Propaganda enganosa

José Horta Manzano

Foi abrir o jornal e dar de cara com manchete surpreendente: «Supremo afasta Cunha da Câmara, que atribui decisão a ‘retaliação’».

Pensei com meus botões que a petulância da Câmara estava passando da conta. Atribuir o afastamento do deputado Cunha a algum tipo de ‘retaliação’? Francamente! É o estouro da boiada. Nada mais tem limites.

Chamada do Estadão, 6 maio 2016

Chamada do Estadão, 6 maio 2016

Fora 1Foi preciso ler a reportagem pra entender que o título não passava de «propaganda enganosa». O estagiário de plantão há de ter faltado a importantes aulas de virgulação e de uso do pronome relativo. Diferentemente do que indica a manchete, não é a Câmara que contesta a decisão, mas o próprio deputado afastado.

Os typographos de antigamente diziam que título bom é título que cabe. A afirmação é verdadeira, mas não pode ser levada a ferro e a fogo. Além de caber, título deve dar o recado certo. No presente caso, deu informação incorreta.

Uma manchete sem menção à Câmara teria dado o recado:
«Supremo afasta Cunha, que atribui decisão a ‘retaliação’».

Uma variante igualmente válida:
«Câmara: STF afasta Cunha, que se considera ‘retaliado’».

Mais claro, não?

Dê-me sua opinião. Evite palavras ofensivas. A melhor maneira de mostrar desprezo é calar-se e virar a página.

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