Passada uma semana da eleição, a poeira começa a assentar. Já podemos nos dar conta de que, por um triz, nosso país não rolou a pirambeira e não descambou de vez.
Por pouco não demos mandato de presidente a um homem que, hoje sabemos, é pusilânime e tem a espinha dorsal gelatinosa, um sujeito que ousou propor dar a um governante estrangeiro, de graça, as riquezas do Brasil em troca de apoio a sua eleição. Traição à pátria sob forma de presente dado com chapéu alheio.
Um país imenso, populoso e complexo como o nosso não pode entregar as rédeas de seu destino a um indivíduo desse jaez. A pusilanimidade, qualidade dos que desmaiam e escapolem na calada, não é compatível com o cargo de presidente. Espinha gelatinosa não serve, a coluna tem de ser firme para aguentar os trancos inerentes à função.
Este homem já é o terceiro rebento da estirpe dos Bolsonaros que, ameaçado de ser chamado a prestar contas de seus malfeitos, foge para os Estados Unidos. Eles parecem sofrer de uma espécie de sina familiar que os compele a abandonar solo pátrio, correligionários, amigos e eleitores para refugiar-se em terras do Tio Sam. O curioso é que, na Florida ou no Texas, vão viver no meio dos imigrantes latino-americanos pobres que tanto abominam.
Li outro dia o comentário de um ultradireitista que ia assim: “Flávio, aproveite bem as férias nesse paraíso!”. Pensei comigo mesmo que, se acha que a Florida é um paraíso, o comentador deve estar levando uma vidinha bem medíocre. Na realidade, para um filhinho de papai que vivia, até a semana passada, numa mansão à beira do Lago Paranoá, com toda a mordomia do mundo, motorista, jardineiro, piscineiro, porteiro, vigia, faxineira, arrumadeira e cozinheira, o paraíso era aqui, não lá.
Ouve-se dizer que as eleições deixaram o Brasil “partido ao meio”. Não é verdade e posso demonstrar. O eleitorado total era de 158.745.502 pessoas aptas a votar. Os votos dados a Bolsonaro jr no segundo turno foram 59.826.041, que representam apenas 37,7% do total. Portanto, os eleitores de Flávio B. representam pouco mais que uma terça parte do total, bem longe de 50%. O lado reconfortante dessa continha é a constatação de que muito menos da metade dos brasileiros deram seu voto a esse estrupício.
O Brasil tem agora quatro anos pela frente para reorganizar sua política e trabalhar para a volta à normalidade democrática. A direita republicana tem uma chance única de se alforriar da tutela do clã miliciano. Que aproveite que dois dos rebentos da família estão esperneando no exterior e que o pai de todos continua condenado ao silêncio. O momento é de ouro.















