TV Brasil Internacional

José Horta Manzano

Certas coisas são difíceis de compreender. Acabo de ler um artigo no Estadão que fala do projeto de recriação da TV Brasil Internacional. A intenção é melhorar a imagem internacional do Brasil (leia-se: do governo brasileiro), embaçada pela maldosa mídia comunista internacional, que não pára de inventar ruindades e inverdades.

Privatização
O artigo informa que a EBC (conglomerado que abrange a TV Brasil) está na lista, preparada pelo governo Bolsonaro, de estatais a privatizar. Por minha parte, acho excelente a ideia de vender estatais ineficientes e deficitárias, só me pergunto quem é que vai querer comprar empresa ineficiente e deficitária.

Bom, estou me desviando do assunto. Não sei se a EBC faz parte das ineficientes, mas sei que ela é uma estatal que controla diversas mídias públicas. Mídias públicas não são financiadas por publicidade mas pelo dinheiro dos impostos.

Não entendo como é que essa empresa pôde entrar na lista das privatizáveis. Na hipótese de ser posta à venda, é bem capaz de surgir algum maluco disposto a comprar. Uma vez vendida, perderá o financiamento público (senão, não faria sentido vender). Não mais financiada com nosso dinheiro, terá de se sustentar com propaganda. Se já não tem muita plateia sem anúncios, fico a imaginar quem serão os futuros aficionados dispostos a assistir a programas entrecortados por reclames de sabão em pó ou de remédio contra dor de cabeça.

Sem aumentar custos
Os gênios que estão por detrás dessa ideia de internacionalização da TV Brasil pretendem executar o projeto ‘sem aumento de custos para a emissora pública’. Seria bom se fosse realista.

Consultei o site da EBC. Ele é inteiramente escrito em língua pátria. Nem uma palavra de língua estrangeira – nem um suspiro de inglês macarrônico pra dar água na boca. Já escutei a Rádio MEC e a Rádio Nacional, braços do conglomerado. Só proseiam em versão tupiniquim não-legendada. Nunca assisti à TV Brasil; a não ser que eu esteja enganado, devem também transmitir em português, mais nada.

Agora conte-me, distinto leitor, como é possível “melhorar a imagem do Brasil no exterior” através de órgãos de mídia que não têm petrechos linguísticos pra se comunicar com esse “exterior”? Como é que se fará essa abertura para o mundo sem aumento de custos? Pretendem abrir contratação de pessoal voluntário? Onde está a mágica?

Confira como a mídia pública internacional se comunica

France 24, conglomerado de mídia pública francesa voltada para o exterior, transmite em francês e mais 3 línguas.

RT, conglomerado de mídia pública russa voltada para o exterior, transmite em russo e mais 5 línguas.

Xinhua, conglomerado de mídia pública chinesa voltada para o exterior, transmite em chinês e mais 8 línguas.

SWI, conglomerado de mídia pública suíça voltada para o exterior, transmite em alemão e mais 9 línguas.

SR, conglomerado de mídia pública sueca voltada para o exterior, transmite em sueco e mais 10 línguas.

NHK, conglomerado de mídia pública japonesa voltada para o exterior, transmite em japonês e mais 20 línguas.

DW, conglomerado de mídia pública alemã voltada para o exterior, transmite em alemão e mais 29 línguas.

BBC, conglomerado de mídia pública britânica voltada para o exterior, transmite em inglês e mais 33 línguas.

Nesse clube, nosso conglomerado monolíngue vai fazer papel de pé-descalço.

Melhor que novela

José Horta Manzano

Hoje eu ia contar algumas particularidades curiosas do exército suíço. Atropelado pelos acontecimentos pátrios, deixo para uma próxima vez.

Provando que realmente faz jus ao mais alto cargo da Câmara, senhor Cunha mostrou empatia com o anseio de 90% dos brasileiros e, magnânimo, abriu as portas para o processo de destituição de dona Dilma. Foi gesto louvável de desprendimento.

Aliás, fez-me lembrar o adágio «alegria de palhaço é ver o circo pegar fogo». Ao dar-se conta de que estava cercado por todos os lados – ilhado em seu universo de mentiras desmascaradas, abandonado pouco a pouco por gente com quem imaginava poder contar, ameaçado de perder o cargo, o mandato e a liberdade, com fortuna confiscada –, o deputado jogou a última ficha.

Dilma 15Doravante, sua única (tênue) esperança é ver a tempestade se transformar em forte furacão, daqueles que carregam tudo. Se não vier o tufão, nosso rancoroso presidente da Câmara tem pouca esperança de sair incólume.

Os mais antigos hão de se lembrar da novela Vale Tudo, exibida 25 anos atrás. O Brasil parou durante os capítulos finais, quando todos queriam saber quem tinha matado Odete Reutemann(*). Curiosamente, o intuito do autor da obra era abrir o debate sobre um problema de sociedade. «Até que ponto vale ser honesto no Brasil?» – era a questão de fundo. A resposta clara não veio até hoje.

Como o distinto leitor há de imaginar, a notícia do iminente processo de destituição da presidente repercutiu na mídia mundial. Dou aqui uma coletânea.

(*) Talvez para evitar erros de pronúncia, os responsáveis decidiram grafar Roitman no lugar do original Reutemann.

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Chamada de The Guardian, Inglaterra

Chamada de The Guardian, Inglaterra

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Chamada de Le Figaro, França

Chamada de Le Figaro, França

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Chamada de Der Spiegel, Alemanha

Chamada de Der Spiegel, Alemanha

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Chamada de La Nación, Argentina

Chamada de La Nación, Argentina

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Chamada de Digi24, Romênia

Chamada de Digi24, Romênia

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Chamada de El Periódico Internacional, Catalunha, Espanha

Chamada de El Periódico Internacional, Catalunha, Espanha

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Chamada de Sveriges Radio, Suécia

Chamada de Sveriges Radio, Suécia

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Chamada de De Volkskrant, Holanda

Chamada de De Volkskrant, Holanda

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Chamada de El País, Espanha

Chamada de El País, Espanha

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Chamada de TVN24, Polônia

Chamada de TVN24, Polônia

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Chamada de Corriere della Sera, Itália

Chamada de Corriere della Sera, Itália

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Chamada de Observador, Portugal

Chamada de Observador, Portugal

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Falam de nós – 2

0-Falam de nósJosé Horta Manzano

Efeito colateral
A rádio estatal sueca – Sveriges Radio – ressalta que o escândalo de corrupção e roubalheira na Petrobrás tem respingado até na beira do Polo Norte. Um espanto!

O fato é que a Skanska, gigantesca empreiteira escandinava, está consorciada com outras empresas em pelo menos quatro grandes projetos em território brasileiro: Gasoduto Urucu-Manaus, Propylene Repar (Araucária), Gasoduto Cabiúnas-Vitória, Refinaria Presidente Bernardes (Cubatão).

Entre os sócios, estão as empresas Engevix, Camargo Correa e Toyo Setal, envolvidas no astronômico assalto. Daí o salpico em terras nórdicas.

Como é hábito em nossa terra, poderão sempre alegar que não sabiam de nada. Costuma funcionar.

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Racismo 2

Embates raciais
Jornais estrangeiros compararam as escaramuças ocorridas estes dias em Ferguson (Missouri, EUA) com a crônica violência policial a que se assiste no Brasil dia sim, outro também.

Coincidentemente, o artigo de Mac Margolis (Bloomberg View, em inglês) e o de Tjerk Brühwiller (Neue Zürcher Zeitung, em alemão) ostentam praticamente o mesmo título: «Há um Ferguson por dia no Brasil».

Ambos ressaltam o fato de a violência policial brasileira, estatisticamente mais contundente, passar praticamente em branco na mídia planetária.

Interligne 28aMinistro da Fazenda
Praticamente toda a mídia mundial noticiou a nomeação dos futuros comandantes da economia brasileira. Ressaltam que a situação está crítica e que a nova equipe é considerada capaz de desfazer o nó. Aqui, no alemão Handelsblatt e no francês 20minutes.

Interligne 28aPelé 1Pelé doente
Muito comentada também a internação de Pelé. O profissional aposentado mantém intacto seu prestígio além-fronteiras.

Outros jogadores famosos houve, como Di Stefano, Johan Cruyff, Franz Beckenbauer, Michel Platini, mas o mítico Edson Arantes do Nascimento – que o mundo conhece de boca fechada – ainda aparece por cima da carne-seca.

Aqui, no britânico Daily Mirror.

Interligne 28aTemporal
O portal italiano TGCom24, de estilo marcadamente sensacionalista, volta sua atenção para o temporal que se abateu sobre a cidade de São Paulo.

Interligne 28aDinheiro lavagemLavado e passado
Sob o título «El juez que hace temblar a los corruptos de Brasil», o espanhol El País destaca a atitude inusitada de Sergio Moro, e reverencia sua coragem de enfrentar poderosos ao investigar sobre «un lavado de dinero».

Até a mídia estrangeira mostra-se surpresa com o andamento desta versão tupiniquim da italiana Õperação Mãos Limpas, levada a cabo alguns anos atrás.

Interligne 28aCobra que fumaCoquetel mortal
Cocaína com veneno de cobra coral? Pois a novidade acaba de penetrar em território nacional, segundo reportagem do espanhol El Mundo.

Vem entrando pela extensa linha fronteiriça em que o Brasil linda com o Uruguai. O intuito dos produtores é aumentar o potencial de adicção, mas o resultado pode ser desastroso. Usuários temerários ou mal informados estão pondo em risco a própria vida.

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