Hub global

Fernão Lara Mesquita (*)

«O PT coseu o Estado à faca e deu a mão às Farc. A “revolución” saltou do Caribe para as selvas da Colômbia, rolou Solimões abaixo, subiu os morros de fuzil na mão e agora jaz, aos pedaços, nas caçambas do IML.

O poder da droga é filho da droga do poder. Do pacotinho do morro para as festas dos famosos, nosso Estado imunodeficiente à corrupção, blindado contra a deseleição e aparelhado por um funcionalismo eternamente estável ‒ único fiscal de si mesmo ‒ viabilizou o salto para a condição de hub global de distribuição de commodities alcaloides e fornecimento de armas para o Oriente Médio.»

(*) Fernão Lara Mesquita é jornalista, articulista do Estadão e editor do blogue Vespeiro. A citação é parte de artigo mais extenso.

Fecharam todos os shoppings do Brasil

Fernão Lara Mesquita (*)

Em entrevista a uma das meninas da Globonews na semana passada, Flávio Rocha, dono da Riachuelo, deu um número de arrepiar.

«Em 2015 fecharam 100 mil lojas pelo Brasil afora. É como se tivessem fechado todos os shopping centers do país. Somados, eles abrigam isso: 100 mil lojas».

Loja 1Sobra em pé só o grande comércio, mais estruturado. Quer dizer: é uma obra monumental de concentração da renda, essa do PT. Os funcionários de 100 mil lojas ficaram simplesmente a zero, sem saber se vão ter o que pôr na mesa dos filhos amanhã. Cem mil pequenos e médios empreendedores que, sabe-se lá à custa de que epopéias tinham conseguido emergir do brejo e montar seu negociozinho, foram expulsos do mercado. As lojas gigantes engoliram o que sobrou do massacre.

Loja 2O resultado é o que se observa nas caóticas megalópoles brasileiras: nos bairros ricos os milionários que sobram, cada vez mais ricos, compram as casas vizinhas e levantam os muros. Lá fora, a pátria do Aedes aegypti: perifavelas de bloco sem urbanização nem saneamento crescendo em metástase. Menos gente rica, cada vez mais rica, cercada de miséria por todos os lados. No meio, nada.

Se dermos mais tempo pra isso, acabamos como na Idade Média. Vão sobrar quatro ou cinco castelos cheios de salões dourados por trás de muralhas intransponíveis. Em toda a volta, um favelão gigante onde, saiu na rua, se ficar vivo volta pra casa nu, rapado e rapelado.

(*) Fernão Lara Mesquita é jornalista, articulista do Estadão e editor do blogue Vespeiro.

Frase do dia — 278

«Em 1906, graças aos investimentos feitos em saneamento básico e saúde pública pelo governador Jorge Tibiriçá, que poderia dar aulas de modernidade a 9 entre 10 políticos brasileiros de hoje, São Paulo comemorou a extinção da febre amarela e da varíola na capital.

Agora, com apenas 13 anos de PT, aí estão São Paulo e o Brasil afundados na dengue, na chicungunha, na zika, na microcefalia e na síndrome de Guillain-Barré galopantes…»

Fernão Lara Mesquita, jornalista, em seu blogue Vespeiro.

Os palácios estão desabando

Castelo de cartas 2Fernão Lara Mesquita (*)

Na gravação, Delcídio citou o nome de todos os juízes do STF. Se não mandassem prender, tavam desmoralizados. E isso botou na cara do Senado algo maior que o Senado. Um nó que nem mesmo o imortal Renan Calheiros conseguiu desatar. Xeque-mate de Moro, do Ministério Público e da Polícia Federal! A coisa mudou de prateleira.

Castelo de cartas 1Os palácios estão balançando e vão desabar. O PT foi o primeiro a entender isso. E, como é do DNA do lulismo, apressou-se em atirar Delcídio às feras pra dar a entender que não tem nada com o peixe. Isso pode fazer com que o senador venha a abrir o bico. O bicho vai pegar!

(*) Fernão Lara Mesquita é jornalista, articulista do Estadão e editor do blogue Vespeiro.

Estado islâmico perde!

Fernão Lara Mesquita (*)

Policia 3Desde que a 129.ª vítima tombou ferida de morte no Bataclan, 1.543 brasileiros morreram crivados de balas nestes dez dias que nos separam daquela fatídica sexta-feira 13, se é que não superamos ainda, como acontece todos os anos, a média de 2014, quando 56.337 homens, mulheres e crianças foram assassinados nas ruas do Brasil a um ritmo de 154 por dia. Sem contar os outros 136 que morrem diariamente no trânsito em função da qualidade da educação e das estradas que nos impingem. Isso é quanto nos tem custado “à vista” a plena liberdade de ação que damos aos nossos “terroristas políticos”.

Cagoule 1No “sistema de segurança pública” único no mundo que nos impõem, coexistem duas polícias que não falam uma com a outra senão por ofícios versados numa língua que nenhum outro brasileiro entende. Uma é encarregada de atender ocorrências na cena dos crimes e outra, de “investigar” esses mesmos crimes a partir de frios relatórios versados nesse dialeto. Graças a isso, somente 8% das ocorrências registradas chegam a gerar um inquérito, dos quais 0,8% chega a uma condenação – invariavelmente a uma pena desenhada antes para “recuperar” os assassinos que para proteger os assassinados.

(*) Fernão Lara Mesquita é jornalista, articulista do Estadão e editor do blogue Vespeiro. O trecho reproduzido foi extraído de artigo publicado em 23 nov° 2015.

Frase do dia — 267

«Poucas vezes terá havido situação semelhante à deste nosso banquete de horrores no qual 90% dos comensais declaram ter nojo da comida que lhes tem sido servida, mas são obrigados a continuar a tragá-la simplesmente porque não sabem pedir outro prato.»

Fernão Lara Mesquita, jornalista, em artigo publicado pelo Estadão, 24 out° 2015.

Lula perdeu

Fernão Lara Mesquita (*)

Explosao 1Dilma manda avisar, a quem interessar possa, que Joaquim Levy fica e que “a opinião do maior partido da coalizão não é necessariamente a opinião do governo”, que a CPMF é imprescindível e coisa e tal…

Ela estava reagindo à entrevista de Rui Falcão à Folha de São Paulo, na qual esse cara que ninguém elegeu diz aos brasileiros como ele quer que o Brasil seja governado. Ficou claro que ele não falava só por ele. Tem as costas mais que quentes.

Essa separação governo ↔ PT é um marco. A gastança não vai recuar, o que seria pedir demais, mas descarta-se inflá-la a ponto de provocar explosão imediata, o que desaguaria inevitavelmente no golpe.

Era o que Lula queria. Lula perdeu.

(*) Fernão Lara Mesquita é jornalista e editor do blogue Vespeiro.

Frase do dia — 245

«Que argumento terá uma mãe da favela para convencer seu flho a pegar em livros e não em fuzis se os corruptos estiverem exibindo diariamente o seu sucesso e os trabalhadores honestos continuarem pobres, humilhados e ofendidos, trancados em seus casebres porque as ruas estão ocupadas pela bandidagem?»

Fernão Lara Mesquita, jornalista, em seu blogue Vespeiro.

Frase do dia — 238

«A Petrobrás sozinha tem 446 mil funcionários, algum jornal deixou escapar enquanto falava de coisa “mais importante”. Meio milhão, fora aposentados e encostados! É provável que esteja para o resto das pretroleiras do mundo – somadas – como as nossas escolas de Direito estão para as do resto do mundo somadas: nós “ganhamos”, temos mais!»

Fernão Lara Mesquita, jornalista, em notável artigo publicado pelo Estadão deste 4 mai 2015.

O mais puro bom senso

Fernão Lara Mesquita (*)

Interligne vertical 11bDepois da violação dos emails pessoais do presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, por hackers russos;

depois da invasão e roubo de dados – a partir da Coreia do Norte – da database da Sony Pictures;

depois da invasão sucessiva dos sistemas de computadores do Pentágono, do Departamento de Estado e da Casa Branca, apesar de 6.200 especialistas do Silicon Valley estarem trabalhando para a National Security Agency (NSA), o Department of Homeland Security, a CIA, o FBI e o Pentágono exclusivamente para evitar tais violações;

a máquina de votar brasileira desponta no panorama universal como o único sistema informatizado cuja segurança jamais foi violada.

Urna 2Os eleitores brasileiros podem, portanto, dormir tranquilos. Podem seguir dispensando qualquer prova física do que realmente depositaram na urna para entregar os destinos do país, da segurança da pátria e das riquezas nacionais aos bem-intencionados grupos politicos que concorrem a cada quatro anos. Podem seguir confiando exclusivamente na supervisão desse processo por uma empresa de softwares venezuelana.

Faz todo sentido. É do mais puro bom senso

(*) Fernão Lara Mesquita é jornalista e editor do blogue Vespeiro.

Clube dos salafrários

Fernão Lara Mesquita (*)

«Desde 2003, a Petrobrás vem sendo assaltada em ritmo de carro forte recheado de dinheiro, um atrás do outro, puxado pro clube dos salafrários. Só na refinaria Abreu e Lima a conta subiu de 4 para 24 bilhões e nada.

by Roque Sponholz, desenhista paranaense

by Roque Sponholz, desenhista paranaense

A Dilma doa-a-quem-doer e toda aquela diretoria chefiada pela amiga do peito só deu pela falta de alguma coisa quando a turma da delação premiada começou a confessar suas proezas.

Como eles agem dentro daquela empresa onde qualquer gerentinho tem conta de 100 milhões de dólares na Suíça, caminhão de dinheiro lá some e ninguém nota.»

(*) Este é excerto de artigo publicado pelo jornalista Fernão Lara Mesquita em seu blogue. Para ler na íntegra, clique aqui.

Você votou em quem você votou?

Fernão Lara Mesquita (*)

Urna 5A resposta é que você nunca saberá.

É com anos de atraso, num mau momento e possivelmente até com algum rabo preso, como se verá abaixo, que o PSDB pede à Justiça Eleitoral uma auditoria do sistema eletrônico de votação brasileiro por uma comissão de especialistas indicados por todos os partidos.

Mas antes tarde do que nunca. As queixas são recorrentes, o Brasil vai na contramão do padrão mundial, e é função de um partido dar satisfação a seus representados.

Que a máquina brasileira de votar não tem segurança é ponto pacífico. Nada que lide com softwares e bits tem segurança. Isso está provado por testes que quebraram a segurança da nossa urna eletrônica não só nas medidas destinadas a evitar a identificação do voto com o respectivo eleitor, como também nas medidas para impedir que softwares maliciosos atribuam o voto de um eleitor a um candidato diferente daquele em quem ele votou.

by Jacques Sardat (aka Cled'12), desenhista francês

by Jacques Sardat (aka Cled’12), desenhista francês

Esses testes foram feitos, e falhas de segurança foram identificadas desde as primeiras eleições computadorizadas no País. Não só por brasileiros como também por americanos da Universidade de Princeton, especialistas em máquinas similares às nossas (do ponto de vista tecnológico, não na aparência) produzidas pelo mesmo fabricante das brasileiras – que, aliás, é alvo de um monte de processos por corrupção nos EUA.

urna 4Mas o que há de escandaloso no caso brasileiro é que, apesar de todas essas provas de falta de confiabilidade da máquina, do acúmulo de queixas em eleições passadas (94 municípios registaram queixas de fraude na eleição de 2012), das centenas de vídeos que circulam na rede mostrando casos pontuais pra lá de estranhos em locais de votação de diversos estados e das provas diárias de que nem os computadores do sistema financeiro nacional e internacional, da Casa Branca ou do Pentágono estão imunes a invasões ou fraudes, mantém-se em pé, com argumentos pífios, uma suspeitíssima barreira para impedir a introdução de contraprova física das nossas votações. Um documento que possa ser conferido manualmente como se faz em todos os países do mundo com votações eletrônicas. São só duas as exceções: o Brasil e a Índia.

(*) Este é excerto de artigo publicado pelo jornalista Fernão Lara Mesquita em seu blogue. Para ler na íntegra, clique aqui.

Debatendo amenidades à véspera do golpe

Fernão Lara Mesquita (*)

A reunião de Dilma Rousseff com “movimentos sociais” reconhecidamente sustentados por seu governo no Palácio do Planalto – para marcar para morrer a democracia no Brasil pelo mesmo gênero de falcatrua plebiscitária que a matou nos vizinhos “bolivarianos” que o PT aponta como modelos politicos – é o grande ausente não só do último debate como de toda esta eleição.

Coup d'etatComecei a sequência desta nota escrevendo que, em qualquer outro lugar do mundo, este seria o tema dominante da campanha. Mas logo me dei conta de que isso é absurdo. Em nenhum país civilizado seria tema de eleição propor aos eleitores a cassação de seus próprios representantes, justamente aqueles que foram eleitos como fonte exclusiva de legitimidade de qualquer ação política ou legislativa.

Isso contradiz o axioma e a essência do contrato social e, por conseguinte, do regime de democracia representativa. Significa a substituição de 140 milhões de eleitores por um punhado de organizações não governamentais – organizadas pelo governo e financiadas pelo partido que ora ocupa o poder.

Perto disso, toda a vasta crônica da corrupção da Era PT fica pequena. Mesmo assim, o absurdo kafkiano de pedir aos eleitores que se cassem a si mesmos não só é exequível entre nós, como, às vésperas da eleição, pôde transformar-se no Decreto n° 8243, assinado pela candidata da situação sem consultar os interessados.

Nem o Congresso Nacional, cujos poderes estão sendo usurpados, nem – acredite quem quiser que venha a ler este texto no futuro – os candidatos que disputaram a presidência da República esboçaram a menor reação. O assunto sequer chegou a ser mencionado ao longo de toda a campanha eleitoral.

(*) Este é excerto de artigo publicado pelo jornalista Fernão Lara Mesquita em seu blogue. Para ler na íntegra, clique aqui.

Frase do dia — 189

«Ver João Santana repetir friamente todos os dias – pela boca de uma Dilma Rousseff de olhar cândido e despida de atributos e características pessoais – que a chuva de lama da Petrobrás sobre o PT, o PMDB, o tesoureiro Vaccari Neto e o círculo íntimo da ex-presidente do conselho de administração da estatal assaltada pelos “petrolões” não é senão o reflexo “da luta sem tréguas que o PT vem travando contra a corrupção” é algo que só pode ser interpretado como antecipação das violências que virão quando as delações premiadas virarem processos. Quando se tornar realidade aquilo que os indicadores econômicos antecipam, será preciso que o partido mate mais do que apenas a verdade para não ser apeado do poder.»

Fernão Lara Mesquita, jornalista, em seu blogue Vespeiro, 13 out° 2014.

Se os 2 minutos finais fossem meus…

Fernão Lara Mesquita (*)

Brasileiros!

O passo que vamos dar domingo é decisivo. Pense bem antes de apertar aquele botão.

Esse retrato cor-de-rosa do Brasil que os marqueteiros da Dilma pintaram na campanha é falso. Os números em que ele está baseado são falsos.

A festa acabou mas o PT continua batendo bumbo pra fazer você dançar. Você sabe bem disso. Você está sentindo isso no seu bolso, na compra do mês e na prestação que não cabem mais no salário.

by Carlos Augusto R. Nascimento, desenhista paraense

by Carlos Augusto R. Nascimento, desenhista paraense

Os números que a Dilma mostra valem tanto quanto os juramentos solenes de acabar com a corrupção e a impunidade do partido que, quando chega a hora de agir, só age para desmoralizar a Justiça e tirar da cadeia, um por um, todos os condenados por corrupção. Nenhum dos que foram presos continua preso. Nenhum dos que estavam no poder perdeu o poder.

No plano internacional tem sido a mesma coisa.

O PT vive falando em direitos humanos mas só age na ONU para impedir que os maiores criminosos do mundo sejam detidos. Promete democracia mas só se relaciona com ditadores. Com aquele tipo de gente que aceita convite pra entrar mas não aceita ordem pra sair.

Tudo isso não é só coincidência.

O PT pede o seu voto mas já cassou por antecipação o que você vai dar domingo para o seu futuro deputado no Congresso com o decreto que a Dilma assinou há cinco meses – aquele que põe para fazer as leis do Brasil, no lugar dos parlamentares, os “movimentos sociais” que você não elegeu.

É por cima de tudo isso que o PT pede mais 4 anos, além dos 12 que já se foram, e olhando pra outros 8 logo ali adiante.

by Ronaldo Cunha Dias, desenhista gaúcho

by Ronaldo Cunha Dias, desenhista gaúcho

Olhe pra Cuba, olhe pra Venezuela, olhe pra Bolívia, olhe pra Argentina; olhe pros ditadores todos que o PT não se cansa de festejar e pros países que ele aponta como modelos para o Brasil.

É isso mesmo que você quer?

Domingo vai começar a nascer o Brasil onde seus filhos vão viver.

Por isso, pense bem antes de apertar aquele botão.

(*) Fernão Lara Mesquita é jornalista e editor do blogue Vespeiro.

Frase do dia — 182

«Como resistir no país onde o que foi contratado e acertado entre dois homens — por escrito ou no ‘fio do bigode’ — é letra que já nasce morta? Como resistir quando o colega do lado, ao ceder à sedução de um advogado corrupto, aciona o patrão com base numa coleção de mentiras e lhe arranca, sem medo de errar, mais do que ganhou trabalhando anos a fio?

Lula tem razão: somos todos corruptos no Brasil que Getúlio nos legou. Daí a corrupção ‘não colar’ como fator decisivo de eleições: é contra a lei ser honesto no Brasil.»

Fernão Lara Mesquita, jornalista, em artigo publicado pelo Estadão, 19 set° 2014.

A mentira no estado da arte

Fernão Lara Mesquita (*)

Ventriloquo 1Que Marina Silva é um produto perecível que se deteriora quanto mais aparece na TV é algo que me parecia claro desde sempre. Em matéria de falta de sex appeal, ela é páreo duro para a Dilma Rousseff real. A diferença é que os competentes marqueteiros do PT sempre souberam disso, mas os de Marina parece que ainda não tiveram tempo de perceber.

A Dilma real despencou naquela safra fortuita de entrevistas ao vivo e debates na tevê. A Marina virtual subiu como um foguete em função daqueles 15 dias que se seguiram à morte de Eduardo Campos, quando aparecia na telinha sem dizer nada – apenas um avatar.

Desde então a coisa se inverteu. A Marina real começou a falar com sua própria voz e expor suas próprias idéias. E quanto mais fala, mais cai.

by João Bosco Jacó de Azevedo, desenhista paraense

by João Bosco Jacó de Azevedo, desenhista paraense

Já a Dilma real calou-se. A desarticulação crônica de idéias saiu de cena. Foi substituida pela Dilma virtual, esse boneco de ventríloquo dos marqueteiros do PT ― bem editado, photoshopeado e produzido. Quanto mais eles mentem em seu nome, mais ela sobe.

Interligne 18e

(*) Este é excerto de artigo publicado pelo jornalista Fernão Lara Mesquita em seu blogue. Para ler na íntegra, clique aqui.

Feitios de oração

Fernão Lara Mesquita (*)

Proporcionou «a melhor Copa da História fora dos gramados» quem, cara-pálida? O governo ou o povo brasileiro? Pelo bico da Dilma, que não destravou nem na hora de entregar a taça, ela sabe pelo menos que ela é que não foi.

O que é que a imprensa internacional está festejando, a «organização perfeita», que já começa a ser enfiada na História do Brasil, ou a tradicional simpatia do povo brasileiro somada à ausência do desastre anunciado?

E o povo brasileiro, o que é que ele deve comemorar, já que futebol é que não será? A metade das obras que lhe foi entregue ou o dobro do preço das obras inteiras que ele pagou e vai continuar pagando por décadas a fio, com juros e correção monetária?

Reza 1Que as festas brasileiras são as melhores do mundo não é novidade. Que a nossa permissividade ampla, geral e irrestrita é uma delícia para umas férias de 15 dias, idem. Mas nesta hora em que os 57 mil soldados do exército ― um para cada brasileiro assassinado na rua no ano passado ― vão voltar para os quartéis, nós é que vamos continuar tendo de criar nossos filhos no meio do tiroteio das feiras livres de drogas e da libertinagem geral. Os alemães vão voltar pra casa e criar os deles naquela chatice da paz, da abundância, da boa educação e dos melhores serviços públicos do mundo, que vigoram lá onde eles vivem.

No dia seguinte ao do Mineiratzen, diante da boa vontade geral com que o Brasil recebeu a «matemática criativa» do Felipão a nos provar que aqueles 7 x 1 não foram nada e que o time estava indo muito bem, fiquei sinceramente com medo que ele acabasse ganhando um ministério do PT. Vieram a calhar, portanto, os 3 x 0 da Holanda, para nos livrar de vez de mais essa bizarrice acachapante neste país onde nada rende mais dividendos que um bom e velho «malfeito».

A terrível ameaça de que a Dilma e o Aldo Rebelo façam pelo futebol brasileiro o mesmo que o PT e o PC do B têm feito pela nossa economia e pela credibilidade do futuro do Brasil com as suas sucessivas «intervenções» pode, entretanto, ter aumentado com mais essa pá de cal. Dado que não há mesmo como exorcizar a ameaça, pelo menos até o resultado da próxima eleição, só resta mesmo rezar.

No que diz respeito ao desempenho da Seleção, a explicação reside nas duas diferentes maneiras de rezar. Os alemães e os holandeses são daquela religião em que a reza é o trabalho. Eles acreditam que Deus só ajuda quem se ajuda e que o paraíso se conquista pelo tanto que cada um consegue, dando o melhor de si, acrescentar à obra coletiva.

Heroi 1Já nós somos daquela religião que acredita que, sendo isto aqui um vale de lágrimas onde só rola o que Deus manda independentemente do que façamos, cada um pode fazer o que quiser, inclusive ― e principalmente ― viver fora da regra de Deus. No fim das contas, já que Ele é o culpado de tudo, nós já estamos previamente perdoados. Falta apenas saber quantas ave-marias teremos de rezar com todo o fervor na hora H para zerar a conta ― e para conseguir que a intervenção divina nos desobrigue de colher aquilo que plantamos. E para que pães e gols, por milagre, se multipliquem.

Essa diferença faz pelo futebol o mesmo que faz pelo PIB de cada um de nós. A menos que apareça um «salvador da pátria» que, em si mesmo, já seja um milagre ambulante ― como já tivemos tantos ― e que conceda a graça de desvincular a colheita da semeadura. Sem que seja preciso nem mesmo rezar.

Só que desta vez não deu.

(*) Fernão Lara Mesquita é jornalista. Edita o site http://vespeiro.com/

Indigente

Interligne vertical 12Em seu blogue, o jornalista Fernão Lara Mesquita externou sua visão sobre um decreto publicado esta semana no Diário Oficial da União. A nova norma legal, de aspecto anódino mas de conteúdo tenebroso, assesta um golpe de graça na democracia brasileira. Se vingar, o caminho estará aberto e pavimentado para a implantação de um regime de corporações.

Dou-lhes abaixo amplos trechos do artigo do jornalista. Ao pé da página, vai o link para quem quiser ler o texto integral.

Democracia brasileira é enterrada como indigente
(Excertos)

Fernão Lara Mesquita (*)

A democracia brasileira morreu no dia 23 de maio próximo passado e quase ninguém percebeu.

Poderá eventualmente ressuscitar com tratamento de choque e injeções de adrenalina constitucional no coração que parou de bater, mas a decisão de aplicar ou não esse tratamento está, agora, nas mãos do doutor Ricardo Lewandowski e do que mais sobrou dentro do STF depois da saída do ministro Joaquim Barbosa.

Sem nenhuma «participação social» e sem perguntar nada a ninguém na sua solitária decisão, a presidente Dilma assinou naquela data o Decreto n° 8.243, publicado no Diário Oficial de 26 de maio. Institui a «Política Nacional de Participação Social». Determina que, doravante, «todos os órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta estejam obrigados a usar a participação social para a execução das suas políticas». Pedro Pontual, diretor de Participação Social da Secretaria-Geral da Presidência, explica que esse expediente vai «transformar os instrumentos criados para este fim em um método de governo, oficializando suas relações com os novos setores organizados e as redes sociais».

De ministérios a agências reguladoras, portanto, tudo estará de agora em diante submetido a esses «novos setores organizados». A «relação oficial» com eles se dará mediante convocações dirigidas aos nove conselhos que a augusta presidenta houve por bem criar. Suas rotinas de trabalho (não remunerado) e o método de escolha de seus integrantes serão definidos por meras portarias editadas pela Secretaria-Geral da Presidência da República, do ministro Gilberto Carvalho.

Pelo decreto de Sua Augusta Majestade, os nove “conselhos” serão os seguintes:

Interligne vertical 141) conselho de políticas públicas
2) comissão de políticas públicas (sic)
3) conferência nacional (sic)
4) ouvidoria pública federal
5) mesa de diálogo (sic)
6) fórum interconselhos (sic)
7) audiência pública
8) consulta pública
9) ambiente virtual de participação social

O decreto não explica o que será feito do Poder Legislativo eleito por todos nós para cumprir exatamente essa função, nem tampouco do Poder Judiciário e de seus órgãos auxiliares tais como tribunais de contas e agências setoriais. Mantida essa aberração como está, é fácil inferir.

A lógica da coisa, mesmo vazada na linguagem quase sempre incompreensível de dona Dilma e seus auxiliares, é absolutamente transparente e evidente. Se depender deles, ninguém reclamará o corpo: a democracia brasileira será enterrada como indigente.

(*) Fernão Lara Mesquita é jornalista. Edita o site http://vespeiro.com/

Link para o texto integral do jornalista
Link para o texto do Decreto n° 8243