Júbilo suspeito

José Horta Manzano

Outro dia, o novo presidente mexicano, recém-subido ao trono, anunciou que pretende contratar médicos cubanos, nos mesmos moldes do que fez o programa Mais Médicos no Brasil. Para o observador comum, a notícia é daquelas que não fedem nem cheiram. Cada dirigente organiza seus programas da maneira que lhe parecer mais eficiente. Foi eleito justamente pra isso.

Num gritante ato falho, nossa incendiária parlamentar Gleisi Hoffmann soltou entusiasmados rojões em comemoração à iminente contratação pelo México dos três mil médicos que estão deixando o Brasil.

A (quase ex-) senadora não se mostrou particularmente preocupada com o ganha-pão dos esculápios. Senão, vejamos: caso o presidente mexicano tivesse anunciado estar contratando médicos bielorrussos, vietnamitas ou zimbabuenses, ninguém imagina que ela estivesse festejando, pois não?

Fica claro, portanto, o motivo do júbilo de doutora Hoffmann. Está feliz de saber que os milhões de dólares extorquidos dos infelizes profissionais da saúde cubanos continuarão a irrigar a ditadura dos bondosos irmãos Castro.

Paço de São Cristóvão

José Horta Manzano

O Museu Nacional do Brasil e o Museu de História Natural do México formavam a primeira classe do panorama museológico latino-americano. As coleções de nosso Museu Nacional, no entanto, ultrapassavam em importância as do museu mexicano. O acervo acumulado no palácio da Quinta da Boa Vista ia além do universo tradicional da História Natural ‒ contava também com coleções arqueológicas, importante biblioteca, tesouros mineralógicos.

O Museu Nacional era destino de pesquisadores que vinham do outro lado do oceano apreciar e estudar objetos e espécimes que não se podiam encontrar em outro lugar. A tragédia comoveu o mundo da ciência. A França ofereceu assistência técnica. O Egito, que conta com grande experiência em restauração de obras de arte, também pôs seus especialistas à disposição.

Portugal sentiu o baque de maneira ainda mais especial. Além da destruição do acervo, a devastação do Paço de São Cristóvão foi um golpe duro. Esse edifício era o símbolo de um momento em que a História de Portugal e a do Brasil se roçam.

No Rio de Janeiro, a Biblioteca Nacional conta com acervo monumental.

Além de ter abrigado nossos dois imperadores, o prédio foi residência de nada menos que quatro gerações de monarcas portugueses. Viveram lá: D. Maria I (a Louca), seu filho D. João VI, seu neto D. Pedro I (que mais tarde reinaria como Pedro IV em Portugal) e ainda sua bisneta D. Maria da Glória (que viria a ser rainha de Portugal, com o nome de Maria II).

Esta última, D. Maria II, detém uma exclusividade não igualada até hoje: é a única monarca europeia nascida fora do continente europeu. Nasceu justamente no Palácio de São Cristóvão, em abril de 1819, quando D. João VI ainda residia no Rio de Janeiro.

Agora nos resta torcer pra que a súbita onda de interesse pelo panorama museológico brasileiro não morra na praia. Tomara que a desgraça de hoje sirva pra abrir os olhos de nossas autoridades. Sem um passado consistente, o futuro fica frouxo.

Dos personagens que presidiram nossa República nos últimos 50 anos, tem-se notícia de apenas dois que visitaram o Museu Nacional: Juscelino Kubitschek e Costa e Silva. Nenhum outro deixou registro de ter ensaiado alguns passos na Quinta da Boa Vista.

Se o próximo presidente fizer, logo no começo do mandato, uma visitinha, por exemplo, à fabulosa Biblioteca Nacional, já estará de bom tamanho. É bom ir antes que arda.

A metralhadora de Trump

José Horta Manzano

Fazendo eco a meu artigo de ontem, trago um complemento de informação. Eu tinha, de fato, comparado Trump ao Lula no quesito despreparo para o cargo exercido. Nem um nem outro se mostraram à altura do que se espera do presidente de uma República.

O Lula, que só abre a boca pra dizer asneira, dispensa comentários. Já de Mr. Trump, bem-nascido e milionário antes de assumir a presidência, era permitido esperar que, uma vez empossado, baixasse o tom e se comportasse como digno mandatário da maior potência do planeta. Vã esperança.

A investida do presidente americano contra as importações de aço e alumínio são particularmente canhestras. Visa claramente a reconfortar a fatia menos esclarecida de seu eleitorado ‒ as eleições de «mid-term» estão chegando. Mas o estrago é maior que o ganho.

Ao tomar medida protecionista, Mr. Trump poderia ter escolhido golpear importações da China, tradicional adversário comercial. Perdeu a oportunidade. Ao elevar abruptamente o imposto de importação de aço estrangeiro, atingiu em cheio uma maioria de aliados históricos.

As importações de aço americanas (em milhões de toneladas/ano) provêm dos países seguintes:

    • 1. Canadá        5,6
    • 2. Brasil        4,6
    • 3. Coreia (Sul)  3,4
    • 4. México        3,2
    • 5. Rússia        2,9
    • 6. Turquia       2,0
    • 7. Japão         1,7
    • 8. Alemanha      1,4

Em 2017, a China só exportou aos EUA 740 mil toneladas de aço, quantidade desprezível. Portanto, a medida castiga países amigos e deixa os inimigos gargalhando. Com presidente assim, é difícil que o país avance.

Terremoto

José Horta Manzano

Um terremoto sacudiu o centro e o sul do México ontem, pouco depois das 17h30, em plena hora de pico. Ainda que estejam acostumados a sofrer frequentes tremores de terra, os mexicanos se assustaram. O sismo de setembro passado, que deixou muitas vítimas, ainda está vivo na lembrança de todos.

Este terremoto foi de magnitude 7,2 na escala Richter e durou cerca de um minuto. Foi seguido por um mínimo de 150 réplicas. A frequência desses fenômenos fez que o México já tenha implantado um sistema de alerta. Setenta e dois segundos antes de o sismo ser sentido, a população ameaçada foi avisada por SMS, rádio, tevê e alto-falantes. Um minuto parece pouco, mas é tempo que permite correr para o ar livre ou procurar abrigo seguro.

O tremor foi ressentido até a capital, mas o epicentro situou-se em Santiago Pinoteca, cidade de 30 mil habitantes, a 400 km em linha reta. No Brasil, locutores de rádio e tevê disseram que «o epicentro foi em Pinoteca a 24km de profundidade». Escorregaram.

Terremoto: epicentro e hipocentro (foco)

Epicentro, palavra erudita formada com o prefixo grego epi (= em cima, acima, sobre), indica o ponto da superfície situado exatamente na vertical do foco do acidente sísmico. O ponto exato em que o atrito das rochas provocou o terremoto leva o nome técnico de hipocentro ‒ no presente caso, situado a 24km de profundidade. As ondas de choque se propagam em todas as direções, mas o epicentro ‒ o ponto da superfície situado mais próximo do sismo ‒ é o mais afetado.

Ouvi também que não tinha havido «alerta de tchissunâmi». O problema aí não é de inadequação vocabular, mas de pronúncia. O mundo adotou o termo tsunami para designar a enorme onda marítima que certos terremotos provocam. A palavra vem direto do Japão, país cuja língua não conhece acentuação tônica. Embora seja inabitual para nós, assim é: todas as sílabas são pronunciadas com a mesma intensidade, sem destaque para nenhuma delas. Pra facilitar, basta pronunciar tsunami como oxítona, com acento no mi. Fica mais próximo do original.

Ah, só pra terminar. O tsu de tsunami forma uma sílaba só. Não é tchissu. Lembre-se de pizza, que todos pronunciamos «pítsa» e não «pítchissa».

Este artigo, como tantas coisas em nosso país, também termina em pizza. Que fazer?

Vamos erguer o muro

Juan Pablo Villalobos (*)

Vamos erguer o muro. Pagaremos nós, os mexicanos, sem problema. Mas vamos fazê-lo nós mesmos, e poremos um posto de socorro a cada vinte quilômetros. Um refúgio com médicos, comida, água, camas para descansar e retomar forças, aulas de inglês. E o mais importante: poremos muitas portas em toda a extensão do muro, milhares. Portas com tranca de um lado só: do nosso.

Vamos erguer o muro. Pagaremos nós, os mexicanos, sem problema. Mas, para levantá-lo, vamos antes pedir empréstimo ao governo dos EUA. Ou ao Banco Mundial. Melhor ainda: ao FMI. Faremos uma licitação para o projeto arquitetônico e outra para a construção. E mais uma para a gestão ‒ quando estiver pronto. Evidentemente, convidaremos para as licitações somente os amigos.

E que vençam os mais amigos entre nossos amigos. Os do projeto arquitetônico vão se atrasar muito, muitíssimo, anos. São arquitetos medíocres, mas são nossos melhores amigos. A construção começará com anos de atraso. E logo aparecerão problemas de alvará. E dores de cabeça com fornecedores. E greves de operários. Dois meses depois de terminada a primeira parte da obra, vão aparecer rachaduras e umidade, o que levará à suspensão temporária dos trabalhos. E assim passarão os anos. Com um pouco de sorte, passarão também os presidentes dos EUA, até que chegue um a quem a construção do muro não interesse. Melhor ainda: até que chegue um que mande parar a obra. (É evidente que não devolveremos o dinheiro do empréstimo.)

Vamos erguer o muro. Pagaremos nós, os mexicanos, sem problema. Mas vamos transformá-lo em atração turística, em parque de diversões. Vamos chamá-lo de «Muro da Vergonha» ou algo parecido. Ao lado, abriremos museus sobre o racismo, o imperialismo, a discriminação. E miradouros para poder ver de longe como estão as coisas do lado de lá do muro. Virão turistas japoneses, chineses, alemães, escandinavos, turistas do mundo inteiro. Nosso muro será excelente negócio e criará milhares de empregos. Que serão ocupados ‒ é natural ‒ por migrantes impedidos de cruzar a fronteira.

Vamos erguer o muro. Pagaremos nós, os mexicanos, sem problema. Um muro invisível, como a roupa invisível do imperador. Um muro que só possa ser visto por gente inteligente. Vamos erguê-lo nós, os mexicanos, com tijolos e aço invisíveis. Livres de restrições materiais, vamos fazê-lo altíssimo: mil metros de altura. E bem largo: dois quilômetros de espessura.

No dia da inauguração, diremos ao presidente dos EUA: aqui está seu muro, é muito alto e muito largo, mas só os inteligentes conseguem vê-lo. Tenho certeza de que o presidente dos Estados Unidos ficará muito contente.

(*) Juan Pablo Villalobos (1973-), mexicano, é escritor e empresário. Este artigo foi publicado no jornal El Pais.

(Tradução deste blogueiro)

Desalinhados

José Horta Manzano

Você sabia?

No começo dos anos 1960, a Guerra Fria comia solta. O mundo, inquieto, temia que, a qualquer momento, a guerra esquentasse. Já à época, as duas superpotências ‒ EUA e União Soviética ‒ tinham arsenal nuclear capaz de aniquilar a humanidade. Vivia-se em tensão permanente.

Alguns países de importância secundária, na intenção de mostrar-se independentes tanto do bloco americano quanto do soviético, agruparam-se. Com o incentivo do Egito de Nasser, da Iugoslávia de Tito e da Índia de Nehru, dezenas de países médios e pequenos juntaram-se ao Movimento dos Não-Alinhados.

Não é fácil conciliar interesses de países díspares e espalhados pelo planeta. O objetivo do grupo nunca foi muito claro. Por exemplo, Cuba, membro fundador, embora se declarasse “não-alinhado”, estava visceralmente ligado ao bloco comunista, liderado pela União Soviética.

Nasser (Egito), Nehru (Índia) e Tito (Iugoslávia) Mentores do Movimento dos Não-Alinhados, 1961

Nasser (Egito), Nehru (Índia) e Tito (Iugoslávia)
Mentores do Movimento dos Não-Alinhados, 1961

Os países africanos, que acabavam de conquistar independência, entraram quase todos para o Movimento. Como a Cuba dos Castros, a maioria deles estava alinhadíssima com a URSS, ainda que alguns mostrassem simpatia pelo bloco ocidental. Resumindo, grande parte dos membros era constituída de não-alinhados pero no mucho.

Com a queda do Muro de Berlim e o desaparecimento da União Soviética, o Movimento dos Não-Alinhados perdeu a razão de existir. No entanto, por razões que a razão nem sempre explica, não foi dissolvido. Continua, firme e forte, a organizar cúpulas a cada dois, três ou quatro anos. Os interesses dos membros continuam tão divergentes como sempre foram, mas… quem se importa com esse detalhe?

Registre-se que o único país europeu a participar do Movimento é a Bielorrúsia. Quanto aos países ibero-americanos, vários integram o grupo com a notável exceção das três maiores economias: Brasil, México e Argentina. Praticamente todos os africanos são membros. Os grandes deste mundo (EUA, China, Japão, União Europeia, Rússia) não participam da encenação.

Nicolas Maduro by Darío Castillejos, desenhista mexicano

Nicolas Maduro
by Darío Castillejos, desenhista mexicano

Que discutem nas reuniões? Que resoluções tomam? Que ideologia seguem? Difícil dizer. Quando se juntam visões de mundo heterogêneas ‒ Timor Leste, Paquistão, Burundi, Equador, Afeganistão, Suriname ‒ entre dezenas de outros ‒ é complicado chegar a alguma espécie de consenso.

Mas a vida segue e o Movimento dos Não-Alinhados sobrevive. A Venezuela, mergulhada no caos político e econômico, está recebendo a reunião de cúpula de 2016 do clube dos não-alinhados.

Que um país que não consegue alimentar o próprio povo acolha autoridades de mais de cem países ‒ sem contar as respectivas comitivas ‒ é decisão singular. O tiranete Nicolás Maduro há de ter esperança de que a festa distraia, por um momento, o ronco das barrigas vazias dos infelizes venezuelanos.

Ocasiões perdidas

José Horta Manzano

Alca 1Estávamos no começo dos anos 1990. A queda do Muro de Berlim e o esfacelamento do Império Soviético marcavam o fim da Guerra Fria. Meio estonteado, o planeta se reorganizava militar e economicamente.

Tomando como espelho o sucesso da Comunidade Econômica Europeia, estrategistas de Washington imaginaram aplicar o mesmo princípio a todas as Américas. O objetivo da Alca (Área de Livre Comércio das Américas) era derrubar paulatinamente barreiras alfandegárias e transformar o continente num enorme e poderoso mercado comum.

O intento era ambicioso, portanto, a adesão dos principais atores era crucial ‒ os países menores acompanhariam por inércia. O problema é que o plano colidia frontalmente com a ambição de alguns líderes populistas que despontavam na América Latina. Assim mesmo, a ideia progrediu, bem ou mal, até a desastrosa cúpula de Mar del Plata, realizada em 2005.

Cúpula de Mar del Plata, 1995

Cúpula de Mar del Plata, 2005

Naquela altura, a Venezuela já estava manietada por Chávez. Na Argentina, Kirchner já comandava o barco. Para completar o trio, o Brasil tinha o Lula na presidência. No posto de assessor de nosso guia, já estava o inoxidável Marco Aurélio «top-top» Garcia, exatamente aquele que, ressentido e rancoroso, estacionou nos anos 1970 e rumina, desde então, seu antiamericanismo primário.

Nenhum dos três ‒ nem Chávez, nem Kirchner, nem o Lula ‒ via com bons olhos a aliança de livre comércio. A seu modo, cada um deles tinha o objetivo de se tornar protagonista dos novos tempos. A parceria com os EUA atrapalhava os planos. Juntos, bombardearam a Alca e despacharam o projeto de aliança comercial para o espaço.

Nafta

Nafta

O México, mais ajuizado e mais realista, preferiu ignorar ideologias ultrapassadas. Aliou-se aos EUA e, junto com o Canadá, formaram a Nafta ‒ versão regional da natimorta Alca ‒ restrita aos três grandes países da América do Norte. O mercado comum norte-americano continua de pé. Vai de vento em popa, obrigado. Os três sócios estão satisfeitos.

Enquanto isso, na América do Sul, tudo deu errado. A baixa do preço do petróleo aliada ao desastre administrativo de Chávez e de seu sucessor rebaixaram a Venezuela a um patamar indigente. A roubalheira e a gestão calamitosa travaram o avanço do Brasil e da Argentina.

E quem é que acaba ganhando com isso? O México, minha gente, aquele que, dez anos atrás, fez a boa opção. Artigo publicado no diário El Financiero (equivalente mexicano de nosso Valor Econômico) leva título significativo: «As penas do Brasil seriam uma bênção para o México

Menção é feita ao recente rebaixamento da nota de risco do Brasil, fato que levará obrigatoriamente importantes fundos de investimento a livrar-se de títulos brasileiros. Calcula-se que muitos bilhões de dólares serão retirados de papéis brasileiros e tomarão rumos mais seguros. Não precisávamos de mais essa.

Boa parte dessa bolada será investida no México, única nação latino-americana cuja inflação está abaixo da meta. A economia do país deve crescer 2.5% este ano e 2.8% em 2016 ‒ que inveja! Este ano, o peso mexicano desvalorizou-se 13% com relação ao dólar, enquanto o real caiu assustadores 32%.

Assim é a vida ‒ nada sai de graça. Mais cedo ou mais tarde, opções obtusas acabam cobrando a conta. Estamos todos pagando pela ignorância e pela miopia de uns poucos. Qualquer dia, a casa cai.

Sem apoio

José Horta Manzano

Príncipe Ali bin al-Hussein

Príncipe Ali bin al-Hussein

Quando autoridades americanas estouraram a bolha da roubalheira deslavada em que medalhões do futebol nadavam de braçada, o mundo ficou sabendo de coisas assombrosas. Muitos já suspeitavam, agora todos têm certeza: cartolas-mores levam vida de nababo.

Doravante, por algum tempo, o nível de corrupção nas altas esferas do futebol deve baixar. Assim mesmo, com ou sem roubalheira, o cargo máximo da Fifa continua pra lá de atraente. Dinheiro, poder, favores e mordomias despertam apetite em muita gente.

Foi dada a partida da corrida para a sucessão de Sepp Blatter. Muitos gostariam de se candidatar, poucos têm ousado. Para se apresentar, postulantes têm de obter o apoio oficial e declarado de pelo menos cinco federações nacionais.

O candidato natural e esperado é o príncipe Ali bin al-Hussein, da Jordânia, justamente o desafiante de Blatter na última eleição. Os 73 votos que recebeu em maio dão-lhe cacife. É rico e vem de país insignificante no futebol – qualidades interessantes.

Outro candidato evidente é Michel Platini, antigo craque da seleção da França, que preside, há anos, a poderosa Uefa – União Europeia de Futebol. Esse também tem grande possibilidade de ser eleito.

Fifa del NeroAlém dos dois, há meia dúzia de paraquedistas. Entre eles, o antigo futebolista carioca Arthur Antunes Coimbra, mais conhecido como Zico. O moço terá, é certo, dificuldade grande pra chegar lá.

O histórico de suspeitas que embaçam brasileiros como Havelange, Teixeira e del Nero (aquele que fugiu de Zurique pra escapar da polícia) contamina a candidatura de Zico.

Pra conseguir os cinco apoios, ele começou por pedir a bênção de del Nero. Ao deixar-se fotografar ao lado do cartola, embora fosse passagem obrigatória, assinou sua sentença de exclusão do páreo.

Michel Platini

Michel Platini

Para piorar, nossos hermanos já começaram a nos dar as costas. Ah, os ingratos! A Asociación Paraguaya de Fútbol já comunicou oficialmente à Fifa seu apoio a Platini. O Paraguai não está sozinho: Chile, Uruguai, México e a União Caribenha de Futebol também estão com o antigo craque francês.

A “liderança regional” brasileira ambicionada por Marco Aurélio “top-top” Garcia e pelo lulopetismo ainda está longe de se tornar realidade.

¡Que viva nuestra Latinoamérica!

Terra do cruz-credo

José Horta Manzano

Você sabia?

Assalto 2Como faz a cada ano, o respeitado instituto mexicano Seguridad, Justicia y Paz publicou estudo que mede a criminalidade urbana no planeta. Divulgou a lista das 50 cidades mais violentas do mundo – pelo critério de número de homicídios em relação à população.

O país campeão estourado em matéria de violência urbana – o distinto leitor já deve desconfiar – é nossa amada Terra de Santa Cruz. Que digo? Santa Cruz? Está mais para cruz-credo!

A lista de 2013 trazia 16 cidades brasileiras entre as 50 mais violentas do mundo. A edição 2014 não só confirma a presença das mesmas dezesseis como também acrescenta três: são agora 19. Em números redondos, quatro entre as dez cidades mais violentas – considerados todos os continentes e todos os países – se encontram no Brasil. Nosso País segue firme na vanguarda do crime. Nossa dianteira é de tal importância que dificilmente poderemos ser alcançados. Somos imbatíveis.

Crime 1Contrastando com as autoridades das outras 18 cidades brasileiras mencionadas no estudo, a Secretaria de Segurança Pública de Goiás não gostou de ver a capital do Estado mais uma vez na lista da vergonha.

Aderindo a estratégia muito em voga no Brasil atual, tentou menosprezar a mensagem e «desconstruir» o mensageiro. Criticou o instituto mexicano, sua metodologia e seus dados. Tentou desqualificar e desmerecer o estudo. Disse que estavam errados, que não era bem assim, que, no fundo, não se matava tanto em Goiânia.

Charge publicada no site Seguridad, Justicia y Paz

Charge publicada no site
Seguridad, Justicia y Paz

Mexeram em vespeiro. Tiveram direito a uma longa resposta, com números, fontes e tabelas, assinada pelo presidente do instituto. O artigo está em destaque no site da ong, exposto a quem quiser ler. As autoridades goianas atiraram no estafeta e acertaram o próprio pé. Para coroar, ganharam a charge que vai reproduzida aqui acima.

As 19 cidades brasileiras constantes da lista das 50 mais violentas do mundo em 2014 são as seguintes:

Posição   Cidade             Taxa(1)
———————————————————————————————————
04        João Pessoa        79,41
06        Maceió             72,91
08        Fortaleza          66,55
10        São Luís           64,71
11        Natal              63,68
15        Vitória            57,00
16        Cuiabá             56,46
17        Salvador           54,31
18        Belém              53,06
20        Teresina           49,49
23        Goiânia            44,82
29        Recife             39,05
30        Campina Grande     37,97
33        Manaus             37,07
37        Porto Alegre       34,65
39        Aracaju            34,19
42        Belo Horizonte     33,39
44        Curitiba           31,48
46        Macapá             25,45

(1) Homicídios intencionais por 100 mil habitantes

Para efeito de comparação, note-se que a taxa global brasileira beira 25 homicídios intencionais por 100 mil habitantes, número altíssimo.

Assalto 1É verdade que estamos numa situação menos sinistra que a infeliz Venezuela (45 por 100 mil). No entanto, estamos bem longe de uma Alemanha (0,8), de um Japão (0,4) ou de uma pacífica Hong Kong (0,2). Ainda temos longo caminho a percorrer. Será trabalho para as próximas gerações. Com sorte, os netos de nossos netos conhecerão um país mais civilizado.

Obs:
Quem quiser consultar o estudo completo do instituto, pode descarregá-lo, em língua portuguesa e em formato pdf, aqui.

Morreu de medo…

José Horta Manzano

Suisse 7Estes dias, realiza-se o Fórum Econômico Mundial, simpósio que, ano após ano, congrega os grandes deste mundo durante alguns dias em Davos, Suíça. Em seus tempos de esplendor, nosso guia fazia questão de comparecer e aparecer. Este ano, quarenta chefes de Estado fizeram questão de estar presentes, assim como 1500 dirigentes de multinacionais – um total de 2900 participantes.

É possível que a Mongólia não tenha enviado representante. É também provável que nenhum responsável do Haiti ou do Butão esteja presente.

Pelo ordenamento constitucional brasileiro, os cargos de chefe de Estado e de chefe do governo são exercidos pela mesma pessoa. Atualmente, dona Dilma Rousseff encarna esse superpersonagem.

Suisse 4Pois dona Dilma, mostrando que sua autoestima anda mais baixa do que se imagina, fez saber que preferia desdenhar a Suíça e prestigiar a reentronização de seu ídolo Evo Morales. A escolha há de ser fruto de um daqueles ataques de voluntarismo de que nossa presidente é vezeira. Recuso-me a acreditar que seus assessores, posto que sejam tacanhos, lhe tenham aconselhado trocar Davos por La Paz.

A ausência da figura maior da nação brasileira no fórum assinala marcha à ré na política de projeção mundial entabulada por nosso guia doze anos atrás. Põe a perder o esforço – às vezes atabalhoado, mas sincero – de alçar o nome do Brasil entre as potências planetárias.

Suisse 6Não acredito em escolhas ideológicas. Se dona Dilma faltou à reunião, foi por orgulho. Fugiu para escapar às críticas e à reprovação a seu modo de gerir a coisa pública. O mundo sabe, hoje, que a gestão de seu primeiro quadriênio foi calamitosa. Todos sabem também que nada de auspicioso se apresenta para o futuro próximo.

Resultado: como em reuniões familiares, fala-se mal dos ausentes. O economista-chefe do IHS – instituto americano de análise econômica e tecnológica – chegou a qualificar de «moribundo» o estado de saúde do Brasil. Enquanto isso, os Estados Unidos, a Índia e o México estão no foco da admiração. De fato, ninguém gosta de quem anda pra trás.

Suisse 5Dona Dilma tem perdido apoio internamente. Sua renúncia a representar o país em reuniões importantes periga ser interpretada como renúncia do Brasil a participar do clube dos grandes deste mundo. Nosso guia há de estar desgostoso.

De criança, a gente cantava um refrãozinho de deboche que assenta bem na atual chefe do Estado brasileiro. Começa com «Morreu de medo…». E termina com «… no dedo».

Transporte urbano

José Horta Manzano

Você sabia?

Dizem que a China é país muito corrupto ― pode ser. Dizem que o sistema de governo é extremamente autoritário ― parece que é. Dizem que grandes desigualdades sociais subsistem ― é certeza.

O que não se diz tão frequentemente é que o salto dado pelo país em vinte anos não ocorreu por obra e graça do Divino. Foi fruto de planejamento, de aplicação, de trabalho.

Um governo errático como o nosso, com critérios efêmeros e mudanças diárias, jamais chegará ao ponto a que chegaram os chineses. O modus operandi do governo brasileiro é paradigma de ineficiência.

Muitos problemas subsistem na China, mas é indisfarçável que o governo central daquele país tem investido na preparação do futuro. Trabalham duro no sentido de garantir aprovisionamento em matérias primas e desenvolvimento tecnológico.

Pequim tem-se mostrado menos preocupada com futebol e mais com o desenvolvimento da capacidade técnica e intelectual do povo. Quem planta, colhe.

Entre outros pontos, o governo cuidou de dotar suas metrópoles de atributos que facilitam a vida moderna. Como o transporte, por exemplo. Em janeiro passado, foram inauguradas as mais recentes linhas de metrô de Xangai. Com as linhas 12 e 16, a rede de transporte metropolitano da maior metrópole chinesa atinge a extensão de 567 quilômetros ― recorde mundial.

O programa de construção do metrô de Xangai prevê acrescentar, nos próximos anos, outros 230 quilômetros ― mais que a extensão total do metropolitano parisiense.

Metrô do Rio e de Xangai: evolução nos últimos 20 anos

Metrô do Rio e de Xangai: evolução nos últimos 20 anos

Para efeito de comparação, aqui vai a extensão atual de alguns metrôs:

Interligne vertical 11Xangai:           567km
Londres:          402km
Nova York:        373km
Moscou:           325km
Madrid:           293km
Cidade do México: 227km
Santiago:         103km
Istambul:          82km
São Paulo:         74km
Rio de Janeiro:    41km

Na China, não se organizam passeatas pedindo melhora na mobilidade urbana. Primeiro, porque é proibido. Segundo, porque não precisa.

Interligne 18bObs: Com informações do ReporterGazeta.com.br

Brasil x México

José Horta Manzano

Lula caricatura 1Abusando de seu senso inato para a delicadeza e para a diplomacia, nosso guia fez recentemente sutil pronunciamento repercutido pelo diário mexicano El Economista.

Declarou que, enquanto o Brasil é uma realidade econômica, o México não passa de uma promessa.

El Economista não hesitou em destilar a frase e fazer dela o título do artigo: «Brasil se envaidece de seu passado; México, de seu futuro».

Bateu, levou.

Visão panorâmica

José Horta Manzano

Aproveitando o fim de semana, vamos dar uma espiada em torno pra ver o que é que andam dizendo de nós.

Le Brésil reste sur un chaudron social
O Brasil continua em cima de um caldeirão social
Manchete do diário argelino Liberté, num apanhado da convulsão social que sacode o país-sede da «Copa das copas».

Interligne 28aBrasilien: protester mot VM-2014 växer
Brasil: protestos contra Copa-14 crescem
Manchete do site A Voz da Rússia, em sua versão em língua sueca. Traz um relato dos protestos do dia 15 de maio.

Interligne 28aBrasilien im Chaos ― Vier Wochen vor der WM: Panzer am Strand!
Brasil em caos ― Quatro semanas antes da Copa: tanques de guerra na praia!
Reportagem do sensacionalista Bild, o jornal de maior circulação na Alemanha. Conta o que aconteceu quando da greve de policiais no Recife.

Interligne 28aMundial en Brasil, ¿una pesadilla para los viajeros?
Copa no Brasil: um pesadelo para os turistas?
Artigo do Forbes (edição mexicana) sobre os desafios que os turistas que visitarem o Brasil durante a Copa deverão enfrentar.

Interligne 28aIl Brasile rischia di perdere le Olimpiadi 2016
O Brasil está arriscado a perder as Olimpíadas de 2016
Artigo intrigante do Il Secolo XIX, tradicional diário de Gênova, Itália. Revela rumores de que, à vista do atraso na preparação da infraestrutura, o CIO (Comitê Internacional Olímpico) estaria estudando um plano B: a transferência dos jogos de 2016 do Rio para Londres.

Interligne 28aLe Mondial de tous les dangers
A Copa de todos os perigos
Artigo do jornal francês L’Alsace. Dá uma visão dos acontecimentos recentes e diz textualmente: «Infelizmente, a um mês do início da competição, a escolha do Brasil para acolher a Copa aparece como aposta de alto risco, transformando esta edição no «Mundial de todos os perigos».

Interligne 28aBrasilien: Fußball statt Schule
Brasil: futebol em vez de escola
Manchete de reportagem da rede de televisão Euronews (versão alemã). O texto descreve a comoção que toma conta do Brasil. O título sintetiza.

Copa das copas 2Quando «lutaram» para que a organização da Copa fosse atribuída ao Brasil, nossos medalhões tinham duas intenções:

Interligne vertical 141) dar uma dentadinha (ou dentadona, depende do apetite) onde fosse possível;
2) mostrar ao mundo a imagem de um Brasil evoluído, rico, poderoso, harmônico, feliz.

Ninguém tem dúvida quanto à primeira intenção: foi amplamente alcançada. Já quanto à segunda… ai, ai, ai.

Mas os figurões devem estar se lixando. Já levaram seus trocados. A vergonha fica para nós.

É no Iraque?

José Horta Manzano

Você sabia?

Quais são as cidades mais violentas do mundo? Onde é que o número de homicídios é mais elevado? Assim, de supetão, a lógica aponta para o Oriente Médio ― Bagdá, Damasco. Talvez Cabul ou mesmo alguma metrópole africana, que a coisa por lá, às vezes, pega feio. Será?

Pois o Consejo Ciudadano para la Seguridad Pública y Justicia Penal, organização com sede no México, fez o estudo. Apurou minuciosamente o número de assassinatos cometidos no planeta em 2013. Em seguida, confrontou com a população de cada localidade. E acaba de publicar, para cada cidade, a taxa de homicídios por 100 mil habitantes .

O resultado é assustador. Entre as 50 cidades mais violentas do mundo, não há nenhuma do Oriente Médio. Estão lá somente 3 africanas ― todas na África do Sul. E o resto? Pasmem: as outras 47 estão localizadas no continente americano.

Estão lá 9 do México, 6 da Colômbia, 5 da Venezuela, 4 dos Estados Unidos, 2 de Honduras. Outros 5 países contribuem com uma cidade cada um. Mas… a conta não bate. Para chegar a 50, faltam 16 cidades. E onde é que elas estão? Uma bala perdida para quem errar.

Yes! Estão no Brasil sim, senhor! Dezesseis cidades. Das cinquenta piores, uma em cada três é nossa. Um detalhe inquietante: sete dessas capitais violentas sediarão jogos da «Copa das copas». Welcome, mister!

Nessa lista das mais violentas, uma cidade sul-africana aparece na 41a. posição. É justamente aquela que homenageia Nelson Mandela, prêmio Nobel da paz e pacificador da África do Sul.

O destino, por vezes, tem umas tiradas desconcertantes.

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    Cidade              País       Homicídios   Habitantes     Taxa
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01  San Pedro Sula      Honduras        1,411      753,990   187.14
02  Caracas             Venezuela       4,364    3,247,971   134.36
03  Acapulco            México            940      833,294   112.80
04  Cali                Colômbia        1,930    2,319,684    83.20
05  Maceió              Brasil            795      996,733    79.76
06  Distrito Central    Honduras          946    1,191,111    79.42
07  Fortaleza           Brasil          2,754    3,782,634    72.81
08  Guatemala           Guatemala       2,123    3,103,685    68.40
09  João Pessoa         Brasil            515      769,607    66.92
10  Barquisimeto        Venezuela         804    1,242,351    64.72
11  Palmira             Colômbia          183      300,707    60.86
12  Natal               Brasil            838    1,454,264    57.62
13  Salvador            Brasil          2,234    3,884,435    57.51
14  Vitória             Brasil          1,066    1,857,616    57.39
15  São Luís            Brasil            807    1,414,793    57.04
16  Culiacán            México            490      897,583    54.57
17  Ciudad Guayana      Venezuela         570    1,050,283    54.27
18  Torreón             México            633    1,167,142    54.24
19  Kingston            Jamaica           619    1,171,686    52.83
20  Cidade do Cabo      África do Sul   1,905    3,740,026    50.94
21  Chihuahua           México            429      855,995    50.12
22  Victoria            México            167      339,298    49.22
23  Belém               Brasil          1,033    2,141,618    48.23
24  Detroit             EUA               332      706,585    46.99
25  Campina Grande      Brasil            184      400,002    46.00
26  New Orleans         EUA               155      343,829    45.08
27  San Salvador        El Salvador       780    1,743,315    44.74
28  Goiânia             Brasil            621    1,393,575    44.56
29  Cuiabá              Brasil            366      832,710    43.95
30  Nuevo Laredo        México            172      400,957    42.90
31  Manaus              Brasil            843    1,982,177    42.53
32  Santa Marta         Colômbia          191      450,020    42.44
33  Cúcuta              Colômbia          260      615,795    42.22
34  Pereira             Colômbia          185      464,719    39.81
35  Medellín            Colômbia          920    2,417,325    38.06
36  Baltimore           EUA               234      619,493    37.77
37  Juárez              México            505    1,343,406    37.59
38  San Juan            Puerto Rico       160      427,789    37.40
39  Recife              Brasil          1,416    3,845,377    36.82
40  Macapá              Brasil            160      437,256    36.59
41  Nelson Mandela Bay  África do Sul     412    1,152,115    35.76
42  Maracaibo           Venezuela         784    2,212,040    35.44
43  Cuernavaca          México            227      650,201    34.91
44  Belo Horizonte      Brasil          1,800    5,182,977    34.73
45  Saint Louis         EUA               109      319,294    34.14
46  Aracaju             Brasil            300      899,239    33.36
47  Tijuana             México            536    1,649,072    32.50
48  Durban              África do Sul   1,116    3,442,361    32.42
49  Porto Príncipe      Haiti             371    1,234,414    30.05
50  Valencia            Venezuela         669    2,227,165    30.04

As 16 cidades brasileiras estão assinaladas

Frase do dia — 75

«Se houve um tema predominante na América Latina em 2013, foi o naufrágio das ilusões óticas. Da guerra às drogas no México, que matou 60 mil e segue sem trégua, ao Mercosul, que se encorpou com a entrada da Venezuela e definhou como pacto de integração regional, o ano velho foi-se e levou a soberba.»

Mac Margolis, em sua coluna publicada no Estadão, 5 jan° 2014

Florilégio de humor

Com meus votos de feliz ano-novo, mando-lhes hoje
uma amostra do humor de Darío Castillejos, desenhista mexicano

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Nelson Mandela by Darío Castillejos, desenhista mexicano

Nelson Mandela
by Darío Castillejos, desenhista mexicano

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A Censura by Darío Castillejos, desenhista mexicano

A Censura
by Darío Castillejos, desenhista mexicano

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A sapatada by Darío Castillejos, desenhista mexicano

A sapatada
by Darío Castillejos, desenhista mexicano

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by Darío Castillejos, desenhista mexicano

by Darío Castillejos, desenhista mexicano

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Evo Morales by Darío Castillejos, desenhista mexicano

Evo Morales
by Darío Castillejos, desenhista mexicano

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by Darío Castillejos, desenhista mexicano

by Darío Castillejos, desenhista mexicano

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Nicolas Maduro Moros y su pajarito by Darío Castillejos, desenhista mexicano

Nicolas Maduro Moros y su pajarito
by Darío Castillejos, desenhista mexicano

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Voto de cabresto by Darío Castillejos, desenhista mexicano

O voto é a base da democracia
by Darío Castillejos, desenhista mexicano

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Corregedores do passado

Percival Puggina (*)

Esses brasileiros são como filhos de novela, do tipo que rejeita a mãe. Embora o tempo presente os condene, veem-se como corregedores do passado. Incapazes perante o futuro, dedicam-se a amaldiçoar os que vieram antes. Obviamente, serão sucedidos por aqueles que os amaldiçoarão. O século 20, leitor amigo, jogou o Brasil num torvelinho de lamúrias e malquerenças, num imprescritível ajuste de infinitas contas.

Há alguns anos, conversando aqui em Porto Alegre com destacado empresário mexicano, num evento da ADCE, perguntei a ele sobre a situação dos astecas na contemporânea sociedade de seu país. Meu interlocutor era um homem alto, desempenado. Com sua tez avermelhada faria bom papel representando um índio do oeste norte-americano em filmes da década de 50. Olhou-me surpreso e respondeu com outra pergunta: «E eu tenho cara de espanhol?». Não, ele não tinha cara de espanhol, nem eu tinha mais perguntas a fazer. Fui. Serviu-me a lição e a tenho sempre em mente quando se fala sobre a questão do índio e do negro no Brasil.

Estimam os estudiosos, sabe-se lá como, que havia cerca de 3 milhões de índios por estas bandas, no ano do Descobrimento. Hoje restam 896 mil «puros», contados e recontados. Isso é bom ou ruim? O Brasil é um país por todos os motivos destinado à miscigenação. E o pequeno número de índios puros é, ainda assim, certamente maior do que o número de portugueses da gema. Percorre-se o Brasil e é visível, onde se vá, a existência de dezenas e dezenas de milhões de caboclos, cafuzos, mulatos. São empresários, acadêmicos, jornalistas, artistas, operários, agricultores, integrados à nação e expressando sua realidade social. Numa sessão do Congresso Nacional, em dia de votação importante, a câmera da tevê passeia sobre um plenário onde os pardos talvez formem a bancada majoritária, notadamente quando das regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste.

O governo da União, dominado por corregedores do passado, acaba de enviar ao Congresso uma lei determinando que todos os concursos públicos para provimento de cargos federais reservem 20% das vagas para negros e pardos. Com isso – suponho que pensem assim – está feita justiça. Um tipo de «justiça» sempre proposta para viger contra o direito alheio. Nunca com renúncia a qualquer direito de quem decide. Já tramita na Câmara, por exemplo, projeto que pretende criar cotas raciais nas eleições parlamentares. Não o aprovarão porque isso afeta as próprias reeleições. Será que o STF ou o CNJ aprovariam cotas nos concursos para a magistratura? E o governo? O governo, que propõe a lei, tem uma única e solitária ministra negra entre 40 pastas e secretarias com status de ministério.

O grande Chesterton dedica um capítulo de Os Hereges à questão das raças. Lá pelas tantas, escreve: «Todos os mais autênticos ingleses se aborreceriam ou escarneceriam abertamente se começássemos a falar sobre anglo-saxões. (…) A verdade disso tudo é muito simples. A nacionalidade existe, e nada neste mundo a relaciona a raça». E cita Timothy Healey: «Nacionalidade é algo pelo que as pessoas morrem». O Brasil, porém, vai deixando de ser a nação pela qual morreram tantos antepassados nossos para se tornar um amontoado de corpos sociais em conflito, sob a fraudulenta reengenharia social dos corregedores do passado. Está se oficializando como um país racista, onde a identidade fundamental passa a ser a cor da pele.

(*) Arquiteto, empresário e escritor. Edita o site www.puggina.org

De asilo & de embaixadas

«Em junho de 1957, Juscelino nomeou embaixador em Portugal o inesquecível pernambucano Álvaro Lins, dos nossos maiores intelectuais.

Em janeiro de 1959, Álvaro deu asilo na embaixada ao general Delgado, que Salazar queria matar porque Delgado tinha saído candidato a presidente da República. Salazar ameaçou invadir a embaixada. Álvaro Lins resistiu. Quando o general deixou a embaixada para disputar, Salazar o matou.

Serra, Weffort, Teotônio Santos, Cesar Maia, José Maria Rabelo, tantos poderiam ter sido mortos no Chile se não tivessem tido asilo dos EUA, da França, da Alemanha, do México contra Pinochet que poderia matá-los. Metade do governo Dilma não existiria se não houvesse asilo político.

Dilma não pode desmoralizar a tradição de asilo do Brasil, punindo o bravo embaixador Saboia, que salvou a vida do senador Molina, só para atender a um presidente que na Bolívia é chamado Evo “Imorales”.»

Do blogue do jornalista Sebastião Nery.

Escolha errada

José Horta Manzano

Talvez seja tarde demais, é verdade, mas… antes tarde do que nunca. Antevendo catástrofe no ano que vem, o presidente da Fifa finalmente reconhece que a escolha do Brasil para sediar a próxima Copa do Mundo pode não ter sido uma boa ideia. Foi delicado, falou suave.

E tem razão, ninguém pode negar, embora receio que seja demasiado tarde para voltar atrás. Bilhões já foram enterrados nessa aventura extravagante. Governo do Brasil, patrocinadores, a própria Fifa, nenhum dos envolvidos pode mais desistir. Malfeito foi, malfeito continua sendo, e malfeito continuará.

Estava bonito no papel, na prancheta e na conta bancária. Tudo parecia perfeito. Esqueceram de combinar com o povo. Os ingênuos mandachuvas brasileiros menosprezaram a inteligência dos habitantes do País. E os gananciosos dirigentes da Fifa acreditaram nas garantias do governo brasileiro.

Estava aí uma ocasião de ouro para organizar um plebiscito. Falo de 7 anos atrás, evidentemente. O governo teria assim jogado a responsabilidade no colo do povo. Ninguém poderia reclamar. Mas, que fazer? Entre o plebiscito que não houve e o governo que não ouve, deu no que deu.

Árbitro Crédito: Kopelnitsky, EUA

COPA DO MUNDO
By Kopelnitsky, EUA

Cada povo tem suas características, destiladas por um processo multissecular. Cada povo tem suas qualidades e seus defeitos. O rigor e a disciplina certamente não fazem parte da coletânea de qualidades maiores de nossa gente ― bem ao contrário.

A organização de um evento da magnitude de uma fase final de Copa do Mundo de futebol exige qualidades e prendas que ainda não possuímos. Se bastasse construir estádios monumentais e dar-lhes a bizarra apelação de «arena», o problema estaria resolvido. Infelizmente, precisa um pouco mais que sol, samba, carnaval e mulatas para organizar o espetáculo.

Temos falhas estruturais capazes de frustrar o sucesso de eventos mundiais. Há remédio para tudo, mas precisa comprar o medicamento e seguir a receita tim-tim por tim-tim. O tratamento vai levar tempo.

A visão de nossos políticos não alcança mais longe que a próxima eleição, portanto esses tratamentos a longo prazo não têm grande chance de serem adotados.

É muito chato que aconteçam coisas como esse pronunciamento de Herr Blatter, paxá da Fifa. Uma frase saída da boca de gente desse calibre é capaz de aniquilar anos de maquiagem de marqueteiros do Planalto. A imagem de país de Primeiro Mundo, moldada com tanto cuidado por «peritos em comunicação», escoa pelo ralo.

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Aqui está um florilégio da repercussão mundial da fala de Herr Blatter.

Interligne vertical 5No Brasil

No México

No Canadá

Na Alemanha I

Na Alemanha II

Nos Estados Unidos

Na Itália

Na França

No Peru

Na Inglaterra

Em Portugal

Se o mundo ainda existir ― e o Brasil e o futebol também ― talvez estejamos em condições de nos candidatar para sediar a Copa de 2126. Ou quem sabe a de 2130, ano que marcará o 200° aniversário do primeiro Campeonato Mundial de Football, como se dizia na época.

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