«Não há sábado sem sol, nem domingo sem missa, nem segunda sem preguiça.»
Provérbio português
O que vem de outras cabeças
«Não há sábado sem sol, nem domingo sem missa, nem segunda sem preguiça.»
Provérbio português
José Horta Manzano
«Governo terá que pagar 57 bilhões por pedaladas fiscais.»
Foi assim que a Folha de São Paulo deu a notícia. Como sabemos todos, «pedalada» é eufemismo inventado sabe-se lá por quem para evitar palavra que defina, de fato, o que aconteceu. Trapaça, pilantragem, embuste, vigarice, tramoia, trambique dariam o recado mais bem dado. Cada boi tem nome próprio e dispensa alcunha.
Dito isso, garanto-lhes que não é nesses termos que a informação apareceria em países nos quais a população é mais consciente. Quando se menciona «o governo», a grande massa dos brasileiros fica com a impressão de que esse tal de «governo» – pai de nós todos – vai bondosamente enfiar a mão no bolso e tirar de lá 57 bilhões pra resgatar seus pecados.
No Brasil, fica por isso mesmo. Lida a notícia, vira-se a página e passa-se a outro assunto. Em outras plagas, não seria tão simples. Poucos são, entre nossos conterrâneos, os que se dão conta de que a conta será paga por todos.
O governo, ao fazer mal seu trabalho, meteu o Estado brasileiro em maus lençóis. O prejuízo é nosso, de todos os brasileiros, do primeiro ao último. Caberá a cada um de nós contribuir para reparar o mal, para tapar o buraco cavado pela vigarice do Planalto.
Uns sentirão no bolso, outros sofrerão na fila do SUS. Há quem receberá formação escolar ainda mais precária que de costume. Serviços públicos funcionarão de forma ainda mais primitiva. O policiamento enfraquecido aumentará a insegurança de todos os cidadãos. Estradas ganharão mais buracos. A carestia vai se agravar. Todos pagarão.
Distraída, a grande imprensa ainda não se deu conta da força das palavras e do impacto das frases. Em vez de anunciar que «o governo» pagará bilhões, melhor seria afirmar:
«Brasileiros pagarão 57 bilhões por trambiques do governo.»
O PIB per capita em dólares deve cair de US$ 11.566 em 2014, para US$ 8.490 em 2015 e para US$ 7.900 em 2016.
A renda dos brasileiros estará cada vez mais distante do padrão de países desenvolvidos – mesmo aqueles que enfrentam brutais dificuldades, como a Grécia, cujo PIB per capita é de US$ 21.682.
Esse é, em resumo, um dos grandes legados do lulopetismo, a ser sentido por gerações, e que só poderá ser superado por meio de uma grande mobilização nacional em torno de um projeto de país radicalmente distinto das fantasias irresponsáveis criadas por Lula & companhia bela.
Trecho de editorial do Estadão, 4 nov° 2015.
Jorge Oliveira (*)
As viagens da Dilma para o exterior são infrutíferas, não trazem benefícios ao país. Servem para ela fugir da crise e gastar R$ 2 milhões por ano apenas com comida a bordo do avião presidencial, dinheiro do contribuinte que, como idiota, continua sustentando o luxo dela e bancando suas despesas em bons e sofisticados restaurantes lá fora.
O jornalista José Casado, do Globo, fez levantamento minucioso dos gastos da estrutura presidencial e chegou a números espantosos. Foram R$ 9,3 bilhões no ano passado para sustentar o entourage que gira em torno dela com alimentação, vestuário, viagens aéreas, servidores, jardinagem, deslocamentos internos e externos, carros, combustível, cartões corporativos, vigilância privada e órgãos à sua disposição.
(*) Jorge Oliveira é jornalista e assina coluna no Diário do Poder.
«Quem desdenha quer comprar, quem disfarça está escondendo, mas quem desdenha e disfarça não sabe o que está querendo.»
Sergio Porto (1923-1968), o Stanislaw Ponte Preta, escritor, cronista, radialista e compositor carioca.
Cláudio Humberto (*)
Os deputados Alexandre Baldy (GO) e Miguel Haddad (SP) entram na CPI do BNDES com requerimentos de convocação de Marco Aurélio Garcia, aspone para assuntos internacionais aleatórios de Lula e agora de Dilma.
O conhecido “Top-top” é suspeito de tráfico de influência na concessão de crédito do banco de fomento do governo federal para o financiamento de ditaduras africanas. A suspeita é de que o BNDES tenha financiado obras em ditaduras, durante os governos do PT, justamente porque nesses países não há órgãos de controle.
Países como Cuba e ditaduras africanas não têm Ministério Público, tampouco tribunais de contas nem auditores fiscalizando obras.
O dinheiro não era fiscalizado nas ditaduras financiadas nem no Brasil: o BNDES negava acesso aos contratos até mesmo ao Tribunal de Contas da União.
(*) Cláudio Humberto, bem informado jornalista, publica coluna diária no Diário do Poder.
José Horta Manzano
Você sabia?
Plantamos e ceifamos o trigo, mas nunca provamos do pão branco.
Cultivamos a videira, mas não bebemos o vinho.
Criamos os animais, mas não comemos a carne (…) (*)
Assim, em poucas e comoventes palavras, um imigrante italiano respondeu a um ministro de seu país, que ralhava contra conterrâneos que abandonavam a terra natal em busca de dias melhores no estrangeiro.
No século decorrido entre 1850 e 1950, a Itália viu partir 30 milhões de cidadãos em busca de dias melhores. A maior parte deles veio dar com os costados em terras americanas – Brasil, Argentina e EUA em especial. A Itália é, com folga, o país europeu que maior contingente de emigrantes despachou.
Ninguém jamais saberá o número exato dos que que lá saíram. Mais difícil ainda será afirmar, com precisão, o destino de cada um. Que dizer, então, da contagem dos descendentes, os «oriundi»? Na falta de dados exatos, restam as estimativas.
Os Missionários de São Carlos – os escalabrinianos – são uma congregação religiosa italiana que se dedica, entre outras missões, a assistir os italianos dispersos pelo planeta. São os mais bem aparelhados para fornecer estimativa sobre o número de originários da península.
Segundo a congregação, o Brasil abriga a mais numerosa comunidade de «oriundi», calculada em mais de 27 milhões de pessoas. Em seguida, vêm a Argentina (20 milhões) e os EUA (17 milhões). Os demais países seguem bem atrás – o quarto colocado, a França, não abriga mais que 4 milhões de descendentes.
Estatística não é o ponto forte do Brasil. Assim mesmo, costuma-se dizer que, nos anos 1920, metade dos habitantes da cidade de São Paulo era estrangeira. Desse contingente, metade eram italianos. Se não for verdade, não estamos longe.
Uma curiosidade: a população de nossa hermana República Argentina é constituída de 47% de «oriundi», um de cada dois habitantes do território. Sem sombra de dúvida, é o mais italiano dos países. Além da Itália, naturalmente.
Ainda hoje, sobrevivem por volta de duzentos periódicos editados em língua italiana fora da Itália. Nestes tempos de internet, praticamente todos abandonaram a edição em papel para dedicar-se unicamente à versão digital. A maioria espaçou a tiragem: de diária, passou a semanal; de semanal, passou a mensal. E assim por diante.
Na Venezuela, que conta com um milhão de descendentes, algumas publicações resistem. Entre elas, La Voce (= A Voz), diário fundado em 1950, hoje disponível unicamente online. Resiste em todos os sentidos.
Corajoso, o quotidiano dá notícia da incrível erosão da popularidade de dona Dilma. Talvez, por ser dirigido a público específico, seja menos visado pela truculência dos mandatários. Ou, mais provável, os censores – ignorantes por natureza – não estão em condições de entender nenhuma língua estrangeira. Melhor assim.
(*) Citação afixada no Museu da Imigração, em São Paulo. O museu nasceu em 1887 como Hospedaria de Imigrantes. Para ali eram encaminhados os recém-chegados, que desembarcavam em Santos sem lenço e sem dinheiro, mas cheios de esperança e prontos pra arregaçar as mangas.
«Tudo é relativo: o tempo que dura um minuto depende de que lado da porta do banheiro você está.»
Apparicio Fernando de Brinkerhoff Torelli, o “Barão de Itararé” (1895-1971), humorista gaúcho.
De presidenciável a cassável
Enquanto não ocorre o desfecho de sua novela, Cunha permanece tentando caminhar adiante, alternando gestos de afago e ataques ao governo e à oposição, carregando sempre a caneta do impeachment como uma vareta de equilibrista sobre a corda bamba.
Fernanda Krakovics & Júnia Gama, em artigo publicado no jornal O Globo, 25 out° 2015.
José Horta Manzano
Fosse um furacão, não causaria tanto estupor. Fosse um “malfeito” qualquer, ninguém se espantaria. Fosse uma roubalheira a mais, todos dariam de ombros, resignados. Mas quando algum problema ronda as festas de Natal, aí a coisa pega.
Em todo o Velho Continente – especialmente na Europa central – festas de Natal são sagradas. Menos por religiosidade, mais por tradição. Três fatores contribuem para reforçar a importância simbólica dos festejos natalinos:
1. Coincidem com o fim do ano civil, época em que muitos fazem exame de consciência e formulam propósitos virtuosos para o período seguinte.
2. No Hemisfério Norte, coincidem com o solstício de inverno, o período do ano em que os dias são mais curtos. O Natal prenuncia o alongamento da luz diurna e o renascimento da natureza.
3. A importância das festas é amplificada pelo marketing onipresente, obra de industriais e comerciantes.
Portanto, todo problema que possa perturbar a alegria e a paz do período provoca comoção.
Existe, no Rio de Janeiro, uma escola de Papai Noel, você sabia? Pois eu não. Fiquei sabendo pela profusão de artigos alarmantes publicados estes dias na imprensa europeia.
A escola oferece curso de 40 dias a homens de mais de 50 anos, de preferência corpulentos. Este ano, o aumento do desemprego fez dobrar o número de candidatos. Para todos eles, é importante ser contratado para representar o bom velhinho. É bico importante pra diminuir o sufoco habitual.
A perspectiva de que a crise político-financeira que atinge o Brasil possa prejudicar as festas natalinas é descrita com acentos de incredulidade e compaixão pela mídia daqui. Vejam só:
Jornal 20 Minutes (Suíça)
«La crise touche même le Père Noël au Brésil»
«No Brasil, a crise atinge até Papai Noel»
Canal de tevê BFM TV (França)
«Le Père Noël bientôt au chômage au Brésil?»
«Dentro em breve, Papai Noel desempregado no Brasil?»
Jornal Le Figaro (França)
«Le Père Noël touché para le chômage au Brésil»
«Papai Noel afetado pelo desemprego no Brasil»
Revista L’Hebdo (Suíça)
«Les temps sont durs pour le Père Noël au Brésil»
«Tempos difíceis para o Papai Noel no Brasil»
Jornal 24 Heures (Suíça)
«La crise touche même le Père Noël au Brésil»
«No Brasil, a crise atinge até Papai Noel»
Jornal La Libre Belgique (Bélgica)
«Au Brésil, la crise économique n’épargnera pas le Père Noël»
«No Brasil, a crise econômica não poupará Papai Noel»
Jornal Le Dauphiné Libéré (França)
«La crise touche même le Père Noël au Brésil»
«No Brasil, a crise atinge até Papai Noel»
Portal informativo Romandie (Suíça)
«Les temps sont durs pour le Père Noël au Brésil»
«Tempos difíceis para o Papai Noel no Brasil»
Jornal Tribune de Genève (Suíça)
«La crise touche même le Père Noël au Brésil»
«No Brasil, a crise atinge até Papai Noel»
OMNIA TEMPUS REVELAT.
Com o tempo, tudo se descobre.
Máxima latina bastante adequada ao momento atual
Helio Gurovitz (*)
Machado de Assis encerra Memórias Póstumas de Brás Cubas com um capítulo intitulado “Das Negativas”, em que o narrador elenca tudo aquilo que não fez na vida: não foi ministro, não foi califa, não vendeu seu emplasto, não conheceu o sucesso. Conclui com aquela frase que todos conhecemos de cor: “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”. Em vez de proclamar sucessos, o narrador nem sequer lamentava seus fracassos. Machado foi irônico como só ele sabia ser.
Hoje em dia, estamos acostumados a ouvir negativas de outra natureza, como resultado da Operação Lava Jato e de seus desdobramentos.
Da presidente Dilma Rousseff:
“Meu governo não está envolvido em corrupção”.
Do presidente da Câmara, Eduardo Cunha:
“Não tenho qualquer tipo de conta em qualquer lugar que não seja a conta que está declarada no meu imposto de renda”.
Do presidente do Senado, Renan Calheiros, sobre o lobista Fernando Baiano:
“Não há fato, não conheço a pessoa, nunca vi”.
Do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em depoimento ao Ministério Público Federal a respeito dos contratos firmados pelo BDNES:
“Jamais interferi”.
Do presidente do PT, Rui Falcão, a respeito das denúncias de dinheiro do petrolão na campanha eleitoral:
“O PT desmente a totalidade das ilações de que o partido teria recebido repasses financeiros da Petrobrás”.
Do presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht:
“Podem investigar à vontade que não acharão nada sobre nós”.
Em alguns países, sobretudo na Ásia, políticos flagrados em escândalos de corrupção chegam até a cometer suicídio. Foi o caso do ministro da Agricultura do Japão, Toshikatsu Matsuoka, em 2007; do ex-presidente sul-coreano Roh Moo-hyun, em 2009; do deputado de Cingapura Teh Cheang Wan, em 1986; do almirante chinês Ma Faxiang, em 2014; e do teatral senador Budd Dwyer, da Pensilvânia, que se matou diante das câmaras em 1987.
Todos esses casos trágicos, presume-se, são resultado de algum conflito moral que a mente dos acusados foi incapaz de resolver. Por aqui, esse conflito – quando existe – costuma ser resolvido na base do cinismo mesmo.
(*) Helio Gurovitz é jornalista e colunista de O Globo. O trecho reproduzido é excerto de um artigo. Para ler na integralidade, clique aqui.
José Horta Manzano
Conclusão lógica: os outros podem.
Foi seu mestre quem mandou. Esqueceu-se de que 90% dos brasileiros rejeitam o “modo petista de governar”.
Repare o distinto leitor que nosso guia já se resignou com o fato de correligionários serem adeptos da ladroagem. Só não admite ser tratado como tal por colegas de ofício.
São particularidades destes tempos estranhos.
«Desligou o telefone com uma violência de PM em serviço.»
Sergio Porto (1923-1968), o Stanislaw Ponte Preta, escritor, cronista, radialista e compositor carioca.
Fernão Lara Mesquita (*)
Dilma manda avisar, a quem interessar possa, que Joaquim Levy fica e que “a opinião do maior partido da coalizão não é necessariamente a opinião do governo”, que a CPMF é imprescindível e coisa e tal…
Ela estava reagindo à entrevista de Rui Falcão à Folha de São Paulo, na qual esse cara que ninguém elegeu diz aos brasileiros como ele quer que o Brasil seja governado. Ficou claro que ele não falava só por ele. Tem as costas mais que quentes.
Essa separação governo ↔ PT é um marco. A gastança não vai recuar, o que seria pedir demais, mas descarta-se inflá-la a ponto de provocar explosão imediata, o que desaguaria inevitavelmente no golpe.
Era o que Lula queria. Lula perdeu.
(*) Fernão Lara Mesquita é jornalista e editor do blogue Vespeiro.
Cláudio Humberto (*)
Ao contrário do que alardeia a presidente Dilma, o total das receitas realizadas pelo governo federal este ano já supera o recorde histórico de R$ 2,2 trilhões estabelecido em 2014. O valor equivale a tudo que o governo Dilma conseguiu embolsar desde janeiro com impostos, taxas, ações na justiça, multas, etc. É ainda mais expressivo por ser 50% maior que o R$ 1,4 trilhão arrecadado em 2010, último ano do Lula.
Se mantiver o ritmo (e o mandato) até o final do ano, o governo Dilma vai chegar a R$ 2,8 trilhões embolsados do contribuinte.
O governo Dilma se tornou uma máquina de arrecadar desde a posse da presidente em 2011. Em cinco anos, superou R$ 10 trilhões.
(*) Cláudio Humberto, bem informado jornalista, publica coluna diária no Diário do Poder.
Cláudio Humberto (*)
Finalmente, três anos após terem sido condenados pelo Supremo Tribunal Federal, os mensaleiros José Genoino, Roberto Jefferson e Valdemar Costa Neto perderam a Medalha do Pacificador, a mais alta condecoração do Exército Brasileiro.
O ato é do general Villas Bôas, o atual comandante. O anterior, general Enzo Peri, com medo de irritar Dilma, não havia cassado as medalhas apesar de ser obrigado a fazê-lo pela legislação.
Os mensaleiros já sumiram do Almanaque do Exército.
(*) Cláudio Humberto, bem informado jornalista, publica coluna diária no Diário do Poder.
«O homem que se vende recebe sempre mais do que vale.»
Máxima apropriada para os tempos estranhos que vivemos.
Apparicio Fernando de Brinkerhoff Torelli, “Barão de Itararé” (1895-1971), humorista gaúcho.
La France est un pays extrêmement fertile. On y plante des fonctionnaires. Il y pousse des impôts.
A França é um país extremamente fértil. Plantam-se funcionários. Crescem impostos.
Georges Clemenceau (1841-1929), homem de Estado francês
Dizem que o solo brasileiro é ainda mais fértil que o francês, portanto…
Felipe Santa Cruz, presidente da OAB no Rio, questionou, no Facebook, se um deputado com várias contas secretas na Suíça contrataria, para sua defesa, um advogado que tivesse sido reprovado no exame da instituição.
É que Eduardo Cunha assina um projeto que acaba com a prova para o exercício da profissão.
(*) Ancelmo Góis, jornalista, em sua coluna no jornal O Globo, 11 out° 2015.