Nem só de futebol

José Horta Manzano

Com o título “No Brasil, há outra coisa além do futebol!”, o jornal Le Parisien anuncia uma exposição de obras de Cândido Portinari (1903-1962) no Grand Palais de Paris. Pela primeira vez, o distinto público parisiense poderá apreciar a arte do pintor maior, um dos três mestres da pintura latino-americana.

Um longo artigo informa sobre vida e obra do paulista de Brodowski. Portinari, que havia visitado Paris em 1930, morreu prematuramente aos 59 anos vítima de saturnismo ― envenenamento provocado pelo chumbo contido nas tintas que utilizava.

Guerra e Paz, by Candido Portinari

Guerra e Paz, by Candido Portinari

Os painéis monumentais chamados Guerra e Paz (14m x 10m) são o ponto culminante de sua obra. Pintados em meados dos anos 1950, tinham sido encomendados pelo governo brasileiro para presentear a sede das Nações Unidas em Nova York.

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Esses painéis, exibidos em permanência na ONU, foram expostos no Brasil em 2012. E agora se oferecem ao olhar do público francês. Que os interessados tomem nota: a exposição abre as portas hoje, 7 maio, por cinco semanas. A entrada é grátis. Folga às terças-feiras.

Chuva de turistas

José Horta Manzano

Torre Eiffel

O site de informações da cidade de Angers (França) revela que 660 mil turistas brasileiros visitaram a França em 2013. É um bocado de gente!

Na América do Sul, o Brasil é o maior mercado emissor de turistas para a França.

Já ganhou!

José Horta Manzano

Crédito: Guilherme Bandeira www.olhaquemaneiro.com.br

by Guilherme Bandeira
http://www.olhaquemaneiro.com.br

O site francês Eurosport dá conta de pesquisa de opinião publicada dois dias atrás. Nada menos que 43% dos franceses acreditam que a seleção do Brasil vai levar a «Copa das copas».

Nas apostas francesas, a Espanha vem em segundo lugar, lá longe, com 9% dos palpites. A Alemanha (8%), a Argentina (4%) e a própria França (4%) vêm a seguir.

Somente 8% dos entrevistados acredita que a França chegará à final. E minguados 6% imaginam que ela vença e leve a taça.

Na prática…

… a teoria é outra.

José Horta Manzano

Apareceu estes dias uma notícia surpreendente: o Partido Socialista Brasileiro deu-se conta, de repente, de que a plataforma de seu candidato à presidência da República ― um certo senhor Campos ― diverge consideravelmente do programa partidário.

Impensável em países onde a política é bem estruturada, essa situação não comove ninguém no Brasil. Plataforma política se adapta aos ventos do momento. Não combina com o programa do partido? Que não seja por isso: modifique-se o programa. É exatamente isso que a mencionada agremiação política fará nas próximas semanas.

Proletários de todos os países, uni-vos!

Proletários de todos os países, uni-vos!

Realmente, não fica bem, em pleno século XXI, um programa de partido pregar a «socialização dos meios de produção». Soa pra lá de démodé. Chega a ser patético no ponto em que propõe a eliminação de «um regime econômico de exploração do homem pelo homem».

O manifesto do partido atinge o ápice do irrealismo quando preconiza a «transferência gradativa ao domínio social (entenda-se ao Estado) de todos os bens passíveis de criar riquezas». É mole?

Esse quiproquó vem demonstrar, se ainda fosse necessário, a inutilidade dos partidos políticos no Brasil. Visto o divórcio entre a teoria programática e a prática do dia a dia, os partidos são meros balcões de negócios onde uma revoada de indivíduos ― dentes longos e unhas afiadas ― disputam os bens da Viúva.

Rapidinha 25

José Horta Manzano

Serviço pos-vendaServiço pós-venda
O Estadão nos informa que, em livro que acaba de sair do prelo, um jornalista britânico lança suspeita sobre a lisura da escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. A acusação é de que membros do Comitê Internacional Olímpico tenham sido subornados. Em resumo: os Jogos foram comprados.

Fica no ar uma pergunta: pode devolver?

Para transações de compra concluídas, todo código de consumidores costuma estipular prazo de carência durante o qual o comprador tem direito a devolver a mercadoria que não lhe agradou ou que não serviu.

Cada dia fica mais claro que esses Jogos não são remédio, antes, agravam o mal do paciente. Portanto, nada mais justo que registrar reclamação junto ao Serviço Pós-Venda do Comitê Olímpico, mandar os Jogos de volta e pedir reembolso. Ou não?

E como é que fica?

José Horta Manzano

Estava lendo, agora há pouco, os resultados de pesquisa feita pelo Instituto Datafolha para aferir o índice de confiança dos brasileiros.

Para transpor felicidade em números, os técnicos questionam os entrevistados sobre sete pontos. Dois deles são vagos, como o orgulho de ser brasileiro. Os demais têm que ver com o bolso de cada um.

Estatísticas 2Uma rápida análise mostra que as questões se limitam a sondar as expectativas de cada um. Nenhuma pergunta é feita sobre a atitude que o entrevistado tenciona assumir para mudar esse estado de coisas. É dado de barato que o cidadão, por definição, é um ser passivo que se limitará a aprovar ou rejeitar uma situação.

Seria interessante incluir, numa próxima edição, perguntas sobre a ação que o entrevistado pretende empreender para ajudar a corrigir o que lhe parece fora do lugar.

Ninguém é obrigado a agir, mas, para quem se decidisse a arregaçar as mangas, abrem-se vários caminhos: manifestação de rua, escolha mais ajuizada de representantes do povo, quebra-quebra, doutrinamento de vizinhos e amigos, criação de movimento político, decisão de matricular-se num curso qualquer. Vale até pensar em abandonar o País.

É interessante ficar sabendo a quantas anda o humor do povo. Melhor ainda será conhecer a solução preconizada por cada um.

A aceitação da apatia geral vai acabar transformando o índice de confiança em índice de descrédito.

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A pesquisa
O resultado da pesquisa está aqui.

Com unhas e dentes

José Horta Manzano

Reportagem do Estadão deste 8 de abril informa que, para o Lula, o governo precisa defender a Petrobras «com unhas e dentes».

Não precisava nem dizer. Ninguém vai ser louco de maltratar a galinha dos ovos de ouro. Ou não?

Rapidinha 24

José Horta Manzano

«Houve um verdadeiro tsunami contra o governo e, mesmo assim, ela continua liderando»(*)

Fragmento de pronunciamento do senhor Falcão, presidente do Partido do Trabalhadores

Rui FalcaoO referido senhor faz alusão à enxurrada de escândalos referentes à Petrobras, que desvelam a inabilidade e a desenvoltura da atual presidente da República no trato da coisa pública.

Na mais benigna das hipóteses, bilhões de dólares do povo brasileiro foram engordar o patrimônio de um enigmático barão belga.

Numa conjectura maliciosa ouvida outro dia num elevador, o dito barão teria sido utilizado apenas como ponto de passagem do dinheiro ― uma espécie de laranja. Destino final da bolada? Cada um é livre de imaginar o que melhor lhe aprouver.

Em vez de lamentar o alheamento de seus concidadãos, senhor Falcão festeja o fato de boa parte deles não estar em condições de entender o presente capítulo do drama nacional.

É surpreendente constatar que um medalhão desse quilate se orgulhe de ser sustentado pela ingenuidade da massa ignara.

Tomar apoio na simplicidade alheia é coisa feia. Fosse eu, teria vergonha.

Como diz o outro: deixa estar, jacaré, que um dia a lagoa há de secar. Nada é eterno.

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(*) «Ela continua liderando» alude à posição ocupada por dona Dilma na corrida presidencial.

Rapidinha 23

José Horta Manzano

Não está à venda
Com a chegada da primavera no hemisfério norte, lojas de bricolagem & jardinagem constatam importante acréscimo de clientes. Quem tem um cantinho de terra vai em busca de sementes, terra vegetal, petrechos de jardim. Quem não tem ― a maioria ― contenta-se em levar algum vaso de flor para enfeitar o terraço.

Melro "bricolador"

Melro “bricolador”

Funcionários de um desses grandes estabelecimentos, situado na periferia de Bülach (região de Zurique, Suíça), tiveram uma surpresa estes dias. Descobriram que um casal de melros havia escolhido domicílio no alto de uma pilha de suportes para vaso de flor. Ali tinham nidificado.

O melro, espécie inexistente no continente americano, é um grande pássaro preto de bico amarelo alaranjado. Os espécimes maiores podem chegar a 30cm de comprimento e a 38cm de envergadura.

Melro

Melro

A direção da loja não titubeou: acolheu o pássaro sob sua proteção. Fez afixar um cartaz ao lado da pilha de engradados com os seguintes dizeres: «Por favor, contamos com sua consideração. Um pássaro está chocando aqui. Nossos agradecimentos».

Aquela pilha de mercadoria vai permanecer intocada até que os filhotinhos batam suas próprias asas.

Rapidinha 22

José Horta Manzano

Sumiço?
Tudo o que sobe tem de descer um dia, assim já ensinavam nossos avós.

Faz uns dias, saiu a notícia de um pedaço de fuselagem que se desprendeu dum avião em pleno voo. Foi mais susto que perigo ― o piloto conseguiu pousar o aparelho, com segurança, num aeroporto próximo, e ninguém se feriu.Aviao 10

Como não li mais nada sobre o caso, fiquei a pensar com meus botões: «Mas onde, diabos, foi parar esse (enorme) pedaço de ferragem?» Estivesse o avião na estratosfera, entendo que se teria desintegrado. Mas não aconteceu assim.

Em algum lugar terá caído o destroço. Caso alguém esteja sabendo, agradeço se me puder informar.

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Avôs e avós
Escrevi avós no bloco aí acima. Um assunto puxa o outro. Lembrei que, às vezes, a gente fica inseguro na hora de escolher o melhor termo. Em que caso devo usar avôs em vez de avós? Avós é só para mulheres?

Pois a regra é pra lá de simples. Confrontando com as normas de nossa gramática ― cheias de nove horas e às vezes ilógicas ―, esta é fácil de reter.Avós 1

Usa-se avôs num único caso: quando nos referimos ao pai da mãe e ao pai do pai conjuntamente.
«Meus avôs vêm ambos da Mongólia. Um se chama João e o outro Pedro».

Usa-se avós em todos os outros casos em que quisermos nos referir a nossos antepassados ― excluindo nossos próprios pais, evidentemente.

Por uma questão de lógica, quando empregamos a palavra com sentido metafórico, convém escolher a forma avós.
«Os avós da nação», «Ensinamento que vem de nossos avós».

Rapidinha 21

José Horta Manzano

Abrindo o bico

Nicolás Maduro está amadurecendo, o que não deixa de ser boa notícia. Com a ingenuidade e o despreparo dos que não receberam formação suficiente para dirigir um país, vai caminhando trôpego, cambaleante.

A situação deve estar feia de verdade pros vizinhos bolivarianos. Numa estratégia simplória, o presidente bigodudo deixou-se fotografar ao lado de um ator americano. Deve imaginar que isso melhora sua imagem junto à opinião pública do Grande Irmão do Norte. A conferir.Bigode 1

Depois de expulsar oito funcionários consulares americanos, faz alguns dias, deve ter-se dado conta de que o maior prejudicado nessa história toda é ele mesmo. E seu povo junto.

Numa tentativa de passar pomada, jurou que é fã de tudo o que for americano. Desde que era criancinha! Contou que conhece os EUA por suas novelas e seus filmes. Confessou até apreciar Jimi Hendrix e Janis Joplin. Um presidente ligadão, como se vê.

Desta vez, vai: Maduro amadureceu! Governante de um país esfarrapado, deu-se subitamente conta de que não vale a pena armar briga com seu maior cliente. Antes tarde que nunca.

Rapidinha 20

José Horta Manzano

Com a voz embargada

Pai, o que são embargos infringentes?

― É o seguinte, meu filho: imagine que nossa casa seja um tribunal e que, quando alguém erra, é julgado pelo voto de todos. Um dia, por exemplo, o papai comete um deslize e é apanhado traindo sua mãe com uma prostituta. Eu passarei por julgamento.

Sua mãe, a mãe dela, o pai dela, sua irmã mais velha, você e seu irmão mais velho votam pela minha condenação. Meu pai, minha mãe, a Lelé e a Mimi, nossas gatinhas, votam pela minha absolvição.

― Tá, pai, mas aí você terá sido condenado por 6 a 4, não?

Fonte: Colunacontraponto

Fonte: Colunacontraponto

― Sim. Mas é aí que entram os embargos infringentes, filho. Como eu recebi quatro votos a favor da absolvição, tenho direito a novo julgamento.

― Mas pai, no novo julgamento todos vão votar do mesmo jeito!

― Não se eu tiver trocado a sua mãe, o pai dela e a mãe dela, sua irmã mais velha, você e o seu irmão mais velho por 6 prostitutas da minha confiança, pagas para me inocentar!

Historinha entreouvida por aí.

Rapidinha 19

José Horta Manzano

Internet & Copa

Em regiões do mundo mais civilizadas que a nossa, a expressão «conflito fundiário» é desconhecida. Aqui e ali pode aparecer alguma briga de vizinho do tipo «Ele roubou um metro do meu terreno, seu juiz!». Não vai muito mais longe.

Antena 3Na Tupiniquínia, forasteiros europeus, africanos, médio-orientais e asiáticos ainda estão se batendo contra os que haviam chegado antes deles. Em outros termos: ainda estamos brigando com índio por causa de terra.

Leio hoje reportagem de Anne Warth, publicada no Estadão de 5 mar 2014. Enquanto a «Copa das copas» custará 30 bilhões(!) de reais, o artigo informa que a tecnologia 2G ainda é preponderante na internet brasileira.

Certos países ― poucos, é verdade ― têm a sorte de contar com dirigentes bem-intencionados e previdentes. Não é, infelizmente, nosso caso.

Não precisa ser doutor em futurologia para entender que o bom desempenho da rede nacional de internet é fator pra lá de importante para o avanço do País. Mais valia ter investido todos esses bilhões no desenvolvimento de tecnologia do que em construção de estádios.

Cena pré-diluviana

Cena pré-diluviana

As consequências ― memento Conselheiro Acácio! ― vêm sempre depois. Algumas semanas depois de os dirigentes da Fifa e de nossa República terem recebido a vaia final no Maracanã, a «Copa das copas» já terá sido esquecida. E os desafortunados tupiniquins terão de trabalhar por alguns decênios para tapar, com seus impostos, o rombo causado ao Tesouro Nacional pela insensatez de um punhado de mandarins deslumbrados, apalermados e interesseiros.

E a internet? A tecnologia 5G já está apontando na esquina. Previsões realistas dão como certa sua introdução nos próximos 5 ou 6 anos. Enquanto isso, a maioria dos brasileiros ainda engatinha com seu pré-diluviano 2G.

E as tarifas? As nossas estão entre as mais elevadas do planeta. É o preço a pagar para ter acesso ao Primeiro Mundo, ora pois!

Alô? Está lá?

Rapidinha 18

José Horta Manzano

Quem tem pressa come cru

Madame Bernadette Chirac, mulher de Jacques Chirac, foi esposa do prefeito de Paris durante 18 anos, esposa do Primeiro-Ministro por 4 anos, esposa de um ministro da República por 10 anos e mulher do presidente da República durante dois mandatos.

Hoje, com 80 anos mas ainda muito ativa, é a antiga primeira-dama mais apreciada pelos franceses. Presidente da Fundação dos Hospitais da França, encabeça, todo mês de janeiro, uma campanha nacional de arrecadação de fundos para hospitais infantis.

Bernadette Chirac

Bernadette Chirac

A «Opération Pièces Jaunes» ― Campanha das Moedinhas Amarelas ― conclama a população a doar as moedinhas de pouco valor (geralmente de cor amarela ou avermelhada). Um punhadinho não faz muita falta no bolso de ninguém, mas, juntas, podem formar um patrimônio que será utilizado para minorar o sofrimento de quem precisa.

No Brasil, é verdade, os tempos estranhos que vivemos nos desacostumaram a esse tipo de empenho pessoal em troca de nada. Há quem faça, desde que seja na base do toma lá dá cá. Mas essa é uma outra história.

Quinta-feira passada, um automóvel, possivelmente para cortar caminho, pegou uma ruazinha parisiense na contramão. Deu zebra. Estava ali justamente um policial, que ordenou ao carro que parasse. Baixado o vidro, o guarda descobre que, além do motorista, o veículo transporta, no banco de trás, uma passageira famosa: Madame Chirac.

Exasperada pela parada, que atrasava ainda mais o compromisso ao qual se dirigia, a velha senhora ameaçou continuar seu caminho a pé, largando guarda, motorista e veículo. A estratégia não deu certo. Mesmo sendo uma das personagens mais admiradas pelos franceses, teve de seguir a lei igualzinho aos demais. O coração do guarda não amoleceu. Bernadette Chirac continuou acomodada no banco e o carro foi obrigado a dar meia-volta.

Rapidinha 17

José Horta Manzano

Flagrante

Não sou jurista. Mas tenho sensibilidade suficientemente aguçada para perceber quando um texto legal é vítima de desvirtuamento. A alcoolemia pode ser detectada de forma simples e instantânea com o uso do bafômetro ― um nome, aliás, divertido e bastante pertinente.

Etilômetro, o popular bafômetro

Etilômetro, o popular bafômetro

Com base no preceito legal de que nenhum cidadão pode ser obrigado a produzir prova contra si mesmo, convencionou-se que o teste não pode ser imposto ao cidadão. Este tem de dar seu acordo explícito. O que se viu no caso do futebolista (e deputado!) Romário foi exatamente nessa linha.

Por estas bandas aqui, a coisa não funciona exatamente assim. Caso um motorista se recuse a soprar no canudo, será conduzido incontinenti ao posto policial mais próximo para que lhe seja retirada uma amostra de sangue. À força, se necessário. Segurança pública não rima com cumplicidade de dissimulação de delito. O interesse da sociedade passa à frente de eventuais comodidades pessoais.

Levando ao extremo o atual entendimento, um suspeito de assassinato por arma de fogo poderia recusar que se lhe examinassem as mãos à procura de resíduos de pólvora. Colher sinais de pólvora nas mãos do suspeito ou recolher seu bafo de onça são procedimentos que, a ver meu, fazem parte da panóplia de todas as forças policiais do mundo. Nenhum cidadão deveria poder se esquivar.

Rapidinha 16

José Horta Manzano

Gente fina pela metade

Saiu no jornal que Romário, o jogador de futebol, foi apanhado numa batida policial. Não consentiu em soprar no bafômetro. Esse tipo de atitude equivale a confissão de culpa. Quem cala, consente. Amargou multa de quase 2 mil reais e está proibido de dirigir veículo automóvel por um ano.

Romário

Romário

Concordo que ninguém é perfeito, todos temos um lado sombrio. Mas esses eleitos deviam tomar mais cuidado que um zé qualquer. Todos aplaudiram quando o antigo profissional do gramado ousou desancar cartolas da Fifa e do comitê que organiza a «Copa das copas».

Desvios de conduta podem até ser tolerados em não-famosos. No entanto, aqueles que chegam aos píncaros da simpatia popular têm de ser mais zelosos. Um escorregão desses pode destruir uma reputação. Eleitor consciente não aprecia ser traído. Memento Demóstenes! ― falo do político goiano, não do estadista ateniense.

Gente fina tem de ser fina por inteiro e o tempo todo.

Cada quar com seu cada quar

Esta semana, aconteceu uma coincidência. Dois antigos chefes de Estado tiveram a ideia de fazer uma visita de cortesia a um mandatário estrangeiro.

Cada um escolheu seu par. Faz sentido. A conversa é sempre mais agradável quando se está em companhia de gente como a gente.

Cada um procura sua turma, é ou não é?

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Sarkozy & Merkel Visita de cortesia ― 28 fev° 2014 Crédito: Handout, Reuters

Sarkozy & Merkel
Visita de cortesia  ―  Berlin, 28 fev° 2014
Crédito: Handout, Reuters

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Lula & Fidel Castro Visita de cortesia Foto divulgada em 28 fev° 2014

Lula da Silva & Fidel Castro
Visita de cortesia, La Habana
Foto divulgada em 28 fev° 2014

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Rapidinha 15

José Horta Manzano

Ninguém nasce sabendo. Tirando insetos, micróbios, protozoários e afins, todos temos algo a aprender. Animais inferiores já nascem sabendo tudo o que lhes será necessário para sobreviver. O homem, não.

Para isso estão aí a família e a escola. Independentemente das aptidões inatas de cada um, a orientação familiar e a qualidade do ensino exercerão pesada influência na construção da personalidade.

Recente pesquisa levada a cabo pela National Science Foundation trouxe revelações surpreendentes. Uma quarta parte dos 2200 americanos entrevistados imagina que o Sol gire em torno da Terra. As lições de Galileu, Kepler e Copérnico ainda não foram assimiladas.Sistema solar

Pior que isso: menos da metade dos pesquisados sabia que o ser humano é produto da evolução das espécies. Assim como os astrônomos pioneiros, tampouco Darwin conta com amplo reconhecimento por aquelas bandas.

Será burrice? Será atraso? Não me parece que o caminho seja esse. Tenho tendência a crer que o problema maior esteja na ideologização do aprendizado. Em muitas familias ― e em muitas escolas ― o integrismo de fundo religioso passa à frente da Ciência.

Ideologia e Educação não fazem necessariamente boa companhia.

Rapidinha 14

José Horta Manzano

Reportagem do Estadão botou a boca no trombone. Alertou autoridades para um comércio de gênero peculiar que se desenrola, diário e clandestino, na noite paulistana. Ao ar livre, em plena rua da região central do município.

Peixoto GomideVende-se droga ― da pesada ― a quem quiser. Milhares de habitués frequentam o ponto pra lá de conhecido. É curioso que autoridades policiais, justamente pagas para zelar pelo respeito à lei e às regras, não estivessem a par. Uma desatenção, certamente. Ficam devendo um favor ao jornal que pôs o dedo na ferida.

Antes tarde que nunca: agora já sabem. O governador do Estado, num daqueles pronunciamentos transcendentes, declarou solenemente que «o tráfico de drogas é crime e precisa ser combatido». Prometeu tomar as devidas providências.

17 fev° 2014 ― Chamada Estadão

17 fev° 2014 ― Chamada Estadão

Vamos torcer para que, em breve, a feira livre das drogas se transforme numa feira livre das drogas.

PS: Ah, a falta que um hífen faz!

Rapidinha 13

José Horta Manzano

No caso do infeliz jornalista assassinado no exercício de sua função, tenho observado o jogo de empurra.

Quem comprou o rojão? Quem o carregou até o local da arruaça? Quem pegou, quem tocou, quem relou nele? Quem acendeu o pavio? Quem o lançou?

Essa agitação pra jogar a batata quente no colo do outro me fez lembrar de velho (e sábio) ditado lusitano:

«Tanto é ladrão o que vai à vinha como o que fica à porta».

Permito-me incluir quem indicou o caminho da vinha, quem incentivou, quem forneceu a sacola, quem emprestou a tesoura, quem assistiu a tudo e nada disse, quem aplaudiu. E quem comeu as uvas. E, naturalmente, quem pagou os 150 reais.