O prato feito e a pizza

José Horta Manzano

Você sabia?

Prato feitoEsta semana, causou espanto a notícia de que o gasto de deputados federais com alimentação tinha atingido um milhão de reais de fevereiro a junho. Segundo o Diário do Poder, a quantia equivale a quase 2500 cestas básicas.

Como manchete sensacionalista, é excelente. Esmiuçada a notícia, o espanto é menor. Esmiucemos.

A Câmara abriga 513 deputados. O dinheiro gasto – que, pra ser rigoroso, é de 968,5 mil reais – deve ser dividido pelo número de parlamentares. Dá 1.888 reais por cabeça nesse período.

Pizza 2A Câmara funciona da segunda à sexta-feira, embora nem todos os membros estejam presentes o tempo todo. Para efeito de cálculo, consideremos que cada um almoce apenas quatro dias por semana. Em cinco meses, atinge-se um total de 84 almoços por pessoa.

Dividindo o gasto de 1.888 reais por 84 almoços, obtemos o resultado final: cada almoço de deputado custa módicos R$ 22,60. Convenhamos que o montante está longe de ser abusivo.

Moral da história
As pizzas do Congresso são muito mais preocupantes que o pf dos congressistas.

Dilma e a legitimidade

José Horta Manzano

Dilma 1Legítimo é filhote de lei. O adjetivo latino legĭtĭmus é formado por lex/legis (a lei) com acréscimo do mesmo sufixo que se encontra em último, marítimo, íntimo.

Em sentido próprio, designa aquilo que é fruto da lei, amparado nela, justificado por ela. Em sentido figurado, diz-se também do que for genuíno, procedente, lógico, verdadeiro.

Dona Dilma, de visita a Rondônia, aproveitou uma cerimônia de distribuição de bondades para reafirmar, num discurso, sua relutância em reconhecer a rejeição maciça de que é alvo. Afirmou, com todas as letras, que o voto popular confere legitimidade a seu mandato e que, por via de consequência, o cumprirá até o último dia.

Não sofresse de um vício de origem, o raciocínio seria irrepreensível. De fato, o voto popular outorgou a dona Dilma mandato para segurar as rédeas do Executivo por quatro anos. Mas… cuidado! A mão que afaga é a mesma que castiga. A legitimidade que a lei concede ao eleito não é incondicional nem ilimitada. A lógica tem de ser respeitada até o fim.

O consumidor que, enganado pela propaganda, adquire um produto que não corresponde ao que dele se espera tem direito a devolvê-lo e a receber seu dinheiro de volta.

O mesmo vale para governantes. Somente será legítimo o presidente que não se tiver valido de subterfúgios ilícitos que possam ter pervertido o resultado das urnas. Em português claro: irregularidades na campanha eleitoral confiscam a legitimidade da eleição.

Dilma 11Pois é exatamente o caso de dona Dilma. Todos os brasileiros se dão conta agora: a campanha presidencial foi eivada de mentiras e de meias verdades. Incautos, muitos votaram na candidata justamente por acreditarem em suas promessas. Tomaram por ouro as barras de latão que dona Dilma expunha diante de seus olhos crédulos e esperançosos.

Embora desconfie da lisura do processo apuratório, não tenho meios de comprovar trapaça. Um dia, quem sabe, vai-se acabar descobrindo que a contagem dos votos escapou aqui e ali da lhaneza. Por enquanto, não há meios de afirmar. Portanto, sou constrangido a dar de barato.

No entanto, as mentiras que mancharam a campanha são amplamente suficientes para deslegitimar o resultado da eleição. Que dona Dilma não encha a boca pra proclamar a pertinência do mandato que recebeu.

by Lezio Jr, desenhista paulista

by Lezio Jr, desenhista paulista

Diante da tremenda desaprovação popular de que é alvo, volto a sugerir a nossa presidente a saída que lhe recomendei meses atrás. Para escapar da enrascada sem perder a face, só resta a dona Dilma convocar um plebiscito. Que pergunte aos brasileiros se desejam que ela toque o mandato até o fim. E que respeite a decisão do povo, seja ela qual for. Em seguida, não se falará mais nisso.

Como diz o outro, «quem paga mal paga duas vezes». Portanto, quem se elege mal…

Carta-renúncia

Cláudio Humberto (*)

Apesar de ter declarado que “suporta a pressão”, a presidente Dilma já teria preparado uma carta-renúncia. Fontes do Palácio do Planalto garantem que a redação da carta não foi um ato solitário, como é comum nesses casos. Dilma teria contado com a ajuda de dois de seus ministros mais próximos: Aloizio Mercadante (Casa Civil) e José Eduardo Cardozo (Justiça) – apesar de ambos serem contrários à ideia.

Panelaço 3Confirmada a renúncia de Dilma, o vice-presidente Michel Temer assumiria imediatamente o comando do Executivo.

Além da renúncia, há outras hipóteses para a saída de Dilma: representação da oposição por crime financeiro e ação na Justiça Eleitoral.

Se prosperar a representação da oposição na Procuradoria-Geral da República por crimes financeiros, Dilma poderia ser cassada.

Já a ação eleitoral por financiamento ilegal de campanha pode culminar no cancelamento do registro da chapa. Assim, cairiam Dilma e Temer.

(*) Cláudio Humberto, bem informado jornalista, publica coluna diária no Diário do Poder.

A elite pensante e o descaso com a violência

Guy Franco (*)

Assalto 7Antes dos meus 10 anos de idade, minha casa foi invadida duas vezes. Coisa que nunca me esqueço, os bandidos gritando com meus avós, querendo dinheiro, eletrônicos, a Variant marrom do meu vô – e eu no meu quarto me torturando sem poder fazer nada. Nas semanas seguintes, acordava no meio da noite com qualquer barulho e via na sombra das árvores, através das cortinas, a forma de pessoas invadindo a casa.

O tempo passou, comecei a andar de ônibus sozinho. Entre os 13 e os 17, fui assaltado pelo menos cinco vezes. Já fui assaltado na rua e em ônibus, em grupo e sozinho, indo e voltando da escola, por drogados, por menores – quase sempre por menores. Me levaram dinheiro, passes e um boné. No tempo em que eu estudava, bastava que moleques passassem por baixo da roleta do ônibus para a viagem deixar de ser tranquila. O cobrador nada fazia.

Assalto 6Aos 20, no caminho do trabalho, dois sujeitos numa moto me roubaram. Eles queriam a minha mochila. Um olhava para o outro e dizia: “mata ele, mata ele”. Eu me lembro do desespero da minha mãe, que estava comigo. Desde então, não posso ver moto com passageiro na garupa perto de mim. O frio na espinha é inevitável.

Depois disso, ainda fui assaltado mais algumas vezes: me levaram celulares, documentos e quase me roubaram uma câmera de vídeo. Por sorte, só apanhei uma vez, de marginais, perto de estação de metrô. Tendo sofrido tantos assaltos, sou sensível à questão da violência. E observo que é assim com muita gente, principalmente com quem já passou por algo parecido.

by Élcio "Edra" D.R.Amorim desenhista mineiro

by Élcio “Edra” D.R.Amorim
desenhista mineiro

Assalto 8Estatisticamente, uma pessoa está sofrendo algum tipo de violência neste instante em algum ponto do país. Até antes do almoço, mais de 70 terão sido assassinadas. Enquanto isso, a elite bem pensante está mais preocupada em atacar quem não limpa a própria privada. Intelectual adora falar mal dos bravos cidadãos da classe média e se cala sobre a violência sofrida por gente como você e eu.

Daí a vergonha que tenho de abrir o jornal para ler a elite pensante. Não moro no Jardim Paulista, no Leblon ou no bairro chique do cartunista engajado, onde o risco de ser roubado e assassinado é oito vezes menor do que em Americanópolis.

Assalto 5O descaso é uma afronta a quem vive com medo da violência. Fingir que nada acontece é o tema preferido de nossa elite intelectual. O país tem os índices de criminalidade mais grotescos do mundo. A elite intelectual, no entanto, não gosta que se lembre disso. Qualquer proposta mais dura que apareça contra a violência passa por fascismo – isso quando não cai no papo ridículo de que o bandido é a vitima ou que punição não resolve nada. Aí é melhor sair de perto mesmo.

Eu me disponho a não discutir com quem ignora os índices de violência do país. Assaltos? Estupros? Homicídios? O importante é fazer bonito entre os leitores All Star e discutir o uso de linguagem ofensiva em programas humorísticos.

(*) Guy Franco mantém blogue alojado no Yahoo.

A guerra franco-suíça que não houve

José Horta Manzano

Você sabia?

Foto: Jean-Christophe Bott

Foto: Jean-Christophe Bott

Se tivesse ocorrido em outros tempos, teria sido casus belli, um daqueles acontecimentos que justificam declaração de guerra. Mas vamos passar o filme desde o começo.

As vacas suíças passam o inverno no estábulo. De outubro a março, os campos estão frequentemente cobertos de neve, mato não cresce, e os animais não têm o que comer. São alimentados com feno – mato ceifado durante o verão, secado e guardado para os meses frios.

Quando volta a bela estação, lá por março ou abril, os campos se cobrem de verde. Em comboio, as vacas são conduzidas a montes elevados, onde o pasto é gordo e farto. Ficam por lá até outubro, quando são trazidas de volta ao curral. Esse vaivém chama-se transumância.

É bom ter em mente que cada uma das 600 mil vacas leiteiras suíças ingere diariamente 100kg de mato e bebe de 100 a 130 litros d’água. No total, são 70 milhões de litros diários – volume respeitável.

A seca anda brava este ano. Entre 22 de junho e 22 de julho, não caiu uma gota de chuva. A temperatura tem sido senegalesa. Como resultado, começa a faltar água para os animais. Estão todos lá em cima, os tanques secaram, as reservas se esgotaram, que fazer?

Transumância

Transumância

O governo federal determinou que o exército desse uma mão. Helicópteros Super Puma foram encarregados de recolher água de lago e transportá-la até os reservatórios de montanha. A fronteira franco-suíça passa justamente na região dos Montes Jura. Do lado francês, há um lago de montanha.

Pertinho, do lado suíço, estão as vacas. O governo suíço pediu à França autorização para recolher água do lago. Paris permitiu o sobrevoo. Dia seguinte, helicópteros militares suíços deram início a um balé incessante de recolha d’água. Autoridades regionais francesas, que não haviam sido informadas, escandalizaram-se. É que a legislação francesa exige que, para retirar água de lago, se obtenha permissão das autoridades regionais.

O exército suíço, imaginando que a autorização de sobrevoo dada por Paris fosse suficiente, não cuidou de verificar regulamentos regionais. Foi um deus nos acuda. É compreensível. Imagine o distinto leitor o susto que levaram moradores do lado francês ao ver baixarem aeronaves militares estrangeiras pra roubar água do lago deles. É fato gravíssimo. Em outros tempos, podia ter dado origem a uma guerra.

Helicoptero 3

Foto: Eric Chevassus

Felizmente, os modernos meios de comunicação são rápidos. Em 24 horas, desfez-se o mal-entendido. O exército suíço apresentou pedido formal de desculpas ao governo francês e, imediatamente, parou de chupar água do laguinho.

O precioso líquido está sendo retirado agora do Lago Léman. Fica um pouquinho mais longe das vacas, mas, pelo menos, o transporte não periga provocar incidente diplomático. Além disso, com seus 100km de comprimento, 10km de largura e 300m de profundidade, o Lago Léman tem água pra muita vaca.

Síndrome de insensibilidade perceptual

Myrthes Suplicy Vieira (*)

Globo 2Um distúrbio alarmante vem se disseminando como praga nos cinco continentes. Apesar dos esforços empreendidos por pesquisadores científicos em várias partes do mundo, ainda não foi possível determinar sua causa. Embora não represente um fenômeno novo para a neurociência, os cientistas estão intrigados com o rápido alastramento do transtorno.

Sabe-se apenas que o distúrbio atinge indiscriminadamente homens e mulheres, jovens e idosos. Pressupõe-se que os casos mais graves estejam relacionados à negligência afetivo-emocional na tenra infância, ainda que não se descarte a possibilidade de ela ser decorrente também dos altos níveis de estresse nas grandes cidades e da alta competitividade no mundo profissional.

O principal sintoma observado é a incapacidade do portador da síndrome no sentido de perceber as conotações simbólico-afetivas das imagens que visualiza. Alguns estudos indicaram uma possível falha na comunicação entre os neurônios do lobo occipital e os do sistema límbico, que mimetiza lesões nos corpos amigdaloides.

by Shaina Craft

by Shaina Craft, artista americana

É fato conhecido que, entre humanos, uma lesão nas amígdalas do sistema límbico faz com que o indivíduo perca o sentido afetivo da informação vinda de fora, tornando-o indiscriminativo e emocionalmente indiferente. Ou seja, embora do ponto de vista cognitivo o sujeito seja capaz de identificar e categorizar corretamente o objeto visualizado, é-lhe impossível apreender as conotações simbólico-afetivas do mesmo.

Em função dessa indiferença afetiva, pesquisadores ingleses batizaram a síndrome como “Insensitive Perceptual Misjudgement Syndrome” [IPMS]

Alguns dos casos mais recentes e notórios registrados nos últimos meses são os seguintes:

Interligne vertical 17eUm dentista americano realizava um safári no Zimbábue e, ao olhar pela mira de seu fuzil de caça, viu só um leão velho e o matou. Na realidade, tratava-se de Cecil, o amado animal-símbolo de um país e de todo o continente.

Interligne vertical 17dUm colono judeu, buscando retaliar o que entendia ser agressões sofridas pelos seus, atirou uma bomba incendiária pela janela de uma casa e viu só uma residência palestina. Na realidade, tratava-se do lar de um bebê de 1 ano de idade.

Interligne vertical 17cIntegrantes do Isis, o autodenominado Estado Islâmico, entregaram a uma criança a tarefa de justiçar um homem, que viam só como infiel. Na realidade, tratava-se de um grupo de seres humanos.

Interligne vertical 17bNo calor da torcida no estádio de futebol, o homem atirou uma banana em direção a um dos jogadores, já que viu só um macaco. Na realidade, tratava-se de um esportista jovem e hábil, aclamado por seus concidadãos.

Bandeira olhoO ministro Levy e a presidente Dilma dirigiram-se à plateia para explicar a necessidade de ajuste fiscal e viram só contribuintes e analfabetos políticos. Na realidade, eram cidadãos brasileiros.

(*) Myrthes Suplicy Vieira é psicóloga, escritora e tradutora.

Sem apoio

José Horta Manzano

Príncipe Ali bin al-Hussein

Príncipe Ali bin al-Hussein

Quando autoridades americanas estouraram a bolha da roubalheira deslavada em que medalhões do futebol nadavam de braçada, o mundo ficou sabendo de coisas assombrosas. Muitos já suspeitavam, agora todos têm certeza: cartolas-mores levam vida de nababo.

Doravante, por algum tempo, o nível de corrupção nas altas esferas do futebol deve baixar. Assim mesmo, com ou sem roubalheira, o cargo máximo da Fifa continua pra lá de atraente. Dinheiro, poder, favores e mordomias despertam apetite em muita gente.

Foi dada a partida da corrida para a sucessão de Sepp Blatter. Muitos gostariam de se candidatar, poucos têm ousado. Para se apresentar, postulantes têm de obter o apoio oficial e declarado de pelo menos cinco federações nacionais.

O candidato natural e esperado é o príncipe Ali bin al-Hussein, da Jordânia, justamente o desafiante de Blatter na última eleição. Os 73 votos que recebeu em maio dão-lhe cacife. É rico e vem de país insignificante no futebol – qualidades interessantes.

Outro candidato evidente é Michel Platini, antigo craque da seleção da França, que preside, há anos, a poderosa Uefa – União Europeia de Futebol. Esse também tem grande possibilidade de ser eleito.

Fifa del NeroAlém dos dois, há meia dúzia de paraquedistas. Entre eles, o antigo futebolista carioca Arthur Antunes Coimbra, mais conhecido como Zico. O moço terá, é certo, dificuldade grande pra chegar lá.

O histórico de suspeitas que embaçam brasileiros como Havelange, Teixeira e del Nero (aquele que fugiu de Zurique pra escapar da polícia) contamina a candidatura de Zico.

Pra conseguir os cinco apoios, ele começou por pedir a bênção de del Nero. Ao deixar-se fotografar ao lado do cartola, embora fosse passagem obrigatória, assinou sua sentença de exclusão do páreo.

Michel Platini

Michel Platini

Para piorar, nossos hermanos já começaram a nos dar as costas. Ah, os ingratos! A Asociación Paraguaya de Fútbol já comunicou oficialmente à Fifa seu apoio a Platini. O Paraguai não está sozinho: Chile, Uruguai, México e a União Caribenha de Futebol também estão com o antigo craque francês.

A “liderança regional” brasileira ambicionada por Marco Aurélio “top-top” Garcia e pelo lulopetismo ainda está longe de se tornar realidade.

¡Que viva nuestra Latinoamérica!

Iria se tornaria

José Horta Manzano

Chamada da Folha de São Paulo, 4 ago 2015

Chamada da Folha de São Paulo, 4 ago 2015

Iria se tornaria…
Se o Zé Dirceu estiver tão desorientado quanto o estagiário que redigiu essa chamada, é bom que os companheiros se acautelem. Há perigo no ar.

O neopresidiário carrega uma sacola de informações constrangedoras para os mais chegados.

A estranha escolha de Lula

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa (*)

Lula, o sabe-tudo, deveria rezar em praça pública: “Eu pecador me confesso…”

Como é que ele teve coragem de nos enfiar goela abaixo essa senhora capaz de, em relação ao Pronatec, declarar num palanque: “Não vamos colocar uma meta e quando atingirmos ela, nós dobraremos a meta”.

Além do dilmês que arrebenta com nossa língua, dona Dilma não se acanha em dizer que quando atingirmos o nada, vamos multiplicá-lo por dois?

by Alberto Correia de Alpino F° Desenhista capixaba

by Alberto Correia de Alpino F°
Desenhista capixaba

Ele a escolheu, dizem, por ter ficado fascinado pelo modo como ela pilotava um laptop. É o tal negócio, em terra de cego quem tem um olho é rei…

Dona Dilma, além de perita em manejar as novas tecnologias e no uso do Power Point, é uma feminista daquelas de não ter pejo em pedir – bem, tentou exigir, mas nessa não levou a melhor – que todos os seus auxiliares se dirijam ou se refiram a ela como “a presidenta”.

Fiquei à espera de um auxiliar mais atilado que lhe dissesse: «Isso eu só faço se a senhora chamar o Lula de “presidento”». Mas qual, esperei em vão.

Em julho do ano passado, uns três meses antes da reeleição, durante a campanha para a qual dona Dilma e seu marqueteiro fiaram histórias do arco da velha para enrolar o distinto eleitorado – com o maior sucesso, diga-se a bem da verdade – uma mulher, analista de um banco de grande porte, o Santander, cujo dono era um amigão do Lula, fez jus ao cargo que ocupava e ao salário que recebia e advertiu, por e-mail, seus clientes preferenciais sobre as previsões que fazia para um segundo governo Dilma Rousseff.

Sinara Polycarpo Figueiredo, a analista, em uma mensagem eletrônica, dizia que uma eventual reeleição da presidente pioraria o quadro econômico no país. Que a bolsa iria cair, os juros subir e o câmbio se desvalorizar. Ou seja, a economia iria se deteriorar.

by Rubens (Rubz), desenhista paulista

by Rubens (Rubz), desenhista paulista

Lula, ao ser informado da análise, com a categoria que lhe é peculiar, em um discurso na 14ᵃ plenária da Central Única dos Trabalhadores, ressaltou que não há outro país em que o Santander lucre tanto como no Brasil e questionou ainda o fato da funcionária que escreveu o informe ter chegado a um cargo de chefia: “Essa moça que falou [isso] não entende porra nenhuma de Brasil e de governo Dilma Rousseff. Manter uma mulher dessas em cargo de chefia é sinceramente… Pode mandar embora e dar o bônus dela pra mim, que eu sei como é que eu falo”, completou.

Conselho que o Santander, com a rapidez dos que amam o poder, seguiu de imediato. Demitiu a analista! Não sei se deu o bônus ao Lula. Quero crer que não chegou a tanto.

Não sou, nem nunca fui, feminista. Minha teoria é a seguinte: somos diferentes, os homens das mulheres, em dezenas de coisas, todas da maior importância. Menos intelectualmente. Nesse caso, tendo as mesmas condições para desenvolver nosso intelecto, somos absolutamente iguais.

Mas se eu fosse uma ardente feminista, o que eu faria diante de uma mulher que, evidentemente, entendia do que falava, como agora está fartamente provado? Ia convidá-la para fazer parte de minha equipe, ora se ia…

by Nélson Nunes Martins, desenhista mineiro

by Nélson Nunes Martins,
desenhista mineiro

Não se trata de acreditar em bola de cristal ou em querer bancar a profetisa do passado, mas de um fato comprovado: o cliente do Santander que seguiu os conselhos de Sinara se deu bem. Os clientes do Lula quebraram a cara.

Segundo matéria no Estadão de 28/12/2014, Sinara Polycarpo Figueiredo entrou com ação na Justiça do Trabalho contra o Santander. Não sei no que deu esse processo. Mas de uma coisa eu sei: torço por Sinara.

Interligne 18c

(*) Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa, professora, tradutora e escritora, é filha do grande Adoniran Barbosa. Escreve semanalmente para o Blog do Noblat, alojado no portal d’O Globo.

Quem foi, hein?

José Horta Manzano0-Sigismeno 1

Como todo o mundo, meu amigo Sigismeno ficou sabendo da bomba caseira atirada na área externa do escritório do Lula. Falo daquele comitê político que leva o pomposo título de instituto.

Bomba 2Sigismeno é desconfiado por natureza. Costuma ficar com um pé atrás quando algo lhe parece ilógico. «C’est trop beau pour être vrai» – é bonito demais pra ser verdade, filosofa ele como os franceses.

Meu amigo aprendeu que todo crime tem de ter um móvel. Com ares de magistrado romano, pergunta: «Cui prodest?» Quem tira proveito do crime? Quem lucra com ele?

Tivesse sido para ferir funcionários, não teriam atirado o artefato às dez da noite, mas no horário comercial. De que serve detonar bomba cheia de pregos quando não há ninguém por perto?

by Sinfrônio de Sousa Lima Neto, desenhista cearense

by Sinfrônio de Sousa Lima Neto, desenhista cearense

Tivesse sido para destruir ou danificar seriamente o prédio, a potência teria de ser bem superior e o engenho não precisava estar recheado de pregos.

Tirando essas duas motivações, o que é que resta?

A multidão que se opõe ao Lula e a todo o atraso que ele representa é cada dia mais encorpada, é verdade. Assim mesmo, Sigismeno não acredita que algum oponente cometeria a tolice de jogar bombinha no jardim de nosso guia, na solidão e no escurinho da noite, só pra ver a notícia passar no Jornal Nacional.

Depois de analisar com afinco, meu amigo acha que matou a charada. Segundo ele, essa história estranha leva jeito de ser ideia de marqueteiros.

Bomba 1O partido do Lula é contumaz adepto da tática de vitimização. Num momento em que tudo e todos acusam o ex-presidente de ser o patrocinador-mor de cataratas de corrupção, uma bombinha caseira pode, por um ou dois dias, desviar a atenção da galeria. Um distraído pode até achar que são artes de algum louro de olhos azuis…

Como de costume, o que Sigismeno diz pode até ser verdade. Que cada um forme sua opinião.

Nuremberg

José Horta Manzano

Artigo publicado pelo Correio Braziliense em 1° ago 2015

Em 1961, o já maduro e magistral ator Spencer Tracy protagonizou o filme Julgamento em Nuremberg. Somente quinze anos haviam decorrido desde o fim da guerra, e a lembrança do horror e das atrocidades ainda estava presente em todos os espíritos. Além de acentuar a tensão, as imagens em preto e branco, paradoxalmente, conferem ao drama cores vigorosas. Nuremberg 2A obra cinematográfica retrata um dos numerosos processos penais que Nuremberg sediou entre 1946 e 1949, cada um deles organizado para julgar uma categoria de incriminados.

Daquela feita, os réus eram magistrados alemães que, desdenhando todo senso de justiça e atendo-se crua e comodamente ao ordenamento jurídico nazista, haviam condenado – amiúde à pena capital – gente reconhecidamente inocente. Por conveniência e por poltronaria, haviam-se vergado ao catecismo oficial, iníquo e distorcido, desonrando assim a nobre função para a qual haviam sido formados.

Todos os acusados acabaram sentenciados à pena de prisão perpétua. A cena final traz um diálogo entre o presidente do tribunal – encarnado justamente por Spencer Tracy – e um dos juízes condenados. Em meio minuto, pronunciam frases lapidares, daquelas que valem pelo filme inteiro.

O condenado não pede absolvimento, mas implora ao presidente que procure ao menos compreender suas motivações. Numa tentativa de descarregar a consciência, alega jamais ter imaginado que a incriminação de um inocente aqui, outro ali pudesse se multiplicar e fazer que a coisa «chegasse ao ponto a que chegou».

A réplica do protagonista é fulminante: «Herr Janning, a coisa “chegou ao ponto a que chegou” desde a primeira vez em que o senhor condenou à morte um homem sabidamente inocente.» Pano rápido e pausa pra reflexão.

Spencer Tracy (1900-1967), ator americano

Spencer Tracy (1900-1967), ator americano

A conclusão é universal. Cristalina, decorre de trivial bom senso: juiz ímprobo é juiz ímprobo desde o primeiro julgamento desonesto. Por analogia, criminoso é criminoso desde a primeira transgressão. Assassino, que tenha matado um ou dez, assassino será desde o primeiro homicídio. Ladrão, que tenha afanado um real ou um milhão – nestes tempos de inflação, mais vale dizer um bilhão –, ladrão será desde o primeiro roubo. Ponto e basta.

No Brasil, de uns tempos para cá, a Justiça parece ter despertado de letargia secular. Coisas nunca dantes vistas vêm-se sucedendo num crescendo alucinante. Parlamentares de alta estirpe e empresários-mores são acusados, indiciados, processados. Alguns são até despachados à prisão. Um espanto! O povo hesita entre assombro e júbilo.

Escorados na doutrina que garante terem sido ladrões todos os mandachuvas deste País desde os tempos de Tomé de Souza, os acusados insistem em minimizar malfeitos cometidos. Botam fé na condescendência com que o povo costuma brindar os poderosos.

Mas o próprio termo «malfeito», tão utilizado estes últimos anos, é um despropósito. Nossa língua é vasta e generosa – há que dar a cada coisa o nome que a coisa tem. Contravenção é contravenção, delito é delito, crime é crime. Indo mais longe, cada crime tem nome específico. «Malfeito», genérico demais, não deve ser usado como palavra-ônibus.

Nuremberg 3Até o termo corrupção, de tanto ser rebatido, está se desgastando e perdendo substância. Assalto ao erário não é corrupção, é assalto ao erário. Rapina na Petrobrás não é corrupção, é rapina na Petrobrás. Contrato superfaturado de companhia estatal não é corrupção, é peculato. Outros eufemismos estão em voga e vêm sendo bovinamente repercutidos por espíritos pouco críticos. Quem forja dossiê falso não é aloprado, é caluniador. Quem falsifica contas públicas não dá pedaladas, comete estelionato e prevaricação.

Numa referência canhestra a fatos dos quais tem apenas conhecimento de ouvir falar, o Lula comparou, dia destes, a «elite» brasileira aos ‘nazistas que criminalizavam o povo judeu’. Rematado disparate, é conversa pra dar nó nos miolos. Como tem feito ultimamente, nosso declinante mandatário deitou essa inacreditável falação diante de plateia amestrada e previamente convicta. É verborragia a descartar sem sequer desempacotar.

Petrobras 3Em vez de martelar essa tal elite, assombração intangível que tanto parece incomodá-lo, nosso antigo presidente deveria mandar passar, em sessão privada, o Julgamento em Nuremberg. Que escolha a mais confortável de suas residências e convide os companheiros mais chegados para apreciar. Importante: que prestem todos especial atenção ao diálogo final. Sem muito esforço, entenderão que tanto é ladrão o que vai à vinha quanto o que fica à porta.

Sem margem de erro

José Horta Manzano

Chamada de O Globo, 31 jul° 2015

Chamada de O Globo, 31 jul° 2015

Primeira premissa
O fabricante confirma que o destroço é de Boeing 777.

Segunda premissa
Especialistas afirmam que, sem esse pedaço de asa, nenhum avião pode voar.

Terceira premissa
Não se tem notícia de nenhum Boeing 777 desaparecido – além do aparelho da Malaysia Airlines.

Conclusão evidente
O destroço só pode provir do voo MH 370, desaparecido em março de 2014. Não há alternativa. As autoridades australianas podem se convencer sem medo de errar.

Ladroagem consentida

José Horta Manzano

Assalto 1Agiotagem, especulação, extorsão, pirataria, ladroeira, desfalque, afano, dilapidação, sangria, rapina, espoliação, gatunagem, exploração, ratonice, saqueio, patifaria, golpe, empalmação, usura.

Qualquer um desses termos serve para dar nome ao esbulho praticado pelas companhias de cartão de crédito no Brasil. Entram no mesmo saco operadoras e estabelecimentos bancários.

Saiu ontem a notícia dos juros que vêm sendo aplicados aos infelizes que caem na ciranda do dito crédito rotativo. Já seria de péssimo gosto se fosse piada. Infelizmente, piada não é, mas usura institucionalizada.

Chamada do Estadão, 30 jul° 2015

Chamada do Estadão, 30 jul° 2015

O distinto leitor já deve ter feito as contas. Se contrair uma dívida de R$ 1.000 em janeiro e não reembolsar, no final do ano estará devendo, só de juros, R$ 3.720. Adicionando os mil que tomou emprestado, terá de desembolsar R$ 4.720 para quitar a dívida. São quase cinco vezes o valor do empréstimo.

Que significa isso? A resposta está lá em cima, no primeiro parágrafo. Qualquer palavra serve. Pode acrescentar mais uma: imoralidade. Já nos tempos bíblicos, penas do inferno eram prometidas a quem ousasse praticar agiotagem.

Carte de credit 3O que me surpreende é que aumentos bem menos percutentes provoquem protestos, passeatas, quebra-quebras, enquanto esse confisco legalizado passa em branco. Será que ninguém pensou, até hoje, em se organizar para pôr de pé uma entidade que se oponha a situação tão indecente?

Gostaria de lembrar aqui um artigo da Constituição da República, dispositivo jamais posto em prática. O parágrafo 3° da alínea VIII do artigo 192 diz textualmente:

Interligne vertical 14Interligne vertical 15«As taxas de juros reais, nelas incluídas comissões e quaisquer outras remunerações direta ou indiretamente referidas à concessão de crédito, não poderão ser superiores a doze por cento ao ano; a cobrança acima desse limite será conceituada como crime de usura, punido, em todas as suas modalidades, nos termos que a lei determinar.»

Que estão esperando os interessados para denunciar evidente e continuado crime de usura?

MasterCard  crédito rotativo na Suíça Taxa de juros: 14,93% ao ano

MasterCard crédito rotativo na Suíça
Taxa de juros: 14,93% ao ano

A título de comparação, é interessante saber que, na Suíça, usuários de crédito rotativo em cartão de crédito pagam 14,93% de juros anuais – o que já é considerado altíssimo.

Ressalve-se que a inflação helvética é nula. Portanto, para garantir aos operadores brasileiros o mesmo nível de ganho, seria necessário levar em conta a inflação. Exagerando, consideremos que seja de 15%. Chega-se a um juro em torno de 30% ao ano. Elevado, mas compatível com o que se pratica no mundo.

Visa, Mastercard, American Express e mais duas ou três empresas monopolizam o mercado planetário. Se 30% são suficientes para manter rentabilidade aceitável em outros países, por que é que, no Brasil, têm de ganhar dez vezes mais?

Não tenho resposta.

Vox populi

José Horta Manzano

Desagradado com o teor do artigo de capa da mais recente edição da revista Veja, Luiz Inácio da Silva mandou dizer que vai processar os autores do texto.

A notícia foi repercutida por dezenas de veículos. Achei interessante percorrer os comentários de leitores. Francamente, não são simpáticos ao antigo presidente. Vox populi, vox Dei – a voz do povo é a voz de Deus. Aqui está um apanhado do que colhi por aí.

Comment 3Interligne vertical 11bJornal O Tempo
Em vez de processar revista, que tal explicar as acusações? Se jornalista tem que se pautar pela verdade, político não?

Portal Conjur
Basta olhar feio para “Álvares Cabral” do séc. XXI, que ele processa.

Rede Brasil Atual
Mas quando a mesma revista Veja apresentou matéria contra o presidente Collor, o sr. Lula utilizou a mesma revista como referência…

Portal Imprensa
Odorico Paraguaçu: «Vamos botar de lado os entretantos e partir para os finalmentes.»

Jornal O Tempo
Pressuposto para sofrer dano moral é o ofendido ter moral.

Comment 2Interligne vertical 11bPortal Vox
O maior dano moral que o País já sofreu foi no dia em que elegeram esse canalha presidente da República, o maior ato de estupidez coletiva de uma nação!

Diário do Grande ABC
Nossa, coitado! E ainda é petulante.

Jornal O Povo
É ele quem deveria indenizar a revista por danos morais.

Portal Conjur
Será que o Judiciário será igualmente rigoroso com o assédio processual do ex-presidente?

Rede Brasil Atual
Todos sabemos que Lula é ladrão desonesto, pois ninguém enriquece como ele e sua trupe. Vá enganar os trouxas, safado! Votei nele a vida toda e fui enganada. Quero que o País me perdoe por ter colocado essa corja no poder.

Diário de Pernambuco
Impressionante! Um ladrão recorrendo à Justiça!

Comment 1Interligne vertical 11bYahoo Notícias
E eu? Posso processar o Congresso e a campanha mentirosa da Dilma?

Jornal O Povo
Moral? E ele sabe o que é isso? Quem mente e rouba toda uma nação não tem moral.

Rede Brasil Atual
Enquanto este monstro da corrupção estiver vivo, não haverá paz nem tranquilidade neste país.

Portal Brasil 247
Guerreiro do povo brasileiro…corrupto até a medula.

Yahoo Notícias
Mercenário! Até caindo tenta levar alguma coisa.

Colonização cultural

José Horta Manzano

Um dos recalques mais profundos de que sofrem certos integrantes de nosso «governo popular» é definido pela magistral locução complexo de vira-lata. Muitos figurões – entre os quais nosso guia – não conseguem se libertar desse sentimento de inferioridade que lhes corrói as tripas.

Cachorro 23O Lula, apesar de ser hoje um homem rico e de ter ocupado o posto mais importante da República, continua vendo um fosso entre ele e a «zelite». Convenhamos que, em grande parte, o culpado é ele mesmo.

Discurso 2Desde que subiu pela primeira vez numa caixa de sabão pra discursar na porta da fábrica onde trabalhava, passaram-se quase quarenta anos. Tempo para estudar, houve. Se nosso guia preferiu dedicar-se exclusivamente a assuntos que lhe pareceram mais lucrativos, foi por opção livre e consentida. Se ainda hoje é inculto, fala palavrão em público e gospe pro santo, que não se espante se a maioria o rejeita.

Arribado à presidência, seus áulicos o aconselharam a empreender ações firmes para liberar o povo dos grilhões da colonização estrangeira. Passaram a estigmatizar tudo o que lembrasse louros de olhos azuis. Abriram os braços a Ahmadinedjad, do Iran; a Chávez, da Venezuela; aos bondosos irmãos Castro, de Cuba; a Evo, da Bolívia. Para reforçar, sorriram a ditadores africanos.

Na cabeça dessa gente, o remédio para nos livrarmos do complexo de inferioridade é renegar a cultura ocidental, justamente aquela da qual fazemos parte.

Discurso 3Raciocínio míope. Antes de descartar uma camisa, convém ter outra à mão, caso contrário, periga-se sair à rua descamisado. Dado que ninguém pensou em providenciar camisa nova, continuamos usando a que ia ser jogada fora. Com furos, rasgos e remendos aumentados e visíveis.

Na França, uma das funções da Académie – instituição equivalente a nossa ABL – é sugerir termos e expressões para substituir empréstimos estrangeiros. Por conselho dos acadêmicos, não se diz marketing, mas mercatique. Não se fala em software, mas em logiciel. Ninguém jamais disse fax, mas télécopie. Email é conhecido como message électronique. E assim por diante. Certos neologismos pegam, outros não. C’est la vie.

Chamada Estadão, 29 jul° 2015

Chamada Estadão, 29 jul° 2015

A chamada que colhi hoje no Estadão mostra que a aproximação com Ahmadinedjad, Chávez, Castro & cia não surtiu efeito tangível no campo cultural. Continuamos colonizados. Food park, contêiner, food truck, bike food… um condensado de falta de imaginação!

A desenvoltura que muitos demonstram na hora de roubar é proporcional à timidez de que todos dão prova na hora de ousar expressões novas. É pena.

O custo da desratização

José Horta Manzano

Dona Dilma afirma que a Operação Lava a Jato causou queda de um ponto percentual no PIB.

Não ficou clara a metodologia que lhe permitiu chegar a número tão preciso. Pouco importa. Ainda que ela tivesse tentado explicar, é provável que sua sintaxe peculiar nos impedisse de entender.

Estatísticas 2A ser verdade, até que saiu barato. Eliminação de praga sempre tem um custo.

Mensalões e petrolões, pragas impingidas ao País por Lula, Dilma & cia, hão de ter custado a nosso já raquítico PIB muitos e muitos pontos percentuais.

Pensando bem, o preço de um ponto percentual está de bom tamanho.

Tudo sobre todos

José Horta Manzano

Você sabia?

Big Brother 4Os caminhos da internet são insondáveis. Que não se ofenda algum distinto leitor perito nas artes informáticas. O que quero dizer é que o uso da eletrônica na comunicação e na estocagem de dados começou faz pouco tempo, portanto somos todos principiantes. Internet e mídia eletrônica estão no estágio em que estava a aviação no tempo de Santos Dumont.

Há muito por vir, coisas que nem a imaginação mais delirante pressente. Sem os modernos meios de comunicação, por exemplo, não teria havido petrolão nem Lava a Jato. Vai longe o tempo em que Jânio Quadros se comunicava com ministros por meio de bilhetinhos manuscritos.

Enquanto isso, vamos tateando. A cada dia, surpreendentes e assustadoras, novidades aparecem. A última delas surgiu semana passada. Trata-se de um site assaz misterioso: é registrado na Suécia, utiliza servidores franceses, tem sede social nas Ilhas Seychelles, vem escrito em português brasileiro – a espalhação necessária para fugir a todo rastreamento. Confirma que ninguém mais escapa do Big Brother.

Big Brother 3Qualquer visitante pode inserir o nome ou o número de CPF do cidadão que procura. Numa fração de segundo, será exibido sexo, data de nascimento, endereço, nome de parentes e de pessoas vivendo sob o mesmo teto. Até o nome de vizinhos aparece!

Todo trabalho merece remuneração. Ao visitar o site, o simples curioso não obtém grande coisa como informação. Depois de pagar em torno de um dólar, aí sim, terá direito a detalhes. Informação sobre empresas está também disponível.

Big Brother 1Testei – sem pagar – a eficácia do sistema. É rápido e impressionante. Sem pôr a mão no bolso, qualquer consulente recebe o CEP e um mapinha google da região onde vive o cidadão procurado. É, em geral, suficiente para saber se realmente bate com a pessoa que temos em mente. A partir daí, para ter acesso a todos os detalhes, só pagando.

Como todo sistema, esse também tem seus limites. Busquei pessoas falecidas há dez, vinte ou trinta anos: pois continuam aparecendo. De evidência, o programa consulta sites públicos, foros, diários oficiais, redes sociais, mas… negligencia verificar livros de cemitérios ou registros de óbitos. Ninguém é perfeito.

À atenção do leitor curioso, dou o endereço: tudosobretodos.se.