Fernando Collor de Mello, primeiro presidente eleito após a ditadura militar, marcou a história do Brasil de forma trágica ao ser também o primeiro a sofrer um impeachment. Driblou a Justiça por décadas; vê-se agora finalmente na hora do acerto de contas. Condenado em derradeira instância, foi encaminhado para a prisão. É passo importante para um país que tanto clama por responsabilização. Antes tarde do que nunca.
Mas se a prisão de um figurão mostra que, no fundo, ninguém está acima da lei, resta a pergunta que ecoa por ruas e redes: e o dinheiro desviado? Os milhões roubados de cofres públicos e privados, fruto de corrupção, favorecimentos e obscuras transações, serão recuperados? Ou a punição se resume apenas à perda da liberdade, deixando que o apenado saia da cadeia amanhã tão ilicitamente rico quanto entrou? Talvez a informação tenha me escapado, mas não encontrei no noticiário nenhuma menção a confiscação do dinheiro embolsado ilicitamente.
Prender corruptos é necessário, mas tão ou mais importante é assegurar a reparação do dano causado ao erário ou a outrem. O confisco de bens, a devolução de valores desviados e a indenização pelos prejuízos são passos que precisam caminhar junto com a responsabilização penal. Sem isso, a Justiça corre o risco de virar apenas um espetáculo, sem efetivo efeito reparador para a sociedade. Devolução e multa milionária têm de marchar pari passu com a prisão.
O brasileiro comum, que paga impostos diretos e indiretos, que enfrenta fila em hospitais públicos, que vê a educação sucateada, tem todo o direito de querer mais do que o encarceramento de figurões metidos a besta como esse cavalheiro: exige-se o ressarcimento. Não basta punir o corpo; é preciso recuperar e confiscar o patrimônio rapinado. Sem contar a imposição de multa milionária, correspondente ao valor embolsado.
Collor foi para a cadeia, ótimo. Mas que a Justiça vá além. Que também desfaça o que foi construído à custa da corrupção. Só assim poderemos, de fato, torcer o braço à ladroagem que nos circunda e construir uma democracia séria e respeitada.









