Humor helvético

José Horta Manzano

Você sabia?

Na Suíça, além de chocolate, bancos e fondue, também temos desenhistas, cartunistas e chargistas. Nem todos os desenhos são exportáveis, dado que muitos deles só fazem sentido para quem segue as notícias nacionais.

Algumas charges, no entanto, escapam ao contexto local. Selecionei 15 delas. Vão aqui abaixo para suavizar seu domingo.

Bom divertimento!

by Chappatte, desenhista suíço

by Chappatte, desenhista suíço

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As enchentes de Acapulco, 2013 by Burki, desenhista suíço

As enchentes de Acapulco, 2013
by Burki, desenhista suíço

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Ecologia: Faixa exclusiva para veículos a motor by Mix & Remix, desenhista suíço

Tendência ecológica: faixa exclusiva para veículos a motor
by Mix & Remix, desenhista suíço

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Enquanto isso, na fronteira suíça... by Chappatte, desenhista suíço

Enquanto isso, na fronteira suíça…
by Chappatte, desenhista suíço

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«Não devo colar, não devo colar, não devo colar, não devo...» by Bénédicte, desenhista suíça

«Não devo trapacear, não devo trapacear, não devo…»
by Bénédicte, desenhista suíça

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Obama e Hollande prontos para atacar a Síria by Burki, desenhista suíço

Obama e Hollande prontos para atacar a Síria
by Burki, desenhista suíço

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Quase tão gigantesco quanto o salvamento do euro! by Chappatte, desenhista suíço

Quase tão gigantesco quanto o salvamento do euro!
by Chappatte, desenhista suíço

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« ― Seu filho tem tendência a se comportar violentamente» « ― É, já percebemos» by Mix & Remix, desenhista suíço

« ― Seu filho tem tendência a comportamentos violentos.»
« ― Pois é, já percebemos!»
by Mix & Remix, desenhista suíço

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E é bom você maneirar, se não eu paro de aceitar seu dinheiro! by Chappatte, desenhista suíço

E é bom você maneirar, se não eu paro de aceitar seu dinheiro!
by Chappatte, desenhista suíço

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O homem ganhou 11cm em um século by Burki, desenhista suíço

O homem ganhou 11cm em um século
by Burki, desenhista suíço

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A questão, senhor moderador, é: devemos autorizar um ataque de surpresa à Síria? by Chappatte, desenhista suíço

A questão, senhor moderador, é a seguinte: devemos autorizar um ataque de surpresa à Síria ou não?
by Chappatte, desenhista suíço

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A burca está em vias de ser proibida na Suíça by Burki, desenhista suíço

A burca está para ser proibida na Suíça
by Burki, desenhista suíço

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« ― Nessa idade, nós também éramos inconscientes» « ― É verdade, queríamos até aderir à União Europeia» by Bénédicte, desenhista suíça

« ― Nessa idade, nós também éramos inconscientes.»
« ― É verdade, queríamos até aderir à União Europeia.»
by Bénédicte, desenhista suíça

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Espionagem americana "Obama, pelo menos, me escuta!" by Mix & Remix, desenhista suíço

Sobre a espionagem americana:
“Obama, pelo menos, me escuta!”
by Mix & Remix, desenhista suíço

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Bem-vindo ao mundo livre! by Chappatte, desenhista suíço

Bem-vindo ao mundo livre!
by Chappatte, desenhista suíço

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Tiradentes: novo julgamento

«OURO PRETO – Joaquim Barbosa, presidente do STF, anunciou que o tribunal acatará os embargos infringentes de Tiradentes, Judas e Antônio Conselheiro. “É preciso dar celeridade ao amplo direito de defesa dos réus condenados pela História”, revelou, enquanto debatia a validade da condenação de Zico pelo pênalti perdido na Copa de 1986(…)”.»

in The Piauí Herald, 12 set° 2013

Como nos veem

José Horta Manzano

Frequentemente me perguntam como o Brasil é visto do estrangeiro. É difícil responder. Eu diria que, salvo raras exceções, o europeu já não enxerga mais nosso País como uma imensa floresta infestada de cobras e macacos. Já é alguma coisa, mas a visão evoluiu pouco, ainda não tanto como gostaríamos. Os clichês têm vida longa.

Julgamentos do STF, vinda de médicos de Cuba, leilão de pré-sal, licitação de trem-bala, nada disso é noticiado por aqui. Por um lado, porque não apresenta grande interesse para o europeu médio, e, por outro, porque não se encaixa no que o imaginário popular espera do Brasil. Além do que, francamente, o europeu está-se lixando para uma penca de corruptos que está sendo julgada. Que sejam castigados ou não, a História do mundo não vai se alterar. Acaso alguém, no Brasil, se emocionou quando alguns dirigentes do Regime Khmer Vermelho foram julgados no Camboja?

Falou-se muito da visita do papa Francisco, isso sim. Todos os canais de tevê e as estações de rádio davam frequentes boletins. Afinal, é o primeiro papa não-europeu e não originário da orla mediterrânea. A Argentina e o Brasil são percebidos mais ou menos como o brasileiro percebe a Ucrânia e a Polônia ou a Suécia e a Noruega ― dois países que fazem parte de uma só salada. Portanto, a visita do papa ao Rio foi ressentida aqui mais ou menos como a primeira visita que o recém-eleito João Paulo II fez à sua Polônia natal.

Mas o grande assunto destes últimos anos foi, sem dúvida alguma, o levante popular de junho. Eu não diria que chegou a assustar, mas surpreendeu todos. Justamente porque contradizia a ideia que todos têm de um povo brasileiro alegre, feliz, despreocupado, desligado da realidade, desorganizado. Excluídas as catástrofes naturais, faz tempo que o Brasil não aparecia com tanta insistência nas manchetes.

Nem mesmo isto funciona mais! by Patrick Chappatte, cartunista suíço

Nem mesmo isto funciona mais!
by Patrick Chappatte, cartunista suíço

Antes desses protestos, o último a reter a curiosidade dos europeus, salvo melhor juízo, foi o Guga. E isso aconteceu justamente porque, como no caso das passeatas, o esportista catarinense fugia ao clichê. A aparência física do moço não corresponde à imagem que por aqui se tem dos habitantes do Brasil. O esporte em que ele sobressaía tampouco bate com o que geralmente se espera. Além do que, o tenista, com seu eterno sorriso, conquistou simpatias. O povo aqui se sentiu tão surpreso como nos sentiríamos nós se um futebolista birmanês fosse sagrado melhor jogador do ano.

Bem, que a verdade seja dita. Temos de reconhecer que os governantes do Brasil não se têm esforçado para passar ao mundo a ideia de um país sério e organizado. Faz já uns dez anos que nossos mandachuvas tentam pular direto do estágio do carro de boi para o do avião supersônico. Enganam-se. Não se começa a construir um edifício pelo telhado.

O Brasil não será visto como país importante só porque o Planalto decidiu que assim deve ser. Toda obra tem de começar pelas fundações. Não se podem queimar as etapas. O caminho é longo, mas inevitável. Só nos resta torcer para que a decisão ― irresponsável, a meu ver ― de acolher a Copa do Mundo em 2014 não contribua para arranhar a imagem do País. Que já não é lá essas coisas.

Mineirinho no tribunal

José Horta Manzano

Depois de refletir um pouco, seu Bento, o mineirinho, chegou à conclusão de que os ferimentos que tinha sofrido num acidente de tráfego, duas semanas antes, eram suficientemente sérios. Valia a pena processar o dono do outro carro.Tribunal

No tribunal, o advogado do réu começou a inquirir seu Bento:  

Advogado: 
― O Senhor não disse na hora do acidente que estava muito bem?

Seu Bento: 
― Bão, vô-lhe contá o que acunteceu. Eu tinha acabado di colocá minha mula favorita na caminhonete…

Advogado (interrompendo): 
― Eu não pedi detalhes! Só responda à pergunta, o senhor não disse na cena do acidente que estava muito bem?

Seu Bento: 
― Bão, eu fiz a mula subi na caminhonete e tava desceno a rodovia…

Advogado (dirigindo-se ao juiz): 
― Meritíssimo, estou tentando estabelecer os fatos aqui. Na cena do acidente este homem disse ao patrulheiro rodoviário que estava bem. Agora, várias semanas depois, ele está processando meu cliente. Isso é tentativa de estelionato! É uma farsa! Por favor, poderia dizer a ele que simplesmente responda à pergunta?

Mas, a essa altura, o juiz estava muito interessado na resposta de seu Bento e respondeu ao advogado:

― Eu gostaria de ouvir até o fim o que ele tem a dizer.

Seu Bento agradeceu ao juiz e prosseguiu:

― Como eu tava dizeno, fiz subi a mula na caminhonete e tava  desceno a rodovia quando uma picapi atravessô o sinar vermeio e bateu na minha caminhonete bem na laterar. Eu fui jogado fora do carro prum lado da esa e a mula foi jogada protro lado. Eu tava muito firido e num pudia mi movê.

E continuou:

― De quarqué jeito, eu pudia ouvi a mula zurrano e grunhino e, pelo baruio, eu pude percebê que ela tava muito mar. Logo adispois do acidente, os guarda chegô no locar. Teve um que oviu a mula gritano e zurrano e foi até onde ela tava. Depois de dá uma zoiada nela, ele pegô a arma e atirô bem nos ôio do animar. Então, o policiar atravessô a estrada ca arma na mão, oiô pra mim e disse ansim:

― Óia, sua mula tava muito mar e eu tive que atirá nela. Cumé que o senhô tá se sentino?

― O senhô ia respondê o quê, meritísso?”

Nossa elite dirigente

Dilma, Cristina, Evo e Bouterse

Dilma, Cristina, Evo e Bouterse

«Definitivamente, somos o elo perdido que os cientistas tanto procuram para fazer a ligação entre o período jurássico e a era moderna…»

Comentário de um leitor do blogue do jornalista Políbio Braga ao contemplar a foto estampada acima.

Quem quiser saber quem é o presidente do atual Suriname (antiga Guiana Holandesa), não deve deixar de ler o editorial do Estadão de 8 set° 2013. É edificante.

Bienvenidos, señores!

Semana passada, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, no intuito de tranquilizar os médicos estrangeiros recém-chegados, lançou-lhes um «Não sintam vergonha de não saber falar português».

Tem razão, nós já tivemos até um presidente que não sabia. E que nunca se envergonhou.

Frase do dia ― 27

«Dilma, que discursou de costas para uma estátua de Tancredo, ressaltou sua mineiridade e, com a profundidade que lhe é característica, disse que escolheu São João del-Rei para o evento porque foi lá que nasceram “grandes brasileiros e brasileiras”.»

A presidente da República quando de sua visita à cidade natal de Tancredo Neves. In Estadão, 26 ago 2013.

Frase do dia – 26

«Coloquei o capacete e saí andando de moto pelas ruas de Brasília.»

Cândida confissão de dona Dilma, que assim solidifica sua imagem de «garçon manqué», in Folha de São Paulo, 23 ago 2013

Adendo linguístico:
A expressão «garçon manqué», de uso muito difundido, corresponde ao inglês «tomboy», ao espanhol «marimacho», ao italiano «maschiaccio». Os lusos costumam dizer «maria-rapaz». Nenhuma dessas expressões é ofensiva. Não me ocorre um termo do falar brasileiro para designar a mulher de modos pouco femininos.

Miscelânea 9

José Horta Manzano

Você sabia?

Nome mal escolhido
A Universidade Federal de Minas Gerais aliou-se à Universidade Federal de Uberlândia para juntas trabalharem num projeto de avião. É um aparelho diferente ― ou diferenciado, como se usa dizer hoje. Tem hélice e motor na traseira, mais ou menos como o 14bis do também mineiro Santos-Dumont.

Bumerangue Ex-27

Bumerangue Ex-27

O nome atribuído à nova aeronave é surpreendente: bumerangue. Um nome que sugerisse algo rápido, que vai para a frente, me pareceria mais adequado. Qualquer coisa como flecha, lança, catapulta, seta, foguete, raio, corisco, chispa transmitiria essa noção. Já bumerangue lembra algo que vai e volta. Aplicado a um objeto comercializado, sugere que será devolvido pelo cliente. Enfim, cada um escolhe para seus filhos o nome que lhe apraz.

Desejamos boa sorte ao bumerangue mineiro. Quando for vendido, que vá e… não volte.

Interligne 18hBandidagem europeia
Tem duas coisas que sempre me surpreenderam nos filmes de cinema, quando o personagem chega de automóvel a algum lugar. A primeira é que sempre ― mas sempre, mesmo ― encontra uma vaga para estacionar exatamente na porta do lugar aonde tem de ir. A segunda é que, diferentemente da vida real, atores jamais trancam a porta do veículo. Batem a porta do carro, e tchau!

Carro sem rodas Neuchâtel, Suíça

Carro sem rodas
Neuchâtel, Suíça

Vaga para estacionar já faz tempo que se tornou artigo raro, seja no Brasil, seja no exterior. Quanto à segurança, já não é a mesma de antigamente. Aqui ao lado está uma foto tirada na Suíça algumas semanas atrás. Mostra um carro cujas rodas foram surrupiadas durante a noite. Parece impossível, não é? Pois é, eu também jamais imaginei que algo parecido pudesse ocorrer.

E tem mais: aconteceu num vilarejo minúsculo onde, segundo o proprietário do veículo, «há mais vacas que habitantes».

Já não se fazem mais lugares civilizados como antigamente.

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Protesto incongruente

Caixa d'água

Caixa d’água

Aconteceu durante a onda de manifestações de junho passado. Em meio a tanta coisa que ocorria naqueles dias agitados, a notícia passou meio despercebida.

Na mui nobre localidade maranhense de Paraibano, situada a 425 quilômetros de São Luís, os munícipes, exacerbados pela crônica falta d’água, não tiveram dúvida: atearam fogo à estação de distribuição de água da Companhia de Saneamento.

Agora, sim, terão água à vontade. Taí o exemplo magistral de um protesto inteligente.

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Frase do dia – 23

«(…) Dilma declarou que no primeiro semestre deste ano “… criamos 826 mil empregos com carteira assinada”. Exceto pelos empregos criados na área estatal pelo governo, quem cria empregos aqui, na Terra, é a economia (…)»

Roberto Macedo, in Estadão 15 ago 2013

Surpreendente

«A secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Regina Maria Filomena de Luca Miki, foi assaltada ontem à tarde (…)»

Felipe Souza e Josmar Josino in Folha de São Paulo, 12 ago 2013.

Cartazes & tabuletas

Texto de Alcindo Garcia (*)

Diverti-me lendo Português com Humor da Dad Squarisi, um compêndio da língua portuguesa que ensina com toque de humorismo. Veio ao encontro da minha mania de catalogar anúncios. Alguns surgem em forma de outdoor. Para os não afeiçoados em publicidade, são aqueles cartazes enormes de propaganda, visíveis nas ruas ou à beira das estradas. Uma designação genérica de propaganda feita ao ar livre. Designa qualquer propaganda feita fora, exposta em via pública.

Os outdoors são feitos em forma de painéis, letreiros, luminosos, tabuletas. Têm poder de comunicação visual e leitura instantânea e são colocados em locais de boa visibilidade. O fiasco é quando escrevem com o português errado. Em comunicação, seja qual for o tipo de mídia, escrever errado é um desastre. Cochilos acontecem. Mas, em se tratando de um outdoor, um cochilo de dez metros por quatro é pouco menor do que a anta da empresa que produziu a pérola.

Outdoor autêntico

Outdoor autêntico

Nas eleições passadas, certo candidato afixou um outdoor perto da minha casa: «Vote em fulano, você sabe porque?». Com o porque emendado. Segundo a Dad Squarisi, o certo é: você sabe por quê? (o por que separado). Não avisaram ao candidato que sempre que houver relação com um motivo, usam-se duas palavras separadas: por e que. Se estiver em final de frase, ou seguido de pausa, acentua-se o quê, portanto nesse caso é tônico. Por quê. Separadinho da silva e ainda com chapeuzinho.

Quando passo por algumas estradas, certos avisos de advertência me assustam de medo da colisão, pois tem gramática na contramão. Fico imaginando a ousadia da concessionária da estrada ao colocar o aviso: «Conserve a direita». O certo seria «Conserve-se à direita». É preciso avisar as autoridades do trânsito que o verbo conservar é pronominal no sentido de permanecer, ficar, continuar. Portanto, «Conserve-se à direita» ou seja, permaneça, fique, continue à direita. Se não estou enganado, deve ser essa a recomendação que a concessionária desejaria passar aos motoristas.

Para finalizar, cataloguei alguns cartazes caipiras em entradas de sítios e fazendas também dignos de registro: «Vende mer de abêia», «Trave a portêra despoi de passar», «Não dar comida pra zavestruis» e «Favor não atazanar os ganso».

(*) Alcindo Garcia é jornalista, colaborador de numerosas publicações

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Frase do dia – 17

Interligne vertical 11Trava-língua…


A lista de cargos prolixos do governo federal foi engrossada nesta semana pelo de «coordenador na Coordenação da Coordenação-Geral de Produtividade do Departamento de Produtividade e Inovação da Secretaria de Competitividade e Gestão da Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidência da República».

Da coluna de Vera Magalhães, in Folha de São Paulo, 2 ago 2013