Rapidinha 4

José Horta Manzano

Dona Dilma definiu os atos de vandalismo como barbárie. Tem razão, ponto para ela. Manifestantes brutais não podem ser tratados com luva de pelica. A autoridade tem de usar métodos equivalentes. Não se enfrenta canhão com estilingue.

Já basta a imagem de pusilanimidade que nossas autoridades têm exibido. O mundo não precisa ficar sabendo que, no Brasil, além de o governo ser fraco, o povo é baderneiro e violento. Nossa imagem já anda um bocado amassada. É melhor parar por aqui.

A prefeitura tem o poder de proibir que manifestantes saiam às ruas mascarados. Aquele que desobedecer será sumariamente detido para averiguações, mesmo que (ainda) não tenha quebrado nenhuma vitrine. Depois de algumas dezenas de prisões, os ânimos vão-se acalmar. O que move esses selvagens é a certeza da impunidade.

Lá não exatamente como cá

José Horta Manzano

Antigamente, exportávamos café. Chegada a industrialização, incrementamos o comércio exterior vendendo chuveiros elétricos para a África e automóveis Passat para o Iraque.

A partir dos anos 1990, começamos a exportar gente. Levas de brasileiros sem formação partiram à conquista do mundo, numa onda migratória que não deixa de lembrar a dispersão de europeus pelo mundo 100 anos antes. Todos empurrados pelo mesmo aperto.

Um novo ítem está pronto para entrar na pauta de exportação: nossa vasta expertise em assaltos coletivos. Temos lá ampla experiência, um know-how preciso e precioso, ainda longe do alcance de todo o mundo, como se verá.Interligne 23

O profissionalismo
Em parcas linhas, a Folha de São Paulo nos informa que 3 bandidos puseram suas mãos à obra em frente ao Aeroporto de Congonhas ― um dos campos de pouso mais movimentados do País. Promoveram um arrastão e levaram os pertences de pelo menos 5 pessoas. Em seguida, escafederam-se.

O caso foi registrado no distrito, mas nenhum dos agredidos julgou útil comparecer à delegacia para formalizar queixa. Ponto para os bandidos, que provavelmente jamais serão identificados. Isso é trabalho bem feito.

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O amadorismo

Bandido mascarado

Bandido mascarado

Este mesmo fim de semana, 4 bandidos aprendizes tiveram a brilhante ideia de levar a cabo um arrastão num restaurante chinês da região parisiense. O acontecimento, fora de moda desde a invasão dos bárbaros, mereceu colunas inteiras de todos os grandes quotidianos franceses. Rádio e televisão não deixaram de noticiar um dos primeiros exemplos da nova e exótica modalidade de crime.

A prova de que os autores do «malfeito» desconhecem o moderno jeito brasileiro de arrastar e continuam confinados ao modus faciendi do século XIX é o fato de se apresentarem mascarados. Fica clara a influência da bandidagem de cinema, popularizada por Holywood desde os anos 30. Isso é coisa de jovens que assistiram demais a programas de tevê.

Caubói mascarado

Caubói mascarado

Imaginem que, para preparar o ataque, os quatro haviam roubado um automóvel na tarde do mesmo dia. Eu disse roubado, não furtado: fizeram descer a proprietária com seu bebê nos braços e levaram o carro.

Terminado o arrastão, os aprendizes não encontraram nada melhor a fazer do que abandonar e incendiar o carro roubado, bem no bairro onde viviam. Espertos, não? Fogaréu, correria, gritos, espanto. Alertada, a polícia chegou rápido, extinguiu as chamas, interrogou testemunhas. Três dos larápios foram logo presos. O quarto, parece história cômica, havia esquecido seus documentos dentro do carro roubado. É de dar dó, coisa de principiantes, tsk, tsk. Não precisou nem a polícia procurar. O elemento se dirigiu ao distrito e se entregou de livre e espontânea vontade.

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É chegada a hora de instaurar um verdadeiro programa de intercâmbio de experiências, digamos, arrastatórias. É uma questão de solidariedade companheira, de dar a mão a quem precisa.

Afinal, o Brasil, que já atingiu patamar de total desenvolvimento e de excelência nesse quesito, tem obrigação moral de prestar assistência a bandidos emergentes como esses da França.

A desigualdade entre as duas sociedades está ficando insuportável.