Países que mudam de nome

José Horta Manzano

Um país que muda de nome? Não é coisa que se veja todo dia, mas acontece. As razões são várias. Entre elas, o apagamento da lembrança do antigo colonizador ou a adaptação do nome a nova realidade política.

No século 20, a descolonização da África levou à criação de dezenas de países. Alguns deles nem nome tinham. Outros guardaram o que já levavam desde os tempos coloniais. Uns poucos, por razões que lhes são próprias, decidiram mandar a denominação antiga pra lata do lixo e adotar nova.

Com a explosão da União Soviética e da Iugoslávia, surgiram países novos, que não existiam antes como entidades independentes. Não se pode dizer que tenham trocado de nome ‒ simplesmente a denominação subjacente deixou de ser tabu e veio à luz.

Aqui vai um elenco de países que realmente trocaram de nome.

Alto Volta
O nome vinha do tempo dos descobridores portugueses. Não se sabe bem por que razão, os lusos deram à embocadura de um grande curso d’água o nome de Rio da Volta. Pode ser que pensassem na volta pra casa. Pode ser também que se referissem simplesmente a uma das voltas do rio. Navegando rio acima, chegaram a uma região à qual deram o nome de Alto Volta ‒ em oposição ao estuário, o Baixo Volta. O país que ali se constituiu com a descolonização ficou com esse nome. Em 1984, mudaram para Burkina Faso. Para nós, que temos o Alto Amazonas e o Baixo Guandu, o nome antigo soava mais familiar.

Daomé
O Reino do Daomé aparece até em letra de samba. A República do Daomé virou República do Benin faz pouco mais de 40 anos.

Rodésia
Na parte sul do continente africano, ao tempo da colonização britânica, havia duas regiões bem delimitadas cujo nome homenageava o homem político milionário Cecil Rhodes: a Rodésia do Norte e a do Sul. Independentes, os novos países descartaram o nome antigo. A Rodésia do Norte passou a chamar-se Zâmbia. E a Rodésia do Sul é o atual Zimbábue.

Bechuanaland
Situado ao norte da atual África do Sul, estava um protetorado britânico chamado Bechuanaland ‒ a terra dos Tsuanas, um grupo étnico local. Com a independência, desfizeram a anglicização do nome para aproximá-lo da pronúncia local. A forma britânica bechuana deu lugar ao atual Botsuana.

Congo Belga
O Congo Belga, imenso território equatorial africano quase tão grande quanto a Argentina, não era colônia do Estado Belga, mas propriedade pessoal do rei da Bélgica. Essa condição, no século 21, parece alucinante. Na época, ninguém se escandalizava. Com a descolonização, o país adotou o nome de Zaíre, que é o aportuguesamento de uma palavra local que significa rio. Guardou essa denominação até que o longevo ditador Mobutu se foi, em 1997. Após a morte do mandachuva, o nome tradicional ‒ Congo ‒ foi restabelecido. Esse país teve três nomes diferentes em menos de 50 anos.

Guiana Inglesa e Guiana Holandesa
Até os anos 1950, na fronteira norte no Brasil, havia três Guianas: a inglesa, a holandesa e a francesa. Na onda de descolonizações dos anos 1960, a inglesa e a holandesa viraram países independentes. A antiga Guiana Holandesa é o Suriname. A Guiana Inglesa adotou o originalíssimo nome de… Guiana. A francesa é colônia até hoje. Faz fronteira com o Amapá.

Paquistão Oriental
Em 1947, quando a Índia se libertou do domínio inglês, o imenso território foi dividido, por razões de religião, em dois países: a Índia e o Paquistão. Na Índia, ficavam os fiéis do hinduísmo. No Paquistão, os muçulmanos. O problema é que a religião islâmica era predominante em duas regiões, uma a oeste e outra a leste, com a enorme Índia hinduísta no meio. Os britânicos imaginaram que daria certo inventar, para os maometanos, um país dividido em dois. Foi assim que criaram um Paquistão independente mas dividido em dois pedaços. A complicada situação não durou muito. Depois de muita luta, o Paquistão Oriental se separou do irmão ocidental e adotou o nome de Bangladesh.

Ceilão
A Ilha de Ceilão já foi conhecida como Taprobana, aquele lugar fantástico citado n’Os Lusíadas. Em 1972, o nome, de perfume tão exótico, foi mudado para um sem graça e impronunciável Sri Lanka. Desapareceu o antigo nome, aquele que tinha sabor de especiarias orientais.

Birmânia
Burma era a adaptação para a fonética inglesa do nome do país. Em 1989, numa onda de nacionalismo, o governo militar impôs nova transcrição. Onde se lia Burma, passou-se a ler Mianmar. Nem todos seguiram a ordem. A mídia de língua inglesa acompanhou, mas a francesa não. Afinal, o nome antigo não é ofensivo. Birmanie soa melhor.

Estados Unidos do Brasil
Essa é birra minha. Costumo dizer que meu país mudou de nome sem me consultar. Não nasci na República Federativa do Brasil, mas nos Estados Unidos do Brasil. Tenho certidão de nascimento que não me deixa mentir. Não entendo por que razão o regime de governo tem de aparecer colado ao nome do país. Brasil basta, sem mais nada.

Assombro na porta da Colombo

Álvaro Costa e Silva (*)

Youtubers, influencers e humoristas de direita, com milhões de seguidores nas redes sociais, sequer imaginam a popularidade de que desfrutou Olavo Bilac. Em plena belle époque carioca, uma multidinha se formava em frente à Confeitaria Colombo só para ver o Príncipe dos Poetas que, no auge dos 30 anos, era uma espécie de monumento da nação. Seus poemas eram devorados e decorados pelos leitores.

Como todo príncipe e todo monumento, caprichava na pose. Seu nome completo era um alexandrino: Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac. De elegante perfil parnasiano, postava-se de monóculo para disfarçar o estrabismo. Também era prognata (o popular chove-dentro) e torcedor do Botafogo, mas moçoilas, madames e marmanjos não ligavam. Afinal, ele era capaz de ouvir e entender as estrelas.

Confeitaria Colombo, Rio de Janeiro

Com o tempo e o estigma (atribuído pelos modernistas) de poeta jocoso, tornou-se sinônimo de formalismo e alienação. Uma injustiça que se reflete hoje: nada se fez para lembrar o centenário de sua morte ocorrida em dezembro de 1918. O Bilac maduro se envolveu em campanhas patrióticas, entre as quais a luta pelo serviço militar obrigatório (mas isso, nos tempos atuais, seria caso para homenagem, não?).

Acusaram-no de indiferença ao cotidiano dos brasileiros. Besteira. Substituindo Machado de Assis, foi cronista semanal da Gazeta de Notícias de 1897 a 1908. Escreveu sobre Canudos e detalhou o processo de modernização do Rio. Não se pode entender aquele período sem ler Bilac que, como jornalista, envelheceu melhor do que como poeta.

Numa crônica de 1901, em que tratou do uso das imagens na imprensa, antecipou a televisão e ‒ incrível ‒ as redes sociais: “Qual de vós, irmãos, não escreve todos os dias quatro ou cinco tolices que desejariam ver apagadas ou extintas? Mas, ai! De todos nós! Não há morte para as nossas tolices!”. De pince-nez, Bilac iria arrasar como youtuber.

(*) Álvaro Costa e Silva (1962-) é jornalista e escritor.

Birras

José Horta Manzano

by Tiff, desenhista francês

Prisão sem bloqueador
Nem todos os estabelecimentos penitenciários brasileiros são equipados com bloqueador de celular. Numa época como a nossa, em que o barateamento de dispositivos de vigilância envolveu o mundo numa teia de controles, fica difícil justificar essa ausência de monitoramento justamente onde ele é mais necessário. Se alguém souber o motivo dessa lacuna, por favor mande carta para a redação.

Sem seguro
Em agosto de 2017, um balão caiu no velódromo do Parque Olímpico do Rio de Janeiro e provocou incêndio. Era de noite, ninguém se feriu, mas o prejuízo ficou em 10 milhões de reais. Por mais incrível que possa parecer, a instalação esportiva não tinha seguro contra estragos causados pelo fogo. Como o assunto saiu de foco, nunca mais se falou nisso. A conta foi paga, naturalmente, com dinheiro do contribuinte.

De um prédio público, nem se fala: é inadmissível que não tenha seguro. Mas também de um prédio particular, é estranho que proprietários não se preocupem em proteger o que lhes pertence. Em terras mais civilizadas, seguro residencial contra incêndio é obrigatório. Em geral, a seguradora oferece planos que cobrem também queda de raio, chuva de granizo, inundação, vidraça estilhaçada, roubo por arrombamento. Pagar seguro e nunca ter de utilizá-lo é sempre melhor que perder a casa e descobrir que não tinha seguro.

Nome feio
Crodowaldo, Ketymarani, Frankstein, Izuperiu, Leidi Dai são alguns dos prenomes estranhos carregados por milhões de infelizes conterrâneos nossos. A meu ver, a liberdade de imaginação dos pais termina onde esbarra no direito que o filho tem de portar nome digno. O pobrezinho vai ter de arrastar o nome pelo resto da vida. Não se pode admitir que pais ignorantes ou irresponsáveis deem ao filho prenome estigmatizante.

Por que é que nomes que saem do ordinário não são obrigatoriamente submetidos, antes de serem sacramentados, à apreciação do dono do cartório ‒ que se supõe ser pessoa letrada? Em caso de dúvida, que um juiz seja consultado.

Não prejudicar a vida alheia, por meio de atribuição de nome ridículo, é item importante na lista dos direitos humanos. Nessa matéria, um dique de contenção tem de ser erguido pra proteger inocentes. Portar nome digno é mais importante do que vestir azul ou rosa. Alô, dona Damares!

Árabes e judeus

José Horta Manzano

Apesar da energia despendida pelos governos petistas para promover e alargar linhas de fratura no seio da sociedade brasileira, o estrago não ultrapassou os clichês ligados à aparência física. As famigeradas quotas raciais foram estabelecidas grosseiramente. Na base, guiaram-se apenas pela cor da pele e restringiram-se a distinguir duas categorias: de um lado, pretos e mulatos; de outro, brancos e orientais. A medida tosca se limitou à aparência externa de cada indivíduo. Não tendo descido a minúcias, a estigmatização poupou a diversidade de nossa herança étnica e cultural. Melhor assim.

Nosso país faz parte do clube seleto dos que não ressentem o eco das rusgas entre judeus e árabes. Passando ao largo das desavenças no Oriente Médio, o brasileiro não demonstra preconceito contra nenhum dos dois povos beligerantes. Seria falso dizer que isso ocorre porque não os conhecemos. A sociedade brasileira integra milhões de descendentes de imigrantes árabes e judeus, que são considerados cidadãos exatamente como os outros, nem melhores, nem piores.

O fato de representantes das duas colônias sobressaírem em altos cargos da política nacional não abala ninguém. A mídia nem costuma sublinhar a origem desses personagens. Os árabes Geraldo Alckmin, Gilberto Kassab, Rosinha Garotinho e Fernando Haddad são conhecidos e apreciados (ou detestados) por motivos que nada têm a ver com a origem de seus antepassados. O mesmo se aplica aos judeus Jaime Lerner, Jacques Wagner, Alberto Goldman e Ilan Goldfajn.

Rainha Silvia da Suécia

No estrangeiro, as paixões são mais vivas. Quando doutor Temer subiu à Presidência, a notícia chegou correndo ao Líbano, terra de seus antepassados. A mídia se empolgou e homenagens foram prestadas ao político brasileiro. No vilarejo de onde vem a família, doutor Temer é nome de rua.

Agora, que doutor Alcolumbre foi eleito presidente do Senado, foi a vez de a mídia israelense se entusiasmar. Todos salientaram o fato de ser a primeira vez que um judeu chega à Presidência de nossa Câmara Alta.

Note-se que o Brasil é menos efusivo quando algum de seus filhos chega a posição importante no exterior. Temos uma brasileira sentada no trono da Suécia e, no entanto, raramente se tem notícias da rainha Sílvia que, filha de Herr Walther Sommerlath e de dona Alice Soares de Toledo, cresceu no Brasil e fala nossa língua como qualquer conterrâneo. Além da coroa, ela dispõe hoje de tripla nacionalidade: brasileira, alemã e sueca.

Confirmando a convivência pacífica entre comunidades, temos agora o judeu Davi Alcolumbre e a árabe Simone Tebet no Senado, ambos em posição de destaque. A mídia estrangeira pode continuar se entusiasmando. Quanto a nós, vamos torcer pra que as linhas de fratura criadas à força acabem por cicatrizar sem deixar marcas.

Alinhamento automático

José Horta Manzano

Em novembro passado, quando o pai ainda nem havia ainda vestido a faixa, doutor Bolsonaro júnior, em visita a Washington, enfiou na cabeça um boné marcado «Trump 2022». Pela mesma ocasião, encontrou-se com o genro do presidente americano e atirou-lhe flores ao descrevê-lo como ‘um dos mais importantes conselheiros da Casa Branca e grande empresário’.

De lá pra cá, vivemos um não oficial alinhamento automático com a maior potência do planeta. Embora a expressão pareça fácil de entender, não sei exatamente o que significa um país alinhar-se automaticamente com outro. Acho que ninguém sabe direito. Que haja convergência em diversos temas, posso entender. Daí a colar feito sanguessuga me parece complicado. Colônias, protetorados e satélites podem agir assim. País soberano, não.

Não convém que o Brasil grude em outro país, como se sombra fosse. Pouco importa que os EUA sejam a potência dominante. O problema é o mesmo. Com a mudança de dirigentes, a orientação do país que serve de modelo pode se alterar. Quando isso ocorre, como é que fica? Caso apareça novo presidente com ideias semelhantes às de Mr. Obama, um pouco menos America first e um pouco mais globalizantes, que fazemos? Desgrudamos? E se, em seguida, vier outro Trump? Grudamos de novo?

Banquete medieval

Ajustar a política externa é exercício pra lá de delicado. A própria União Europeia ‒ fechado clube de menos de 30 sócios relativamente bem de vida, com níveis de desenvolvimento não muito díspares ‒ tem de fazer exercícios de contorcionismo nesse campo. É virtualmente impossível encontrar solução unificada que contemple o interesse individual de cada membro. Haverá sempre os descontentes, que se recusarão a sentar-se à mesa do banquete.

Tomemos o caso do repúdio ao ditador venezuelano. O apoio explícito a señor Guaidó, presidente autodeclarado, só foi subscrito, até o momento presente, por 19 dos 28 países membros da UE. Os demais, cada um por um motivo que lhe diz respeito, preferem manter distância do conflito e não declarar apoio nem a um nem ao outro. A Grécia nem tenta disfarçar: dá apoio integral ao regime de señor Maduro. E ressalte-se que são todos sócios do mesmo clube.

Enquanto um Brasil entusiasmado apoiou Guaidó desde o primeiro dia, a Itália, apesar de contar com um Salvini tão chegado aos Bolsonaros, difere da maioria dos europeus. Recusa-se a manifestar apoio ao autoproclamado presidente venezuelano. Isso tende a demonstrar que o caminho do alinhamento automático ‒ com quem quer que seja ‒ não nos convém. É insustentável. Atritos e divergências aparecem rapidinho.

Samba de um homem só

José Horta Manzano

Somos duzentos e tantos milhões. Pra enquadrar a marcha da nação e marcar o compasso dos cidadãos, há dezenas de ministros, centenas de parlamentares federais e estaduais, milhares de magistrados, prefeitos, vereadores, altos funcionários. Esse povo todo está lá, numeroso, justamente pra dar equilíbrio ao andamento da máquina. A multiplicidade de atores é garante dessa harmonia. Quando exercido por milhares de autoridades ao mesmo tempo, o poder se dilui, assegurando a despersonalização das diretivas. É importante para o bom funcionamento da democracia representativa.

Entre estarrecido e deprimido, o Brasil assistiu a espetáculo desagradável no fim de semana que passou. O drama representado no palco do Senado Federal foi grotesco, indigno de um país que se quer ‘emergente’. (Bem longe de emergir, ficou claro que ainda falta muito pra botar a cabeça fora d’água.) Só faltaram sopapos, porque o resto se viu: gente falando errado, discursos trôpegos, traições, gritos, atropelos, tentativa primária de fraude, casuísmos, decisões conforme a cabeça do cliente, indisciplina generalizada. Uma barafunda.

E tudo isso por quê? Que é que há de tão importante no cargo de presidente do Senado pra provocar tamanho apetite entre 81 marmanjos? Aí é que reside a negação do poder difuso e equilibrado. O presidente da Câmara Alta detém nas mãos imenso poderio. Cabe a ele ‒ e a ele só ‒ determinar a pauta das deliberações. Um projeto de lei que não lhe agrade? Vai pra gaveta. Um pedido de impeachment de ministro do Supremo, que não lhe pareça oportuno? Vai pra gaveta. Um pedido de impeachment do presidente da República, que não lhe convenha? Vai pra gaveta. Um pedido de suspensão da imunidade de um colega simpático? Vai pra gaveta e lá fica.

by R. Paschoal, ilustrador

Esse poder desmedido dado a um só homem abre as portas pra obscuras transações. Não é à toa que um despeitado Renan, ao jogar a toalha, lamentou ter sido traído por um dos Bolsonaros juniores ‒ aquele que é senador e que anda enrolado com a Justiça. Ficou subentendido que o enrolado dava seu voto em troca do apoio de Renan em caso de pedido de suspensão de imunidade parlamentar. É o toma lá dá cá florido e vigoroso.

O presidente da República tem o direito de governar por decretos, se assim o desejar. Isso lhe confere poder discricionário. Um solitário ministro do STF tem o direito de expedir decisões que balançam as estruturas da República. Isso lhe confere poder discricionário. Agora sabemos que também o presidente do Senado detém o controle do que será ou não votado. Isso lhe confere poder discricionário.

Conclui-se que, no frigir dos ovos, passando por cima dos milhares de pequenas autoridades que exercem um nacozinho do poder global, o grosso mesmo está concentrado nas mãos de um punhado de indivíduos, que se podem contar nos dedos das mãos. Cada um deles, quando age solitário, nos faz dançar o samba de um homem só.

Observação
Davi Samuel Alcolumbre (1977-) é o novo presidente do Senado. O intrigante e raro sobrenome é judeu sefardi(*). Os antepassados de doutor Alcolumbre hão de ter deixado um dia a Espanha, muito provavelmente quando da expulsão de 1492, para se estabelecerem nalgum país do leste do Mediterrâneo, de onde, séculos depois, emigraram para o Brasil. A grafia do nome flutua conforme a transcrição: Alcolumbre, Alculumbre, Alkulumbre são algumas das variantes.

O «Al» inicial denota arabização. De fato, ‘al’ é o artigo em árabe. Essa característica do nome Alcolumbre reforça a tese de a família estar estabelecida na Espanha à época do domínio mouro, que durou sete séculos.

(*) Diz-se sefardi (plural: sefardim) dos judeus originários da Península Ibérica. Em hebreu moderno, Sefarad é o nome dado à Espanha.

Com ou sem crase? ‒ respostas

Dad Squarisi (*)

Aqui está a solução do teste de ontem sobre o emprego do sinal indicativo de crase.

1. O governador vai a Santa Cruz domingo de manhã.

2. Tinha de agradecer muita coisa a muita gente.

3. Empregados domésticos têm direito a férias.

4. Convém esclarecer às mães solteiras de seus direitos.

5. Eis as notas promissórias correspondentes às duas últimas prestações.

6. O presidente compareceu à sessão solene de instalação dos trabalhos legislativos.

7. O sistema está parado desde as 15h30.

8. Não é essa a blusa a que me referia.

9. Estava à toa na vida.

10. Aquela pasta é igual à que comprei.

11. Fez prova semelhante à de Maria.

12. Ele pertence a uma academia com projeção nacional.

13. Não foi possível chegar a conclusão alguma.

14. Chegou à conclusão de que não valia a pena.

15. Conseguiu o emprego devido a suas qualidades.

16. A secretaria funcionará de segunda a quinta das 14h às 18h30.

17. Na faixa leste do estado, o tempo está sujeito a instabilidade passageira.

18. Ante as arremetidas dos opositores, o parlamentar se recolheu sem reação.

19. A declaração pode ser preenchida a lápis ou a (à) tinta.

20. Considerando os difíceis processos apresentados, sente-se o comitê à vontade para expressar…

21. Dirigiu a S. Exª os agradecimentos da noite.

22. O expediente será das 8h às 10h.

23. Todo infrator está sujeito a punição.

24. A situação atual, dada a ignorância dos presentes, tende a piorar.

25. Fica prejudicado o contribuinte de rendas médias devido à percentagem de apenas 55%.

26. Não pude sair devido à falta de tempo.

27. A regra também se pode aplicar à frase de Irene.

28. A regra também se pode aplicar a esta frase.

29. Espera-se um futebol à brasileira.

30. Nas minhas férias fui a Manaus.

31. Reportou-se à Roma dos Césares.

32. Faço minhas orações a Nossa Senhora.

33. Rezei à Mãe de Deus.

34. É recomendável não dar confiança a mulher alheia.

35. Emprestei o livro a (à) Teresinha.

36. Retornou à casa de Petrópolis.

37. No festival não se assistiu a nenhuma grande peça.

38. Disse gentilezas a você.

39. A fusão corresponde às expectativas do grupo.

40. Colocou o painel à direita do semáforo.

41. Para ter os direitos reconhecidos, recorreu a (à) instância superior.

42. Quando quiser saber o sentido e a forma exata de uma palavra viva, vá às pessoas.

43. Fez referência a (à) minha tia e à sua.

44. Dirigiu-se àqueles que até ontem eram seus pares.

45. Dirigiu-se às que pareciam suas amigas até ontem.

46. Eis a matéria à qual você se referia ontem.

47. Vou a casa buscar o agasalho.

48. Vou à casa de amigos buscar agasalhos.

49. Observe-a a distância, discretamente.

50. Observe-a discretamente à distância de uns 100 metros.

51. Curso de português a distância.

52. Não gosto de bife à milanesa.

53. Estava a ponto de bala.

54. Ufa! Reclama a toda hora.

55. É honesto a toda prova.

56. À medida que se acostuma no novo ambiente de trabalho, fica mais produtiva.

57. Paulo é a pessoa a quem você deve favores à beça.

58. Este é o homem a cuja filha você se referiu ontem.

59. A água inundou até a cozinha.

60. O marinheiro não está a bordo.

61. Não me refiro a Vossa Senhoria, mas à senhora que o acompanha.

62. Viram-se cara a cara.

63. Daqui à Esplanada são cinco minutos de carro.

64. Daqui a uma hora chegaremos a Brasília.

65. Tomou o remédio gota a gota.

(*) Dad Squarisi, formada pela UnB, é escritora. Tem especialização em Linguística e mestrado em Teoria da Literatura. Edita o Blog da Dad.

Com ou sem crase?

Dad Squarisi (*)

Muitas vezes, o uso da crase dá dor de cabeça. Vai aqui abaixo um teste com 65 questões sobre o emprego do sinalzinho indicativo de crase. O distinto leitor está convidado a examinar cada frase e anotar se o a (as) deve ou não receber acento grave. As respostas serão publicadas amanhã.

1. O governador vai a Santa Cruz domingo de manhã.

2. Tinha de agradecer muita coisa a muita gente.

3. Empregados domésticos têm direito a férias.

4. Convém esclarecer as mães solteiras de seus direitos.

5. Eis as notas promissórias correspondentes as duas últimas prestações.

6. O presidente compareceu a sessão solene de instalação dos trabalhos legislativos.

7. O sistema está parado desde as 15h30.

8. Não é essa a blusa a que me referia.

9. Estava a toa na vida.

10. Aquela pasta é igual a que comprei.

11. Fez prova semelhante a de Maria.

12. Ele pertence a uma academia com projeção nacional.

13. Não foi possível chegar a conclusão alguma.

14. Chegou a conclusão de que não valia a pena.

15. Conseguiu o emprego devido a suas qualidades.

16. A secretaria funcionará de segunda a quinta das 14h as 18h30.

17. Na faixa leste do estado, o tempo está sujeito a instabilidade passageira.

18. Ante as arremetidas dos opositores, o parlamentar se recolheu sem reação.

19. A declaração pode ser preenchida a lápis ou a tinta.

20. Considerando os difíceis processos apresentados, sente-se o comitê a vontade para expressar…

21. Dirigiu a S. Exª os agradecimentos da noite.

22. O expediente será das 8h as 10h.

23. Todo infrator está sujeito a punição.

24. A situação atual, dada a ignorância dos presentes, tende a piorar.

25. Fica prejudicado o contribuinte de rendas médias devido a percentagem de apenas 55%.

26. Não pude sair devido a falta de tempo.

27. A regra também se pode aplicar a frase de Irene.

28. A regra também se pode aplicar a esta frase.

29. Espera-se um futebol a brasileira.

30. Nas minhas férias fui a Manaus.

31. Reportou-se a Roma dos Césares.

32. Faço minhas orações a Nossa Senhora.

33. Rezei a Mãe de Deus.

34. É recomendável não dar confiança a mulher alheia.

35. Emprestei o livro a Teresinha.

36. Retornou a casa de Petrópolis.

37. No festival não se assistiu a nenhuma grande peça.

38. Disse gentilezas a você.

39. A fusão corresponde as expectativas do grupo.

40. Colocou o painel a direita do semáforo.

41. Para ter os direitos reconhecidos, recorreu a instância superior.

42. Quando quiser saber o sentido e a forma exata de uma palavra viva, vá as pessoas.

43. Fez referência a minha tia e a sua.

44. Dirigiu-se aqueles que até ontem eram seus pares.

45. Dirigiu-se as que pareciam suas amigas até ontem.

46. Eis a matéria a qual você se referia ontem.

47. Vou a casa buscar o agasalho.

48. Vou a casa de amigos buscar agasalhos.

49. Observe-a a distância, discretamente.

50. Observe-a discretamente a distância de uns 100 metros.

51. Curso de português a distância.

52. Não gosto de bife a milanesa.

53. Estava a ponto de bala.

54. Ufa! Reclama a toda hora.

55. É honesto a toda prova.

56. A medida que se acostuma no novo ambiente de trabalho, fica mais produtiva.

57. Paulo é a pessoa a quem você deve favores a beça.

58. Este é o homem a cuja filha você se referiu ontem.

59. A água inundou até a cozinha.

60. O marinheiro não está a bordo.

61. Não me refiro a Vossa Senhoria, mas a senhora que o acompanha.

62. Viram-se cara a cara.

63. Daqui a Esplanada são cinco minutos de carro.

64. Daqui a uma hora chegaremos a Brasília.

65. Tomou o remédio gota a gota.

Amanhã vêm as respostas!

(*) Dad Squarisi, formada pela UnB, é escritora. Tem especialização em Linguística e mestrado em Teoria da Literatura. Edita o Blog da Dad.

Anemia global

José Horta Manzano

Este é um momento em que as altas esferas de países importantes (mas não só) estão atravessando um período de dúvidas, de retraimento. A vida é feita de altos e baixos: quando uns estão na subida, é comum e normal que outros estejam descendo. O que é menos comum é que tantos dirigentes estejam em fase de retraimento. Uma verdadeira anemia.

Donald Trump, o cacique-mor, fecha o segundo ano de mandato com uma espinha atravessada na garganta. Prometeu que ergueria, de qualquer modo, uma muralha pra afastar miserentos. De repente, dá-se conta de estar órfão de pai e mãe: o Congresso fechou a torneira e não lhe dá o crédito necessário. E agora?

Theresa May, primeira-ministra britânica, é outra que anda mais cabisbaixa que de costume. Por um lado, está compromissada por ter garantido ao povo tirar seu país da União Europeia. Por outro, a própria Europa lhe impõe um cardápio de pesadas condições, caso insista em deixar o bloco. Um dilema.

A primeira-ministra alemã, Angela Merkel, está mal das pernas. Desgastada pelos longos anos de poder e enfraquecida por recentes derrotas em eleições parciais, já declarou que está encerrando a carreira e que não vai se recandidatar para a próxima legislatura.

Na França, depois de três meses de manifestações de protesto dos «gilets jaunes ‒ coletes amarelos», o presidente Macron anda sumido, encolhidinho. Com medo de povo, só dá entrevista para plateias amestradas. Se as eleições fossem hoje, aquele que venceu com o voto de dois em cada três franceses sairia derrotado.

Pedro Sánchez, primeiro-ministro socialista da Espanha, além de ter curta maioria no Congresso, está enfrentando outros inimigos. A revolta surda dos catalães que clamam por independência é pedregulho no sapato. Pra coroar, na importante região da Andaluzia, que governavam havia mais de 40 anos, os socialistas perderam para a direita.

Maurício Macri, da Argentina, está diante de galopante inflação acompanhada de degradação da economia do país. É a receita do Deus me livre, caminho certo pra acabar com qualquer dirigente.

Na Venezuela, não precisa nem dizer. O país, exaurido, titubeia. Como limão espremido, não dá mais caldo. E o ditador está de costas pro precipício, à espera de quem lhe diga: «Um passinho atrás, Excelência».

E no Brasil? Nem bem começou, o governo de doutor Bolsonaro já parece vacilante. O presidente tem problemas com os filhos, com o vice. Relações com o Congresso se anunciam agitadas. Ainda é cedo pra chegar a uma conclusão, mas, do jeito que vai, o que se vê é um governo menos forte do que se imaginava. Nesse particular, o dirigente maior de nosso país está emparelhado com os que mencionei: todos anêmicos. Deve ser isso a globalização.