Frase do dia — 267

«Poucas vezes terá havido situação semelhante à deste nosso banquete de horrores no qual 90% dos comensais declaram ter nojo da comida que lhes tem sido servida, mas são obrigados a continuar a tragá-la simplesmente porque não sabem pedir outro prato.»

Fernão Lara Mesquita, jornalista, em artigo publicado pelo Estadão, 24 out° 2015.

Pedaladas

José Horta Manzano

Este blogueiro é do tempo em que o termo pedalada lembrava passeio de bicicleta. Pra girar as rodas, a gente dava pedaladas na Monark ou na Caloi. Hoje em dia, pedalada não se dá, se faz. E o significado mudou.

Lula boné 1Nestes tempos estranhos, o sentido da palavra tem evoluído. Não evoca mais as rodas da magrelinha. A imagem que vem é de barbeiragens financeiras cometidas conscientemente por dona Dilma. Parece que é crime. Se for, mais dia menos dia a presidente terá de responder por ele. Quem viver, verá.

Dirigindo-se a plateia amestrada, um Lula que, apesar de viver vida abastada, continua se esforçando para parecer igual aos excluídos, enfiou mais uma vez no cocuruto o boné do MST. Expedientes malandros como esse eram conhecidos já nos tempos do velho Jânio Quadros, mas ainda tem gente que se deixa embalar.

Em 2003, ao fazer o gesto pela primeira vez, nosso guia desencadeou um bafafá. Cidadãos mais conscientes consideraram a atitude imprópria para presidente de país sério. De lá pra cá, o figurão perpetrou impropriedades bem maiores que aquela. Tantas fez que hoje os brasileiros, blasés, não prestam mais atenção.

Estes últimos meses, com o desenrolar veloz e imprevisível dos acontecimentos, o Lula anda mais desnorteado que cego em tiroteio. Perdeu os anéis, quis salvar os dedos. Perdeu os dedos, está tentando salvar as mãos. Seu horizonte anda um bocado nevoento para quem já sonhou abocanhar um Nobel da Paz para, em seguida, terminar presidente do Banco Mundial.

Bicicleta 8Na cerimônia de ontem, sem muito que dizer, o demiurgo aventurou-se por terreno minado. Falou das «pedaladas» que dona Dilma «fez». Contou não ter lido o processo, fato que não surpreendeu ninguém. Assim mesmo, garantiu que a afilhada cometeu esses «malfeitos» para poder continuar pagando programas de distribuição de dinheiro que ele mesmo havia instituído.

Ora, analisemos. Nos tempos em que o Lula era presidente, não foi preciso «pedalar» pra distribuir aos mais necessitados. A partir do momento em que o cumprimento de programas passou a exigir que leis fiscais fossem infringidas, das duas uma: que se mudassem as leis ou que se extinguissem os programas. Nenhum dos dois foi feito.

Blabla 2Qual é o resumo da opereta? Duas considerações se impõem. A primeira é a confissão – involuntária mas evidente – de que a pupila realmente «fez» pedaladas, ou seja, infringiu a lei.

A segunda consideração remete a meu post de ontem – A lei? Ora, a lei… A fala do Lula reforça a ideia de que leis e regras valem para os outros, não para si mesmo. O demiurgo pode falar mais que outros, se agitar mais que outros, ousar mais que outros, ser mais vaidoso que outros, ser menos culto que outros, ser mais ingênuo que outros mas, no fundo… é um político do mesmo padrão que todos os outros. A lei? Ora, a lei…

Cadeira cativa

José Horta Manzano

Artigo publicado pelo Correio Braziliense em 3 out° 2015

Onu 3Ano sim outro também, o ritual se repete: terminadas as férias de verão do Hemisfério Norte, abre-se mais um ano de trabalho na ONU. E lá vai nosso presidente, a quem cabe discursar em primeiro lugar. Segue-se uma cachoeira de alocuções em línguas sortidas. O espetáculo se desenrola sobre fundo de granito verde-imperial muito chique – pedra que, aliás, é bem capaz de ter sido extraída de nosso solo.

Este ano, à guisa de aperitivo à liturgia, fomos mimoseados com um conciliábulo apelidado G4, que reuniu quatro mandatários. Observe-se, en passant, que o costume atual de atribuir número a reunião de medalhões (G4, G7, G20) é sintomático. Realça o fato de os objetivos dos participantes não serem necessariamente concordantes. Foi-se o tempo em que alianças tinham propósito bem estruturado e compartilhado, donde a atribuição de nome próprio como Entente Cordiale ou Pacto de Varsóvia. A acertos efêmeros, números bastam.

Brasil, Alemanha, Índia e Japão irmanaram-se, por um instante, na reivindicação de uma reforma da ONU que lhes conceda assento permanente no Conselho de Segurança. Cada qual desses países é movido por um conjunto de interesses que lhe dizem respeito. O traço comum, sem hesitação, é a busca do prestígio perdido. Ou nunca havido.

Cúpula de candidatos a assento permanente no C.S.

Cúpula de candidatos a assento permanente no C.S.

Alemanha e Japão, gigantes industriais e econômicos, procuram recuperar a aura que a derrota na última guerra lhes tolheu. A Índia, país populoso, em franca ascensão e – ponto não desprezível – dotado de armamento nuclear, também aspira a sentar-se à mesa dos grandes. Quanto ao Brasil, a justificativa é menos nítida. No frigir dos ovos, o olhar que o mundo lança sobre nosso país não é muito diferente do de setenta anos atrás, quando a Organização das Nações Unidas foi fundada. Senão, vejamos.

Já naquela época, o Brasil era visto como país de futuro promissor, mas de modesta importância militar, industrial, econômica e diplomática. Se as últimas décadas renderam progresso a nosso país, não há que perder de vista que as demais nações, longe de terem parado no tempo, também se desenvolveram e avançaram. Ao fim e ao cabo, o posicionamento relativo do Brasil no conjunto dos Estados não está lá tão distante do que era em 1945.

ONU - Conselho de Segurança

ONU – Conselho de Segurança

Ilude-se, portanto, quem faz abstração das mudanças alheias e só leva em consideração as transformações pelas quais passamos nós outros. A população de alguns países cresceu mais que a nossa. Alguns deles se aplicaram e conseguiram industrializar-se mais rapidamente que nós. Um ou outro optou por dotar-se da arma nuclear. Diligências diplomáticas constantes fizeram que certos países, por se terem mostrado mais atuantes, nos superem hoje em relevância.

Cadeira permanente no Conselho de Segurança é assunto pra lá de delicado. Titular nenhum abre mão da que lhe cabe. Qualquer país que pretenda entrar para o clube pode até ser bem-visto por uns, mas desagradará a outros. Basta que uma das cinco potências com direito a veto bote empecilho, e pronto: o candidato não passa da soleira. Reforma do sistema? Nem pensar, que não serve ao interesse dos atuais membros permanentes. Por que a fariam?

Campo de refugiados sírios, Zaatari, Jordânia

Campo de refugiados sírios, Zaatari, Jordânia

Com tantos problemas por resolver, mais graves e mais urgentes, o Brasil deveria economizar energia e evitar arriscar-se num pleito cujas chances de dar certo são próximas de zero. No dia em que uma reforma for anunciada – o que está longe de acontecer – aí, sim, terá chegado o momento de reivindicar vaga. Por enquanto, é perda de tempo. Essa atitude de pedinte é humilhante e constrangedora.

Asilo 4Nossa industrialização vem encolhendo há vários anos, o que não nos torna mais poderosos no conjunto das nações. Nossa participação proporcional nas trocas comerciais globais não progride há décadas. Seria útil começar por assumir postura diplomática séria e coerente. Milhões de sírios deslocados pela guerra civil estão imersos na precariedade. O Brasil mostraria grandeza se, por exemplo, fizesse o necessário para acolher uma parcela desses infelizes. Que, pelo menos, nos apliquemos a promover uma diplomacia digna de nação adulta e consciente.

Que não nos contentemos em ser um Brasil grande, mas que nos esforcemos para nos tornar um grande Brasil. Não custa caro e está ao alcance de nossas possibilidades. A persistir em deixar como está pra ver como fica, continuaremos pagando, à prestação, nosso bilhete de volta ao Terceiro Mundo. E olhe que faltam poucas folhas para chegar ao fim do carnê.

Última chance

Sebastião Nery (*)

É um velho e macabro ritual na história brasileira. Quando o presidente da República está para cair, um jornalão dá o grito em editorial na primeira página. E nenhum tem resistido a essas aves de mau agouro. Foi assim com Getúlio, Jânio, Jango, Collor.

by Wellington Soares da Silva, desenhista pernambucano

by Wellington Soares da Silva, desenhista pernambucano

Domingo, de alto a baixo da primeira página, em letras garrafais, a Folha de São Paulo – tentando disfarçar mas indisfarçadamente –, anunciou a derrubada de Dilma. Não diz como nem quando. Mas ousa:– Última Chance.

(*) Sebastião Nery, jornalista, é editor do site SebastiãoNery.com.

O cabinho de pera

José Horta Manzano

Pera 1Quando querem dizer que um indivíduo “se acha”, os franceses dizem que ele «ne se prend pas pour la queue d’une poire» – não se considera um cabinho de pera. É expressão coloquial, a utilizar com moderação. Não pega bem em fala formal.

Numa certa altura dos acontecimentos, vozes chegaram a se levantar para incentivar o doutor Joaquim Barbosa, antigo membro e presidente do STF, a candidatar-se à presidência da República. Afastado dos holofotes, o ex-ministro está hoje menos visível. Longe dos olhos, longe do coração.

Mesmo assim, quando provocado, não nega fogo. Ainda estes dias, indagado sobre eventual processo de impedimento contra a presidente, Barbosa lançou, sem se preocupar com o efeito que pudesse causar, a seguinte pérola: «Não acredito no Tribunal de Contas da União como órgão sério desencadeador de um processo de tal gravidade. O Tribunal de Contas é um playground de políticos fracassados.»

Joaquim BarbosaFrase pesada, não? Tivesse saído da boca de nosso guia ou de certas figurinhas carimbadas do Congresso, não teria grande importância, que grande parte daquela gente é primitiva. Mas vindo de antigo presidente do STF, francamente…

Há opiniões que o distinto leitor e eu podemos até emitir, em conversa informal, de preferência numa roda de amigos. Já uma figura da estatura do ex-ministro teria de manter recato. O decoro na escolha dos termos faz parte da liturgia do alto posto ocupado.

Playground 2Não tenho antipatia por esse senhor. Afinal, o Brasil deve a ele a quebra do antigo tabu que determinava que gente importante não vai pra cadeia. Nesse particular, nossa história recente se divide entre o antes e o depois do Mensalão. Agradecidos ficamos todos.

O fato de ter prestado bons serviços à nação, contudo, não lhe dá blindagem para pairar acima do bem e do mal. A arrogância carcome a imagem daquele que, um dia, foi grande. A modéstia daria frutos mais saborosos.

Playground 1No fundo, o destino costuma fazer bem as coisas. O ministro estava no lugar certo na hora adequada. Prestou serviços inestimáveis a seus conterrâneos. Todos lhe somos gratos. Foi-se embora porque quis. Agora, basta.

Se lhe pudesse dar uma sugestão, diria ao doutor Barbosa que deixasse a soberba de lado. Que não arruine a extraordinária imagem que deixou.

AQUILA NON CAPTAT MUSCAS
A águia não caça moscas
Seres superiores não devem se preocupar com ninharias

O sete de setembro aqui e ali

José Horta Manzano

Sete de setembro não é feriado na França. Esta segunda-feira é dia como qualquer outro. O presidente da República, François Hollande, está concedendo entrevista coletiva a uma plateia de jornalistas. O formato é clássico: primeiro, fala o presidente; em seguida, jornalistas fazem perguntas.

A popularidade das personalidades políticas francesas é aferida mensalmente. A do presidente, embora seja bem superior aos 7% de dona Dilma, não vai além de 26% dos entrevistados. Um presidente impopular.

François Hollande 7Entrevistas coletivas presidenciais na França são organizadas duas vezes por ano. Ainda que a aprovação do presidente esteja lá no fundo, não há previsão de panelaço. Nem de colheraço. Os céus de Paris não perigam ver boneco inflado vestido de presidiário.

É permitido concluir que as vaias de que dona Dilma é obrigada a fugir não são unicamente fruto da baixa popularidade. O peso da roubalheira é que é insuportável. O sentimento de ter sido assaltado causa frustração e revolta. Eis o cerne da bronca dos brasileiros.

A banalização do mal

José Horta Manzano

Artigo publicado pelo Correio Braziliense em 5 set° 2015

Arendt 2Eichmann in Jerusalem: A Report on the Banality of Evil – Eichmann em Jerusalém: um relato da banalidade do mal. Em 1963, Hannah Arendt reuniu uma coletânea de artigos seus e os transformou no livro que leva esse título. A obra levanta polêmica até hoje. A controvérsia, no entanto, vai ficar para uma outra vez. O que hoje nos interessa é a universalidade do pensamento da autora.

Judia, de origem alemã, naturalizada americana, a senhora Arendt não gostava que a definissem como filósofa. Preferia ser designada como cientista política. O livro em questão, mais conhecido pelo subtítulo, introduz o conceito da banalização do mal.

O personagem central, Adolf Eichmann, foi um dos principais organizadores do extermínio dos judeus perpetrado pelo regime nazista durante a Segunda Guerra. Terminado o conflito, fez como numerosos correligionários: encontrou refúgio na Argentina, país onde viveu anos tranquilos, sem história. Em 1961, numa operação ousada e francamente impensável nos dias atuais, um comando especial israelense raptou-o e despachou-o ilicitamente de Buenos Aires a Jerusalém.

Arendt 1O objetivo era julgá-lo. Para que nenhuma dúvida subsistisse quanto à lisura do tribunal, as sessões foram públicas e integralmente filmadas. Hannah Arendt, que, durante a guerra, havia padecido em campo de concentração, estava particularmente interessada no desenrolar do processo. A síntese à qual ela chegou é peculiar e, até certo ponto, surpreendente.

Como a maior parte do público, a filósofa imaginava que a ação judicial fosse revelar um ser monstruoso e desprovido de humanidade, um sádico, um sanguinário, o demo em pessoa. Para seu espanto, ao sabor do desdobramento dos debates, delineou-se um funcionário zeloso, obediente, cumpridor dos deveres, dedicado e confiável. Em nenhum momento, o acusado demonstrou dar-se conta da hediondez de seus atos. Parecia até sincero ao repetir que não fizera mais que desempenhar-se e cumprir ordens e obrigações.

Eichmann 1Hannah Arendt identificou, nesse comportamento, os efeitos da banalização do mal. De tanto ser repetido, martelado e repisado, o que era monstruoso tinha-se tornado corriqueiro. A noção do mal se diluíra a ponto de converter-se em trivial burocracia.

Sem chegar a esses extremos – que nos proteja São Benedito! – a sociedade brasileira em geral, e a política do País em particular, se embrenham num caminho análogo. Perigosamente análogo.

A violência que, desde o tempo dos primeiros aventureiros, caracteriza nosso corpo social tem-se propagado. Livre, solta e incontida. A medida mais vistosa que cidadãos de bem costumam adotar é erguer muros e enjaular-se dentro de casa. A ninguém ocorre que as grades, se trazem alívio, não dão solução. E assim seguimos, conformados, resignados, convencidos de que a vida é assim mesmo e de que nada se pode fazer. É o mal banalizado.

Merenda 1No caldeirão da roubalheira, que é um dos componentes maiores da selvageria em que vivemos, esfervilham parlamentares de altíssimo coturno, megaempreiteiros, pequenas autoridades, obscuros funcionários, estafetas e até laranjas. Ainda estes dias saiu a notícia da prefeita de cidadezinha paupérrima que teria desviado, em proveito próprio, milhões de reais destinados à merenda escolar. À merenda escolar!

Sem se constranger, gente graúda defende bandidos condenados. Ministros se contradizem, presidente deita falatório estéril, parlamentares fingem que parlamentam e a gente finge que acredita. Vivemos no país das maravilhas. Dá-se mais importância a um boneco cheio de vento do que à família que vive debaixo da ponte – aqueles seres invisíveis que vegetam logo ali na esquina e que ninguém quer ver. É o mal banalizado.

by Alberto Soler, desenhista espanhol

by Alberto Soler, desenhista espanhol

Se, a nossos olhos, crimes e malfeitos parecem toleráveis, o mesmo não ocorre com os que nos observam de longe. Notícias correm hoje em dia. Tanto as boas quanto as más – especialmente as más. A benevolente estima com que nosso País sempre contou começa a chancelar.

Não sei se os brasileiros estão-se dando conta do estrago que a apreciação do País vem sofrendo no exterior. O Brasil sempre projetou imagem paradisíaca: sol, calor, alegria, gente pacífica, música, praia, futebol, harmonia, espírito acolhedor – são clichês que a simples menção do nome de nossa terra costumava evocar. Lamentavelmente, a imagem começa a fissurar-se.

Não percebido, traiçoeiro, nocivo e durável: é efeito colateral e inexorável da banalização do mal que plantou raízes em nosso País.

Frase do dia — 253

«No nos metemos en ese tipo de porquerías.»

Ollanta Humala, presidente da República do Peru, ao negar veementemente, diante das câmeras da rede RPP Noticias, toda e qualquer corrupção em seu governo. O mandatário contesta rumores de conluio entre funcionários seus e representantes de empreiteiras brasileiras que, associados, estão construindo rodovia binacional dita interoceânica.

Um século de pérolas presidenciais

“Hoje eu estou saudando a mandioca, uma das maiores conquistas do Brasil!”
Presidente Dilma Vana Rousseff

Presidente 2“É verdade: eu sou uma mulher dura cercada de homens meigos.”
Presidente Dilma Vana Rousseff

“O meio ambiente é uma ameaça para o desenvolvimento sustentável.”
Presidente Dilma Vana Rousseff

“Fui agora ao Gabão aprender como é que um presidente consegue ficar 37 anos no poder e ainda se candidatar à reeleição.”
Presidente Luiz Inácio da Silva, dito Lula

“Sou filho de uma mulher que nasceu analfabeta.”
Presidente Luiz Inácio da Silva, dito Lula

“Nem parece África!”
Presidente Luiz Inácio da Silva, sobre Windhoek, capital da Namíbia, África

Presidentes“Acho que nós, brasileiros, ainda não entendemos que a política externa é interna.”
Presidente Fernando Henrique Cardoso

“A caneta que nomeia é a mesma que demite”.
Presidente Fernando Henrique Cardoso

by Gerson Salvador, desenhista mineiro

by Gerson Salvador, desenhista mineiro

“Em Minas Gerais, a política é como crochê: não se pode dar ponto errado, sob pena de ter de começar tudo de novo.”
Presidente Itamar Augusto Cautiero Franco

“Seja legal com seus filhos. São eles que vão escolher seu asilo.”
Presidente Itamar Augusto Cautiero Franco

“Neste presidente, ninguém coloca uma canga.”
Presidente Fernando Affonso Collor de Mello

“Eu tenho aquilo roxo!”
Presidente Fernando Affonso Collor de Mello

Presidente 3“Governo é como violino: você toma com a esquerda e toca com a direita”
Presidente José de Ribamar Ferreira de Araújo Costa, dito Sarney

“No Maranhão, depois dos 50, não se pergunta a alguém como está de saúde. Pergunta-se onde é que dói.”
Presidente José de Ribamar Ferreira de Araújo Costa, dito Sarney

“Esperteza, quando é muita, come o dono.”
Presidente Tancredo de Almeida Neves, quando governador de Minas

“Sei que o país é essencialmente agrícola. Afinal, posso ser ignorante, mas não tanto.”
Presidente João Baptista de Oliveira Figueiredo

“Um povo que não sabe nem escovar os dentes não está preparado para votar.”
Presidente João Baptista de Oliveira Figueiredo

“É muita pretensão do homem inventar que Deus o criou à sua imagem e semelhança. Será possível que Deus seja tão ruim assim?”
Presidente Ernesto Beckmann Geisel

“O Brasil vai bem, mas o povo vai mal.”
Presidente Emílio Garrastazu Medici

“O poder é como um salame, toda vez que você o usa bem, corta só uma fatia, quando o usa mal, corta duas, mas se não o usa, cortam-se três e, em qualquer caso, ele fica sempre menor.”
Presidente Arthur da Costa e Silva

“A esquerda é boa para duas coisas: organizar manifestações de rua e desorganizar a economia.”
Presidente Humberto de Alencar Castello Branco

“Não troco um só trabalhador brasileiro por cem desses grã-finos arrumadinhos.”
Presidente João Belchior Marques Goulart

“Bebo porque é líquido. Se fosse sólido, comê-lo-ia.”
Presidente Jânio da Silva Quadros

Presidentes galeria“Intimidade gera aborrecimentos e filhos. Com a senhora não quero ter aborrecimentos e muito menos filhos. Portanto, exijo que me respeite”.
Presidente Jânio da Silva Quadros, quando prefeito de SP, dirigindo-se a uma jornalista que o havia tratado por você.

“O otimista pode até errar, mas o pessimista já começa errando.”
Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira

“Costumo voltar atrás, sim. Não tenho compromisso com o erro.”
Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira

“Deus poupou-me o sentimento do medo.”
Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira

“Quanto menos alguém entende, mais quer discordar.”
Presidente Getúlio Dornelles Vargas

“Eu sempre desconfiei muito daqueles que nunca me pediram nada. Geralmente os que sentam à mesa sem apetite são os que mais comem.”
Presidente Getúlio Dornelles Vargas

Presidente 1“No ministério tem gente capaz, o problema é que a maioria é capaz de qualquer coisa.”
Presidente Getúlio Dornelles Vargas

“A questão social é um caso de polícia.”
Presidente Washington Luís Pereira de Souza

“Durante a penúltima campanha presidencial, afirmava-se que o candidato não seria eleito; eleito, não seria reconhecido; reconhecido, não tomaria posse; empossado, não transporia os umbrais do Palácio do Catete.”
Presidente Arthur da Silva Bernardes

Inspirado em coletânea organizada por Pedro Luiz Rodrigues e publicada no Diário do Poder.

Dinda já era

José Horta Manzano

Turquia 3Todos os brasileiros com mais de quarenta anos hão de se lembrar da Casa da Dinda, aquela que entrou para a história como objeto de grande jogada de marketing de Collor de Mello.

Todo presidente da República tem direito a duas residências oficiais: o Palácio da Alvorada e a Granja do Torto. Ao ser eleito na onda da promessa de «caçar marajás», senhor Collor tomou decisão desconcertante: renunciou às residências oficiais. Para não desperdiçar dinheiro público, segundo declarou, preferiu instalar-se em mansão familiar às margens do Lago Paranoá.

A lógica ensina que, com presidente ou sem ele, residências oficiais continuam tendo de ser mantidas e conservadas com todo o seu pessoal. Portanto, a ausência da primeira-família resulta em economia próxima de zero. Mas, na hora, a decisão causou frisson.

Turquia 2Meses depois, o Brasil descobriu que os fundos «economizados» tinham sido reinvestidos – com juros e correção! – em melhoramentos na Casa da Dinda. Suspeita-se que dinheiro da corrupção tenha sido usado para plantar centenas de árvores e construir cachoeiras motorizadas. Contam ainda que, para maior conforto dos peixes que povoavam os tanques, a água era filtrada.

Quem dá mais? Em matéria de residência presidencial, o máximo que vimos nestes últimos anos foi um reles triplex no Guarujá. De uma banalidade constrangedora. Mas na Turquia, terra de sultães e de odaliscas… ah, no Oriente exuberante, não se fazem as coisas pela metade!

A mesa como meme na internet turca

A mesa virou meme na internet turca

Senhor Erdoğan, que foi primeiro-ministro por mais de onze anos e hoje oficia como presidente da República, mandou construir um palácio presidencial. O suntuoso imóvel, projetado para abrigar condignamente o mandatário, já está pronto. Fica em Ânkara, capital do país.

Sua área construída de 200 mil m2 – duzentos mil metros quadrados! – espalha-se por 1.150 cômodos e custou a bagatela de 490 milhões de euros. O prédio serve de residência para o presidente. Dado que há salas suficientes, é também usado como sede do governo.

Quase todos os turcos são maometanos. Pelo calendário religioso, um dos meses do ano lunar, o Ramadã, é dedicado à oração, ao recolhimento e ao sacrifício. Os preceitos são rígidos: durante um mês, os fiéis devem jejuar do nascer ao por do sol. É natural que o jejum absoluto, sem comida e sem água, resulte em fome de leão ao final do dia.

Quadra de squash

Quadra de squash

Para reunir os ministros para a quebra de jejum, senhor Erdoğan mandou montar uma mesa gigantesca que está fazendo furor. Tem a superfície de uma quadra de squash e custou um milhão de libras turcas: 1.200.000 reais.

Como pode constatar o distinto leitor, desperdício de dinheiro público não é exclusividade tupiniquim.

Interligne 18hUma curiosidade
Contei 29 pessoas ao redor da mesa. Incluindo o lugar vago, cabem 30. Os lugares não seriam suficientes para o espaçoso ministério de dona Dilma. Dez auxiliares teriam de sentar-se à mesa das crianças.

Tempos difíceis

José Horta Manzano

Os tempos andam complicados para todos – mais para uns que para outros. Para o partido que dominava a cena política federal até poucos meses atrás, o momento é mais que espinhoso. Depois que perderam a hegemonia, seus afiliados estão tentando colar os cacos.

O instantâneo tomado ontem no Congresso Nacional do PT deixa perceber que, por detrás de sorrisos de triunfo, há muita preocupação. Vejamos dois detalhes:

Dilma 12Interligne vertical 14A bancada oficial é ornada pelas bandeiras do Brasil, da Bahia e do partido. Detalhe sintomático: a bandeira nacional ocupa a posição central, jogando a do partido pra escanteio.

Nos tempos áureos, teriam vindo todos de roupa vermelha. Hoje, dado que o partido está irremediavelmente associado à roubalheira e à bandidagem, o vibrante vermelho-revolução – marca registrada da agremiação – foi substituído pela sem-gracice do traje de todos os dias. Alguns até de camisa pra fora da calça, composição pra lá de chique.

Pra finalizar, fato singular, importante e inquietante: a presença da presidente da República. A pessoa que acumula as duas funções maiores – chefe do governo e chefe do Estado brasileiro – deve ter a sabedoria de pairar acima de partidos. No momento em que foi eleita, dona Dilma deveria ter passado a distanciar-se de comemorações e festejos partidários. Faz parte da liturgia da função.

Dilma e Lula 2A presidente não fez mera visita de cortesia. Foi parte integrante e figura capital do convescote. Dado que nunca foi vista em convenção de nenhum outro partido, fica a certeza de que não é a presidente de todos os brasileiros, mas somente do partido do «nós». O «eles» fica de fora.

No fundo, é melhor assim.

Roland Garros

José Horta Manzano

Guga 1Em instantâneo tomado este domingo 7 de junho, o simpático tenista Guga aparece entre os espectadores da final do torneio Roland Garros 2015. A partida foi disputada entre um sérvio e um suíço.

Por sinal, o suíço – Stanislas Wawrinka – levou a taça. A presidente da Suíça, Simonetta Sommaruga fez questão de prestigiar o compatriota. É a senhora que aparece de chapéu ao lado do Guga.

Ela compareceu sem medo de vaias.

Pensando bem – 7

José Horta Manzano

0-Pensando bem

Pra fazer uma sondagem
e encontrar opinião,
é preciso ter coragem,
escapar da malandragem,
caprichar na rechecagem
e contar tudo ao povão.

Um instituto conhecido
pela sua exatidão
anda quieto e encolhido
já não diz mais ter ouvido
a voz da população.

Pesquisou, já várias vezes,
o tal grau de aprovação
do governo do País.
Mas agora, já faz meses
que me deixam infeliz:
não há mais publicação!

O silêncio é contundente
e me deixa encafifado.
No fundo, quem me garante
que, neste Brasil amado,
inda temos presidente?

Jeitinho danoso

Tribunal 2José Horta Manzano

Escrevo antes do exame de admissão ao STF pelo qual deverá passar, logo mais, o candidato indicado por dona Dilma. Desconheço, portanto, o resultado. Mas tenho considerações a respeito.

O que se passa estes dias é o retrato do Brasil, um exemplo acabado do «jeitinho» brasileiro, prova maior da indisciplina, da desorganização, da leniência de nossa sociedade. Muitos se orgulham dessa faceta nacional – não é meu caso.

Tribunal 4Segundo a Constituição, os poderes da República são harmônicos e complementares. Nenhuma hierarquia há entre eles. Portanto, fazer parte do colegiado que encabeça o STF é estar no topo da hierarquia, tanto quanto o presidente da República.

Presidente, muda-se a cada quatro anos, quando nos é permitido despachar o antigo pra casa e eleger outro. Escolha de ministro de STF deve ser feita com cuidado redobrado, dado que o cargo é vitalício. Com a escolha de mau titular, quem se dana é o País. Ninguém poderá tirar o homem de lá.

Tribunal 5Pela natureza do cargo, é conveniente que juízes exibam perfil neutro. Essa recomendação de imparcialidade vale sobretudo para juízes-mores. Melhor será que não tenham (nem tenham tido) proximidade com movimentos radicais, com partidos políticos, nem com teorias extremistas, revolucionárias ou sectárias. Serem conhecidos por suas opiniões sensatas, é o mínimo que se pode exigir.

O atual candidato à vaga do Supremo não se encaixa nesse perfil. Pelo que o Brasil inteiro ficou sabendo estes dias, o postulante comunga com ideias próximas às de movimentos radicais. Pior que isso, está demonstrado que passou por cima da lei ao aceitar posto na Procuradoria Pública ao mesmo tempo que continuava exercendo como advogado privado.

Tribunal 3Dona Dilma, amparada por seus assessores, não pode alegar ignorância desses fatos. Não devia, portanto, ter nomeado esse indivíduo para posto tão importante. Ao indicá-lo, a presidente fez exatamente como ele: pisoteou a Constituição, o decoro e o bom senso. Tentou “dar um jeitinho”, contornar leis e regras. É revoltante assistir ao menosprezo do interesse da nação em prol das conveniênciais pessoais da presidente e da nomenklatura que lhe assiste.

Que o senhor Fachin seja ou não aprovado pelos parlamentares é de somenos. O pior passo já foi dado pela presidente ao indicá-lo para o topo do STF. Se não quiserem descer mais um degrau na pouca consideração que a nação ainda lhes devota, os congressistas têm de repudiar o postulante. É o mínimo que podem fazer para remendar o tremendo erro presidencial.

Interligne 18c

Facchino 3Curiosidade etimológica
Fachin (pronuncie Faquín) é forma dialetal vêneta do italiano facchino. Provém do árabe faqih, que designava, na origem, um doutor, um sacerdote, um teólogo ou um juiz – pessoa importante.

Facchino 2Ao entrar na língua italiana, o termo foi perdendo majestade. Com o decorrer do tempo, passou a significar superintendente, controlador de alfândega. Decaiu, em seguida, para designar um escrivão. Continuou perdendo importância. Alguns séculos atrás, adquiriu o sentido de vendedor ambulante, mascate.

Facchino 1Hoje chegou ao fundo do poço. Facchino é como são chamados os carregadores de malas, os descarregadores de caminhão, os que transportam objetos pesados. Aliás, a palavra faquino existe, com o mesmo sentido, em nossa língua. Mas seu uso é pra lá de bissexto.

Esperemos que a (provável) sagração de nosso Fachin nacional não signifique a decadência da função de ministro do STF.

Frase do dia — 233

«O Ministério da Saúde financia Cuba, os Correios dão uma forcinha ora para a Venezuela, ora para a campanha de reeleição da presidente, e a Petrobrás financia PT, PP e PMDB antes, durante e depois de eleições, para eternizar um projeto de poder.

Tem muita investigação, muito inquérito, muitos réus, muita gente presa, mas, no frigir dos ovos, adivinha quem paga essa conta? Você!»

Eliane Cantanhêde, em sua coluna do Estadão, 20 fev° 2015.

Pátria deseducadora

Myrthes Suplicy Vieira (*)

Patria deseducadora 05
Patria deseducadora 02
Patria deseducadora 06Patria deseducadora 07

Patria deseducadora 03Patria deseducadora 08Patria deseducadora 09

Patria deseducadora 04Patria deseducadora 10Patria deseducadora 11

(*)

(*)

(*)

(*)

(*) Myrthes Suplicy Vieira é psicóloga, escritora e tradutora.

Frase do dia — 230

«Reforma ministerial é uma panaceia, ou seja, não resolve.»

Enormidade pronunciada ontem por dona Dilma, mostrando que não é amadora unicamente na política, mas também no uso da língua. Panaceia – o dicionário ensina – é remédio para todos os males. Além de ser vítima da própria miopia, nossa presidente mostra que sofre também de estrabismo. Empresta às palavras sentido oposto ao real. Estamos bem arranjados.

Pesquisa de opinião – 2

José Horta Manzano

Dilma 9Este post faz eco a meu artigo de ontem. O grupo Folha de São Paulo há de ter-se dado conta de que sua “contagem científica” dos participantes da passeata de domingo 15 de março pegou mal pra caramba. O pouco que pudesse restar de credível à imagem do Instituto Datafolha sofreu sério arranhão. A partir de agora, duvido que alguém, com intenção honesta de conhecer a verdade verdadeira, arrisque confiar a sondagem a esse instituto.

Além de deixar no ar a suspeita de que suas pesquisas podem ser ‘negociadas’, a instituição deixa patente sua miopia estratégica. De fato, sondagens têm mais vocação para serem lidas pelos estratos esclarecidos da população. Logo, a trapalhada consiste em serrar precisamente o galho onde se está apoiado.

by Chico Caruso, desenhista paulista

by Chico Caruso, desenhista paulista

A duvidosa estimativa do número de participantes da manifestação de domingo passado assestou pancada pesada à credibilidade do instituto. Eles sentiram o golpe, sim. E a prova está em destaque no sítio do jornal.

Numa tentativa de amenizar suspeitas de parcialidade, a Folha traz, neste 18 março, o resultado de sondagem mostrando a baixa catastrófica na apreciação de nossa mal-amada presidente.

Sei não. Muitas pesquisas sérias terão de ser publicadas para alçar a confiabilidade do instituto ao patamar anterior.

Chamada de 18 mar 2015 - in Folha de São Paulo

Chamada de 18 mar 2015 – in Folha de São Paulo

Bode expiatório

José Horta Manzano

Bode 1O homem costuma dar um jeito para que seus pecados sejam pagos por algum outro vivente. Religiões e civilizações trataram de designar seu bode expiatório. Houve quem sacrificasse animais – algumas religiões continuam seguindo a prática. Houve até os que chegaram a sacrificar gente – qualquer um servia, desde que não fosse o comanditário.

Por se faz isso? Porque se supõe (e se espera) que o sacrifício aplaque a ira dos deuses. Já que alguém tem de ir para o abatedouro, que seja um bicho, que é mais simples. Na pior das hipóteses, que vá um ser humano – qualquer um serve, desde que não seja eu.

Dezenas de empresários, políticos, figurões, deputados, senadores – até um governador! – estão atualmente na berlinda, acusados de participação na roubalheira orquestrada contra a petroleira nacional. Não estamos falando do seu Manuel da venda, minha gente, são mandarins graúdos: até o presidente da Câmara e o do Senado aparecem na lista dos réus! Não é coisa pouca.

No entanto, anestesiado por mentes muito mais matreiras do que imagina, o povo anda seguindo, sem se dar conta, o velho padrão. Dado que é difícil pedir a cabeça de tanta gente, o foco cristalizou-se numa figura só: a da presidente da República. É a Geni da vez, para-raios da ira popular.

ba Claudius Ceccon, desenhista gaúcho

by Claudius Ceccon, desenhista gaúcho

Panelaços, críticas, acusações, diatribes e cartuns são lançados contra dona Dilma. Não digo que ela esteja isenta de culpa na deliquescência de nossa sociedade. Culpada certamente é, como são todos os que, tendo como fazê-lo, se desobrigaram de dar contribuição para minorar os males de que sofrem os brasileiros. Dona Dilma, contudo, não é a única, longe disso.

Muitos medalhões merecem tanto quanto ela – talvez até mais – ser alvo de condenamento público. Para essa gente, o panorama atual é bálsamo, um presente do povo brasileiro. Estão esfregando as mãos de satisfação. Enquanto o rebanho se pinta de verde-amarelo e levanta cartazes exigindo o impedimento da presidente, a caravana dos velhacos-mores vai passando. E a poeira vai baixando. Nada como dar tempo ao tempo.

by Amarildo Lima, desenhista capixaba

by Amarildo Lima, desenhista capixaba

Fica cada dia mais evidente que a República Nova, que emergiu em 1985 das cinzas do regime militar, se esgotou. Populismo, incompetência e corrupção acabaram com ela. O regime nascido em 1946 tinha durado parcos 18 anos. O regime militar não se manteve de pé por muito mais: só 21 aninhos. Estes trinta anos de República Nova já representam, para nossos padrões, duração apreciável.

Dá no mesmo, que Dilma fique ou que Dilma se vá: o regime está carcomido e o fundo do poço está próximo. Chegou o momento de convocar, pelo voto universal, representantes do povo a fim de fabricar nova Constituição. Constituinte, já!