Estreito, atrasado, trapalhão

O governo «plantou» nos jornais de ontem correção importante no seu discurso sobre o Oriente Médio: destacou que a presidenta Dilma qualifica de «massacre» e não «genocídio» o que ocorre em Gaza, em razão da ofensiva israelense.

Dilma isola e se descola do aspone lulista Marco Aurélio «Top-Top» Garcia – que usou a expressão «genocídio», provocando reação de Israel e fazendo do Brasil motivo de chacota.

O governo de Israel chutou o pau da barraca e chamou de «anã» a diplomacia brasileira por saber que «Top-Top» Garcia a lidera de fato.

Dilma e GarciaEstreito, atrasado, trapalhão, Marco Aurélio Garcia jamais foi diplomata, mas define a política externa desde o governo do Lula.

Subservientes, os diplomatas assistem Marco Aurélio Garcia esfacelar o prestígio construído pelo Itamaraty ao longo de mais de cem anos.

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Reprodução de artigo publicado pelo jornalista Cláudio Humberto in Diário do Poder, 30 jul° 2014.

Rapidinha 28

José Horta Manzano

EuromercosulDar a mão a quem precisa
Jornais do mundo inteiro noticiaram que o Brasil apoia a Argentina, enredada no segundo calote em menos de 15 anos.

Vale a pergunta:
«Apoiar», neste caso, quer dizer o quê? O Brasil vai pagar a dívida do país hermano? Ou a retumbante declaração é apenas retórica?

Interligne 28aReforma política
O jornal indiano Business Standard e a agência de notícias chinesa Xinhua ― assim como toda a mídia do planeta ― repercutiram as palavras de dona Dilma, segundo a qual o Brasil precisa de reforma política e de modernização.

Vale a pergunta:
O que é que a presidente está esperando para propor as reformas que preconiza? Ela e seu partido estão no poder há doze anos e dispõem de um Congresso servil. É de crer que dormiram até agora e que acabam de acordar.

Interligne 28aEuromercosulMercosul
O site americano Bloomberg, especializado em finança, acompanha a evolução da paridade entre as 16 principais moedas. Constatou que, entre elas, a brasileira foi a que mais sofreu com o calote argentino. Perdeu 0,8% em um dia, acumulando 2,2% de declínio mensal, o mais acentuado desde novembro do ano passado.

Vale a pergunta:
Faz sentido continuar participando de uma sociedade que nos mais emperra do que favorece nosso comércio exterior? O Brasil já tem, por si só, problemas suficientes. Não precisamos adotar problema alheio.

Interligne 28aSalve-se quem puder
O jornal argelino Liberté constata que a iniciativa do Equador de chamar de volta, para consultas, seu embaixador em Israel fez escola. O Brasil, o Chile e o Peru seguiram o exemplo. Por mais que queira, a Bolívia não pode acompanhar o movimento por estar já de relações cortadas com Israel.

Vale a pergunta:
Alguém reparou que, tirando o Brasil, nenhum dos protestatários faz parte do Mercosul? Para que serve uma associação regional que entrava o comércio e baralha a diplomacia?

Mau negócio

José Horta Manzano

E o Pizzolato, hein? Alguém se lembra dele? É aquele condenado no processo do Mensalão que, julgando-se mais esperto que os outros, escapou do país com passaporte forjado ― emitido em nome de um parente morto havia décadas.

Sentenciado a quase treze anos no xilindró, valeu-se da dupla cidadania ítalo-brasileira e correu para a pátria-mãe. Por certo, imaginou ser acolhido de braços abertos, como bom filho que a casa torna.

Prisioneiro 3Enganou-se. Apanhado pela polícia peninsular, está encarcerado em regime fechado há quase seis meses, longe de parentes e amigos, sem perspectiva de sair tão já. Protocolarmente, o governo brasileiro requereu sua extradição, mas não se tem notícia de que haja profundo empenho em trazê-lo de volta tão cedo.

Na verdade, a presença em território nacional de um provável detentor de detalhes incômodos poderia ser embaraçosa para antigos companheiros. No Brasil, como se sabe, todos dão entrevista, desde presidente e juíz até traficante, arruaceiro e prisioneiro. Já pensou se o homem, ressentido, dá com a língua nos dentes e revela tenebrosas transações? Quanto mais tarde voltar, melhor.

O cidadão binacional fez mau negócio. Enquanto seus companheiros de infortúnio já tiveram suas multas quitadas e estão a caminho da liberdade, signor Pizzolato ainda pode bem amargar longos meses de cadeia italiana. Anos até. E sem os privilégios da Papuda.

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Obs: Artigo da Folha de São Paulo deste 31 de julho informa que ― será coincidência? ― os petistas condenados no Mensalão foram os primeiros a quitar sua dívida para com a Fazenda Nacional. Já o fugitivo ausente do território ainda carrega o peso da multa estipulada no ato condenatório.

Sorry, mano

José Horta Manzano

«Computador do Planalto pôs elogios a Dilma em página da Wikipédia» ― é o título de matéria da Folha de São Paulo deste 28 de julho.

ComputadorOs autores do artigo vão mais longe, descem aos tim-tins e dão nome aos bois. Informam que 11 (onze!) computadores do governo federal, em irrefutável desvio de suas funções republicanas, dedicaram-se a eliminar referências desairosas a membros da nomenklatura. No lugar de menções desagradáveis, os computadores inseriram louvação.

A blindagem tem a presidente por objeto principal, mas não só. Um certo senhor Padilha, candidato a governar o maior estado da federação, também teve seu currículo, digamos, adocicado. A história não faz alusão a outros beneficiários da trapaça, mas o bom senso impele a imaginar que os dois não sejam os únicos.

Curioso é o artigo relatar que «computadores» do Planalto tenham feito isto ou aquilo, como se máquinas decidissem por si o que convém e o que não convém a determinados figurões.

Dona Dilma disse uma vez que, atrás de cada criança, havia sempre uma figura oculta ― um cachorro, no imaginário presidencial. Pois eu digo, sem demagogia, que, atrás de um computador, há sempre ser(es) humano(s) que o manipulam. É incontestável.

Computador 2Portanto, digamos as coisas como são. Uma penca de funcionários ― pagos com nosso dinheiro ― estão incumbidos de reescrever a história, apagando menções embaraçosas e substituindo-as por referências enaltecedoras. Para chegar a seus fins, utilizam computadores pagos com nosso dinheiro, abrigados em palácio custeado com nossos impostos. Até a conta da eletricidade que faz funcionar as simpáticas máquinas de dourar pílula é paga com dinheiro do nosso bolso.

E agora, que a falcatrua foi desvendada, fica tudo por isso mesmo? Ministério Público, OAB, Congresso, onde estais que não respondeis?

Tremei, porteiros! Tremei, moças do café! Tremei, contínuos, bedéis e faxineiros! Se a notícia chegar ao jornal televisivo, não vai ter jeito: um de vocês terá de pagar pelo malfeito. Sorry, mano.

Frase do dia — 163

«Pensando bem… o título de “anão diplomático” dado por Israel ao Brasil, pelo menos desta vez, nada teve a ver com um certo ex-chanceler megalonanico.»

Cláudio Humberto, jornalista, in Diário do Poder, 25 jul° 2014.

Transporte urbano

José Horta Manzano

Você sabia?

Dizem que a China é país muito corrupto ― pode ser. Dizem que o sistema de governo é extremamente autoritário ― parece que é. Dizem que grandes desigualdades sociais subsistem ― é certeza.

O que não se diz tão frequentemente é que o salto dado pelo país em vinte anos não ocorreu por obra e graça do Divino. Foi fruto de planejamento, de aplicação, de trabalho.

Um governo errático como o nosso, com critérios efêmeros e mudanças diárias, jamais chegará ao ponto a que chegaram os chineses. O modus operandi do governo brasileiro é paradigma de ineficiência.

Muitos problemas subsistem na China, mas é indisfarçável que o governo central daquele país tem investido na preparação do futuro. Trabalham duro no sentido de garantir aprovisionamento em matérias primas e desenvolvimento tecnológico.

Pequim tem-se mostrado menos preocupada com futebol e mais com o desenvolvimento da capacidade técnica e intelectual do povo. Quem planta, colhe.

Entre outros pontos, o governo cuidou de dotar suas metrópoles de atributos que facilitam a vida moderna. Como o transporte, por exemplo. Em janeiro passado, foram inauguradas as mais recentes linhas de metrô de Xangai. Com as linhas 12 e 16, a rede de transporte metropolitano da maior metrópole chinesa atinge a extensão de 567 quilômetros ― recorde mundial.

O programa de construção do metrô de Xangai prevê acrescentar, nos próximos anos, outros 230 quilômetros ― mais que a extensão total do metropolitano parisiense.

Metrô do Rio e de Xangai: evolução nos últimos 20 anos

Metrô do Rio e de Xangai: evolução nos últimos 20 anos

Para efeito de comparação, aqui vai a extensão atual de alguns metrôs:

Interligne vertical 11Xangai:           567km
Londres:          402km
Nova York:        373km
Moscou:           325km
Madrid:           293km
Cidade do México: 227km
Santiago:         103km
Istambul:          82km
São Paulo:         74km
Rio de Janeiro:    41km

Na China, não se organizam passeatas pedindo melhora na mobilidade urbana. Primeiro, porque é proibido. Segundo, porque não precisa.

Interligne 18bObs: Com informações do ReporterGazeta.com.br

Frase do dia — 162

«Absurdo mesmo é um país do tamanho do Brasil ter uma diplomacia subordinada aos interesses chinfrins da aliança entre o petismo, o kirchnerismo e o bolivarianismo.»

Rolf Kuntz, jornalista, in Estadão, 26 jul° 2014.

Os óculos do Monsieur

José Horta Manzano

Os menos jovens certamente se lembrarão das gravatas Hermès do senhor Collor, aquele que ― é até difícil acreditar ― um dia foi presidente de nosso país. Afortunado desde o berço, o referido cavalheiro não dispensava adereços de luxo, do colarinho ao bico do sapato. A imprensa e o povo achavam graça. Afinal, se ele paga com dinheiro do seu próprio bolso, que mal há?

Por outros motivos, que não convém aqui esmiuçar, o presidente foi impedido de prosseguir no cargo em 1992. Voltou pras Alagoas. Mas o exemplo ficou guardado na gaveta. Seus sucessores imediatos, o deselegante Itamar e o pão-duro FHC, não se interessaram pelo legado do antecessor. Não sobressaíram pelo esmero no vestir. Mais tarde, no entanto, com a chegada ao Planalto do presidente-operário, os costumes “Ancien Régime” foram devidamente restabelecidos.

É notório que nosso guia não regateou na hora de escolher seus impecáveis trajes. Importados, de preferência, tinham de ter caimento perfeito. O corpo não ajudando muito, o bom corte compensava. A imprensa e o povo acharam graça, e ficou tudo por isso mesmo.

François Hollande Foto Kenzo Tribouillard, AFP

François Hollande
Foto Kenzo Tribouillard, AFP

No Brasil, a agonia das pequenas indústrias é encarada com indiferença pelo governo central. O que conta mesmo são os grandes números gerados por aquela meia dúzia de grandes exportadores de matéria-prima. São os que melhoram as estatísticas. São os que têm capacidade de despejar no partido doações generosas. O resto é o resto. Que cada um cuide de si.

Exatamente como o Brasil, a França está em processo acelerado de desindustrialização. Badulaques são sistematicamente importados da China. Artigos menos chinfrins vêm de países de mão de obra barata ― Europa Oriental, Marrocos, Tailândia.

Abandonados pelas autoridades, o pequeno e o médio empresário brasileiro têm motivos para inquietação e tristeza. Já na França, o governo central empreende ações para encorajar os cidadãos a darem preferência a produto nacional, ainda que tenham de desembolsar um pouco mais. Até um ministério foi criado especialmente para tentar “endireitar” a situação. «Dê preferência ao made in France» é a palavra de ordem.

Dia destes, o presidente da República, Monsieur Hollande, foi fotografado de óculos novos. Até aí, morreu o Neves. O problema é que um fabricante francês de armação, especialista no assunto, percebeu que os óculos presidenciais não eram franceses, mas dinamarqueses.

Sacrilégio! Em tempos de penúria industrial, um descuido presidencial dessa magnitude é imperdoável. O fabricante nacional dirigiu carta aberta ao presidente, missiva que saiu na mídia do país. Além da carta, o esperto empresário mandou de presente a Monsieur Hollande uma armação legítima, das boas, garantidamente made in France. Argumentou que, na qualidade de vetor da imagem do país no exterior, não ficava bem ao presidente estampar, bem no meio do rosto, um objeto fabricado em terra estrangeira.

As próximas fotos de François Hollande confirmarão se ele assimilou a lição. Ou não.

Anão? Ah, não!

José Horta Manzano

Anao 1Sem paz
No conflito entre israelenses e palestinos, a paz é o que menos parece interessar. A nenhuma das partes calharia bem. Ambos os lados dependem crucialmente da ajuda internacional, que vem dos EUA para Israel e da União Europeia para a Palestina. Se a conflagração sumir do radar, a atenção internacional se voltará para outros pontos e as doações perigam minguar. Convém alimentar o conflito.

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Resoluções ONU
Dezenas de resoluções já foram votadas na ONU, tanto na Comissão de Direitos Humanos quanto em plenário. Têm sido falatório estéril, de efeito nulo. O Brasil, membro fundador da organização, deveria saber disso. Quando dois insistem em brigar, não há força que se possa interpor.

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O voto de 23 de julho
Nesta enésima votação, os 47 países que compõem a Comissão de Direitos Humanos da ONU votaram da seguinte maneira:

A favor (29):
África do Sul, Arábia Saudita, Argélia, Argentina, Brasil, Casaquistão, Chile, China, Congo, Costa Rica, Costa do Marfim, Cuba, Emirados Árabes, Etiópia, Filipinas, Índia, Indonésia, Kuwait, Maldivas, Marrocos, México, Namíbia, Paquistão, Peru, Quênia, Rússia, Serra Leoa, Venezuela e Vietnam.

Contra (1):
EUA.

Abstenções (17):
Alemanha, Áustria, Benin, Botsuana, Burkina Faso, Coreia do Sul, Estônia, França, Gabão, Irlanda, Itália, Japão, Macedônia, Montenegro, Reino Unido, República Tcheca, Romênia.

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A escolha brasileira
O mais prudente teria sido abster-se de votar ― foi o que fizeram países mais lúcidos. Sabem que, de qualquer maneira, não vai servir para nada. Diplomacia é arte sutil que não se exerce à luz do sol em mesas com 47 participantes, luzes, câmera e ação. O Brasil decidiu acompanhar a maioria. Até aí, nada de extraordinário. De qualquer maneira, o resultado prático da gesticulação será igual a zero.

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Anao 1O exibicionismo equatoriano
O Equador, que nem parte da Comissão é, chamou seu embaixador em Israel para consultas. Isso, em linguagem diplomática, é demonstração de forte desagrado, degrau que precede o rompimento de relações.

Como vinha do Equador, o gesto não rendeu nem noticia de rodapé em site de segunda classe.

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A imprudência brasileira
O Planalto resolveu seguir o exemplo do pequeno Equador. Chamou de volta seu embaixador em Israel. Foi mais longe: convocou o embaixador israelense em Brasília para expressar-lhe, de viva voz, o profundo descontentamento do Planalto.

É interessante notar o ensurdecedor silêncio brasileiro diante de outras barbaridades tais como prisioneiros políticos em Cuba, lapidação de mulheres iranianas, abate de avião de linha na fronteira russo-ucraniana.

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O descontrole israelense
Tivesse o Brasil se contentado em votar a favor da resolução, o assunto estaria encerrado. No entanto, o fato de ter seguido o exemplo do pequenino Equador, teve o poder de irritar o governo de Israel.

Num espantoso descontrole, o porta-voz do governo de Jerusalém cometeu a arrogância de atribuir ao Brasil o epíteto de «political dwarf» ― anão político. Cá entre nós, e que ninguém nos ouça: o que o homem disse não é mentira. Sabemos todos que a grande diplomacia brasileira começou e terminou com o Barão do Rio Branco.

O problema é que o porta-voz israelense feriu um princípio universal: eu posso falar mal da minha família, mas você, não. Em outras palavras: certas verdades, embora conhecidas por todos, não devem ser ditas em voz alta. Uma fala tem de ser politicamente correta.

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Anao 1As consequências
Com suas palavras, o governo israelense despertou a ira do povo brasileiro inteiro. Nada como um inimigo comum para federar as forças de uma nação.

A empáfia das autoridades israelenses periga surtir efeito contrário ao que eles imaginavam. Pode até reforçar o apoio do povo brasileiro à posição do Itamaraty e do Planalto. Estamos a menos de três meses de eleições gerais. Um povo, quando se sente agredido, tende a renovar sua confiança naqueles que mostram disposição para defendê-lo.

Em resumo: o diferendo com Israel é uma bênção para a campanha de dona Dilma. Bem explorado, o sucedido pode render-lhe a simpatia e a adesão de muitos indecisos.

Tapeação de Salomão

José Horta Manzano

Em artigo publicado no Estadão deste 25 de julho, Diego Zanchetta informa que, ao final de quatro anos de obras que saíram por 680 milhões(!), o novo Templo de Salomão está sendo inaugurado em São Paulo.

Pertence a uma conhecida seita neopentecostal autodenominada Igreja Universal do Reino de Deus, controlada por um senhor chamado Macedo.

Os atributos do recinto são coisa de novo-rico, dignos de um castelo «medieval» de Las Vegas: quatro vezes a superfície do Santuário Nacional de Aparecida com espaço para 10 mil pessoas sentadas, revestimento de mármore cor-de-rosa italiano, iluminação garantida por 10 mil lâmpadas, oliveiras importadas de Israel, telão maior que os dos estádios da Copa das Copas. Pra ministro nenhum botar defeito, sô!

Foto Estadão

Foto Estadão

Aliás, não só ministro, mas presidente, ex-presidente, governador e prefeito foram convidados para a cerimônia de inauguração. Sem público, naturalmente, que é para prevenir vaias. Rapidinho, dona Dilma confirmou presença. É altamente provável que os outros convidados «de honra» compareçam também. Afinal, em época de campanha eleitoral, é permitido fazer o diabo.

Tem um detalhe que me incomoda. Fiel que ousar vir a pé, sozinho, movido por sua própria fé, não será admitido no local. Para frequentá-lo, é obrigatório vir em caravana. O adepto terá de inscrever-se junto à única empresa de ônibus coveniada com a seita. E terá de desembolsar obrigatoriamente 45 reais, ainda que resida a um quarteirão de distância. A notícia não deixa claro se o pagamento obrigatório da entrada será descontado do dízimo.

Em terras mais civilizadas, esse tipo de procedimento já teria sido denunciado como exploração da ingenuidade popular, num processo com excelentes chances de sucesso e de consequente interdição da seita no território nacional.

Mas em nossa terra, sacumé, a coisa é mais maneira. Já que pode servir de vitrina eleitoral, por que não fechar um olho? Afinal, parte importante de nossa vida política é alicerçada na exploração da crendice do povão. Ou não?

Comparecimento imediato

José Horta Manzano

Você sabia?

No Brasil, quem sai fora da linha não arrisca muito. Tendo um bom advogado e alguma folga financeira, aí então é moleza. Na falta de dinheiro, o apoio de uma ong qualquer também funciona.

Habeas corpus, prisão domiciliar, regime semiaberto, recursos, chicanas, entrevistas à mídia, protestos, faixas, passeatas contam-se aos montes. Até pedido de asilo político em consulado do Uruguai anda na moda. Cadeia é mesmo só pra pobre desdentado. Gente fina sempre dá um jeito.

Em outras partes do mundo, a coisa não funciona exatamente assim, que lugar adequado para quem afronta a lei é cadeia.

Um grupo havia solicitado à polícia francesa autorização para organizar uma manifestação em solidariedade com o povo palestino. As autoridades não deram permissão. Os manifestantes resolveram passar por cima e sair em passeata assim mesmo. Foi em Sarcelles, arredores de Paris, domingo passado.

Manif 2O que tinha de acontecer, aconteceu. Elementos perturbadores infiltraram-se na passeata e transformaram o cortejo pacífico em manifestação violenta. Vitrinas quebradas, lojas saqueadas, degradação de patrimônio público.

Tivesse ocorrido em nosso País, teria dado em nada. Ultimamente, os deveres andam meio esquecidos ― só valem os direitos. A expressão violenta da opinião de uns poucos tem prioridade sobre o direito à paz e à tranquilidade de que a esmagadora maioria de cidadãos deveria poder gozar.

Na França, tem disso não. A polícia deteve 18 arruaceiros. Foram divididos em grupos, conforme o delito cometido. Os primeiros foram apresentados à Justiça num procedimento dito de comparution immédiate ― comparecimento imediato. Essa fórmula é frequentemente utilizada em caso de pequenos crimes.

Os quatro primeiros foram julgados e condenados já na terça-feira, dois dias depois do tumulto. Três deles pegaram pena de dez meses de prisão ― os quatro primeiros meses em regime fechado e os seis últimos no semiaberto.

Não há consulado do Uruguai em Sarcelles. Nem que houvesse, não adiantaria nada. Preso político é uma coisa, baderneiro é outra.

O banco do Brics

José Ronaldo Saad (*)

A propósito da recente criação do banco CRA, banco do Brics, faço um comentário.

Por mero cálculo aritmético, verifica-se que o rateio do investimento dos cinco países se baseou na média de três índices: população, PIB, renda per capita. O aporte de cada um foi (em bilhões de dólares): China: 41, Índia: 18, Brasil: 18, Rússia: 18, África do Sul: 5.

A criação de nosso banco de desenvolvimento não está longe. by Paresh Nath, desenhista indiano

A criação de nosso banco de desenvolvimento não está longe.
by Paresh Nath, desenhista indiano

Ocorre que o terceiro índice (renda per capita) teria de ser descartado por dissimular uma falácia. Como ele é a relação entre PIB e população ― já devidamente computados nos dois primeiros critérios ― sua consideração é redundância equivalente ao notório expediente de “dar com uma mão para tirar com a outra”.

Ou seja, neste último indicador a população entra como denominador de uma fração, diminuindo sensivelmente o correto aporte dos países mais populosos ― a China e a Índia ―, justamente os gigantescos países asiáticos que mais precisam da infraestrutura para a qual o fundo foi específicamente criado. Hermanos vizinhos!

A média legítima seria obtida se se levassem em conta unicamente população e PIB. O rateio deveria ficar assim (em bilhões de dólares): China: 52.4, Índia: 26.3, Brasil: 10.3, Rússia: 9.0, África do Sul: 2.0.

Chegamos a um acordo para um mundo multipolar. by Paresh Nath, desenhista indiano

Chegamos a um acordo para um mundo multipolar.
by Paresh Nath, desenhista indiano

Como ficou, a China e a Índia deixaram de aportar 11,4 e 8,3 bilhões (22% e 32% de vantagem). Brasil, Rússia e África do Sul, investiram a maior 8, 9 e 3 bilhões respectivamente, chegando a 75%, 100% e 150% de desvantagem.

Não é à toa que os indianos são os maiores matemáticos do planeta. E adivinhem quem será o primeiro presidente?

Mais uma copa perdida?

in Tribuna da Imprensa, 16 jul° 2014.

Dona Mariquinhas e Dona Maricota

Carlos Chagas (*)

As duas velhinhas lá do subúrbio, viúvas e com os filhos criados, passam o dia se vigiando, empenhadas em tertúlias a respeito de que goiabeira é mais florida e dará melhores frutos, ou sobre que quintal está mais bem cuidado. Pela idade que alcançaram, são respeitadas no quarteirão. Mas não têm nenhuma importância para a vida da comunidade.

Assim parecem os ex-presidentes Fernando Henrique e Lula. Não se passa uma semana sem que deixem de se agredir comparando suas goiabeiras e seus jardins. Artigos, entrevistas e comentários sucedem-se de uma para a outra velhinha, mas, convenhamos, apenas para que passe o tempo das duas. A vida sabe ser cruel.

(*) Carlos Chagas (1938-), jornalista, in Tribuna da Internet.

Por via terrestre

José Horta Manzano

Anteontem o mundo ficou sabendo que, ao retornar do exterior por via terrestre, residentes no Brasil passavam a ter seu direito a importar sem impostos amputado de metade. O limite de valor da isenção tributária ― que já era baixo ― encolhia de 300 a 150 dólares.

Jornais paraguaios expressaram seu pesar. Tanto o ABC Color quanto outros portais. Para nosso pequeno vizinho, as divisas despejadas por compristas brasileiros são importantes.

Ontem, catapimba! Deu-se o dito pelo não dito. Em 24 horas, tivemos ordem e contraordem. Mais um assombroso improviso de nosso lamentável Executivo. A decisão amadorística terminou, como não podia deixar de ser, num desastre para a imagem de seriedade que o governo apreciaria(?) projetar.

A segurança jurídica é um dos sustentáculos da democracia e um dos atributos maiores dos países civilizados. Por que é que grandes empresas mundiais estabelecem sua sede ou sua base de operações neste ou naquele país? Os critérios são múltiplos. Entre eles, está naturalmente a facilidade de encontrar mão de obra e funcionários especializados. Tamanho do mercado, eficiência da infraestrutura e vantagens fiscais também contam. Acima de tudo, porém, paira a segurança jurídica ― a razoável certeza de que leis e regras não serão mudadas da noite para o dia.

Fronteira Brasil-França (Amapá-Guiana Francesa)

Fronteira Brasil – França    (Amapá – Guiana Francesa)                                                                                    imagens Google

Alguém imagina uma multinacional estabelecer sua central de operações na Venezuela ou na Argentina? Impensável. São países atormentados por um ordenamento jurídico ondulante, imprevisível, sinuoso, inseguro.

O recado que o Brasil passa ao mundo com esse tipo de vaivém jurídico é negativo e extremamente prejudicial a nossa imagem no exterior.

É verdade que já não nos enxergam como país confiável. Mas também não precisa confirmar essa deficiência a todo momento. Pra que exagerar? O caso em pauta deixa evidente que 24 horas de reflexão teriam bastado para evitar o vexame.

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Obs: A regra trata de chegada ao Brasil por via terrestre, o que exclui transporte aéreo e marítimo. Fico curioso para saber como são tratados os viajantes que retornam a Tupiniquínia por via fluvial. Entre outros pontos de passagem de nossa longa fronteira, há, por exemplo, uma linha regular de balsa entre St-Georges (Guiana Francesa, França) e Oiapoque (Amapá, Brasil). Os passageiros, navegando pelo Rio Oiapoque, não entram por via terrestre. Como é que fica?

Rapidinha 27

José Horta Manzano

Incertezas
Com informações da Agência Reuters, o portal Euronews anuncia, em sua versão em língua inglesa, que a presidente do Brasil já não navega em águas tão tranquilas. Esclarece que as perspectivas econômicas e a frustração dos habitantes das grandes metrópoles ameaça sua reeleição. Disso já sabíamos nós outros.

ShakhtarRecusa
Na falta de cientistas padrão Fifa para exportar, o Brasil despacha jogadores de futebol. Dizem que uns mil jovens partem a cada ano em direção aos rincões mais improváveis. Cinco deles são atualmente contratados pelo Shakhtar, da cidade de Donetsk, Ucrânia. É justamente o epicentro da insurreição ucraniana. O time esteve em exibição estes dias em jogo amistoso na França. Aproveitando-se da ocasião, os cinco brasileiros recusaram-se terminantemente a voltar para a Ucrânia. Perigoso demais. Foram acompanhados por um argentino, jogador do mesmo time. Quem dá a notícia é a Bloomberg.

De qualquer jeito
O portal CityWire, especializado em economia e finanças, informa que o setor bancário brasileiro prosseguirá seu crescimento ainda que(sic) Dilma Rousseff seja reeleita. O uso da locução «ainda que» (even if) revela o estado de espírito de quem escreve. Leia-se: Rousseff atravanca o crescimento econômico do país, mas o setor bancário é tão poderoso que deve sobreviver a eventual reeleição da mandatária.

SacoleiroSacoleiros
O paraguaio ABC Color lamenta que a quota de compras que brasileiros fazem no exterior esteja sendo cortada pela metade (de 300 a 150 dólares). A redução atinge em cheio a economia da região de fronteira, centrada na venda a turistas de um dia. A construção de estádios tão monumentais quanto inúteis representou desperdício de dezenas de bilhões do patrimônio do povo brasileiro. Os cofres públicos não são milagrosos. Quanto mais se gasta, menos sobra. É revoltante que, para reconstituir reservas dilapidadas, o governo federal amargue a vida dos sacoleiros, essas formiguinhas que sobrevivem revendendo bugigangas.

Frase do dia — 161

«A política está apodrecida não pela rejeição da população. Isso é um dos efeitos do problema. A política está apodrecida porque políticos, como o ex-presidente, que se dizem “modernos”, continuam fazendo o que faziam os coronéis que condenam.»

Editorial do Estadão, 20 jul° 2014.

Foi-se

José Horta Manzano

Foi-se o João Ubaldo, grande entre os grandes. Assim como quem não quer dar incômodo a ninguém, foi-se de mansinho, logo de manhã cedinho, sem prevenir.

Foi-se aquele que escrevia com sotaque. Aquele que fazia brotar sorrisos a cada parágrafo. Inteligência aguda e ironia fina eram os ingredientes maiores de seu receituário.

E culto também, o homem! Chegou a traduzir ― ele mesmo ― um de seus romances para o inglês. Falava alemão, coisa rara para quem não é descendente.

Sua escrita era como uma conversa ao pé do fogo, informal, amiga, imperdível.

Enfim, que fazer? A vida é assim mesmo. Como diz o outro, pra morrer, basta estar vivo. Mas, cá entre nós, tem gente que merecia viver uns 150 anos.

O baiano João Ubaldo leva consigo um pedaço da inteligência nacional. E como vai fazer falta!

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Para ler sua última crônica, publicada post-mortem pelo Estadão, clique aqui.

A insensatez

José Horta Manzano

As palavras têm peso. Quanto mais elevada for a posição de quem as exprime, maior será o impacto do que disser. Nem todos os dirigentes se dão conta disso.

Muito tempo atrás, o mundo era dividido entre os países desenvolvidos e os subdesenvolvidos. O Brasil se situava entre estes últimos. Um dia, já faz uns 40 anos, chegou-se à conclusão de que a expressão subdesenvolvido era pesada e infamante. Foi substituída por em desenvolvimento. Na prática, nada mudou: nosso país continuou na mesma categoria.

Mais recentemente, firmou-se a convicção de que uma meia dúzia de países subdesenvolvidos ― oops, em desenvolvimento ― pesavam mais que os outros. Foi-lhes atribuído outro epíteto. Passaram à categoria de potências emergentes. Entre os promovidos, ainda que fosse pela macicez de sua população, figura o Brasil.

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Um avião de linha caiu ontem na Ucrânia. Despencou justamente numa zona conflagrada, nos confins do país, a poucos quilômetros da fronteira com a Rússia. Segundo especialistas, é forte a probabilidade de que o aparelho ― que explodiu em voo ― tenha sido vítima de míssil terra-ar.

Cada um tem seu palpite sobre o que possa ter ocorrido: erro, distração, ataque proposital. Uns acham que o exército ucraniano possa ter disparado o foguete mortífero. Outros garantem que isso só pode ser obra dos insurgentes ucranianos pró-russos. Ainda há quem veja o dedo de Moscou por detrás do desastre.

Dificilmente saberemos nós, meros mortais, o que realmente aconteceu. Ainda que se descubra ― ou já se saiba ― como foi, é pouquíssimo provável que a verdade seja um dia revelada à larga.

Os grandes deste mundo já se pronunciaram sobre o acidente. Barack Obama, François Hollande, Angela Merkel & companhia se limitaram, como manda o figurino, a declarações de pesar e a condolências dirigidas à família das vítimas.

Nossa presidente não se esquivou. Afirmou que o governo brasileiro não deverá se manifestar sobre a queda do avião. Manifestar-se para dizer que não vai se manifestar já é, em sim, incongruente. É como aquele sujeito que bate à sua porta para dizer que hoje não vai poder vir. Mas dona Dilma foi mais longe.

Dilma Rousseff & Vladimir Putin

Dilma Rousseff & Vladimir Putin

Esquecendo-se de que a expressão «potência emergente» inclui a ideia de «potência», soltou palavras pra lá de desconcertantes. Além de manifestar-se para dizer que não ia se manifestar, acrescentou que, segundo órgãos da imprensa, «o avião derrubado estava na rota da volta do presidente Putin. Hora e percurso coincidiam. O míssil seria, então, dirigido ao avião presidencial».

É raro que um chefe de Estado se arrisque tanto em situação tão incerta. Incapaz de liberar-se de seu complexo de vira-lata, a chefe do Brasil-potência não se deu conta de que sua fala é analisada com atenção em chancelarias estrangeiras e jogou pesado. Insinuou que inimigos do senhor Putin estariam por detrás do atentado. Naquela região, de inimigos, o senhor Putin tem um só: o governo constituído da Ucrânia, eleito há poucos meses.

A ousadia de quem soprou essa extravagante mensagem a nossa incauta presidente nos põe numa saia pra lá de apertada. A chefe do Estado brasileiro ― voz oficial da nação! ― acusa, por meio de um circunlóquio, que Kiev tentou assassinar o presidente da Rússia.

Essa desajuizada declaração é um desastre diplomático. Demonstra mais uma vez, se ainda fosse necessário, que a cúpula instalada do Planalto não leva jeito para dirigir nosso País.

Mais dia, menos dia, russos, ucranianos pró-russos e ucranianos antirrussos vão acabar se entendendo. A conflagração vai logo ser coisa do passado, que não interessa a ninguém que se eternize. Feitas as pazes entre os beligerantes, sobrarão três grandes vítimas do evento.

A primeira, naturalmente, são os que viajavam dentro do aparelho derrubado. Vítimas inocentes que ― e é isso que nos consola ― devem ter expirado na hora, sem tempo de se dar conta do que acontecia.

A segunda vítima deverá ser a companhia aérea malaia. Tendo em conta que um de seus aviões já desapareceu misteriosamente quatro meses atrás, este novo golpe periga ser fatal para a empresa.

A terceira vítima, por obra e graça de nossos preclaros dirigentes, será a relação entre o Brasil e a Ucrânia. E tudo por causa de palavras levianas pronunciadas ― sem a menor necessidade ― por nossa presidente. Quanta insensatez!

O gato e a lebre

José Horta Manzano

Não sou analista financeiro nem tenho lastro suficiente para me aprofundar na matéria. Assim mesmo, os anos e as experiências vividas não deixaram de me apurar o bom senso. Entre tantos incômodos, os anos maduros trazem, pelo menos, o consolo de enxergar com menos paixão.

Banco 2Fiz esse preâmbulo antes de falar da criação do Banco do Brics, assunto que me chamou a atenção estes últimos dias. Longe de ser banco de pobre, como alguns apressados poderiam deduzir, tem sócios de peso. Basta dizer que conta com a segunda potência comercial do planeta entre seus membros. É interessante notar que cada um dos sócios tem sua própria motivação para aderir ao empreendimento.

A Rússia, por exemplo, anda meio de birra com o resto do mundo por causa do conflito com a Ucrânia. Desde que anexou a Crimeia, vem sofrendo sanções econômicas da União Europeia e dos EUA. As punições são inócuas, é só questão de marcar um desacordo. Assim mesmo, a Rússia procura mostrar que está dando de ombros para o castigo. Nessa óptica, uma associação com outras economias poderosas é sempre bem-vinda.

Diferentemente de nossa hermana Cristina, o Brasil não precisa do socorro financeiro de bancos internacionais. Já temos apoio suficiente. Se dona Dilma achou tão importante a criação desse estabelecimento é por razões de imagem interna. Transmite ao povo a sensação de que nosso país tem dinheiro pra dar, emprestar e vender. E, mais que isso, dá a prova cabal de que, finalmente, não dependemos mais dos abominados capitalistas ocidentais. A artimanha funciona, tem muita gente que acredita.

by Roque Sponholz, desenhista paranaense

by Roque Sponholz, desenhista paranaense

Quanto à África do Sul, cujo PIB equivale à quarta parte do nosso, não se entende bem o que está fazendo nesse clube. Faria mais sentido incluir a Turquia e a Indonésia.

O PIB (PPP) brasileiro, pelas contas do FMI, equivale ao da Rússia. Já a China, com produção anual bruta quase seis vezes superior à nossa, precisa menos ainda de ajuda de bancos internacionais. Seu interesse é diferente do nosso e do da Rússia.

Banco 1Com dinheiro a escapar pelo ladrão, o Estado chinês tem vista de longo alcance. Por seu peso econômico, terá de facto a última palavra nas decisões da nova empresa. Para ser concedido, todo empréstimo terá de contar com o beneplácito de Pequim.

A China, sedenta de matérias-primas necessárias para sua afirmação, tenderá, naturalmente, a apoiar projetos de seu próprio interesse. Projetos visando a favorecer produção de soja no Brasil ou de gás na Sibéria serão aplaudidos em Pequim. Seu financiamento está garantido.

Se os estrategistas do Planalto imaginavam, com a criação do banco de fomento do Brics, alforriar-se da dependência dos investidores tradicionais, perigam decepcionar-se. Livram-se da suserania ocidental para enfeudar-se aos tecnocratas de Pequim.

Quem viver, verá. Posso me enganar, mas tenho a impressão de que estão comprando gato por lebre.