Quero meu país de volta!

José Horta Manzano

Lei da Copa 3Nossos ingênuos e distraídos dirigentes se deixaram ludibriar mais uma vez. As excelências de nosso parlamento, ao aprovar a Lei Geral da Copa, fizeram como costumam fazer os figurões deste país: assinaram sem ler.

Um alto dirigente partidário, hoje inquilino da Papuda, já tinha avalizado empréstimo sem ler o contrato. Uma antiga ministra de Minas e Energia, hoje inquilina do Planalto, já tinha assinado compra de refinaria sem ler o contrato.

Agora nos damos conta de que nossos parlamentares também votaram uma lei de 114 artigos distribuídos por 152 páginas sem ao menos pedir um resumo, uma sinopse especial para quem tem preguiça de ler. Tivessem tido o cuidado de ler antes de assinar, muitas cláusulas teriam sido contestadas. Ou não.

A Secção I do Capítulo II (Da proteção e exploração de direitos comerciais) da Lei Geral da Copa configura um verdadeiro confisco do sistema de registro de patentes brasileiro. As cláusulas desses artigos botam o INPI para escanteio e instituem a Fifa em seu lugar. A metáfora futebolística cai bem aqui: é como se o jogador titular (o INPI) saísse de campo, e um reserva (a Fifa) tomasse seu lugar. É por tempo limitado, mas o substituto assume plenos poderes ― joga como quer.

A Lei Geral impôs ao INPI que desse tratamento especial às demandas da Fifa, que tratasse seus registros com maior celeridade que o habitual, que reconhecesse de antemão que certas marcas «de alto renome» pertencem à Fifa sem contestação possível.

Copa 14 logo 2Ficamos sabendo agora que, entre duas centenas de expressões de uso corriqueiro, as marcas Brasil 2014, Natal 2014 e Pagode tornaram-se propriedade da Fifa. Portanto, não podem mais ser utilizadas comercialmente por ninguém até o fim do ano 2014. Em países civilizados, nomes geográficos, por razões óbvias, não podem ser registrados. Nomes de festas religiosas ou pagãs, tampouco. É desvario total conceder o registro do nome de nosso país a uma entidade privada, por mais importante que ela seja. A expressão Brasil ― 1500, 1822, 2014 ou seja que ano for ― é propriedade do povo brasileiro. A impossibilidade de registro comercial deveria ser ponto pacífico.

Nossos dirigentes permitiram que vendêssemos nosso próprio nome! Parece pesadelo! Em matéria de privatização, se excederam e ousaram atacar o mais sagrado. Não está longe o dia em que teremos de pedir licença à Fifa para entrar em casa.

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PS: Alguém consegue imaginar algum país civilizado cedendo os direitos sobre seu próprio nome à… Fifa? Pois é.

Um partido fascista

Sebastião Nery (*)

MUSSOLINI
Em 1922, na Itália, Benito Mussolini dizia-se um “líder socialista”. Criou seus camisas negras, seus grupos de assalto, os Fascio, organizou uma Marcha Sobre Roma, recebeu plenos moderes do Parlamento, prendeu seus antigos companheiros Antonio Gramsci, Silvio Pelico, matou milhares, criou o Movimento Social Italiano tendo como pedra angular a “unicidade sindical”, impôs à Itália o regime fascista e se aliou a Hitler. Deu no que deu.

Fanfarrão como o Lula, acabou pendurado de cabeça para baixo, berrando como um bode imundo, em um posto de gasolina.

Charles Chaplin in O Grande Ditador, 1940

Charles Chaplin in O Grande Ditador, 1940

LULA
Lula começou a pôr as unhas de fora. Apareceu como um inofensivo líder sindical, retirante protegido pelo delegado legalista Romeu Tuma, agarrado às batinas da Igreja e às botas do general Golbery. Tantos de nós, direta ou indiretamente, de uma forma ou de outra, o ajudamos.

Fascismo 1Criou o PT, o “Partido dos Trabalhadores”, como se só eles fossem trabalhadores, e a CUT, a Central “Única” dos Trabalhadores, como se só ela representasse os trabalhadores. Era a repetição da “unicidade sindical” de Mussolini.

De repente, Lula convocou o PT a ser um partido fascista sob o comando de seu presidente Rui Falcão ― indisfarçado teórico fascista ― e a “sair para a guerra, guerra total a quem ameaçar a conquista da hegemonia em torno do nosso projeto de sociedade”.

HEGEMONIA
Em política, em matéria de conquista de poder, hegemonia está com toda simplicidade muito bem definida pelo saudoso mestre Houaiss:

Interligne vertical 15Hegemonia: Supremacia ou superioridade cultural, econômica ou militar de um povo… supremacia, influência preponderante… autoridade soberana… liderança, predominância ou superioridade”.

É toda a base do fascismo.

Antes, o PT rosnava. Agora, já começaram a morder. Na TV, o deslumbrado baiano aprendiz de Goebbels (chefe da propaganda de Hitler) João Santana apela para o mais escrachado terrorismo querendo fazer do medo o centro das próximas eleições.

Com Dilma derrapando toda semana nas pesquisas, vaiada toda vez que aparece em público, só podendo mostrar a cara nos fundos do Planalto ou nos convescotes do Alvorada, eles estão com medo de perder as bocas sujas, os conselhos fajutos, as maracutaias passadenas.

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(*) Sebastião Nery é jornalista, advogado e professor. Sua coluna é publicada por jornais de 20 estados brasileiros. www.sebastiaonery.com.br/

Frase do dia — 139

«Quando a Infraero diz que vai “tapear” obras inacabadas ou o Lula chama de “babaquice” a falta de metrô, o brasileiro sente o calafrio: as decisões que influenciam a vida de todos estão nas mãos dessa gente!»

José Anibal, deputado federal, in O Globo, 21 maio 2014.

Suíça: mais um voto

José Horta Manzano

Você sabia?

Caisse maladie 2Diferentemente de outros países, a seguridade social suíça não inclui um seguro de saúde. Pode parecer surpreendente, mas nenhuma estrutura semelhante ao brasileiro SUS existe.

Todos os cidadãos ― patrões, assalariados, autônomos ― são obrigados a contribuir para a caixa nacional de aposentadoria. Os próprios aposentados têm de contribuir caso seus rendimentos ultrapassem um determinado montante. Trabalhadores ocasionais assim como aqueles que recebem jetons de presença também contribuem. Todos calculam conforme a mesma porcentagem.

Essa contribuição compulsória cobre unicamente os benefícios de aposentadoria por idade ou por invalidez. A saúde pertence à esfera privada de cada cidadão.

Caisse maladie 3Apesar disso, a lei estipula que todo cidadão é obrigado a contratar um seguro de saúde. Cada um tem, naturalmente, liberdade de escolher a seguradora que lhe convier e o plano que lhe parecer mais interessante. O que não pode é ficar sem seguro.

Atualmente 60 empresas disputam o apetitoso mercado de seguro-saúde. Cada uma oferece um punhado de planos, desde o mais básico e despojado até os mais sofisticados. Alguns só reembolsam gastos em hospitais públicos, outros cobrem até internação em clínicas de luxo com livre escolha de médico.

Não é um sistema ruim. O cidadão tem uma certa sensação de liberdade de escolha, desconhecida em outras terras. Pode escolher um seguro cheio de limitações mas baratinho. Pode também optar por plano super ultra premium plus ― caro, mas abrangente e confortável.

Mas toda moeda tem dois lados: à liberdade de escolha, contrapõe-se o risco. Dado que as seguradoras são entidades privadas, estão sujeitas aos altos e baixos do mundo dos negócios. Podem quebrar.

Caisse maladie 1Dois anos atrás, uma delas foi à falência. Seus assegurados, que eram dezenas de milhares, sentiram-se órfãos da noite para o dia. Por sorte, uma outra instituição ― um pouco empurrada pelo governo central, é verdade ― recolheu os náufragos e os acolheu em seu rol de clientes. Mas o desfecho podia ter sido bem pior.

Uma petição sobre o assunto, lançada pelo Partido Socialista, conseguiu o número de assinaturas necessário. O povo terá de votar. O governo já marcou o voto popular para 28 de setembro deste ano. Os peticionários propõem a criação de uma caixa nacional de saúde única, em substituição ao amontoado de instituições atuais.

Caisse maladie 4A caixa única aproximaria o sistema suíço do que se pratica habitualmente no mundo. Seria gerida pelo Estado, com regras e tarifas uniformes, válidas para todos os cidadãos. Esse instituto, no entanto, cobriria unicamente os cuidados sanitários básicos: consulta e internação em hospitais públicos, reembolso dos remédios mais habituais.

O caminho continuaria aberto para as outras seguradoras, que quisessem oferecer serviços complementares, tais como livre escolha do médico, internação em quarto particular.

Então, ficamos combinados. Dia 28 de setembro, assim que os cidadãos helvéticos tiverem dado o veredicto nas urnas, não deixarei de lhes dar o resultado de mais uma eletrizante consulta popular.

Frase do dia — 138

«Lula, por boa contingência da vida, conta com transporte terrestre e aéreo à disposição, trata da saúde no Sírio-Libanês e não enfrenta desconfortos do cotidiano.

Nada contra, desde que não faça pouco caso de quem se ache no direito de querer algo além de comida (cara) no prato, serviços públicos de péssima qualidade e apelos à gratidão eterna para um governo que se tem na conta de inventor do Brasil.»

Dora Kramer, em seu artigo Ir a pé ou ir de trem, in Estadão 20 maio 2014.

Vão pousar

José Horta Manzano

Fitch é uma agência de classificação de risco, como é conhecido esse tipo de empresa no Brasil. Em Portugal, prefere-se a denominação de agência de notação financeira. Tanto faz como tanto fez.

Aviãozinho da alegria

A agência Fitch, dizia eu, faz saber que os aeroportos brasileiros passarão no exame do Mundial. Ainda que, em vários dos campos de pouso, reformas ainda estejam sendo feitas, as instalações já prontas deverão dar conta do fluxo esperado no período da «Copa das copas» ― de uns 3,7 milhões de passageiros, entre os quais 600 mil estrangeiros. Quem nos relata é o jornal francês Les Echos.

Vamos torcer para que assim seja. Depois do fiasco que essas agências deram ao não prever a maior hecatombe financeira que o planeta já conheceu desde 1929, todo cuidado é pouco.

Melhor botar as barbas de molho.

Bundeskanzlerin

José Horta Manzano

Você sabia?

Despacho do Der Spiegel anuncia que Frau Angela Merkel, a chanceler federal (Bundeskanzlerin) alemã, conta assistir de corpo presente ao jogo Alemanha x Portugal, previsto para 16 de junho em Salvador, válido pela “Copa das copas”. Vai verificar in loco o que é que a baiana tem.

Sepp Blatter & Angela Merkel

Sepp Blatter & Angela Merkel

A chefe do governo alemão é grande apreciadora de ludopédio(*). Ela não confirma, mas garantem que seu jogador favorito é o bávaro Bastian Schweinsteiger.

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(*) Ludopédio, termo pouco utilizado, é o outro nome do futebol. Combina as raízes latinas ludus (brincadeira, jogo, diversão) e pedis (pé).

Frase do dia — 137

«O governo Lula fez uma jogada arriscada com o Irã ao tentar mediar um acordo nuclear. Imagine se a Turquia resolvesse fazer um acordo entre Argentina e Uruguai. Não tem como.»

Fernando Henrique Cardoso em entrevista concedida à Folha de São Paulo por ocasião da cerimônia em que a Universidade de Tel Aviv lhe concedeu o título de doutor honoris causa. Publicado na edição online de 19 maio 2014.

As urnas helvéticas

José Horta Manzano

Mês passado, eu lhes tinha adiantado que os cidadãos suíços se preparavam para se pronunciar sobre vários assuntos de importância. Entre eles, estava um plebiscito sobre a instituição de um salário mínimo nacional e um referendo sobre a compra de aviões de caça para o exército.

O voto foi ontem, domingo. Talvez alguns de meus distintos leitores já tenham tido notícia do resultado. Mais provavelmente, a enxurrada de eletrizantes acontecimentos brasileiros há de ter roubado a cena e ofuscado todo o resto. Vou contar como ficou.

Salário mínimo
Estes últimos dias, a meio caminho entre a zombaria e a inveja, toda a mídia europeia vinha falando no assunto do piso salarial suíço. Todos ressaltaram o montante: disseram que, se o povo aceitasse a proposta, o país passaria a ter o salário mínimo mais elevado do planeta. É verdade que 4000 francos suíços (algo em torno de dez mil reais) impressiona.

Já na cabeça do eleitor suíço, a questão era outra. Ninguém se impressionou com o montante. O voto era sobre o princípio: um piso salarial nacional deve, sim ou não, ser fixado?

Voto sobre o salário mínimo Resultado de cada cantão

Voto sobre o salário mínimo
Resultado de cada cantão

Visto o custo de vida no país, quatro mil francos (brutos) dão justinho para uma pessoa sozinha. Vida pra lá de modesta, sem fantasias e sem luxo. Para um casal, a coisa aperta um bocado. Vai ser difícil chegar ao fim do mês sem abrir o bico.

O resultado foi inapelável: os suíços botaram pra correr o salário mínimo. Uma maioria de 76% dos votantes desaprovou a ideia. O sim não venceu em nenhum dos cantões. O país vai continuar sem piso salarial legal.

Interligne 28aAviões de combate
O voto deste 18 de maio incluía um referendo sobre a compra de 22 caças Gripen ― de mesmo tipo que os que nosso exército decidiu adquirir. O montante total seria de mais de 3 bilhões de francos suíços, algo entre 7 e 8 bilhões de reais.

O resultado da votação foi mais apertado que o do salário mínimo. Assim mesmo, mais de 53% dos votantes rejeitaram a decisão. As negociações foram arquivadas. Por uns dez anos, no mínimo, nenhum avião de caça será adquirido.

Voto sobre os caças Gripen Resultado de cada cantão

Voto sobre os caças Gripen
Resultado de cada cantão

Num país onde as forças aéreas somente estão disponíveis no horário comercial, faz sentido. Se você não entendeu, leia meu artigo de 18 fevereiro passado. Clique aqui.

Fico a me perguntar se, numa tresloucada hipótese, o governo brasileiro decidisse submeter ao povo a decisão de adquirir os caças Gripen, qual seria o resultado?

Um dia, talvez, cheguemos lá. Por enquanto, vamos desfrutando de nossas novíssimas e portentosas «arenas».

Recordar é viver ― 1

José Horta Manzano

«A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) afirmou nesta quarta-feira (3) que o trem-bala ligando Campinas ao Rio de Janeiro ficará pronto para a Copa do Mundo de Futebol de 2014, que acontecerá no Brasil, pelo menos no trecho entre São Paulo e Rio de Janeiro.

Ela reafirmou que o governo não pretende gastar recursos em estádios e que o foco dos investimentos públicos será em mobilidade urbana nas cidades escolhidas para sediar o evento, definidas no domingo passado (31/05).»

Artigo de Eduardo Bresciani, publicado no site do jornal O Globo, em 3 junho 2009.

Quem acreditou se estrepou.

De camisa florida

José Horta Manzano

Você sabia?

Palmeira 1Se eu lhes perguntar qual é o país mais visitado do mundo, que é que me responderão? Pois eu lhes conto: em números absolutos, a França, com 83 milhões de visitantes, ganha de longe.

Mas há uma outra resposta. Se considerarmos a quantidade de turistas como porcentagem da população residente, o panorama é mais nuançado. Com magros 800 habitantes, o minúsculo Estado do Vaticano ganha disparado, milhas à frente do segundo classificado. Cinco milhões e meio de estrangeiros passam por lá a cada ano, o que dá 6500 visitas por habitante. Uma enormidade.

Há que conceder que mini- e microestados falseiam as estatísticas. São ponto fora da curva ― expressão em voga atualmente. Melhor observar o que se passa em países de tamanho habitual.

Pelo critério de visitantes como porcentagem da população, os países europeus são campeões. Em primeiro, aparece a Áustria que, com população de 8 milhões e meio, acolhe 24 milhões de visitantes a cada ano. Dá quase três turistas por habitante! Logo atrás, vem a Croácia, destino apreciado para as férias de verão. No total, uns dez estados europeus recebem turistas em número superior ao de sua própria população.

Turismo no mundo Fonte: The Telegraph, UK

Turismo no mundo
Fonte: The Telegraph, UK

E como é que ficam as Américas? Ao norte, o Canadá se sai bem: os visitantes representam 46% da população. Os EUA, onde os forasteiros de passagem equivalem a 21% da população também não podem reclamar. As Antilhas são constituídas por microestados, fato que perturba o resultado estatístico.

Vamos falar da América do Sul. Quem seria o campeão? Difícil adivinhar, não é? Pois é nosso vizinho Uruguai. Visitantes representam 80% da população do país. Atrás dele, está o Suriname (45%). A Guiana (22%), o Chile (20%) e a Argentina (14%) seguem mais descolados.

E nosso país, como é que anda? Pois saibam que fica na rabeira da classificação continental, em penúltimo lugar. Os 5 milhões e meio de pessoas que visitam o Brasil perfazem apenas 2,86% da população local. Pior que nós, só a Venezuela.

Turismo 2E por que um afluxo de turistas tão diminuto em nossas terras? A lógica ensina que, quanto maiores forem os atrativos turísticos, mais visitantes virão. O Brasil tem beleza natural de sobra, cachoeiras, praias, pantanais, sol, calor. O que é que atravanca a vinda de mais gente?

A distância não há de ser: China, Nova Zelândia, Chile ― todos longe dos grandes centros emissores ― recebem proporcionalmente mais turistas que nós. Até Paraguai e Bolívia nos ultrapassam.

Não tenho respostas, infelizmente. Tenho apenas conjecturas ― e elas não são nada risonhas.

Interligne 18b

Obs 1: Os dados vêm da Organização Mundial do Turismo, órgão da ONU, e se referem ao ano de 2012.

Obs 2: Vale a pena examinar de perto o resultado de cada país. Clique no mapa para ter acesso ao site do jornal inglês The Telegraph. Em seguida, uma clicada em cada país vai-lhe dar a população, o número de visitantes e a porcentagem.

Visão panorâmica

José Horta Manzano

Aproveitando o fim de semana, vamos dar uma espiada em torno pra ver o que é que andam dizendo de nós.

Le Brésil reste sur un chaudron social
O Brasil continua em cima de um caldeirão social
Manchete do diário argelino Liberté, num apanhado da convulsão social que sacode o país-sede da «Copa das copas».

Interligne 28aBrasilien: protester mot VM-2014 växer
Brasil: protestos contra Copa-14 crescem
Manchete do site A Voz da Rússia, em sua versão em língua sueca. Traz um relato dos protestos do dia 15 de maio.

Interligne 28aBrasilien im Chaos ― Vier Wochen vor der WM: Panzer am Strand!
Brasil em caos ― Quatro semanas antes da Copa: tanques de guerra na praia!
Reportagem do sensacionalista Bild, o jornal de maior circulação na Alemanha. Conta o que aconteceu quando da greve de policiais no Recife.

Interligne 28aMundial en Brasil, ¿una pesadilla para los viajeros?
Copa no Brasil: um pesadelo para os turistas?
Artigo do Forbes (edição mexicana) sobre os desafios que os turistas que visitarem o Brasil durante a Copa deverão enfrentar.

Interligne 28aIl Brasile rischia di perdere le Olimpiadi 2016
O Brasil está arriscado a perder as Olimpíadas de 2016
Artigo intrigante do Il Secolo XIX, tradicional diário de Gênova, Itália. Revela rumores de que, à vista do atraso na preparação da infraestrutura, o CIO (Comitê Internacional Olímpico) estaria estudando um plano B: a transferência dos jogos de 2016 do Rio para Londres.

Interligne 28aLe Mondial de tous les dangers
A Copa de todos os perigos
Artigo do jornal francês L’Alsace. Dá uma visão dos acontecimentos recentes e diz textualmente: «Infelizmente, a um mês do início da competição, a escolha do Brasil para acolher a Copa aparece como aposta de alto risco, transformando esta edição no «Mundial de todos os perigos».

Interligne 28aBrasilien: Fußball statt Schule
Brasil: futebol em vez de escola
Manchete de reportagem da rede de televisão Euronews (versão alemã). O texto descreve a comoção que toma conta do Brasil. O título sintetiza.

Copa das copas 2Quando «lutaram» para que a organização da Copa fosse atribuída ao Brasil, nossos medalhões tinham duas intenções:

Interligne vertical 141) dar uma dentadinha (ou dentadona, depende do apetite) onde fosse possível;
2) mostrar ao mundo a imagem de um Brasil evoluído, rico, poderoso, harmônico, feliz.

Ninguém tem dúvida quanto à primeira intenção: foi amplamente alcançada. Já quanto à segunda… ai, ai, ai.

Mas os figurões devem estar se lixando. Já levaram seus trocados. A vergonha fica para nós.

Olhar italiano

José Horta Manzano

A ANSA ― Agenzia Nazionale Stampa Associata ― é a mais importante agência italiana de notícias. Seu site apresentou, alguns dias atrás, um retrato cru dos preparativos para a «Copa das copas». Cru, mas verdadeiro, não há que contestar.

Crédito: Guilherme Bandeira www.olhaquemaneiro.com.br

Crédito: Guilherme Bandeira
olhaquemaneiro.com.br

Começa contando que, a um mês do apito inicial do campeonato, o Brasil já ganhou a copa dos atrasos e do desperdício. Refere-se a obras previstas e nunca realizadas como o trem-bala Rio-SP ou o futurístico monotrilho do centro de Brasília ao estádio. Há ainda obras inacabadas, como três dos doze estádios. A isso tudo há que adicionar os custos faraônicos, que superam amplamente o que se gastou com a copas da Alemanha e da África do Sul reunidas.

O artigo pondera que, no pesado balanço, ainda tem de ser debitada a perda de nove vidas nos trabalhos de construção. Diz também que esse conjunto de trapalhadas suscitou um vasto descontentamento em muitas camadas da sociedade, gente que teria preferido ver esses fundos utilizados para melhorar serviços de saúde, instrução e transporte.

O autor explica que, quando festejou a atribuição da Copa ao Brasil, sete anos atrás, o Lula pretendia mostrar ao mundo o progresso econômico e social do País. Não podia prever a série interminável de incidentes e de acontecimentos negativos que acabaram projetando ao exterior a imagem do Brasil como gigante de pés de barro, incapaz de programar e de organizar um evento de alcance mundial.

Copa 14 logo 2Referindo-se à Copa das Confederações de 2013, o texto assinala que a competição será pouco lembrada pelo futebol e muito mais por causa das «oceânicas» manifestações de protesto contra o dinheiro público gasto por Dilma Rousseff para a Copa, enquanto os serviços públicos brasileiros não estão à altura de um País que reclama o direito de acesso ao restrito clube das grandes potências.

O articulista fecha seu escrito recordando que a torcida (em português no texto) espera que a Selecao jogue e vença a final. Mas Dilma, em constante queda nas pesquisas, terá um motivo a mais para torcer.

Quem viver verá.