Tuíte – 3

José Horta Manzano

A Constituição Brasileira reza, no Artigo 84, Inciso I: “Compete privativamente ao Presidente da República nomear e exonerar os Ministros de Estado”. A novela do vai-não-vai e do fica-não-fica, estrelada pelo presidente e pelo ministro da Saúde Pública, segue enredo absurdo. Ministro é escolha pessoal do presidente. Assim como pôde nomear, deve poder demitir a qualquer momento. Ao não demitir Mandetta, doutor Bolsonaro mostra ser presidente fraco, hesitante, pusilânime, dependente da aprovação de terceiros. Um homem assim pode até ser bom executante, mas não serve pra chefiar o Executivo.

Tuíte – 2

José Horta Manzano

Ruy Castro, escritor e jornalista, é da mesma opinião que este blogueiro quanto à relação entre doutor Bolsonaro e a covid-19. Em três ocasiões (25/3, 31/3 e 13/4) escrevi artigos sugerindo que o presidente teria sido contagiado na viagem que fez à granja de Trump. Voltou, tossiu, sentiu falta de ar, tomou cloroquina, os sintomas passaram. E o moço atribui a cura milagrosa ao remédio. O artigo de Ruy Castro está aqui (para assinantes da Folha). O último dos que escrevi está aqui (é boca-livre, não precisa ser assinante).

Tuíte – 1

José Horta Manzano

Semana que vem, começa o Ramadã, o mês sagrado dos maometanos. Depois disso, logo chegará o tempo das peregrinações, quando milhares viajarão até Meca, o que significa uma multidão de fiéis. A covid-19 vai nadar de braçada. Autoridades religiosas ficaram na dúvida entre deixar viajar ou mandar assistir por vídeo. No Irã, o aiatolá Khomeini, guia supremo e manda-chuva do país xiita, ordenou que todos fiquem em casa. Nada de viajar. Até ele entendeu que coronavírus não é gripezinha.

Falsos amigos ‒ 1

José Horta Manzano (*)

Para aqueles que acham que Espanhol é fácil, é bom saber que lá: Boliche se diz Bolos, Bolo se diz Bizcocho, Biscoito é Galleta, Cupcake é Madalena, Waffle é Gofre e Porra é Churros.

Pra piorar, Taza é Xícara, Copa é Taça, Vaso é Copo, Lentilla é Lente de contacto, Lentilha é Lenteja, Bolso da calça é Bolsillo, Bolsa de braço é Bolso e Bolsa é saco plástico de mercado.

Também é importante saber que: Cajones é Gaveta, mas Cojones não é algo legal. Pollo é frango, mas polla não é a mulher do galo. Carrera é Corrida, mas Corrida é… bem, deixa pra lá.

E se tudo isso parece esquisito, saiba que, na Espanha, Exquisito é Gostoso, Gostoso é Rico e gente adinheirada é Rica também.

(*) Com base nas informações de Andrea Martínez.

Publicado originalmente em 16 out° 2018.

A lição de Ibrahim Sued

Elio Gaspari (*)

Em novembro de 1972 o jornalista Ibrahim Sued lançou seu livro “20 anos de caviar” na pérgola do Copacabana Palace. Barão do colunismo social, reuniu todo o Rio de Janeiro e autografou 1.012 exemplares. As pessoas pagavam pelo livro e o dinheiro era colocado em caixas de charutos.

Quando a festa terminou, Ibrahim entrou no seu carro com as caixas debaixo do braço. A noite havia sido uma consagração daquele turco enorme, criado na pobreza do velho centro da cidade.

Ibrahim saiu do Copa em direção a Ipanema. Em todo o percurso, metia a mão na caixa de charutos e dava um punhado de notas a guardadores de carros ou às pessoas que perambulavam pela Avenida Atlântica.

by Zelda Zonk, desenhista francesa

Um amigo que estava no carro disse-lhe:

– Ibrahim, desse jeito você vai detonar a renda da noite.

O ‘Turco’ respondeu:

– É isso mesmo, o dinheiro tem que circular. Se não circulasse, não chegava a mim.

Quem puder, pode repetir a lição de vida e de ciência econômica de Ibrahim.

(*) Elio Gaspari é jornalista. O texto é parte de artigo publicado em 5 abril 2020.

Cloroquina

José Horta Manzano

Algo fora de série está acontecendo. Um fármaco do qual ninguém tinha ouvido falar até um mês atrás caiu na boca do povo. Seu uso está no centro das discussões. Cresce o bate-boca entre a ala dos ferventes admiradores e a dos acalorados oponentes. Tanto os bem informados quanto os que se empapam unicamente em redes sociais, todos têm uma opinião sobre o sulfato de hidroxicloroquina, cloroquina para os amigos. Só que tudo o que se tem dito sobre o uso de cloroquina em pacientes com covid-19 é, por enquanto, puro achismo, que não combina com ciência.

Esse remédio vem sendo receitado há mais de meio século em infectologia e reumatologia. Trata, entre outras afecções, doenças reumáticas, lupus eritematoso e certos tipos de malária. A cloroquina arrasta uma lista robusta de contraindicações; também tem alto risco de interação danosa com outros fármacos. É aquele tipo de remédio que o médico receita como derradeiro recurso, quando o paciente não respode a outras moléculas.

Docteur Raoult, médico que exerce no sul da França, confessa ter administrado cloroquina a todos os seus pacientes com covid-19. Assegura que noventa e tantos porcento deles se curaram. Isso tem criado polêmica e dado muito que falar na França. Profissionais que acompanharam o experimento revelam que a maioria dos pacientes tratados por docteur Raoult estava fora de todo grupo de risco: eram jovens e sem doença crônica; portanto, era gente que se teria curado de qualquer maneira, com ou sem cloroquina. Além disso, a amostragem é pequena demais. Fica a dúvida.

Os hospitais suíços estão administrando esse fármaco a 50% dos internados com covid-19. Ainda é cedo, mas dentro de algumas semanas já deveremos ter o resultado de um teste que não ousa dizer seu nome. A cloroquina vem sendo sistematicamente receitada em associação com um ou mais remédios.

Este blogueiro, que não é médico nem pesquisador, se abstém de aderir ao bloco dos admiradores ou ao dos oponentes. Que os pesquisadores pesquisem e que os médicos receitem. Metade da população mundial está, em maior ou menor grau, confinada. Metade da humanidade! Pois deixe estar. Médicos, hospitais, institutos de pesquisa, laboratórios do mundo inteiro estão buscando a cura da covid-19. Cada um deles gostaria de alcançar a glória de poder declarar: «Encontramos o remédio que cura!».

Que o distinto leitor não se preocupe. Assim que descobrirem o remédio milagroso, seremos informados na hora. O que fica esquisito, de verdade, é o presidente de um país, que não é médico nem nada, vestir-se de garoto propaganda de um fármaco cuja eficácia para a covid-19 ainda está em estudo. Tirando a militância digital, que engole tudo sem refletir e faz tudo que Seu Mestre mandar, os demais brasileiros se perguntam: «Mas por que, raios, ele insiste tanto com isso?».

Resposta clara, não há. Há uma suposição: a de que ele tenha sentido sintomas da doença e feito um teste; assim que soube que tinha dado positivo, tomou esse fármaco; os sintomas desapareceram, e ele atribui o milagre ao remédio. Essa hipótese explica por que o homem dá uma de valentão e se expõe tanto. Explica também por que o general Heleno abandonou a quarentena. Sabem de uma coisa? Com tanto tagarela que há no governo, qualquer hora a verdade aparece.

Ninguém fica para trás

José Horta Manzano

Sexta-feira, o Estadão publicou um editorial sobre o trabalho que vem sendo executado pelo Ministério das Relações Exteriores para repatriar conterrâneos que se encontrem em terra estrangeira e em palpos de aranha em razão da pandemia. O artigo é bastante elogioso e deixa a impressão de que a editoria do jornal está surpresa com a diligência do Itamaraty.

O Brasil de 2020 não é o mesmo de meio século atrás. Brasileiros hoje viajam, vão pra fora de férias, estudam fora, trabalham fora, se estabelecem fora. E não é um punhadinho de gente, não. Visto que não há obrigação de se registrar no consulado, é impossível dar um número oficial, mas as melhores estimativas indicam que somos mais de 3 milhões estabelecidos no exterior.

Sem contar os que saem de férias ou por temporada mais curta. Portanto, não me parece extraordinário que o Ministério esteja equipado pra socorrer conterrâneos em apuros no exterior. Muitos conterrâneos no exterior foram surpreendidos pela pandemia. Querem voltar para o Brasil e não conseguem, por falta de avião ou por motivo de confinamento rigoroso. Pedem que o governo dê um jeito de repatriá-los.

O editorial repercute uma nota do Itamaraty: “A prioridade continua a ser dada para que os brasileiros possam ser acomodados em voos comerciais”. Apesar de curta, a frase é torturada. Do Itamaraty, espera-se um pouco mais de cuidado. Prioridade dá-se a alguém (ou algo); não se dá prioridade para que. Corrigindo, fica assim: «A prioridade continua a ser dada à acomodação de brasileiros em voos comerciais».

O editorial cita ainda uma declaração de doutor Ernesto Araújo, o chanceler. Diz ele que, na ausência de voos ou em caso de fechamento de espaço aéreo, “estamos vendo maneiras de pagar voos fretados”,. Até aqui, tudo em ordem. É onde o ministro devia ter terminado a declaração. Mas ele preferiu continuar: “Tentaremos, claro, negociar pelo valor mais em conta possível com as companhias aéreas para trazer de volta os brasileiros. Será a única possibilidade em muitos casos.”

Não precisava ser deselegante e confessar que os compatriotas serão repatriados pelo «valor mais em conta possível». Esse pão-durismo, endereçado aos que estão em situação complicada, é desnecessário. Por que essa rispidez? Será que a palavra de ordem «Ninguém fica para trás» não passa de slogan?

Tosco como outros integrantes do atual governo, o chanceler confirma não passar de aprendiz alçado descabidamente a um cargo maior que ele.

Timoneiro

José Horta Manzano

Doutor Bolsonaro trata de maneira nojenta o povo que o elegeu. A cada passeio, ele se torna foco de contágio. Aperta a mão de um, limpa o nariz, aperta a mão de outro, passa mão no cabelo, roça a mão de um terceiro. E assim vai espalhando vírus e micróbios pra cima de gente simples e ingênua. Tira vírus da mão de um, deposita vírus na mão do outro. Um nojo.

Embora seu comportamento contribua para acelerar a propagação do vírus, a transmissão da doença está longe de suas preocupações. Como se diz em língua de casa, o homem não está nem aí para os outros.

Quando questionado sobre esse comportamento de alto risco, sai-se com um «Ninguém pode me tirar o direito de ir e vir». Como se vê, só consegue pensar nos direitos que tem, sem se dar conta de que os demais também têm direitos. Entre eles, o de serem protegidos do contágio.

O moço é de um egoísmo tenebroso. Se já não conseguia assumir o encargo de presidir a nação em tempo normal, com a pandemia ficou pior. Recordo uma sutil máxima latina que cai como luva para explicar o que ocorre.

A gripezinha

José Horta Manzano

«Não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar não, talquei?»

Desde que soltou essa preciosidade pela primeira vez, em meados de março, doutor Bolsonaro já tornou a insistir na metáfora em diversas ocasiões. Sempre em público.

Não está clara a origem do negacionismo do doutor diante da pandemia. Há quem diga que ele se sente uma espécie de super-homem, invulnerável e ungido pelos deuses, a quem nada pode acontecer. Também há quem diga que o homem é tapado e não consegue enxergar o tsunami que ameaça o mundo todo – Brasil incluído. É ainda permitido acreditar que ele contraiu a doença e se curou, provavelmente com hidroxicloroquina. Isso explicaria o merchandising que ele faz para o fármaco.

Seja como for, a gripezinha e o resfriadinho do doutor estão dando trabalho a tradutores. É que nossa língua facilita a formação de diminutivos, o que não acontece em outras línguas. Em português, os sufixos inho, zinho, zico, zito resolvem o problema e são utilizados em ampla escala. Pomos substantivo, adjetivo e até advérbio no diminutivo.

Em outras terras, jornalistas usaram o adjetivo pequeno(a) para se aproximar do efeito da fala de Bolsonaro. Chegaram perto, mas um pouco da nuance se perdeu. “Resfriadinho” não é a mesma coisa que “pequeno resfriado”, especialmente se o “resfriadinho” for pronunciado com a boca torcida. Na fala de Bolsonaro, o diminutivo marca todo o desdém que ele sente pela doença. É difícil traduzir esse estado de espírito. O mesmo ocorreria se a gente quisesse traduzir «presidentezinho».

Na tradução da notícia, a mídia internacional tem adotado a palavra “pequeno”. Ficou assim:

Inglês:
little flu, little cold

Francês:
petite gripe, petit rhume

Italiano:
piccola influenza, piccolo raffreddore

Alemão:
kleine Grippe, kleine Erkältung

Espanhol:
pequeña gripe, pequeño resfrío

Bolsonaro: um nome predestinado

José Horta Manzano

Artigo publicado pelo Correio Braziliense em 4 abril 2020.

Nos tempos de antigamente, epidemias eram frequentes. Em razão do saber científico rudimentar, os remédios disponíveis eram chá de alguma erva e reza braba. A propagação era lenta, visto que quase ninguém se deslocava – viagens são costume relativamente recente. A evolução da ciência trouxe conhecimentos importantes; ensinou o modo de transmissão de doenças infecciosas e, em muitos casos, o remédio que cura. O complicador é que o homem já não vive na imobilidade medieval; hoje, viajam todos. Viajam muito e longe. O resultado é que, quando de ataques virais como o Covid-19, a doença se propaga como a peste, e continuamos tão desarmados como os antigos. O remédio é o mesmo de mil anos atrás: afastamento, isolamento e confinamento.

Em meio à desgraça e à tristeza causadas pela epidemia, o Brasil levou um premiozinho de consolação. A viagem que doutor Bolsonaro faria à Europa por estes dias saiu da pauta; por motivos óbvios, foi adiada sine die. Ele não ia cumprir o roteiro das grandes capitais – Paris, Berlim, Londres, nossos aliados tradicionais e fortes parceiros comerciais. Tencionava visitar unicamente a Hungria e a Polônia, países que, juntos, recebem 0,4% de nossas exportações. Estava evidente que o objetivo da excursão não era «vender» o Brasil. Nosso presidente tinha intenção de papear com dirigentes populistas extremistas, que ele imagina possam ser úteis a seu projeto de poder. Toda essa farra à custa do contribuinte, note-se. Mas desta, o Brasil se livrou. Por enquanto.

Aproveitando a viagem custeada por nós, Bolsonaro, que descende de italianos, estava pensando em dar uma ‘esticadinha’ até a Itália para ver se encontra algum parente. Diz ele, referindo-se a eventuais primos por descobrir, que quer «conhecer os mafiosos da família», tipo de brincadeira estúpida que, na Itália, tem poder explosivo. Seus antepassados chegaram ao Brasil na grande leva do fim do século XIX. Como tantas famílias italianas, a sua também perdeu contacto com os que ficaram e a memória acabou se esgarçando.

Sabe-se que doutor Bolsonaro é homem de parcos conhecimentos. Aborrece ainda mais vê-lo cercado de gente sem muito expediente. Em vez de perder tempo a tuitar boçalidades, tinham mais é de ajudar o chefe a buscar as origens. O sobrenome está mal transcrito. No original, é Bolzonaro, com z. Cem anos atrás, tanto os imigrantes quanto o agente que os registrava eram de poucas letras. Pronunciado à moda vêneta, o nome foi transcrito foneticamente e o z virou s.

O presidente disse acreditar que o berço da família é a cidade de Lucca, na Toscana. É a indicação incrustada na memória familiar. A meu ver, ele está enganado. Rápida consulta à lista telefônica nacional italiana mostra que 70% dos Bolzonaro vivem na região do Vêneto – indicação certeira de que o nome é originário de lá. Na região, há uma cidadezinha chamada Lugo, na província de Vicenza. Dado que, na transmissão familiar oral, de Lugo a Lucca a confusão é plausível, eu começaria minhas buscas por Lugo e esqueceria Lucca. Fica a dica.

Para fechar, uma curiosidade. As palavras italianas terminadas em aro indicam nome de ofício ou profissão. O Dicionário do Dialeto Veneziano, obra caudalosa do século 19, informa que bolzòn é palavra ligada ao universo das armas. Dá nome a um tipo de flecha medieval e também a antigo instrumento bélico, espécie de aríete usado para derrubar muros de cidade fortificada. É bem possível que, lá pelos anos 1300, quando as pessoas começaram a ganhar sobrenome, um longínquo antepassado de nosso presidente tenha trabalhado na contrução desses artefatos.

Com o desaparecimento de flechas e aríetes, o campo semântico da palavra se alargou. Ela ressurge no verbo alemão bolzen, com o sentido de golpear com furor. Aparece também no verbo inglês to bolt, com o significado de mover-se de modo nervoso, sair fora de controle. Flecha, aríete, ataque, descontrole… Qualquer semelhança entre a profissão do patriarca da linhagem e o comportamento agressivo e belicoso de nosso presidente há de ser mera coincidência. Ou não.

Para conferir no site do Correio Braziliense.

O déficit presidencial

José Horta Manzano

A cada dia que passa, fica mais evidente o déficit de inteligência que acomete nosso presidente. Sua persistência em cometer bizarrices não provém de sua posição à esquerda ou à direita; nem dos conselhos do guru boca-suja ou dos filhos destrambelhados; nem da síndrome do parvenu que subiu rápido demais; nem da paranoia que o domina. Tudo o que mencionei não é causa, mas consequência. A causa de tudo é seu déficit de inteligência; em língua de casa, é burrice mesmo.

No trato que doutor Bolsonaro tem dispensado ao ministro da Saúde, salta aos olhos sua incapacidade de entender o que se passa a seu redor. Já faz dias que as pesquisas de opinião do Datafolha e do Ipesp/XP mostram que a população aplaude o trabalho do ministro, ao mesmo tempo que reprova a ação do próprio presidente.

Ciente da situação, doutor Bolsonaro age como barata: morde e assopra. De manhã, afaga o ministro; à tarde, dá-lhe uma fenomenal desancada. Tenta, sem sucesso, semear intriga entre o ministro e a população. Promete demiti-lo, mas, no último minuto, se acovarda e passa pomada. Não se dá conta de que, agindo assim, propulsa a popularidade do ministro às alturas e empurra a sua para baixo. Cada viravolta se traduz pelo acréscimo de pontos à popularidade do ministro – e, inversamente, pela queda do placar do próprio presidente.

Isso não é estratégia; é sinal de burrice. Sem perceber, doutor Bolsonaro está dando enorme contribuição para a popularidade de um ministro sensato e simpático. Sem se dar conta, está fabricando o adversário que poderá enfrentá-lo em 2022, com boas chances de vencer. Se o doutor continuar presidente até lá, naturalmente.