Email de Buckingham

José Horta Manzano

O jornalista Lauro Jardim informa que os estrategistas da campanha do capitão estão seriamente cogitando enviá-lo a Londres para estar presente nos funerais da rainha Elizabeth II.

Acreditam que o fato de ele aparecer em meio a chefes de Estado de todo o planeta é altamente positivo para passar a imagem de um líder importante. Seria um golpe de mestre, uma cartada simbólica fora do alcance dos demais candidatos, especialmente de Lula.

Na ideia dos estrategistas, o ideal é que Bolsonaro compareça acompanhado da esposa. Só que, por enquanto, estão ainda no estágio da cogitação. Ainda não se tem nem a data do funeral. O Palácio de Buckingham também ainda não mandou convite.

Apelo urgente
Alguém teria o email de Buckingham? Se tiver, mande uma cartinha para a Redação. Vou aconselhar o cerimonial londrino a desistir do convite ao capitão. Pelo bem do Brasil.

Medo da polícia

José Horta Manzano

Os franceses andam assustados e preocupados. As mais recentes estatísticas relativas à delinquência atestam um aumento da incidência de pequenos crimes de novembro pra cá. Em apenas seis meses, o conjunto de crimes e delitos chamados «petite délinquence ‒ pequena delinquência» aumentou de 7% a 10%. Estamos falando de ocorrências como furto ou roubo de pessoa física, furto ou roubo de veículo, assalto a residência na ausência do morador.

Não foi preciso analisar muito profundamente pra descobrir relação entre o súbito aumento da criminalidade e as manifestações dos Coletes Amarelos. De fato, as passeatas de protesto começaram em novembro, atravessaram Natal, continuaram no ano-novo e estão chegando à Páscoa. Tirando a pequena parte da população que gostaria de ver o circo pegar fogo, os franceses estão até aqui de confusão. Não aguentam mais ver o país tomado por arruaceiros. Sair de casa aos sábados tornou-se um exercício perigoso.

Mas o quem tem de ver o movimento de protesto com o aumento da criminalidade? A relação é simples. Frequentemente violentos, os protestos exigem presença reforçada de batalhões inteiros de policiais. E de onde é que vem esse reforço? Pois é justamente do policiamento normal, ostensivo e de proximidade. Despe-se um santo pra vestir outro.

Os policiais convocados pra garantir a segurança de pessoas e bens durante as manifestações acabam fazendo falta na região onde costumam trabalhar. Ao notar que não há guardas, os bandidos fazem a festa. É a demonstração de que a mera presença do uniforme inibe muita incivilidade e muito delito.

Metade mais um

José Horta Manzano

«Para a pronúncia ser aprovada hoje, é necessária a maioria simples dos votos – metade mais um dos senadores presentes – o que significa 41 votos na hipótese da presença de todos os 81, ou 21 votos, no caso da presença mínima exigida, que é de 41 parlamentares.»

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Essa frase saiu hoje num editorial do Estadão. Gramaticalmente, não há que botar reparo. Mas a lógica está meio capenga. Maioria simples não é necessariamente sinônimo de “metade mais um”. Se o número total de senadores fosse par, de fato, a maioria simples só seria alcançada com metade mais um voto.

Estudante 2Acontece que o Senado é composto de 81 membros, número ímpar. Metade de 81 dá 40½. Meio voto não é admitido naquela Casa: ou vota-se a favor ou vota-se contra. Portanto, na hipótese de estarem todos presentes, basta que 41 excelências digam sim para que a maioria simples seja alcançada. E 41 não é «metade mais um».

A frase do editorial está mal formulada. O preciosismo «metade mais um» pode ser eliminado sem prejudicar a compreensão. No fundo, qualquer número inteiro que ultrapasse a metade aritmética já configura maioria.