Desvirtuamento

José Horta Manzano

Como já fiz em outras ocasiões, volto a investir contra a política de discriminação racial que governantes irresponsáveis tentam, a todo custo, implantar no Brasil.

Países civilizados que, por variadas razões, contam hoje com importantes minorias de raças diferentes tentam o impossível para mitigar contrastes étnicos. É o caso da França, da Alemanha, da Suécia, da Itália. Os esforços nem sempre são bem-sucedidos. Não é fácil eliminar preconceitos da memória coletiva.

No nosso País, ao contrário, todos parecem estar de acordo que acirrar animosidade entre cidadãos de raças diferentes é boa coisa. Está aí raciocínio incongruente. Todos sabem que o brasileiro julga seu próximo não tanto pela raça, mas pela aparência e pelos sinais exteriores de riqueza (ou de pobreza). Em suma, as pessoas são classificadas segundo critérios mais pecuniários que propriamente raciais.

O Brasil merecia que os que decidem seus destinos fossem suficientemente clarividentes para se dar conta dessa realidade. Impor leis que pavimentam o caminho de minorias(?) raciais é medida impactuosa, mas inócua. Melhor fariam as autoridades se se atacassem à raiz do problema, fornecendo ensino de melhor qualidade a todos os brasileiros, sem distinção de cor, raça, religião ou sexo.

Preparando o exame

Preparando o exame

Entendo que cuidar da Educação seria medida de longo prazo, daquelas que não garantem retorno eleitoral imediato. Mas não há outra saída: fora da instrução, não há salvação. A História se encarregará de julgar e de lançar o opróbrio sobre os dirigentes irresponsáveis que vêm afligindo e humilhando o Brasil neste começo de século.

Artigos publicados na imprensa estes dias mostram que os efeitos daninhos dessa política absurda e inconsequente já começam a se fazer sentir. A proporção dos candidatos ao Enem que se autodeclararam descendentes de africanos não corresponde ao que foi detectado pelo último recenseamento. É um começo, sem dúvida. Mas é fácil prever que tende a se alastrar.

Uma sociedade cuja política reafirma e reforça o tradicional paternalismo vai necessariamente gerar distorções. A política atual tende a eternizar a proliferação de cidadãos dependentes, daqueles que renunciam a se esforçar e preferem escorar-se em direitos ― sejam eles legítimos ou usurpados. Que fazer? Caso continue cabendo a cada cidadão definir a própria raça ― como é o caso atualmente ―, mais e mais desvirtuamentos teremos.

Todos hão de se lembrar daquele deputado que, para justificar o súbito enriquecimento, declarou haver jogado na loteria e tirado a sorte grande algumas centenas de vezes. Pois este é um País onde pouca gente tem medo do ridículo. Não está longe o dia em que 100% dos candidatos a enemes e vestibulares se autodeclararão pardos, azuis, verdes, pretos, roxos ou qualquer que seja a cor que lhes possa trazer vantagem.

Há uma outra solução: é que a origem racial seja detectada por método científico, seja por exame de ADN, seja por outro meio qualquer. Será radical e incontestável, mas estaremos voltando perigosamente ao ambiente deletério da Europa nazista dos anos 30 e 40. De que cor será a estrela que cada cidadão deverá obrigatoriamente costurar na camisa, do lado esquerdo do peito?

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Artigos aparecidos na imprensa sobre o assunto:
Estadão
Gazeta do Povo
Veja

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