As derrotas de Trump

Tambores rufando

José Horta Manzano

Apesar de ter descido à arena com passos duros e rufar de tambores, Donald Trump, personagem grandioso e teatral, está murchando estas últimas semanas.

Prometeu expulsar 11 milhões de imigrantes clandestinos. Fiz as contas: com aviões de 200 lugares, seriam necessários 55 mil voos. Suponhamos uma frota de 10 aeronaves dedicadas exclusivamente à missão, cada uma fazendo um voo de ida e volta por dia, de domingo a domingo, feriados e dias santos incluídos. Seriam necessários 5.500 dias – cerca de 15 mandatos presidenciais. Mesmo os menos afeitos à matemática (como este escriba) percebem que a meta é uma miragem. Uma promessa de palanque que não resistiu à aritmética. Derrota, portanto.

Depois veio o plano mirabolante de quebrar a espinha dorsal da economia chinesa com pesados impostos de importação, como se a China fosse uma loja de esquina em crise. Imaginou que o “Império do Meio” se ajoelharia. Não se ajoelhou. Em um país de governo centralizado, acostumado a ordens verticais, a população seguiu em silêncio. Quem cedeu foi Trump, que engoliu em seco e aceitou a mediação suíça. O leão rugiu, mas acabou se afinando. Mais derrota, portanto.

A bufonaria de entregar pastas de governo a Elon Musk, um parvenu com aspirações a Messias digital, teve vida breve. O corte em instituições, o descontentamento geral e a gritaria nas redes dissolveram rapidamente a “grande aliança”. Musk está fora – ou quase. Mais uma derrota para o currículo.

Há outras, menores, internas, administrativas, que se acumulam como entulho. Mas o quadro geral é claro: por trás do gestual arrogante e da retórica grandiloquente, o messianismo de Trump está em processo de derretimento. A cada bravata, nova fissura. A cada promessa não cumprida, fiasco mais evidente.

A verdade é que o presidente, que se pinta como salvador do mundo, parece hoje mais um personagem trágico de ópera bufa: ruidoso, solitário e, sobretudo, declinante.

Os onze milhões

 

José Horta Manzano

Uma maluquice incomoda muito a gente
Duas maluquices incomodam muito mais

Duas maluquices incomodam muito a gente
Três maluquices incomodam muito mais

E assim por diante…

Donald Trump entrou de sola no segundo mandato. Desde o primeiro momento, soltou um festival de maluquices que tem assustado muita gente. No entanto, dado que cada maluquice empurra a anterior para a tumba do esquecimento midiático, as primeiras já passaram para segundo plano.

A primeira (assustadora) medida que Trump tomou foi garantir que cumpriria ao pé da letra a ameaça de expulsar onze milhões de cidadãos estrangeiros que vivem ilegalmente no território dos EUA. Por mais que soe impossível de cumprir, promessa de presidente costuma ser levada a sério.

Convém considerar que será necessário expulsar uma média de 7.500 clandestinos por dia – dia sim, outro também, sábados e domingos incluídos – para atingir a meta dos onze milhões nos 1.460 dias do mandato. Trocando em miúdos, será necessário mobilizar em permanência entre 100 e 150 aviões das forças aéreas americanas, cada um com capacidade de 100 passageiros em média. Todos farão rotações incessantes, ida e volta, rápida parada para embarque, desembarque, abastecimento e troca de equipagem. Vai sair caro.

Dessa primeira maluquice do presidente-estrela, apesar de ela ser missão impossível, já se fala menos. A atenção do planeta está voltada para a maluquice seguinte, o aumento brutal nas taxas de importação de nações amigas e/ou inimigas, tanto faz. Canadá, México, China entram no mesmo molde. Os outros países estão preocupados na expectativa de serem os próximos da lista.

Especialistas garantem que essa guerra de tarifas alfandegárias vai causar a ruína da própria economia dos EUA. Será uma pena. Trump, veja você, só dura 4 anos. Por seu lado, se a China preencher o lugar dos Estados Unidos declinantes, teremos de viver por décadas sob a lei de Pequim.

Os dez primeiros dias

Trump subindo a escadaria

José Horta Manzano

Dez dias se passaram desde que Donald Trump “subiu a rampa” da Casa Branca para seu segundo mandato. Falei em “subir a rampa” como linguagem simbólica. Bem mais antiga que nosso Palácio do Planalto, a sede do Executivo americano só tem uma rampinha lateral construída em anos recentes. A entrada mesmo se faz pela escadaria, e é por lá que Trump subiu.

É praxe conceder a todo governante iniciante um armistício (ou paz provisória) de 100 dias para permitir-lhe mostrar a que veio. No entanto, pelos tempos frenéticos que correm – especialmente para um governante hiperativo como Trump –, os primeiros dez dias já deveriam mostrar uma tendência. De fato, mostram.

Meus argutos leitores já devem ter reparado que o novo presidente é mais destruidor que construtor, é mais de rasgar que de costurar, é mais de cuspir fogo que de apagar incêndios. Prestem atenção agora. Nestes dez dias, Trump já afrontou dezenas de países (com ameaça de sançôes e, principalmente, com expulsões de imigrantes clandestinos). Me digam se lhes ocorre, entre os países afrontados, algum que seja poderoso ou simplesmente importante.

Não encontraram? Nem eu. Mostrou ao vizinho México quem é que manda no pedaço, mas não se atracou com o vizinho Canadá. Está despachando, com espalhafato, trabalhadores imigrantes clandestinos da América Latina, mas não deu um pio quanto aos ilegais de origem chinesa ou indiana. Vociferou contra os povos mais frágeis do Oriente Médio (no momento, os habitantes de Gaza), mas não fez o mesmo contra Israel. Contra China, Rússia, Índia? Também nem um pio.

Vai ficando claro que Trump escolhe suas vítimas entre os mais fracos, nunca entre os mais fortes. Vai ficando também claro que o presidente se permite gastar dez dias fornecendo manchetes sensacionalistas para os jornais enquanto os verdadeiros problemas de seu país (e do mundo) passam ao segundo plano e continuam à espera.

Trump se preocupou com pessoas trans, assunto que apaixona todo político de extrema-direita, mas cuja discussão deveria ser confiada ao Congresso. Não faz sentido um chefe de Estado preocupar-se com esse tipo de problema de sociedade.

Trump retirou seu país da Organização Mundial da Saúde, abrindo a porta para que a China passe a dominar esse importantíssimo setor da vida do planeta. Também retirou os EUA da Organização Mundial do Comércio – seria cômico se não fosse trágico que o país responsável por uma fatia de quase 10% do comércio mundial renuncie a fazer parte da organização que trata desse assunto. De novo, a porta está escancarada para a China.

Adicione os gestos que acabo de mencionar. Só encontrará afronta a países menores e destruição de políticas estabelecidas de longa data. Destrói-se o que não agrada sem propor substituição, esse parece ser o lema.

Espera-se que o espetáculo ignóbil e indigno da deportação de trabalhadores estrangeiros pobres e algemados chegue rapido ao fim. Se não, em breve não mais haverá no país quem varra as ruas, quem lave a louça, nem quem limpe as latrinas.

Embaixador não grato

José Horta Manzano

De onde vem a palavra?
Nosso vocábulo embaixador tem origem um tanto controversa. Os estudiosos se dividem em duas correntes.

Alguns acreditam que a palavra embaixada provenha de uma voz latina ambaxus, que significa servo, servidor.

No entanto, a maior parte dos etimologistas considera que embaixada seja de origem germânica. É parente do termo Amt, que, no alemão moderno, equivale ao bureau francês e ao office inglês. Em português, Amt se traduz por repartição, secretaria, departamento – dependendo do contexto.

Seja qual for a origem, embaixada e embaixador traduzem uma noção de serviço prestado. De serviço prestado ao público, mais precisamente.

Embaixador nos tempos de antigamente

Como atiçar (mais) uma crise
Neste domingo, vazou a notícia de que doutor Bolsonaro proibiu seus ministros de entrarem em contacto com o embaixador da China no Brasil.

Está, portanto, vedado a todos os ministros, assessores e auxiliares do presidente receber o embaixador, visitá-lo ou comunicar-se com ele por qualquer meio que seja. Como já explicou uma vez nosso ministro da Saúde, “um manda e outro obedece”. É de crer que, também desta vez, a ordem presidencial será cumprida. Sem um pio.

É de conhecimento de todos que nosso presidente é ignorante em matéria de relações internacionais. Só que tem uma coisa: ainda que sejam ignoradas, regras são regras e continuam a existir.

A função diplomática é carregada de simbologia. Recusar-se a receber o representante oficial de um país estrangeiro é ofensa grave feita àquele país. Enquanto o desplante é obra de um dos bolsonarinhos arteiros, sempre se pode pôr na conta de desvario de adolescente desocupado. Quando, porém, a afronta vem do presidente em pessoa, a coisa sobe de patamar e se torna oficial.

Se o embaixador está em Brasília a representar seu país, é porque foi acreditado pelo governo brasileiro, ou seja, recebeu o que em francês diplomático se diz “agrément”.

Ao rejeitar esse senhor e privá-lo do exercício de suas funções, o governo brasileiro o está descredenciando, o que equivale a declará-lo persona non grata (= pessoa indesejável), um convite a deixar rapidinho o território nacional.

Talvez o governo chinês, que é pragmático, consinta em engolir (mais) essa cobra. Mas pode até ser que estejam de paciência esgotada. Se reagirem expulsando o embaixador do Brasil em Pequim, que ninguém se surpreenda.

O general ministro

José Horta Manzano

Posse?
Toda a mídia deu notícia de que o general Eduardo Pazuello é o novo ministro da Saúde. Todos, sem exceção, falaram da posse do novo ministro. Quando se olha de perto, falar em tomada de posse não é a melhor maneira de descrever o que ocorreu.

Embora o general carregasse o incômodo adjetivo ‘interino’ diante do título, já fazia quatro meses que era o ministro da Saúde de facto. A não ser que tenha passado quatro meses como figurante inativo – o que não seria surpreendente num governo em que nada mais espanta –, Pazuello já havia tomado posse do cargo há quatro meses, ainda que interinamente.

Portanto, não lhe foi dada a posse do cargo, que essa ele já tinha. A cerimônia solene marcou sua efetivação no cargo. Agora, efetivo, livrou-se do epíteto e mandou o ‘interino’ para a lata do lixo.

De toda maneira, tomar posse é força de expressão. Pode-se tomar posse de um livro, de uma casa, de um objeto, mas não de um cargo público. Cargos públicos são, por natureza, passageiros. É verdade que certos figurões se agarram ao cargo como se dele se tivessem apossado. Há deputados que chegaram a ficar três décadas no cargo. Mas essa é outra história.

Onomástico
Pazuello é um sobrenome de evidente origem ibérica. Na língua galega, falada nas províncias do noroeste da Espanha, a raiz latina Palatium evoluiu para pazo, que equivale a nosso paço. Designa um solar, uma casa suntuosa.

Pazuello seria, pois, o diminutivo de pazo = um pequeno solar, um palacete. O nome é curiosamente de formação híbrida. Embora o núcleo seja galego, o sufixo uello é castelhano legítimo. Em galego, faz-se o diminutivo com o sufixo iño, que corresponde a nosso inho. Portanto, seria de esperar um Paziño (Pazo + iño).

Entre a cruz e a espada

Híbrido ou não, neste ponto, surge um problema. O sobrenome é raríssimo. Tão raro que, vasculhando a lista telefônica da Espanha inteira, não se encontra ninguém que o ostente.

Por seu lado, ele aparece no Dicionário Sefaradi de Sobrenomes, obra compilada por Paulo V. Faiguenboim & alia, ao lado de variantes tais como Pazuelo (com um L só) e Pazuelos (com S no final).

Sefaradis são os judeus espanhóis. Eles foram expulsos do país em 1492 pelos reis católicos, o que explica o desaparecimento do nome na Espanha. É concebível que o general seja descendente de uma dessas famílias forçadas ao exílio.

Expressão
É interessante como um assunto puxa outro. Falando em expulsão dos judeus ibéricos, me veio à mente a expressão «Entre a cruz e a caldeirinha». Refere-se justamente àqueles infelizes expulsos de repente da terra que lhes dava abrigo havia séculos e na qual se sentiam integrados.

Quando foi decidido o desterro da comunidade judaica, foi dada a seus membros uma única opção: se quisessem ficar, teriam de se converter ao cristianismo. Era condição obrigatória para a permanência. Quem se recusasse a se converter e teimasse em ficar seria entregue aos cuidados da terrível Inquisição, cujos métodos não eram lá de grande delicadeza.

Eis por que se diz que os judeus foram postos «Entre a cruz e a caldeirinha» ou também «Entre a cruz e a espada», expressões que hoje continuam significando estar diante de duas opções ruins.

É permitido crer que, naquela ocasião, os antepassados de nosso ministro (agora efetivo) tenham optado por deixar o país para sempre.

Clandestinos deportados

José Horta Manzano

Devo ter falado sobre este assunto, mas vale a pena reiterar; as recaídas são frequentes. Refiro-me à besteiras que figurões proferem quando de viagem ao estrangeiro. Chefes de Estado – mas não só – são vítimas dessa arapuca. Serão os ares diferentes, tropicais ou árticos, do lugar visitado. Serão os colares de flores que recebem de moças jovens e sorridentes. Serão os rituais de compressão e descompressão atmosférica a que são submetidos no avião.

Até hoje, ninguém veio com explicação convincente. Até o papa já falou demais e acabou dizendo o que não devia quando de viagem aérea, rodeado de jornalistas e fotógrafos. Nosso doutor Bolsonaro – logo ele! – não havia de ser exceção.

Logo após a chegada à Índia, perguntaram-lhe o que pensava da recente deportação de uma leva de brasileiros por parte dos EUA. Numa curta fala de menos de 50 palavras, soltou duas enormidades.

Como todo bom populista, nosso presidente encontrou solução simples para um problema espinhoso. Para evitar expulsão, pontificou: «É só você não ir para os Estados Unidos de forma ilegal». Equivale a responder ao honesto cidadão que reclama de ter de esperar muito na fila do SUS: «É só você não ficar doente, pô!» Excelente maneira de transferir à vítima o ônus do sufoco.

Colar de flores para acolher visitantes

Não ficou nisso. Na mesma fala, um Bolsonaro inebriado pelos eflúvios da cozinha indiana passou atestado de fracasso na condução do país onde o escolheram para presidente. Como justificativa para o fato de um brasileiro se arriscar a entrar de penetra nos EUA, foi taxativo: «Qual país está dando certo? Brasil ou Estados Unidos?». Não deu a resposta, nem precisava. Pelo contexto – cidadãos abandonando um país para tentar se estabelecer em outro – evidente está que o ‘outro’ está dando certo. Por oposição, o país de origem não está.

Já vivi muitos anos. Já morei em vários países. Já ouvi quantidade de presidentes. Juro que é a primeira vez que ouço um chefe de Estado que, depois de ter governado por um ano inteiro, declara que o país cuja direção lhe foi confiada não está dando certo. É grave, distinto leitor. Em terras onde houvesse ouvidos mais atentos, um clamor se levantaria pra exigir demissão imediata. Se o chefe do projeto constata (e confessa) que seu trabalho não está dando resultado, a solução é simples: porta e rua! Confissão de fracasso dá lugar ao encerramento da missão. No mundo normal, é assim que funciona. Já aqui…

Não dá mais tempo, mas deixo a sugestão para uso de doutor Bolsonaro da próxima vez. (Não cobro direitos autorais; pode usar e abusar sem citar fonte.) O caminho a seguir deveria ter sido:

Nossos jovens foram abandonados durante anos por esses comunistas da esquerda, taoquei? E deu nisso aí, ó: tá tudo mais pra mendigo que pra cidadão normal. Mas ‘tamo trabalhando duro pra consertar isso aí, taoquei? Garanto que, no fim do meu governo, até esses aí, ó, se quiserem viajar, vai ser pra visitar a Disney e não pra entrar de clandestino, taoquei?

Pronto, é isso que se espera de um presidente. Bom senso, principalmente na hora de falar em público. Um pouco de jogo de cintura não faz mal a ninguém. Do titular atual, não se pode esperar muito. Não se tira leite de pedra.

Chavismo para os EUA

José Horta Manzano

Não sei o que significa «chavismo para os EUA». Se o distinto leitor souber o que é, evite criticar esse tipo de chavismo. Sobretudo, cale-se quando visitar a Venezuela. Do contrário, está arriscado a enfrentar sérios problemas com as autoridades. Um conterrâneo cometeu a besteira justamente quando se encontrava na Venezuela. Não deu outra: foi expulso do país.

Chamada Estadão 6 jan° 2017

Vamos falar sério agora. Em duas distraídas linhas, o estagiário deu recado errado. Diferentemente de outras línguas mais rígidas, a nossa permite ‒ até certo ponto ‒ o deslocamento de termos no interior da frase. Mas a liberdade desse troca-troca termina onde a compreensão fica comprometida.

O autor da chamada escorregou. Só quem já estava a par da história, que já vinha de alguns dias, entendeu o recado. Para total clareza, bastava ter ordenado os termos numa ordem coerente. Assim:

«Venezuela expulsa, para os EUA, brasileiro acusado de criticar chavismo»

ou

«Brasileiro acusado de criticar chavismo é expulso da Venezuela para os EUA»

ou ainda

«Expulso da Venezuela para os EUA brasileiro acusado de criticar chavismo»

«Aquele que sabe que é profundo tende à clareza; aquele que quer parecer profundo tende à escuridão, pois o povo acredita ser profundo tudo aquilo cujo fundo não consegue enxergar.»

Friedrich Nietzsche (1844-1900), filósofo alemão.

Basta de criminosos!

José Horta Manzano

Já temos bandidos suficientes. Não precisamos de criminosos estrangeiros.

Battisti, o fugitivo mais procurado da Itália

Battisti, o fugitivo mais procurado da Itália

Todos os jornais italianos – todos eles – aplaudiram de pé a surpreendente reviravolta do caso Battisti. Foi neste 3 de março que o Estadão deu a notícia: uma juíza federal determinou que o referido senhor seja expulso do território nacional.

A sentença leva a data de 26 fev°. É intrigante que tenha passado despercebida por quase uma semana. A gente imagina que a mídia esteja atenta a tudo o que de importante acontece mas, na hora do vamos ver, fica claro que observadores andam meio sonolentos. Jornais do mundo inteiro repercutiram a novidade. Até o New Zealand Herald, do outro lado do globo, postou um artigo.

O simbolismo por detrás da boa-nova é alvissareiro. Os longos anos em que o Lula presidiu a República caracterizaram-se por uma política externa particularmente danosa. No Planalto, a ignorância de uns combinada à ingenuidade de outros resultou em mistura explosiva.

Durante aqueles anos de tresvario, assistimos impotentes a:

Interligne vertical 16 3Kbafagos a ditadores sanguinários,

trôpega tentativa de aproximação com o Irã,

juras de amor eterno a Chávez e aos Castros,

desmantelamento da Alca,

consolidação de aliança «estratégica» com a China – o maior destruidor de nossa indústria e de nossos empregos,

intervenção marota, amadora e infrutífera na Honduras de Zelaya,

implantação de dezenas de custosas embaixadas em ilhotas que literalmente não estão no mapa,

ridícula tentativa de desenredar a questão palestina,

abertura de embaixada na Coreia do Norte, país que abriga 6 (seis) brasileiros, incluindo o embaixador, mulher e filha.

Foi um desastre que deixará marcas.

Lula e ChavezEntre as safadezas, sobressaiu a concessão de asilo político a um fugitivo chamado Cesare Battisti, condenado em seu país por participação em assassinatos.

O Lula esperou o último dia de seu mandato para, contrariando determinação do STF, assinar o ato de acolhida do criminoso. Por acaso, foi no mesmo dia em que concedeu passaporte diplomático a toda a «primeira família», crianças incluídas. Quanta arrogância!

Quanto a dona Dilma, tirando dois beijinhos nos Castros e alguma declaração retórica de apoio a este ou àquele hermano, não fez nem desfez. Menos efusiva que seu predecessor, não nos cobriu de ridículo. O fato de nossas representações diplomáticas estarem em atraso no pagamento de contas de água e luz é menos vexatório do que ver o Lula em manchete global levantando o braço de Ahmadinejad. Francamente.

Bigode 1A decisão tomada agora pela corajosa e lúcida juíza federal representa o início do desmonte do desvario inaugurado doze anos atrás. Se tudo correr como manda o figurino, signor Battisti será devolvido a seu país de origem para responder pelos crimes que tiver cometido. No momento, seu lugar é lá, não aqui.

Que volte ao Brasil mais tarde, como cidadão livre, no dia em que estiver quite com a justiça italiana. Agora, não é hora.

Para juristas
A íntegra da sentença de expulsão do estrangeiro está disponível aqui.