Em todas as línguas

José Horta Manzano

News, Austrália

Clarín, Argentina

Der Spiegel, Alemanha

De Redactie, Bélgica

Nachrichten, Áustria

Le Monde, França

The Guardian, Inglaterra

Nova, Bulgária

El Comercio, Peru

Deník, República Tcheca

La Repubblica, Itália

De Morgen, Holanda

TVN24, Polônia

Público, Portugal

Stiri, Romênia

Agência Tass, Rússia

Sveriges Radio, Suécia

Tages Anzeiger, Suíça

Bir Gün, Turquia

Hrodmadske, Ucrânia

The Washington Post, EUA

Channel News Asia, Singapura

South China Morning Post, Hong Kong (China)

Cuba Sí, Cuba

Radio New Zealand, Nova Zelândia

Al Jazeera, Catar

HVG, Hungria

Telegram, Croácia

Irish Times, Irlanda

15min, Lituânia

Politis News, Grécia

Dagens Næringsliv, Noruega

DW, Indonésia

EWN, África do Sul

El Universal, Venezuela

Brasil x Alemanha

José Horta Manzano

Você sabia?

Pode parecer contrassenso, mas, a julgar pela elasticidade do nome do país, a Alemanha ganha de longe do Brasil. Como assim? Vou mostrar.

Tomei trinta das línguas mais difundidas no mundo. Tive de renunciar a línguas cuja escrita não me é familiar como chinês, hindi, árabe. As que sobraram são, assim mesmo, significativas.

Examinei, em cada uma delas, a palavra que usam para designar nosso País. E conferi também como chamam a Alemanha. O resultado é surpreendente.

É relativamente fácil reconhecer o nome do Brasil nas trinta línguas, basta um pouco de boa vontade. Quanto à Alemanha, parece camaleão: cada um chama de um jeito.

Veja o nome de nosso País mundo afora:

Interligne vertical 9Português        Brasil 
Alemão           Brasilien
Dinamarquês      Brasilien
Lituano          Brazilija
Islandês         Brazil
Estoniano        Brasiilia
Francês          Brésil
Galês            Brasil
Turco            Brezilya
Inglês           Brazil
Grego            Βραζιλία (Brasilía)
Indonésio        Brazil
Irlandês         An Bhrasaíl
Somali           Brazil
Sérvio           Бразил (Brasil)
Croata           Brazil
Russo            Бразилия (Brasilia)
Eslovaco         Brazília
Ucraniano        Бразилія (Brasilia)
Polonês          Brazylia
Holandês         Brazilië
Esloveno         Brazilija
Italiano         Brasile
Húngaro          Brazília
Finlandês        Brasilia
Espanhol         Brasil
Haussa           Brazil
Letão            Brazīlija
Maori            Brazil
Búlgaro          Бразилия (Brasilia)

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E agora veja o nome da Alemanha:

Interligne vertical 9Português        Alemanha
Alemão           Deutschland
Dinamarquês      Tyskland
Lituano          Vokietija
Islandês         Þýskaland
Estoniano        Saksamaa
Francês          Allemagne
Galês            yr Almaen
Turco            Almanya
Inglês           Germany
Grego            Γερμανία (Germanía)
Indonésio        Jerman
Irlandês         An Ghearmáin
Somali           Jarmal
Sérvio           Немачка (Niematchka)
Croata           Njemačka (Niematchka)
Russo            Германия (Germania)
Eslovaco         Nemecko
Ucraniano        Німеччина (Nimêtchina)
Polonês          Niemcy
Holandês         Duitsland
Esloveno         Nemčija
Italiano         Germania
Húngaro          Németország
Finlandês        Saksa
Espanhol         Alemania
Haussa           Jamus
Letão            Vācija
Maori            Tiamana
Búlgaro          Германия (Germania)

CalemanhaNo jogo marcado para hoje à tarde, vamos torcer para que a Seleção mostre a mesma maleabilidade que o adversário ostenta no nome de seu país.

Quem sabe até, fazendo das tripas coração, consegue superar os males que a afligem? Vamos ser positivos!

Culpa da Dilma

José Horta Manzano

A edição online da revista alemã Der Spiegel publicou estes dias um artigo que analisa causas e possíveis consequências da afronta que dona Dilma sofreu quando de sua aparição no Itaquerão, na abertura da “Copa das copas”.

A análise é complexa. Inclui o resultado das últimas sondagens eleitorais, menciona a visita do vice-presidente americano, fala do empate da Seleção com o México.

Extraí o parágrafo que transcrevo abaixo, um bom exemplo da percepção que estamos transmitindo à mídia estrangeira.

Assim que Dilma Rousseff apareceu no telão, um coro obsceno se levantou no estádio Foto DPA - Deutsche Presse-Agentur

Assim que Dilma Rousseff apareceu no telão, um coro obsceno se levantou no estádio
Fonte: Der Spiegel     –     Foto DPA – Deutsche Presse-Agentur

Interligne vertical 12«Rousseff steht seit Monaten in der Kritik. Ihr werden die immensen Kosten der WM angelastet, die nicht erfüllten Versprechen von mehr Sicherheit und besserer Infrastruktur, die lahmende Wirtschaft. Eigentlich alles, was in Brasilien schiefläuft. Es werden schon Witze darüber gemacht: Ein Eigentor? Dilma ist schuld. Reifen platt? Dilma ist schuld. Milch ist aus? Dilma… Wohl nur die Fifa hat derzeit ein schlechteres Image.»

Interligne vertical 12«Faz meses que Rousseff amarga críticas. Dela serão cobrados os imensos custos engendrados pela Copa, as promessas não cumpridas de maior segurança e melhora da infraestrutura, a economia em marcha lenta. Em resumo: tudo o que acontece de errado no Brasil. Estão na moda piadas do tipo: Gol contra? Culpa da Dilma. Pneu furado? Culpa da Dilma. Acabou o leite? Culpa da… Francamente, no momento, só a Fifa tem imagem pior.»

Visão panorâmica

José Horta Manzano

Aproveitando o fim de semana, vamos dar uma espiada em torno pra ver o que é que andam dizendo de nós.

Le Brésil reste sur un chaudron social
O Brasil continua em cima de um caldeirão social
Manchete do diário argelino Liberté, num apanhado da convulsão social que sacode o país-sede da «Copa das copas».

Interligne 28aBrasilien: protester mot VM-2014 växer
Brasil: protestos contra Copa-14 crescem
Manchete do site A Voz da Rússia, em sua versão em língua sueca. Traz um relato dos protestos do dia 15 de maio.

Interligne 28aBrasilien im Chaos ― Vier Wochen vor der WM: Panzer am Strand!
Brasil em caos ― Quatro semanas antes da Copa: tanques de guerra na praia!
Reportagem do sensacionalista Bild, o jornal de maior circulação na Alemanha. Conta o que aconteceu quando da greve de policiais no Recife.

Interligne 28aMundial en Brasil, ¿una pesadilla para los viajeros?
Copa no Brasil: um pesadelo para os turistas?
Artigo do Forbes (edição mexicana) sobre os desafios que os turistas que visitarem o Brasil durante a Copa deverão enfrentar.

Interligne 28aIl Brasile rischia di perdere le Olimpiadi 2016
O Brasil está arriscado a perder as Olimpíadas de 2016
Artigo intrigante do Il Secolo XIX, tradicional diário de Gênova, Itália. Revela rumores de que, à vista do atraso na preparação da infraestrutura, o CIO (Comitê Internacional Olímpico) estaria estudando um plano B: a transferência dos jogos de 2016 do Rio para Londres.

Interligne 28aLe Mondial de tous les dangers
A Copa de todos os perigos
Artigo do jornal francês L’Alsace. Dá uma visão dos acontecimentos recentes e diz textualmente: «Infelizmente, a um mês do início da competição, a escolha do Brasil para acolher a Copa aparece como aposta de alto risco, transformando esta edição no «Mundial de todos os perigos».

Interligne 28aBrasilien: Fußball statt Schule
Brasil: futebol em vez de escola
Manchete de reportagem da rede de televisão Euronews (versão alemã). O texto descreve a comoção que toma conta do Brasil. O título sintetiza.

Copa das copas 2Quando «lutaram» para que a organização da Copa fosse atribuída ao Brasil, nossos medalhões tinham duas intenções:

Interligne vertical 141) dar uma dentadinha (ou dentadona, depende do apetite) onde fosse possível;
2) mostrar ao mundo a imagem de um Brasil evoluído, rico, poderoso, harmônico, feliz.

Ninguém tem dúvida quanto à primeira intenção: foi amplamente alcançada. Já quanto à segunda… ai, ai, ai.

Mas os figurões devem estar se lixando. Já levaram seus trocados. A vergonha fica para nós.

Welcome to the club!

José Horta Manzano

Desta vez, é certeza: chegamos lá! Nosso barco está ancorado no cais do Primeiro Mundo. Alegria, minha gente! Bem-vindos ao clube!

Volta e meia, ouve-se notícia de que um cidadão americano (ou francês, ou britânico, ou alemão, ou japonês) foi sequestrado, em função de sua nacionalidade, por um grupo armado. Assim, de cabeça, não me ocorre nenhum caso em que o raptado tenha sido brasileiro.

Embaixada do Brasil em Berlim atacada com paus e pedras

Encapuzados lançaram cerca de 80 paralelepípedos contra a Embaixada do Brasil em Berlim

De tempos em tempos, fica-se sabendo que a bandeira americana (ou dinamarquesa, ou italiana, ou suíça) foi queimada e pisoteada com raiva por uma turba inflamada. Assim, de cabeça, não me vem nenhum episódio em que a vítima tenha sido nosso lábaro estrelado.

Com frequência, corre o relato de que uma representação diplomática americana (ou canadense, ou sueca, ou belga, ou espanhola) foi atacada ― com bazuca ou com paus e pedras. Assim, de cabeça, não me lembro de investida contra consulado ou embaixada nossa.

Isso agora é passado, caros amigos. É coisa antiga, é História. Nosso Brasil ― orgulhem-se! ― subiu um degrau na escala de importância dos países. Custou um dinheirão, mas… conseguimos.

Foi preciso investir bilhões, construir estádios, «convencer» a Fifa a acreditar em nós. Foi preciso torrar uma fortuna em Pasadena. Foi preciso meter o bedelho e dar vexame em Honduras. Foi preciso suportar durante doze anos o descalabro de governos incompetentes. Foi muito duro, mas o resultado é gratificante. De agora em diante, nossas embaixadas também estão sujeitas a ataques reivindicatórios. É a consagração!

Encapuzados alemães se esmeraram na noite de 11 a 12 de maio. Lançaram 80 paralelepípedos contra a Embaixada do Brasil em Berlim e conseguiram estilhaçar 31 vidraças (reparem na precisão da prestação de contas da polícia alemã).

Embaixada do Brasil em Berlim atacada com paus e pedras

Paralelepípedos em frente à Embaixada do Brasil em Berlim

Ok, ok, vidraça quebrada não é grande coisa. Concordo. Mas o que fica é o símbolo. O auê das manifestações de rua no Brasil já está gerando eco lá fora. A atenção que temos despertado no exterior confirma que estamos, de fato, adentrando o salão nobre reservado aos VIPs. Estamos entrando pela porta dos fundos, mas… que importa?

Falemos sério agora. Quem tem telhado de vidro deve tratar bem o vizinho. Quem tem embaixada com paredes de vidro deve evitar tratar seu próprio povo como um rebanho de imbecis.

Oxalá a moda de quebrar embaixadas brasileiras não pegue.

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Entre outros veículos, a notícia apareceu nos seguintes:

Estadão
Folha de São Paulo
Bild (Alemanha)
Der Spiegel (Alemanha)

País de alto risco

José Horta Manzano

A 45 dias do pontapé inicial da «Copa das copas», o Ministério de Relações Exteriores da Alemanha lançou novo alerta aos cidadãos que planejem viajar ao Brasil. Mostra como se está degradando a imagem de nosso país.

A página Reise- und Sicherheitshinweise (Conselhos de Viagem e de Segurança) é daquelas que costumam ser consultadas pelas agências de turismo e pelos próprios turistas. Dá uma imagem desoladora do Brasil.

Como o mundo enxergava o Brasil

Como o mundo enxergava o Brasil

Quem lê o artigo fica com a nítida impressão de que nosso país está no mesmo patamar de um Iraque ou de um Afeganistão. Diz lá que, em solo tupiniquim, não se respeitam as leis. Diz também que o turista periga ser vítima de ladrões, sequestradores ou até ver-se envolvido num conflito entre policiais e bandidos ― como aconteceu recentemente no Rio de Janeiro.

O informe ministerial vai mais fundo, sempre no mesmo tom. Relata que, infelizmente, arrastões e delitos violentos não estão descartados em nenhum ponto do Brasil e que, nas cidades maiores, a taxa de criminalidade é ainda mais elevada.

Recomenda aos turistas alemães que se abstenham de vestir roupas chamativas, de usar joias e de carregar muito dinheiro. Aconselha-os também a ocultar celulares, a carregar computadores portáteis numa sacola e a deixar documentos no cofre do hotel.

Chama a atenção para o perigo que correm os visitantes ao aventurar-se por ruas desertas após o horário comercial ou nos fins de semana. Até o golpe conhecido como Boa-noite, Cinderela é mencionado. Os alemães são instados a desconfiar de bebida oferecida por estranhos. Especial atenção deve ser prestada quando estiverem em bar frequentado por prostitutas: não perder nunca de vista o próprio copo.

Como o mundo passou a enxergar o Brasil

Como o mundo passou a enxergar o Brasil

Quanto à comunicação, o ministério informa que ela não é viável em alemão nem em inglês. Diz que, no sul do país, a língua espanhola é parcialmente compreendida. E termina reconhecendo que algum conhecimento rudimentar de português é ainda a única solução. Fica patente a falta de estudo generalizada.

E essa «Copa das copas», que foi bolada justamente para projetar a imagem de um Brasil-potência, alegre, pujante, forte, generoso, bem administrado, em via de civilização!

O Brasil ficou mais conhecido, mais falado, mais comentado, é verdade. Infelizmente, não exatamente no tom que se esperava.

Que furo n’água, minha gente! Ai, ai, ai, se arrependimento matasse…

Desvirtuamento

José Horta Manzano

Como já fiz em outras ocasiões, volto a investir contra a política de discriminação racial que governantes irresponsáveis tentam, a todo custo, implantar no Brasil.

Países civilizados que, por variadas razões, contam hoje com importantes minorias de raças diferentes tentam o impossível para mitigar contrastes étnicos. É o caso da França, da Alemanha, da Suécia, da Itália. Os esforços nem sempre são bem-sucedidos. Não é fácil eliminar preconceitos da memória coletiva.

No nosso País, ao contrário, todos parecem estar de acordo que acirrar animosidade entre cidadãos de raças diferentes é boa coisa. Está aí raciocínio incongruente. Todos sabem que o brasileiro julga seu próximo não tanto pela raça, mas pela aparência e pelos sinais exteriores de riqueza (ou de pobreza). Em suma, as pessoas são classificadas segundo critérios mais pecuniários que propriamente raciais.

O Brasil merecia que os que decidem seus destinos fossem suficientemente clarividentes para se dar conta dessa realidade. Impor leis que pavimentam o caminho de minorias(?) raciais é medida impactuosa, mas inócua. Melhor fariam as autoridades se se atacassem à raiz do problema, fornecendo ensino de melhor qualidade a todos os brasileiros, sem distinção de cor, raça, religião ou sexo.

Preparando o exame

Preparando o exame

Entendo que cuidar da Educação seria medida de longo prazo, daquelas que não garantem retorno eleitoral imediato. Mas não há outra saída: fora da instrução, não há salvação. A História se encarregará de julgar e de lançar o opróbrio sobre os dirigentes irresponsáveis que vêm afligindo e humilhando o Brasil neste começo de século.

Artigos publicados na imprensa estes dias mostram que os efeitos daninhos dessa política absurda e inconsequente já começam a se fazer sentir. A proporção dos candidatos ao Enem que se autodeclararam descendentes de africanos não corresponde ao que foi detectado pelo último recenseamento. É um começo, sem dúvida. Mas é fácil prever que tende a se alastrar.

Uma sociedade cuja política reafirma e reforça o tradicional paternalismo vai necessariamente gerar distorções. A política atual tende a eternizar a proliferação de cidadãos dependentes, daqueles que renunciam a se esforçar e preferem escorar-se em direitos ― sejam eles legítimos ou usurpados. Que fazer? Caso continue cabendo a cada cidadão definir a própria raça ― como é o caso atualmente ―, mais e mais desvirtuamentos teremos.

Todos hão de se lembrar daquele deputado que, para justificar o súbito enriquecimento, declarou haver jogado na loteria e tirado a sorte grande algumas centenas de vezes. Pois este é um País onde pouca gente tem medo do ridículo. Não está longe o dia em que 100% dos candidatos a enemes e vestibulares se autodeclararão pardos, azuis, verdes, pretos, roxos ou qualquer que seja a cor que lhes possa trazer vantagem.

Há uma outra solução: é que a origem racial seja detectada por método científico, seja por exame de ADN, seja por outro meio qualquer. Será radical e incontestável, mas estaremos voltando perigosamente ao ambiente deletério da Europa nazista dos anos 30 e 40. De que cor será a estrela que cada cidadão deverá obrigatoriamente costurar na camisa, do lado esquerdo do peito?

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Artigos aparecidos na imprensa sobre o assunto:
Estadão
Gazeta do Povo
Veja