Humor
Interrogatório em Curitiba
Facções armadas
José Horta Manzano
Eu sei o que é uma facção ‒ palavra chique atualmente utilizada para designar um bando, uma gangue, uma malta. Mas desconhecia o significado de fação. Fui ao dicionário e não encontrei. Que seria?
Só a leitura da notícia foi capaz de esclarecer. Manifestantes lulistas levam FACÕES. Há de ser para cortar a língua de delatores.
Outras máximas ― 34
«O bem que o Estado pode fazer é limitado; o mal, infinito. O que ele nos pode dar é sempre menos do que nos pode tirar.»
Roberto de Oliveira Campos (1917-2001), economista, diplomata e homem político mato-grossense.
Não vai cair
Lição de anatomia
Variantes do capitalismo
Esta listinha já circula há pelo menos 15 anos. Antigamente, se dizia «de mão em mão». Agora, convém dizer «de tela em tela». Assim mesmo, o texto guarda intacta sua relação com a realidade. Especialmente no Brasil.
CAPITALISMO IDEAL
Você tem duas vacas. Vende uma e compra um touro. Eles se multiplicam e a economia cresce. Você vende o rebanho e, bem de vida e com o futuro garantido, se aposenta.
CAPITALISMO AMERICANO
Você tem duas vacas. Vende uma e força a outra a produzir leite de quatro vacas. Fica surpreso quando ela morre.
CAPITALISMO FRANCÊS
Você tem duas vacas. Entra em greve porque quer ter três.
CAPITALISMO CANADENSE
Você tem duas vacas. Usa o modelo do capitalismo americano. As vacas morrem. Você acusa o protecionismo brasileiro e adota medidas protecionistas para ter as três vacas do capitalismo francês.
CAPITALISMO JAPONÊS
Você tem duas vacas, né? Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite. Depois cria desenhos de vacas chamados Vaquimon e os vende para o mundo inteiro.
CAPITALISMO BRITÂNICO
Você tem duas vacas. As duas são loucas.
CAPITALISMO HOLANDÊS
Você tem duas vacas. Elas vivem juntas, não gostam de touros e tudo bem.
CAPITALISMO ALEMÃO
Você tem duas vacas. Elas produzem leite pontual e regularmente, segundo padrões de quantidade previamente estabelecido. O horário da ordenha é fruto de estudo científico. Toda a execução segue ritual preciso e lucrativo. Mas o que você queria mesmo era criar porcos.
CAPITALISMO RUSSO
Você tem duas vacas. Conta-as e vê que tem cinco. Conta de novo e vê que tem 42. Conta de novo e constata que são apenas 12. Você para de contar e abre outra garrafa de vodca.
CAPITALISMO SUÍÇO
Você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua. Você cobra para guardar a vaca dos outros.
CAPITALISMO ESPANHOL
Você tem muito orgulho de ter duas vacas.
CAPITALISMO PORTUGUÊS
Você tem duas vacas. E reclama porque seu rebanho não cresce.
CAPITALISMO CHINÊS
Você tem duas vacas e 300 pessoas tirando leite delas. Você se gaba muito de ter pleno emprego e uma alta produtividade. E manda prender o ativista que divulgou os números.
CAPITALISMO HINDU
Você tem duas vacas. Ai de quem tocar nelas.
CAPITALISMO ARGENTINO
Você tem duas vacas. Você se esforça para ensinar as vacas a mugir em inglês. As vacas morrem. Você oferece a carne delas para o churrasco de fim de ano do FMI.
CAPITALISMO BRASILEIRO
Você tem duas vacas. Uma delas é levada por um ladrão. O governo cria a CCPV – Contribuição Compulsória pela Posse de Vaca. Um fiscal vem e o autua porque, embora você tenha recolhido corretamente a CCPV, devia ter calculado o valor pelo número de vacas presumidas e não pelo de vacas reais. A Receita Federal, por meio de dados também presumidos do seu consumo de leite, queijo, sapatos de couro e botões, presume que você tenha 200 vacas e, para se livrar da encrenca, você dá a vaca restante ao fiscal para ele deixar por isso mesmo.
Pitágoras
Nomes delicados ‒ 1
José Horta Manzano
Cada língua tem gênio próprio. Os mesmos sons e as mesmas palavras que, aqui, soam bem podem não ser percebidos com a mesma benevolência por ouvidos estrangeiros. E vice-versa.
Uma de minhas irmãs casou-se com um catalão. Quando engravidou, começaram as conversas para escolher o nome do nascituro. O marido disse que, se viesse um menino, gostaria que se chamasse Pau. Assustada, minha irmã recusou-se obstinadamente. «‒ Filho meu chamado Pau? Nem em pesadelo!» A discórdia desapareceu quando a ecografia atestou que era uma menina. Explicação: Pau, que soa tão estranho a nossos ouvidos, é nada mais que a forma catalã de nosso corriqueiro Paulo.
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Algumas cidades, vilas e vilarejos ao redor do mundo levam nome que, para nós, pode parecer surpreendente. Aqui estão três exemplos:
Bastardo
Pequeno distrito do município italiano de Giano dell’Umbria (província de Perúgia) leva esse nome incômodo. Abriga mais de 2000 habitantes. As estatísticas não informam se são todos bastardenses.
O nome do distrito, assaz original, deriva de antigo albergue chamado Osteria del Bastardo, hoje desaparecido. Faz um século que os habitantes querem mudar o nome do lugar mas, conversa vai, conversa vem, nunca chegaram a um acordo. Por enquanto, vai ficando assim mesmo.
Vagina
Nada menos que três povoados russos carregam esse estranho nome. Um fica na província de Krasnoyarsk, outro está na região de Kurgan e o terceiro situa-se no distrito de Aromashevsky, região de Tyumen. Pelas informações que tenho, o significado da palavra é o mesmo que em nossa língua. Há mistérios insondáveis.
Kagar
No Estado de Brandemburgo (Land Brandenburg), na Alemanha, está a cidade de Rheinsberg. Um de seus pequenos distritos leva o charmoso nome de Kagar. Situada a apenas 50km de Berlim, a região é muito procurada em período de férias. A principal atração turística do distrito é um pequeno lago chamado justamente Kagarsee (See é a palavra alemã para lago).
Por coincidência, a pequena distância do lago, está o canal de Repente, recanto de aspecto paradisíaco, um convite para passeios. Recomenda-se a quem passar pela região, especialmente entre maio e setembro, fazer uma excursão a pé de Repente a Kagarsee. É um charme só.
Nota
Este artigo foi amplamente inspirado num excelente blogue espanhol, o Fronteras Blog. Aqui fica meu agradecimento.
Histórias de gente
Assistência
Os retirantes
Zero de zero
José Horta Manzano
Em 1964, uma tibetana deu à luz uma menina num acampamento de refugiados situado em território indiano. Ninguém se preocupou em registrar a criança em cartório. Sequer a data de nascimento foi anotada. E a vida seguiu.
Chacoalhada de cá pra lá na primeira infância, a menina acabou sendo adotada por um casal estrangeiro. Levaram a garota para a Suíça em 1971. Na falta de data exata de nascimento, decidiu-se anotar 1.1.1964. E assim ficou. Capricorniana por obrigação, a moça foi crescendo sem maiores problemas.
Como têm feito os demais países, já faz algum tempo que a Suíça parou de emitir passaportes de modelo antigo. Os novos são biométricos, padronizados conforme as diretivas internacionais. Nossa refugiada, hoje com 52 anos, precisou renovar seu documento. Seguiu os trâmites habituais.
Por artes da programação informática, o documento veio com nova data de nascimento: 0/0/1964. Como é que é? Isso mesmo, assim dizia o papel. Passado o primeiro momento de estupor, a cidadã ponderou que não era possível conviver com um dado tão estapafúrdio. Resolveu pedir alteração.
Foi uma maratona. Teve de fazer requerimentos, redigir petições, preencher formulários, dar explicações a funcionários atônitos. Ninguém sabia o que fazer. Descobriu-se que o problema vinha do registro de casamento da moça, onde o escrivão havia anotado somente o ano de nascimento acompanhado da menção «data desconhecida». Para computador, tudo o que é desconhecido tem valor igual a zero, donde a data bizarra.
Depois de muita luta, veio a luz: não fazia sentido manter aquela data estranha. A antiga refugiada consultou a mãe, velhinha, mas ainda lúcida. Cogita daqui, conjectura dali, chegaram à conclusão de que 28 de março era uma boa data ‒ em todo caso, melhor que zero de zero. E assim ficou. Nossa heroína, agora “remoçada” três meses, completará 53 anos no fim de março. Parabéns a ela.
Politicamente corrigido
Touradas em Madri
José Horta Manzano
Ok, ok, ninguém é santo. Quem é que nunca cabulou quando estava na escola? Quem é que nunca deu uma desculpa esfarrapada ao voltar tarde pra casa? Ou no dia em que faltou no serviço?
Agora, inventar um pretexto é uma coisa. Publicá-lo na rede ‒ com foto e tudo ‒ já é burrice da grossa. Ah, essa vaidade…
Falando nisso, que é que vai acontecer com o doutor que assinou o atestado? Fica por isso mesmo?

Este post foi preparado já faz algum tempo, logo que saiu a divertida notícia. Acabou esquecido num escaninho e nunca foi publicado. Reencontrei hoje. Dado que continua me parecendo hilário, ‘compartilho’ ‒ como se costuma dizer neste mundo moderno.
Como se pronuncia Odebrecht?
José Horta Manzano
Certas palavras de origem estrangeira são verdadeiro desafio. Algumas delas, constantemente marteladas pela mídia e sempre pronunciadas da mesma maneira, acabam entrando no costume. Já outras, ouvidas com menor frequência, aparecem como pedra no caminho de locutores, narradores e do simples cidadão.
Uma delas é Odebrecht. Até alguns anos atrás, pouca gente tinha ouvido falar da empreiteira que leva o nome dos fundadores. Hoje a coisa mudou. Não se passa dia sem que a gente tenha de ler ou ouvir esse nome, goste ou não goste. Não tem como escapar. Pelo andar da carroça, ainda vamos topar com esse nome por meses, talvez anos. É bom aprender a pronunciá-lo direitinho.
Tradicionalmente, a língua alemã nunca fez parte do currículo escolar brasileiro. Portanto, na incerteza, cada um pronuncia como acha que deve ser. E nem todos estão de acordo.
Há quem pule por cima do ch, aterrissando direto no t. Sai algo como «Odebrét», com um t meio mudo. Parece chique, mas passa longe da pronuncia alemã.
Outros trocam as letras de lugar. Fazem como se o t estivesse antes to ch formando um tch. Esforçam-se por articular mas sai um estranho «Odebrétch». De orelhada, um alemão não identificaria a palavra.
Já ouvi puristas que, levando em conta que a empresa é baiana, fazem questão de abrir as vogais. Ouve-se um peculiar «Ódebrétch». Tem charme, sem dúvida, mas o caminho não é esse não, meu rei.
Uns poucos tiveram aulas de alemão. Aprenderam que o ch indica pronúncia aspirada, próxima da jota espanhola. Capricham então num ríspido «Odebréxht», que soa como chicotada. Embora doa no ouvido, não corresponde à pronúncia original.
A maioria opta pela lei do minimo esforço. Fazendo pouco caso da inabitual sequência de letras, faz de conta que não viu o t final e solta um «Odebréch». É simples e tem a vantagem de não agredir o ouvido de ninguém. Só que não é assim que se articula.
Conhece o distinto leitor a pronúncia castiça, aquela que sairia da boca de um alemão de boa cultura? Não sabe? Pois vou lhe dizer. «Odebrecht» se pronuncia… exatamente como se escreve.
Vai acabar
José Horta Manzano
Como é que é? ‘Nuestra América’ tem 31% das mortes mundiais? Eta manchete mal estruturada!
Se for assim, não precisa ser acadêmico pra vislumbrar o futuro da região: a esse ritmo de mortalidade, em poucos anos a América Latina deixará de existir. Por absoluta falta de habitantes.
Bicho-papão
José Horta Manzano
Como de costume, a verdade costuma brotar das entrelinhas. Com frequência, o que não foi dito vale mais do que as palavras pronunciadas.
Nosso guia, que sabe muito bem que encarna, na cabeça da maioria dos brasileiros, o mal do qual o Brasil está tentando se livrar, usa a fantasia de eventual candidatura à presidência como ameaça. Age como a mãe que chantageia o filho com o espantalho do bicho-papão.
Quem será o destinatário das ameaças do Lula? Cada um é livre de tirar suas conclusões.
Narciso dos novos tempos
Bandeiras apetitosas
José Horta Manzano
Japão
Líbano
Itália
Indonésia
Índia
Grécia
França
Estados Unidos
Espanha
China
Austrália
Vietnã
Reino Unido
Turquia
Suíça
Coreia do Sul
Brasil
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Crédito das fotos: Diego González, editor do blogue Fronterasblog.com

















































