Brexit ‒ 3

Cabeçalho 11

José Horta Manzano

Britânicos expatriados
Por volta de 1,3 milhão de britânicos vivem longe da pátria mas dentro da União Europeia. Em matéria de acolhida a cidadãos do Reino Unido, a Espanha é campeã absoluta. Juntando ingleses, galeses, escoceses e norte-irlandeses, perto de 400 mil residem em terras do rei Felipe VI.

Não só na Espanha
Há britânicos espalhados por toda a Europa. Na França, são 172 mil. Na Alemanha, quase 100 mil. A Itália abriga mais de 70 mil originários do Reino Unido. Até Portugal, não obstante o território pouco extenso, conta com quase 20 mil súditos de Elizabeth II.

A especificidade belga
A Bélgica é um caso à parte. As estatísticas informam que 28 mil britânicos residem no país. Embora o número não seja impressionante, há que ter em mente que boa parte desse contingente é constituído por funcionários das instituições europeias.

Bandeira UE UKPorta fechada
O regulamento da UE estipula que, para ser admitido, o funcionário tem de ser cidadão de um dos países-membros. Assim que o Reino Unido deixar oficialmente a UE, todos os britânicos se tornarão estrangeiros da noite pro dia. E os funcionários, que será deles?

Não tenho nada com isso
Naturalmente, há funcionários cuja função está rigorosamente ligada ao fato de o Reino Unido ser membro da União. Para esses ‒ deputados e assessores ‒ não há esperança: vão perder o emprego. Mas há outros, a maioria. São tradutores, intérpretes, técnicos especializados em diferentes áreas. A partir do momento em que seu país deixar de ser membro, vão se tornar tão estrangeiros como um vietnamita ou um mongol. Que fazer?

Quero ficar
Coisas nunca antes vistas estão acontecendo. Grande número de cidadãos britânicos residentes na Bélgica estão apresentando pedido de naturalização. Felizmente, a legislação belga não é rigorosa na hora de conceder cidadania a estrangeiros. Exige que o candidato tenha morado ‒ legalmente ‒ e trabalhado no país por cinco anos. Pede ainda que fale uma das línguas oficiais: francês, holandês ou alemão.

Passaporte 4A língua fica
Com a saída do Reino Unido, sobram na União Europeia apenas dois países nos quais o inglês é língua oficial: Irlanda e Malta. Mas que ninguém se engane. Dado que o bloco tem 24 línguas oficiais, as falas e, principalmente, os documentos têm de ser traduzidos para todos esses idiomas. Funcionários capazes de traduzir diretamente do estoniano para o búlgaro ou do tcheco para o finlandês são raros. Para contornar o problema, costuma-se traduzir em duas etapas, passando pelo inglês. Daí a absoluta necessidade desta última língua, que continuará importante com ou sem o Reino Unido.

Degradação
Com a queda da libra esterlina, o Reino Unido deixou de ser a quinta economia do planeta. Desceu um degrau e cedeu o lugar à França.

Número alarmante

José Horta Manzano

Você sabia?

Finlandia 1A Finlândia, chamada “o país dos 60 mil lagos”, tem dois idiomas oficiais. O principal é o finês (ou finlandês), amplamente majoritário: 92% da população o têm como língua materna. Em segudo lugar, vem o sueco, língua materna de 6% dos finlandeses. Leis e documentos oficiais vêm escritos nas duas línguas.

Todo cidadão, ao dirigir-se a instâncias oficiais, tem direito a utilizar indistintamente uma ou outra língua. De toda maneira, quase metade da população fala ou tem excelentes noções de sueco. Não está longe de ser país bilíngue.

Parte da mídia finlandesa, voltada para a minoria linguística, utiliza o sueco. O portal Yle Nyheter é um dos veículos. Estes dias, baseado nos estudos do brasileiro Instituto Igarapé – que monitora a violência no mundo –, informou seus leitores sobre a posição ocupada pelos países do norte da Europa na escala do crime.

Helsinque, Finlândia

Helsinque, Finlândia

Alarmado, o portal constata que, entre os escandinavos, a Finlândia ocupa, de longe, o pior lugar no quesito violência. O ano tomado como base é 2012. Enquanto a Noruega teve 29 assassinatos e a Suécia contabilizou 68, a Finlândia amargou o insuportável número de… 89 homicídios. Isso dá 1,6 por 100 mil habitantes, total difícil de aceitar.

Mapa Violencia 1O portal completa informando que a média mundial é de 6 assassinatos por 100 mil habitantes. Diz também que, nessa matéria, o Brasil está bem acima dos padrões planetários. Nosso País contabiliza 28 homicídios por 100 mil habitantes a cada ano, número quase 18 vezes maior que o da Finlândia.

O artigo termina revelando que, em números absolutos, o Brasil é campeão mundial de assassínio. A eliminação de 56 mil vidas a cada ano é desempenho imbatível. Nesse particular, somos campeões do mundo.