Friendly

José Horta Manzano

Deve ser ranzinzice de gente antiga. O fato é que a palavra amigável não me é simpática. Me faz lembrar separação amigável, prática que soa antediluviana.

Nos tempos de antigamente, ninguém podia se divorciar no Brasil, que não era permitido. Havia, isso sim, um sucedâneo: a separação judicial chamada desquite. Podia ser amigável ou litigioso.

Uma vez chancelado o desquite pela justiça, o par – embora continuasse unido pelo vínculo do casamento – estava autorizado a deixar de cumprir os deveres conjugais. Desquitados eram dispensados de viver sob o mesmo teto, de garantir assistência mútua, de prestar contas de seus atos. Eram separados, sim, mas sem direito a casar de novo. Visto assim, com óculos do século XXI, parece medieval, não?

Computador 3E tem mais: a boa sociedade olhava meio torto pra gente desquitada. Mulher desquitada, em especial, não tinha a vida fácil. Se ousasse juntar os trapos com outro, caía na língua do povo. Cada época com seus usos…

O desquite saiu do mapa em 1977, quando foi aprovada a Lei do Divórcio. O termo amigável foi mandado pra fora de campo. E lá ficou muitos anos até surgirem os computadores pessoais e a informática caseira.

Desde então, os usuários brasileiros não se têm mostrado muito imaginativos. O mais das vezes, apoderam-se da expressão inglesa sem ao menos se dar ao cuidado de aportuguesá-la. É o caso de mouse e software. De quando em quando, um termo é traduzido. Às vezes com inventividade, mas nem sempre.

Friendly foi traduzido por amigável – não me parece a solução mais adequada. Em inglês, o termo friendly tem múltiplos usos. Nem todos podem ser traduzidos por amigável. Veja alguns exemplos:

Interligne vertical 16 3Kbfriendly person
pessoa gentil, pessoa simpática

friendly hotel
hotel acolhedor

friendly countries
países amigos

friendly place
lugar agradável

friendly warning
conselho de amigo

friendly conversation
conversa amistosa

friendly fire
fogo amigo

friendly smile
sorriso cordial

friendly society
sociedade mútua

friendly match
jogo amistoso

become friendly with
travar amizade com

friendly face
rosto conhecido

remain on friendly terms
ficar em bons termos

to be friendly to somebody
mostrar-se amável com alguém

E na informática, como é que fica? Eu traduziria por amistoso. No limite, que se use amical – termo raro mas elegante. Prefiro reservar o adjetivo amigável para litígios judiciais.

Símbolos horizontais

José Horta Manzano

SOSDesde antes de inventar a escrita, o homem procurou deixar marca de sua passagem. Escreveu na pedra, na madeira, na argila, na areia, no papel, no bronze, na natureza.

Deixar marcas no chão, que só poderiam ser vistas do alto, fazia pouco sentido antes do advento de balões, aviões & conexos. Hoje a coisa mudou.

Estes dias, voando atrás de sequestradores, a Polícia Civil de Santa Catarina surpreendeu – e fotografou – uma piscina residencial cujo revestimento reproduz o desenho de uma inquietante suástica, de triste memória.

Foto divulgada pela Polícia Civil de Santa Catarina

Foto divulgada pela Polícia Civil de Santa Catarina

Desconheço a legislação, mas acredito que, no Brasil, o fato de ostentar uma cruz gamada no exterior de sua residência não constitua crime. Na Alemanha, levaria o responsável ao calabouço. Rapidinho.

Ocorreram-me dois outros casos de mensagem desenhada no solo, casos que fizeram história.

O primeiro deles aconteceu faz meio milênio. Foi quando José de Anchieta, religioso espanhol de origem judia aportado à Capitania de São Vicente nos idos de 1553, escreveu seu Poema à Virgem. Riscou-o nas areias de Iperoig (atual Ubatuba, Estado de São Paulo). O padre poeta tinha sido tomado como refém por uma tribo autóctone e encontrava-se em cativeiro. Diríamos hoje que estava no regime semiaberto.

Padre Anchieta escrevendo seu Poema à Virgem by Benedito Calixto (1853-1927)

Padre Anchieta escrevendo seu Poema à Virgem
by Benedito Calixto (1853-1927)

O primeiro registro da composição teve exata duração de uma maré. As águas atlânticas se encarregaram de apagar a obra. Seus 4712 versos só chegaram até nós por façanha da extraordinária memória de Anchieta. Uma vez liberto, ele reescreveu a poesia.

O caso catarinense lembrou-me também – que remédio? – outro episódio bem mais recente e bem menos glamoroso. O distinto leitor há de se lembrar da estrela vermelha que a esposa do então presidente mandou plantar nos jardins do Palácio da Alvorada. Mostrando, já naquela época, o sinal distintivo do partido do marido – o «nós contra eles» –, não hesitou em marcar a sede do Executivo de todos os brasileiros com o símbolo do «nós».

Estrela Alvorada«Nós», que chegamos lá. «Nós», que ganhamos. «Nós», que mandamos. Pareceu natural a todos eles. Não foi senão na sequência de clamor popular – e bem a contragosto – que desmancharam o «enfeite» plantado no jardim da sede do Poder brasileiro. Poder que emana do povo, lembre-se.

Foto de 2011

Foto de 2011

Anos mais tarde, repetiu-se a dose. Só que, desta vez, nos jardins da Granja do Torto, outra residência oficial do chefe do Executivo. O nome da granja, por falar, combina com seus atuais ocupantes. Pau que nasce torto não tem jeito: morre torto.

Interligne 18bEm tempo
O poema de Anchieta ainda está aí, à disposição do leitor. Ainda que não possa ser incluído entre as obras-primas da poesia de todos os tempos, continua comovente pela pureza e pela singeleza de suas estrofes. Já o «nós contra eles», visivelmente na contramão da História, tem prazo de validade efêmero. Mais dia, menos dia, será varrido pela maré. Ou por um tsunami.

Calote diplomático

José Horta Manzano

Dinheiro não é extensível. Puxa daqui, espicha dali, subtrai dacolá, um dia não sobra mais nem pro gasto.

Quem pode mais chora menos. Nossos medalhões – e o ‘petrolão’ está aí para não me deixar mentir – se servem primeiro. Do que sobra, jogam as devidas migalhas àqueles que garantem, com seu voto, a continuidade do sistema. Por fim, o País que se contente com o que restar.

As necessidades são muitas e a verba, curta. Os que gritarem mais alto serão os primeiros a receber atenção. O dinheiro costuma ir para obras que apareçam, que façam efeito imediato e rendam votos. Tudo o que for menos visível – infraestrutura, educação, diplomacia – vai sendo empurrado com a barriga.

Unesco – Escritório de Brasília      Foto: Andréia Bohner

Unesco – Escritório de Brasília                       Foto: Andréia Bohner

Unesco é acrônimo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. O Brasil é membro fundador. Educação? Ciência? Cultura? Quá… Esses conceitos estão a anos-luz das prioridades nacionais. Se, algum dia, fizeram parte de nossas preocupações, hoje os tempos são outros. Cultura? Francamente, não. Não combina com nosso governo popular.

Mais corajoso seria se nossas autoridades tirassem o Brasil da Unesco. Pelo menos, estariam assumindo que o Estado brasileiro não está nem um pouco interessado em assuntos de educação, ciência ou cultura. Causaria espanto, mas seria atitude honesta, clara e cristalina. Passaríamos por atrasados, mas não por caloteiros.

Nossos dirigentes preferiram outra estrada. O Brasil continua entre os 195 membros do clube, mas não paga as mensalidades. O calote, segundo investigação do Estadão, ultrapassa 35 milhões de reais e nos classifica como segundo maior devedor da organização.

Os EUA são o maior devedor, mas lá o problema é outro. Em litígio com a Unesco, Washington suspendeu o pagamento. É um protesto, uma queda de braço. Nossa situação é diferente. O não pagamento brasileiro não decorre de nenhum conflito: é calote no duro.

Não chegarei a fazer um apelo ao partido que domina nossa política para pedir-lhe que organize uma vaquinha para nos livrar da vergonha internacional. Eles hão de estar gastando muito com advogados estes últimos tempos.

Embaixada do Brasil em Bridgetown, Barbados

Embaixada do Brasil em Bridgetown, Barbados

Mas não custa fazer uma sugestão ao Itamaraty. Que tal fechar algumas embaixadas inúteis, verdadeiros sorvedouros de dinheiro público? Como já mencionei em meu artigo É do Caribe, de 17 out° 2014, o Brasil mantém embaixadas de interesse duvidoso em países exóticos tais como Santa Lúcia, Antigua e Barbuda, Granada, São Cristóvão e Nevis, Barbados, Coreia do Norte.

Sugiro que se fechem essas instalações caras e inúteis e que se quite a dívida para com a Unesco. O almejado ‘prestígio’ propiciado por meia dúzia de embaixadas desnecessárias não cobre a vergonha de ser caloteiro internacional.

O céu de papel laminado

Priscila Ferraz (*)

Naquele tempo, não me causava estranheza um céu noturno com nuvens tão brancas. Eu ficava ali por o que eu achava que eram horas, mas as crianças não têm paciência para contemplar nada por mais do que alguns segundos.

Céu estreladoLembro-me do tempo em que eu ainda era criança, e o mundo, muito diferente. Encantava-me o pequeno presépio que minha mãe montava na nossa garagem para somente um carro. Colocava uma mesa debaixo do vão da escada, que formava um meio arco embaixo do qual colava papel laminado azul-celeste. Era nosso céu particular. Colava, sobre esse azul, estrelas de papelão com purpurina prateada e alguns chumaços de algodão à guisa de nuvens.

As figuras sacras e alguns complementos, ainda guardo com carinho de canceriana, e ano após ano vou tentando recuperar um telhado de palha, a forração da manjedoura, a pintura no nariz de São José, uma perninha quebrada do burro ou o chifre da vaquinha que compartilhavam o celeiro onde nasceu o homem mais conhecido da história.

O anjo da Anunciação mais o cometa, também de purpurina, dividiam o espaço que simbolizava o infinito, tão circunscrito ao pequeno vão de escada.

SP antigo 1Num tempo em que televisões ainda não habitavam cada lar brasileiro, as pessoas da vizinhança vinham ver nosso presépio, que ficava aberto à visitação. Meu pai tinha uma firma de instalações elétricas, e o Sr. Alcides, seu eletricista e padrinho de minha irmã, vinha fazer a iluminação das casinhas. A porta da garagem ficava escancarada, e qualquer passante era convidado a entrar em nosso lar para apreciar aquela belezura.

Outros tempos.

Sobre a mesa, mamãe colocava areia e papel-pedra simulando a paisagem de um distante Oriente. Ali pastavam cabras e vacas, e ciscavam galinhas com seus minúsculos pintainhos, que saíam dos jornais que os embalavam durante um ano inteiro para a alegria das três meninas da casa.

Durante um tempo, era colocada uma pequena vasilha que recebia moedas, não sei bem qual seria o intuito. Presente para o Menino Jesus?

PresépioTinha também um espelho simulando um lago onde ficavam patos e cisnes, e uma carrocinha puxada por um cavalo e dirigida por um infeliz que era, ano após ano, empalado num prego para que não caísse.

Motivo de discórdia eram os três reis magos, que deveriam chegar no Dia de Reis para a entrega dos presentes. Uma de minhas irmãs, a mais ansiosa, todos os dias empurrava-os para mais perto. Resultado: muito antes do Natal já estavam aos pés de Santa Maria com a mirra (o que seria isso?), o incenso (e isso?), e acho que o outro levava joias. Aí começava a discussão, que não raras vezes terminava em empurrões e choro, com direito a sermão da mãe:

“Onde já se viu? Duas irmãs brigando bem na frente de Jesus. Este ano Papai Noel não vem.”

Mais choro.

A decoração de Natal nos dias de hoje começa cada vez mais cedo, e já vejo o dia em que logo após a fogueira de São João entrarão as luzinhas de Natal.

Céu estreladoJá na nossa casa, com a chegada dos netos e sobrinhos, fica muito mais divertido montar aquele velho presépio, agora dentro de minha lareira com céu de veludo e luzinhas simbolizando estrelas. O que se passará na cabecinha deles? Será que também ficarão embasbacados? Não acredito.

Na era dos tablets e smartphones, é difícil encantá-los com meus bonequinhos descascados.

(*) Priscila Ferraz é escritora
www.kbrdigital.com.br/blog/category/priscila-ferraz/

Para multimilionários

José Horta Manzano

Há, na Suíça, um punhado de «exilados fiscais». São multimilionários estrangeiros que residem oficialmente no país e que gozam de estatuto fiscal especial. O trato estipula que não podem exercer atividade remunerada em território nacional. Assim procedendo, não pagam imposto sobre ganhos auferidos no exterior.

Em contrapartida, pagam um «imposto sobre despesas» – um montante fixo, calculado sobre os gastos do estrangeiro. Cada caso varia, mas, em geral, o imposto corresponde a cinco a sete vezes o valor do aluguel. Se o exilado vive em casa própria, toma-se por base o valor locativo teórico do imóvel.

Não há muita gente nessa categoria de contribuintes: no país inteiro, são cerca de 5500 indivíduos. Dada a voracidade do fisco francês, um terço dos exilados vêm daquele país.

Mansão de Schumacher, à beira do Lago Léman, Suíça

Mansão de Schumacher, à beira do Lago Léman, Suíça

Atenção, não estamos falando de fundos de ditadores africanos! Nem de dinheiro sujo oriundo de tráfico, corrupção ou propina! Os principais beneficiários do estatuto vêm do mundo do esporte e do espetáculo, gente que ganha a vida com seu trabalho. Charles Aznavour, Alain Prost, Alain Delon, Roman Polanski, Michael Schumacher são alguns deles.

O imposto total arrecadado desses cidadãos atingiu, em 2012, setecentos milhões de francos suiços (mais de 2 bilhões de reais), montante considerável, pra ninguém cuspir em cima.

Alguns suíços acham injusto que seja permitido, a esses privilegiados, fugir à tributação de seu país de origem, enquanto a massa da população local não tem como escapar. Na Suíça, como no resto do mundo, cidadão comum é obrigado a pagar imposto sobre todos os seus rendimentos. Sem direito a reclamar.

Faz alguns anos, o PS (Partido Socialista) lançou colheita de assinaturas para forçar um plebiscito sobre o assunto. Reclamavam da injustiça embutida nessa desigualdade de tratamento e pleiteavam a abolição do estatuto especial. As autoridades fiscais não apreciaram muito a ideia. Consideram – com razão – que o elevado montante proveniente dos privilegiados é pra lá de bem-vindo.

Resultado do plebiscito suíço de 30 nov° 2014 – Por cantão

Plebiscito suíço de 30 nov° 2014   –   Resultados por cantão

No entanto, o número necessário de assinaturas foi alcançado dentro do prazo estipulado. Conforme reza a Constituição, marcou-se a data do plebiscito. Foi neste 30 nov° 2014. Para desencanto dos autores da petição – e para alegria das autoridades fiscais – o povo rejeitou a abolição da peculiaridade fiscal helvética. Uma maioria de 59% dos cidadãos entendeu que, se injustiça houver, ela não fere o cidadão suíço.

De toda maneira, se o estatuto atual fosse abolido, o mais provável é que os ricaços fossem embora. Sacumé, sempre haverá algum país pronto a acolhê-los de braços abertos. Portanto, a Suíça perderia importante fonte de renda sem que justiça fosse feita.

No fundo acredito que, por detrás da luta contra uma hipotética «injustiça fiscal», se escondia uma tremenda inveja, isso sim. Na minha opinião, a decisão do povo suiço foi sensata.

Frase do dia — 214

«Com apenas 9% da população mundial, a América Latina responde por 30% dos homicídios, segundo o Banco Mundial. Das 50 cidades mais violentas do planeta, 42 são latino-americanas. Pior para as mulheres. Das 25 nações onde elas mais morrem assassinadas, 14 ficam na América Latina, segundo a ONU.»

Mac Margolis, em sua coluna do Estadão, 30 nov° 2014.

Governo, que governo?

Dad Squarisi (*)

Há governos e governos. Democracia é o governo do povo. Teocracia, governo de religiosos. Plutocracia, governo de ricos. Cleptocracia, governo de ladrões. Na língua de Platão e Aristóteles, demos quer dizer povo. Daí democracia. Teo, Deus. Dele se formou teocracia. Os mais curiosos são os dois últimos.

Plutão e Cérbero, seu cão de três cabeças

Plutão e Cérbero, seu cão de três cabeças

Plutocracia
Plutocracia vem de Plutão. Na mitologia romana, Plutão era o deus dos mortos e do mundo subterrâneo. (Equivalia a Hades, dos gregos.) Por que a associação à riqueza? Por duas razões. Uma: o ouro e a prata se extraem das minas. A outra: para entrar no mundo dos mortos, os cadáveres precisavam pagar pedágio. A família, então, punha uma moeda sob a língua de cada morto. Já imaginou a riqueza acumulada?

Clepsidra

Cleptocracia
Clepsidra vem do grego klepsydra. A sofisticada palavra dá nome aos primitivos relógios de água ou areia. Duas palavras a formam. Uma: clepto, que quer dizer roubar. A outra: hidra, que significa água.

A clepsidra deixa o seguinte recado aos mortais: o tempo não discrimina. Rouba a vida de pobres e ricos a cada gota d´água ou grãozinho de areia que sai do relógio.

Interligne 18b

(*) Dad Squarisi, formada pela UnB, é escritora. Tem especialização em linguística e mestrado em teoria da literatura. Edita o Blog da Dad.

Os poderosos

José Horta Manzano

Copacabana 5A Forbes publicou a lista de personalidades que, segundo seus critérios, são as mais influentes do ano.

Todos os primeiros 10 lugares da lista planetária são ocupados por governantes e personagens das finanças ou do mundo corporativo. É realmente gente que manda, gente que tem real poder.

Já na lista brasileira… a coisa é bem diferente. Entre os 20 primeiros, 9 são jogadores ou gente ligada ao futebol. Os demais são artistas ou pessoas ligadas ao espetáculo. Acrescente-se um autor de romances populares, um piloto de automóvel, uma supermodelo e a lista está completa.

Nenhum político e nenhum empreendedor. Faz sentido. A coisa vai e a coisa vem. Assim como o povo não significa grande coisa para os políticos – a não ser na hora da eleição, os políticos não representam grande coisa para os brasileiros.

A lista dos «poderosos» brasileiros é por demais eloquente: mostra que o ideal do brasileiro – futebol, novela, praia, gente bonita e pouca roupa – não é só um clichê.

Os dez mais poderosos no planeta:
1. Vladimir Putin      Presidente da Rússia
2. Barack Obama        Presidente dos EUA
3. Xi Jinping          Presidente da China
4. Papa Francisco      Chefe do Estado do Vaticano e da Igreja Católica
5. Angela Merkel       Primeira-ministra da Alemanha
6. Janet Yellen        Presidente do Banco Central Americano (FED)
7. Bill Gates          Fundador da Microsoft
8. Mario Draghi        Presidente do Banco Central Europeu
9. S. Brin & L. Page   Dirigentes do Google
10. David Cameron      Primeiro-ministro britânico

Coqueiro 1Os vinte mais poderosos do Brasil:
1. Neymar
2. David Luiz
3. Paulo Coelho
4. Ivete Sangalo
5. Gisele Bündchen
6. Daniel Alves
7. Pelé
8. Roberto Carlos
9. Caetano Veloso
10. Luciano Huck
11. Kaká
12. Luis Felipe Scolari
13. Cláudia Leitte
14. Ronaldo Nazário
15. Gilberto Gil
16. Felipe Massa
17. Chico Buarque
18. Romário
19. Muricy Ramalho
20. Angélica

Cada povo prestigia os melhores. Ou não?

Fontes:
Forbes
Hugo Gloss

Falam de nós – 2

0-Falam de nósJosé Horta Manzano

Efeito colateral
A rádio estatal sueca – Sveriges Radio – ressalta que o escândalo de corrupção e roubalheira na Petrobrás tem respingado até na beira do Polo Norte. Um espanto!

O fato é que a Skanska, gigantesca empreiteira escandinava, está consorciada com outras empresas em pelo menos quatro grandes projetos em território brasileiro: Gasoduto Urucu-Manaus, Propylene Repar (Araucária), Gasoduto Cabiúnas-Vitória, Refinaria Presidente Bernardes (Cubatão).

Entre os sócios, estão as empresas Engevix, Camargo Correa e Toyo Setal, envolvidas no astronômico assalto. Daí o salpico em terras nórdicas.

Como é hábito em nossa terra, poderão sempre alegar que não sabiam de nada. Costuma funcionar.

Interligne 28a

Racismo 2

Embates raciais
Jornais estrangeiros compararam as escaramuças ocorridas estes dias em Ferguson (Missouri, EUA) com a crônica violência policial a que se assiste no Brasil dia sim, outro também.

Coincidentemente, o artigo de Mac Margolis (Bloomberg View, em inglês) e o de Tjerk Brühwiller (Neue Zürcher Zeitung, em alemão) ostentam praticamente o mesmo título: «Há um Ferguson por dia no Brasil».

Ambos ressaltam o fato de a violência policial brasileira, estatisticamente mais contundente, passar praticamente em branco na mídia planetária.

Interligne 28aMinistro da Fazenda
Praticamente toda a mídia mundial noticiou a nomeação dos futuros comandantes da economia brasileira. Ressaltam que a situação está crítica e que a nova equipe é considerada capaz de desfazer o nó. Aqui, no alemão Handelsblatt e no francês 20minutes.

Interligne 28aPelé 1Pelé doente
Muito comentada também a internação de Pelé. O profissional aposentado mantém intacto seu prestígio além-fronteiras.

Outros jogadores famosos houve, como Di Stefano, Johan Cruyff, Franz Beckenbauer, Michel Platini, mas o mítico Edson Arantes do Nascimento – que o mundo conhece de boca fechada – ainda aparece por cima da carne-seca.

Aqui, no britânico Daily Mirror.

Interligne 28aTemporal
O portal italiano TGCom24, de estilo marcadamente sensacionalista, volta sua atenção para o temporal que se abateu sobre a cidade de São Paulo.

Interligne 28aDinheiro lavagemLavado e passado
Sob o título «El juez que hace temblar a los corruptos de Brasil», o espanhol El País destaca a atitude inusitada de Sergio Moro, e reverencia sua coragem de enfrentar poderosos ao investigar sobre «un lavado de dinero».

Até a mídia estrangeira mostra-se surpresa com o andamento desta versão tupiniquim da italiana Õperação Mãos Limpas, levada a cabo alguns anos atrás.

Interligne 28aCobra que fumaCoquetel mortal
Cocaína com veneno de cobra coral? Pois a novidade acaba de penetrar em território nacional, segundo reportagem do espanhol El Mundo.

Vem entrando pela extensa linha fronteiriça em que o Brasil linda com o Uruguai. O intuito dos produtores é aumentar o potencial de adicção, mas o resultado pode ser desastroso. Usuários temerários ou mal informados estão pondo em risco a própria vida.

Interligne 28a

Os juros

José Horta Manzano

Estatísticas 9Nos últimos doze meses, os juros cobrados do brasileiro que ousar pedir socorro ao cheque dito «especial» subiram 43,3%. Atenção: esse foi só o aumento. O juro anual atinge agora estratosféricos 187,8%, nível mais elevado dos últimos quinze anos.

Em miúdos: quem tomar hoje algum dinheiro emprestado, daqui a um ano estará devendo praticamente o triplo! Quando se leva em conta que a inflação oficial deste ano ficou abaixo de 7%, como explicar aumento de mais de quarenta porcento nas taxas de crédito?

Estatísticas 7Vamos ver como funcionam as coisas deste lado do planeta. Na Suíça, faz já 20 anos que cheques viraram peça de museu – desapareceram de circulação. O equivalente do cheque «especial» brasileiro chama-se, aqui, crédito ao consumo. Diferencia-se do crédito hipotecário pela solidez da garantia apresentada pelo tomador do empréstimo.

No crédito hipotecário, o cliente oferece em garantia um objeto de valor igual ou superior ao do empréstimo. O mais das vezes, esse objeto é um imóvel. Em vista da robusta caução, o banco oferece juros bem camaradas. Atualmente, as taxas andam pela casa dos 2,5% ao ano.

Já o crédito ao consumo é concedido pelos bancos depois de uma conversinha com o gerente. É considerado empréstimo de alto risco, dado que o reembolso é garantido unicamente pelo salário do cliente. As taxas de juro sobem vertiginosamente. Variam de 10% a 14% ao ano. Sim, senhor, ao ano.

A variação prende-se à solvabilidade do cliente. Quanto mais sólido for seu perfil financeiro – estabilidade no emprego, salário elevado, ficha limpa –, mais baixa será a taxa. Quem fizer a tramitação por internet, sem incomodar o gerente, ainda tem direito a 20% de desconto. Essas taxas valem para empréstimos pessoais de 1.000 a 80.000 francos (3.000 a 220.000 reais).

Estatísticas 8Ah, tem mais. Banqueiro suíço não está acostumado a perder dinheiro nem a fazer obra de benemerência. Portanto, as taxas que cobram hão de ser suficientes para manter Rolls-Royces e mordomos. Por que, diabos, persiste essa brutal diferença entre as taxas decentes cobradas em países civilizados e o esbulho usurário embolsado pelos banqueiros tupiniquins? Como disse? Algo está drasticamente errado no Brasil? Parece. E não é de hoje.

Estatísticas 1A jurisprudência brasileira tende a reprimir a agiotagem, desde que não tenha sido praticada por instituição financeira. Ora vejam só… O banco tem toda liberdade de nos extorquir, sem risco, a quantia que bem lhe aprouver. Se nós, mortais comuns, ousássemos emprestar ao vizinho nas mesmas condições, passaríamos uma temporada no calabouço.

Há de ser por isso que se vê sorriso largo e permanente estampado no rosto dos banqueiros da abençoada Terra de Santa Cruz.

Frase do dia — 213

«A senadora Kátia Abreu, indicada para o ministério da Agricultura, em 2007 foi relatora da proposta de derrubada da CPMF na Comissão de Constituição e Justiça.

O fim do imposto do cheque foi a maior derrota do governo Lula, usada na campanha de reeleição de Dilma para acusar Marina Silva e Aécio Neves de terem contribuído para ‘retirar recursos da saúde’.»

Dora Kramer, em sua coluna no Estadão de 26 nov° 2014, ao apontar a memória seletiva que reina no andar de cima.

Uma relação de amor e ódio

Myrthes Suplicy Vieira (*)

Geladeira 1A minha relação pessoal com a tecnologia sempre foi difícil e delicada. Para mim, ela atua conceitualmente como uma espécie de crack: tem um poder altamente viciante – ou aditivo, como prefere a linguagem médica contemporânea – desde as primeiras experiências de uso e também provoca significativas crises de abstinência quando o acesso a ela é cortado por alguma razão. Talvez por esses motivos ela encontre em mim forte resistência.

Mesmo sem conhecer muita coisa sobre neurologia, posso apostar que ela estimula nosso cérebro a liberar substâncias aparentadas com a endorfina – ou adrenalina – induzindo-nos a recorrer à nossa capacidade de autossuperação.

Outra característica que me incomoda sobremaneira na tecnologia é seu caráter impositivo. Certa vez me deparei com um artigo no qual o autor estabelecia uma analogia entre os computadores e o Deus cristão do Velho Testamento: autoritário, irascível, ancorado em decálogos e perseguidor cruel de todo aquele que ouse não observar estritamente seus comandos. É mais ou menos o que sinto neste momento, tentando dominar a linguagem mais complexa de meu novo computador. Eu, que já estava gostosamente curtindo minha zona de conforto, sou agora agressivamente forçada a mudar, evoluir.

ComputadorTudo o que eu queria com essa nova geringonça era não ter de enfrentar mais problemas com navegadores velhos, poder abrir arquivos embalados na roupagem .docx e ganhar mais agilidade para compor meus textos. O que ganhei foi humilhação, depressão, perda de autoestima. Envergonhada com minhas limitações intelectuais para lidar com a nova máquina, pedi ajuda a um sobrinho mais afeito à informática. Ele trouxe com ele a filha de apenas 7 anos de idade que, num segundo, assumiu o controle do mouse e me mostrou todas as opções de que eu dispunha para resolver meus problemas. Me dei conta, naquele instante, de que a informática é a arma das novas gerações para se vingar de seus ancestrais. Non ducor, duco.

Brasão SPNão foi a primeira vez que a tecnologia me deu um baile. Foi assim também com o microondas (que não tenho até hoje), com o refrigerador frost free e com o celular. Quando finalmente cedo à tentação de incorporar ao meu cotidiano um desses novos gadgets, encontro sempre mil motivos para criticar o sistema operacional e fico resmungando pelos cantos que antes tudo era melhor, mais fácil.

Não tenho disposição para penetrar nos labirintos idiomáticos dos manuais de instruções, não consigo decodificar a terminologia e não consigo me deixar levar pelo prazer da exploração e da descoberta. Como um burro empacado, limito-me a desligar o aparelho e acionar um técnico especializado, pedindo-lhe que traduza a solução buscada para uma linguagem que uma criança de 2 anos possa entender. Somente quando, depois de muitas tentativas e erros, começo a vislumbrar uma luz no final do túnel, encontro dentro de mim a força necessária para desbravar novos territórios. E aí já é hora de adquirir um novo modelo e recomeçar as batalhas inglórias do zero.

Porta automatica 1Lembro, estarrecida, de experiências mais antigas, da época da minha adolescência e início da vida adulta. O horrível constrangimento que experimentei com a primeira porta automática num aeroporto internacional, quando estendi o braço e me inclinei para a frente na tentativa de empurrá-la e fui de cara ao chão, com malas e bagagens. O pasmo com a ociosidade de todo o departamento contábil da empresa multinacional na qual trabalhava simplesmente porque a luz acabou subitamente. O assombro sem fim com a notícia de que um avião havia caído na floresta amazônica apenas porque o piloto digitara o código errado no computador de bordo e ignorara os alertas de um dos passageiros, nativo da região e mateiro por profissão, voando em círculos por horas até acabar o combustível.

Não faltam exemplos acabrunhantes da dependência irracional que as máquinas provocam, mas dou-me por satisfeita com estes. Dou por demonstrado que a tecnologia emburrece, fazendo-nos desacreditar da eficácia de nossos recursos instintivos de sobrevivência.

(*) Myrthes Suplicy Vieira é psicóloga, escritora e tradutora.

Dinheiro de volta

José Horta Manzano

Banco 2Por artigo do Estadão, fico sabendo do embarque, segunda-feira 24 nov°, de procuradores da República. Vêm à Suíça com a missão de agilizar (sic) o confisco de 23 milhões de dólares atualmente depositados em nome de antigo diretor da Petrobrás – justamente aquele que, preso, virou dedo-duro pra salvar a própria pele.

Traduzindo em miúdos, os emissários brasileiros vieram encontrar-se com autoridades suíças para dar uma apressadinha no procedimento de recuperação de alguns milhões roubados – uma merreca perto do total do saqueio.

Fondue suíça

Fondue suíça

De passagem, os visitantes podem até aproveitar para apreciar uma fondue, que a temperatura deste fim de outono já convida à degustação da rústica e robusta especialidade alpina.

Torço para que a intervenção pessoal de procuradores brasileiros seja coroada de sucesso. Permita-me, no entanto, o distinto leitor guardar um pé atrás. Tenho cá minhas dúvidas.

Repatriamento de dinheiro não é mera formalidade. Ponha-se no lugar do banco. Um dia, um cavalheiro lá chegou, abriu uma conta, fez depósitos. Anos mais tarde, chegam autoridades estrangeiras. Vêm recuperar os fundos alegando que o titular da conta está na cadeia.

Dinheiro voadorSeria muito fácil, mas a coisa não funciona bem assim. E não são eventuais tapinhas amistosos que nossos procuradores possam dar nas costas de circunspectos suiços que vão resolver o problema. Há caminhos ortodoxos traçados para casos como este. Suíços costumam respeitar padrões rigorosos de procedimento.

Como ter certeza de que a confissão do encarcerado não foi obtida sob coação ou, pior, sob tortura? A polícia brasileira não é conhecida por seus métodos suaves. A culpabilidade do acusado, que pode parecer óbvia para o público brasileiro, não é tão evidente para autoridades estrangeiras.

Em rigor, a visita dos representantes do Ministério Público brasileiro não seria necessária. Representantes diplomáticos e advogados especialistas estão aí exatamente para isso. Em tempos de internet e de videoconferência, encontros pessoais, em casos como este aqui, tornaram-se supérfluos.

Berna, capital federal suíça

Berna, capital federal suíça

Um detalhe, no finzinho da reportagem do Estadão, me deixa perplexo. Diz lá que o dinheiro repatriado será depositado em favor da União. Dito assim, parece patriótico e justo. Mas, pensando bem, a firma lesada foi a Petrobrás, não? O que é que dá à União o direito de se apossar de dinheiro roubado de uma sociedade anônima?

Tenha-se em mente que uma parte do capital da Petrobrás está pulverizado entre milhares de pequenos acionistas. Se o dinheiro for parar nos cofres da União, será como se a Petrobrás estivesse sendo roubada pela segunda vez. Muito estranho.

Pensando bem – 5

José Horta Manzano

0-Pensando bem

Subornar não é difícil
Inda mais um medalhão.
Estão sempre sorridentes
E já estendem logo a mão.

 Quando acabam descobertos,
Dizem que é tudo maldade.
Juram sempre ter vivido
Na mais pura honestidade.

 Mostram logo seus extratos
Dizem que não têm cobiça.
Olhe aqui: do Itaú,
E este aqui, do Santander!
Só não tiram do baú
Os extratos da Suíça.

Interligne 18b

Versinhos inspirados na reação indignada de figurões acusados de se terem deixado corromper. Alguém imagina que propina seja paga com cheque? Ou contra recibo assinado com firma reconhecida?

Dinheiro de origem inconfessa costuma circular em bolsos, bolsas, pastas e malas. Estes últimos anos, até dentro de bíblias e de cuecas.

Tem gente que não tem medo do ridículo.

Frase do dia — 212

«A Justiça brasileira, com todas as deficiências de que padece, tem um enorme crédito depois que decretou o fim da impunidade dos poderosos com o julgamento do mensalão. Não há razão, portanto, para temer que não cumpra seu papel no julgamento deste que é, sem dúvida, o maior escândalo político da história deste país.»

Editorial do Estadão, 23 nov° 2014.

Nunca antes

Priscila Ferraz (*)

Recordo-me muito bem de quando ainda estava criando meus filhos, tendo em mente um mundo ideal. Fazia questão de preencher aquele pequeno milagre que é o cérebro das crianças – um infinito de possibilidades – com aquilo que eu considerava correto e ético.

by Doru Axinte, desenhista romeno

by Doru Axinte, desenhista romeno

Quantas vezes os ouvi dizer: “Mamãe, mas todo mundo faz”, ou “sempre foi assim”.

Eu vinha com aquela célebre frase das mães: “Isso não é motivo para fazer errado. Se um amigo seu se atirar da ponte, você vai atrás?”

Gostaria de passar esse mesmo sermão àqueles que hoje, em sua defesa, nada mais têm senão algo como: “Não somos os únicos. Não somos os primeiros, antes de nós outros faziam.”

E daí? Só porque crucificaram Jesus, vamos crucificar alguém? Só porque se caçavam negros na África para escravizá-los, vamos fazer o mesmo? Só porque um louco resolveu exterminar toda uma raça, alegando que não eram satisfatórios, vamos encaminhar nossos irmãos para incineração?

Irmãos Metralha 1O que está em pauta é o que está acontecendo agora. Se ainda houver chances de punir malfeitos antigos, que se faça, mas com certeza temos de punir os crimes que estão sendo cometidos agora, se não, com que cara enfrento meus filhos? O que direi para meus netos? Com certeza, farei o mesmo sermão que fiz há tempos para minha prole, pois sou responsável por mim mesma. Não permitirei que façam de mim uma pessoa pior, tentando me igualar a eles.

by Dereck Bruno Lopes Teixeira, desenhista piauiense

by Dereck Bruno Lopes Teixeira, desenhista piauiense

Só podemos constatar que, isso sim, nunca antes na história deste país, quiçá do mundo, houve tanta corrupção dentro de um governo. Nunca antes teve tanta gente envolvida em crimes contra a população que um dia resolveu sufragar os políticos que hoje dirigem(?) nosso país.

Corrupção mata quando não destina verbas para a segurança e a saúde; leva à ignorância quando desviada da educação. O dinheiro que hoje enriquece os políticos e seus partidos, na intenção de perpetuá-los no poder, é do povo brasileiro.

Os corruptores já estão começando a ser julgados. Entretanto, os corruptos ou subornados – pois é isso que são, já que, sem propina, não se trabalha para o governo – são os que eu mais desejo ver no xilindró.

Algemas 1Dentre nossas instituições, hoje vejo a Policia Federal funcionando como nunca antes. Estão fazendo seu trabalho. Tenho esperança de que a justiça também faça o seu, pois serão lembrados por seus atos. Observe-se que notas de pesar nas redes sociais a respeito da morte de determinado ex-ministro receberam inúmeros comentários de ódio e raiva por ter ele liberado tantos criminosos das grades. Terá que trilhar um árduo caminho em busca de paz e descanso.

Nunca antes em minha vida desejei tanto ver a justiça triunfar.

(*) Priscila Ferraz é escritora
www.kbrdigital.com.br/blog/category/priscila-ferraz/

Frase do dia — 211

«Ninguém está acima da lei. É esta a primeira base de qualquer sociedade livre. A prisão de um indivíduo poderoso, seja ele banqueiro ou político, é um momento de força da sociedade.

Quando não há escândalos é que as coisas estão mal. Uma sociedade livre define-se pela abundância de escândalos – as ditaduras é que não os têm.»

Henrique Raposo, cronista do periódico luso Expresso, ao comentar a prisão de José Sócrates por suspeita de fraude fiscal. Sócrates foi primeiro-ministro de Portugal de 2005 a 2011.

Para o Brasil de novembro de 2014, a frase cai como luva.

Urna eletrônica na França

José Horta Manzano

Faz anos que dois grandes partidos condividem a cena política francesa: UMP (direita) e PS (esquerda). É verdade que o atual marasmo econômico alavancou um terceiro ator, a Frente Nacional, partido de extrema-direita, que se vale de métodos populistas. Sua ascensão vem assustando muita gente.

Daqui a oito dias, os afiliados à UMP (União por um Movimento Popular) votarão para eleger o presidente do partido. O voto será eletrônico, método praticamente desconhecido na França.

Vozes já se alevantam dentro da agremiação para denunciar a alta periculosidade do sistema. Muitos veem, no voto eletrônico, risco grande de fraude, de pirataria cibernética, de sobrecarga e falha na consolidação de dados.

UMPNo entourage de Nicolas Sarkozy – antigo presidente da República e atual candidato a dirigir o partido – estão os que mais desconfiam do sistema. Na França, cargo de presidente de partido político é trampolim excepcional para projetar-se e atingir esferas mais altas.

François Mitterrand, antes de ser eleito ao posto máximo da República, tinha sido presidente de partido. O mesmo aconteceu com Jacques Chirac e com François Hollande. Daí a preocupação de Nicolas Sarkozy. Conquistar o cargo de presidente da UMP é, para ele, de capital importância.

François Hollande, que preside o país atualmente, anda amargando índice de popularidade próximo de zero. Assim como no Brasil já se ensaiou um tímido «Volta, Lula!», na França também começa a se elevar um «Retourne, Sarkô!».

Pode até ser que dê certo. Com duas condições: se o voto eletrônico da semana que vem não atrapalhar; e se, mais adiante, a Frente Nacional não melar o jogo. De todo modo, ainda faltam dois anos e meio para a eleição presidencial.

Como se vê, desconfiança com voto eletrônico não é exclusividade nossa.