Sem paulista

Cláudio Humberto (*)

Dilma Rousseff é conhecida pelas idiossincrasias contra pessoas, partidos e até Estados. Detesta paulistas, por exemplo, e não esconde. Sabe-se lá por que, jurou que jamais nomearia alguém de São Paulo para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal.

Brasil mapa 4Cumpriu a promessa. Dilma nomeou cinco ministros para a Corte Maior: os cariocas Luiz Fux e Luís Barroso, os gaúchos Rosa Weber e Edson Fachin e o catarinense Teori Zavascki.

Dilma deve suas eleições aos nordestinos, todavia se recusou a escolher alguém da região, que é a única sem representação na Suprema Corte.

Ao se aposentar, o jurista e poeta sergipano Carlos Ayres Britto não foi substituído por outro nordestino, apesar de sonhar com isso.

(*) Cláudio Humberto, é jornalista. Publica coluna diária no Diário do Poder.

Curso superior

José Horta Manzano

Um jovem deputado federal pelo Estado de Tocantins apresentou uma PEC ‒ Proposta de Emenda à Constituição. O moço, cuja mãe foi ministra de dona Dilma, propõe que cidadãos sem diploma universitário sejam proibidos de se candidatar a cargo político eletivo. Dito assim, o anseio soa exótico e dá que pensar. Como sói acontecer, a proposta tem um lado positivo e outro menos. Vamos analisar.

Em teoria, o novo dispositivo eliminaria candidaturas extravagantes de gente que, embora popular, pode não dispor da instrução mínima que cargo público requer. Palhaços, estilistas, bispos e outros perfis incomuns seriam eliminados da vida política. O próprio Lula nunca teria abandonado o ofício de orador profissional de porta de fábrica. Nesse particular, talvez até tivesse sido bom para o país. Infelizmente, não se refaz a História.

Estudante 3Por seu lado, a exigência de diploma de curso superior traria de volta relentos de um passado que temos procurado modificar. Nos tempos do império, só podiam votar e ser eleitos cidadãos que atingissem determinado nível de renda. Era o que se chamava voto censitário. Barreira entre universitários e os demais se aparenta perigosamente com o ultrapassado antagonismo entre endinheirados e remediados. Não passa de atualização da oposição «nós & eles», negação gritante do espírito republicano.

A meu ver, a PEC do deputado enfrenta o estigma da ignorância com armas inadequadas. Investir em Instrução Pública de qualidade é o caminho mais apropriado. O cidadão instruído e bem formado terá melhores condições de discernir entre os bons e os maus candidatos. Diploma não é garantia de probidade, de inteligência, de cultura nem de boas intenções.

Proibir candidaturas por critério de escolaridade é aplicar emplastro em perna de pau. Quem vota são os cidadãos, portanto, mais vale trabalhar para elevar o nível de discernimento dos que elegem.

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Estudante 1Observação
Como é costume, o deputado junta à proposta de emenda um arrazoado com as justificativas do projeto. Engana-se quem imagina que o nível universitário do parlamentar seja garantia de boa escrita. Veja este trecho:

«Hoje, verificamos que muitos membros do Poder Legislativo possuem(1), inclusive(2), dificuldade de leitura, o que impede que os membros(3) atuem de modo efetivo nas(4) suas funções constitucionais, na medida em que(5) o exercício de tais funções(6) torna-se cada vez mais complexo e dependente de conhecimentos específicos.»

(1) O verbo possuir não é intercambiável com o verbo ter em todos os casos. Pode-se possuir um bem ou um objeto, mas não se pode «possuir dificuldade». Tem-se dificuldade.

(2) O inclusive sobra. Sem essa palavra, a frase fica mais leve e dá a mesma mensagem.

(3) Recomenda-se evitar a repetição de termos na mesma frase. Essa segunda menção a os membros é inútil e supérflua.

(4) Atuar de modo efetivo é volteio longo e desnecessário. O verbo cumprir substitui com vantagem.

(5) A locução é na medida que, sem o em.

(6) De novo, uma repetição desnecessária. De tais funções sobra.

Beca 1Reescrevendo, fica assim:
«Hoje, verificamos que muitos membros do Poder Legislativo têm dificuldade de leitura, o que impede que cumpram suas funções constitucionais, visto que o exercício se torna cada vez mais complexo e dependente de conhecimentos específicos.»

Como dizem os franceses, «il faut d’abord balayer devant sa porte» ‒ precisa primeiro varrer a própria calçada. Temos um ditado equivalente: quem tem telhado de vidro não atira pedra no do vizinho

Frase do dia — 312

«O julgamento de Dilma, de acordo com a Constituição, vai ocorrer sob a presidência do presidente do STF. É de conhecimento público que Ricardo Lewandowski não chegou à Suprema Corte pelos seus dotes jurídicos. Foi escolhido por razões paroquiais, de São Bernardo do Campo, onde começou sua carreira política.

Se Rui Barbosa foi chamado de Águia de Haia, Lewandowski pode ser considerado o ministro da rota do frango com polenta — região de restaurantes daquela cidade onde se saboreia essa iguaria. E, suprema ironia da História, será ele que vai presidir o impeachment. Mais ainda, vai presidir o sepultamento político do seu amigo Luiz Inácio Lula da Silva.»

Marco Antonio Villa, historiador, em artigo publicado no jornal O Globo, 9 ago 2016.

O gato comeu

Jorge Bastos Moreno (*)

«Ah, herança, essa maldita herança! É o que todo novo governo carrega do antecessor. Geralmente, são obras inacabadas, cofres vazios e um bando de promessas não cumpridas.

O governo Temer, com ajuda do TCU e do Itamaraty, acaba de fazer levantamento parcial do “patrimônio” deixado pelos governos Lula e Dilma.

Lula presente roubado 1O TCU identificou o desaparecimento de cinco mil itens, entre os quais seis obras de arte valiosíssimas. E o Itamaraty descobriu que pelo menos 700 presentes recebidos de governos estrangeiros deixaram de ser registrados, como manda lei, na lista de patrimônio da União.»

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(*) O jornalista Jorge Bastos Moreno mantém coluna no portal O Globo. O excerto é de artigo publicado em 6 ago 2016.

Frase do dia — 311

«For the sake of ordinary Brazilians, and of all of the athletes participating, let’s hope that the Rio Games, as a sporting event, are a world-class triumph. May they also, somehow, represent a defeat for the corrupt politicians, developers, and assorted buccaneers who have made the Games, and Brazil, their particular feeding ground.»

«Em consideração aos brasileiros e a todos os atletas participantes, vamos torcer para que os Jogos do Rio sejam um triunfo planetário em matéria de esporte. Tomara que possam, de alguma maneira, significar uma derrota para políticos, promotores & outros aventureiros que usaram os Jogos ‒ e o Brasil ‒ para encher os bolsos.»

Jon Lee Anderson, escritor, em artigo publicado no prestigioso The New Yorker, 5 ago 2016.

Frase do dia — 310

«A constituição americana, com 227 anos de idade, tem sete artigos e 27 emendas. A nossa, com 28 anos, nasceu com 250 artigos e já tem mais de 80 emendas.

A deles define os sete pilares da democracia, quantos bastam para o povo mandar nos seus governantes e não mais se deixar roubar. A nossa também os inclui, mas soterrados em 330 exceções que garantem que fique afastado das “excelências” o cálice da submissão à lei.

A função da Corte Suprema deles é garantir as sete regras. A da nossa é impor as 330 exceções.»

Fernão Lara Mesquita, jornalista, em seu blogue Vespeiro.

Força do hábito

Dora Kramer (*)

Em 2005, quando Duda Mendonça admitiu à CPI dos Correios que havia recebido dinheiro “por fora” pelos serviços prestados à campanha de Luiz Inácio da Silva em 2002, o PT chorou de arrependimento em praça pública, o então presidente cogitou não concorrer à reeleição no ano seguinte e próceres da oposição acionaram a tecla “deixa-disso” a fim de não provocar ações contra Lula que, na concepção tucana, morreria politicamente de inanição. Quem viveu viu o tamanho do forrobodó.

Lula discursoAgora, João Santana diz o mesmo e mais um pouco e não causa o menor espanto. A antiga oposição, hoje governo, faz de conta que o tema não lhe diz respeito. A reação na seara petista é apenas um leve desconforto por Dilma Rousseff. A candidata, que teve a campanha financiada do modo relatado por Santana, joga a culpa no partido a fim de manter a pose de “mulher honesta”.

De onde, nesses onze anos decorridos entre os dois episódios, o PT além da reputação perdeu a capacidade de se envergonhar.

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(*) Dora Kramer é jornalista, analista política e escritora. O texto acima foi extraído de artigo publicado no Estadão de 3 ago 2016.

Frase do dia — 308

«Obstrução de Justiça ao tentar evitar delações premiadas contra amigos e contra si, ocultação de patrimônio no caso do sítio e do triplex, suspeita de palestras fictícias para empreiteiras, envolvimento do filho na Zelotes… tudo isso, que já não é pouco, é apenas parte da história. Os investigadores estão comendo o mingau pelas bordas, até chegar ao centro, fervendo.

No centro, podem estar as perigosas relações do Lula com o exterior, particularmente com Portugal, Angola, Cuba e países vizinhos. E o calor vem da suspeita – com a qual a força-tarefa da Lava a Jato trabalha – de que Lula seja o cérebro, o chefe da “organização criminosa”.

No mensalão, ele passou ao largo e José Dirceu aguentou o tranco. No petrolão, pode não ter a mesma sorte – nem escudo.»

Eliane Cantanhêde, em sua coluna do Estadão, 31 jul° 2016.

O Brasil e seus estádios falidos

«As primeiras arenas já apodrecem, a corrupção devora milhões e a crise financeira piora tudo: dois anos após a Copa do Mundo no Brasil, as doze cidades-sede continuam tentando digerir as consequências.

Falta dinheiro para reembolsar os empréstimos. Faltam torcedores para encher os estádios. Faltam turistas nos hotéis. E os projetos de mobilidade continuam até hoje na fila das obras que não saíram do papel. Nada disso é de bom augúrio para o que virá depois dos Jogos Olímpicos.

Os doze estádios e as doze cidades pagam hoje o preço do gigantismo de uma Copa que vinha carregada de promessas. Tudo isso é mau presságio para o Rio, sede da Olimpíada.»

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Esse trecho foi extraído de matéria publicada em 12 jul° 2016 no portal alemão Sport, especializado em assuntos esportivos. Mostra preocupação com o desenrolar da Olimpíada. Para iniciados, aqui está o texto original.

Estadio 1«Brasilien und seine Pleite-Stadien

Die ersten Arenen verrotten bereits, die Korruption verschlingt Millionen und die Finanzkrise macht alles nur noch schlimmer: Zwei Jahre nach der Fußball-WM in Brasilien haben die zwölf Ausrichterstädte noch an den Folgen der Copa 2014 zu knabbern.

Es fehlt Geld, die Kredite zurückzuzahlen. Es fehlen Fans, um die Stadien zu füllen. Es fehlen Touristen in den Hotels. Und Verkehrsprojekte stecken bis heute im Planungsstau. Kein gutes Omen für Rio und die Nach-Olympia-Zeit.

Brasilien hatte sich viel von der WM 2014 versprochen. Die zwölf Stadien und Städte bezahlen noch heute für den Gigantismus. Für Olympia-Gastgeber Rio verheißt das nichts Gutes.»

Pas d’amis

José Horta Manzano

«Les États n’ont pas d’amis. Ils n’ont que des intérêts.»

«Estados não têm amigos. Têm apenas interesses.»

Colera 3A frase contundente é de Charles de Gaulle. O velho general tinha queda pronunciada por frases de efeito. Credencial para assistir a qualquer uma de suas coletivas de imprensa era disputada a tapa. Cada uma delas era acontecimento que ninguém queria perder, verdadeiro espetáculo teatral de alto nível.

Seja como for, a sentença corresponde rigorosamente à verdade. Perde tempo e esforço quem acreditar na benevolência ou no altruísmo de algum Estado ‒ ou de governo que o represente. Se o próprio do Estado é ter interesses, a função do governo é defendê-los.

Em desespero crescente, ao dar-se conta de que poder e benesses se lhes escapam inexoravelmente, cortesãos da presidente afastada passaram a abusar da jus sperneandi. Em juridiquês, chama-se ‘chororô de perdedor’.

Colera 2Em recente coletiva concedida pelo porta-voz do Departamento de Estado americano ‒ entrevista que nada tinha que ver com assuntos brasileiros ‒, um jornalista fez estranha pergunta. Presumivelmente teleguiado pela intelligentsia petista, formulou longa indagação na qual mencionou Romero Jucá, Dilma Rousseff, Michel Temer. Na intenção de levar o porta-voz a admitir que o afastamento da presidente brasileira fosse resultado de um «golpe» inconstitucional, o rapaz procurou confundir ideias, distorcer a verdade e baralhar conceitos.

Não conseguiu o intento, naturalmente. O Departamento de Estado dos EUA não costuma pôr qualquer um na linha de frente. Até chegar lá, o funcionário passa por intenso treinamento. Tem de estar preparado para esse tipo de armadilha. É um profissional.

Ardilosos mas ingênuos, os componentes da tropa de choque do Partido dos Trabalhadores estão longe de ter traquejo internacional. Certas coisas não se improvisam, e eles não foram preparados para isso. Os mentores passaram os últimos 13 anos tranquilos, refestelados em berço esplêndido, na certeza de que tudo estava dominado. Não estava. O berço desmoronou.

Dilma e TemerEntre Estados civilizados, não há particular interesse em desvendar se houve ou não golpe na destituição de dona Dilma. O que mais anima são os sinais de que nossa economia tem boas chances de se recuperar. Será muito lento, mas são sensíveis as perspectivas de melhora.

A ninguém interessa um Brasil atrasado, pobre, endividado, apartado do concerto econômico planetário. Para Estados estrangeiros, pouco importa que nosso país seja povoado por gente simpática e cordial. Não é isso que conta. Veem-nos como parceiros comerciais, fornecedores e compradores.

«Les États n’ont pas d’amis. Ils n’ont que des intérêts.»

Se l’Italia fosse il Brasile

José Horta Manzano

Tenho um amigo italiano enamorado pelo Brasil. Originário da região de Veneza, Massimo Pietrobon é blogueiro e poliglota. Vive a maior parte do ano em Barcelona (Espanha), mas sempre que pode dá uma escapada pra rever a Terra de Santa Cruz.

Apaixonado por Geografia em geral ‒ e por mapas em particular ‒, Massimo teve uma ideia outro dia. Tomou um mapa da Itália e deu a cidades italianas importantes o nome de localidades brasileiras. Para cada caso, acrescentou uma justificativa, algum aspecto que sirva de elo entre ambas. Ficou interessante e curioso. Dou aqui abaixo um apanhado das muitas correspondências entre os dois países encontradas pelo Massimo.

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Para começar, São Paulo, cinzento e chuvoso mas principal centro econômico, só pode corresponder a Milão. Por seu lado, o Rio de Janeiro, caótico mas denso de beleza e de turismo, se encaixa bem com Roma, a outra metrópole italiana.

I love ITFlorianópolis, bela, turística e ilhoa, compara-se com Veneza, que tem as mesmas características. Recife, centro-mor do Nordeste, se conjuga maravilhosamente com Nápoles, centro-mor do Sul da Itália. Perto de Nápoles, está Amalfi, preciosidade histórica. E ao lado do Recife, o que é que está? Olinda, naturalmente, nossa joia antiga e carregada de história.

Outro ponto focal do Sul italiano é a ilha da Sicília, a confrontar com o outro representante do Nordeste brasileiro: a Bahia. Portanto, Salvador é Palermo.

A longínqua Amazônia, com Manaus, isolada capital, só pode ser a Sardenha e sua capital Cagliari. Ambas as regiões são selvagens e souberam conservar a cultura dos primitivos habitantes.

E Bolzano, a capital do Tirol do Sul, onde predomina a língua alemã? Corresponde a Blumenau, centro maior da imigração germânica no Brasil. Já as belezas históricas e naturais da Toscana se adaptam bem às preciosidades e às paisagens das Minas Gerais.

Turim, cidade organizada e funcional, combina com Curitiba, ao passo que o grande porto industrial de Gênova tem tudo a ver com o de Santos. Falando de cursos d’água, o mais importante da Itália é o Rio Pò, que se lança ao mar num delta cuja capital é Ferrara. Não é absurdo compará-la a Belém, situada exatamente onde o Amazonas desemboca no Atlântico. Outro ponto comum é que as duas cidades estão encharcadas de História.

I love BRPorto Alegre, cidade portuária que já se aproxima dos confins culturais do Brasil, é Trieste, onde já é perceptível a mestiçagem entre italianos, eslavos do sul e remanescentes do antigo Império Austro-Húngaro.

Na hora de comparar cidades saídas de uma prancheta de urbanista, não há que hesitar: a italiana Latina e nossa Brasília têm esse ponto em comum.

A grande cidade brasileira situada próxima de um dos pontos cardeais da rosa dos ventos é João Pessoa, que marca o extremo leste das Américas continentais. Na Itália, corresponde a Reggio Calabria, que assinala a ponta sul da bota.

Bandeira brasileira com as cores italianas

Bandeira brasileira com as cores italianas

Não há como não mencionar a região de Parma, de onde é exportado para todo o mundo o delicioso queijo parmesão, aquele sem o qual o macarrão perderia a graça. (Dizem que macarrão sem queijo é como amor sem beijo…) Que se compare Parma com nosso Estado de Minas que, no Brasil, é referência em matéria de queijo.

Há certamente outras semelhanças. Que o leitor curioso ponha o bestunto a funcionar. Buona fortuna a tutti!

PS: Para visitar o site original, clique aqui.

Embaixadores bem tratados

Cláudio Humberto (*)

O presidente Michel Temer ordenou uma “repaginada” nas cerimônias de recebimento das credenciais de embaixadores estrangeiros enviados a Brasília.

Dilma Rousseff os tratava mal, demorando meses para receber credenciais. Deixava-os num limbo, sem poderem exercer suas atividades. As mudanças começam nesta quarta-feira 25 maio, quando Temer receberá as credenciais de seis diplomatas.

Rampa 1Os primeiros a conhecerem o jeito brasileiro de bem receber serão os embaixadores do Paquistão, da Grécia, do Congo, da Namíbia, do Iraque e da Croácia. Terão direito à rampa do Planalto, aos Dragões da Independência e até a conversa privada com o presidente.

De forma grosseira, Dilma se recusou, certa vez, a receber as credenciais do embaixador da Indonésia, país que havia fuzilado um traficante de droga brasileiro.

(*) Cláudio Humberto, é jornalista. Publica coluna diária no Diário do Poder.

A realidade do rombo

José Horta Manzano

Você sabia?

Dinheiro voadorNão tenho perfil no feicibúqui, mas… muitos amigos meus têm. São, como se dizia antigamente, prafrentex. Parece incrível, né, ter excelentes amigos que, além de frente, têm também perfil!

De uma amiga e fiel leitora, recebi um texto, que lhe chegou pela rede social. Vem assinado por Erick Bretas. Achei bastante didático. Discorre sobre o rombo de 170 bilhões que acaba de ser encontrado nas contas do finado governo.

Dá um ar de realidade a números que, de costume, a gente vê no papel sem se dar conta do que representam. Reproduzo o escrito aqui abaixo.

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«Cento e setenta bilhões de reais é número inimaginável para a maior parte dos brasileiros. Pergunte a seu José ou a dona Maria a diferença entre cento e setenta MILHÕES e cento e setenta BILHÕES. Dificilmente saberão explicar.

Pois bem, com a primeira cifra, compraríamos algumas centenas de mamógrafos que, distribuídos pelos grotões do Brasil, dariam diagnóstico precoce do câncer de mama. Na segunda, cabe todo o orçamento da Saúde Pública e tudo o que tem de ser feito para prevenir e tratar as doenças de todos os brasileiros em um ano.

A herança de Dilma Rousseff é uma tragédia de tal ordem que os números precisam de algum termo de comparação para fazer sentido.

Os 11 milhões de desempregados compõem um contingente maior que toda a população da Bélgica. As 580 mil empresas fechadas, só em 2015, equivalem a todas as empresas de Portugal e da Irlanda juntas.

Essa justaposição de informações compõe cenário arrasador, cujos efeitos imediatos são um aumento exponencial do número de pessoas abaixo da linha da pobreza extrema. Pior do que isso, só uma guerra.»

Que todos saibam

Marco Antonio Villa (*)

Temer deveria convocar rede nacional e apresentar a situação econômica ao país. É importante que o povo saiba o caos deixado pelo projeto criminoso.

A estratégia dos criminosos é imputar a crise ao novo governo – que não tem nem três dias! Só o rombo deste ano alcança R$ 125 bilhões. E alguns estimam que pode ser maior.

Tal rede nacional poderá mostrar também as iniciativas tomadas pelo novo governo e apontar um cenário previsível a curto prazo.

O governo não pode contemporizar, sob pena de desgastar seu capital político rapidamente.

(*) Marco Antonio Villa, escritor, historiador e comentarista político, edita o Blog do Villa.

Mesóclise

Temer promete implementar o programa
Mesóclise Para Todos

Enternecido por finalmente desfrutar da regência da Pátria, o ex-vice-presidente Michel Temer resgatou o espírito republicano de discursar na norma culta.

Recitou:

“Outrora sob a égide do laquê paralisante
Apaziguei águas turvas sibilantes.
Agora que provi a redistribuição dos louros
Procurar-me-ão os profetas dos bons agouros.”

Discurso 4Em seguida, com o intuito de provar que não abandonará os programas sociais, anunciou a criação do Mesóclise para Todos.

Antes que fosse interrompido por outrem, o ex-vice-presidente apresentou outras propostas: “Em vez de médicos cubanos, importarei 30 mil linguistas lusitanos especialistas em pentâmetros iâmbicos”.

Logo depois, vazou um novo áudio no WhatsApp em que promete implementar o programa Minha Trova, Minha Lida. A esse, seguir-se-á o Mais Sinédoques.

Para saciar a fome da base aliada, divulgou as matrizes do Bolsa Matilha.

(*) Do Piauí Herald, blogue do Estadão, 12 maio 2016

Teste primitivo

Elio Gáspari (*)

Bola cristal 1«Saber o que vai acontecer é coisa de cartomante. Apesar disso, sempre pode-se medir a capacidade de uma pessoa de pensar o impensável.

Aqui vai um teste primitivo. Tem cinco afirmações. Quem previu uma delas, é ousado. Quem previu duas é um temerário. Quem previu todas pode abrir uma tenda de cartomante:

   1- Dilma Rousseff não terminaria o mandato.

   2- Eduardo Cunha perderia a cadeira.

   3- Marcelo Odebrecht iria para a cadeia.

   4- Leo Pinheiro, da OAS, colaboraria com a Lava a Jato.

   5- Alemanha 7 x Brasil 1.

Quem foi surpreendido em todos os casos é apenas um brasileiro normal. Os tempos é que estão emocionantes.»

(*) Elio Gáspari é jornalista. Seus artigos são publicados por numerosos jornais.