A subida de doutor Haddad

José Horta Manzano0-Sigismeno 1

Topei com meu amigo Sigismeno no elevador. Entre um andar e outro, aproveitei pra comentar a pesquisa Ibope que acaba de sair do forno.

‒ Você viu, Sigismeno?

‒ Viu o quê?

‒ A pesquisa Ibope que saiu ontem com a previsão de voto nos candidatos à Presidência.

‒ Vi.

‒ E o que é que você acha? Doutor Haddad subiu feito foguete. Está com 19%. É impressionante, não?

‒ A mim, não impressionou.

‒ Não? Pôxa! França, Oropa e Bahia não falam noutra coisa e você… não ficou impressionado?

‒ Nem um pouco.

‒ Por que isso? Está despeitado, Sigismeno?

‒ Nem um pingo. Raciocine comigo. Você se lembra qual era a previsão de votos em Lula da Silva na última sondagem em que ele apareceu?

‒ Lembro sim, estava encostando nos 35%.

‒ Pois então. Doutor Haddad é o herdeiro do ex-presidente, não é? Aliás, nas palavras do Lula, ele é seu “representante”. Não é isso?

‒ Exato.

‒ Se o candidato é substituto de Lula da Silva, seria de esperar que herdasse os votos que iam ao ex-presidente, o seja, 35% do total. Portanto, ninguém deve se surpreender enquanto ele não chegar à marca do Lula. Aliás, pensando bem, espantoso mesmo é que não chegue nem a 20%. Está fraquinho!

‒ É, olhando por esse lado, você tem razão. Ele não está conseguindo seduzir nem os 30%-35% que representam o núcleo duro do PT. Vai mal.

Eleitorado conservador?

José Horta Manzano

É frequente ouvir dizer que, em política, o brasileiro está cansado de tudo o que está aí e quer mudança, novos ares, novos personagens. De tanto ouvir falar nisso, a gente quase acaba acreditando. E se a realidade não fosse exatamente essa?

Recentemente, o Grupo Record encomendou uma pesquisa a um certo Instituto Real Time Big Data(*), do qual nunca ouvi falar e sobre o qual não encontrei nenhuma referência. A pesquisa, que procura descobrir que tipo de presidente o brasileiro gostaria de ter, deve ser portanto encarada com um pé atrás. Assim mesmo, vale a pena olhar de esguelha.

A sondagem indica que dois terços do eleitorado preferem que a presidência seja ocupada por um homem. Após um desastre chamado Dilma Rousseff, o ressabiamento é compreensível.

Num rasgo de conservadorismo explícito, a sondagem informa que, de cada 4 brasileiros, 3 gostariam que o ocupante do cargo maior fosse branco. Sabendo que mais da metade da população do país é mestiça, dá pra medir o tamanho do preconceito: metade da população mestiça optaria por um branco no trono mais alto.

Nove entre dez compatriotas exigem que o chefe do Executivo acredite em Deus. A pesquisa não indagou se exigem também que pratique uma religião ou se basta dizerem que acreditam.

Uma estranha pergunta foi incluída: se preferem que o presidente venha de família rica ou pobre. Estranheza por estranheza, o povo se dividiu. Pouco mais da metade prefere que o homem tenha tido infância pobre, o que pressupõe que a outra metade prefira o contrário.

Confirmando a ancoragem na tradição, os eleitores ‒ numa proporção de 4 contra 1 ‒ fazem questão de que o eleito tenha experiência política, sinalizando preferir um político tradicional, à exclusão de todo novato.

Escaldados pela pobreza de ideias da era lulopetista, mais de três quartos dos eleitores exigem que o novo mandatário tenha formação universitária. Nunca se sabe ‒ formação mais sólida evita gafes internacionais e patacoadas internas.

Com lógica evidente, esmagadora maioria de 85% dos entrevistados não querem saber de ter de novo um presidente investigado por corrupção. Interessante é analisar a resposta pelo avesso. Por exclusão, 15% não se importam que o homem seja investigado. Ora, ora.

Aí está. Quem buscar lógica integral vai se sentir decepcionado. Repito que a sondagem deve ser olhada com certo distanciamento. Assim mesmo, não há de estar muito longe da verdade.

(*) Se o distinto leitor puder lançar alguma luz sobre o perfil desse instituto, convido-o a deixar comentário. Agradeço antecipadamente.

Dos paradoxos da pesquisa

Myrthes Suplicy Vieira (*)

Há poucos dias, li um artigo que tratava dos riscos de manipulação das pesquisas eleitorais. Com cuidado, o escrito alinhavava brechas que podem fragilizar ou até comprometer a credibilidade das sondagens. Provocativo, o texto terminava com a afirmação de que, considerando o impacto negativo que elas podem exercer sobre o ânimo do eleitorado, talvez fosse melhor abolir a divulgação de pesquisas eleitorais.

Fiquei pensativa e, confesso, um tanto incomodada com essa afirmação. Longe de mim o intuito de negar a existência de estratégias pouco éticas na área. Ao contrário, as teses que o artigo sustentava me fizeram lembrar de uma frase que ilustra bem como se pode destacar um determinado número para ludibriar a opinião pública: “A estatística vem sendo usada da mesma forma que um bêbado se utiliza de um poste de luz – não para iluminar, mas só como apoio”.

Há ainda uma velha piada que vai na mesma direção. Conta ela que o conselho de odontologia de uma cidadezinha do interior decidiu fazer um levantamento sobre as condições de trabalho dos dentistas locais. Ao cabo de poucas semanas, recebeu relatório bombástico de um pesquisador iniciante que apontava um dado inquietante: aumento de 50% no número de mortes entre os profissionais locais. Preocupado, o conselho destacou uma equipe para investigar in loco. Descobriu que a cidade contava com apenas dois dentistas e que um deles havia falecido no mês anterior.

O ponto crucial que pretendo levantar com essa pitada de humor é, portanto, que o problema não está só no modo como os institutos de pesquisa elaboram seus projetos, nem no modo como os dados são coletados. Está fundamentalmente na forma como os resultados são lidos pelos analistas e interpretados pela opinião pública.

O que nem todo mundo sabe é que não são feitos apenas levantamentos estatísticos de intenção de voto. Há diversos tipos de pesquisa eleitoral, que podem ser feitos isoladamente ou em conjunto.

As pesquisas quantitativas, o tipo mais difundido e gerador de muita polêmica, elaboram um retrato da concentração (ou da dispersão) de opiniões a favor deste ou daquele candidato. Funcionam, por assim dizer, como um termômetro do interesse popular. No entanto, deixam em segundo plano ‒ intencionalmente ou não ‒ os motivos que levam cada segmento da população a apoiar ou rejeitar cada candidato.

Esse é justamente o objetivo das pesquisas qualitativas, que propõem um mergulho profundo na motivação do eleitorado, independentemente do fato de uma dada opinião ser ou não majoritária ou representativa de seu segmento. Elas permitem a abertura de outras linhas de investigação, já que podem ser realizadas em grupo (para saber como as opiniões flutuam ao sabor da pressão da mídia e da visão de outros eleitores) ou através de entrevistas individuais.

Graças à abundância de dados sugeridos espontaneamente, as pesquisas qualitativas costumam anteceder os levantamentos quantitativos, e os resultados são normalmente usados para estruturar os questionários.

Não estou querendo dizer com tudo isso que as pesquisas qualitativas são mais confiáveis ou que deveriam sempre acompanhar a divulgação de números. Também não pretendo ingenuamente afiançar que elas são menos sujeitas a fraudes e a distorções intencionais.

Aonde quero chegar, então? Tão somente ao fato de que a força das pesquisas para alterar a disposição do eleitorado está intimamente ligada à falta de educação política. A crença disseminada de que optar livremente por um candidato mal colocado nas pesquisas seria o mesmo que “perder o voto” é icônica do analfabetismo ideológico e da indigência cultural.

Se o voto não fosse obrigatório por estas paragens, talvez ainda houvesse esperança de reverter esse quadro nefasto a curto prazo, mas…

(*) Myrthes Suplicy Vieira é psicóloga, escritora e tradutora.

Profissão de fé

José Horta Manzano

A crer no que predizem as pesquisas eleitorais, já estamos nos encaminhando para o segundo turno das eleições presidenciais de 2018. Num momento em que nem se sabe direito quem serão os candidatos, já se discute a decisão entre os dois finalistas. As sondagens já asseguram que Lula e Bolsonaro formam o duo vitorioso.

Sob um olhar céptico, está aí um bom caminho pra economizar e pra ganhar tempo. Passa-se por cima de prévias partidárias, de campanha, de horário eleitoral (dito) gratuito. Brasileiros terão de comparecer uma só vez atrás do biombo de papelão para teclar o número do preferido. Um ganho não desprezível! Feliz ou infelizmente, não é assim que funciona.

Entre as nações civilizadas e democráticas, o Brasil é uma das poucas em que eleitores votam no escuro. «No escuro? Como assim?» ‒ há de perguntar o distinto leitor. Pois explico. Em países avançados, é costume cada candidato a cargo majoritário apresentar programa claro e detalhado do que pretende fazer. Cada um expõe seu projeto de governo.

Na França, por exemplo, esse elenco de intenções se chama «profession de foi» ‒ profissão de fé. Trata-se de aclaração das principais medidas que o candidato se compromete a tomar caso seja eleito. Ao votar, os eleitores têm boa noção do pensamento do postulante e da direção que pretende imprimir ao mandato. A “profissão de fé” de cada concorrente é enviada por correio a todos os lares do país. Geralmente, inclui os pontos principais. Eleitores são convidados a visitar o site oficial do candidato para tomar conhecimento das propostas em formato integral.

Aqui abaixo, para dar-lhes uma ideia, reproduzo o resumo das intenções exprimidas por Emmanuel Macron, justamente aquele que acabou eleito para a presidência.

“Profissão de fé” do então candidato Macron

No Brasil, candidatos são mais reticentes. Jogam uma ideia aqui, um conceito ali, um projeto acolá, mas têm dificuldade em reunir declarações esparsas num todo coerente. Em geral, preferem frases de efeito e expressões vagas que não os comprometam. No passado, quando metade da população era analfabeta, não fazia sentido botar programa por escrito ‒ poucos leriam até o fim. Hoje, a paisagem mudou.

Nos últimos sessenta anos, duas cartas de intenções marcaram nossa história: o Plano de Metas de Juscelino Kubitschek e a Carta aos Brasileiros do Lula. Note-se que tanto o Lula quanto Juscelino foram eleitos. No fundo, nem brasileiro nem ninguém gosta de votar no escuro.

Se eu fosse candidato, trataria de pôr ideias em ordem e alinhavar rapidinho uma «profissão de fé». Eleitor brasileiro não é tão burro quanto supõem alguns. O problema é que, na falta de conhecer em detalhe o projeto de cada um, acabam por se deixar levar pela propaganda marqueteira. A (desastrosa) eleição da doutora é a prova contundente. Que nos sirva de lição.

Sem chance

José Horta Manzano

Sabemos todos que pesquisa de opinião pode ser torcida, retorcida e distorcida conforme o que se está querendo ouvir. Os especialistas no assunto conhecem bem as manhas. Há perguntas que induzem o entrevistado a dar a resposta que se deseja. A ordem em que se apresentam as opções conta. Misturar nomes conhecidos do grande público com ilustres desconhecidos também tem importância. Há mil e um truques que pesquisadores não hesitam em utilizar.

Já faz algum tempo que tenho visto sondagens focadas nas eleições presidenciais de 2018, previstas para realizar-se para daqui a um ano e três meses. É cedo demais para sondar. Além disso, tirando o eterno candidato Lula, nenhum outro se declarou formalmente. Portanto, sem ao menos saber quem vai concorrer, como é possível chegar a resultado razoável?

Achei interessante que o nome da doutora Dilma não apareça em nenhuma das pesquisas. Seus direitos políticos foram mantidos, pois não? A doutora governou o país durante cinco anos. Por que, diabos, os institutos a eliminam arbitrariamente da lista de possíveis candidatos? E que dizer de doutor Temer então? Ainda que fosse destituído ‒ o que está longe de acontecer ‒, pode candidatar-se em 2018. Assim mesmo, não aparece em nenhum cenário.

Em compensação, aparecem figuras como Luciana Genro, Eduardo Jorge e Ronaldo Caiado que, convenhamos, pouca gente conhece. Francamente, em matéria de parcialidade, a mais recente pesquisa eleitoral parece imbatível. Falando em imbatível, o Lula aparece com 30% dos votos no primeiro turno, independentemente do nome dos concorrentes. É possível que nem a inclusão da doutora e do atual presidente viesse a modificar o resultado.

Como contrapeso, saiu ontem pesquisa do Instituto Paraná. Foi divulgada pelo blogue de Lauro Jardim, alojado no jornal O Globo. Aos entrevistados não foi perguntado em quem votariam. Mais sutil, o instituto quis saber se o sondado achava que, pelas denúncias já apuradas, há motivos para o Lula ou doutor Temer serem presos. Aí vem a surpresa: 62% dos entrevistados acham que o Lula deve ir para o xilindró ‒ perto de 2 em cada 3 brasileiros! Só doutor Temer bate nosso guia. De cada 5 eleitores, 4 acham que o lugar dele também é na cadeia.

Agora comparemos. No primeiro turno, o Lula mantém, em qualquer cenário, seus 30% de eleitores fiéis. Vamos admitir. No entanto… 62% querem mais é vê-lo atrás das grades. A conclusão se impõe. Por mais que nosso guia caído apregoe, não teria possibilidade nenhuma de ser eleito caso a eleição fosse agora. Dado que será daqui a 15 meses, a situação só tende a piorar. Para ele.

Les jeux sont faits

José Horta Manzano

Pelos próximos quatro anos, se o destino não bancar o desmancha-prazeres e não der uma foiçada, Donald Trump exercerá a presidência dos EUA. Assim que a notícia se espalhou, metade dos americanos abriu o champanhe enquanto os demais abriram o armarinho do banheiro à cata de aspirina.

Muita gente foi apanhada de calça curta. Como em outras votações polêmicas, todos os institutos de pesquisa se enganaram. Até mesmo sondagens de boca de urna ainda mantinham Hillary Clinton na dianteira. O resultado final deixou muita gente atordoada.

eleicao-3Independentemente de ter torcido para este ou para aquele candidato, o distinto leitor há de estar surpreso. Não se sinta solitário, que uma multidão está no mesmo caso. No entanto, pensando bem… sabe quem levou o susto maior? Pois foi exatamente Mister Trump. Ele também sabe ler pesquisas. Já tinha até dado sinais de estar-se preparado para atacar a lisura do processo de apuração.

Para o moço, o importante era ganhar. Governar não estava exatamente nos seus planos. Nascido em berço confortável, deu continuidade ‒ com sucesso ‒ ao espírito empreendedor dos antepassados. Venceu sempre. Desta vez, sua intenção era de mostrar que era o maior, que podia chegar ao posto máximo mesmo sendo absolutamente carente de experiência política. Conseguiu. E agora?

Agora é que são elas. Ataques de palanque, frases de efeito, atitudes ensaiadas, ameaças, xingamentos, invectivas e ofensas ficaram pra trás. Mister Trump terá de usar sua esperteza para cercar-se de gente competente. O maior risco que ele corre nesse sentido é deixar-se levar pelo orgulho e agir como nossa mais recente presidente destituída: só nomear assessores que lhe digam amém. Se fizer isso, será desastroso.

cassino-1Seja como for, no fim das contas, pouco deve mudar para quem vive fora dos EUA. Com ou sem Mister Trump, o país continuará sendo, por muito tempo ainda, a maior potência econômica e militar do planeta. O Reino Unido seguirá firme o caminho do Brexit. A Rússia não abrirá mão da Crimeia. Palestinos e israelenses não farão as pazes. Alguns latino-americanos continuarão a tentar a atravessar o Rio Grande na calada, enquanto outros continuarão a frequentar a Disneylândia.

No Brasil, a mudança será pouca, quase nada. Desde que o lulopetismo cortou o cordão umbilical que nos unia ao mundo dito «ocidental» para fazer ligação direta com a China, decisões tomadas em Pequim têm maior influência sobre nós do que as que são tomadas em Washington.

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Les jeux sont faits, rien ne va plus!
A expressão que usei como título do artigo é difícil de traduzir ao pé da letra. É repetida pelos crupiês, nos cassinos franceses, a cada vez que a roleta é posta a girar. Significa que quem jogou, jogou; não se aceitam mais apostas para esta rodada.

Pesquisa eleitoral

José Horta Manzano

O Instituto Datafolha publicou estes dias o resultado de recente sondagem das intenções de voto para as eleições presidenciais previstas para 2018. Foi proposto aos entrevistados que escolhessem um nome entre os diferentes candidatos que se haviam apresentado às eleições de 2014.

Apesar dos escândalos trazidos à tona pela Operação Lava a Jato, nosso guia ainda aparece entre os bem cotados. É resultado surpreendente. Quem vem acompanhando o descalabro revelado de um ano para cá tem direito a ficar boquiaberto, sem entender o que possa estar se passando na cabeça dos eleitores.

Pesquisa DataFolha, jul° 2016

Pesquisa DataFolha, jul° 2016

No entanto, um exame mais acurado pode explicar a incongruência. O distinto leitor, que está certamente indignado e enojado com a ladroagem e com a rapina, há de imaginar que todos os conterrâneos estejam a par dos acontecimentos. Pois não é assim. Nem todos os brasileiros estão antenados.

A prova é que 1/3 dos pesquisados (um em cada três!) sequer sabe quem é o presidente da República em exercício. A pergunta não foi feita, mas não é impossível que muitos cidadãos acreditem que o Lula ainda ocupa o posto máximo.

Pesquisa DataFolha, jul° 2016

Pesquisa DataFolha, jul° 2016

Por mais que procuremos disfarçar e fazer de conta que não enxergamos, a realidade, teimosa, deixa clara a perniciosa estratificação ‒ econômica, social e cultural ‒ da população de nosso país. Um terço dos brasileiros não faz a menor ideia do que está ocorrendo. E por que é assim?

A resposta me parece evidente: porque sempre foi, ué! A preocupação com o social, declarada e louvada por nossos mandatários, embora prometesse mundos e fundos, não mostrou os efeitos apregoados.

Variados programas de inserção, bolsas diversas, estabelecimento de quotas para desvalidos, auxílio financeiro a famílias, acesso à casa própria, intercâmbio universitário, facilitação de crédito & companhia estão longe de ter sido eficientes. Se trouxeram geladeira e automóvel a numerosos cidadãos, não lhes incutiram o sentimento de pertencimento à nação. De cada três brasileiros, pelo menos um vive fora da realidade. Não estão nem aí ou, pior, não estão em condições de «estar aí».

Pesquisa DataFolha, jul° 2016

Pesquisa DataFolha, jul° 2016

Más línguas diriam que o objetivo dos que nos governaram por 13 anos era exatamente esse: manter o povo, de propósito, na ignorância. Recuso-me a acreditar que fosse essa a intenção do lulopetismo. O resultado, desgraçadamente, é esse. Está aí a pesquisa a escancarar o alheamento de parte importante da população.

Que caminho seguir para integrar todos no mundo pensante? Não tenho a resposta. Nem que a tivesse, não teria meios de agir sozinho. A pergunta vai continuar no ar à espera do dia em que mandatários bem-intencionados confiem a especialistas a missão de debruçar-se sobre o problema e encontrar solução.

Veja quem ganha as eleições

Carlos Brickmann (*)

Ibope, Datafolha, institutos de pesquisas são para os fracos: acertam na maioria das vezes, mas há também casos de erro. A cada pesquisa que divulgam, aparece alguém insatisfeito com o resultado dizendo que não foi ouvido e não conhece ninguém que o tenha sido – como se fosse fácil conhecer algum dos três mil entrevistados numa população de 200 milhões.

Para os fortes, há o melhor instituto do mundo, o DataCarlos, que não erra nunca. Pesquisas do DataCarlos não têm margem de erro para cima ou para baixo. Seu intervalo de confiabilidade é de 100%. E só não é superior a 100% porque o maior especialista mundial em números impossíveis, Guido Mantega, não veio ainda trabalhar conosco (nem virá, que aqui ninguém é doido).

O DataCarlos não tem pesquisadores, não faz entrevistas, não se preocupa com amostragens, e só sabe o nome dos candidatos porque saem todos os dias nos meios de comunicação. Pois nem o nome dos candidatos afeta a pesquisa.

Temer 1E agora, a resposta que todos querem conhecer: o vitorioso nas eleições será o PMDB. Ganhe Dilma ou ganhe Aécio, o PMDB, sob o comando de Michel Temer (ou de outro líder que melhor encarne os interesses partidários), governará o Brasil. Vai nomear os ministros importantes, faturar (eta, palavra perigosa!) os êxitos da administração, escolher até os jardineiros (fantasmas) de cada prédio público, do Oiapoque ao Chuí.

Com a vantagem de, em caso de fracasso, poder botar a culpa na pessoa que os cidadãos comuns pensam que é presidente.

(*) Carlos Brickmann é jornalista, consultor de comunicação. Publica a Coluna Carlos Brickmann em numerosos jornais.

Something is strange

José Horta Manzano

Algo está esquisito.

Datafolha e Ibope divulgaram resultado de pesquisa sobre a intenção dos eleitores para o segundo turno de votação. Parecia até combinado: o resultado de ambos os insitutos foi i-dên-ti-co, com as vírgulas e os pingos nos is. Deu empate entre os candidatos.

Dia seguinte, vem a pesquisa do Instituto Sensus, encomendada pela revista IstoÉ. O resultado é drasticamente diferente do empate previsto pelas outras duas instituições.

Estatísticas 6Segundo o Sensus, Aécio é dono da preferência de 56,4% do eleitorado, enquanto dona Dilma fica com 43,6%. Falamos aqui de votos válidos. Não é nada, não é nada, são 13 pontos de diferença.

A revista IstoÉ, que pagou pelo serviço, divulgou a informação em manchete. O Estadão e a Folha de São Paulo deram a notícia bem de leve, en passant.

Sem ser especialista em análise de sondagens, devo dizer que os números desta última pesquisa fazem mais sentido. Não é concebível que a maioria dos brasileiros anistie os que lá estão e lhes conceda mais quatro anos de poder.

Seja como for, a discrepância entre as pesquisas é bizarra. Pra não dizer mais.