Coitadinho

José Horta Manzano

Leio que o antigo juiz ― de Direito, frise-se ― Nicolau dos Santos, vulgo Lalau, foi solto da penitenciária para onde havia sido despachado para purgar pena de 26 anos de privação de liberdade por motivo de roubo, fuga da Justiça e outras lindezas.

Ladrão

Mais que ladrão: desleal

Está com 85 anos, coitadinho. Coitadinho? Coitadinho uma ova. Roubou o seu, o meu, o nosso dinheiro. Viveu vida de magnata à custa dos idiotas que somos. Como tantos outros novos-ricos, comprou apartamento em Miami. Aproveitou-se à exaustão da nossa boa-fé.

Que um ignorantão tivesse feito isso, ainda que não seja uma justificativa, é circunstância atenuante. Mas… um juiz de Direito? Aquele que tem a prerrogativa legal de julgar e decidir a sorte de seus concidadãos? Além do roubo, resta o crime maior da deslealdade e da traição. Dependesse de mim, apodreceria na cadeia igualzinho ao Madoff. Até o último suspiro.

Fica uma dúvida. Ainda que mal pergunte, onde foram parar os 169 milhões surrupiados na época? Em valores de hoje, estamos falando de um bilhão. Um bilhão! Os jornais não são claros quanto à recuperação da bolada. Daria pra enxugar uma parte do desperdício de dinheiro público que a “Copa das copas” está causando.

Prontos para a Copa ― 2

Aeroporto de Guarulhos, São Paulo

Aeroporto de Guarulhos, São Paulo

E o bobão aqui que imaginou que o Aeroporto de Guarulhos, principal porta de entrada do Brasil, já estivesse pronto para receber o mundo há 30 anos. Engano feio. Ainda estão se preparando. Tomara que um dia cheguem lá.

Melhor idade?

José Horta Manzano

Devo confessar que, até meia hora atrás, desconhecia a existência de uma revista chamada AnaMaria. Meus leitores talvez conheçam. Mas não é bem da revista que lhes quero falar, ela é só um ponto de partida.

Uma amiga me mandou um texto da cronista Xênia Bier, que mantém um blog alojado no site da revista. A honestidade me obriga a confessar que tampouco dessa senhora jamais havia ouvido falar.

José Wilker

José Wilker

Li a crônica cujo título é Não chorei pela morte de Wilker, publicada em 18 abril 2014, logo após o passamento do artista. Minha amiga me tinha perguntado se eu concordava com a visão da autora sobre as agruras da velhice. Minha resposta não será cortante ― um sim ou um não.

A cronista, por certo, alinhava certos argumentos embaixo dos quais eu pespegaria meu jamegão. No entanto, há outros que me deixam meditabundo. (Que palavrão, hein, gente! Se preferir, substitua por cogitabundo, que dá no mesmo.)

Que morrer dormindo é uma bênção, acho que todos estamos de acordo. Como já li num relato policial : «Fulano foi dormir em boa saúde e acordou morto». Que maravilha acordar morto, não é mesmo? É como passar no exame sem fazer a prova.

Com todo o respeito que tenho pela escrita alheia, entendo que a senhora Bier bota cores muito berrantes em seu quadro. Acaba pintando o diabo pior do que ele é. Os anos maduros não são tão terríveis assim, falo por larga experiência própria.

by Jacques Faizant, desenhista francês

by Jacques Faizant, desenhista francês

Muitíssimos anos atrás, quando em casa éramos pequenos e algum dos irmãos não queria comer, lá vinha nossa avó com seu invariável sermão: «Precisa comer, menino, pra ficar gordo, forte e corado». Esse dito andava de mãos dadas com um outro: «gordura é formosura».

Por que é que estou falando em gordura? É porque os padrões estéticos mudam com o tempo ― e mudam rápido! O tecido adiposo, que hoje é detestado e combatido, já foi atributo apreciado. E olhe que não foi no tempo de Matusalém.

Assim como alguns quilos a mais, os sinais que a velhice traz tampouco eram marcas de vergonha até a Segunda Guerra. A lei segundo a qual «young is beautiful, old is ugly» ― jovem é bonito, velho é horrível ― parece ter vindo dos EUA. Espalhou-se pelo planeta. Até 60 ou 70 anos atrás, não se costumava olhar para uma pessoa de idade como se traste velho fosse. Velho era respeitado e considerado por todos.

Tem outra coisa, que vale ainda nos dias de hoje: se os anos da velhice fossem tão horríveis assim, a taxa de suicídio seria mais elevada entre pessoas entradas em anos. Ou não? Pois não é o que acontece. É impressionante a quantidade de atentados contra a própria vida entre adultos, jovens adultos e até entre adolescentes.

A madurez dissipa traços corporais externos que a moderna estética considera belos, é verdade. Leva também muito do vigor físico, não há que contestar. Mas traz compensação.

Hoje em dia, quando abro a boca para falar, percebo que todos escutam, coisa que não acontecia décadas atrás. As palavras têm mais peso. Cabelos brancos infundem reverência. Te oferecem lugar no ônibus, te seguram a porta pra facilitar a passagem. A caixa do supermercado é mais paciente se você se atrapalha na hora de digitar o código do cartão. Teus sobrinhos ou teus netos acham divertido ler a bula do remédio cujas letrinhas você não consegue mais decifrar.

Doenças? Sim, são mais frequentes. Mas a medicina tem feito progressos. A debilidade física faz parte da idade, mas não é tão grave assim. Afinal, a gente tem de morrer de alguma coisa, não? Muito mais triste é ver gente jovem sofrendo moléstia penosa ou incurável. E há muitos nessa situação.

Velhice 1A velhice pode não ser a «melhor idade», mas tampouco será a pior. Gostar ou deixar de gostar de cada idade é sentimento que está muito mais dentro da gente do que fora. O velho que passa a vida olhando pelo retrovisor, a lamentar-se dos atributos perdidos, sem se dar conta das regalias que conquistou, está de fato condenado a viver sua «pior idade».

Mas ninguém é obrigado a enxergar a vida assim. Queiramos ou não, temos de enfrentar o presente. Portanto, mais vale dar importância aos pontos positivos. Sempre os há, basta olhar ao redor com boa vontade e mente aberta.

Coragem e bola pra frente, que a Copa é nossa!

Interligne 23

O texto de Xênia Bier está aqui.

Poliglotismo

José Horta Manzano

Faltam menos de duas semanas para o apito inicial do primeiro jogo do Campeonato do Mundo de Futebol. O silvo vai ecoar justamente na cidade de São Paulo. Tirando o jogo em si, que, por definição, ainda tem de ser encarado como evento futuro, é razoável esperar que toda a preparação já tenha sido feita.

Surpreendeu-me um artigo do Estadão deste sábado, obra de Adriana Ferraz. A moça informa que os motoristas de táxi de São Paulo que falam algum outro idioma além do português terão selos de identificação colados no para-brisa dianteiro. Reparem no futuro: terão. Donde, conclui-se que, no momento em que os visitantes estrangeiros mais apressados já começam a apontar na esquina, os taxistas paulistanos ainda não dispõem da marca distintiva.

O atraso na identificação dos não monoglotas não estará, imagino eu, ligado à abundância dessas criaturas. Mais acertado será atribuir a demora ao vezo nacional de enfrentar problemas às cinco para a meia-noite do dia do vencimento.

Taxista bilíngue

Taxista bilíngue

Com todos os congressos, simpósios, reuniões, encontros, colóquios internacionais que a maior cidade do País costuma acolher a cada ano ― com «Copa das copas» ou sem ela ― parece-me inacreditável que as autoridades competentes só tenham acordado agora, instigadas por meia dúzia de jogos de futebol.

Essa marca de consideração básica para com o visitante estrangeiro deveria fazer parte da paisagem urbana desde que aportou o primeiro turista vindo de fora do país. E digo mais. Melhor fariam os (assaz raros) taxistas bilíngues se se agrupassem numa associação ou cooperativa. Uma vez sua existência conhecida por hotéis, firmas internacionais e organismos que acolhem estrangeiros, teriam sucesso garantido.

Indigente

Interligne vertical 12Em seu blogue, o jornalista Fernão Lara Mesquita externou sua visão sobre um decreto publicado esta semana no Diário Oficial da União. A nova norma legal, de aspecto anódino mas de conteúdo tenebroso, assesta um golpe de graça na democracia brasileira. Se vingar, o caminho estará aberto e pavimentado para a implantação de um regime de corporações.

Dou-lhes abaixo amplos trechos do artigo do jornalista. Ao pé da página, vai o link para quem quiser ler o texto integral.

Democracia brasileira é enterrada como indigente
(Excertos)

Fernão Lara Mesquita (*)

A democracia brasileira morreu no dia 23 de maio próximo passado e quase ninguém percebeu.

Poderá eventualmente ressuscitar com tratamento de choque e injeções de adrenalina constitucional no coração que parou de bater, mas a decisão de aplicar ou não esse tratamento está, agora, nas mãos do doutor Ricardo Lewandowski e do que mais sobrou dentro do STF depois da saída do ministro Joaquim Barbosa.

Sem nenhuma «participação social» e sem perguntar nada a ninguém na sua solitária decisão, a presidente Dilma assinou naquela data o Decreto n° 8.243, publicado no Diário Oficial de 26 de maio. Institui a «Política Nacional de Participação Social». Determina que, doravante, «todos os órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta estejam obrigados a usar a participação social para a execução das suas políticas». Pedro Pontual, diretor de Participação Social da Secretaria-Geral da Presidência, explica que esse expediente vai «transformar os instrumentos criados para este fim em um método de governo, oficializando suas relações com os novos setores organizados e as redes sociais».

De ministérios a agências reguladoras, portanto, tudo estará de agora em diante submetido a esses «novos setores organizados». A «relação oficial» com eles se dará mediante convocações dirigidas aos nove conselhos que a augusta presidenta houve por bem criar. Suas rotinas de trabalho (não remunerado) e o método de escolha de seus integrantes serão definidos por meras portarias editadas pela Secretaria-Geral da Presidência da República, do ministro Gilberto Carvalho.

Pelo decreto de Sua Augusta Majestade, os nove “conselhos” serão os seguintes:

Interligne vertical 141) conselho de políticas públicas
2) comissão de políticas públicas (sic)
3) conferência nacional (sic)
4) ouvidoria pública federal
5) mesa de diálogo (sic)
6) fórum interconselhos (sic)
7) audiência pública
8) consulta pública
9) ambiente virtual de participação social

O decreto não explica o que será feito do Poder Legislativo eleito por todos nós para cumprir exatamente essa função, nem tampouco do Poder Judiciário e de seus órgãos auxiliares tais como tribunais de contas e agências setoriais. Mantida essa aberração como está, é fácil inferir.

A lógica da coisa, mesmo vazada na linguagem quase sempre incompreensível de dona Dilma e seus auxiliares, é absolutamente transparente e evidente. Se depender deles, ninguém reclamará o corpo: a democracia brasileira será enterrada como indigente.

(*) Fernão Lara Mesquita é jornalista. Edita o site http://vespeiro.com/

Link para o texto integral do jornalista
Link para o texto do Decreto n° 8243

Vale a pena ver de novo

Interligne vertical 7Interligne vertical 7Muitos de vocês, senão todos, já ouviram falar na Lei Geral da Copa. Muito poucos terão lido integralmente o documento. Também, pudera: são 152 páginas com 114 artigos.

Janeiro passado, mandei ao ar um post sobre um enxerto, uma espécie de excrescência embutida nessa lei. Parece excentricidade introduzida de contrabando por algum legislador esquizofrênico. De lá pra cá, pouco ou nada ouvi falar sobre o assunto. Resolvi voltar à matéria, especialmente em atenção aos novos frequentadores do blogue. Além do que, com a aproximação da “Copa das copas”, o assunto continua atual.

Vai aqui o grito de alarme que lancei em janeiro. Continua válido.

Interligne 18b

Tri ou penta, presidenta?

José Horta Manzano

Há fatos desagradáveis. Há acontecimentos inquietantes. Há casos surpreendentes. Há decisões assombrosas. Nossos governantes têm demonstrado nítida preferência por esta última categoria. As resoluções que emanam do Congresso e do próprio Executivo são muita vez espantosas. Assombrosas.

Afirmações fantasiosas costumam circular pela internet, com ênfase neste ou naquele ponto, conforme a cor política do autor do rumor. Na maior parte das vezes, correm informações truncadas, estropiadas, deformadas. Até falsas. Por isso, tenho o hábito de conferir a autenticidade dos dados antes de passá-los adiante.

Recebi hoje uma inacreditável informação. A enormidade era tamanha que, num primeiro momento, achei que era pura invenção. Assim mesmo, por desencargo de consciência, resolvi verificar. Tive de ler duas vezes: era verdadeira. De deixar de queixo caído. Explico.

Lei Geral da Copa, art° 37 e seguintes

Lei Geral da Copa, Art° 37 e seguintes

Está lá, pública e disponível, ao alcance de alguns cliques, mas poucos leram. É a Lei Geral da Copa, obra magistral assada em 2011 nos fornos obscuros de nosso bem-intencionado Congresso. E devidamente sancionada por dona Dilma naquele mesmo ano.

É documento longo e enfadonho de 114 artigos distribuídos por 152 páginas. Sou o primeiro a confessar que nunca a li por inteiro. Minha atenção foi hoje chamada para o Art° 37 e seguintes. Fui conferir. É verdade mesmo. A lei concede um prêmio de 100 mil reais(!) a cada um dos jogadores — titulares e reservas — da seleção brasileira de futebol que atuou na copa de 1958, na de 1962 e na de 1970.

E não é tudo. Cumulativamente, um «auxílio especial» (leia-se pensão vitalícia) é outorgada a esses mesmos atletas. Caso já façam jus a algum benefício, o generoso Estado brasileiro completará os ganhos do agraciado para que atinjam o valor máximo em vigor segundo a prática da Previdência Social.

Querem mais? Caso algum agraciado já tiver falecido, o prêmio de 100 mil reais será entregue a seus herdeiros. Mais ainda? Esse mimo estará isento de imposto de renda — entrará limpinho no bolso do veterano atleta ou de seus herdeiros. Mais um pouquinho? A pensão vitalícia é extensiva à esposa e aos filhos menores de cada jogador falecido.

Para coroar — não precisava nem dizer — essa largueza será custeada pelo Tesouro Nacional. Ou seja, pelo seu, pelo meu, pelo nosso dinheiro suado. Que tal?

Lei Geral da Copa - Art° 37 e seguintes

Lei Geral da Copa, Art° 37 e seguintes

Nossos governantes não costumam dar ponto sem nó. No entanto tenho dificuldade em descobrir o que se esconde por detrás desse estranho artigo de lei. Várias interrogações me vêm. Por enquanto, estão no ar, sem resposta. Dado o primarismo habitual naquelas esferas, o mais provável é que seja mais um ato míope de populismo rasteiro e irresponsável.

A montagem de uma seleção é trabalho de grupo. Por que razão somente as estrelas estão sendo agraciadas? E o resto da equipe? E os massagistas, os cararegadores de mala, os cozinheiros, os treinadores? Viúva de jogador ganha direito a pensão mas, ao treinador, nada. Que lhe parece?

O Brasil — todos sabemos disso — participou de todas as copas do mundo. O Artigo 37 dessa lei deixa claro que alguns merecem mais que outros. Por quê? Devemos entender que os demais são castigados por não terem feito direito a lição de casa?

O Brasil — e disso também sabemos todos — ganhou cinco vezes a copa do mundo. Por que, diabos, somente os que atuaram nas três primeiras ganham prêmio? E os outros?

Nenhum prêmio de consolação para os que perderam a copa de 1950 na reta de chegada — justamente os mais decepcionados. Nem para os de 1998. Por quê?

Há um tempo para tudo. Assim como iogurte tem prazo de vencimento e crimes prescrevem, prêmios e homenagens perdem seu alcance. Vencido o prazo, não fazem mais sentido.

Estes últimos anos, em nossas altas esferas, nota-se marcada tendência a ressuscitar episódios passados — selecionados segundo seu (deles) interesse. Assim como a exótica «anulação» da deposição de João Goulart atropela a lógica, o reconhecimento do mérito de jogadores que atuaram mais de 55 anos atrás não faz sentido. É tarde demais.

Ficam duas certezas:

Árbitro Crédito: Kopelnitsky, EUA

Mundo injusto
Crédito: Kopelnitsky, EUA

1) Está certa a sabedoria popular quando diz que é fácil dar esmola com o chapéu alheio. Usar o dinheiro do Tesouro Nacional — a caixa comum onde depositamos nossa poupança forçada — para mimar futebolistas em detrimento de atletas de outros esportes é escárnio. Nosso excelsos governantes, em ato de puro populismo, subestimam a inteligência dos brasileiros e dela zombam.

2) Aos olhos do governo, todos os atletas não são iguais. Alguns são mais iguais que outros. Futebolistas valem mais que praticantes de qualquer outro esporte. Selecionados para copa do mundo valem mais que outros futebolistas. Campeões do mundo valem mais que os que se esforçaram mas não tiveram sucesso. Campeões de 1958, 1962 e 1970 valem mais que campeões de 1994 e 2002.

Quero deixar aqui uma sugestão para dona Dilma. Para arrendondar o número de ministérios, que tal criar um quadragésimo: o Ministério da Igualdade entre Esportistas?

Afinal, o Brasil é tri ou penta, presidenta?

Cada dia mais falado

José Horta Manzano

Se a intenção era projetar o nome do Brasil, o objetivo está sendo alcançado. Estas últimas semanas, nosso país não passa em branco nem um dia na mídia global.

Ainda anteontem, o Wall Street Journal, respeitado órgão focado em aspectos econômico-financeiros, publicava uma enésima reportagem sobre a «Copa das copas» e sua provável influência na economia brasileira. Aqui está um trecho do texto:

Interligne vertical 11a«For many Brazilians, the Cup has become a symbol of the unfulfilled promise of an economic boom for this South American nation. But the boom has fizzled. And now the World Cup’s $11.5 billion price tag—the most expensive ever—and a list of unfinished construction projects have become reminders of the shortcomings that many believe keep Brazil poor: overwhelming bureaucracy, corruption and shortsighted policy-making that prioritizes grand projects over needs like education and health care.»

Traduzindo, fica assim:

Interligne vertical 11a«Para muitos brasileiros, a Copa tornou-se símbolo da promessa não cumprida de boom econômico nacional. O rojão deu chabu. E agora, a Copa do Mundo de 11,5 bilhões de dólares ― a mais cara jamais vista ― e uma lista de obras inacabadas tornaram-se a marca evidente das deficiências que, segundo muitos, perenizam a pobreza do Brasil: burocracia sufocante, corrupção e políticas míopes que privilegiam projetos grandiosos em detrimento de necessidades como educação e saúde pública.»

Bem que podíamos ir dormir sem essa, não?

Frase do dia — 142

«É surrealista. Na opinião dos arautos da CLT, temos a melhor legislação do universo. Como entender, então, o que se passa na Justiça do Trabalho?

Deixamos de ser atraentes a investimentos. Convertemo-nos em zona incerta e perigosa. Ou mudamos rapidamente de rumo ou estamos condenados a ser como Cuba e Venezuela: governo forte, economia em pedaços.»

Almir Pazzianotto Pinto, advogado e antigo presidente do Tribunal Superior do Trabalho in Estadão, 29 maio 2014.

Recordar é viver ― 2

José Horta Manzano

O Lula na África ― jul° 2010

O Lula na África ― jul° 2010

No dia 9 julho 2010, o site especializado em esportes do portal Terra tascou uma inequívoca manchete direto de Johannesburgo. «Lula: se o Brasil não tiver (sic) pronto para a Copa, teria de voltar a nado da África.»

Em uma de suas incontáveis viagens internacionais, nosso messias havia elogiado a organização do campeonato mundial de futebol na República Sul-Africana e, aproveitando o embalo que a platéia lhe proporcionava, saiu-se com um punhado de suas costumeiras bravatas.

Surpreso, na certa, de constatar que havia aeroportos por lá e que o apartheid havia desaparecido, indignou-se de que a imprensa não conte essas maravilhas.

O Lula na África ― jul° 2010

O Lula na África ― jul° 2010

É compreensível e desculpável. Nosso líder já confessou, mais de uma vez, que não costuma ler jornais. Donde, sejam quais forem as informações publicadas, ele jamais tomará conhecimento.

Cá entre nós, nosso antigo presidente leva uma vida invejável. Dado que sua única fonte de informação parece ser o jornal televisivo, a vida deve reservar-lhe permanentes deslumbres, o que não deixa de ser extremamente positivo.

Voltando a Johannesburgo, vamos conferir a frase inteira proferida pelo então presidente do Brasil:

Interligne vertical 12«Agora, as dúvidas já começaram com o Brasil. Já começaram as perguntas hoje: será que os aeroportos vão estar prontos? Será que vão (sic) ter corredores de ônibus? Os estádios estarão prontos? Posso dizer que em 2014 se seguirmos assim teremos a quinta melhor economia do mundo… Se o Brasil não tiver condições [para receber a Copa], teria que ir embora a nado da África…»

Da Cidade do Cabo ao Rio de Janeiro, são 6 mil quilômetros. Falta escolher a cor da sunga.

Nem só de grama

José Horta Manzano

Basta abrir qualquer jornal ou ligar em qualquer estação de rádio para ouvir alguém preocupado com os estádios da Copa ― agora transmudados em «arenas», olé! Vai ficar pronto a tempo? Não vai?

Estadio 3A dar crédito ao que se ouve, a única premissa para organizar uma «grande copa» é a construção de estádios. Secundariamente, chegou-se até a pensar no deslocamento de dezenas de milhares de pessoas a esses locais. Alguns meios mecânicos de transporte, trem ou metrô, chegaram a ser cogitados. No entanto, segundo um floclórico ex-presidente da nação, o povo pode muito bem deslocar-se em lombo de burro. O problema da mobilidade, portanto, deixa de existir. Era pura babaquice.

O gargalo, infelizmente, não se limita aos estádios nem aos caminhos que levam até lá. A onda de choque emitida por um evento da magnitude de um campeonato mundial de futebol influencia infinitos meandros da sociedade.

Hello 1Além da construção das «arenas» e das vias de acesso que conduzem a elas, numerosos outros setores são atingidos. A assistência médica e sanitária tem de estar preparada para atender a casos de emergência. Hospitais têm de prever chegada maciça de feridos em tumultos. O transporte, o alojamento e a alimentação de grandes grupos de visitantes tem de satisfazer à demanda. O Poder Público será obrigado a decretar dias feriados ― com a consequente baixa na produtividade anual. E mais uma miríade de respingos acaba caindo sobre a sociedade.

Entre os efeitos colaterais gerados pela concentração de multidões nos estádios, está a conexão de cada telefone individual à rede mundial. Quando 200 mil espectadores se aglutinaram no Maracanã, em junho 1950, para decepcionar-se com um Brasil x Uruguai de triste memória, esse problema não existia. Naquela época, mesmo em casa, poucos eram os detentores de uma linha telefônica. «Cérebros eletrônicos», então, eram peças de ficção.

Celular 3Hoje não é mais assim. Cada um carrega no bolso um minúsculo aparelhinho, não maior que uma carteira, capaz de proezas inimagináveis 70 anos atrás. Só que tem um porém: para funcionar, essa maquineta precisa captar o sinal de uma rede. E é aí que a porca torce o rabo. Imagine você 50 mil ou 60 mil celulares procurando conexão ao mesmo tempo, num mesmo lugar. Cada um vai querer mandar sua mensagem, curta ou longa. Pra comemorar um gol, por exemplo.

Segundo um despacho da Associated Press, repercutido pelo site da americana revista Time, o governo brasileiro e os concessionários estão de tal maneira mal preparados para a eventualidade que apagões telefônicos ou congestionamento de chamadas de emergência podem ocorrer.

Na hipótese mais benigna, conexões internet serão irritantemente lentas e chamadas telefônicas cairão com frequência. O governo brasileiro tinha-se comprometido a dotar os estádios de tecnologia 4G, mas isso ficou na promessa.

Sarcasticamente, o articulista da Time sugere ao torcedor que telefone a sua namorada antes de cada jogo. É mais garantido.

Que continue!

José Horta Manzano

Mês passado, reportagem do jornal O Globo informou que tinha sido lançada, com pompa e circunstância, uma campanha contra a prostituição infantil. A imprensa internacional repercutiu a notícia ― a exemplo, o jornal colombiano El Tiempo.

Prostituição infantil 1A campanha é focada na «Copa das copas». Tem o apoio de embaixadores do quilate do grande Juninho Pernambucano, de Kaká e de Arnaldo Cezar Coelho, antigo árbitro profissional.

Na Europa, mas não só, o Brasil é conhecido, entre outras características pouco enaltecedoras, pela permissividade da sociedade com relação à prostituição em geral e à exploração infantil em particular.

Cada voo que pousa no Recife, em Fortaleza, em Natal ou até no Rio de Janeiro traz seu lote de turistas peculiares ― escassamente interessados na beleza das praias tropicais mas vidrados nas conquistas efêmeras que a estada em nossas terras lhes promete.

Vamos raciocinar um pouco. Passaria pela cabeça de alguém fazer uma viagem aos EUA, ao Japão, à Alemanha ou à Nova Zelândia com o intuito de encontrar sexo fácil ou contacto carnal tarifado com menores de idade? A resposta é inequívoca: é evidente que não.

E por que essa gente vem ao Brasil? Porque nossas garotas são mais bonitas que alhures? Porque nossas crianças são mais sorridentes? Porque a tarifa sai mais em conta? Pode até ser, mas não é essa a razão que atrai hordas de predadores.

Vêm porque o laxismo de nossa cultura faz que fechemos um olho para essas coisas. Assim como passamos diante de uma favela sem olhar e não nos abalamos com o espetáculo abjecto de uma família alojada debaixo de um viaduto, encaramos com indiferença o destino trágico dessas crianças sem infância. Em nossas plagas, sexo com crianças é abundante, fácil de encontrar, barato e… sem perigo. O risco de ser apanhado e de ter de responder pelo crime é praticamente nulo.

Trabalho infantil 1Sem sombra de dúvida, a campanha merece aplauso. A pergunta que fica no ar é: por que se lhe dirigem os holofotes somente durante a «Copa das copas»? A praga que reserva destino atroz a essas crianças e lhes destrói o futuro não começou ontem nem vai desaparecer, como por encanto, depois da Copa.

A solução terá de passar por um empenho constante, paciente, de todos os dias. E terá obrigatoriamente de contar com o apoio firme e continuado das autoridades, que o problema é cabeludo.

Mas a campanha já é um começo. Oxalá não murche após o apito final de 13 de julho.

Ameaça à vista

José Horta Manzano

Les Echos é a publicação francesa mais reverenciada em matéria de informação econômica e financeira. É o vade-mécum dos investidores e dos grandes capitães de indústria. Principalmente franceses, mas não só. Faz mais de um século que suas análises costumam ser apreciadas e respeitadas.

Esta semana, publicou um artigo bastante contundente sobre o momento atual da economia brasileira. O título já diz muito: «Brasil ― para a economia, a Copa do Mundo se transforma em ameaça».

Durante muito tempo, segundo o texto, o Brasil contou com a Copa do Mundo para dar um empurrão a sua economia. Hoje, essa esperança deu lugar ao receio de que a convulsão social assuste os investidores e deteriore, por muito tempo, a imagem do país.

Les EchosO governo de Dilma Rousseff espera que o Mundial acrescente meio ponto percentual ao PIB nacional e crie mais de um milhão de empregos. Segundo pesquisa da Reuters, contudo, economistas independentes são mais prudentes e miram a um magro aumento de 0,2 ponto.

Sete anos atrás ― continua a análise ― quando a organização da Copa foi atribuída ao Brasil, o governo de então acariciou a ideia de poder afirmar o novo estatuto nacional de potência econômica de primeiro plano. Era também ocasião propícia para uma profunda transformação da infraestrutura de transportes.

Mas hoje a conta não fecha. Dos 11,7 bilhões de dólares de investimento previsto, nada mais que 7 bilhões foram aplicados ― uma discrepância que observadores atribuem a mau planejamento e a entraves burocráticos. Somente 36 dos 93 grandes projetos previstos foram entregues.

Essas falhas não impedirão que o campeonato se desenrole, mas, em vez de destacar a força do país, o evento periga desnudar suas fraquezas e a falta de vontade política para tocar grandes projetos.

GlandO artigo prossegue com uma grande interrogação: «Os 600 mil turistas esperados… virão?».

A reportagem fecha citando Antenor Barros Leal, presidente da Câmara de Comércio do Rio de Janeiro, que se declara muito preocupado com a imagem do país.

Barros Leal afirma que não podemos assumir o risco de perder nenhum investimento num momento em que nossa economia vai mal. Acrescenta que «todo sinal de instabilidade poderia atemorizar investidores dispostos a investir dinheiro no Brasil».

Interligne 18g

Da semente imperfeita que foi plantada estes últimos sete anos, dificilmente brotarão bons frutos.

Frase do dia — 141

«Por que o governo, que manda exumar cadáveres enterrados há mais de 40 anos, empenha sua força no Congresso para manter sob sete palmos de terra verdades atuais, como o arrombamento dos cofres da Petrobrás?»

José Nêumanne Pinto, jornalista, poeta e escritor, in Estadão de 21 maio 2014.

Sinto vergonha de mim

Cleide Canton (*)

Sinto vergonha de mim
por ter sido educadora de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Fonte: site da escritora

Fonte: site da escritora

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o “eu” feliz a qualquer custo,
buscando a tal “felicidade”
em caminhos eivados de desrespeito
para com o próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos floreios para justificar
atos criminosos,
Bandeira chorandoa tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre “contestar”,
voltar atrás
e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer…

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.

Bye bye BrasilNão tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei minha Bandeira
para enxugar meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro!

(*) Cleide Canton é educadora, advogada, escritora e poeta
www.cleide.poeta.ws/

Sinal dos tempos ‒ 2

«Apenas um guarda tomava conta da concentração da seleção em 1966. Na segunda-feira que vem, na Granja Comary, esse número deve chegar a 200.»

Silvio Barsetti, em artigo publicado no Estadão, 24 maio 2014.

Por enquanto, não

José Horta Manzano

Mark Mobius é respeitado conselheiro e gestor de investimentos. Tem, sob sua guarda, respeitável carteira de 50 bilhões de dólares.

Estes dias, deu declarações ao Wall Street Journal sobre as oportunidades de investimento do momento. Suas palavras foram repercutidas por diversos sites de informação econômica, entre os quais o brasileiro Amanhã ― braço internet do grupo de comunicação homônimo, fundado há 30 anos e focado na Região Sul.

Mark Mobius

Mark Mobius

Como boas oportunidades atuais, Mr. Mobius aponta cinco economias ditas emergentes: Indonésia, Rússia, Vietnã, África do Sul e Brasil. Quanto a nosso país, o que ele diz não é original. Assim mesmo, não deixa de ser significativo que venha de pessoa tão considerada.

O conselheiro espera que as eleições de outubro tragam mudança ao comando do País. Constata que, à medida que a popularidade de nossa presidente desaba, o índice Bovespa sobe. A perspectiva de troca de chefia entusiasma o mercado.

Mobius acrescenta que, caso novo mandato seja recusado a dona Dilma & equipe, o ambiente estará mais propício para investimento e para negócios em nosso país.

Palavra de guru.

Frase do dia — 140

«No Brasil a corrupção é um flagelo muito mais aviltante que o problema das drogas e, por mais estranho que possa parecer, em dezembro de 2011, das 514 mil pessoas encarceradas nas prisões do País, apenas 632 cumpriam pena por corrupção, isto é, pífios 0,12%.»

Jorge Pontes, Delegado da Polícia Federal, em artigo publicado pelo Estadão de 22 maio 2014.

Quero meu país de volta!

José Horta Manzano

Lei da Copa 3Nossos ingênuos e distraídos dirigentes se deixaram ludibriar mais uma vez. As excelências de nosso parlamento, ao aprovar a Lei Geral da Copa, fizeram como costumam fazer os figurões deste país: assinaram sem ler.

Um alto dirigente partidário, hoje inquilino da Papuda, já tinha avalizado empréstimo sem ler o contrato. Uma antiga ministra de Minas e Energia, hoje inquilina do Planalto, já tinha assinado compra de refinaria sem ler o contrato.

Agora nos damos conta de que nossos parlamentares também votaram uma lei de 114 artigos distribuídos por 152 páginas sem ao menos pedir um resumo, uma sinopse especial para quem tem preguiça de ler. Tivessem tido o cuidado de ler antes de assinar, muitas cláusulas teriam sido contestadas. Ou não.

A Secção I do Capítulo II (Da proteção e exploração de direitos comerciais) da Lei Geral da Copa configura um verdadeiro confisco do sistema de registro de patentes brasileiro. As cláusulas desses artigos botam o INPI para escanteio e instituem a Fifa em seu lugar. A metáfora futebolística cai bem aqui: é como se o jogador titular (o INPI) saísse de campo, e um reserva (a Fifa) tomasse seu lugar. É por tempo limitado, mas o substituto assume plenos poderes ― joga como quer.

A Lei Geral impôs ao INPI que desse tratamento especial às demandas da Fifa, que tratasse seus registros com maior celeridade que o habitual, que reconhecesse de antemão que certas marcas «de alto renome» pertencem à Fifa sem contestação possível.

Copa 14 logo 2Ficamos sabendo agora que, entre duas centenas de expressões de uso corriqueiro, as marcas Brasil 2014, Natal 2014 e Pagode tornaram-se propriedade da Fifa. Portanto, não podem mais ser utilizadas comercialmente por ninguém até o fim do ano 2014. Em países civilizados, nomes geográficos, por razões óbvias, não podem ser registrados. Nomes de festas religiosas ou pagãs, tampouco. É desvario total conceder o registro do nome de nosso país a uma entidade privada, por mais importante que ela seja. A expressão Brasil ― 1500, 1822, 2014 ou seja que ano for ― é propriedade do povo brasileiro. A impossibilidade de registro comercial deveria ser ponto pacífico.

Nossos dirigentes permitiram que vendêssemos nosso próprio nome! Parece pesadelo! Em matéria de privatização, se excederam e ousaram atacar o mais sagrado. Não está longe o dia em que teremos de pedir licença à Fifa para entrar em casa.

Interligne 18c

PS: Alguém consegue imaginar algum país civilizado cedendo os direitos sobre seu próprio nome à… Fifa? Pois é.

Um partido fascista

Sebastião Nery (*)

MUSSOLINI
Em 1922, na Itália, Benito Mussolini dizia-se um “líder socialista”. Criou seus camisas negras, seus grupos de assalto, os Fascio, organizou uma Marcha Sobre Roma, recebeu plenos moderes do Parlamento, prendeu seus antigos companheiros Antonio Gramsci, Silvio Pelico, matou milhares, criou o Movimento Social Italiano tendo como pedra angular a “unicidade sindical”, impôs à Itália o regime fascista e se aliou a Hitler. Deu no que deu.

Fanfarrão como o Lula, acabou pendurado de cabeça para baixo, berrando como um bode imundo, em um posto de gasolina.

Charles Chaplin in O Grande Ditador, 1940

Charles Chaplin in O Grande Ditador, 1940

LULA
Lula começou a pôr as unhas de fora. Apareceu como um inofensivo líder sindical, retirante protegido pelo delegado legalista Romeu Tuma, agarrado às batinas da Igreja e às botas do general Golbery. Tantos de nós, direta ou indiretamente, de uma forma ou de outra, o ajudamos.

Fascismo 1Criou o PT, o “Partido dos Trabalhadores”, como se só eles fossem trabalhadores, e a CUT, a Central “Única” dos Trabalhadores, como se só ela representasse os trabalhadores. Era a repetição da “unicidade sindical” de Mussolini.

De repente, Lula convocou o PT a ser um partido fascista sob o comando de seu presidente Rui Falcão ― indisfarçado teórico fascista ― e a “sair para a guerra, guerra total a quem ameaçar a conquista da hegemonia em torno do nosso projeto de sociedade”.

HEGEMONIA
Em política, em matéria de conquista de poder, hegemonia está com toda simplicidade muito bem definida pelo saudoso mestre Houaiss:

Interligne vertical 15Hegemonia: Supremacia ou superioridade cultural, econômica ou militar de um povo… supremacia, influência preponderante… autoridade soberana… liderança, predominância ou superioridade”.

É toda a base do fascismo.

Antes, o PT rosnava. Agora, já começaram a morder. Na TV, o deslumbrado baiano aprendiz de Goebbels (chefe da propaganda de Hitler) João Santana apela para o mais escrachado terrorismo querendo fazer do medo o centro das próximas eleições.

Com Dilma derrapando toda semana nas pesquisas, vaiada toda vez que aparece em público, só podendo mostrar a cara nos fundos do Planalto ou nos convescotes do Alvorada, eles estão com medo de perder as bocas sujas, os conselhos fajutos, as maracutaias passadenas.

Interligne 18b

(*) Sebastião Nery é jornalista, advogado e professor. Sua coluna é publicada por jornais de 20 estados brasileiros. www.sebastiaonery.com.br/