«A secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Regina Maria Filomena de Luca Miki, foi assaltada ontem à tarde (…)»
Felipe Souza e Josmar Josino in Folha de São Paulo, 12 ago 2013.
«A secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Regina Maria Filomena de Luca Miki, foi assaltada ontem à tarde (…)»
Felipe Souza e Josmar Josino in Folha de São Paulo, 12 ago 2013.
José Horta Manzano
A Noruega é uma monarquia parlamentar. O rei é chefe do Estado, com funções meramente simbólicas. Como a rainha da Inglaterra e outros monarcas modernos, o rei da Noruega não interfere na vida política. Representa a base, o cimento que mantém a sociedade unida. Os políticos vêm e vão, dependem de confirmação periódica pelo voto. No final, acabam passando. Já o monarca permanece, firme e forte, até que abdique do trono ou que exale o último suspiro. O governo é exercido pelo parlamento e chefiado pelo primeiro-ministro.
Falando em eleições, a Noruega se prepara para renovar os 169 membros de seu parlamento. Entre 1° de julho e 6 de setembro, os cidadãos têm o direito de votar por antecipação. Os que preferirem podem deixar para votar no último dia, 9 de setembro.
O país conta com dois partidos políticos principais que congregam, juntos, cerca de 60% dos votos. Uma meia dúzia de partidos menores compartilham o resto. O vencedor virá, com certeza, de um dos dois partidos majoritários. Neste momento, as pesquisas indicam empate entre os dois candidatos principais. Um deles é justamente o atual primeiro-ministro, Jens Stoltenberg.
Sabemos todos que a sociedade escandinava está entre as mais igualitárias do planeta. Nesse campo, a norueguesa sobressai. Ninguém por lá está interessado em títulos. O tratamento de respeito correspondente a «o senhor/a senhora» foi abolido já faz muitos anos. Todos se chamam usando a mesma palavra: Du. Senhor Fulano ou Senhora Sicrana são fórmulas do passado, que hoje fariam sorrir. Nem em cartas comerciais de cerimônia se deve dar título ao destinatário. Quando não se conhece a pessoa e se tem de ser formal, escreve-se o nome e o sobrenome. E basta.
Dito isso, Jens Stoltenberg, o sorridente primeiro-ministro, é candidato a suceder a si mesmo. Quis saber de perto o que o povo pensava dele e de seu governo. Chegou à conclusão de que cabeleireiros e taxistas são profissionais que costumam recolher declarações íntimas e espontâneas de muita gente em pouco tempo. Dado que não leva jeito para cabeleireiro, decidiu exercer a função de taxista por um dia inteiro.
Vestiu o uniforme, pendurou o crachá de rigor, enfiou óculos escuros para disfarçar, e pôs mãos à obra. Aproveitou para filmar os acontecimentos (*) com uma câmera discreta. A oportunidade era excelente para matar dois coelhos de uma só cajadada: ficar a par dos comentários da população e fazer seu marketinguezinho a preço de ocasião.
Acertou na mosca. Ainda não se sabe se o vídeo o terá ajudado a ganhar alguns votos, mas o fato é que fez sucesso planetário. Foi repercutido da Islândia até o Bangladesh.
Como deve ser bom viver num país onde o primeiro-ministro pode sair à rua sem proteção e, principalmente, sem medo de povo, de agressões ou de vaias.
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(*) Assista ao vídeo, que vale a pena. São menos de 3 minutos.
Texto de Alcindo Garcia (*)
Diverti-me lendo Português com Humor da Dad Squarisi, um compêndio da língua portuguesa que ensina com toque de humorismo. Veio ao encontro da minha mania de catalogar anúncios. Alguns surgem em forma de outdoor. Para os não afeiçoados em publicidade, são aqueles cartazes enormes de propaganda, visíveis nas ruas ou à beira das estradas. Uma designação genérica de propaganda feita ao ar livre. Designa qualquer propaganda feita fora, exposta em via pública.
Os outdoors são feitos em forma de painéis, letreiros, luminosos, tabuletas. Têm poder de comunicação visual e leitura instantânea e são colocados em locais de boa visibilidade. O fiasco é quando escrevem com o português errado. Em comunicação, seja qual for o tipo de mídia, escrever errado é um desastre. Cochilos acontecem. Mas, em se tratando de um outdoor, um cochilo de dez metros por quatro é pouco menor do que a anta da empresa que produziu a pérola.
Nas eleições passadas, certo candidato afixou um outdoor perto da minha casa: «Vote em fulano, você sabe porque?». Com o porque emendado. Segundo a Dad Squarisi, o certo é: você sabe por quê? (o por que separado). Não avisaram ao candidato que sempre que houver relação com um motivo, usam-se duas palavras separadas: por e que. Se estiver em final de frase, ou seguido de pausa, acentua-se o quê, portanto nesse caso é tônico. Por quê. Separadinho da silva e ainda com chapeuzinho.
Quando passo por algumas estradas, certos avisos de advertência me assustam de medo da colisão, pois tem gramática na contramão. Fico imaginando a ousadia da concessionária da estrada ao colocar o aviso: «Conserve a direita». O certo seria «Conserve-se à direita». É preciso avisar as autoridades do trânsito que o verbo conservar é pronominal no sentido de permanecer, ficar, continuar. Portanto, «Conserve-se à direita» ou seja, permaneça, fique, continue à direita. Se não estou enganado, deve ser essa a recomendação que a concessionária desejaria passar aos motoristas.
Para finalizar, cataloguei alguns cartazes caipiras em entradas de sítios e fazendas também dignos de registro: «Vende mer de abêia», «Trave a portêra despoi de passar», «Não dar comida pra zavestruis» e «Favor não atazanar os ganso».
(*) Alcindo Garcia é jornalista, colaborador de numerosas publicações
José Horta Manzano
A cidade do Rio de Janeiro, além de ser afamada pela beleza de sua exuberante natureza, é mundialmente lembrada por suas praias de areia fina. Quem diz praia, diz calor. Os registros meteorológicos trintenais da cidade, compilados entre 1961 e 1990, atestam que temperaturas de 40° (ou mais) já chegaram a ser registradas em todos os meses do ano, com a honrosa exceção de junho. No sexto mês do ano, a máxima registrada durante esses 30 anos não passou de 39°.
Essa tropicalidade toda convida a uma comida leve e fresquinha, acompanhada por uma bebida gelada sorvida num canudinho. Ou não? Pois parece que não. O restaurante mais badalado da cidade leva o estranho nome de Antiquarius. Para quem procura refeição fresca, não é um nome atraente.
Falando em comida fresca, a imprensa noticiou que, na noite de 6 de agosto, o Procon carioca fez uma batida de caráter sanitário em alguns dos mais conceituados restaurantes da cidade. Era a Operação Ratatouille, em alusão ao prato provençal e também ao filme de animação homônimo.
Nosso Antiquarius ― assim como outros conceituados restaurantes ― foram inspecionados. Escândalo! Quilos e mais quilos de alimentos com data de validade vencida foram pilhados. Como é que pode?
Bem, alguma desculpa sempre se arruma. Para um dos gêneros incriminados, o Antiquarius informou que já não constava mais do cardápio fazia um ano. Ora, se já não é servido, por que razão ocupava espaço na geladeira?
Tivesse algo parecido acontecido em outros lugares do mundo, a onda de choque teria sido bem mais intensa. Em Paris, Londres ou Nova York, um restaurante acusado de servir comida suspeita pode fazer uma cruz sobre sua reputação. Não se levantará nunca mais. Não sei como os cariocas endinheirados encaram a situação. Evitarão essas estalagens suspeitas? Ou passarão por cima e se arriscarão a pagar elevadas quantias para encomendar pratos pra lá de duvidosos?
No Brasil, a avalanche de irregularidades e de casos escabrosos é tamanha, que um escândalo ofusca o anterior. Passados uns poucos dias, já ninguém se lembra.
No entanto, o caso dos restaurantes cariocas apanhados de calça na mão não escapou ao respeitado New York Times. Numa crítica azeda, o correspondente do jornal no Rio de Janeiro destaca o fato de o Antiquarius ostentar decoração de falso estilo fazenda antiga. E sublinha que um bacalhau ensopado custa ali 68 dólares(!).
O Rio anda na berlinda estes últimos tempos. Entre a copinha, a visita de Papa Francisco, a copona e os Jogos Olímpicos, a cidade está sendo examinada com lupa. E continuará assim até 2016.
José Horta Manzano
Costuma-se dizer que decisões de Justiça não se discutem. Cumprem-se.
Concordo com o princípio, que faz parte do pacto societário ao qual, queiramos ou não, temos de aderir. Para funcionar, todo agrupamento humano tem de estabelecer regras de comportamento, sem as quais sua viabilidade estará comprometida. E a Justiça está aí justamente para supervisionar o cumprimento dessas regras e para coibir eventuais transgressões.
Fábio Grellet, na edição online do Estadão, nos informa que a Justiça do Rio de Janeiro negou provimento a um pedido de reintegração de posse apresentado pela Câmara Municipal do Rio, invadida por cidadãos irados. Um dos argumentos sobre os quais a magistratura apoiou seu arrazoado foi que «as Casas Legislativas são casas do povo».
É incontestável que a Câmara Municipal é casa «do povo». Nem por isso é a casa da mãe joana. Num mundo que se quer civilizado, há que respeitar normas de conduta. Da bagunça não pode nascer a luz.
Numa Casa Legislativa, a entrada é franqueada ao público interessado em assistir aos debates. Aplaudir ou vaiar são reações que já se situam no limite do admissível. O que se viu na Câmara do Rio ultrapassou esse limite.
A tribuna foi invadida e ocupada. Cartazes foram afixados. Gabinetes de vereadores foram vandalizados e o patrimônio público, degradado. Manifestação civilizada é uma coisa, agressão truculenta é outra, bem diferente.
O cidadão parece não se dar conta de que tem nas mãos arma poderosíssima: seu voto. Tem a faca e o queijo, só lhe falta a vontade de comer. Se os vereadores estão lá, é porque foram escolhidos pela sociedade. Não são impostores. Se alguém errou ao votar e acabou escolhendo gente que não presta foi justamente a sociedade. É essa que tem de ser repreendida. Mais vale esclarecer a população que depredar a propriedade que é de todos.
Cabe a esses grupos que ora zelam pela moral e pelos bons costumes dedicar-se a tratar o mal pela raiz. Que usem as redes sociais para fazer circular listas de políticos ladrões, corruptos, indignos de representar o povo.
Uma vez fechadas as urnas e proclamados os eleitos, babau! Providências tomadas rio acima podem não satisfazer a sede de estrelismo desses paladinos da esperança versão beta. Mas são muito mais eficazes. Experimentem.
“É impossível jogar bem num estádio que custou 800 milhões [de euros] e que fica a 100 metros de uma favela com 120 mil pessoas, das quais 20% estão sem comida”
Cesare Prandelli, selecionador do time nacional italiano de futebol, in Folha de São Paulo, 8 ago 2013, mostrando que a desigualdade, que já não enxergamos, continua escandalizando os visitantes estrangeiros.
José Horta Manzano
Faz algum tempo, dona Dilma andou dizendo que, quando está em campanha eleitoral, o candidato pode «fazer o diabo». Escandalizou meio Brasil.
É verdade que a aspereza da declaração não caiu bem. Mas não se pode negar que ― uns mais, outros menos ― candidatos a qualquer eleição acabam indo todos pelo mesmo caminho.
Prometem o que não sabem se vão cumprir. Pior: prometem o que sabem que não cumprirão. Por que fazem isso? Ora, o candidato que prometesse suor e lágrimas não teria a menor chance de ser votado. Os cidadãos preferem ouvir uma mentira agradável a uma verdade aborrecida. Sabidos, os candidatos lançam mão de uma antiga prática: a demagogia.
O juiz Roberto Bacellar está em campanha para a presidência da AMB ― Associação dos Magistrados Brasileiros, que será disputada lá pro final deste ano. Segue a rotina de todo candidato: um elogio a um aqui, um tapinha nas costas de um outro ali, um cafezinho com um terceiro acolá.
Em entrevista cujo áudio está disponível na edição online do Estadão, o juiz Bacellar chega até a declarar-se favorável à pena de morte como castigo para autoridades corruptas. O candidato inspirou-se no «air du temps», nos ventos novos que parecem estar desempoeirando a sociedade brasileira. Tomou carona no reclamo dos que reivindicam transparência e honestidade de seus representantes. Mas, a meu ver, exagerou na dose e se enganou de caminho.
Se Sua Excelência é realmente favorável à pena de morte, entra em choque frontal com a sociedade brasileira. Nosso congresso jamais aprovaria essa lei. Portanto, é batalha perdida logo de saída. Sua Excelência mostrou ser pouco realista.
Se o meritíssimo juiz disse o que disse só para chocar e sacudir a opinião pública, usou de demagogia, expediente que não combina com o talvez futuro presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros. Palavras levianas agora pronunciadas hão de acompanhá-lo como uma sombra negra até o fim da carreira.
Até a fechadura da porta da sede da AMB, em Brasília, sabe que não é a duração teórica da pena que inibe a ação do criminoso. Somente a quase certeza de ser sancionado intimida o futuro delinquente e o faz pensar duas vezes antes de cometer seu «malfeito». A certeza da punição é muito mais eficaz no combate ao crime do que a severidade da pena.
Em nosso país, basta haver cumprido 1/6 do tempo de prisão ao qual se foi condenado para requerer (e obter) dispensa do regime fechado. Assassinos condenados a 12 anos de cárcere passam, na realidade, 2 anos trancafiados. Depois disso, usam a prisão como quem usa um hotel. Passam o dia como qualquer cidadão comum e, chegada a noite, têm guarida e alimentação garantidas por nosso dinheiro.
Em nosso país, apenas uma ínfima porcentagem de crimes pesados ― assalto à mão armada, latrocínio, assassinato ― são elucidados. Quanto a crimes ditos de colarinho branco ― fraude em licitações, caixa dois, corrupção política, concussão, peculato ― o risco de ir parar na cadeia é praticamente nulo.
Portanto, o caminho é outro. Não precisamos reforçar o arsenal jurídico. O que temos já é de bom tamanho. Basta aplicá-lo com rigor.
Candidatos podem permitir-se alguns excessos aqui e ali. Mas não convém seguir à risca a receita de nossa mandachuva maior. Melhor não «fazer o diabo». O brasileiro não aprecia extremismos.
“Perdoar não é esquecer. Se fosse, não haveria mérito no perdão.”
Henry Sobel, grão-rabino emérito, em entrevista a Laura Greenhalgh
José Horta Manzano
«Gesetze sind wie Würste, man sollte besser nicht dabei sein, wenn sie gemacht werden»
Leis são como salsichas: é melhor não estar por perto quando são fabricadas.
Citação atribuída a Otto von Bismarck (1815-1898), homem político alemão.
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Decididamente, há um bocado de esquizofrenia na maneira como o governo brasileiro vem-se comportando com relação às revelações públicas de espionagem americana.
Lado A
Pela pluma de Denise C. Marin, o Estadão de 8 de agosto nos informa que o Planalto está disposto a dar «proteção» ― seja lá o que isso signifique ― a um jornalista americano. Note-se que o homem a quem se está propondo proteção não a solicitou. Oferecer blindagem a quem não pediu é prática utilizada sistematicamente por organizações mafiosas. Vindo de um governo, é menos usual.
Mas essa é uma outra história. Soaria artificial se eu comparasse a proteção garantida pelo Estado brasileiro a estrangeiros divulgadores de segredos de Estado com o pizzo extorquido por chefes de clã sicilianos em troca de defesa e segurança.
O jornalista é cidadão americano, vive no Brasil e oficia como correspondente do jornal londrino The Guardian. Andou escrevendo, no respeitável periódico para o qual trabalha, aquilo que todos já sabiam sem que estivesse escrito. Disse simplesmente que espiões espionam.
É uma das práticas mais antigas do planeta. Ela começa com vizinhos, que se espreitam através das frestas da veneziana. Passa por camelôs, firmas comerciais, indústrias, que se espiam como podem, com maior ou menor classe. E chega até países, que se espionam mutuamente com a sofisticação de que são capazes.
Todos fazem isso. Não é o fato de não se falar de um fato que faz que ele não exista. Não se costuma falar de espionagem, mas a realidade é que ela sempre existiu e sempre existirá. De certas coisas, não convém falar. Ponto e basta. É como a fabricação de salsichas: mais vale não conhecer detalhes.
Lado B
O mesmo artigo do Estadão nos dá conta de que o governo brasileiro anda preocupado com a visita aos EUA, que dona Dilma tem programada para o mês de outubro. Nestes tempos de popularidade escassa, na falta de uma recepção com chuva de papel picado na Quinta Avenida, umas fotos sorridentes ao lado de Obama fariam grande bem a nossa mandachuva.
Essa é sem dúvida uma das razões que explicam esse comportamento «morde e assopra» do governo brasileiro. Com a China desacelerando, é prudente não levantar muito a crista perante um de nossos maiores clientes.
Rica de informações, a matéria do jornal ainda informa que o Brasil está propenso a retomar com os EUA as negociações, emperradas faz quase 15 anos, sobre o compartilhamento da base de lançamento de Alcântara. Compartilhar com o inimigo que nos espiona! Quem diria…
Conclusão I
Que o país que nunca espionou nenhum outro atire a primeira pedra! Essa lapidação não periga acontecer.
Conclusão II
Essas «revelações» feitas por iluminados ou por surtados podem causar algum espalhafato mas não abalam a marcha do mundo. Se a História guardou o nome de alguns espiões famosos tais como Judas, Mata Hari, Joaquim Silvério dos Reis, Günter Guillaume, não há registro de denunciadores de espiões.
Com ou sem «proteção» do Estado brasileiro, a glória desse senhor será efêmera.
José Horta Manzano
Passando o chapéu
O senador russo Russlan Gattarof anuncia que está organizando uma vaquinha para ajudar Snowden, acolhido pelo país em qualidade de asilado temporário. A coleta de fundos se fará pela internet.
Solicita-se a almas caridosas que consultem feicebúqui para maiores esclarecimentos sobre como contribuir para esta nobre causa. Informações fornecidas pelo jornal 20 minutes.
Delação premiada
Que caso mais enrolado esse das fraudes em licitações em São Paulo! Só a Siemens teria entregue o equivalente a 8 milhões de euros em propinas. Ninguém quer segurar a batata quente. Jogada de colo em colo, a responsabilidade estacionou nas costas de um único indivíduo, um certo consultor chamado Teixeira. Como se fosse possível um personagem secundário ter embolsado todos esses milhões enquanto os outros participantes assistiam impassíveis.
A reportagem do Estadão fala em «fraude contra os cofres do governo de São Paulo». Ora, os «cofres do governo» são a caderneta de poupança da população. O governo ― esse ente genérico, impessoal e inalcançável ― não é dono de dinheiro nenhum. É apenas o gestor do dinheiro de todos nós.
Se roubo houve, a vítima terá sido o povo inteiro que, de uma forma ou de outra, acabou (ou acabará) pagando a conta. Mais cedo ou mais tarde. Direta ou indiretamente. Não tem como escapar.
Malabarismo contábil
Em manobra escancaradamente eleitoreira, o governo central quer reduzir o valor da conta da energia elétrica. Mas as bondades ofertadas aos amigos do rei, aliadas à gestão desastrada de nosso dinheiro, acabaram esvaziando nosso cofrinho, de cuja guarda o governo é responsável.
Para não fazer feio, estuda-se tomar empréstimo nalgum banco público a fim de custear a redução do preço da energia. É o que se chama trocar seis por meia dúzia. Tira-se do bolso esquerdo para enfiar no bolso direito. Despe-se um santo para vestir outro.
É grande o desespero de dirigentes que veem evaporar em alta velocidade seu capital eleitoral. Truques como esse são primários. Dão alívio temporário, mas voltam com força redobrada para cobrar a conta.
Anjo decaído
José Dirceu se debate. Usando o dinheiro lícita e honestamente amealhado durante os anos de glória, paga os melhores juristas do País e lhes implora que encontrem um meio de livrá-lo da prisão.
Depois do susto que as manifestações populares de junho deram em todas as autoridades da República ― em todas elas, sim! ―, vai ser difícil conseguir um desconto. Quem viver verá.
Ninguém é perfeito
Joaquim Barbosa, atual presidente do STF, seguiu um percurso absolutamente fora dos parâmetros. Ao nascer, nenhum sinal apontava para um destino nas altas esferas. Negro, de origem humilde, tinha tudo para viver a vida simples do brasileiro comum que peleja diariamente para garantir o sustento da família.
No entanto, esforçou-se mais do que outros. Fez as opções certas, no momento oportuno, agarrou as oportunidades que se lhe apresentaram. Estudou muito, aplicou-se, deu de si. Chegou lá.
Foi original em tudo: conhece profundamente a área em que atua, é poliglota, tem sabido ser autoritário sem descambar para a tirania, é homem culto e viajado. Mas ninguém é perfeito. Na hora de escolher um lugar para aplicar suas economias, fez como outros milhares de seus compatriotas: decidiu-se por Miami, destino sonhado por 9 entre 10 brasileiros.
Foi original em quase tudo.
José Horta Manzano
Se gritar “pega, ladrão!”, não fica um, mermão
As manifestações populares de junho deixaram patente que o gigante está despertando. Na esteira do prenúncio destes novos tempos, o venerando Senado nacional trata de atualizar seu regimento interno.
O regulamento antigo tem mais de 40 anos, data de uma época em que o colosso adormecido ainda roncava em berço esplêndido. Não havia internétchi. Não havia feicibúqui. A informação circulava mal. Só os muito enfronhados sabiam o que realmente acontecia atrás das portas dos gabinetes. Naturalmente, as portas sempre tiveram ouvidos, mas esses ouvidos não tinham bocas. Governava-se em circuito fechado.
Até o fim do século XX, esse sistema, bem ou mal, se manteve. Com as avenidas de informação abertas pela rede mundial de computadores, segurar notícias dentro de um círculo de companheiros ficou cada dia mais complicado. Acabou dando no que deu. Os protestos de junho podiam já ter acontecido em 2010, 2012. Poderiam também esperar para estourar em 2014 ou 2015. Quis o destino que 2013 fosse o ano do amadurecimento.
Figuras públicas estão sendo obrigadas a rever às pressas seus comportamentos. O que era normal e aceito até ontem ― talvez por não ser de conhecimento público ― é hoje divulgado, censurado, reprimido, fustigado. Vejam o caso do governador do Rio de Janeiro. Como todos os seus pares que dispunham de um helicóptero, fazia dele uso em deslocamentos profissionais ou privados, tanto faz. Teve de abandonar essa prática, sob pena de linchamento.
Vejam também o caso de nosso inefável ex-presidente. Dizem as más línguas que sua família se valia de avião das Forças Aéreas Brasileiras ― custeados pelo povo brasileiro ― para fins prosaicos tais como levar a cadelinha ao veterinário ou conduzir a primeira-dama para uma sessão de brushing. Tiveram sorte de ter perpetrado essas leviandades antes do despertar do gigante. Fosse hoje, sei não…
Da atual presidente, não se tem notícia de que assim esteja procedendo. Melhor para ela. Já tem feito trapalhadas suficientes.
Mas eu falava do Senado da República. É uma instituição de respeito. Já o nome é imponente: senado… Etimologicamente, é palavra muito antiga. O sânscrito conhecia a raiz sanas/sanaka, utilizada para designar pessoa de idade avançada. O radical se espalhou pelas línguas europeias. Aparece em lituano, nos idiomas celtas, nos falares germânicos e, naturalmente, nas línguas latinas.
Senex era como os latinos chamavam o velho. Senium era a velhice. Senil, que não tinha a carga pejorativa que carrega hoje, era a qualidade do que é velho. O Senado romano era instituição formada por homens de idade madura, encharcados daquela sabedoria que só os anos trazem. Todas as civilizações costumam respeitar o discernimento e o bom-senso que a velhice traz. Da mesma família etimológica também fazem parte sênior, senhor, senhorio, assenhorear.
Já faz algum tempo que nosso Senado se desviou da finalidade para a qual foi instituído. Era para ser um colégio de sábios respeitados aos quais se vem pedir conselho. Desviaram-se das regras. E o que é que se faz num caso desses? Dá-se uma guinada e volta-se ao bom caminho, não é mesmo? Qual… O uso do cachimbo deixou torta a boca de suas excelências. Converter-se a bons hábitos dá muito trabalho. Há meio bem mais simples: afrouxam-se as regras de conduta!
O senador maranhense Lobão, figurinha carimbada da política brasileira das últimas décadas, é o relator do projeto de mudanças no regimento interno do Senado. Colegas seus, preocupados com a corrosão que a imagem da instituição vem sofrendo perante a opinião pública, acharam que seria importante incluir entre as regras de conduta o compromisso de agir dentro da ética.
Andreza Matais, do Estadão, nos informa que o senador Lobão vetou a novidade. Não lhe parece relevante. O lobo mau não faria diferente.
Está ajudando a convocar novas ondas de protesto.
«Um país que construiu mais sedes que eram exigidas, estádios com dinheiro público e, em alguns casos, em lugares sem um time de futebol. O relato poderia ser uma explicação sobre o comportamento do Brasil para a Copa 2014. Mas, na realidade, é a situação de Portugal quando se preparou para sediar a Eurocopa de 2004.»
Jamil Chade, in Estadão 5 ago 2013
Vale a pena ler o artigo inteiro.
Consultando meus alfarrábios, topei com um escrito de Dad Squarisi(*), minha guru em língua portuguesa. O texto, escrito no comecinho de janeiro de 2007, valia-se da atualidade de então ― a reeleição de Lula da Silva ― para dar uma lição sobre conjugação verbal.
A clarividência não tem sido a qualidade primeira de nossos governantes. As exceções, raras demais, têm tido sua voz abafada pelo coro da maioria barulhenta e sem visão.
Naquele longínquo janeiro de quase sete anos atrás(!), Dad deitou no papel o que poucos ousavam. Estávamos longe dos protestos de junho 2013. A maioria acreditava que havíamos chegado lá e que nosso povo, barriga cheia, estava dominado. Eram tempos de pão e de circo. Agora, o espetáculo acabou.
Dad Squarisi, jan. 2007
Dia de posse. Elegante no terno Armani, camisa sob medida e gravata Hermès, Lula discursa no plenário da Câmara dos Deputados. Repete as promessas de campanha. Acena com educação de qualidade, saúde democrática, segurança dinamarquesa, moradia de fazer inveja. Quando? O homem tem pressa. Diz que nos próximos quatro anos conjugará dois verbos. Um: acelerar. O outro: incluir.
Os ouvintes sentiram arrepios em todos os pelos. Duvidaram dos próprios ouvidos. Acelerar como? A criatura mal tomou posse e vai gozar férias. Sem definir a equipe, deixa a administração de braços cruzados. E incluir? O verbo é manhoso. Há 500 anos tentamos flexioná-lo. Lula conseguirá? Tirar dos que muito têm para dar aos que nada têm é tarefa pra lá de difícil. Mais fácil é desvendar os mistérios da ação que dá passagem aos que estão de fora.»
(*) Escritora, linguista e mestra em teoria da literatura. Seu blogue merece uma visita. Como dizem por aqui, l’essayer c’est l’adopter, quem provar fica viciado.
«Pode-se não gostar de Figueiredo, mas ninguém podia tirar de sua biografia o fato de ter assinado a anistia. Agora pode-se acrescentar que não assinou o cheque da Copa [de US$ 3,2 bilhões, em dinheiro de hoje].
A Copa de Lula custará R$ 28 bilhões, ou US$ 12,1 bilhões.»
Da coluna de Elio Gáspari, in Folha de São Paulo, 4 ago 2013
José Horta Manzano
Artigo publicado pelo Correio Braziliense em 3 de agosto de 2013
A História não se repete. Acontecimentos novos podem até evocar situações passadas, mas cada caso é um caso.
Em novembro de 1923, um punhado de indivíduos se reuniram numa cervejaria de Munique para encenar o que lhes parecia o ato final de um rocambolesco plano de tomada do Estado alemão pela força. O golpe foi um rotundo fracasso. Vistos como loucos mansos, os cabeças, presos e processados, foram condenados a penas leves. Quis o destino que, dez anos mais tarde, o chefe da malta, um certo Adolf Hitler, fosse içado ao posto máximo da nação. O resto da história todos conhecem.
Nos primeiros anos do século XX, um jovem italiano, violento e rebelde, fugiu de seu país e ganhou a Suíça. Más línguas afirmam que era para escapar do serviço militar. Em território helvético, o moço turbulento continuou fazendo das suas. Rebelde e arruaceiro, viveu de expedientes e chegou até a ser preso por vadiagem. Voltou à Itália em 1904. Quis o destino que, dezoito anos e muitas peripécias mais tarde, nosso impetuoso anarco-sociossindicalista ― Benito Mussolini era seu nome ― se visse alçado à função de chefe do governo. Sabem todos o que veio depois.
A tentativa de tomada do quartel cubano de Moncada, levada a cabo em 1953 por uma turma de jovens iluminados, todos no vigor de seus 30 anos, foi um desastre total. Prisão, tortura, degredo dos rebeldes remanescentes foi o resultado. Naquele momento, ninguém imaginou que o chefe do grupo, um certo Fidel Castro, havia de se tornar senhor absoluto do país 6 anos mais tarde. Os capítulos seguintes são conhecidos.
Faz pouco mais de um mês, o Brasil foi palco de um fenômeno desconcertante. Dirigentes boquiabertos assistiram a passeatas espontâneas formadas por gente comum. Não eram revolucionários nem putschistas. Não pretendiam derrubar o regime, muito menos tomar o poder. Não eram movidos por ideologia. Não carregavam armas. À exceção de grupelhos insignificantes de energúmenos imbecis, protestaram pacificamente.
Agora sossegaram. Mas que ninguém se engane: os acontecimentos de junho foram um divisor de águas. Daqui a um século, baixada a poeira, a História dará a 2013 a mesma importância que dá hoje a 1822 ou 1889. A sagacidade caseira do inefável Conselheiro Acácio ensina que as consequências, naturalmente, vêm sempre depois.
O brasileiro é um povo de sorte. No espaço de pouco mais de 10 anos, teve duas ocasiões de dar um salto à frente, na boa direção. A primeira foi quando Lula da Silva chegou ao posto máximo da República. Dono de apoio quase unânime do povo e de seus representantes, não lhe teria sido difícil impor as reformas indispensáveis para curar a esquizofrenia do País. Pareceu a todos que, finalmente, o Brasil deixaria de ter um pé na modernidade e outro ancorado na Idade Média.
Estava na hora de banir traços antediluvianos tais como o paternalismo, o nepotismo, o cartorialismo, o rigor reservado ao vulgo enquanto privilegiados são tratados com leniência. Queríamos todos ver desaparecer a desigualdade entre os do andar de cima e os do andar de baixo. Queríamos ver o fim de anacronismos que não combinam com o mundo civilizado.
Desgraçadamente, nenhuma reforma radical foi empreendida que acelerasse nosso processo civilizatório. Os donos do poder agiram como o cirurgião que anestesia o paciente mas esquece de operá-lo. Ninaram o povo com doces sonhos de grandeza, mas não se deram ao trabalho de eliminar os tumores que minam a sociedade. Entre mercurocromo e curativos, descuraram-se de servir ao povo. Usaram a arraia-miúda como massa de manobra e, insolentes, dela se serviram. Os protestos são a prova patente da ineficiência e do fracasso da atual maneira de governar.
Mas temos sorte. Diferentemente de Alemanha, Itália e Cuba, temos uma segunda chance. Nossa «revolução» não tem cabeças nem porta-bandeiras. Não prenuncia episódios violentos nem sangrentos. As demandas do povo brasileiro, a anos-luz da luta de classes, não são ideológicas, nem sectárias, nem elitistas, nem sindicais.
Medidas pontuais podem gerar alguma curta trégua, mas não resolverão o problema. O brasileiro, farto de que lhe zombem das fuças, quer ser tratado com dignidade. Plebiscitos e referendos não condizem com a situação atual. O povo já disse o que quer. Do governo, não se espera que faça mais perguntas, mas que dê as respostas que esperamos todos. E logo.
O governo que se dizia «popular», no fundo, não o era. Popular é o movimento que a todos surpreendeu, essa energia espontânea e sem lideranças. Estamos vivendo o começo do fim do Brasil medieval.
José Horta Manzano
Briga de bandido
Certas coisas são tão notórias e evidentes, que não precisam mais ser mencionadas. Pelo contrário: mais vale fingir que não existem e mudar de capítulo.
A Folha de São Paulo nos relata a continuação da encrenca ligada a falcatruas em licitações para o metrô de São Paulo. Conforme já comentamos neste blogue três semanas atrás, a Siemens andou botando a boca no trombone para denunciar que foi passada pra trás em alguma dessas concorrências viciadas.
Note-se que o gigantesco complexo industrial, maior empregador privado da Alemanha, está implantado no Brasil há mais de um século, desde 1905. De repente, em 2013, se dão conta de que falta lisura às licitações para serviços públicos.
Isso parece mais briga de bandido, despeito de concorrente passado pra trás.
Aqui entre nós, que ninguém nos ouça: a Siemens, como outras grandes empresas alemãs, é acusada de ter colaborado com o regime nazista. Pior que isso, afirmam alguns que se serviu de mão de obra escrava durante a Segunda Guerra.
Se assim for ― e é bem provável que tenha sido ― temos aí um excelente exemplo do roto falando do rasgado.
O roto pelo rasgado
Reportagem do Estadão, assinada por Fernando Gallo, informa que o governador de São Paulo efetuou uma substituição na chefia do Arquivo Público do Estado. Dispensou o antigo titular, afiliado ao PT. Em seu lugar, empoleirou um afiliado ao PSDB.
Desconheço a qualificação tanto do recém-demitido quanto do recém-admitido. O que me parece lamentável é que a direção do órgão técnico encarregado de zelar por nossa parca memória histórica seja tratado com tal leviandade.
Arquivo público não é sinecura de que se valham os governantes de turno para mimosear amigos e correligionários.
Só falta o governador de São Paulo se sair com a mesma justificativa usada por nosso inefável ex-presidente: se todos fazem assim, por que não eu?
Quando se pretende dar lições de moral aos outros, mais vale andar na linha. O governador está cobrindo sua casa com telhas de vidro.
Rasgou a fantasia
Encantaram-se todos com a notícia de que o prefeito de um município do interior paulista havia renunciado ao mandato por «descobrir» que o salário era insuficiente. Todos aplaudiram, acharam maravilhoso que um cidadão recusasse a se vergar à corrupção para aumentar seus ganhos.
Quanto a mim, fico aqui meio cismado. Por que, diabos, esse senhor esperou tanto tempo para rasgar a fantasia? É médico de formação, portanto, supõe-se que conheça as operações básicas e que esteja capacitado a agir dentro de um mínimo de coerência.
Com que então, o digníssimo senhor prefeito não se preocupou com o salário da função antes de se candidatar? E por que terá esperado quase um ano para renunciar? Esperava conseguir, uma vez eleito, algum «favor especial» que, no final, não lhe foi concedido? Será que não passou pela cabeça do digníssimo prefeito que sua renúncia está causando transtorno aos quase 20 mil habitantes do município, cidadãos estes que não são obrigados a aturar seus saltos de humor?
De gente assim prefiro manter distância. Quando se assume uma responsabilidade, vai-se até o fim. O ato cometido por esse senhor é por demais leviano para meu gosto.
Trava-língua…
A lista de cargos prolixos do governo federal foi engrossada nesta semana pelo de «coordenador na Coordenação da Coordenação-Geral de Produtividade do Departamento de Produtividade e Inovação da Secretaria de Competitividade e Gestão da Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidência da República».
José Horta Manzano
As pesquisas indicam que 2/3 dos uruguaios são contrários à legalização das drogas. Na contramão da vontade popular, a Câmara de Deputados do país vizinho acaba de aprovar um projeto de lei que legaliza o cultivo, a distribuição e a comercialização da marijuana (cannabis sativa ou maconha).
Para entrar em vigor, a lei terá ainda de passar pelo Senado do país. E, naturalmente, pela sanção presidencial. Deve demorar ainda um ano até que o processo esteja completado.
Ir contra a vontade de 2 em cada 3 eleitores já me parece uma violência, uma imposição de cima para baixo. Mas há problema maior.
O Uruguai, vizinho de parede do Brasil e da Argentina, é membro do Mercosul. Se votar leis que podem representar perigo à ordem de um país vizinho já é uma falta de consideração, entre sócios de um mesmo clube passa a ser escandaloso.
A fronteira entre o Brasil e o Uruguai está entre as mais permeáveis da América do Sul. Algumas cidades fronteiriças constituem conurbação, ou seja, são separadas por fronteira simbólica, uma avenida em alguns casos. Tradicionalmente os habitantes dessas localidades não dão grande importância a essa linha imaginária. Passam de um país a outro com a mesma facilidade com que nós damos um pulinho à padaria na esquina.
Não precisa ter nenhuma bola de cristal para prever que a fronteira entre o Uruguai e o Rio Grande vai-se tornar a principal porta de entrada de entorpecentes no Brasil.
Em vez de esbravejar contra seus auxiliares diretos, dona Dilma poderia redirigir sua fúria contra os mandachuvas uruguaios. Um apelo vindo de Brasília será certamente levado em consideração pelos parlamentares do país vizinho.
Ainda há tempo de sustar a tramitação dessa lei. Já temos problemas suficientes sem ela.
Nota: Até o mui sério site de notícias russo Vesti (Rússia 24H) repercutiu a notícia.
José Horta Manzano
Você sabia?
Hoje é feriado nacional na Suíça. O dia da festa maior, equivalente a nosso 7 de setembro. Logo mais à noite, haverá queima de fogos por toda parte. Na minha opinião, além de ser caro e sem graça, é poluente e perigoso. Mas há quem aprecie. De gosto não se discute.
José Horta Manzano
O repórter Fábio Fabrini andou esmiuçando dados da Controladoria-geral da União, o organismo encarregado de vigiar o uso das verbas federais e certificar-se de que estão sendo bem utilizadas.
Em pesquisa por amostragem, a CGU constatou que 73% das prefeituras haviam fraudado verbas destinadas à Instrução Pública. Utilizando subterfúgios diversos, autoridades de 3 em cada 4 municípios(!) desviaram uma parte do dinheiro que era destinado a promover a educação básica de seus jovens.
Há até casos de dinheiro sacado em espécie «na boca do caixa»! E a gente que imaginava que esses casos de roubo despudorado se restringissem ao nível federal…
Veja você: há 75% de risco de o município em que reside o caro leitor estar incluído no rol dos fraudadores. Se roubar já é crime feio, roubar dinheiro destinado à instrução das crianças é asqueroso, repugnante.
Guilhotina anda meio fora de moda. Mas prisão perpétua ainda é pena considerada politicamente correta na grande maioria dos países. São muito poucos os que, como o Brasil, aboliram tanto a pena capital quanto a prisão perpétua.
Que se aproveite esta temporada de reformas para reinstaurar a perpétua. Se falta savoir-faire, basta dar uma olhada por cima do muro. Nossos vizinhos e hermanos argentinos, chilenos e peruanos ― cujo arsenal penal inclui a prisão perpétua ― podem nos ensinar como fazer.
Aquele que comete crimes contra a saúde publica ou contra a instrução pública merece passar o resto da vida vendo o sol nascer quadrado.