Frase do dia — 285

«Do alto de seu elevado discernimento, [o Lula] passou a tratar os brasileiros como idiotas. Sua biografia certamente se valorizaria se ele se dispusesse a seguir o conselho que deu a Fernando Henrique Cardoso em 2003: um ex-presidente da República não deve dar palpite em assuntos do governo.»

Editorial d’O Estado de São Paulo, 23 jan° 2016.

Frase do dia — 282

«Já que fala tanto em democracia, Dilma precisa urgentemente resgatar a cláusula democrática da Unasul e do Mercosul contra a ingerência ditatorial do Executivo e do Judiciário sobre o Legislativo na Venezuela. Ou Dilma toma a dianteira, ou a liderança brasileira vai continuar sangrando, com o Brasil a reboque da Argentina de Mauricio Macri.»

Eliane Cantanhêde, em sua coluna do Estadão, 13 jan° 2015.

Frase do dia — 281

Validade vencida
«O governo brasileiro apontou as agressões da Venezuela à democracia com pelo menos dez anos de atraso. Neste aspecto, perdeu a liderança para o argentino Mauricio Macri.»

Dora Kramer, em sua coluna do Estadão, 6 jan° 2016.

Frase do dia — 280

«Na abordagem da crise na política, a presidente obedece ao critério de agressão aos fatos. De acordo com sua narrativa, “a instabilidade política se aprofundou por uma conduta muitas vezes imatura de setores da oposição que não aceitaram o resultado das urnas”.

Note-se: a culpa é da oposição que, exatamente por aceitar o resultado da eleição, seguiu a vontade do eleitor e se opôs ao governo.»

Dora Kramer, em sua coluna do Estadão, 3 jan° 2016.
Faz referência à mensagem de ano-novo, assinada por nossa presidente e publicada unicamente por escrito.

Frase do dia — 279

«O Brasil entrou no túnel do tempo e caminha celeremente em direção à década de 80 do século passado.»

José Márcio Camargo, economista, em artigo intitulado Uma ponte para o passado, publicado pelo Estadão.

Por que complicar?

Chamada do Estadão, 1° jan 2016

Chamada do Estadão, 1° jan 2016

José Horta Manzano

Por que “chikungunya”? Essa grafia é destinada à mídia de língua inglesa. Temos meios mais familiares para escrever o nome da enfermidade. Fica assim, ó: chicungunha.

Até a Wikipédia já entendeu ‒ vá conferir.

Frase do dia — 277

«Por não roubar (embora deixe que roubem) nem ter contas no exterior (embora tenha admitido durante a campanha que guardava dinheiro “no colchão”), a presidente julga-se dona de reputação ilibada e, por isso, merecedora de toda confiança.

Mostra-se desonesta, porém, quando mente e deixa que seus auxiliares mintam. Para ganhar a eleição de 2010, embarcou na falácia de Lula sobre a excelência de sua capacidade administrativa. Para se reeleger, em 2014, criou uma fábula segundo a qual a oposição, se vencedora, jogaria o Brasil na recessão e no retrocesso. Foi desmentida pelos fatos.»

Dora Kramer, em sua coluna do Estadão, 9 dez° 2015.

Frase do dia — 276

«O PT que, quando estava na oposição, prometia enforcar o último político fisiológico nas tripas do último empresário corrupto é o mesmo que franqueou a administração pública a diversas quadrilhas, em troca do pedágio que irrigaria os cofres petistas.»

Editorial do Estadão, 5 nov° 2015.

Frase do dia — 275

«Em seis minutos, quando você houver terminado de ler este texto, 12 brasileiros terão perdido o seu emprego: dois a cada minuto. Será difícil achar outro. Quem encontrar dificilmente será com um salário semelhante.»

José Nêumanne Pinto, escritor e jornalista, em artigo publicado no Estadão de 2 nov° 2015.

Lixo eletrônico

José Horta Manzano

Chamada do Estadão, 2 dez° 2015

Chamada do Estadão, 2 dez° 2015

Fico na dúvida quanto às intenções do autor da chamada. Pode ter sido sensacionalismo, pode ter sido má-fé. No fundo, no fundo, opto pela preguiça. Bastava fazer as contas. E olhe que não é difícil. Veja só:

O Brasil abriga 35% da população da América Latina.

Os brasileiros produzem 36% do lixo eletrônico.

A lógica foi respeitada.

Grande burrada

José Horta Manzano

Para o Lula, tentativa de Delcídio de barrar a Lava a Jato foi uma grande burrada.

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Burro 3Esse foi o título de matéria publicada pelo Estadão de 26 novembro. A declaração de nosso guia, proferida em fino e típico linguajar, foi dada num almoço havido na sede da CUT, em São Paulo.

O encontro era particular, do tipo ação entre amigos. No entanto, sacumé, ninguém consegue costurar língua alheia. Sempre há os que saem por aí dando nos dentes. Segredo confessado a uma pessoa – umazinha só – deixa de ser confidência.

Burro 4Provocado por companheiros que botaram o termômetro pra medir a reação do chefe, o Lula tentou escapulir. Com respostas lacônicas do tipo “que absurdo!” ou “que loucura!”, imaginou esgueirar-se. Não deu certo. Os comensais da boca-livre exigiam mais. Sem estender-se em longo discurso, o demiurgo declarou que o que o senador fez “foi uma grande burrada”.

Burro 5Todos entenderam que o Lula se estivesse referindo ao mérito. Interpretaram o pronunciamento como censura e repúdio às intenções criminosas do senador. Quanto a mim, habituado que estou a observar mui atentamente o ex-metalúrgico, entendi diferente. E acho que não estou enganado.

Mais adiante, o artigo do Estadão diz que, para o Lula, o senador preso é político experiente, sofisticado, que não poderia ter-se deixado gravar de forma simples como foi feito por Bernardo Cerveró.

Burro 6Pronto, para mim, esse complemento de informação deixou as coisas claras. Ao acusar Delcídio de haver cometido “uma grande burrada”, o antigo presidente da República não alude ao mérito, mas à forma. A grande burrada foi ter caído na armadilha. Nosso guia não censura os planos do senador, mas a ingenuidade na execução. Pouco importa que projetos urdisse, desde que agisse discretamente e resguardasse os malfeitos de comprometedora exposição pública.

Por enquanto, fica no ar a pergunta: por que será que o senador teme e treme ante revelações que possam ser feitas? Que segredos escabrosos ainda estão por vir? No próximo capítulo da Lava a Jato, saberemos.

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Burro 7PS: Tenho grande simpatia pelo burro – falo do animal, não de demiurgos nem de senadores. Acho deveras injusto atribuir o epíteto de burro a humano de pouca inteligência.

Suficientemente rica, a língua cobre a supressão do humilde animal. Tapado, idiota, bronco, ignorante, parvo, estulto, tolo, estúpido, imbecil, lerdaço, néscio, inepto, palerma dão o mesmo recado.

Legado desastroso

Estatísticas 2O PIB per capita em dólares deve cair de US$ 11.566 em 2014, para US$ 8.490 em 2015 e para US$ 7.900 em 2016.

A renda dos brasileiros estará cada vez mais distante do padrão de países desenvolvidos – mesmo aqueles que enfrentam brutais dificuldades, como a Grécia, cujo PIB per capita é de US$ 21.682.

Esse é, em resumo, um dos grandes legados do lulopetismo, a ser sentido por gerações, e que só poderá ser superado por meio de uma grande mobilização nacional em torno de um projeto de país radicalmente distinto das fantasias irresponsáveis criadas por Lula & companhia bela.

Trecho de editorial do Estadão, 4 nov° 2015.

Boca torta

Dora Kramer (*)

Os comunistas antigamente diziam-se pautados pela “linha justa”. Os petistas atualmente demonstram se conduzir pela linha injusta. Entre outros exemplos, está a carga pesada feita contra os ministros da Fazenda e da Justiça.

Joaquim Levy e José Eduardo Cardozo desagradam ao PT não pelos defeitos, mas pelas qualidades. Levy segue a direção lógica do ajuste realista na condução de uma política econômica que, embora recessiva, é a única capaz de levar o País à correção do rumo perdido. Cardozo faz o que lhe cabe por dever de ofício e não procura interferir onde não pode: no trabalho da polícia, da Justiça e do Ministério Público.

Sinalização curva 2Na visão petista, quem faz o certo está errado e, por isso, deve deixar o governo. Por essa ótica, o ministro da Fazenda deveria ser irresponsável e o titular da Justiça, transgressor da Constituição.

O partido talvez pense assim por ter-se acostumado ao padrão de irresponsabilidade e transgressão estabelecido desde o governo Luiz Inácio da Silva – modelo este fundado na crença de que é permitido fazer tudo errado acreditando que no fim possa dar certo.

(*) Dora Kramer, em sua coluna do Estadão, 25 out° 2015

Frase do dia — 267

«Poucas vezes terá havido situação semelhante à deste nosso banquete de horrores no qual 90% dos comensais declaram ter nojo da comida que lhes tem sido servida, mas são obrigados a continuar a tragá-la simplesmente porque não sabem pedir outro prato.»

Fernão Lara Mesquita, jornalista, em artigo publicado pelo Estadão, 24 out° 2015.

Frase do dia — 266

«De acordo com a constatação insuspeita de Frei Betto, nas favelas que se multiplicam por todo o País se encontram hoje barracos devidamente equipados com geladeira, eletrodomésticos, televisores moderníssimos, às vezes até mesmo carros populares e outros objetos de consumo.

Mas, quando saem porta afora, as pessoas não encontram escolas, postos de saúde e hospitais decentes, transporte público eficiente e barato, segurança adequada, enfim, os bens sociais que são muito mais essenciais a um padrão de vida digno do que os bens de consumo que lhes oferecem a ilusória sensação de prosperidade.»

Editorial do Estadão, 20 out° 2015.

Formalismo estúpido

José Horta Manzano

Erros acontecem, é da vida. Já me aconteceu ir à farmácia, receita em punho, e ouvir do farmacêutico algo do tipo «Mas qual é a dosagem do remédio? Vinte ou quarenta miligramas?» É quando o médico, distraído, se esquece de que aquele remédio é vendido em dosagens diferentes.

Remedio 1Na incerteza, que faz o farmacêutico? Pede-me que aguarde um instante, vai até o escritório que fica a dez passos do balcão, pega o telefone e liga para o consultório médico. Identifica-se e expõe a dúvida. Dez vezes em dez, recebe a resposta na hora. Em menos de dois minutos, a dúvida está esclarecida. O farmacêutico volta então ao balcão tendo já nas mãos o remédio. Pago a conta, levo o produto e o problema termina ali. Sem mortos nem feridos.

Li ontem estonteante notícia no jornal. Aconteceu no Maranhão estes dias. Ao não conseguir decifrar o que estava escrito na receita, o atendente da farmácia recusou-se a servir o cliente. Despachou-o de volta ao galeno exigindo que trouxesse prescrição legível. Irritado, o médico se excedeu. Reescreveu a receita acrescentando insultos: tratou o farmacêutico de imbecil e de analfabeto.

Receita 1Nessa altura, quem se enfezou de vez foi o paciente. Fez chegar o acontecido à imprensa causando alarido. O irrespeitoso comportamento pode custar ao médico uma sanção. Deveria render um puxão de orelhas ao farmacêutico também. A notícia não diz se, ao final, o paciente conseguiu receber a medicação. Fica só a certeza de ter sido inutilmente maltratado, jogado de lá pra cá como se marionete fosse.

Farmacia 1Por que tudo isso? De onde vem essa agressividade que, longe de resolver, agrava situações e arma conflitos? É difícil apontar causa única, que é fruto de um conjunto de fatores. Intolerância, soberba, arrogância, visão corporativista, baixa instrução se misturam. É flagrante o menosprezo pelo cliente que é, no fim das contas, justamente quem sustenta médico e farmacêutico.

Falta, acima de tudo, educação básica. Pra corrigir, é necessário percorrer longo caminho. Se começarmos hoje, só daqui a uma ou duas gerações nossa sociedade terá começado a aprender a viver em harmonia. Todo caminho, por mais longo que seja, começa com o primeiro passo.

Com incentivo do governo federal, que persiste em compartimentar os brasileiros em categorias estanques, antagônicas e adversárias, ainda estamos longe de dar esse primeiro passo. Por enquanto, tentamos sobreviver na selvageria primitiva do nós contra eles”.

Diretor de marketing do bando

José Horta Manzano

Lapsus calămi

Lapsus calămi é locução latina usada para designar erro que escapa, por inadvertência, a quem escreve. Há quem considere esse tipo de tropeço um revelador do que o escriba tinha realmente em mente.

Pra explicar a escorregadela aqui abaixo, nem é preciso chamar Freud.

Trecho de reportagem do Estadão, 6 out° 2015

Trecho de reportagem do Estadão, 6 out° 2015