Ladrão? Eu?

José Horta Manzano

Chamada da Folha de São Paulo, 22 out° 2015

Chamada da Folha de São Paulo, 22 out° 2015

Conclusão lógica: os outros podem.

Foi seu mestre quem mandou. Esqueceu-se de que 90% dos brasileiros rejeitam o “modo petista de governar”.

Repare o distinto leitor que nosso guia já se resignou com o fato de correligionários serem adeptos da ladroagem. Só não admite ser tratado como tal por colegas de ofício.

São particularidades destes tempos estranhos.

Verdade distorcida

José Horta Manzano

Precisa um pouco de tudo pra fazer um mundo: beleza, feiura, bondade, maldade, riqueza, pobreza. E assim por diante. Mas tudo tem limite. Além de um ponto de ruptura, a má-fé torna-se intolerável.

Folha online, 9 out° 2015 – Primeira página

Folha online, 9 out° 2015 – Primeira página

Neste 9 out° 2015, por volta de 11h manhã (hora de Brasília), os principais jornais do mundo estão dando, em manchete, a notícia quente: o nome dos ganhadores do Prêmio Nobel da Paz.

No mesmo momento, a Folha de São Paulo manda o Nobel pra segundo plano e prefere ressaltar a choradeira do presidente da Câmara, dedurado pelo banco que acolhia seus milhões.

Até aí, pode-se imaginar que a dessitonia não passe de escolha do editor. Não parece tão grave. A coisa começa a ficar esquisita quando se lê chamada informando que «cópia de passaporte de Cunha foi usada para abrir conta, diz banco suíço».

Folha online, 9 out° 2015

Folha online, 9 out° 2015

«Cópia de passaporte?» Como assim? O leitor distraído guarda a impressão de que o banco trapaceou, mostrando cópia de documento como prova de abertura de conta.

Imagino que no mundo inteiro os bancos sigam o mesmo procedimento de acolhida a novo cliente. Em todo caso, posso garantir que, na Suíça, bancos não costumam abrir conta na base de «cópia» de passaporte. O candidato se apresenta e exibe o documento original. Cabe ao funcionário tirar cópia do documento para arquivá-la no dossiê. É exatamente essa cópia que o banco juntou à documentação demonstrando que o presidente da Câmara tem conta naquela instituição.

Mas, sacumé, cada jornal apresenta a verdade sob as luzes que mais favorecem seus interesses.

Diretor de marketing do bando

José Horta Manzano

Lapsus calămi

Lapsus calămi é locução latina usada para designar erro que escapa, por inadvertência, a quem escreve. Há quem considere esse tipo de tropeço um revelador do que o escriba tinha realmente em mente.

Pra explicar a escorregadela aqui abaixo, nem é preciso chamar Freud.

Trecho de reportagem do Estadão, 6 out° 2015

Trecho de reportagem do Estadão, 6 out° 2015

Iria se tornaria

José Horta Manzano

Chamada da Folha de São Paulo, 4 ago 2015

Chamada da Folha de São Paulo, 4 ago 2015

Iria se tornaria…
Se o Zé Dirceu estiver tão desorientado quanto o estagiário que redigiu essa chamada, é bom que os companheiros se acautelem. Há perigo no ar.

O neopresidiário carrega uma sacola de informações constrangedoras para os mais chegados.

Sem margem de erro

José Horta Manzano

Chamada de O Globo, 31 jul° 2015

Chamada de O Globo, 31 jul° 2015

Primeira premissa
O fabricante confirma que o destroço é de Boeing 777.

Segunda premissa
Especialistas afirmam que, sem esse pedaço de asa, nenhum avião pode voar.

Terceira premissa
Não se tem notícia de nenhum Boeing 777 desaparecido – além do aparelho da Malaysia Airlines.

Conclusão evidente
O destroço só pode provir do voo MH 370, desaparecido em março de 2014. Não há alternativa. As autoridades australianas podem se convencer sem medo de errar.

O custo da desratização

José Horta Manzano

Dona Dilma afirma que a Operação Lava a Jato causou queda de um ponto percentual no PIB.

Não ficou clara a metodologia que lhe permitiu chegar a número tão preciso. Pouco importa. Ainda que ela tivesse tentado explicar, é provável que sua sintaxe peculiar nos impedisse de entender.

Estatísticas 2A ser verdade, até que saiu barato. Eliminação de praga sempre tem um custo.

Mensalões e petrolões, pragas impingidas ao País por Lula, Dilma & cia, hão de ter custado a nosso já raquítico PIB muitos e muitos pontos percentuais.

Pensando bem, o preço de um ponto percentual está de bom tamanho.

Bravata, ministrinho e padrinho

José Horta Manzano

Bravata
O deputado Cunha, presidente da Câmara, desafiou o Judiciário. Disse que concorda em ser chamado para acareação com seus acusadores. Pura bravata: a Justiça, quando determina confronto entre indivíduos, dispensa consentimento do acusado. Se for convocado, tem de ir. Caso não se apresente, sujeita-se a ser conduzido manu militari.

by Roque Sponholz, desenhista paranaense

by Roque Sponholz, desenhista paranaense

Afundemos juntos
A valentia do deputado bravateiro durou uma frase só. Na sequência, apelou para o velho abraço de afogados. Sugeriu às autoridades judiciárias que, caso o chamem para acareação, que aproveitem o embalo para chamar também dona Dilma e alguns de seus ministros. Vamos todos juntos!

Ministrinho
Segundo o deputado, um dos que deviam ser chamados para acareação é um ministro de Estado chamado “Edinho”. Este blogueiro é do tempo em que diminutivos serviam de apelido pra criança. Ministro Edinho? Tira a seriedade do cargo.

Pirulito 1Defesa do padrinho
Dona Dilma pediu a seus ministros que saiam em «defesa pública» do Lula. No âmbito privado, é compreensível ditar a auxiliares o caminho a seguir. Deixar vazar esse tipo de determinação pega mal. Fica a impressão de que nosso guia e seus advogados são incapazes, sozinhos, de assumir a defesa.

A semana em revista

by Amarildo Lima, desenhista capixaba

by Amarildo Lima, desenhista capixaba

Cuba e o Mais Médicos A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) já recebeu, por meio do Mais Médicos, mais de R$ 4,3 bilhões do governo federal. Alvo de graves denúncias de uso do programa como fachada para financiar a ditadura cubana, a Opas repassava aos médicos apenas 10% dos R$ 11 mil pagos por profissional, levando quase cinquenta cubanos a desertarem e fugirem do Brasil para não correrem risco de deportação.

Claudio Humberto, jornalista.

Comentário deste blogueiro A notícia não menciona crescente suspeita de que boa parte dessa fortuna tenha sido repatriada ao Brasil. Tanto pode ter vindo em malas, como pode ter sido depositada em contas offshore. De toda maneira, que se saiba, o dia a dia do sofrido povo da ilha não melhorou com esses bilhões todos.

Interligne 28aBrasil e ChinaFaçanha diplomática Uma das façanhas da diplomacia inaugurada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, foi isolar o País das grandes oportunidades de integração comercial, torná-lo dependente em excesso do Mercosul e da vizinhança e condená-lo a uma relação semicolonial com a China. Rolf Kuntz, jornalista.

Interligne 28aDilma nas mãos de Cunha Enrolada nas pedaladas fiscais, Dilma Rousseff reclama com aliados que está nas mãos do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Ela tem razão em se preocupar. Cunha vive às turras com o PT, que o hostiliza, e será ele quem analisará a admissibilidade de eventual pedido de impeachment. E quem o conhece sabe que se ele colocar o caso em votação, no plenário, dificilmente Dilma escapará. É o que a apavora.

Claudio Humberto, jornalista.

Interligne 28aEquador 2Onda de manifestações no Equador Bastou o papa Francisco deixar o território equatoriano para que milhares de pessoas voltassem às ruas, na última quinta-feira, em Quito e Guayaquil, com faixas de «Fora, Correa, fora» e «O Equador não é a Venezuela».

Sylvia Colombo, jornalista.

Comentário deste blogueiro É em momentos como esse que o Brasil, cuja ambição é liderar a região, teria de usar seu peso político e econômico para pressionar o governo equatoriano com vista a repor aquele país nos trilhos. Somos os principais responsáveis pela sobrevivência de governos autocráticos como os do Equador, da Bolívia e da Venezuela – relíquias mumificadas de um tempo que passou.

Interligne 28aBrics 2Patota Na Rússia, a presidente Dilma Rousseff defendeu a cooperação entre os integrantes do Brics – Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul – como reação à crise. Presa ao cacoete, mais uma vez uma autoridade brasileira insiste na fantasia do clubinho alternativo como forma de sobreviver no mundo malvado.

Rolf Kuntz, jornalista.

Interligne 28a

Você por aqui? Que coincidência!

Gerson Camarotti (*)

«Na escala técnica que fez na cidade do Porto, em Portugal, antes de seguir para Rússia, a presidente Dilma Rousseff teve um encontro reservado com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski.

by Roque Sponholz, desenhista paranaense

by Roque Sponholz, desenhista paranaense

A reunião não tinha sido incluída na agenda oficial. Também participou do encontro o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.»

(*) Gerson Camarotti, comentarista político da GloboNews, em seu blogue alojado no site Globo.

Alfabetização

José Horta Manzano

Artigo do Estadão deste 11 jul° 2015.

Estadão, 11 jul° 2015

Estadão, 11 jul° 2015

Estamos voltando aos tempos do Jeca Tatu em marcha acelerada. É a Pátria Educadora em ação.

Igual à Zélia

José Horta Manzano

Chamada do jornal Folha de São Paulo, 9 jul° 2015.

2015-0709-01 FolhaTem horas em que mais vale sair de cena. Processar o agressor só vai acirrar a antipatia da população. Agindo assim, senhor Mantega está condenado a ser apupado pelo resto de seus dias.

Autores de desastre na economia do Brasil ficam marcados para sempre. Todos se lembram de Zélia, aquela do confisco. A moça foi mais esperta: casou, mudou e não convidou. Ninguém mais ouviu falar.

Perseguição

José Horta Manzano

Chamada do jornal O Globo, 3 jul° 2015.

O Globo, 3 jul° 2015

O Globo, 3 jul° 2015

Isso já é perseguição. Quanta injustiça! E pensar que um batalhão de advogados teceu um calhamaço de 40 laudas… pra chegar a esse resultado. Ai, ai, ai, onde é que vamos parar?

Sim ou não?

José Horta Manzano

Você sabia?

Outro assunto que está em todas as bocas estes dias é o nó financeiro enfrentado pela Grécia. Fica ou não fica na zona do euro, aprova ou não aprova restrições financeiras, o grego está na dúvida.

Grecia 5Em busca de respaldo popular, o primeiro-ministro decidiu convocar um plebiscito. O povo terá de responder por um sim ou por um não.

Grecia 6Não, no, non, nein, nej, niet – as línguas europeias costumam expressar negação com uma palavra começando por ene. Mas nem todas fazem isso. Os gregos, justamente, utilizam o termo Ναι (pronúncia: né) para dizer sim. Quando querem negar, dizem Óχι (pronúncia: óhi).

Para nós, é desnorteante. Vasto mundo…

Saariano

José Horta Manzano

Você sabia?

A Europa ocidental enfrenta estes dias onda de calor saariana. Por sinal, trata-se de uma bolha de ar extremamente aquecido que escapou do deserto e chegou até aqui.

Ontem, 2 de julho, fez quarenta graus em Paris. Desde 1947, o termômetro não subia tão alto por lá. Na Andaluzia, sul da Espanha, a temperatura tem atingido os 44 graus.

Até na moderada Suíça, estamos transpirando. Em Genebra, fez ontem 35°. E aqui está a previsão para os próximos cinco dias:

Meteo 1Quem foi mesmo que disse que na Europa nunca faz calor?

Períodos extremamente quentes são aqui ditos caniculares. Neste momento, atravessamos uma canícula. As palavras são as mesmas em nossa língua, embora mais raramente usadas. Conhece a origem da expressão?

Canicule 1A estrela mais brilhante do céu chama-se Sirius. Fica na constelação do Cão Maior, donde seu apelido: Canicula – cachorrinha. Cão, em latim, é canis.

Canicule 2No Hemisfério Norte, entre 24 de julho e 24 de agosto, Sirius nasce e se põe junto com o Sol. Dado que é justamente nesse período do ano que sobrevêm os grandes calores, os dois fenômenos se amalgamaram na cabeça das gentes. Calor forte identifica-se com canícula. Ou seja: um calor do cão.

A seringueira

Luiza Soares (*)

«Uma árvore caiu ontem, inexplicavelmente, na Praça da República. Disse um botânico que a espécie à qual ela pertencia não costuma cair daquela forma, em pé, raiz arrancada do chão, sem cupins, sem doença aparente, sem motivo nenhum.

Arvore 2Era uma seringueira de sessenta anos que viu o Brasil decair e apodrecer. Quem sabe não aguentou tanta tristeza e… fim.»

Capturado do Blog da Wilma, 20 jun 2015.