Espaço perdido

Carlos Brickmann (*)

Por falta de pagamento, o Brasil foi suspenso do ESO ‒ Observatório Europeu do Sul. O Brasil tinha pedido entrada no ESO no final de 2010, e o pedido foi aceito por unanimidade.

O acordo foi assinado em 2011 e aprovado no Congresso em maio de 2015. Mas pagamento, que é bom, não foi feito: participar do ESO custa algo como 270 milhões de euros, parcelados em dez anos (às cotações de hoje, a quantia chega perto de US$ 1 bilhão).

Mesmo antes de pagar, o Brasil tinha livre acesso a três observatórios astronômicos instalados no deserto do Chile, mantidos e administrados por países europeus, asiáticos, Canadá e EUA.

E por que não foi pago? O Governo não diz que temos reservas de quase 400 bilhões de dólares?

(*) Carlos Brickmann é jornalista, consultor de comunicação e colunista.

O país do molha a mão

Carlos Brickmann (*)

A procuradora-geral Raquel Dodge disse, ao tomar posse, que o povo “não tolera a corrupção”. Sua Excelência está certa, mas na frase faltou um pedacinho que lhe daria mais precisão: o povo não tolera “a corrupção dos outros”. O problema não somos nós, mas aqueles safados que condenamos.

Uma entidade séria, a Transparência Internacional, em pesquisa agora divulgada, mostrou que 11% dos brasileiros admitiram pagar propina para ter acesso a serviços públicos como saúde, educação, segurança, emissão de documentos. Detalhe interessante: a pesquisa se realizou na época do impeachment da presidente Dilma Rousseff, com manifestações de massa contra a corrupção do governo. Petrolão, não; mas tudo bem molhar a mão.

As respostas positivas, em que tanta gente confessa não apenas seu hábito de transgredir a lei como o desprezo pelos que protestam contra isso, são obviamente verdadeiras: ninguém mente ao confessar que age fora da lei. Portanto, se as autoridades pensam ter apoio do povo para combater os atos mais comuns de corrupção, podem ir desde logo mudando de ideia.

A pesquisa, porém, traz aspectos mais positivos. Dos brasileiros, 81% garantem que, se presenciassem um ato de corrupção, denunciariam. Claro que até agora ninguém o fez, exceto em troca de algum tipo de perdão dos suculentos – em alguns casos, tão bons que vale a pena até assumir a culpa de um crime. Mas é bom sinal. Quem sabe um dia?

(*) Carlos Brickmann é jornalista, consultor de comunicação e colunista.

Ooops!

Carlos Brickmann (*)

MitraCerto dia, alguém liberou, na France Presse de Paris, a prematura notícia da morte do papa Paulo VI. Na Rádio Bandeirantes, uma das principais emissoras do país, o excelente locutor Lourival Pacheco, que estava no ar, deu a informação.

A emissora já entrava com o aparato fúnebre (biografia, música sacra, personalidades dando depoimentos sobre a perda, prognósticos sobre os possíveis sucessores) quando chegou de Paris a informação de que tudo tinha sido um engano.

Lourival Pacheco, preocupado em esclarecer a situação para os ouvintes, empostou sua esplêndida voz e corrigiu: “Lamentamos informar que, infelizmente, o papa não morreu”.

(*) Carlos Brickmann é jornalista, consultor de comunicação. Publica a Coluna Carlos Brickmann em numerosos jornais. O texto aqui reproduzido é fragmento da coluna.

 

Comprimento e largura

Carlos Brickmann (*)

Biblioteca 2História sem fim
Os casos vão longe. Numa reportagem de Turismo, fala-se num hotel-biblioteca para hóspedes que apreciam leitura. Esses hóspedes – e leitores – são submetidos logo na entrada da matéria a uma legenda, “Amantes de livros nunca vai para a cama sozinhos”. Sozinha, no singular, abandonada, só mesmo a concordância.

Mas continua: informa que no hotel há um ‘lounge’ chamado “Refúgio do Escritor”, que “à noite serve drinques com nomes ligados à literatura”.

Notável: o ‘lounge’ , que em português significa algo como sala de estar, é tão inteligente e prestativo que até serve drinques. Que maravilha!

E o leitor que aprecia livros, que gosta de leitura, que é que achará desse texto?

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Vício de origem
Lembra daquele documento que vazou da Secom, Secretaria de Comunicação do Governo Federal, e derrubou o ministro Thomas Traumann? No documento, defendia-se a interferência partidária no noticiário da Agência Brasil. Pois é. Em 3 de abril, às 11h46, matéria publicada pela Agência Brasil sob o título “Primeiro-ministro de Israel diz que Irã tem como único objetivo a bomba atômica”, era assinada pela Agência Lula.

Errinho bobo, nada além disso. O correto seria “Agência Lusa”. Mas imagine-se o que andava pela cabeça do redator para cometer esse errinho bobo.

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Estudante 2Estudar é preciso
O grande Percival de Souza, já na época um dos maiores repórteres policiais do país, chegou à conclusão de que não poderia aperfeiçoar suas matérias sem aperfeiçoar-se em Direito. Entrou na faculdade e se formou. Em suas matérias, o juiz não “pede”, determina. Mandado é mandado, e mandato é mandato. A polícia prende, mas cumprindo ordens do juiz, que é quem expede o mandado. Incomum: ainda outro dia, um jornal de tevê de uma grande rede informava que a Polícia Federal estava “expedindo mandados de prisão”. Nesse turbilhão de operações, o que sai de informação incorreta é uma festa.

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Retalhos
● De um grande portal noticioso, ligado a grande grupo jornalístico:
“40% das policiais mulheres do país já sofreram assédio”
Se a frase fala das policiais, não fica claro que são mulheres?

Avião 7● De um importante portal noticioso, sobre chegada ao Brasil de novo modelo de jato de passageiros:
“O aparelho tem 64 metros de largura por 67 de comprimento”.
Ou seja, é praticamente quadrado. O primeiro avião do mundo com formato de caixote. (1)

● De importante coluna informativa de um grande jornal impresso:
“A ‘operação padrão’ dos agentes fiscais de rendas do Estado de São Paulo (…) provocou queda de 14% no número de autos de infração e de multas no primeiro trimestre. Foram 3.367 autuações por dívidas com impostos, ante 2.891 no mesmo período do ano passado”.
Este colunista é do tempo em que 3.367 era número maior que 2.891.

 

Rir 5Frases
● Da internauta Ludmila Rodrigues:
Acredito que a preguiça pode ser uma coisa boa. Se não fosse ela, eu estaria lá na cozinha quebrando a dieta.

● Do jornalista Sandro Vaia, sobre a rala manifestação da CUT em São Paulo no dia 7 de abril:
Hoje na Paulista, um transeunte distraído perguntou: o que é isso, jogo da Lusa?

● Do jornalista Luiz Weis, citando texto do ensaísta Charles Simic publicado em 1993 na revista americana The New Republic:
A atitude da mídia diante da complexidade dos assuntos é a mesma da Inglaterra vitoriana diante da sexualidade: uma coisa da qual as pessoas precisam ser protegidas.

● Do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, sobre as dificuldades do governo para aprovar o ajuste fiscal:
Responsabilidade fiscal é igual a sapato branco. Só é bonito no pé dos outros

Tres patetas 1● Do jornalista Palmério Dória:
Pepe Vargas está credenciado a compor um quadro como o quarto dos Três Patetas.

● Do jornalista Cláudio Humberto
O projeto nem foi aprovado, mas Dilma fez questão de ser a primeira a aderir à nova proposta de terceirização. Terceirizou a economia para o ministro Joaquim Levy e a política para o vice, Michel Temer.

(*) Carlos Brickmann é jornalista, consultor de comunicação. Publica a Coluna Carlos Brickmann em numerosos jornais. O texto aqui reproduzido é fragmento da coluna.

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(1) Nota deste blogueiro
O jornalista citado por Brickmann atirou no que viu e acertou no que não viu. A distância que vai da ponta da asa de um avião à ponta da asa oposta não se diz «largura», mas envergadura. O mesmo vale para pássaros, que, por sinal, também têm asas.

O grande título

Carlos Brickmann (*)

Que semana maravilhosa! Temos manchetes de tipos variadíssimos e pouco usuais. Uma delas permite até a metaleitura. Embora não trate do assunto, demonstra claramente que:

Interligne vertical 11a) o ensino primário pode se chamar fundamental, pode se chamar primário, mas não pode ser chamado de ensino;

b) os meios de comunicação estão recrutando profissionais com um quarto cheio de diplomas internacionais, mas esqueceram de pedir que os candidatos à vaga preencham pessoalmente uma ficha de pedido de emprego.

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Comecemos com este, de um dos maiores portais noticiosos do país, ligado a um dos maiores grupos noticiosos do país:
“Investigação da PF Lava Jato aponta propina trêz vezes maior do que no mensalão”
O destino, piedoso, permitiu que profissionais como Emir Macedo Nogueira, Eduardo Martins, Napoleão Mendes de Almeida fossem poupados de ler essa frase.

Rir 2Outra manchete notável consegue, sem ser humorística, despertar o riso. E, simultaneamente, fazer com que retomemos contato com os textos sagrados. “Ministros entregam a Renan pacote anticorrupção”
Agora só lhes falta entregar a Herodes o plano nacional de cuidados com a infância.

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Um título sugestivo também permite a leitura no subtexto. Traz a informação e, instigante, permite que busquem as causas do evento:
“Haddad volta a dar aulas na USP após 12 anos”
Demorou. Deve ter ido para a universidade de bicicleta, no meio da buraqueira mal pintada a que chama de ciclovia.

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E o grande título, capaz de provocar uma pergunta de difícil resposta:
“Morena, Angélica diz que perdeu virgindade aos 17”
E loira, com que idade terá acontecido?

 

Rir 1CURTINHAS

● Da tuiteira Bea M. Moura:
“Herrar uma vez é lulice. Herrar duas veis é dilmais.”

● Do jornalista Sandro Vaia:
“A entrevista de Cardozo e Rosseto prova que o fracasso também sobe à cabeça.”

● Do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros:
“O Aloízio Mercadante tem resposta para tudo e solução para nada.”

● Do jornalista Leão Serva:
“Petrobrás vai privatizar propriedades da empresa. Mas tucanaram a privatização: agora se chama ‘desinvestimento’.”

● Do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, PMDB, sobre o PT:
“Eles fazem tudo aquilo que pensavam que nós fazíamos.”

Rir 5● Do jornalista Ricardo Noblat:
“A presidenta já avisou que é a pessoa mais humilda da galáxia!”

● De uma faixa na manifestação de 15 de março, erguida (supõe-se) por um palmeirense:
“Fora Dilma, Alckmin e Valdívia.”

● Da jornalista Maria Helena Amaral:
“Pedro Barusco foi o melhor investimento da Petrobrás nos últimos cinco anos. Roubou US$97 milhões a R$ 1,70 e devolveu a R$ 3,10.”

● Do deputado comunista Roberto Freire, presidente nacional do PPS:
“Nada mais patético do que petistas que participaram conosco do impeachment de Collor falarem de terceiro turno e golpismo.”

● Do jornalista James Akel, comentando o baixo ibope do programa de TV apresentado por Marina Mantega:
“A filha é tão boa apresentadora quanto o pai era ministro.”

● Do jornalista Jarbas de Barros Domingues:
“Quando um homem consegue finalmente entender as mulheres, já está velho demais para se interessar por elas.”

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(*) Carlos Brickmann é jornalista, consultor de comunicação. Publica a Coluna Carlos Brickmann em numerosos jornais.

O joio, o trigo & outras considerações

Carlos Brickmann (*)

O joio é um vegetal parecidíssimo com o trigo, que nasce nos mesmos lugares. Só que, em vez de benéfico, é daninho. Quem planta trigo precisa separar o joio, para não estragar a colheita. Quem faz jornalismo, também – embora um intelectual e político americano, Adlai Stevenson, duas vezes candidato à Presidência (e duas vezes derrotado), costumasse dizer que a função de um editor é separar o joio do trigo, e publicar o joio.

Hem?
Quando Winston Churchill tinha sete anos, seu professor de Latim quis ensinar-lhe a declinação de “mensa” – mesa. Parou no vocativo, quando Churchill quis saber o que aquilo significava. O professor explicou: “É a forma que você deve usar quando falar com uma mesa”. O garoto garantiu ao professor que jamais conversaria com uma mesa. O professor se ofendeu e suspendeu-o. E Churchill, numa frase que deve ser lembrada, disse que nunca mais se interessaria por grego, latim ou outras línguas: queria aprender inglês. Queria ser o melhor em sua própria língua.

Sir Winston Churchill

Sir Winston Churchill

Pois é. Nos nossos meios de comunicação, o profissional que fale várias línguas é valorizado (o que é ótimo). Mas parece que houve um certo esquecimento: é ótimo falar alemão, chinês, inglês, francês e espanhol, desde que o conhecimento do português também seja obrigatório. E não está sendo: em grandes jornais, que já prezaram a qualidade do texto, diz-se que o carro “o pertencia”, coisas do tipo. Um cavalheiro se apresenta como “acessor parlamentar e acessor (…)” da Prefeitura de uma grande cidade (ou talvez “sidade”).

O recorde, entretanto, vem numa grande matéria sobre a morte de uma grande artista, Tomie Ohtake. Dizia-se que a Tomie era acompanhada por um “secto”. Deu trabalho, mas enfim foi possível chegar a uma conclusão: o que deveria estar escrito, provavelmente, era “séquito”.

O pai do primo do avô
Um antigo (e excelente) livro, Introdução ao Jornalismo, de Frazer Bond, que o notável Woile Guimarães mandou este foca estudar, já ensinava há mais de 50 anos que parentesco só é notícia se tiver algo a ver com os acontecimentos. Em “Filho do ministro vende facilidades”, o parentesco provavelmente tem a ver com os fatos. Mas em “Filho do ministro é preso em roda de crack” é provável que o parentesco nada tenha a ver com o evento. O responsável que responda sozinho por seus atos, poupando o parente.

O livro já ensinava isso há mais de 50 anos. Mas quem disse que todos aprenderam? Frases apanhadas em jornais, a esmo, nos últimos dias:

Interligne vertical 11a1 – Parentes de filha de (…) brigam em hotel e polícia aparta
2 – Primo de (…) foi preso em flagrante na Operação Lava Jato
3 – Filho de (…) beija moreno em camarote na Bahia

Nos três casos, o parentesco não tem nada a ver com os fatos. Entra apenas para atrair o leitor incauto. Num deles, o terceiro, se o rapaz beija o moreno ou o loiro num camarote de Carnaval o problema é dele. No caso, nem há o que noticiar, a não ser a busca de um factóide sensacionalista.

Legenda publicada num caderno especializado em automobilismo:
“Audi R8 teria sido destruído por mulher enfurecida após descobrir que, supostamente, havia sido traída pelo marido”.
Não deixa de ser uma novidade: a descoberta de uma suposição.

Da internauta Rita Xavier:
“Ninguém pode dizer que o ditador da Guiné Equatorial não investe em escola.”

O grande título
Uma bela colheita esta semana. Há manchetes para todos os gostos:

Interligne vertical 11bdas enigmáticas:
“Tamires corta alface em silêncio”

às de duplo sentido:
“De olho no folião, ambulantes inflacionam pau de selfie em SP”

uma frase notável da presidente Dilma, que mais uma vez diz exatamente o contrário do que pretendia:
“Nunca deixamos de esconder que era 4,5%”

uma manchete notável:
“Mutirão propõe salvar Sistema Cantareira com cultivo e produção de água”
Quanto mais se vive, mais se aprende: quem é que sabia que a água pode ser cultivada?

e o grande título:
“Metrô de NY tem bactérias nojentas, mas ninguém morreria por lambê-lo”
Quem será o depravado que quer lamber o Metrô de Nova York?

(*) Carlos Brickmann é jornalista, consultor de comunicação. Publica a Coluna Carlos Brickmann em numerosos jornais.

Pátria educadora

Carlos Brickmann (*)

Sim, Dilma disse num dia que o lema de seu governo seria: “Brasil, pátria educadora”. E, na mesma semana, houve cortes no orçamento federal. Os maiores cortes atingiram o Ministério da Educação.

Mas a pátria educadora não é apenas a educação: é também a cultura. E o Museu Nacional, com 196 anos de história, maior instituição latino-americana de antropologia e história natural, fechou as portas ao público.

"Que notas são estas?" by Emmanuel Chaunu, desenhista francês

“Que notas são estas?”
by Emmanuel Chaunu, desenhista francês

Motivo: há três meses a Universidade Federal do Rio de Janeiro não paga as empresas terceirizadas de limpeza e segurança. Os serviços foram paralisados e o museu não podia mesmo receber visitantes.

Por que a UFRJ, subordinada ao Ministério da Educação, parou de pagar? Porque o governo federal parou de repassar as verbas para esses serviços. O salário de dezembro dos funcionários não saiu, nem o vale-transporte. E os 4 milhões que prometeram liberar nesta semana não resolvem o problema.

É a pátria educadora em ação.

(*) Carlos Brickmann é jornalista, consultor de comunicação. Publica a Coluna Carlos Brickmann em numerosos jornais.

Veja quem ganha as eleições

Carlos Brickmann (*)

Ibope, Datafolha, institutos de pesquisas são para os fracos: acertam na maioria das vezes, mas há também casos de erro. A cada pesquisa que divulgam, aparece alguém insatisfeito com o resultado dizendo que não foi ouvido e não conhece ninguém que o tenha sido – como se fosse fácil conhecer algum dos três mil entrevistados numa população de 200 milhões.

Para os fortes, há o melhor instituto do mundo, o DataCarlos, que não erra nunca. Pesquisas do DataCarlos não têm margem de erro para cima ou para baixo. Seu intervalo de confiabilidade é de 100%. E só não é superior a 100% porque o maior especialista mundial em números impossíveis, Guido Mantega, não veio ainda trabalhar conosco (nem virá, que aqui ninguém é doido).

O DataCarlos não tem pesquisadores, não faz entrevistas, não se preocupa com amostragens, e só sabe o nome dos candidatos porque saem todos os dias nos meios de comunicação. Pois nem o nome dos candidatos afeta a pesquisa.

Temer 1E agora, a resposta que todos querem conhecer: o vitorioso nas eleições será o PMDB. Ganhe Dilma ou ganhe Aécio, o PMDB, sob o comando de Michel Temer (ou de outro líder que melhor encarne os interesses partidários), governará o Brasil. Vai nomear os ministros importantes, faturar (eta, palavra perigosa!) os êxitos da administração, escolher até os jardineiros (fantasmas) de cada prédio público, do Oiapoque ao Chuí.

Com a vantagem de, em caso de fracasso, poder botar a culpa na pessoa que os cidadãos comuns pensam que é presidente.

(*) Carlos Brickmann é jornalista, consultor de comunicação. Publica a Coluna Carlos Brickmann em numerosos jornais.