Vox populi

José Horta Manzano

Desagradado com o teor do artigo de capa da mais recente edição da revista Veja, Luiz Inácio da Silva mandou dizer que vai processar os autores do texto.

A notícia foi repercutida por dezenas de veículos. Achei interessante percorrer os comentários de leitores. Francamente, não são simpáticos ao antigo presidente. Vox populi, vox Dei – a voz do povo é a voz de Deus. Aqui está um apanhado do que colhi por aí.

Comment 3Interligne vertical 11bJornal O Tempo
Em vez de processar revista, que tal explicar as acusações? Se jornalista tem que se pautar pela verdade, político não?

Portal Conjur
Basta olhar feio para “Álvares Cabral” do séc. XXI, que ele processa.

Rede Brasil Atual
Mas quando a mesma revista Veja apresentou matéria contra o presidente Collor, o sr. Lula utilizou a mesma revista como referência…

Portal Imprensa
Odorico Paraguaçu: «Vamos botar de lado os entretantos e partir para os finalmentes.»

Jornal O Tempo
Pressuposto para sofrer dano moral é o ofendido ter moral.

Comment 2Interligne vertical 11bPortal Vox
O maior dano moral que o País já sofreu foi no dia em que elegeram esse canalha presidente da República, o maior ato de estupidez coletiva de uma nação!

Diário do Grande ABC
Nossa, coitado! E ainda é petulante.

Jornal O Povo
É ele quem deveria indenizar a revista por danos morais.

Portal Conjur
Será que o Judiciário será igualmente rigoroso com o assédio processual do ex-presidente?

Rede Brasil Atual
Todos sabemos que Lula é ladrão desonesto, pois ninguém enriquece como ele e sua trupe. Vá enganar os trouxas, safado! Votei nele a vida toda e fui enganada. Quero que o País me perdoe por ter colocado essa corja no poder.

Diário de Pernambuco
Impressionante! Um ladrão recorrendo à Justiça!

Comment 1Interligne vertical 11bYahoo Notícias
E eu? Posso processar o Congresso e a campanha mentirosa da Dilma?

Jornal O Povo
Moral? E ele sabe o que é isso? Quem mente e rouba toda uma nação não tem moral.

Rede Brasil Atual
Enquanto este monstro da corrupção estiver vivo, não haverá paz nem tranquilidade neste país.

Portal Brasil 247
Guerreiro do povo brasileiro…corrupto até a medula.

Yahoo Notícias
Mercenário! Até caindo tenta levar alguma coisa.

Depois de certa idade…

Sylo Costa (*)

Meu saudoso pai, exemplo de sensibilidade, dizia sempre que “a felicidade está diretamente ligada à ignorância”. Não à ignorância da brutalidade, mas àquela ignorância do não saber. Papai era um cearense “retado”. Médico, formado na Bahia, terminou o curso com uma bolsa de estudos que lhe foi dada pelo Ministro da Educação Francisco Campos, que atendeu um pedido da turma de 1932, composta, de acordo com o convite de formatura em meu poder, por 73 formandos: 38 brancos, 17 negros, 14 baianos e quatro mulheres.

Panda albino

Coala albino

Bons tempos aqueles, em que não havia a perversidade da discriminação e podia-se brincar assim. Seu anel de grau foi presente dos colegas. Será que a sociedade em que vivemos comportaria esse modus vivendi? Hoje, quem chamar um negro de “negão” está discriminando o sujeito e pode ser processado na forma da lei, ou seja, aquilo que podia ser um tratamento carinhoso é crime hediondo. Pode-se xingar de fdp, ladrão, cavalo, égua etc. Mas bicha ou macaco é discriminação, e lá vai o perigoso criminoso para a cadeia.

Eu tinha dois amigos em Salinas que atendiam pelo nome de Negão. Um morreu, o outro está vivo e reside em São Francisco, lugar na barranca do Velho Chico, abençoado por Deus e bonito por natureza. Há muito não o vejo e não sei como chamá-lo quando o encontrar. Não que ele não entenda, mas outro “aragaço”(1) que, porventura, esteja por perto certamente vai reparar. O país está assim: um saco.

O Congresso Nacional, composto por homens, mulheres e muita gente boa, religiosos ou não, bichas e dissimulados, mensaleiros e ladrões comuns, está que é uma sensibilidade só… Agora, estão discutindo sobre maioridade. Uns querem que ladrõezinhos de 17 anos sejam tratados como “de menor”, outros mais pés no chão, não. Tanto faz bala 22 ou 38 para fazer defunto. Mas não.

Os desocupados de ongs, direitos humanos e outros modismos enchem o saco de qualquer um. Ô paiseco de… deixa prá lá. Se eu não estivesse com “idade avançada”, me mudaria para qualquer outro lugar onde não houvesse petistas de todas as espécies e padrecos comunistas disfarçados de intelectuais pregando aos incautos…

Cavalo albino

Cavalo albino

Agora, para completar o rol de sensibilidades de que estamos possuídos, alguns legisladores, pessoas que se dizem normais, querem tornar “crime hediondo” qualquer manifestação que expresse simpatia ou desejo pela volta dos militares, ou seja, mais ou menos o que acontece na Alemanha, onde não se pode, por outras razões, discutir sobre o Holocausto. Nossa liberdade de expressão está condicionada ao modismo desses brasileirinhos sensíveis que têm medo de polícia e de lobisomem…

Um dos sentimentos que mais me maltrata é a decepção, e eu vivo hoje, como brasileiro, decepcionado com a vida, não a minha vida, mas a vida vivida no Brasil, o que me faz lembrar um salinense ranzinza que, cerrando os dentes, dizia: “Ô Sylo, qué sabê? Se lugá fô lugá, isso aqui num é um lugá”. Também acho…

(*) Sylo Costa é homem político mineiro. Assina coluna semanal no jornal O Tempo.

(1) No norte de Minas Gerais, dá-se o nome de aragaço aos albinos.

Frase do dia — 191

«Das poucas esperanças que nos restam e nos alimentam em busca de um novo tempo neste Brasil contraditório, adolescente, malresolvido, que tal um pouco de carinho e compreensão?

Um ombro amigo é um lembrete: o barco é o mesmo, a casa é uma só. Se pegar fogo no quarto de empregada, queima até a suíte do casal. No fundo, somos todos interdependentes. É bíblico, servos e senhores, lado a lado.»

Eduardo Aquino, neurocientista e escritor, em sua coluna do jornal O Tempo, de BH. Para ler o texto integral, clique aqui.

Afanador de galinhas

Sylo Costa (*)

Cícero, na primeira Catilinária contra a corrupção de seus contemporâneos, exclamou: ó, tempora, ó, mores! O mesmo podemos dizer do nosso Brasil de hoje: gente pobre, se comete um deslize furtando uma galinha ou um galo, é para comer, nunca para formar aviário. Já alguns sem-vergonha e ladrões roubam é Petrobras. Outros, remediados e ricos, políticos e velhacos, afanam tudo, principalmente dinheiro público, fazendo fortunas. Ó, tempos, ó, costumes!

Galinha 2Imagine esta situação, caro leitor: Afanásio Maximiniano Guimarães afanou um galo e uma galinha do galinheiro de Raimundo das Graças Miranda. A Defensoria Pública requereu ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais a extinção do processo, uma vez que o acusado devolvera os animais (presumo que o dito cujo tenha sido condenado na 1ª instância).

Se o perigoso assaltante de galinhas tivesse tido tempo para devorar os bichos, certamente que a defesa apelaria para o chamado furto famélico, situação em que se subtrai algo para comer e não morrer de fome.

Ou não, porque os políticos de Brasília e aqueles que comem quietos, como mensaleiros e fanáticos interessados na Petrobras e outras fontes luminosas como Copa e Olimpíadas, já desmoralizaram esse tipo de crime e, provavelmente, já pensaram em todas as maneiras de como sair incólume dessas aventuras, depois das ditas efemérides.

Mas, voltando ao tema do furto de galinhas, presumo eu que existiu outro pedido da defesa, em caráter liminar, quanto à aplicação do princípio da insignificância, e o assunto foi parar no Supremo.

O ministro relator, Luiz Fux, ao analisar o caso, decidiu aguardar o julgamento do mérito do pedido para depois decidir a questão em definitivo. É…, um país cujos principais juízes se preocupam na mais alta Corte com galos e galinhas e não conhecem de Renans e Roses, escondidos que vivem debaixo dos caracóis dos seus cabelos e perucas, não podem ter mesmo tempo para mandar prender ladrões de casaca que abundam e que agem abertamente para desmoralizar nossas instituições e quebrar, no sentido de arrebentar, nosso país.

Galinha 1Não sei quem foi o iluminado que um dia descobriu o termo “hediondo” e, achando-o bonito, resolveu enquadrar tudo quanto é desgraça nesse título para substituir nosso Código Penal, fazendo até furto de galinha ser crime hediondo. Ladrão de galinhas não pode ser o mesmo que ladrão de Petrobras.

A lei não pode ser oito ou 80. Quer dizer que eu, que sou apenas um cidadão comum, se furtar uma galinha para comer serei julgado por crime hediondo e terei julgamento igual a esses ladrões sócios de doleiros? Furto é uma coisa, roubo é outra.

Ó, quer saber? Eu e muita gente só vamos esperar a primeira parada desse trem brasileiro. Ainda que não tenha chegado a lugar algum, quero descer e só subirei de volta quando desratizarem o ambiente pátrio.

(*) Sylo Costa é colunista do jornal O Tempo, de Belo Horizonte.