A estranha escolha de Lula

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa (*)

Lula, o sabe-tudo, deveria rezar em praça pública: “Eu pecador me confesso…”

Como é que ele teve coragem de nos enfiar goela abaixo essa senhora capaz de, em relação ao Pronatec, declarar num palanque: “Não vamos colocar uma meta e quando atingirmos ela, nós dobraremos a meta”.

Além do dilmês que arrebenta com nossa língua, dona Dilma não se acanha em dizer que quando atingirmos o nada, vamos multiplicá-lo por dois?

by Alberto Correia de Alpino F° Desenhista capixaba

by Alberto Correia de Alpino F°
Desenhista capixaba

Ele a escolheu, dizem, por ter ficado fascinado pelo modo como ela pilotava um laptop. É o tal negócio, em terra de cego quem tem um olho é rei…

Dona Dilma, além de perita em manejar as novas tecnologias e no uso do Power Point, é uma feminista daquelas de não ter pejo em pedir – bem, tentou exigir, mas nessa não levou a melhor – que todos os seus auxiliares se dirijam ou se refiram a ela como “a presidenta”.

Fiquei à espera de um auxiliar mais atilado que lhe dissesse: «Isso eu só faço se a senhora chamar o Lula de “presidento”». Mas qual, esperei em vão.

Em julho do ano passado, uns três meses antes da reeleição, durante a campanha para a qual dona Dilma e seu marqueteiro fiaram histórias do arco da velha para enrolar o distinto eleitorado – com o maior sucesso, diga-se a bem da verdade – uma mulher, analista de um banco de grande porte, o Santander, cujo dono era um amigão do Lula, fez jus ao cargo que ocupava e ao salário que recebia e advertiu, por e-mail, seus clientes preferenciais sobre as previsões que fazia para um segundo governo Dilma Rousseff.

Sinara Polycarpo Figueiredo, a analista, em uma mensagem eletrônica, dizia que uma eventual reeleição da presidente pioraria o quadro econômico no país. Que a bolsa iria cair, os juros subir e o câmbio se desvalorizar. Ou seja, a economia iria se deteriorar.

by Rubens (Rubz), desenhista paulista

by Rubens (Rubz), desenhista paulista

Lula, ao ser informado da análise, com a categoria que lhe é peculiar, em um discurso na 14ᵃ plenária da Central Única dos Trabalhadores, ressaltou que não há outro país em que o Santander lucre tanto como no Brasil e questionou ainda o fato da funcionária que escreveu o informe ter chegado a um cargo de chefia: “Essa moça que falou [isso] não entende porra nenhuma de Brasil e de governo Dilma Rousseff. Manter uma mulher dessas em cargo de chefia é sinceramente… Pode mandar embora e dar o bônus dela pra mim, que eu sei como é que eu falo”, completou.

Conselho que o Santander, com a rapidez dos que amam o poder, seguiu de imediato. Demitiu a analista! Não sei se deu o bônus ao Lula. Quero crer que não chegou a tanto.

Não sou, nem nunca fui, feminista. Minha teoria é a seguinte: somos diferentes, os homens das mulheres, em dezenas de coisas, todas da maior importância. Menos intelectualmente. Nesse caso, tendo as mesmas condições para desenvolver nosso intelecto, somos absolutamente iguais.

Mas se eu fosse uma ardente feminista, o que eu faria diante de uma mulher que, evidentemente, entendia do que falava, como agora está fartamente provado? Ia convidá-la para fazer parte de minha equipe, ora se ia…

by Nélson Nunes Martins, desenhista mineiro

by Nélson Nunes Martins,
desenhista mineiro

Não se trata de acreditar em bola de cristal ou em querer bancar a profetisa do passado, mas de um fato comprovado: o cliente do Santander que seguiu os conselhos de Sinara se deu bem. Os clientes do Lula quebraram a cara.

Segundo matéria no Estadão de 28/12/2014, Sinara Polycarpo Figueiredo entrou com ação na Justiça do Trabalho contra o Santander. Não sei no que deu esse processo. Mas de uma coisa eu sei: torço por Sinara.

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(*) Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa, professora, tradutora e escritora, é filha do grande Adoniran Barbosa. Escreve semanalmente para o Blog do Noblat, alojado no portal d’O Globo.

Um pensamento sobre “A estranha escolha de Lula

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