Nossa elite dirigente

Dilma, Cristina, Evo e Bouterse

Dilma, Cristina, Evo e Bouterse

«Definitivamente, somos o elo perdido que os cientistas tanto procuram para fazer a ligação entre o período jurássico e a era moderna…»

Comentário de um leitor do blogue do jornalista Políbio Braga ao contemplar a foto estampada acima.

Quem quiser saber quem é o presidente do atual Suriname (antiga Guiana Holandesa), não deve deixar de ler o editorial do Estadão de 8 set° 2013. É edificante.

Inimigos médicos

Percival Puggina (*)

Quando viu o povo na rua, cobrando atenção à Saúde Pública, Dilma adotou prática tão antiga quanto namorar no portão. Escolheu um inimigo e o apontou à sociedade: os médicos brasileiros. A partir daí, jogou contra eles os raios e trovões que conseguiu recolher em seu repertório.

A saúde pública tem problemas. Falta atendimento, dinheiro, leitos. São longas as filas. Espera-se meses por um exame e anos por uma cirurgia. De quem é a culpa? Segundo a presidente, a culpa é dos médicos. Sua Excelência cuidou de passar à sociedade a impressão de que eles preferem viver nos grandes centros não porque ali estejam os melhores hospitais, laboratórios e equipamentos, mas porque ali estão os melhores restaurantes, clubes e cinemas. Foi para a tevê tecer ironias com o fato de que os primeiros a fazerem opções no “Programa Mais Médicos” preferiram localidades litorâneas. A compreensão dessa mensagem pelos sem discernimento (estamos falando de dezenas de milhões) fica assim: os doutores gostam, mesmo, é de praia.

Através dessas paquidérmicas sutilezas, o governo tenta convencer a sociedade de que os médicos não vão para as pequenas comunidades porque se lixam para as carências com que ele, governo, se preocupa. Opa! Preocupa-se agora, preocupa-se depois das vaias, preocupa-se depois das passeatas. E esquece que, pelos mesmos motivos, milhões de outros profissionais também preferem trabalhar em centros urbanos mais dinâmicos. Identificado o inimigo, a presidente partiu para o ataque. Criou um 2º ciclo de formação médica, obrigatório, a serviço do SUS, com duração de dois anos, a ser prestado onde houver necessidade. Fez com que os médicos perdessem a exclusividade de diversas atribuições relativas a diagnósticos e prescrição de tratamentos. Jogou na lixeira a insistente e lúcida recomendação no sentido de que seja criada na área médica uma carreira de Estado, semelhante à que existe para as carreiras jurídicas. Explico isso melhor: espontaneamente, nenhum juiz ou promotor vai solicitar lotação em Paranguatiba do Morro Alto. No entanto, como etapa de uma carreira atraente e segundo regras bem definidas, sim. É desse modo que se resolvem as coisas numa sociedade de homens livres.

Nada revela melhor a vocação totalitária do partido que nos governa do que este episódio. É uma vocação que dispensa palavras, que atropela leis e se expressa nas grandes afeições. Cubanas, por exemplo. A vinda dos médicos arrematados em Castro & Castro Cia. Ltda. permite compor um catálogo de transgressões aos princípios da liberdade individual, da dignidade da pessoa humana, da justiça, da equidade, da proporcionalidade, do valor do trabalho. Repugna toda consciência bem formada a ideia de que um país possa alugar seus cidadãos a outro, enviá-los aos magotes como cachos de banana, beneficiar-se financeiramente dessa operação em proporções escandalosas e ainda fazer reféns as respectivas famílias por garantia da plena execução do mandado. E há quem afirme que toda oposição a uma monstruosidade dessas é “preconceito ideológico”! Pois eu digo diferente: acolher como louvável semelhante anomalia política é coisa que só se explica por desvio do juízo moral.

Dilma e os seus gostariam de dispor dos brasileiros como coisas suas, assim como os Castro dispõem dos cubanos. Sendo impossível, buscam-nos lá, do mesmo modo como, antigamente, eram trazidos escravos das feitorias portuguesas no litoral africano.

(*) Arquiteto, empresário e escritor

Entra, sortudo

Dad Squarisi (*)

Quem quer? Nove em cada 10 brasileiros levantam a mão. Querem entrar no serviço público. A Constituição de 88 lhes deu um senhor estímulo. Tornou QIs & companhia apadrinhada práticas obsoletas como carteiradas e crachás de autoridade. A única porta de acesso é a seleção aberta a todos os interessados. Só os melhores entram.

A novidade despertou ambições. Criou a indústria dos concursos. Cursos preparatórios enriquecem empresários de norte a sul do país. Não são poucos os candidatos que abandonam o emprego e se dedicam aos estudos em tempo integral. Viraram profissionais. Concursandos passaram a ser chamados de concurseiros.

Concurseiro

Concurseiro

Nada mau. O Estado precisa de profissionais qualificados pra responder aos desafios de uma administração cada vez mais complexa. Recrutá-los com base na meritocracia, porém, tem sido tarefa turbulenta. O pomo da discórdia reside no processo de seleção. Falta seriedade e sobra amadorismo em entidades que organizam o certame.

Falhas em editais, organização e aplicação das provas constituem regra. Com frequência batem à porta da polícia e acabam na Justiça. O mais grave, porém, é a qualidade da cobrança. Qual a relevância, em concurso para nutricionista, saber o estado de origem da Luiza, garota que teve 15 minutos de fama na internet? Ou a frase final do livro sobre os affairs de Bill Clinton na Casa Branca?

As questões tropeçam em conteúdo e forma. Malformuladas, trombam de frente com a clareza e atropelam vírgulas, concordâncias, regências, colocações. A correção não fica atrás. Enchergar, trousse e rasoavel fazem a festa com receitas de miojo e nós pesca o peixe . Resultado: passa o sortudo. O injustiçado chora. Faz companhia ao contribuinte, que paga e não leva. Reclamar ao bispo? Qual o quê! Melhor engrossar o grito das ruas.

(*) Dad Squarisi, formada pela UnB, é escritora. Tem especialização em linguística e mestrado em teoria da literatura.

Bienvenidos, señores!

Semana passada, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, no intuito de tranquilizar os médicos estrangeiros recém-chegados, lançou-lhes um «Não sintam vergonha de não saber falar português».

Tem razão, nós já tivemos até um presidente que não sabia. E que nunca se envergonhou.

De asilo & de embaixadas

«Em junho de 1957, Juscelino nomeou embaixador em Portugal o inesquecível pernambucano Álvaro Lins, dos nossos maiores intelectuais.

Em janeiro de 1959, Álvaro deu asilo na embaixada ao general Delgado, que Salazar queria matar porque Delgado tinha saído candidato a presidente da República. Salazar ameaçou invadir a embaixada. Álvaro Lins resistiu. Quando o general deixou a embaixada para disputar, Salazar o matou.

Serra, Weffort, Teotônio Santos, Cesar Maia, José Maria Rabelo, tantos poderiam ter sido mortos no Chile se não tivessem tido asilo dos EUA, da França, da Alemanha, do México contra Pinochet que poderia matá-los. Metade do governo Dilma não existiria se não houvesse asilo político.

Dilma não pode desmoralizar a tradição de asilo do Brasil, punindo o bravo embaixador Saboia, que salvou a vida do senador Molina, só para atender a um presidente que na Bolívia é chamado Evo “Imorales”.»

Do blogue do jornalista Sebastião Nery.

Dilma enfezada

Citando o sempre bem informado Diário do Poder de Cláudio Humberto, o jornalista Políbio Braga conta um fato ocorrido quando a presidente voltava de uma viagem aos Estados Unidos. Aqui está o relato.

«Dilma integraria a família dos Angry Birds como mais enfezada do que o próprio Red.

A fama de enfezada, irascível e má parece ter apanhado de vez a presidente Dilma Rousseff, porque a cada dia somam-se fatos que comprovam os maus bofes da líder do PT. As notas a seguir são do jornalista Claudio Humberto, todas postadas no seu Diário do Poder desta segunda-feira:

• DILMA, A ENFEZADA, LARGOU TRADUTORA NO PANAMÁ ― A presidenta Dilma não demitiu antes o ex-chanceler Antonio Patriota por achar que “todos são a mesma coisa”, com diz dos diplomatas. Mas tratava mal a todos, como a tradutora em visita aos EUA que Dilma detestou. Para se vingar do Itamaraty pela viagem pífia, ela abandonou a tradutora no aeroporto da Cidade do Panamá, após escala na viagem de volta. Os colegas da moça, diplomatas, ficaram revoltados.

• IMPLACÁVEL ― A escala para reabastecer demorou menos que previsto. Dilma mandou o avião decolar, mesmo sabendo que a tradutora ainda não retornara.

• SEM DOCUMENTOS ― A tradutora, que havia desembarcado para procurar uma farmácia, foi abandonada no Panamá sem passaporte nem malas. Dilma se divertiu.

• QUE SE VIRE ― O Airbus taxiava quando assessores ponderaram que a tradutora, sozinha, sofreria o diabo no Panamá. E Dilma: “O problema é dela”.»

Frase do dia ― 28

«Eu também tenho um sonho. Sonho com o dia em que milhões de exemplares do discurso de Martin Luther King sejam distribuídos, clandestinamente, como material subversivo nas escolas brasileiras.»

Demétrio Magnoli, in Estadão, 29 ago 2013

Juridiquês, pra que te quero?

Dad Squarisi (*)

Os advogados se especializam no jurisdiquês. Os economistas, no economês. Os pedagogos, no pedagogês. Os programadores, no informatiquês. O nome dessas e de falas do mesmo time têm clara intenção pejorativa. Traduz a linguagem rebuscada, cheia de floreios e marcada pela ânsia de exibição. «Viu como sou erudito?», parece perguntar o profissional que acredita no quanto mais prolixo melhor.

Não é sem razão. Entre nós há uma unanimidade. Adoramos gente que fala bonito. Manipular palavras com esmero é pura sedução. Com ela sonhamos todos nós. A fluência verbal abre portas. Dirime controvérsias. Conquista adeptos. O orador desenvolto fala de improviso. Cativa plateias. É o maior.

O encantamento vem das palavras. Não tem nada a ver com o significado. É comum ouvir o suspiro de um deslumbrado. Depois o comentário: «Que maravilha! Como ele é culto! Não entendi muita coisa. Mas ele fala tão bem…» A adoração fica por conta do falar. Não do dizer.

Os políticos sabem disso. Falam bonito. Não poupam vênias e excelências. Períodos longos, mil orações intercaladas, metáforas, desvios pra lá e pra cá, imagens, vale tudo. No final, a gente não entende muito bem o recado. Mas bate palmas.

Fernando Sabino contou um caso ilustrativo. Passa-se na Câmara. Era quinta-feira, dia de plenário e galerias lotados. O deputado dirigiu-se à tribuna. Cumprimentou o excelentíssimo senhor presidente e os nobres parlamentares. Depois, partiu para o improviso.

Começou mal: «Não sou daqueles que…» Pintou a dúvida. O verbo vai para o plural? Ou será singular? Falou que falou. Intercalou frases. Fez comparações. Enrolou de montão. Nada. A oração continuava sem verbo. Com o tempo esgotado, pediu mais um minuto. Sem se decidir por um ou outro número, concluiu: não sou daqueles. Tenho dito. A sala desabou de aplausos.

Blá, blá, blá!

Blá, blá, blá!

Como explicar a verbolatria? «O brasileiro desconfia do que entende», diagnosticou Nelson Rodrigues. «O brasileiro tem alma de vira-lata», deduziu Glauber Rocha. «Sempre se sente diminuído.» Antônio Cândido explicou o fenômeno. Chamou-o deslumbramento do colonizado.

É mais ou menos isto: quando os portugueses chegaram aqui, encontraram índios. Depois vieram os escravos. Uma massa de analfabetos formava o grosso da população. Os poucos portugueses ou descendentes que iam à Europa estudar voltavam com a cabeça feita. Tinham vergonha do que viam. Não era aquele o mundo onde poderiam exibir todo o conhecimento acumulado em Lisboa, Paris ou Londres. Para quem escrever? Para quem falar?

O jeito era esquecer o Brasil, feio, pobre, explorado e atrasado. Fizeram uma mágica. O corpo ficaria aqui, mas os olhos lá. Quando falavam ou escreviam, dirigiam-se a um público imaginário — culto e refinado. Era uma boa. A realidade que não queriam enxergar ficava cada vez mais longe.

A moda quase se perpetuou. Mas não há mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe. O país se urbanizou. A população teve acesso à escola. O saber se amplia em progressão geométrica. Mas o dia mantém as 24 horas. Livros, jornais, revistas, internet, e-mails, tevês, cinemas, família, trabalho — falta tempo para tantos apelos.

O jeito? É simplificar. Primeiro mandamento: respeitar os minutos do outro. Segundo: ser conciso. Cultivar a economia verbal — sem prejuízo da completa e eficaz expressão do pensamento — não significa ser lacônico, mas denso. Opõe-se a vago, impreciso, verborrágico.

No estilo denso, cada palavra conta. O jurisdiquês, claro, entra na fatura. Mas tem hora e vez. Valem as palavras do ministro Edson Vidigal: «Jurisdiquês é como latim em missa. Acoberta um mistério que amplia a distância entre a fé e o fiel. Do mesmo modo, entre o cidadão e a lei».

(*) Dad Squarisi, formada pela UnB, é escritora. Tem especialização em linguística e mestrado em teoria da literatura.

Frase do dia ― 27

«Dilma, que discursou de costas para uma estátua de Tancredo, ressaltou sua mineiridade e, com a profundidade que lhe é característica, disse que escolheu São João del-Rei para o evento porque foi lá que nasceram “grandes brasileiros e brasileiras”.»

A presidente da República quando de sua visita à cidade natal de Tancredo Neves. In Estadão, 26 ago 2013.

Sintonia com o 13 de maio

José Horta Manzano

A pluma crítica do arguto Elio Gáspari assesta, este domingo, um tiro certeiro na promiscuidade, cada dia mais visível, entre o atual governo brasileiro e a dinastia cubana. Sinto-me extremamente honrado de fazer parte do mesmo clube que o grande jornalista da Folha.

Com um tom bem menos aveludado que o meu, Gáspari vai direto ao ponto. Aqui está um excerto do artigo:

Interligne vertical 10«O ADVOGADO-GERAL DE FIDEL CASTRO

O doutor Luís Inácio Adams informou que os médicos cubanos que vêm para o Brasil não terão direito a asilo político caso queiram se desvincular da ilha comunista. Nas sua palavras: “Me parece que não têm direito a essa pretensão. Provavelmente seriam devolvidos”.

Num país que teve um presidente asilado (João Goulart) e centenas de cidadãos protegidos pelo instituto do asilo, Adams nega-o, preventivamente, a cubanos. Isso numa época em que o russo Vladimir Putin concedeu asilo a um cidadão acusado pelo governo americano de ter praticado crimes e a doutora Dilma tem um asilado na embaixada brasileira em La Paz. Noves fora a proteção dada a Cesare Battisti, acusado de terrorismo pelo governo italiano.

A tradição petista vai na direção desse absurdo. A Polícia Federal já deportou dois boxeadores cubanos durante a gestão do comissário Tarso Genro no Ministério da Justiça. (Eles foram recambiados e fugiram de novo.)

O próprio governo castrista já permitiu a saída de cidadãos para a Espanha. A vigorar a Doutrina Adams, o Brasil transforma-se numa dependência do aparelho de segurança cubano.»

A sequência está na Folha de São Paulo de 25 ago 2013.

Frase do dia – 26

«Coloquei o capacete e saí andando de moto pelas ruas de Brasília.»

Cândida confissão de dona Dilma, que assim solidifica sua imagem de «garçon manqué», in Folha de São Paulo, 23 ago 2013

Adendo linguístico:
A expressão «garçon manqué», de uso muito difundido, corresponde ao inglês «tomboy», ao espanhol «marimacho», ao italiano «maschiaccio». Os lusos costumam dizer «maria-rapaz». Nenhuma dessas expressões é ofensiva. Não me ocorre um termo do falar brasileiro para designar a mulher de modos pouco femininos.

Frase do dia – 25

«A cada gesto de intransigência, intolerância e autoritarismo, o ministro Joaquim Barbosa assenta um tijolo no mausoléu de sua suposta candidatura presidencial.»

José Roberto de Toledo, in Estadão 19 ago 2013

Frase do dia – 24

«O representante da empresa que detém todos os direitos sobre a seleção brasileira até 2022, a ISE, faz parte da lista dos empresários suspeitos de envolvimento com os escândalos da compra de votos para a eleição na Fifa e mesmo para a escolha da Copa de 2022 no Catar.»

Jamil Chade, em edificante artigo publicado no Estadão online, 17 ago 2013

Frase do dia – 23

«(…) Dilma declarou que no primeiro semestre deste ano “… criamos 826 mil empregos com carteira assinada”. Exceto pelos empregos criados na área estatal pelo governo, quem cria empregos aqui, na Terra, é a economia (…)»

Roberto Macedo, in Estadão 15 ago 2013

Surpreendente

«A secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Regina Maria Filomena de Luca Miki, foi assaltada ontem à tarde (…)»

Felipe Souza e Josmar Josino in Folha de São Paulo, 12 ago 2013.

Frase do dia – 21

“É impossível jogar bem num estádio que custou 800 milhões [de euros] e que fica a 100 metros de uma favela com 120 mil pessoas, das quais 20% estão sem comida”

Cesare Prandelli, selecionador do time nacional italiano de futebol, in Folha de São Paulo, 8 ago 2013, mostrando que a desigualdade, que já não enxergamos, continua escandalizando os visitantes estrangeiros.

Pra que lado eu corro?

José Horta Manzano

Salsicha

Fabricação de salsicha

«Gesetze sind wie Würste, man sollte besser nicht dabei sein, wenn sie gemacht werden»

Leis são como salsichas: é melhor não estar por perto quando são fabricadas.

Citação atribuída a Otto von Bismarck (1815-1898), homem político alemão.

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Decididamente, há um bocado de esquizofrenia na maneira como o governo brasileiro vem-se comportando com relação às revelações públicas de espionagem americana.

Lado A
Pela pluma de Denise C. Marin, o Estadão de 8 de agosto nos informa que o Planalto está disposto a dar «proteção» ― seja lá o que isso signifique ― a um jornalista americano. Note-se que o homem a quem se está propondo proteção não a solicitou. Oferecer blindagem a quem não pediu é prática utilizada sistematicamente por organizações mafiosas. Vindo de um governo, é menos usual.

Mas essa é uma outra história. Soaria artificial se eu comparasse a proteção garantida pelo Estado brasileiro a estrangeiros divulgadores de segredos de Estado com o pizzo extorquido por chefes de clã sicilianos em troca de defesa e segurança.

O jornalista é cidadão americano, vive no Brasil e oficia como correspondente do jornal londrino The Guardian. Andou escrevendo, no respeitável periódico para o qual trabalha, aquilo que todos já sabiam sem que estivesse escrito. Disse simplesmente que espiões espionam.

É uma das práticas mais antigas do planeta. Ela começa com vizinhos, que se espreitam através das frestas da veneziana. Passa por camelôs, firmas comerciais, indústrias, que se espiam como podem, com maior ou menor classe. E chega até países, que se espionam mutuamente com a sofisticação de que são capazes.

Todos fazem isso. Não é o fato de não se falar de um fato que faz que ele não exista. Não se costuma falar de espionagem, mas a realidade é que ela sempre existiu e sempre existirá. De certas coisas, não convém falar. Ponto e basta. É como a fabricação de salsichas: mais vale não conhecer detalhes.

Lado B
O mesmo artigo do Estadão nos dá conta de que o governo brasileiro anda preocupado com a visita aos EUA, que dona Dilma tem programada para o mês de outubro. Nestes tempos de popularidade escassa, na falta de uma recepção com chuva de papel picado na Quinta Avenida, umas fotos sorridentes ao lado de Obama fariam grande bem a nossa mandachuva.

Essa é sem dúvida uma das razões que explicam esse comportamento «morde e assopra» do governo brasileiro. Com a China desacelerando, é prudente não levantar muito a crista perante um de nossos maiores clientes.

Rica de informações, a matéria do jornal ainda informa que o Brasil está propenso a retomar com os EUA as negociações, emperradas faz quase 15 anos, sobre o compartilhamento da base de lançamento de Alcântara. Compartilhar com o inimigo que nos espiona! Quem diria…

Conclusão I
Que o país que nunca espionou nenhum outro atire a primeira pedra! Essa lapidação não periga acontecer.

Conclusão II
Essas «revelações» feitas por iluminados ou por surtados podem causar algum espalhafato mas não abalam a marcha do mundo. Se a História guardou o nome de alguns espiões famosos tais como Judas, Mata Hari, Joaquim Silvério dos Reis, Günter Guillaume, não há registro de denunciadores de espiões.

Com ou sem «proteção» do Estado brasileiro, a glória desse senhor será efêmera.

Interligne 37b

Frase do dia – 19

Interligne vertical 10«Um país que construiu mais sedes que eram exigidas, estádios com dinheiro público e, em alguns casos, em lugares sem um time de futebol. O relato poderia ser uma explicação sobre o comportamento do Brasil para a Copa 2014. Mas, na realidade, é a situação de Portugal quando se preparou para sediar a Eurocopa de 2004.»

Jamil Chade, in Estadão 5 ago 2013

Vale a pena ler o artigo inteiro.