O mundo vai mal?

José Horta Manzano

Nós, os habitantes deste planeta, temos a vaga impressão de que o mundo vai mal. Muitas guerras, muita violência, conflitos, atentados, miséria, imigração clandestina, greves, poluição, consumo de drogas, destruição do meio ambiente. Em resumo: vai tudo de mal a pior.

No entanto, a realidade dos fatos é menos assustadora. A impressão de descalabro vem, muito certamente, da velocidade com que a informação circula. Algumas décadas atrás, vários dias podiam decorrer entre o acontecimento e sua aparição nos jornais. Hoje a propagação é instantânea. A proliferação de notícias falsas (em bom português, fake news) ajuda a piorar o cenário. Mas examinemos alguns pontos altamente positivos escondidos por detrás do fluxo de notícias ruins.

As estatísticas oficiais do Banco Mundial medem a pobreza no planeta. Elas mostram que, em 1990, um terço da humanidade vivia com menos de US$ 1.90 por dia, limite da extrema pobreza. Era uma em cada três pessoas. Atualmente, apenas um em cada doze humanos continua abaixo desse limite. É avanço fenomenal conseguido em menos de 30 anos.

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Outra melhora significativa verificou-se na taxa de mortalidade infantil. Em 1990, de cada mil crianças, 93 não chegavam à idade de 5 anos. Em 2017, esse número baixou para 39 por mil. Isso mostra que há progresso nas áreas de alimentação, vacinação e medicação.

A poliomielite, que flagelava os pequeninos antigamente, está involuindo. Em 1988 foram registrados 350.000 casos. Em 2018, a enfermidade não atingiu mais do que 33 pessoas, uma queda impressionante. Em breve, essa doença estará erradicada.

Pelas estatísticas da Unesco, 67% dos maiores de 15 anos eram alfabetizados em 1980. Em 2017, essa taxa já atingia 86%. Ainda falta um bom pedaço, mas a carroça tem andado na boa direção.

Como se vê, apesar de governantes sombrios e biliosos como Trump, Bolsonaro, Putin, Erdogan, o bando lulopetista e tantos outros espalhados aos quatro ventos, o mundo caminha. Se esses poderosos, que não pensam em outra coisa senão em dinheiro e poder, ajudassem a empurrar o caminhão, a humanidade sairia mais rápido do atoleiro. Mas mesmo sem a ajuda que eles nos sonegam, nós, do andar de baixo, vamos nos virando.

A omelete e os ovos

José Horta Manzano

A alegria de uns…
Curvados e contritos, alguns grandes deste mundo estão à cabeceira da moribunda Síria. Tentam pôr-se de acordo para salvar o que ainda puder ser salvo.

Não é a primeira vez que se reúnem para esse mesmo fim, mas a gente sempre espera que seja a última. Torcemos todos para que se alcance um compromisso que garanta aos diferentes estratos do infeliz povo sírio uma convivência pacífica. Atritos e tensões sempre haverá, não nos enganemos. Mas tomara que cheguem a um acordo para, pelo menos, mitigar o conflito. Inshallah!

Se isso acontecer, os homens de boa-vontade se alegrarão. Na Síria e no resto do mundo.

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… e a irritação de outros
Não se faz omelete sem partir ovos ― dizem os portugueses. Para juntar um punhado de figurões, é preciso cautela e extrema vigilância.

Não por acaso, as autoridades suíças estão habituadas a acolher mandachuvas. A cidade de Genebra abriga, entre outros organismos, a sede europeia da ONU, a OIT (Organização Internacional do Trabalho), a OMM (Organização Meteorológica Mundial), a OMS (Organização Mundial da Saúde), a UIT (União Internacional das Telecomunicações), a UPU (União Postal Universal), o CICR (Comitê Internacional da Cruz Vermelha), a OMC (Organização Mundial do Comércio). E muitas outras menos conhecidas, sem contar as embaixadas, legações, consulados e missões permanentes.

Conferência Genebra II Crédito: AFP, Fabrice Coffrini

Conferência Genebra II
Crédito: AFP, Fabrice Coffrini

Gente importante vem e vai todos os dias, mas há dias mais especiais que outros. As reuniões da Conferência Genebra II, sobre o problema sírio, chamam a atenção do mundo inteiro. Portanto, todo cuidado é pouco para evitar atentados ou qualquer tipo de perturbação.

Apesar do nome, o encontro não se realiza em Genebra, mas em Montreux, pequena cidade turística à beira do Lago Leman, uma centena de quilômetros mais adiante. O pequeno burgo está em polvorosa. O Palace Hotel, palco das reuniões e lugar de hospedagem de várias comitivas, foi tomado de assalto. O tráfego está perturbado, as redondezas bloqueadas, ninguém pode se aproximar a menos de 100m do local. Parece praça de guerra.

Montreux Palace Hotel

Montreux Palace Hotel

Alguns comerciantes estão furiosos, porque simplesmente não terão movimento estes três dias. A farmácia, o salão de beleza, os pequenos comércios situados nas proximidades do hotel não têm chance nenhuma de ver entrar algum cliente. Estão até preparando um pedido de indenização à prefeitura.

Vamos torcer para que os frutos sejam bons: que a conferência seja um sucesso e que os comerciantes de Montreux recebam uma compensação pelo prejuízo. Não será fácil ― nem para estes, nem para aqueles.