José Horta Manzano
Você sabia?
Será que o distinto leitor sabe o que há de comum entre as cidades de Prêveza (Grécia), Friedrichshafen Alemanha) e Pula (a antiga italiana Pola, atualmente na Croácia)? Pois fique sabendo que fazem parte dos destinos da mesma companhia de aviação.
A People’s ViennaLine é herdeira de uma história acidentada, cheia de altos e baixos, que começa em 1914, quando o alemão Herr Dornier fundou uma fabriqueta de aviões. De lá pra cá, houve crise, nazismo, guerra, miséria, cortina de ferro, reconstrução, um banzé. A firma pioneira saiu de cena por um bom tempo mas acabou ressuscitando. Por um desses caminhos tortuosos que o destino constrói, um descendente longínquo da antiga empresa ressurgiu, já faz alguns anos, como linha aérea regional.
A frota de 3 aviões da companhia serve 13 destinos. A sede social é em Viena (Áustria), mas a base operacional está instalada de facto no pequeno aeroporto de Altenrhein, no nordeste da Suíça, perto da cidadezinha de Sankt Gallen. Diga-se de passagem que a People’s é a única companhia aérea regular a utilizar aquele aeroporto. Em termos práticos, é a dona do pedaço. Privilegia destinos turísticos como Ilhas Baleares, Sardenha, Nápoles, Grécia.
O aeroporto suíço de Altenrhein oferece a vantagem de estar a poucos pares de quilômetros da Áustria e da Alemanha, situação que potencializa a bacia de clientes do transportador.
Duas peculiaridades da People’s ViennaLine merecem ser ressaltadas. A primeira é que a frota é constituída de aviões Embraer, todos «made in São José dos Campos»: dois Emb-170 e um Emb-145. A segunda é que mantêm a linha aérea (regular) mais curta do mundo. Linha internacional, faz favor!
De fato, dois voos diários ligam os aeroportos de Altenrhein (Suíça) ao de Friedrichshafen (Alemanha), separados por apenas 20 quilômetros em linha reta. As duas cidadezinhas ficam defronte uma da outra, separadas pelo Lago de Constança. Esse lago é alimentado pelo Rio Reno, que em seguida continua seu percurso até desembocar no Mar do Norte, 1500 quilômetros mais adiante.
Nunca percorri esse trecho de avião. Embora seja pouco mais que um voo de galinha, suponho que deva ser rentável, senão já teria sido suprimido.

















O ofício de articulista e o de analista ‒ falo desses que escrevem artigos para a grande mídia ‒ pode às vezes dar motivo a desapontamento. Quando algum acontecimento se está inexoravelmente aproximando, artigos costumam ser escritos antecipadamente. À medida que personalidades conhecidas vão envelhecendo, necrológios já vão sendo preparados. Dormem na gaveta das redações. (Hoje é mais adequado dizer que ficam armazenados em pastas de computador, mas dá no mesmo.) Assim que chega a notícia do falecimento, não precisa correr à Wikipédia à cata de pormenores da vida e do instinto do distinto extinto. Basta acrescentar algumas linhas ao esboço para dar o fecho. Não é cinismo, que a vida é assim mesmo.
Fico imaginando as resmas de papel atiradas ao lixo. Tiveram todos de costurar à pressa artigo novinho. Saíram no encalço do vencedor pra relembrar excesso, progresso e sucesso do inconfundível, irascível e imprevisível bilionário. As rimas são propositais, tanto o personagem é ativo, permissivo e agressivo.



































