Ineptocracia
Ineptocracia
Sistema de governo no qual os menos capazes de liderar são eleitos pelos menos capazes de produzir, e no qual os cidadãos menos aptos a se sustentar ou vencer na vida são recompensados com bens e serviços pagos com a riqueza confiscada de um número cada vez menor de produtores.
Do blogue de Rodrigo Constantino, 20 ago 2013
Especial Finados
Finados, falência & terrorismo
Frase do dia ― 38
«Todo mundo aplaudiu quando Jânio Quadros, naqueles tumultuados sete meses em que exerceu a presidência da República, nomeou um negro para embaixador do Brasil num país da África. Carlos Lacerda foi o único a protestar, lembrando estar vaga nossa embaixada na Suécia: “Vão nomear um lourinho para Estocolmo?”»
Carlos Chagas em sua coluna, in Diário do Poder de 2 nov° 2013, referindo-se à recente decisão da CCJ/Câmara de reservar quota para parlamentares negros.
Frase do dia — 37
«Hoje é dia de lamentar o enterro dos nossos impostos escandinavos em negócios africanos, Eike Batista, Petrobrás, Cuba e mordomias oficiais.»
Cláudio Humberto, in Diário do Poder, 2 nov° 2013
Hoje é dia… de geografia
José Horta Manzano
Para continuar no campo geográfico, dou-lhes abaixo uma imagem interessante. Trata-se de uma montagem que superpõe, na mesma escala, a Europa e a América do Sul. Foi bolada no laboratório de ideias de nosso amigo Massimo Pietrobon.
É voz corrente no Brasil que a Europa é pequenina, que tudo é pertinho, que as distâncias são diminutas. Na verdade, não é exatamente assim. É claro que, em comparação com o gigantesco continente asiático, a Europa parece uma miniatura. Mas a América do Sul também. A Rússia, sozinha, tem superfície equivalente à do nosso subcontinente.
Repare que a distância que separa Moscou de Lisboa equivale à lonjura entre Buenos Aires e Caracas ― com o Brasil todo no meio. Ir da Suécia à Grécia é como viajar do Espírito Santo à costa do Pacífico.
Vasto mundo!
Faltou um (para)fuso
José Horta Manzano
Você sabia?
Para quem faltou à aula de Geografia no dia em que falaram sobre fusos horários, dou algumas pinceladas sobre o assunto. Quando é meio-dia em Brasília, é meia-noite em Tóquio, disso todo o mundo já ouviu falar. Mas por que é assim? Porque a Terra é redonda e gira em torno de si mesma, ora. Se ela fosse quadrada ou se não girasse ― como já chegou a sugerir um antigo presidente da República cujo nome neste momento me escapa ―, o problema da hora não existiria. De um lado do cubo seria sempre dia, enquanto o lado oposto viveria em escuridão eterna.
Dado que não é assim, todos os países aderiram à tradicional divisão do dia em 24 horas, que já vem dos tempos babilônicos, e o problema foi resolvido. Como os gomos de uma laranja, a Terra foi dividida em 24 fusos de referência, um para cada hora, tendo como marco inicial o meridiano de Londres ― a potência preponderante no século XIX.
O desenvolvimento das comunicações (estradas de ferro, telégrafo) fizeram que, pouco a pouco, todos os países aderissem ao sistema. O Decreto n° 2784, assinado pelo presidente Hermes da Fonseca em 18 junho 1913, estabelecia no Brasil a Hora Legal. Geógrafos constataram que, devido à sua grande extensão leste-oeste, nosso País abrangia quatro zonas horárias, cobrindo quatro fusos. O decreto oficializava essa realidade e determinava as partes do território nacional que passavam a se enquadrar em cada fuso.
Noventa e cinco anos escorreram sem maiores problemas, até que, um belo dia, um senador do Partido dos Trabalhadores propôs uma lei que, em flagrante colisão com a geografia e com o simples bom-senso, eliminava o quarto fuso horário no Brasil. O Acre e o extremo oeste do Amazonas passavam a se regular pela mesma hora de Mato Grosso do Sul, numa explícita aberração geográfica.
O Congresso Nacional, sempre distraído, aprovou a lei que foi rapidamente sancionada pelo mesmo presidente de que lhes falei acima, aquele da terra quadrada. Um grande perito em temas geográficos.
Dizem as más línguas que a razão principal da bizarra mudança foi a pressão exercida por uma grande emissora de tevê, muito ativa no ramo de novelas. Parece que o quarto fuso lhe causava certos transtornos ― donde o atentado à geografia. Mas há controvérsias. Pode ser que a razão não tenha sido essa. Em todo caso, a ninguém ocorreu, na época, consultar os maiores interessados: a população local. O Brasil é um país de todos, mas é evidente que nem todos os todos são iguais.
A nova lei entrou em vigor como rolo compressor. Mas a população atingida foi assim mesmo às urnas em 2010 e deixou claro que não estava de acordo com a mudança arbitrária. Após três anos de querela jurídica, a nova presidente da República, magnânima, decidiu fazer o que o povo lhe pedia. Acaba de sancionar a lei que anula a esdrúxula mudança de 2008. Fica o dito pelo não dito. A partir de domingo 10 de novembro, o Acre e o Oeste do Estado do Amazonas voltam a integrar o fuso dito GMT menos 5h, de onde nunca deviam ter sido desalojados.
O (para)fuso solto voltou a ser atarraxado.
Finados 2013
Rapidinha 7
José Horta Manzano
«Mais preocupado com a morte, brasileiro investe em auxílio funeral» ― diz o título chamativo do artigo de Yolanda Fordelone publicado no Estadão deste 1° de novembro.
Falar em morte, funeral e enterro incomoda. São coisas que a gente acredita que vão acontecer a todos, menos a nós mesmos. Vira essa boca pra lá, dá azar, não presta, para de chamar desgraça! São os comentários mais comuns quando se aborda esse assunto. E, no entanto…
… no entanto, todos sabemos que a única certeza que temos ― a única mesmo! ― é de que seremos levados embora um dia. Quanto ao resto, a gente pode querer, esperar, torcer, imaginar, mas certeza, que é bom, não temos.
Que o brasileiro atual se preocupe em tomar disposições concernentes a seu próprio funeral é excelente notícia. Não se deve ligá-la ao aumento da criminalidade, que uma coisa não tem nada que ver com a outra. Com ou sem crime, todos acabamos morrendo um dia.
A boa notícia, em meu entender, é que a preocupação com funeral e sucessão é muito positiva. Dá pelo menos duas importantes indicações.
1) Demonstra a tomada de consciência de que o inevitável vai acontecer, queiramos ou não. É impossível evitar. À diferença de aventureiros do passado, que acreditavam na existência da fonte da eterna juventude, vamo-nos conformando com a realidade.
2) Dá sinal claro de que o brasileiro, pouco a pouco, toma consciência de ser responsável por si mesmo. O modo de vida paternalista, imerso no qual temos vivido há centenas de anos, vai-se esgarçando. Esperamos cada vez menos dessa entidade meio nebulosa que chamamos «governo» e aceitamos o fato de que o artífice de nosso destino somos nós mesmos.
A meu ver, mormente por arranhar a ingenuidade e a credulidade tradicionais do brasileiro, essa evolução vai no bom sentido.
Rapidinha 6
José Horta Manzano
Cumprindo a parte que lhe toca no acordo, equipes da Opaq , a Organização para a Proibição de Armas Químicas, começam seu trabalho de de neutralização do armamento químico estocado pelas forças sírias.
No fundo, esse final feliz ― se é que se pode atribuir esse adjetivo ao apaziguamento de um conflito que já fez dezenas de milhares de mortos e centenas de milhares de refugiados ― enfim, esse final menos infeliz aquieta todos sem satisfazer a ninguém.
Os cristãos, os alauítas e outras etnias minoritárias, que se encontravam bem sob o regime, passam a sobreviver terrorizados por membros de outras etnias e, principalmente, por ideólogos e mercenários vindos do estrangeiro. Outros grupos, que viviam oprimidos pelo regime, têm de continuar a sentir o peso da bota dos mandachuvas.
Os Estados Unidos, sem perder totalmente a face, não saíram glorificados do episódio. Tiveram de refrear seu ímpeto belicoso e procurar outro freguês. A Rússia foi quem mais ganhou. Firmou a imagem de sua diplomacia, provou que tinha razão desde o início. Mas ― nada é perfeito ― terá de se conformar com a ingerência de técnicos da Opaq esquadrinhando o território do aliado sírio.
Fica no ar uma pergunta. Como é que os técnicos terão certeza de haver destruído todo o arsenal químico? Tanques de guerra e aviões são difíceis de esconder ― qualquer satelitezinho mambembe consegue enxergá-los. Mas… tambores ou caixotes de produtos químicos? Dá pra esconder uma boa quantidade em qualquer puxadinho.
Rapidinha 5
José Horta Manzano
A coisa anda mais calma agora que a zona do euro está em época de contração econômica. Mas, não faz muito tempo, o governo brasileiro esteve a ponto de declarar guerra à Espanha por causa do tratamento dispensado pelos agentes de imigração daquele país a conterrâneos nossos. Quando falo em guerra, estou exagerando, sim, mas não muito. Em outras épocas, essa afronta poderia ser considerada um casus belli e justificar a abertura de hostilidades.
Não disponho de estatísticas, mas não é temerário afirmar que a Europa como um todo ― Espanha e Portugal em particular ― perderam muito de seu encanto aos olhos de brasileiros candidatos a uma vida melhor. Se as coisas já não vão tão bem no Brasil, a percepção geral é de que na Europa está pior ainda.
Leio notícia de que filas se formam em frente ao consulado do Brasil em Porto Príncipe, no castigado Haiti. Multidões sonham com um visto de imigração para nosso País. E penso nas voltas que o mundo dá.
Longe de ser fixa e estática, a sociedade está em perpétuo movimento, em contínua transformação. Pode chamar de evolução, pode também dizer que é involução. Chame de progresso ou de regressão, como queira. Fica ao gosto do freguês.
Duas conclusões se impõem. A primeira é que o que valia ontem pode já não valer mais hoje. E amanhã ― quem sabe? ― pode até voltar a valer. Melhor não atirar em quem está caído no chão. O aparente moribundo pode até se levantar e se recuperar.
A segunda conclusão é uma evidência. Basta dar uma olhada em torno para encontrar alguém que está em piores condições que nós mesmos. Apesar de todas as mazelas que nos dão a sensação de viver num país à beira da explosão, os infelizes haitianos ainda enxergam a terra tupiniquim como um eldorado. Pra você ver…
Irresponsáveis
José Horta Manzano
Na Câmara Federal, a Comissão de Constituição e Justiça acaba de cometer mais uma sandice. Com a habitual leviandade, voltou a tratar do tema racial e propõe ao plenário a aprovação de uma enésima emenda à Constituição. Se aprovada a PEC, uma parte dos eleitos do povo terá obrigatoriamente de ser de raça negra.
Fico consternado ao me dar conta do caminho pedregoso que a ignorância de nossos parlamentares está preparando para nosso País. Já temos um dos índices de disparidade social mais elevados do mundo, uma desindustrialização crescente, uma imagem internacional em franca deterioração, uma inflação que ressurge, um nível de corrupção pra nenhum ditador africano botar defeito. Não fazia falta oficializar divisões raciais.
Se, em lugar de passar a vida tentando puxar a brasa para sua sardinha, nossos prodigiosos representantes tivessem procurado se informar sobre o que acontece no planeta, saberiam que raça e religião são dois dos temas mais explosivos. A maior parte dos conflitos tem como artista principal ― ou como coadjuvante ― a raça ou a religião. Em nossa terra, até hoje, passamos ao largo desses problemas. É monstruoso que parlamentares soprem as brasas. Elas acabarão por reavivar o fogo e transformá-lo em labaredas.
Para começo de conversa, a autodeclaração de pertencimento racial, num País onde a malandragem, a mentira e a esperteza são valorizadas, não pode funcionar. Suas Excelências sabem disso. Para fazer a coisa dentro de razoáveis padrões científicos, só passando por um teste ADN.
Há também outro fato: pelo menos metade da população do País é mestiçada, uns mais claros, outros mais escuros. Há os que têm mistura de sangue índio. Há os descendentes de africanos não escravos, como angolanos e nigerianos chegados nas décadas mais recentes. O balaio de gatos é grande e complexo demais para ser deixado na mão de meia dúzia de excelências de nível cultural duvidoso, mais preocupadas com o próprio umbigo do que com o povo que representam.
E tem mais. Por que só deputados e senadores seriam subordinados a quotas? E o STF como fica? Seguindo a mesma lógica, metade dos ministros do Supremo terão obrigatoriamente de ser de raça negra.
Quanto à presidência da República, temos um real problema. As novas leis vão enterrando, pouco a pouco, o conceito de mestiçagem. Pela visão de nossos iluminados guias, um brasileiro tem de ser branco ou preto. Para não desviar da lógica, o mesmo critério terá de ser aplicado à escolha do presidente. A base de cálculo terá de ser o último censo.
O presidente terá de pertencer necessariamente à raça majoritária. Se a maioria dos brasileiros se tiver autodeclarado branca, o presidente será obrigatoriamente branco. Caso contrário, não tem como escapar: o chefe do Executivo não poderá, em hipótese nenhuma, ser branco.
Será que essas questões roçaram a mente tosca de nossos sábios representantes? Tenho minhas dúvidas. Seu raciocínio embotado não lhes permite ir além do problema de cada momento. Fazem gambiarras, puxadinhos, remendos, mas não avaliam as consequências que cada solução acarreta. Para eles, mais importante é angariar a simpatia do povo inculto e, sobretudo, conquistar votos para as próximas eleições. Os brasileiros do futuro que se lixem.
Na França, alguns anos atrás, veio à tona a questão da paridade dos eleitos. Não se fala de paridade racial, que eles lá não são loucos de cutucar a onça com vara curta! Trata-se de isonomia de sexo. Constatando que, na assembleia nacional, a proporção de mulheres era ínfima, resolveram legislar. Mas escolheram um caminho mais racional e, a meu ver, mais justo.
Em vez de reservar cadeiras específicas para mulheres ― só para fazer número ― a lei francesa impõe a cada partido que apresente um número igual de candidatos e de candidatas. Em seguida, os eleitores serão livres de votar em quem lhes parecer melhor. Parece-me uma solução mais equilibrada. A paridade de oportunidades fica assegurada, mas a decisão final permanece nas mãos do eleitorado.
Nossas excelências, em sua maioria monoglotas e incultas, dão preferência a torrar o dinheiro que lhes pagamos viajando até mundos de fantasia em Orlando, sonho de todo novo-rico ibero-americano. Suas mentes estreitas não lhes permitem conceber que ― diabos! ― cabe ao eleitor escolher, não a eles. Pode-se organizar a paleta de candidatos conforme a cor da pele, o sexo, a idade, a orientação sexual, a corpulência, o nível de estudos, o país de origem ou outras características quaisquer. O que não fica bem é impor uma reserva de mercado a uma franja da população em detrimento de outras minorias.
Os que forem eleitos pelo sistema de quotas serão fatalmente percebidos pela população como parlamentares de segunda classe, como se tivessem entrado pela porta dos fundos. Em troca, no afã de defender seus eleitores e garantir seus votos, batalharão pela manutenção do sistema de quotas e pela extensão dele a outros campos da atividade humana.
Estamos fomentando e exacerbando comunitarismos que não existiam. Cercado de «não-podes» por toda parte, o Brasil periga se tornar um país inviável. É criminoso e muito triste.
Para quem perdeu o capítulo, aqui estão as fontes:
Folha de São Paulo
O Globo
Estadão
Cara de pau
José Horta Manzano
Segundo informações da Agência Brasil, repercutidas pelo DCI e pelo Estadão, a Câmara Federal outorgou ao Lula a Medalha da Suprema Distinção, concedida a quem presta relevantes serviços públicos à sociedade brasileira (sic). O Correio Braziliense apimenta a notícia ao nos dar conta da agressão cometida por um segurança contra um repórter. Um efeito colateral certamente indesejável, mas real.![]()
A motivação dessa homenagem que suas excelências prestaram ao preclaro mandachuva me faz lembrar o relato que ouvi, tempos atrás, de um conhecido. Ele vivia, não fazia muito tempo, com uma companheira chinesa. Ela já tinha chegado à Europa na idade adulta. Embora fosse inteligente e de boa educação, as minúcias do dia a dia ocidental não lhe eram totalmente familiares.
Meu amigo, profissional liberal, explicou um belo dia à namorada que tencionava dar um aumento de mérito a algumas de suas assistentes para o ano seguinte. A chinesa olhou sem entender e perguntou o significado da expressão. Ele explicou que era um aumento de salário que patrões costumam conceder a funcionários que se tenham mostrado esforçados.
Espanto visível no rosto da chinesa. «É mesmo? Que coisa estranha!». E continuou: «No meu país, todo empregado tem obrigação de se esforçar. Não é matéria sobre a qual se discuta. Falar em aumento de mérito, na China, não faz sentido. Quem não fizer por merecer perde o emprego».![]()
O senhor Lula da Silva foi presidente do País durante 8 anos. De alguém que ocupou o cargo maior da República, espera-se que tenha prestado bons serviços públicos à sociedade ― faz parte de suas atribuições. Portanto, a outorga da medalha não faz sentido. Ou se concede essa distinção a todos os que tiverem ocupado o posto, ou não se concede a nenhum.
Quando o presidente não presta, a lei permite aos cidadãos apeá-lo do cargo e mandá-lo de volta pra casa. Esse direito, naturalmente, terá de ser exercido através dos parlamentares, os representantes do povo. A destituição (ou impedimento) de um presidente é mais conhecida no Brasil por seu nome em tupiniquim genuíno: impeachment. Se, ao final do mandato, o presidente não tiver sido destituído, é sinal de que prestou bons serviços. É natural, foi eleito justamente para isso.
Em seu discurso aos parlamentares, Luiz Inácio ousou uma daquelas suas afirmações vazias que causam impacto no auditório: preconizou uma reforma política para o País. Ou ele está zombando da memória de todos nós ou algum tipo precoce de demência já anda consumindo os neurônios que lhe restam. O Lula foi presidente omnipotente durante oito longos anos durante os quais o Senado, a Câmara e a camarilha vinham comer na sua mão. Excetuando-se tempos ditatoriais (Estado Novo e ditadura militar), foi certamente o presidente que maior poder deteve. Se não promoveu uma reforma política enquanto estava no pedestal foi porque não quis. Soa muito hipócrita vir a público ― justamente agora que os ventos estão mudando de quadrante ― conclamar outros a fazerem aquilo que ele mesmo, por oportunismo ou pusilanimidade, não fez.
Não parou por aí o autoincensamento do medalhão. Recordou manifestações da década de 70, como se delas tivesse participado. Não é o que a História registrou. Seu nome não começa a surgir senão no entardecer da ditadura, quase nos anos 80. E não como locomotiva de alguma ideia política, mas como líder sindical e agitador de massas. Se um partido se formou em volta dele foi porque ideólogos e alguns oportunistas se aglomeraram em roda do homem que lhes pareceu representar um bom canal de vulgarização de suas elucubrações para as camadas populares. Sem a matéria prima e o apoio daqueles intelectuais de primeira hora, nosso messias ainda estaria discursando em porta de fábrica.
Para coroar, o figurão enfatizou a Assembleia Constituinte, da qual foi deputado de apagada atuação. A menção à Constituição de 1988 tem o intuito evidente de fazer que as novas gerações imaginem que ele tomou parte ativa em sua elaboração. Curiosamente, ele «esqueceu» de dizer que seu partido reprovou a Lei Maior e votou contra ela. Que não venha agora tentar colher louros que não plantou.
Miscelânea 13
Tá na hora
José Horta Manzano
A partir de ontem, 27 de out°, a Europa está mais próxima do Brasil. Somente três horas nos separam. Inglaterra, Irlanda e Portugal estão ainda mais próximos: a apenas duas horas de Brasília.
Por falar nisso, você já reparou como, em português, as expressões que mencionam a hora hesitam entre o singular e o plural? Em princípio, não há razão lógica para usar um ou outro. As locuções que utilizamos atualmente são o extrato de um falar que vem evoluindo há muitas centenas de anos. Vejamos:
Singular:
O relógio da igreja deu a hora
e não “o relógio da igreja deu as horas”
Plural:
Que horas são?
e não “que hora é?”
Singular:
Saiu em cima da hora
e não “saiu em cima das horas”
Plural:
Chegou a altas horas (= de madrugada)
e não “chegou a alta hora”
Singular:
É hora de ir embora!
e não “são horas de ir embora!”
Plural:
Isto são horas? (diz-se quando alguém chega tarde)
raramente “isto é hora?”
Singular:
Cobrar por hora
e não “cobrar por horas”
Plural:
Amigo se conhece nas horas difíceis
e não “amigo se conhece na hora difícil”
Singular:
Pela hora da morte (= muito caro)
e não “pelas horas da morte”
Plural:
Ficamos batendo papo até horas mortas
e não “ficamos batendo papo até hora morta”
Singular:
Fazer hora extra
e não “fazer horas extras”
Plural:
Fazer um bico nas horas vagas
e não “fazer um bico na hora vaga”
Singular:
O tomate está pela hora da morte
e não “o tomate está pelas horas da morte”
Plural:
Ele chegou a horas (=chegou pontualmente)
e não “ele chegou a hora”
Singular:
Pela hora oficial, são três da tarde
e não “pelas horas oficiais, são três da tarde”
Plural:
Nunca se esquece das horas canônicas (das orações diárias)
e não “nunca se esquece da hora canônica”
Singular:
É hora do rush
e não “são horas do rush”
Plural:
A boas horas (=no momento adequado)
e não “a boa hora”
Singular:
Foi-se embora (= em boa hora)
e não “foi-se emboras (= em boas horas)”
Plural:
Ter o estômago a dar horas (estar com fome)
e não “ter o estômago a dar hora”
Singular:
Fazer hora
e não “fazer horas”
E vamos parando por aqui, que está na hora.
Frase do dia — 36
«O Mercosul virou um clube político com agenda bolivariana.»
Mac Margolis, colunista, in Estadão de 27 out° 2013
Leia antes de usar!
José Horta Manzano
Instruções em rótulos de diversos produtos mundo afora
(Pescadas no blogue de Ricardo Froes)![]()
Em fones de ouvido alemães:
Não aumente o volume acima do limite da dor.
Em uma garrafa de detergente Palmolive para cozinha:
Não use na comida.
Em garrafas de todos os detergentes para roupas nos EUA:
Tire a roupa antes de distribuí-la na máquina de lavar.
Em um telefone V-Tech:
A eletrônica, como as pessoas, pode ficar confusa.
Em uma faca elétrica coreana:
Atenção: mantenha as crianças afastadas.
Em enfeites luminosos chineses para Natal:
Para uso somente dentro ou fora de casa.
Em uma manta de Taiwan:
Não é para ser usada como proteção contra tornados.
Em um capacete com espelho retrovisor nos EUA:
Lembre-se que os objetos no espelho estão atrás de você.
Em um xampu de Taiwan:
Use repetidamente para danos severos.
Em uma tampa de garrafa de leite aromatizado na Inglaterra:
Depois de abrir, mantenha este lado para cima.
Em um repelente contra insetos na Nova Zelândia:
Não testado em animais.
Em alguns países, na base das garrafas de Coca-Cola:
Abra do outro lado.
Em um secador de cabelos da Sears:
Não use se estiver dormindo.
Em um pacote de salgadinhos da marca Fritos:
Você pode ganhar. Não é necessário comprar. Detalhes no interior do pacote.
Em uma barra de sabão Dial:
Use como um sabão normal.
Em uma caixa de tiramisù, sobremesa da marca Tesco:
Não vire a caixa (só que está escrito na base).
Em um pudim de pão da Marks & Spencer:
O produto estará quente depois de aquecido.
Em pacotes de refeição congelada da marca Schwan’s:
Sugestão de uso: descongelar.
Em toucas de banho de alguns hotéis nos EUA:
Cabe uma cabeça.
Em uma embalagem do ferro de passar Rowenta:
Não passe as roupas no corpo.
Em um xarope para crianças da marca Root:
Não dirija nem opere máquinas.
Em um comprimido para dormir da marca Nytol:
Pode causar sonolência.
Eu uma serra elétrica sueca:
Não tente parar a serra com as mãos ou com os genitais.
Em um processador de alimentos japonês:
Não é para ser usado em outro uso.
Em um pacote de amendoins oferecido em voo da American Airlines:
Instruções: abra o pacote e coma os amendoins.
Em um pacote de amendoins da marca Sainsbury:
Atenção: contém amendoins.
Em uma fantasia de Super-Homem para crianças:
Vestir esta roupa não o habilita a voar.
Rapidinha 4
José Horta Manzano
Dona Dilma definiu os atos de vandalismo como barbárie. Tem razão, ponto para ela. Manifestantes brutais não podem ser tratados com luva de pelica. A autoridade tem de usar métodos equivalentes. Não se enfrenta canhão com estilingue.
Já basta a imagem de pusilanimidade que nossas autoridades têm exibido. O mundo não precisa ficar sabendo que, no Brasil, além de o governo ser fraco, o povo é baderneiro e violento. Nossa imagem já anda um bocado amassada. É melhor parar por aqui.
A prefeitura tem o poder de proibir que manifestantes saiam às ruas mascarados. Aquele que desobedecer será sumariamente detido para averiguações, mesmo que (ainda) não tenha quebrado nenhuma vitrine. Depois de algumas dezenas de prisões, os ânimos vão-se acalmar. O que move esses selvagens é a certeza da impunidade.
Rapidinha 3
José Horta Manzano
Hoje, logo de manhã cedo, militantes da Greenpeace ― ong conhecida por sua agressividade ― decidiram mais uma vez atrair para si os holofotes.
Tentaram escalar a Torre Eiffel. A intenção era desenrolar faixas pedindo que o mundo pressionasse as autoridades russas a liberarem os 30 ativistas que invadiram uma plataforma petrolífera algumas semanas atrás.
Não conseguiram grande coisa. A polícia francesa nunca está muito longe dos monumentos parisienses, apinhados de turistas em qualquer época do ano. Agiu rápido e desalojou os intrusos.
Melhor teriam feito os belicosos ecologistas da Greenpeace se tivessem invadido um monumento moscovita. Mas… cadê coragem?





























