Tuíte – 9

José Horta Manzano

Sergio Moro acaba de dar demissão ao vivo. Durante os 16 meses em que esteve à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública, engoliu cobras, lagartos, sapos e pernilongos. Foi humilhado dezenas de vezes pelo capitão. Dizia-se à boca pequena que ele estava apequenado, que se agarrava ao emprego.

De repente, caiu a gota d’água, aquela que fez transbordar o pote até aqui de mágoa. Entornou tudo, até a última gota. O ex-magistrado disse, com todas as letras, que saía porque doutor Bolsonaro não havia cumprido a palavra dada.

Pegou mal pra caramba, talquei? Que o doutor fosse homem em quem não se deve confiar, todos já sabiam. Mas ele nunca havia sido malhado dessa maneira, em praça pública, em rede nacional, por personagem tão admirado pela população.

Agora todos ficaram sabendo por que o doutor quis trocar o chefe da PF: a fim de proteger a si e aos filhos de perigosa proximidade com a Justiça, prefere dar o cargo a um amigo.

Mas a hora do acerto de contas vai chegar um dia. E esse dia pode estar mais próximo do que imagina o capitão. Quem tem rabo preso, não adianta fugir – tudo acaba aparecendo.

Acerto de contas

José Horta Manzano

Ao saber da reportagem de capa da revista Veja desta semana, dona Dilma & áulicos hão de ter levado um tremendo susto.

Nessas horas, quando se está sereno, a prudência manda calar e se fingir de morto. Não foi a decisão do entourage presidencial.

Adeptos de todo bate-boca que possa fazer passar mais rapidamente os minutos angustiantes de aparição ao vivo diante das câmeras, os marqueteiros palacianos orientaram a candidata a atacar a revista. Foi o que ela fez – em pessoa! – quando de sua participação no debate eleitoral de 24 de out° 2014.

Revista Veja 2Decisão tola, a meu ver. Remexeu a faca na ferida, chamou a atenção de quem porventura estivesse distraído, fez aumentar a tiragem da revista. Em resumo, a emenda estragou o soneto. Que já não era melodioso, diga-se.

A revista não perdeu a deixa. Sem tardar, publicou a réplica. Ei-la:

Interligne vertical 11bSobre a fala da presidente no horário eleitoral

A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, ocupou parte de seu tempo no horário eleitoral para criticar VEJA, em especial a reportagem de capa desta semana. Em respeito aos leitores, VEJA considera essencial fazer as seguintes correções e considerações:

1) Antecipar a publicação da revista às vésperas de eleições presidenciais não é exceção. Em quatro das últimas cinco eleições presidenciais, VEJA circulou antecipadamente, no primeiro turno ou no segundo.

2) Os fatos narrados na reportagem de capa desta semana ocorreram na terça-feira. Nossa apuração sobre eles começou na própria terça-feira, mas só atingiu o grau de certeza e a clareza necessária para publicação na tarde de quinta-feira passada.

3) A presidente centrou suas críticas no mensageiro, quando, na verdade, o cerne do problema são os fatos degradantes ocorridos na Petrobrás, em seu governo e no de seu antecessor.

4) Os fatos são teimosos e não escolhem a hora de acontecer. Eles seriam os mesmos se VEJA os tivesse publicado antes ou depois das eleições.

5) Parece evidente que o corolário de ver nos fatos narrados por VEJA um efeito eleitoral, por terem vindo a público antes das eleições, é o reconhecimento de que maior temeridade ainda seria tê-los escondido até o fechamento das urnas.

6) VEJA reconhece que a presidente Dilma é, como ela disse, “defensora intransigente da liberdade de imprensa” e espera que essa sua qualidade de estadista não seja abalada quando aquela liberdade permite a revelação de fatos que lhe possam ser pessoal ou eleitoralmente prejudiciais.