O PT e a modernidade

«Em geral, se quer atribuir esse antipetismo [paulista] a uma posição conservadora. Eu penso que é o contrário. O PT não está conseguindo dialogar com o contrário do que eles dizem, que é a modernidade de São Paulo.

Se pegar São Paulo como metáfora do capitalismo brasileiro, é o estado com a maior presença de desenvolvimento econômico, onde a classe média é muito expressiva, gente que opera sabendo que o que ela tem se deve ao próprio esforço e não a benesses do Estado, do governo ou de quem quer que seja.

Esse eleitorado tem sido muito maltratado pelo discurso petista. De certo modo, a maioria da população de São Paulo tem esse éthos empreendedor, individualista. O paulista tem sido tratado em bloco como se fosse reacionário, de direita.

Eu acredito que isso é um grande equívoco do PT, que explica não só o crescimento de Aécio, como a vitória de Alckmin.»

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Excerto de entrevista concedida por Milton Lahuerta ao jornal O Globo. O entrevistado é coordenador do Laboratório de Política e Governo da Unesp. Para ler o texto integral, clique aqui.

Momento histórico

José Horta ManzanoPapagaio

«Dilma foi a terceira pior presidente em termos de crescimento econômico. Só perdeu para Floriano Peixoto e Fernando Collor.»

Trecho de artigo assinado pelo professor Marco Antonio Villa, publicado no jornal O Globo de 7 de out° 2014. Imperdível. Para conferir, clique aqui.

Direto ao ponto

Miguel Pellicciari

Só para deixar bem claro: quem nomeia diretores da Petrobrás é o sócio majoritário, ou seja, o governo federal, cujo presidente na época de Paulo Roberto Costa era o Lula. Quem endossa a nomeação é o conselho de administração, cuja presidente era Dilma Rousseff.

Portanto, o senhor Paulo Roberto Costa sabia muito bem qual seria sua missão na empresa.

Agora, o que mais intriga é ver o maior interessado nisso ― o pessoal do PSDB ― não explicar direitinho a coisa aos eleitores nem mostrar a fila de caminhões aguardando para ter acesso a nossos portos, comparada ao moderníssimo porto feito pelo PT em Cuba.

Citação extraída de comentário de leitor do Estadão, 19 set° 2014.

A mentira no estado da arte

Fernão Lara Mesquita (*)

Ventriloquo 1Que Marina Silva é um produto perecível que se deteriora quanto mais aparece na TV é algo que me parecia claro desde sempre. Em matéria de falta de sex appeal, ela é páreo duro para a Dilma Rousseff real. A diferença é que os competentes marqueteiros do PT sempre souberam disso, mas os de Marina parece que ainda não tiveram tempo de perceber.

A Dilma real despencou naquela safra fortuita de entrevistas ao vivo e debates na tevê. A Marina virtual subiu como um foguete em função daqueles 15 dias que se seguiram à morte de Eduardo Campos, quando aparecia na telinha sem dizer nada – apenas um avatar.

Desde então a coisa se inverteu. A Marina real começou a falar com sua própria voz e expor suas próprias idéias. E quanto mais fala, mais cai.

by João Bosco Jacó de Azevedo, desenhista paraense

by João Bosco Jacó de Azevedo, desenhista paraense

Já a Dilma real calou-se. A desarticulação crônica de idéias saiu de cena. Foi substituida pela Dilma virtual, esse boneco de ventríloquo dos marqueteiros do PT ― bem editado, photoshopeado e produzido. Quanto mais eles mentem em seu nome, mais ela sobe.

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(*) Este é excerto de artigo publicado pelo jornalista Fernão Lara Mesquita em seu blogue. Para ler na íntegra, clique aqui.

Le corbeau et le renard

Lafontaine 1Le corbeau et le renard

Maître Corbeau, sur un arbre perché,
tenait en son bec un fromage.
Maître Renard, par l’odeur alléché,
Lui tint à peu près ce langage:

«Hé! Bonjour, Monsieur du Corbeau.
Que vous êtes joli! Que vous me semblez beau!
Sans mentir, si votre ramage
Se rapporte à votre plumage,
Vous êtes le Phénix des hôtes de ces bois!»

A ces mots le corbeau ne se sent pas de joie;
Et, pour montrer sa belle voix,
Il ouvre un large bec, laisse tomber sa proie.

Le Renard s’en saisit, et dit: «Mon bon Monsieur,
Apprenez que tout flatteur
Vit aux dépens de celui qui l’écoute:
Cette leçon vaut bien un fromage, sans doute.»

Le Corbeau, honteux et confus,
Jura, mais un peu tard, qu’on ne l’y prendrait plus.

Interligne 18hLafontaine 2O corvo e a raposa

Senhor Corvo, numa árvore empoleirado,
Segurava no bico um queijo.
Dona Raposa, pelo odor atraída,
Dirigiu-lhe mais ou menos estas palavras:

«Olá! Bom-dia, senhor Corvo.
Como sois bonito! Como pareceis belo!
Sem brincadeira, se vosso gorjeio
For semelhante à vossa plumagem,
Sois a fênix dos habitantes deste bosque!»

Ao ouvir isso, o corvo não cabe em si de contente;
E, para mostrar sua bela voz,
Abre o grande bico e deixa cair a presa.

A raposa se apodera dela e diz: «Meu caro senhor,
Aprendei que todo bajulador
Vive à custa daquele que o escuta:
Essa lição vale bem um queijo, sem dúvida.»

O corvo, envergonhado e confuso,
Jurou, já meio tarde, que não o apanhariam mais.

Interligne 18hJean de Lafontaine (1621-1695), poeta francês.
Para ouvir a leitura do texto original, clique aqui.

Asfaltada pela corrupção

José Horta Manzano

O mais recente número da prestigiosa revista britânica Financial Times traz reportagem analítica sobre os escândalos na Petrobras ― que há tempos já ressoam nos mercados internacionais. O artigo é explícito e bastante didático. Dou-lhes os dois primeiros parágrafos. Primeiro, no original:

Interligne vertical 14Tarred by corruption

After years of allegedly secret dealings, the men at the centre of what is potentially Brazil’s biggest corruption case made a careless mistake.

In May 2013, convicted black market money dealer Alberto Youssef bought through third parties a luxury car for his friend and alleged accomplice, Paulo Roberto Costa, a former executive at state-oil company Petrobras. (…)

Petrobras 8E agora, em nossa língua:

Interligne vertical 14Asfaltada pela corrupção

Após anos de hipotéticas relações secretas, os pivôs daquele que é provavelmente o maior escândalo de corrupção no Brasil cometeram um pecado por negligência.

Em maio 2013, o doleiro condenado Alberto Youssef deu de presente, por meio de laranjas, um carro de luxo a seu amigo e presumido cúmplice Paulo Roberto Costa, antigo dirigente da estatal de petróleo Petrobras. (…)

Quem se interessar pelo resto do texto, vai encontrá-lo aqui. Está em inglês, é verdade, mas as traduções maquinais de nosso amigo gúgol dão boa pista da sequência.

Interligne 18h

Só para completar o cenário, segue abaixo o quadro estatístico que mostra o desempenho da Petrobrás nos últimos cinco anos em comparação com a média mundial das empresas de petróleo e gás. Os valores do dia 1° out° 2010 são tomados como índice 100.

Petrobras 7

Leveza ideológica

Dora Kramer (*)

Nos tempos de oposição, o PT sempre foi um ferrenho adversário do chamado Sistema S, o conjunto de entidades corporativas voltadas para aprendizagem profissional, assistêcia técnica e similares, como Sesc, Senai, Sesi, Senac e várias outras. Pregava sua extinção.

Depois que virou governo, o partido nunca mais deu uma palavra contra. Uma boa parte da explicação pode ser encontrada em reportagem da revista Época desta semana.

Sesi SenaiMostra como funciona um cabide de funcionários fantasmas no Sesi de São Bernardo do Campo (SP). Nele se encontram pendurados um assessor de Lula na época do Planalto, uma das noras do ex-presidente e a mulher do ex-deputado João Paulo Cunha.

Jair Meneghelli, ex-deputado federal, ex-presidente da CUT, preside o Sesi. Ganha até 60 mil reais mensais, tem dois carros com motorista à disposição ― um em São Paulo, outro em São Bernardo.

(*) O texto transcrito é excerto da coluna de Dora Kramer publicada no Estadão de 6 ago 2014.

Parou

José Horta Manzano

Revista Exame 1O último número da revista Exame traz estampada na capa, em letras garrafais sobre chamativo fundo vermelho, a palavra PAROU.

O subtítulo informa que o diagnóstico se refere à economia brasileira, que parou de crescer.

Vale a pergunta: o que é que o Planalto está esperando para exigir a demissão do grafista responsável pela afronta?

Estreito, atrasado, trapalhão

O governo «plantou» nos jornais de ontem correção importante no seu discurso sobre o Oriente Médio: destacou que a presidenta Dilma qualifica de «massacre» e não «genocídio» o que ocorre em Gaza, em razão da ofensiva israelense.

Dilma isola e se descola do aspone lulista Marco Aurélio «Top-Top» Garcia – que usou a expressão «genocídio», provocando reação de Israel e fazendo do Brasil motivo de chacota.

O governo de Israel chutou o pau da barraca e chamou de «anã» a diplomacia brasileira por saber que «Top-Top» Garcia a lidera de fato.

Dilma e GarciaEstreito, atrasado, trapalhão, Marco Aurélio Garcia jamais foi diplomata, mas define a política externa desde o governo do Lula.

Subservientes, os diplomatas assistem Marco Aurélio Garcia esfacelar o prestígio construído pelo Itamaraty ao longo de mais de cem anos.

Interligne 18c

Reprodução de artigo publicado pelo jornalista Cláudio Humberto in Diário do Poder, 30 jul° 2014.

Dona Mariquinhas e Dona Maricota

Carlos Chagas (*)

As duas velhinhas lá do subúrbio, viúvas e com os filhos criados, passam o dia se vigiando, empenhadas em tertúlias a respeito de que goiabeira é mais florida e dará melhores frutos, ou sobre que quintal está mais bem cuidado. Pela idade que alcançaram, são respeitadas no quarteirão. Mas não têm nenhuma importância para a vida da comunidade.

Assim parecem os ex-presidentes Fernando Henrique e Lula. Não se passa uma semana sem que deixem de se agredir comparando suas goiabeiras e seus jardins. Artigos, entrevistas e comentários sucedem-se de uma para a outra velhinha, mas, convenhamos, apenas para que passe o tempo das duas. A vida sabe ser cruel.

(*) Carlos Chagas (1938-), jornalista, in Tribuna da Internet.

À prova de vazamento

Ruy Castro (*)

Na semana passada, Merkel expulsou o chefe da CIA na embaixada americana em Berlim, por aliciar funcionários da inteligência alemã para se tornarem agentes duplos e venderem informações aos EUA. Depois de sofrer com as polícias secretas nazistas e comunistas por quase 60 anos, é natural que os alemães não gostem de ser espionados. E, afinal, não somos aliados dos EUA? ― pergunta Merkel. Por que espionar aliados?

Porque não há aliados no mundo digital. O homem de capa, chapéu e luvas, adentrando de madrugada um gabinete, vasculhando arquivos com a lanterna, subtraindo pastas de documentos datilografados ficou obsoleto. Hoje, sem sair de seu quarto, um escolar munido de um smartphone consegue furar bloqueio de qualquer instituição e surrupiar seus documentos em 0,1 segundo.

Talvez por isso, o chefe do Parlamento alemão ― o democrata-cristão Patrick Sensburg ― tenha anunciado em televisão que ele e seus colegas estão considerando voltar a usar máquina de escrever para redigir documentos mais sigilosos. O apresentador perguntou-lhe se ele estava brincando. E Sensburg, na lata: «Não, não estou. Os russos já estão fazendo isso desde o ano passado».

(*) Ruy Castro (1948-) é escritor e jornalista. O texto acima transcrito é excerto de artigo publicado pela Folha de São Paulo em 21 jul° 2014.

Os bilhões de Dilma

Percival Puggina (*)

Se você reparar bem, a cada abalo que o governo da presidente Dilma registra em sua sacolejada escala Richter, segue-se algum plano mirabolante ou algum anúncio bilionário destinado a acalmar as ondas. Seja o abalo moral ou político, a reação oficial vem sempre de um ou de outro modo.

Ora o governo anuncia providências estruturais que não funcionam (como essa de intervir no futebol e estancar a evasão de atletas para o exterior), ora reúne o ministério, os governadores, a imprensa, o empresariado, os movimentos sociais e informa que está destinando bilhões de reais para isto ou para aquilo.

Arca 1Convenhamos, é um modo estranhíssimo de governar. É injustificável que, completados 93% de seu mandato e enquanto transcorre o 12º ano de gestão petista, o país ainda esteja sendo governado aos trambolhões, ao arbítrio do momento e seguindo o juízo das necessidades impostas pelas oscilações do Ibope.

De modo especial, tais improvisações parecem incompatíveis com o perfil segundo o qual a presidente foi repassada aos votantes no mercado eleitoral de 2010. São bilhões para cá e para lá, saídos do nada e conduzindo, na vida real, a coisa alguma. É o que se poderia chamar de capital volátil. Faz lembrar aquelas maletas pretas dos filmes de ação, que supostamente deveriam conter vultosas quantias, mas estão recheadas de jornais com notícias antigas.

De fato, são eventos que, a despeito da pompa e circunstância, logo se tornam coisas esquecidas, cuja função se exauriu no momento de cada anúncio. E de nada vale ficar cobrando serventia maior para algo concebido apenas para ser divulgado./p>

(*) Arquiteto, empresário e escritor.
O texto transcrito é excerto de artigo mais extenso. Quem quiser ler a versão integral pode clicar aqui.

No final…

«Le football est un jeu très simple qui se joue à vingt-deux et à la fin c’est toujours les allemands qui gagnent.»

«O futebol é um jogo muito simples, com vinte e dois jogadores. E, no final, quem ganha são sempre os alemães.»

Chavão citado volta e meia na França. Principalmente quando ganham os alemães.

Recordar é viver ― 5

Lingua 1O ex-presidente Lula fala apenas a própria língua, e mal. Mas também não finge “arranhar” outros idiomas.

Em 2005, por ocasião da cerimônia de sepultamento do Papa João Paulo II, ele se viu em meio a personalidades políticas mundiais, incluindo o então presidente da França, Jacques Chirac, que lhe dirigiu algumas palavras.

Sem qualquer diplomata brasileiro nas proximidades para socorrê-lo, o Lula não hesitou. Cutucou o antecessor Fernando Henrique Cardoso, que estava ao lado, e pediu com toda a humildade:

― Traduz aí, Fernando!

Pescado no site do Cláudio Humberto, Diário do Poder.