Vou de táxi

José Horta Manzano

Chamada do Estadão, 15 set° 2016

Chamada do Estadão, 15 set° 2016

Nosso guia pode enxugar as lágrimas e sossegar. Por esse caminho, não arrisca grande coisa. Como se sabe, os que corrompem não costumam pedir recibo.

Mas cuidado! Tribunais, diante de um feixe de indícios sérios e credíveis, podem formar convicção da existência de crime. Não convém desafiar quem tem a faca e o queijo na mão.

Que golpe?

José Horta Manzano

Aos que julgam que o Congresso, não tendo legitimidade para destituir Dilma Rousseff, perpetrou um golpe de Estado, lembro que os votos que elegeram a presidente foram os mesmos que elegeram deputados e senadores.

Dilma 17Parlamentares representam exatamente os mesmos eleitores que escolheram a presidente. Desonesto será, portanto, dizer que a chefe do Executivo tinha «mais legitimidade» que o conjunto do Legislativo.

Cada um é livre de simpatizar ou não com esta ou com aquela figura política. Questionar a genuinidade do chefe do Executivo ou dos parlamentares ‒ todos eleitos pelo voto do mesmo povo ‒ é pura pilantragem.

Ambos os poderes estão em pé de igualdade. Ao destituir a presidente, os parlamentares cumpriram a prerrogativa que a Constituição lhes confere.

No centro da foto

José Horta Manzano

Você sabia?

O distinto leitor há de ter visto a foto dos participantes do último encontro do G20, realizado na China no fim de semana passado. Essas tradicionais “fotos de família” são a parte visível ‒ embora menos importante ‒ das reuniões. O principal é acertado em conversas bilaterais.

G20 3O presidente Temer aparece na ponta da primeira fila, quase caindo fora da foto. Por quê? Será que essa posição secundária demonstraria pouco caso ou desprezo do mundo para com o presidente e, por extensão, para com o Brasil?

Comparando com a foto da Cúpula de 2010 em Seul, em que o Lula aparece bem no centro, ao lado do anfitrião, a diferença é chocante. Teria o Lula maior importância ou mais prestígio do que Temer? Como é que se determina a posição dos que aparecem na primeira fila?

O protocolo não deixa nada ao acaso. Reza que, no centro, se posicionará o anfitrião. Em seguida, do centro em direção às extremidades, serão instalados os mandatários pela ordem de ancianidade ‒ o tempo passado desde que assumiram o posto. Quanto mais tempo tiverem ocupado o cargo, mais próximo estarão do anfitrião.

G20 4Na foto de 2010, o Lula já estava no fim do segundo mandato, portanto, era presidente havia oito anos, um dos mais antigos do G20. Eis por que aparece ao lado do anfitrião. Reparem que Obama, que tinha ocupado a Casa Branca por apenas cinco anos, aparece mais descentrado.

Na foto de 2016, Temer é o novato, tendo assumido definitivamente o cargo apenas alguns dias antes. Portanto, sua posição no extremo do retrato não é humilhante nem vem de timidez do fotografado. É o protocolo.

Meu mascote? ‒ 2

José Horta Manzano

Chamada da Folha de São Paulo, 12 ago 2016

Chamada da Folha de São Paulo, 12 ago 2016

Nada feito. Como já disse em outras ocasiões, está errado. Por mais que o bichinho seja macho, será sempre SUA mascote. Mascote é substantivo do gênero feminino.

O mesmo vale, naturalmente, para seu gatinho, seu papagaio, seu hamster. Vale até para seu elefante, bichinho de estimação para quem dispõe de casa espaçosa. Igualdade de «gênero» não vigora neste caso.

Meu artigo Meu mascote? explica a origem da palavra.

Metade mais um

José Horta Manzano

«Para a pronúncia ser aprovada hoje, é necessária a maioria simples dos votos – metade mais um dos senadores presentes – o que significa 41 votos na hipótese da presença de todos os 81, ou 21 votos, no caso da presença mínima exigida, que é de 41 parlamentares.»

Interligne 18f

Essa frase saiu hoje num editorial do Estadão. Gramaticalmente, não há que botar reparo. Mas a lógica está meio capenga. Maioria simples não é necessariamente sinônimo de “metade mais um”. Se o número total de senadores fosse par, de fato, a maioria simples só seria alcançada com metade mais um voto.

Estudante 2Acontece que o Senado é composto de 81 membros, número ímpar. Metade de 81 dá 40½. Meio voto não é admitido naquela Casa: ou vota-se a favor ou vota-se contra. Portanto, na hipótese de estarem todos presentes, basta que 41 excelências digam sim para que a maioria simples seja alcançada. E 41 não é «metade mais um».

A frase do editorial está mal formulada. O preciosismo «metade mais um» pode ser eliminado sem prejudicar a compreensão. No fundo, qualquer número inteiro que ultrapasse a metade aritmética já configura maioria.

Autoilusão

José Horta Manzano

Uma chamada do Estadão de 27 de jan° me chamou a atenção. Falo de uma sintomática declaração do presidente do CIO ‒ Comité International Olympique. Ao desembarcar no Rio, Herr Bach foi logo deixando claro: «Temos inteira confiança no Brasil». Hmmm…

JO 2016Alguém imagina a autoridade máxima do esporte mundial soltando frase assim logo antes do início dos Jogos Olímpicos de Londres? Algo do tipo «Temos inteira confiança no Reino Unido»?

Quando um dirigente insiste em afirmar o que deveria ser evidente é mau sinal. Soa menos como convicção e mais como o que os ingleses chamam «wishful thinking», uma interpretação dos fatos que não traduz a realidade como ela é, mas como gostaríamos que fosse.

Chamada Estadao, 27 jul° 2016

Chamada Estadao, 27 jul° 2016

Na hora me vieram à mente duas imagens. A primeira é a de um certo ex-presidente que ousa duvidar haver «nessepaiz» viv’alma mais honesta que ele. Ao dar-se conta de que ninguém mais lhe dá crédito, o enjeitado líder sentiu necessidade de soltar a frase lapidar.

A segunda imagem é a de certa presidente afastada que, embora tenha ocupado funções de mando nos últimos 13 anos, insiste em considerar-se alheia a todo o descalabro que se instalou no país. «Sou mulher honesta, não cometi crime e nunca me vali de caixa 2.»

Autoilusão.

Brexit ‒ 3

Cabeçalho 11

José Horta Manzano

Britânicos expatriados
Por volta de 1,3 milhão de britânicos vivem longe da pátria mas dentro da União Europeia. Em matéria de acolhida a cidadãos do Reino Unido, a Espanha é campeã absoluta. Juntando ingleses, galeses, escoceses e norte-irlandeses, perto de 400 mil residem em terras do rei Felipe VI.

Não só na Espanha
Há britânicos espalhados por toda a Europa. Na França, são 172 mil. Na Alemanha, quase 100 mil. A Itália abriga mais de 70 mil originários do Reino Unido. Até Portugal, não obstante o território pouco extenso, conta com quase 20 mil súditos de Elizabeth II.

A especificidade belga
A Bélgica é um caso à parte. As estatísticas informam que 28 mil britânicos residem no país. Embora o número não seja impressionante, há que ter em mente que boa parte desse contingente é constituído por funcionários das instituições europeias.

Bandeira UE UKPorta fechada
O regulamento da UE estipula que, para ser admitido, o funcionário tem de ser cidadão de um dos países-membros. Assim que o Reino Unido deixar oficialmente a UE, todos os britânicos se tornarão estrangeiros da noite pro dia. E os funcionários, que será deles?

Não tenho nada com isso
Naturalmente, há funcionários cuja função está rigorosamente ligada ao fato de o Reino Unido ser membro da União. Para esses ‒ deputados e assessores ‒ não há esperança: vão perder o emprego. Mas há outros, a maioria. São tradutores, intérpretes, técnicos especializados em diferentes áreas. A partir do momento em que seu país deixar de ser membro, vão se tornar tão estrangeiros como um vietnamita ou um mongol. Que fazer?

Quero ficar
Coisas nunca antes vistas estão acontecendo. Grande número de cidadãos britânicos residentes na Bélgica estão apresentando pedido de naturalização. Felizmente, a legislação belga não é rigorosa na hora de conceder cidadania a estrangeiros. Exige que o candidato tenha morado ‒ legalmente ‒ e trabalhado no país por cinco anos. Pede ainda que fale uma das línguas oficiais: francês, holandês ou alemão.

Passaporte 4A língua fica
Com a saída do Reino Unido, sobram na União Europeia apenas dois países nos quais o inglês é língua oficial: Irlanda e Malta. Mas que ninguém se engane. Dado que o bloco tem 24 línguas oficiais, as falas e, principalmente, os documentos têm de ser traduzidos para todos esses idiomas. Funcionários capazes de traduzir diretamente do estoniano para o búlgaro ou do tcheco para o finlandês são raros. Para contornar o problema, costuma-se traduzir em duas etapas, passando pelo inglês. Daí a absoluta necessidade desta última língua, que continuará importante com ou sem o Reino Unido.

Degradação
Com a queda da libra esterlina, o Reino Unido deixou de ser a quinta economia do planeta. Desceu um degrau e cedeu o lugar à França.

Lewandowski perdeu!

José Horta Manzano

Depois de meia hora empolgante, a partida de futebol entre Polônia e Portugal, jogada ontem em Marselha pelas quartas de final da Eurocopa 2016, empacou.

Foi até um certo ponto. Depois, parou. Não atava nem desatava. Nem parecia um mata-mata. Parecia que se tratava de um amistoso. E assim foi até o fim.

Robert Lewandowski, futebolista polonês

Robert Lewandowski, futebolista polonês

Em virtude do empate (1 x 1), foram à prorrogação. Sem vencedor, os dois times tiveram de encarar o cara ou coroa chamado disputa por pênaltis.

Apesar de contar com o apoio da maioria da torcida presente no estádio, um dos jogadores da seleção polonesa ‒ cujo capitão é Robert Lewandowski ‒ perdeu o pênalti.

A ‘equipa’ lusa acertou todos. Ganhou a aposta e está nas semifinais. Lewandowski perdeu.

Brexit ‒ 2

Cabeçalho 11

José Horta Manzano

Parlamento Europeu
O Parlamento Europeu, casa legislativa da União Europeia, é composto por 751 membros. Sedia-se em Bruxelas, cidade capital da Bélgica.

Representação
Os 751 deputados europeus são eleitos por sufrágio universal direto e secreto. Cada país tem direito a número de representantes proporcional a sua população. Os países menos populosos (Estônia, Malta, Chipre) elegem 6 deputados cada um. A Alemanha, país com maior número de habitantes, manda 96 eleitos.

Parlamento europeu

Parlamento europeu

Grupos & partidos
Diferentemente do que se poderia imaginar, os deputados não se agrupam por país de origem. Juntam-se por afinidade política. A Aliança dos Verdes, por exemplo, é composta por 55 deputados originários de 17 países. Essa característica ameniza o peso populacional dos países maiores.

Os «contras»
Como sói acontecer em sistemas democráticos, o parlamento conta com três dezenas de deputados antieuropeus. São políticos que usam os mecanismos do sistema para solapá-lo, para corroê-lo de dentro pra fora. Sonham com o desmonte da União.

Parlamento europeu, Bruxelas

Parlamento europeu, Bruxelas

Nigel Farrage
Deputado britânico há 17 anos, Mister Farrage é presidente do partido Ukip, que provocou o plebiscito que deu origem ao Brexit. Está vivendo seus momentos de glória, embora o futuro se anuncie ameaçado por nuvens negras.

Jean-Claude Juncker
Homem de notável inteligência, é o presidente da Comissão Europeia há dois anos. Foi primeiro-ministro do Luxemburgo, seu país, durante quase 20 anos.

Sessão
Nesta terça-feira 28, houve sessão do Parlamento. Mister Farrage, sorridente e triunfante, estava presente. Herr Juncker, amável, cumprimentou-o civilizadamente. Isso foi antes de começarem os debates.

Partidos que compõem o Parlamento Europeu

Partidos que compõem o Parlamento Europeu

Provocação
Quando a palavra foi concedida aos participantes, Herr Juncker declarou que, na sequência do voto britânico, o Parlamento reconhecia e aceitava o resultado. Mister Farrage, fanfarrão, tentou tripudiar e disse que muitos outros países ainda haviam de seguir o exemplo do Reino Unido.

Reação
Deu-se mal. Herr Juncker, que não costuma levar desaforo pra casa, retrucou de bate-pronto: «You were fighting for the exit. The British people voted in favour of the exit; why are you here?» ‒ «O senhor estava batalhando pela saída. O povo britânico votou pela saída. O que é que o senhor está fazendo aqui?»

Nigel Farage & Jean-Claude Juncker

Nigel Farage & Jean-Claude Juncker

Estocada
A estocada final foi dada por um veemente Guy Verhofstadt, deputado europeu e antigo primeiro-ministro da Bélgica. Fixando Mr. Farage nos olhos, disparou: «OK, let’s be positive, we are getting rid of the biggest waste of EU budget : your salary.» ‒ «OK, vamos ver o lado bom. Estamos nos livrando do maior desperdício do orçamento da UE: seu salário.»

I beg your pardon?
Poliglota, Herr Juncker costuma se exprimir indiferentemente em inglês, alemão e francês. Excetuando as frases dirigidas a Mr. Farage, suprimiu a língua inglesa de suas falas. Mostrou que, para a presidência do Parlamento, a saída do Reino Unido já é página virada.

Brexit ‒ 1

Cabeçalho 11José Horta Manzano

Nota soberana
As agências de notação Standard & Poor’s e Fitch anunciaram, nesta segunda-feira 27, a degradação da nota soberana do Reino Unido. De AAA, passou a AA com perspectiva negativa. A nota já havia sido carimbada com perspectiva negativa pela Moody’s, a terceira das grandes agências.

Retorção
Cresce a antipatia ‒ nem sempre verbalizada ‒ e a má-vontade dos europeus contra o Reino Unido. Essa disposição não vai amenizar as discussões.

Artigo 50
A saída de um membro da UE está prevista no Artigo 50 do Tratado de Lisboa. O dispositivo foi posto ali proforma ‒ just in case, como diriam os ingleses. Ninguém imaginava que pudesse ser acionado um dia. É análogo ao artigo da Constituição brasileira que estipula a possibilidade de impedimento do presidente da República.

Artigo vago
O artigo só estabelece o princípio, sem descer aos pormenores. Dado que se trata da primeira vez que um dos Estados se prepara a desfiliar-se do clube, não há rotina estabelecida. Tudo terá de ser inventado.

Rainha Elizabeth 1Surpresa
Todos foram surpreendidos com o resultado do voto dos britânicos. Todos apostavam no «in», imaginando que o «out» estivesse fora de cogitação. Perderam todos. O espanto foi ainda maior no campo dos que tinham pedido o divórcio. Nigel Farage, presidente do partido ultranacionalista Ukip, anda perdido como cego em tiroteio. Não estava preparado para essa eventualidade. Não sabe o que fazer.

Cameron de pé firme
Recusando-se a agir como é praxe em ocasiões como essa, David Cameron, o perdedor, recusa-se a deixar o cargo de primeiro-ministro imediatamente. Prefere esperar que a poeira baixe. Sabe que, assim que a ficha cair, o panorama vai ficar bem mais escuro para seu sucessor.

Consulta
Por incrível que pareça, a saída do Reino Unido está longe de ter sido formalizada junto à UE. O plebiscito tinha caráter meramente consultativo. Numa hipótese absurda, o parlamento britânico poderia até ignorar o resultado e seguir adiante como se nada tivesse ocorrido.

Formalização
Para ser levado em conta, o pedido de saída tem de ser feito de maneira oficial à direção do clube, em Bruxelas. Pode ser que esse passo ainda demore a ser dado.

Composição da Union Flag (= Union Jack)

Composição da Union Flag (= Union Jack)

Uns com pressa…
Monsieur Hollande (França) e Signor Renzi (Itália), entre outros, têm pressa e querem que o processo corra acelerado. Compreende-se. França e Itália têm regiões que reclamam a independência. Quanto mais rápido se apagar esse incêndio, melhor será.

… Outros sem
Frau Merkel (Alemanha) gostaria que o processo fosse bem vagaroso, sem um grama de precipitação. O Reino Unido é o terceiro parceiro comercial da Alemanha, daí a prudência germânica. Além disso, a Alemanha não tem nenhuma região reclamando independência.

Quantos à mesa?
Como ninguém havia previsto um plano B, é hora de improvisar. A reunião de chefes de Estado marcada, já faz tempo, para 28 e 29 de junho vai se realizar. O jantar de terça-feira contará com os 28 mandatários. O primeiro-ministro britânico, no entanto, não foi convidado para o almoço de quarta-feira. Vai comer sanduíche.

Frase do dia — 306

«Não se podem transformar o foro privilegiado e os imóveis funcionais em bancas de impunidade. Não há nenhum tipo de imunidade territorial, imunidade de imóveis. O único tipo de imunidade no Brasil é de embaixadas.»

Andrey Borges de Mendonça, procurador da República, referindo-se ao apartamento funcional da senadora Hoffmann, do PT paranaense. O imóvel foi investido pela PF em missão de busca e apreensão. Saiu no Correio Braziliense.

Interligne 18h

Nota deste blogueiro
Se a tese for juridicamente sustentável, quem pode se encontrar em maus lençóis é a própria senadora do PT. Por acobertamento de crime. Terá contribuído para o sucesso dos “malfeitos” do marido. Quem ajuda bandido… cúmplice é.

Quem é mesmo?

José Horta Manzano

Faz muito tempo que os vi pela última vez ‒ afinal, ambos faleceram há mais de cem anos e o tempo abranda a memória. Assim mesmo, a lembrança que guardei dos dois grandes escritores foi a seguinte:

Machado de Assis era este:

Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908)

Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908)

Interligne 28a

Castro Alves era este:

Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871)

Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871)

Interligne 28a

A Folha de São Paulo de ontem publicou uma chamada intrigante. Falando de um, pôs o retrato do outro. Salvo melhor juízo, naturalmente.

Chamada da Folha de São Paulo, 25 jun 2016

Chamada da Folha de São Paulo, 25 jun 2016

Nota birrenta
His mother’s death fica bem em inglês. La mort de sa mère é irreprovável em francês. Já em português brasileiro, o possessivo é perfeitamente dispensável em casos como esse. Chora a morte da mãe” soa mais fluido e mais natural.

Capotamento

José Horta Manzano

Ah, esses estagiários… Continuo sem entender por que razão grandes jornais os incumbem de redigir manchetes, justamente a parte mais chamativa, aquela que todos veem ainda que não leiam a notícia.

Chamada do Estadão, 3 jun 2016

Chamada do Estadão, 3 jun 2016

O verbo capotar é intransitivo, não admite objeto. Não se deve dizer “capotou o carro”, mas simplesmente “capotou”. A infeliz vítima morreu ao capotar na avenida.

Em sentido figurado, pode-se usar com o sentido de ir por água abaixo. Por exemplo: “o projeto capotou”.

Cauby

Cauby PeixotoJosé Horta Manzano

O timbre ímpar de Cauby Peixoto calou-se. Da época de ouro da música brasileira, era um dos remanescentes. Sua voz já vinha com soluço embutido, era daquelas que transpiram emoção.

Que siga em paz.

Rei na barriga

José Horta Manzano

Você sabia?

Futebol ZlatanA imodéstia não é atributo privativo de figuras como nosso guia. Volta e meia, topa-se com um daqueles tipos que parecem ter o rei na barriga.

Contratado quatro anos atrás pelo Paris St-Germain, o futebolista sueco Zlatan Ibrahimovic (de origem bósnio-croata) teve boa atuação. Aos 35 anos de idade, conhecido por sua imodéstia, o atleta já anunciou sua saída do clube ao final da temporada.

O passar dos anos não acalmou a soberba do rapaz. Às vésperas de pendurar as chuteiras, declarou no twitter: «My last game tomorrow at Parc des Princes. I came like a king, left like a legend.» ‒ “Meu último dia amanhã no Parc des Princes. Cheguei como um rei, vou-me embora como um mito”.

Haja modéstia! Nunca antes nesta arena se tinha visto tamanha empáfia. Ou o distinto leitor que coisas assim só acontecessem pelas bandas do Planalto?

O oxigêncio e o silêncio

José Horta Manzano

Jacques, distinto e atento leitor gaúcho, continua vigilante. Nenhum cochilo lhe escapa. Esta semana, encontrou um baita escorregão no G1 sulino.

Notícia do G1 gaúcho, 6 maio 2016 Clique para ampliar

Notícia do G1 gaúcho, 6 maio 2016
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É a história de um desastrado trio de assaltantes de caixa eletrônico. Estavam preocupados em não alertar a vizinhança. No nervosismo do momento, em vez de alimentar o maçarico com oxigênio, usaram… oxigêncio. Adeus, silêncio! Foi um buuum que acordou o bairro inteiro!

Não deu outra: um deles foi ver o sol nascer quadrado. A notícia não deixa claro se foi o maçariqueiro.

O feitiço e o feiticeiro

José Horta Manzano

Chamada do Estadão, 8 maio 2016

Chamada do Estadão, 8 maio 2016

Quem é mesmo que costumava dizer que «eles fica jogano praga ni nóis»?

Quem é mesmo que costumava dizer que «eles torce pro Brasil piorar»?

Quem é mesmo que costumava dizer que «eles não suporta que o Brasil melhora»?

Quem diria…

Propaganda enganosa

José Horta Manzano

Foi abrir o jornal e dar de cara com manchete surpreendente: «Supremo afasta Cunha da Câmara, que atribui decisão a ‘retaliação’».

Pensei com meus botões que a petulância da Câmara estava passando da conta. Atribuir o afastamento do deputado Cunha a algum tipo de ‘retaliação’? Francamente! É o estouro da boiada. Nada mais tem limites.

Chamada do Estadão, 6 maio 2016

Chamada do Estadão, 6 maio 2016

Fora 1Foi preciso ler a reportagem pra entender que o título não passava de «propaganda enganosa». O estagiário de plantão há de ter faltado a importantes aulas de virgulação e de uso do pronome relativo. Diferentemente do que indica a manchete, não é a Câmara que contesta a decisão, mas o próprio deputado afastado.

Os typographos de antigamente diziam que título bom é título que cabe. A afirmação é verdadeira, mas não pode ser levada a ferro e a fogo. Além de caber, título deve dar o recado certo. No presente caso, deu informação incorreta.

Uma manchete sem menção à Câmara teria dado o recado:
«Supremo afasta Cunha, que atribui decisão a ‘retaliação’».

Uma variante igualmente válida:
«Câmara: STF afasta Cunha, que se considera ‘retaliado’».

Mais claro, não?

Chora na rampa

José Horta Manzano

Que notícia boa! O dito «núcleo duro» do governo promete descer a rampa com a presidente. Que os céus permitam e que os anjos digam amém!

Chamada Estadão 5 maio 2016

Chamada Estadão 5 maio 2016

Que desçam todos, que não sobre nenhum, nem do núcleo duro nem da periferia mole. Basta de estrago.

E, mais importante de tudo, que nunca mais subam de volta. O Brasil está farto. O champanhe já está na geladeira, prontinho pra estourar.