem que têm um aliado no Planalto.

(*) Bernardo Mello Franco é jornalista. Trecho de artigo publicado n’O Globo de 19 jan° 2022.

La crevette de Bolsonaro

José Horta Manzano

Aproveitando o gancho da mais recente hospitalização de Bolsonaro, Aitor Alfonso, cientista político franco-espanhol, publicou artigo na revista Slate. O texto, bem-humorado e repleto de trocadilhos, lembra os grandes deste mundo que foram vítimas de acidente devido a um alimento ou a uma bebida. Vamos lembrar alguns deles.

O bretzel de Bush
Faz exatamente 20 anos, o presidente Bush (filho), deitado no sofá, assistia a um jogo de fotebol americano. Displicente, pegou um bretzel – aquele biscoito seco e salgado, de forma trançada. Logo na primeira mordida, engasgou. O sufoco foi tamanho, que seu ritmo cardíaco sofreu baixa súbita e o presidente, atordoado, caiu de cara no chão. Perigou empacotar ali mesmo, mas teve sorte: escapou com um “galo” azul abaixo do olho esquerdo.

O curioso caso de Fidel Castro
O Líder Máximo da revolução cubana detém o record do número de tentativas de assassinato. Foram 638 atentados, todos gorados. Dificilmente essa marca será superada. Dezenas, se não centenas, dessas tentativas passaram pelos alimentos ou pelas bebidas. A CIA tentou por todos os modos, mas nunca conseguiu atingir o objetivo. Castro faleceu de causas naturais aos 90 anos.

O bolo do rei Adolfo da Suécia
O rei Adolfo Frederico, da Suécia, gostava muito de comer. Na terça-feira do carnaval de 1771, como preparação para enfrentar as privações alimentares que a Igreja impunha na Quaresma, ele fez uma refeição reforçada. Engoliu caviar, sopa de repolho, arenque, lagosta com chucrute – tudo regado a champanhe. Para terminar a refeição com um gosto açucarado na boca, o rei optou por uma bomba glicêmica. Comeu uma especialidade sueca chamada semla, que é servida somente no mardi gras (terça-feira de carnaval). O doce lembra um pouco nosso sonho de padaria, só que é recheado com marzipan e creme Chantilly. Um ou dois não dão dor de barriga a ninguém. Mas o rei comeu quatorze. Não deu outra: o estômago travou, ele sentiu-se mal e morreu de um AVC provocado por indigestão aguda. Os estudantes suecos o conhecem como o rei que morreu de tanto comer doce.

O copo d’água do filho do rei Francisco da França
O rei Francisco I, da França, estava em Lyon com os filhos, já adultos. Fazia um calor sevilhano daquele mês de agosto de 1536. Apesar disso, Francisco, o filho preferido do rei, resolveu fazer uma partida de jeu de paume (= jogo de palma, antepassado do tênis). Terminado o jogo, cansado e transpirado, o jovem engoliu duma vez um copo d’água gelada. Logo começou a passar mal, sentiu-se fraco e morreu dias depois. Naquele tempo, era impossível saber se a morte era acidental ou se a água continha veneno. Na dúvida, o rei acusou o infeliz que tinha trazido o copo. O homem foi condenado à morte.

O melão de Maximiliano da Áustria
Era janeiro de 1519. O arquiduque Maximiliano I, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, estava passando uma temporada de cura de saúde nos Alpes austríacos. Um dia, um bufê foi organizado em sua honra. O imperador bateu o olho nuns melões que estavam num canto da mesa. É bom lembrar que janeiro não é tempo de melão. Hoje em dia, qualquer fruta chega por via aérea em qualquer época do ano. No século 16, não era assim. Os melões que encantaram o arquiduque tinham sido conservados desde o verão anterior. Ele se jogou em cima das cucurbitáceas. Comeu tanto, que acabou sofrendo uma crise de apoplexia. Empacotou. Dizem que o pai dele, Frederico III, teria morrido por ter abusado da mesma fruta mais de vinte anos antes.

La crevette de Bolsonaro
Crevette, em francês, é nosso camarão. No capítulo bolsonaresco, o autor se diverte com o camarão não mastigado de Bolsonaro.

Ele deve ter sabido da explicação dada pelo médico, de pé ao lado do capitão, sobre o estrago que um camarão causou no tubo digestivo do capitão.

Fiquei escandalizado com a tartufaria daquela cena. Pergunto a meus botões: será que alguém está interessado nos detalhes da masticação, da deglutição e da digestão do presidente?

Falo em tartufaria ao constatar a hipocrisia dessa mise-en-scène. O Brasil está pouco ligando para o camarão assassino. O país quer que o capitão explique direitinho essa história de usar nosso dinheiro para montar um bilionário “orçamento secreto” com o objetivo de favorecer os amigos. Pouco nos importa saber dos soluços e dos engulhos presidenciais.

Quanta dor

Dorrit Harazim (*)

O espetáculo de grand-guignol exibido pelo governo Jair Bolsonaro neste fim de ano ofende qualquer norma de civilidade. Pouco tem de humano o espécime que cavalga jet skis da Marinha, visita parque de diversões e joga na Mega-Sena da Virada enquanto uma parte do país pede socorro.

O Brasil já teve um leque bastante improvável de chefes de nação – inclusive a galeria militar cujo programa de manutenção no poder incluiu matar adversários políticos. Ainda assim, Jair Bolsonaro consegue ser único – seu ostensivo desprezo pelo povo que governa, pela dor do outro, é maníaco. E lugar de maníaco é no manicômio, não na Presidência da República.

(*) Dorrit Harazim é jornalista. Trecho de artigo publicado no jornal O Globo de 2 jan° 2022.

Servidor extinto

Ascânio Seleme (*)

O governo federal gasta, anualmente, R$ 8,2 bilhões para manter mais de 69 mil servidores ativos que ocupam cargos já extintos, como ascensoristas, datilógrafos e técnicos de manutenção de videotape.

Entre 2014 e 2015, o governo contratou afinadores de instrumentos musicais e datilógrafos. Apesar de tais cargos terem sido extintos em 2019, os servidores permanecerão na folha de pagamento pelos próximos 53 anos.

Ainda existem servidores ativos que ocupam cargos de açougueiro, chaveiro, encadernador e operador de telex.

(*) Ascânio Seleme é jornalista. Trecho de artigo publicado no jornal O Globo de 1° jan° 2022.

Cresceu rápido

José Horta Manzano

O caderninho de notas do jornalista Lauro Jardim não deixou escapar. Entre as anotações de 15 de nov°, aparece:

“André Mendonça chamou a atenção hoje, no Fórum Jurídico de Lisboa, organizado pelo IDP de Gilmar Mendes e com meia República presente. E não exatamente pelas suas intervenções nos debates.”

Dizem as más línguas que, caso seja confirmado como ministro do STF, Mendonça não será o primeiro a ostentar cabeleira fixa, daquelas que, por nunca crescerem, dispensam visitas ao barbeiro. Será sempre uma economia para os cofres da nação, que terão uma conta a menos para pagar.

Medalhões ignorantes

Lauro Jardim (*)

Morreu o maior pianista erudito do Brasil, Nelson Freire, e não houve nenhuma manifestação do Secretário de Cultura, Mario Frias.

Já o Itamaraty ao menos manteve sua tradição de civilidade. Emitiu nota oficial em que lamentou “a perda de um dos maiores artistas, que engrandeceu a cultura brasileira no exterior” e evocou a “trajetória que o coloca entre os mais destacados pianistas de sua geração e entre os maiores músicos brasileiros de todos os tempos”.

Frias, do mesmo modo que não tinha ideia de quem foi Lina Bo Bardi, talvez não soubesse da importância de Freire.

(*) Lauro Jardim é jornalista e mantém coluna no jornal O Globo.

Plano B

Ascânio Seleme (*)

Bolsonaro não desistiu da reeleição. Com o auxílio emergencial acha que consegue sobreviver e crescer ao longo dos primeiros meses do ano que vem.

Mas o plano B está mantido. Se mais adiante as pesquisas apontarem um inevitável fracasso eleitoral, ele retira sua candidatura como forma de inviabilizar Lula. E dirá alto e claramente que deixa a disputa para impedir que o PT ganhe a eleição.

A saída de Bolsonaro não derrota automaticamente Lula, mas sua candidatura se enfraquece diante de um candidato de centro que atraia os eleitores da direita bolsonarista. Claro que, antes de sair, Bolsonaro tentará um acordo de blindagem para si e seus filhos.

(*) Ascânio Seleme é jornalista. Trecho de artigo publicado no jornal O Globo de 23 out° 2021.

Desmatamento

com Informações do jornalista Lauro Jardim, O Globo

O Brasil entrou na edição de 2022 do livro de recordes do Guiness como o país com a maior perda de floresta primária tropical da série histórica do Global Forest Watch, instituto especializado na observação da cobertura vegetal do planeta.

Entre 2002 e 2019, a perda foi de 24,5 milhões de hectares, ou seja, 7,1% da floresta primária(*) total que restava no país em 2001.

(*)Floresta primária é a cobertura originária, aquela que nunca foi tocada por atividades humanas. Apresenta alto grau de diversidade biológica, tanto na fauna quanto na flora.

Floresta secundária é aquela que, tendo sido usada durante algum tempo para agricultura ou pastoreio, foi abandonada, permitindo que o mato voltasse a crescer. É sempre melhor que um deserto, mas jamais voltará a contar com a mesma diversidade de vida animal e vegetal da cobertura originária.

Da ponta da praia às quatro linhas da Constituição

Eduardo Mafei (*)

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Artigo escrito em 7 setembro 2021
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Jair Bolsonaro é o pior governante que o Brasil já teve nos 199 anos desde o Sete de Setembro de 1822? Tudo depende da régua pela qual medimos seu desempenho. Se esperamos dele as realizações de um governo comum, como atender às grandes urgências do país ou pôr em prática um plano que nos eleve de patamar como nação, então, sim, Bolsonaro é o pior líder que já tivemos desde o grito do Ipiranga.

Mas e se seu plano for outro? Ou melhor: e se o plano de Bolsonaro for o mesmo desde sempre, aquele pelo qual ele trabalhou em todos os instantes de sua vida em que não estivesse dormindo, comendo, tomando banho, contratando funcionários fantasmas ou ensinando a arte da rachadinha aos filhos? Se enxergarmos em Jair Bolsonaro o propósito de trabalhar firmemente pela destruição da democracia implementada pela Constituição de 1988, documento que ele sempre desprezou por consagrar a derrota da ditadura cuja idolatria é o único sentido de sua vida pública, então Bolsonaro não vai mal. Ao contrário: nunca um presidente foi tão bem-sucedido em corroer as instituições de um sistema constitucional em tão pouco tempo.

Para um presidente que vive de hostilizar a democracia liberal, com as limitações de poder a ela inerentes, a tarde de hoje foi…

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(*) Rafael Mafei Rabelo Queiroz, professor da Faculdade de Direito da USP.

Voto à antiga

Ascânio Seleme (*)

Beijo na cédula
Veterano mesário de eleições em São Paulo conta a história de um candidato a deputado federal que tinha muito apoio entre as mulheres porque era bonito, dono de grandes olhos verdes e um sorriso cativante. Era o jornalista e advogado Emílio Carlos, que perdeu alguns milhares de votos na sua primeira eleição porque as cédulas vinham borradas por batom de mulheres que beijavam o papel numa prova de ternura. O candidato acabou sendo eleito em 1946 e permaneceu na Câmara até morrer, em 1963. Pode parecer bobagem, mas a história mostra como era fácil anular votos bons num pleito com cédulas de papel.

Bruno Covas
Bolsonaro não foi o único a criticar o ex-prefeito Bruno Covas por ter vindo ao Rio com o filho assistir à final da Libertadores em meio a pandemia. A diferença é que o presidente o atacou depois de morto, para obter um ganho político. Assim é Bolsonaro. Um canalha que desrespeita os mortos e arremeda, rindo, doentes de Covid que não conseguem respirar. Não vale nada mesmo.

(*) Ascânio Seleme é jornalista. Trecho de artigo publicado no jornal O Globo de 7 agosto 2021.

Bolsonaro é a pedra no sapato

Fernando Gabeira (*)

Com um país tão interessante, não consigo ainda explicar por que tanta confusão converge para sua capital, Brasília.

Essa história da vacina da Davati, por exemplo, é um roteiro de chanchada. Um dirigente de empresa que recebe auxílio emergencial e um cabo da PM que não consegue pagar o aluguel resolvem oferecer 400 milhões de inexistentes vacinas AstraZeneca.

Usam um reverendo para se aproximar do governo. O reverendo é amigo de um homem que se diz super-homem. Sua entidade religiosa falsifica logotipos da ONU, e ele se diz embaixador da paz. Ungido por quem? Por outro reverendo, o famoso Moon. Sua grande missão diplomática foi ir a Israel para unir judeus e árabes, tarefa que, como todos sabemos, alcançou um perene êxito.

(*) Fernando Gabeira é jornalista. Trecho de artigo publicado no jornal O Globo de 9 agosto 2021.

Olímpica

Ascânio Seleme (*)

Excelente exemplo da delegação brasileira que desfilou na abertura dos Jogos de Tóquio com apenas quatro integrantes. Fazer bonito de vez em quando não custa nada e ajuda a diminuir a antipatia global causada pelo capitão. O número reduzido de desfilantes era para mostrar preocupação com a pandemia de coronavírus.

No Brasil, os atletas devem ter sido vaiados por você sabe quem.

(*) Ascânio Seleme é jornalista. Trecho de artigo publicado no jornal O Globo de 24 julho 2021.

O Brasil não inventou a cretinice

Martha Batalha (*)

A cretinice é antiga, e contemporânea. Enquanto o Brasil é impedido de tirar do poder uma quadrilha de milicianos devido a um congresso e a juízes comprados, Steve Bannon, estrategista político que ajudou Trump a vencer as eleições, criou uma escola de formação de líderes populistas.

Cinco mil pessoas de todo o mundo se inscreveram para participar. Cinco mil cretinos, dos quais setenta e dois foram escolhidos para aprenderem os fundamentos dos governos populistas e se tornarem líderes de extrema direita em seus países.

O nome do curso é Escola de Gladiadores. O nome do órgão que coordena o curso é Instituto para a Dignidade Humana. Existe algo mais cretino do que sugerir que a dignidade do mundo será alcançada através do empenho de gladiadores? Imagino alguns ensinamentos, como convencer eleitores de que as notícias são mentira e que as mentiras são notícia. Ou gritar “Comunista!” para qualquer pessoa que questione o que é dito.

(*) Martha Batalha é jornalista e escritora. O texto foi extraído de artigo publicado n’O Globo em 7 jul° 2021.

O tamanho é documento

Lola Pons Rodríguez

Lola Pons Rodríguez(*)

El tamaño en la lengua importa. En general lo vemos muy bien en la lengua de la clase política, que piensa que la problemática es mayor que el problema, que la temática es superior al tema y que implementar es mejor que hacer. Un aburrimiento…

Na língua, o tamanho importa. Em geral, vemos isso muito bem no linguajar da classe política, que acha que a problemática é maior que o problema, que a temática é superior ao tema e que implementar é melhor que fazer. Uma canseira…

(*) Lola Pons Rodríguez é escritora especializada em história da língua espanhola.

Teve rachadinha na vacina?

Celso Rocha de Barros (*)

Depois que Bolsonaro, de forma documentada e indiscutível, cometeu assassinato em massa contra o povo brasileiro, crimes de corrupção podem parecer menores. E, normalmente, seriam. Qualquer mãe que tenha perdido filho porque Bolsonaro não comprou vacina preferia que Bolsonaro lhe tivesse roubado a carteira.

Mas é importante lembrar que esta roubalheira aconteceu durante o assassinato em massa de 2020-2021, com dinheiro que poderia tê-lo evitado, e que talvez tenha sido parte da motivação por trás do assassinato em massa. O governo Bolsonaro pode ter matado filhos de mães brasileiras enquanto também lhes batia a carteira.

(*) Celso Rocha de Barros é doutor em sociologia pela Universidade de Oxford (Reino Unido). O texto foi extraído de artigo publicado na Folha de SP em 27 jun° 2021.

O presidente está com medo

Rosângela Bittar (*)

A autoconfiança, expressa em sinais de que pode tudo, é falsa. Acompanhamos sua performance como se ele estivesse no picadeiro. Ora engolindo fogo e soprando-o sobre a seleção brasileira de futebol, que obrigou a jogar a Copa América, competição refugada por três países mais responsáveis que o nosso. Resultado parcial: 52 infectados em apenas duas rodadas.

Ora no tiro ao alvo dos palanques eleitorais, nos quais nem a motocada de 12 mil fanáticos, nem a genuflexão de militares da ativa, conseguem lhe dar consistência. Como no globo da morte, irrompe em avião prestes a decolar lotado, onde colhe o fundo musical de sua campanha à reeleição, que não será aproveitado nos jingles: Genocida!

(*) Rosângela Bittar é jornalista. O texto é parte de artigo de 16 jun° 2021, que merece ser lido na íntegra. 

Bolsonaro e a política externa

Elio Gaspari (*)

Quando Joe Biden venceu a eleição americana, Jair Bolsonaro levou mais de um mês para felicitá-lo.

Sua diplomacia acreditava na lorota de Donald Trump, que dizia ter sido roubado. Quatro dias depois da eleição de Pedro Castillo, o capitão disse que “perdemos agora o Peru”, pois a seu juízo “só um milagre” reverterá a derrota de Keiko Fujimori.

Demorou para reconhecer um resultado e apressou-se para admitir o outro.

Nomeando Marcelo Crivella para a representação do Brasil na África do Sul, Bolsonaro entra para os anais da diplomacia como o primeiro chefe de Estado a nomear um embaixador que está proibido de deixar o país pela Justiça.

(*) Elio Gaspari é jornalista. O texto é parte de artigo publicado em 13 jun° 2021.

Amazonas

Carlos Brickmann (*)

Bolsonaro não foi ao Amazonas quando lá morriam pessoas por falta de oxigênio. Mas agora foi, com farta comitiva, para inaugurar uma ponte de madeira de 18 metros por seis – no Interior, seria chamada de “pinguela”.

Lá gravou uma live defendendo a cloroquina, chamando-a de “aquele remédio que ofereci à ema”. Esqueceu de contar que a ema, indignada, o bicou.

(*) Carlos Brickmann é jornalista, consultor de comunicação e colunista.